Call Me By Your Name – Me Chame pelo Seu Nome


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Quando somos jovens, o amor flui mais naturalmente. Com o passar do tempo, pensamos um pouco demais, sentimos um pouco menos. Colocamos cada vez mais dúvidas no que deveríamos fazer ou sentir. Mas quando somos jovens, não nos importamos tanto em nos equivocarmos. Sobre isso tudo é que Call Me By Your Name trata. E não apenas sobre isso. Essa produção conta uma bela história de amor. E não qualquer amor, mas o primeiro realmente grande para um jovem – e possivelmente para o seu par também. Um filme sensível, interessante, como há algum tempo a gente não via.

A HISTÓRIA: Verão de 1983. Elio (Timothée Chalamet) joga algumas roupas suas na cama em que está a amiga Marzia (Esther Garrel) quando ele escuta um carro chegando. Elio fala que está chegando “o usurpador”. A história se passa “em algum lugar ao Norte da Itália”. Quando o carro estaciona, os pais de Elio, Mr. Perlman (Michael Stuhlbarg) e Annella (Amira Casar), recepcionam o novo hóspede da família, Oliver (Armie Hammer). Mr. Perlman e Oliver já tinham trabalhado juntos, mas essa é a primeira vez que Oliver encontra a esposa e o filho do professor.

Elio tira as roupas e o violão da cama, e Oliver logo se joga para dormir. Ele está exausto. Enquanto Oliver ocupa o quarto de Elio, o jovem fica no quarto ao lado, com eles dividindo o banheiro. A relação deles vai se tornando cada vez mais próxima com o passar do tempo, em uma visível admiração que um sente pelo outro desde o princípio.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Call Me By Your Name): Depois de Moonlight (comentado aqui) ter vencido em três categorias do Oscar no ano passado, incluindo a de Melhor Filme, é bacana ver um outro filme tratando sobre a descoberta do amor e como ele pode transformar as pessoas. E, evidentemente, é bom que essas histórias de amor foquem um casal de homens, para variar um pouco.

Afinal, já estamos acostumados a muitas histórias de amor entre homens e mulheres. O cinema está recheado destas histórias. Mas é bem menos frequente vermos belas histórias de amor de casais de homens ou de mulheres. Homossexuais com belas histórias de amor sempre existiram na História, mas nem sempre as sociedades estiveram preparadas para falar abertamente sobre isso. Que bom que vivemos novos tempos, em que cada vez mais sociedades aprendem a observar estas histórias de amor como tão belas quanto as clássicas histórias de amor entre homens e mulheres.

Dito isso, no Globo de Ouro desse ano, vi o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira, um dos responsáveis por Call Me By Your Name, comentar sobre isso, de como é importante, depois de Moonlight, um filme tratar de forma bela e sensível uma bela história de amor entre dois homens. Afinal, Moonlight mostra a transformação de um garoto que passou por diversas situações difíceis, até que encontrou o amor e uma forma de redenção.

Em Call Me By Your Name temos outra pegada. Um filme sobre o primeiro amor que não segue a cartilha de uma garota e um garoto que se apaixonam pela primeira vez. Ou então de uma mulher mais velha que ensina tudo o que sabe para um garoto inexperiente. Não. Dessa vez, temos um jovem com grande vocação artística que, aos 17 anos, descobre o amor para valer na relação com um universitário sete anos mais velho que ele que está concluindo o seu doutorado.

Essas histórias acontecem, não apenas na década de 1980, mas atualmente, na década de 2010. E antes disso, e seguirão existindo depois. Bacana ver uma história dessas ser contada com tanta naturalidade e com tanta paixão pelas pessoas envolvidas. E se você não “concorda” com nada disso, acha que as relações homossexuais são “erradas” e não deveriam ser retratadas com a mesma beleza que uma relação heterossexual, deixa eu te dizer uma coisa. Essas relações e essas formas de amar vão continuar existindo, independente da sua opinião. E quanto antes você perceber que as coisas no mundo não precisam da sua opinião ou da sua concordância para existir, melhor para você.

Dito isso, vamos ao que interessa. Falar sobre Call Me By Your Name. Essa produção segue um pouco a cartilha de um romance clássico. Ou seja, primeiro temos a aproximação entre os futuros amantes, nesse caso, Elio e Oliver. Especialmente o filho do casal de anfitriões observa cada gesto do hóspede da família. Mas ele também é observado – mesmo que não perceba. O cortejo entre os dois é cheio de provocações, de aproximações e de disfarces, como acontece (ou aconteceu) com qualquer um de nós em algum momento da vida.

