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Oscar 2018

Indicados ao Oscar 2018 – Lista Completa e Avaliações

Saudações, amigos e amigas do blog!

Hoje, diferente de anos anteriores, eu não consegui publicar aqui mais cedo a lista de todos os indicados para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Mas agora sim, vou fazer isso. Retomar a nossa tradição de publicar a lista e de comentar quem são os favoritos e os meus palpites para cada categoria.

Os indicados ao Oscar 2018 foram divulgados hoje, no dia 23 de janeiro de 2018, antes do meio-dia no horário de Brasília. Quem fez as honras da divulgação, dividida em duas partes, como ocorreu no ano passado, foram os atores Tiffany Haddish e Andy Serkis. Primeiro, a dupla de apresentadores divulgou as 11 categorias mais técnicas e, depois, as 13 categorias consideradas principais.

O anúncio dos indicados foi feito no Teatro Samuel Goldwyn, de propriedade da Academia, e transmitido ao vivo por diversos canais, inclusive os dois sites ligados à premiação e à Academia. A primeira leva de indicados foi precedida sempre por um vídeo curto de “apresentação” de cada uma das categorias técnicas.

Estrelaram esses vídeos os seguintes membros da Academia: Priyanka Chopra, Rosario Dawson, Gal Gadot, Salma Hayek, Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Molly Shannon, Rebel Wilson e Michelle Yeoh. Se você ficou curioso(a) para ver o anúncio dos indicados, deixo o vídeo com a transmissão mais abaixo. 😉

A lista de indicados em quase todas as categorias foi definida pelos respectivos pares que fazem parte da Academia. Ou seja, os membros que são editores apontaram os cinco indicados em Melhor Edição; os diretores apontaram os cinco finalistas na categoria Melhor Diretor; e assim por diante. As categorias Melhor Animação e Melhor Filme em Língua Estrangeira foram definidas por dois comitês formados por profissionais de diferentes áreas e que fazem parte da Academia. E a categoria Melhor Filme foi definida pelo voto de todos.

Passada essa fase das indicações, entre os dias 20 e 27 de fevereiro, todos os membros da Academia votam em naqueles que eles consideram os melhores em cada uma das 24 categorias do Oscar 2018. O resultado dessa votação será conhecido por todos nós no dia 4 de março na cerimônia de premiação no Dolby Theatre at Hollywood & Highland Center, em Hollywood, com transmissão para o Brasil e outros 224 países.

Feito esse preâmbulo e essa explicação sobre o que aconteceu hoje e o que irá suceder até a entrega das estatuetas douradas, vamos falar um pouco sobre o saldo dos indicados para o prêmio da Academia. Olha, foram poucas as surpresas. Praticamente todos os favoritos foram lembrados. Mas, admito, me chamou a atenção, duas grandes ausências entre os indicados.

Dois filmes considerados favoritos ficaram de fora de suas respectivas categorias. Me refiro ao filme In the Fade, do grande Fatih Akin, que foi esnobado e ficou de fora da disputa na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira; e ao documentário Fade, vencedor do Producers Guild Awards e de várias outras premiações. Os dois filmes, aliás, vinham se destacando por estarem papando boa parte dos prêmios dessa temporada e, apesar disso, foram esnobados pela Academia. Curioso, no mínimo.

Sem In the Fade na disputa, francamente, sou honesta em dizer que não me surpreenderia se o Chile papasse o prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira nesse ano. Logo mais, veremos. No mais, a grande disputa do ano parece estar entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (comentado aqui) e The Shape of Water. Ah sim, e chamou um pouco a atenção as esnobadas para Steven Spielberg e The Big Sick (que foi lembrado apenas em Roteiro Original) e o crescimento do filme Phantom Thread, do sempre interessante Paul Thomas Anderson.

Declaro, junto com esse post, aberta a temporada de “correr atrás” do máximo de filmes indicados esse ano ao Oscar. 😉 Como vocês sabem, eu já comecei essa busca – prova disso é que seis dos nove filmes indicados na categoria principal já foram comentados aqui no blog. Mas, agora, está na hora de ir colocando o “check” em cada uma das produções que ainda me faltam. Abaixo, deixo a lista de todos os indicados, conforme a divulgação da Academia, e uma breve avaliação sobre os finalistas em cada categoria.

E bons filmes para todos nós! Algo é certo: essa temporada tem uma safra bem interessante e diversificada. O público, agradece.