Você e eu, provavelmente, já passamos por isso. Pelos “jogos” do amor. Por provocações, dissimulações, uma aproximação seguida de um disfarce. Tudo isso faz parte do cortejo, do encantamento, de tudo aquilo que é prometido mas ainda não realizado. Por grande parte de Call Me By Your Name, vemos a esse cortejo em cena. E, claro, como nem tudo acontece como Elio ou Oliver deseja, temos pequenos “desvios no caminho”, como quando Elio avança o sinal na amizade com Marzia e eles acabam transando para o jovem colocar para fora todo o tesão que, na verdade, tem por Oliver.

Claramente Oliver e Elio, e especialmente o primeiro, tem um grande apreço pelas belas feições humanas, tão bem plasmadas pela arte clássica e/ou greco-romana, que é a especialidade de Mr. Perlman. O hedonismo, aliás, está presente nesse filme desde as imagens de abertura e até o último minuto. A busca pelo prazer e a vivência dele acabam sendo um elemento vital nessa produção. Algo que toda a família de Elio entende muito bem – e isso é algo realmente raro. Mas vamos falar sobre a família dele na sequência.

Antes, falando sobre a dinâmica do roteiro de James Ivory, que teve contribuição do diretor Luca Guadagnino e que foi baseado no romance de André Aciman, vale ressaltar que Call Me By Your Name segue essa narrativa romântica tradicional. Depois dos “jogos” de aproximação e afastamento que Elio e Oliver fazem, o que apenas alimenta a expectativa dos espectadores para o momento em que eles realmente coloquem em prática todo o desejo que sentem um pelo outro, temos finalmente o grande encontro amoroso dos personagens.

Até lá, a história explora o amadurecimento da atração que Elio vai sentindo em relação a Oliver, a ponto de sentir o cheiro de suas roupas e de buscar sempre por onde anda o ser amado. Mais maduro, com 24 anos de idade, Oliver sabe bem alimentar esse desejo do jovem “pupilo”, ficando ausente o suficiente para que Elio se sinta incomodado e para que manifeste o seu desejo de maneira mais clara. Finalmente, os dois se encontram e vivem o seu romance, depois de terem “perdido” um bom tempo naquele tradicional jogo de “gato e rato”.

Interessante como os pais de Elio são sensíveis e inteligentes. Mesmo não deixando claro, eles estão cientes de tudo que está passando com Elio e em sua casa de veraneio. Não tenho dúvidas que a mãe dele, ao sugerir que Elio acompanhe Oliver em sua última estadia na Itália antes de voltar para casa, nos Estados Unidos, sabia exatamente o que estava fazendo. Diferente de outros pais, que tolhem as experiências dos filhos porque querem evitar que eles sofram com a decepção do fim do romance depois, Annella quer que Elio vivencie o amor o máximo possível.

Que a decepção, a tristeza e a dor venham depois, isso não deve impedir Elio de viver o que deseja. Isso tudo fica subentendido nos gestos de Annella e é declarado com quase todas as letras no diálogo que Mr. Perlman tem com o filho quando ele retorna da viagem com Oliver. Aliás, para mim, essa é uma das melhores partes de Call Me By Your Name. Até então, tínhamos visto a uma narrativa praticamente clássica de um romance. Mas é na análise sobre tudo o que aconteceu e na espécie de “mea-culpa” que Mr. Perlman faz que o filme ganha uma outra dimensão.

Na verdade, para ser justa, existem dois grandes momentos no roteiro do experiente James Ivory. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O primeiro ocorre quando a produção praticamente chega à sua metade, quando Elio e Oliver vão até a cidade e, em um monumento em homenagem aos que morreram na 2ª Guerra Mundial, ocorre um dos melhores diálogos da produção. Oliver elogia como Elio sabe de tudo, ao passo que o jovem diz que Oliver nem sonha como ele não sabe de nada do que realmente interessa. O outro grande momento da produção é a conversa entre Mr. Perlman e o filho após o jovem voltar da sua viagem amorosa.

Mr. Perlman faz questão de dizer para Elio que ele deve ter a dimensão sobre o que ele viveu. Que foi algo muito especial, único, e que ele deve aproveitar isso enquanto é jovem, porque depois dos 30 anos parece que nos esvaziamos um pouco por termos dado tanto de nós antes. E nessa conversa ele fala grandes verdades. Admite, também, que teve algumas oportunidades na vida para vivenciar o que o filho viveu com Oliver, mas que acabou não se entregando para esse amor e que a oportunidade passou.

Nesse momento, de reflexão sobre o romance “clássico” que vimos, é que Call Me By Your Name consegue ser diferenciado. De fato, como eu disse no início desse texto, quando somos mais jovens, até os 20 e tantos anos, vivemos tudo mais intensamente. Nos soltamos mais e temos mais coragem em experimentar, em vivenciar o que queremos e desejamos. Depois dos 30 anos e após várias experiências amorosas, pensamos mais, analisamos, e abrimos mão de experiências que podem nos trazer dor e sofrimento. Com isso, consequentemente, deixamos de viver tudo que poderíamos.

No fim das contas, é sobre isso que se trata Call Me By Your Name. Sobre a nossa capacidade de vivenciar o amor de forma livre, solta, sem amarras ou julgamentos, e sobre a nossa capacidade de deixar de vivenciar isso depois de uma certa idade. Como eu acredito que tudo na vida é uma questão de decisão, de vontade e de escolha, acho sim que podemos vivenciar diversas fases e “vidas” dentro de uma mesma vida.

Assim, podemos ter as fases de amor platônico, de amor livre e de amor pleno, assim como as fases de tentar fugir das decepções amorosas e de seus joguinhos. Tudo é válido, desde que não percamos nunca a capacidade de amar. Porque existem diversas formas de amor e maneiras de manifestá-lo. Mesmo que abramos mão do amor apaixonado por um tempo, podemos canalizar o nosso amor para outras manifestações amorosas. E como Call Me By Your Name nos demonstra, o importante mesmo é que nunca nos deixemos embrutecer, não importa quantas desilusões amorosas vivenciemos.

O que é dito e o que é comunicado apenas pelos olhares nesse filme são elementos preciosos. Vale assistir Call Me By Your Name com tempo, com atenção e sabendo que esta produção bebe muito mais das fontes do cinema europeu do que do cinema clássico americano. Um filme com estilo, com cadência própria e com tempo para valorizar os sentimentos e expectativas de seus personagens – especialmente do protagonista, de quem a câmera de Luca Guadagnino está sempre próxima.

Afinal, a descoberta do primeiro grande amor nunca é algo banal. E esse filme sabe valorizar isso muito bem. Uma produção de romance clássica mas com a coragem de mostrar um casal de homossexuais no centro da narrativa. Muito bacana. Espero que mais pessoas passem a respeitar todas as formas de amor após assistirem a esse filme.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Na transmissão do Globo de Ouro, o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira comentou sobre como é bom ver um filme sobre um romance homossexual com “final feliz”. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). E aí temos algo interessante nesse Call Me By Your Name: o filme realmente tem um final feliz? Isso vai depender tudo do que o espectador entende por final feliz. Admito que eu esperei que Elio e Oliver ficassem juntos. Ou seja, que Oliver iria aparecer novamente na propriedade italiana dos Perlman e assumir o seu romance com o jovem promissor. Isso não acontece mas, ainda assim, o filme deixa de ter um final feliz?

Para mim, não. E isso eu só percebi como o final do filme mesmo. Foi então que eu percebi que um “final feliz” não precisa, necessariamente, das pessoas ficando juntas “para sempre”. Até porque esse entendimento é relativo. Acredito sim que um “final feliz” acontece quando as pessoas se entregam totalmente ao que sentem e se elas foram honestas consigo mesmas, em primeiro lugar, e com o seu par, em segundo lugar. Se isso aconteceu, se o amor foi vivido intensamente, aí já temos um “final feliz”. O amor romântico geralmente provoca dor e termina.

Como já nos disse o sábio Vinicius de Moraes, que o “amor seja eterno enquanto dure”. Temos um “final feliz” quando vivemos essa eternidade e, quando o romance propriamente dito termina, saboreamos o que vivemos para o resto da nossa vida. Porque os laços continuam, e o amor também, mesmo que o contato físico não exista mais. Como bem disse Oliver perto do final, ele lembrava de tudo. E o quanto isso é imenso! Lembrar de tudo, ter apenas as lembranças boas do que passou, isso é amor e isso é ter um laço permanente com o ser amado, mesmo que nunca mais o vejamos na vida. Para mim, esse é um “final feliz” de uma história de amor. E temos isso em Call Me By Your Name.