CONFIRA A LISTA DE TODOS OS INDICADOS AO OSCAR 2018:

Melhor Ator:

Avaliação: Essa categoria, assim como as outras envolvendo os astros e estrelas de Hollywood, não teve surpresas nesse ano. Todos esses nomes já eram esperados. Não assisti ainda ao trabalho de Denzel Washington e de Daniel Day-Lewis, mas conhecendo o histórico desses dois grandes atores e o talento de ambos, imagino que eles mereceram as suas indicações. Timothée Chalamet está em alta por causa de Call Me By Your Name e por seu trabalho como coadjuvante em Lady Bird (para esse, ele não foi indicado). Daniel Kaluuya estrela um dos grandes filmes do ano, Get Out.

Então sim, todos os que estão concorrendo tem talento e trabalho de destaque esse ano para ter justificado as suas indicações. Daniel Day-Lewis conseguiu a quinta vaga nessa categoria desbancando James Franco, de The Disaster Artist (ele foi indicado por esse papel ao Globo de Ouro, mas ficou de fora do Oscar). Faz parte. Sempre a quinta vaga pode ser conquistada por dois ou até três atores. Não falei antes de Gary Oldman porque ele está simplesmente impecável e espetacular em Darkest Hour. Ele faz o filme. É o favoritíssimo nessa categoria, até porque vem “papando tudo” nessa temporada.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Outra categoria sem surpresas. Todos os nomes acima estavam muito bem cotados. Willem Dafoe está ótimo em The Florida Project (o próximo filme que eu vou comentar aqui no blog) e, certamente, mereceu essa indicação. Woody Harrelson e Sam Rockwell fazem um excelente trabalho em Three Billboards, assim como Frances McDormand – eles são os grandes nomes do filme. Richard Jenkins, que é sempre ótimo, estava também bem cotado por The Shape of Water, e Christopher Plummer conquistou a quinta vaga.

Os veteranos Christopher Plummer e Richard Jenkins não precisam ser apresentados. Eles são ótimos e muitas vezes não recebem os prêmios que mereciam. Nesse ano, eles também correm totalmente por fora. Woody Harrelson e Willem Dafoe também não precisam de apresentações. Ambos conquistaram as suas vagas com belos trabalhos. Mas o favoritíssimo nessa categoria, inclusive porque ganhou o Globo de Ouro – e boa parte dos outros prêmios dessa temporada -, é Sam Rockwell. Dificilmente ele não vai levar esse prêmio. E será merecido.

Melhor Atriz:

Avaliação: Mais uma categoria repleta de gente talentosa e com a “escalação” praticamente definida com antecedência. Frances McDormand é a grande favorita, seguida a partir de uma certa distância por Saoirse Ronan e Sally Hawkins. Elas estrelam três dos filmes mais badalados e comentados do ano. Então é fácil de entender que as estrelas desses filmes sejam indicadas. Fiquei particularmente feliz por Margot Robbie ter conseguido a sua indicação – ela está simplesmente incrível em I, Tonya.

E a quinta vaga foi conquistada por ninguém mais, ninguém menos que a recordista absoluta de indicações no Oscar, a gigante e inesquecível Meryl Streep. Difícil um ano em que a atriz não é indicado ao Oscar. De 2010 para cá, ela só não foi indicada em três anos. De 1979 para cá, Meryl Streep ganhou três estatuetas do Oscar e foi indicada outras 18 vezes. Ou seja, no total, o nome dela foi citado 21 vezes em uma premiação do Oscar. Incrível. Mas, mais uma vez, ela ficará apenas entre as indicadas. Essa grande atriz conquistou a quinta vaga desse ano deixando outra veterana de fora da disputa: Judi Dench.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Nomes bem cotados nessa categoria também. Mas aqui, se compararmos as indicações do Oscar com o Screen Actors Guild Award, é onde tivemos as maiores mudanças. Allison Janney e Laurie Metcalf, as mais fortes concorrentes nessa categoria, repetiram no Oscar a indicação junto com Mary J. Blige. As outras duas atrizes conquistaram as suas indicações deixando para trás Hong Chau (Downsizing) e Holly Hunter (The Big Sick). Ainda assim, não dá para dizer, exatamente que foi uma surpresa ver as indicações de Octavia Spencer e Lesley Manville.

Especialmente Octavia Spencer estava bem cotada para essa categoria. E como o filme Phantom Thread cresceu bastante na campanha do Oscar, Lesley Manville conquistou a quinta vaga – no lugar de Hong Chau, especialmente. A atriz inglesa, que tem 10 prêmios no currículo e que recebeu, esse ano, a sua primeira indicação ao Oscar, talvez seja a única “surpresa” entre os atores e atrizes indicados. As chances dela de ganhar, são zero. A favorita é Allison Janney, mas não seria uma grande zebra se Laurie Metcalf levasse a estatueta para casa. Pessoalmente, torço por Janney.