Falando no nome do filme e do que ele representa. (SPOILER – não leia… bem você já sabe). Admito que, quando Oliver fala para Elio chamá-lo pelo seu nome e vice-versa, achei aquilo um pouco estranho. Me coloquei no lugar deles. Mas depois, conforme a história avança, é que tive a dimensão exata do que aquilo representava. Primeiro, que um chamar o outro pelo seu nome era algo que só eles sabiam, era algo que tinha um significado especial apenas para eles. Depois que, convenhamos, ninguém nos conhece – ou isso deveria ser sempre assim – melhor do que nós mesmos. Então você viver uma relação com alguém ao ponto de chamar essa outra pessoa pelo teu nome, porque você a conhece com toda essa profundidade, com toda essa intimidade… realmente é algo único. Interessante. E dá realmente a dimensão exata do que o romance que é retratado representa.

Quem acompanha esse blog há mais tempo pode estar estranhando as últimas notas que eu dei para os filmes. Mas, como comentei por aqui, na crítica de Lady Bird, resolvi ser um pouco mais “dura” e criteriosa com as notas que eu dou para as produções que eu assisto. Então, segundo o histórico do blog, pode parecer que a nota 9 não é muito boa. Mas convenhamos, lembrando da nossa época de colégio e tudo o mais, um 9 é uma nota ótima, não é mesmo? Estudávamos muito para tirar um 9 no colégio.

Então é isso. Call Me By Your Name é um filme bem feito, interessante, corajoso ao contar um romance clássico sob a ótica de um jovem que descobre que gosta de um doutorando mais velho. O primeiro amor, com toda a sua base narrativa que já conhecemos, ganha nova abordagem nesse filme. Por tudo isso, pelo belo trabalho dos atores e por dois grandes momentos dessa produção, acho que ela merece sim esse 9. Notas maiores que essa, só para filmes realmente mais marcantes e muito, muito bons, caminhando para excepcionais e excelentes. O que cada vez será mais raro por aqui.

Eu gostei das escolhas narrativas do diretor Luca Guadagnino. Ele pincela, aqui e ali na história, os seus momentos de pura arte – como em algumas sequências em que Elio está “maturando” o seu primeiro amor e na expectativa de realizar o encontro da “primeira vez” com Oliver. Nesses momentos, além da direção de fotografia de Sayombhu Mukdeeprom, é valorizada a trilha sonora que contou com Gerry Gershman como músico consultor, Lindsey Taylor como coordenadora musical e Robin Urdang como músico supervisor. Muito bons estes dois elementos na produção. Tanto a direção de fotografia quanto a música. Elementos importantes para a história e para os personagens.

Além desses aspectos técnicos que se destacam nesta produção, vale comentar o bom trabalho de edição de Walter Fasano; o design de produção de Samuel Deshors; a direção de arte de Roberta Federico; a decoração de set de Muriel Chinal, Sandro Piccarozzi e de Violante Visconti di Modrone; os figurinos de Giulia Piersanti; a maquiagem de Fernanda Perez; e os efeitos visuais que envolveram 16 profissionais.

O elenco é outro ponto a destacar nessa produção. Os atores centrais da história, Timothée Chalamet e Armie Hammer, estão realmente ótimos. Eles não forçam em suas interpretações e não parecem caricaturas de pessoas reais. Não. Ambos estão muito bem e convencem nas particularidades de seus personagens. Claro que é impossível não destacar, ainda assim, o trabalho de Chalamet. Afinal, ele está sendo focado pelas lentes de Luca Guadagnino praticamente o tempo inteiro do filme, e ele convence em cada momento. Sem dúvida, merece aplausos e o holofote que ele tem recebido. Hammer também está muito bem, carismático e provocativo na dose certa. Eles são o destaque da produção.

Além deles, é preciso comentar o bom trabalho dos coadjuvantes, com destaque, nesse sentido, para Michael Stuhlbarg e para Amira Casar. Os dois tem uma presença muito marcante no filme, nem tanto pelos diálogos – descontada a sequência da conversa de Mr. Perlman com o filho -, mas, principalmente, pela interpretação detalhista, com forte presença de olhares que dizem tudo. Especialmente Casar se destaca nesse sentido. Observem como ela percebe tudo sem dizer nada a respeito… muito interessante. E Stuhlbarg também segue essa linha, além de ter um diálogo decisivo na história. Outros coadjuvantes que merecem ser citados pelo bom trabalho são Esther Garrel como Marzia, amiga “colorida” de Elio; Victoire Du Bois como Chiara, garota “local” que fica fascinada por Oliver; Vanda Capriolo como Mafalda, empregada da família; e Antonio Rimoldi como Anchiese, outro funcionário da propriedade italiana dos Perlman.

Call Me By Your Name estreou em janeiro de 2017 no Festival de Cinema de Sundance. Ou seja, o filme já está completando um ano de trajetória em festivais pelo mundo. Ele participou, até o momento, além do Festival de Sundance, de 46 festivais – sendo o mais recente dele, iniciado no dia 12 de janeiro de 2018, o Festival Internacional de Cinema de Palm Springs. Realmente impressionante a maratona de festivais em que o filme participou. Algo muito bacana para os nomes envolvidos no projeto, inclusive o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira.

Aliás, vale comentar um pouco sobre a trajetória de Teixeira. Como produtor, ele tem 35 projetos no currículo. Começou em 2004 com o curta Desequilíbrio. Dois anos depois, ele produziria o seu primeiro longa, o brasileiro O Cheiro do Ralo. A primeira incursão internacional de destaque de Teixeira foi o elogiado e premiado Frances Ha – uma falha no meu currículo, eu admito -, lançado em 2012. Desde então, ele seguiu produzindo filmes brasileiros e internacionais. Entre outros títulos, vale citar The VVitch: A New-England Folktale, Love e Mistress America.

Nessa trajetória imensa de festivais pelo mundo, Call Me By Your Name recebeu 42 prêmios e foi indicado a outros 118 – incluindo indicações em três categorias do Globo de Ouro 2018: Melhor Filme – Drama, Melhor Ator – Drama para Timothée Chalamet e Melhor Ator Coadjuvante para Armie Hammer. Entre os prêmios que recebeu, destaque para 8 prêmios de Melhor Ator para Timothée Chalamet; para 9 prêmios de Melhor Roteiro Adaptado para James Ivory; para 5 prêmios de Melhor Filme; para 5 prêmios de Interpretação Arrebatadora para Timothée Chalamet; para 1 prêmio de Melhor Diretor para Luca Guadagnino e para 1 prêmio de Melhor Filme Internacional no St. Louis International Film Festival. Uma bela coleção de prêmios, sem dúvida.

Tem alguns detalhes da história de Call Me By Your Name que eu só descobri lendo a sinopse da produção – durante o filme estes pontos não ficaram claros para mim. Vale citar alguns deles. A história se passa em uma vila no Norte da Itália do século 17, onde a família Perlman passa as férias sempre recebendo um estudante como convidado(a). O protagonista Elio tem 17 anos e passa as férias lendo, tocando e estudando música clássica, nadando nos rios e lagos e flertando com a amiga Marzia. O pai de Elio é um eminente professor especializado na cultura greco-romana. A mãe do garoto é uma tradutora, que aprecia a natureza e a cultura tanto quanto o marido. Oliver é o “estudante” hóspede dessa temporada, que chega na propriedade para ajudar Perlman em seu trabalho. Ele tem 24 anos e está trabalhando em sua tese de doutorado quando vai visitar o professor Perlman e família.

Na estreia de Call Me By Your Name no Festival de Cinema de Nova York, o filme foi aplaudido por 10 minutos – a maior ovação que um filme recebeu no evento até hoje.

Agora, outras curiosidades sobre essa produção. Segundo a história do filme, Elio tinha 17 anos e Oliver 24 anos quando os dois se encontram. Os atores Timothée Chalamet tinha 20 anos e Armie Hammer 29 anos quando a produção foi rodada. Na Itália, a idade para uma relação sexual ser considerada legal e feita de forma consentida é de 14 anos.

O ator Timothée Chalamet aprendeu a falar italiano e a tocar violão para poder interpretar melhor Elio.

O filme tem várias cenas sensuais, mas a sequência que mais deixou o ator Armie Hammer sem graça foi aquela em que ele dança em uma pista comandada por um DJ.

Antes das filmagens começarem, os atores tiveram apenas um ensaio. Timothée e Armie chegaram para gravar uma cena, justamente a que os dois tem o primeiro contato amoroso após estarem deitados na grama. Eles encararam a cena e o diretor Luca Guadagnino pediu para eles demonstrarem mais paixão na cena. Então eles embarcaram nos personagens até que perceberam, após algum tempo, que o diretor já tinha se afastado. Esse foi o único ensaio – ou seja, praticamente todo o filme foi rodado pela primeira vez, com os atores sem praticar cada cena antes.

Call Me By Your Name é dedicado ao ator Bill Paxton, que morreu em fevereiro de 2017. Brian Swardson, marido de um dos produtores do filme, Peter Spears, era o melhor amigo e o agente de Bill Paxton. Ele também é o agente de Timothée Chalamet. Bill Paxton visitou o set em que o filme foi rodado, na Itália, e se tornou amigo de Luca Guadagnino antes de morrer.

O diretor Luca Guadagnino já comentou que pensa em fazer uma sequência para Call Me By Your Name. No romance original, de André Aciman, os personagens Elio e Oliver se reencontram 15 anos depois do que vemos nessa primeira produção. Realmente pode ser interessante mostrar o que acontece com os dois passado tanto tempo.

De acordo com o site Box Office Mojo, Call Me By Your Name faturou pouco mais de US$ 7,2 milhões nos cinemas dos Estados Unidos. Não é uma bilheteria ruim, mas está longe de ser um graaaande sucesso comercial. Especialmente porque a produção teria custado cerca de US$ 4 milhões – ou seja, precisa crescer ainda para começar a dar lucro. Veremos se o filme consegue decolar mais após as suas várias indicações e premiações.

Call Me By Your Name é uma coprodução da Itália, da França, do Brasil e dos Estados Unidos.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 214 críticas positivas e nove negativas para esta produção, o que garante para o filme um nível de aprovação de 96% e uma nota média de 8,8. Especialmente as notas dos dois sites chamam a atenção. Estão bem acima da média dada pelo público e pelos críticos nas duas páginas.

CONCLUSÃO: O amor é sempre válido, mesmo quando ele nos machuca no final. Call Me By Your Name nos conta uma história de amor que, como tantas outras, surgiu por acaso, com o encontro de duas almas e a coragem delas de encarar o que sentiam. Um filme contado com a suavidade de uma produção europeia mas com algumas pitadas do bom cinema americano. Um tanto lento no início, Call Me By Your Name sabe alimentar a expectativa do público na cadência certa, até que na reta final o filme cresce. Nos faz pensar sobre o amor, nossas escolhas e tudo aquilo que deixamos de encarar por pensar demais. Uma bela produção, de uma safra do Oscar bastante diversa e interessante.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Esse filme tem tudo para emplacar diversas indicações no prêmio deste ano da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Pelos prêmios que o filme já recebeu e pelos quais ele já foi indicado, dá para nos arriscarmos a dizer que ele pode ser indicado no Oscar 2018 nas seguintes categorias: Melhor Filme; Melhor Ator, para Timothée Chalamet; Melhor Ator Coadjuvante, para Armie Hammer; Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (podendo concorrer tanto com “The Mystery of Love” quanto com “Visions of Gideon”).

O filme ainda tem chances, se conseguir fazer um bom lobby, de emplacar indicações nas categorias de Melhor Diretor, para Luca Guadagnino; e Melhor Direção de Fotografia. Ou seja, acredito que Call Me By Your Name tem chances de emplacar entre 5 e 7 indicações para o Oscar. Um belo desempenho, sem dúvidas.

Mas em que categorias o filme tem reais chances de vencer? Pelo andar da carruagem das bolsas de apostas – mais do que das premiações, porque muitas das principais de Hollywood ainda estão para acontecer -, acredito que ele tenha chances mesmo só em Melhor Roteiro Adaptado. Nas demais categorias o filme corre um pouco “por fora”, tendo sempre um ou dois candidatos muito fortes para derrubar antes de chegar na estatueta dourada.

Ainda assim, se o filme emplacar cinco ou mais indicações, ele já terá bastante visibilidade e conseguirá ser visto por ainda mais pessoas. E isso é tudo que um filme e os seus realizadores desejam. Veremos as próximas premiações para fazer um prognóstico ainda mais ajustado.

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