Melhor Animação:

Avaliação: Sem surpresas nessa categoria. O que é algo bastante positivo em um ano com filmes menos interessantes “na disputa” – e que, ainda bem, ficaram de fora da lista final. Acredito que realmente os melhores do ano foram indicados. Vale uma menção especial, aqui, para a indicação do brasileiro Carlos Saldanha como diretor de Ferdinand. Esta é a segunda indicação desse “orgulho nacional” no Oscar – antes, ele concorreu por Gone Nutty. As chances dele vencer são nulas.

O favoritíssimo desse ano é o filme Coco, uma produção do estúdio Walt Disney. Dificilmente, mas muito dificilmente mesmo, esse filme não vai levar a estatueta para casa. Os produtores Lee Unkrich e Darla K. Anderson, vencedores de um Oscar por Toy Story 3, tem tudo para levarem o segundo Oscar para casa. Da minha parte, fiquei especialmente feliz pela indicação de Loving Vincent. Belo filme que mereceu muito essa indicação!

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Esses cinco filmes já eram esperados na disputa por Melhor Fotografia. Fiquei especialmente feliz pela indicação de Blade Runner 2049 – aqui e em todas as demais categorias em que o filme está concorrendo. Ainda que ele não leve nenhuma estatueta para casa, só fato dele não ter sido esnobado já me deixou bem contente. Dos três filmes da lista que eu assisti (Blade Runner 2049, Darkest Hour e Dunkirk), sou honesta em dizer que eu fico dividida entre Blade Runner 2049 e Dunkirk.

Os dois trabalhos são excepcionais, mas se eu pudesse votar, votaria em Blade Runner 2049. Eu não assisti ainda a The Shape of Water e a Mudbound, mas eu acho que a disputa está mesmo entre Blade Runner 2049 e Dunkirk. A bolsa de apostas aponta para o primeiro. Veremos se a maioria acerta. Como eu gostei muito de Blade Runner 2049, espero que o filme não saia de mãos abanando do Oscar 2018.

Melhor Figurino:

Avaliação: Essa categoria, tão interessante e tão pouco falada a cada Oscar, estava bem disputada esse ano. Tanto que dois filmes que estavam bem cotados para concorrer ao Oscar ficaram de fora da disputa: The Greatest Showman e Murder of the Orient Express. Eu não posso falar muito sobre Melhor Figurino porque eu só vi dois filmes dos cinco indicados – e dos sete bem cotados. Mas… pelo trailer que eu assisti e pelas fotografias que eu vi de The Greatest Showman, me parece que esse filme foi um tanto “injustiçado” por ficar de fora da disputa.

Como não assisti a três dos indicados, não me sinto preparada para avaliar de quem é a maior chance ainda. Nas bolsas de apostas, aparecem na liderança Phantom Thread e Beauty and the Beast. Honestamente, pelo sucesso que o filme teve no ano passado, acho que Beauty and the Beast pode levar a melhor. Algo a chamar a atenção é que a veterana Jacqueline Durran, vencedora de um Oscar por Anna Karenina, de 2012, está concorrendo duplamente nesse ano: por Beauty and the Beast e por Darkest Hour.

Melhor Diretor:

Avaliação: Três dos indicados nessa categoria eram “bolas cantadas”, mas duas vagas foram conquistadas na reta final da campanha dos estúdios pelas indicações ao Oscar. Guillermo del Toro, Christopher Nolan e Jordan Peele tinham as suas cadeiras reservadas na disputa por causa do trabalho excelente que eles fizeram em seus respectivos filmes – eu não assisti ainda a The Shape of Water, mas conheço bem o talento de del Toro para saber que ele merece qualquer indicação.

Eu sou fã de Paul Thomas Anderson. Gosto muito de seu estilo e trajetória. Ainda assim, preciso admitir que ele foi o nome que conquistou a quinta vaga nessa categoria, desbancando nomes fortíssimos como Steven Spielberg (por The Post) e o diretor de um dos filmes mais badalados do ano, Three Billboards, Martin McDonagh. Greta Gerwig, que escreveu e dirigiu o filme queridinho da crítica nessa temporada, Lady Bird, foi menos surpreendente ao conquistar o quarto posto. Entre os nomes na disputa, acredito que a grande rivalidade está entre Guillermo del Toro e Christopher Nolan. Um dos dois deve levar a estatueta – mesmo sem ter assistido ainda a The Shape of Water, admito que eu torço por del Toro.

Melhor Documentário:

  • Abacus: Small Enough to Jail
  • Faces Places
  • Icarus
  • Last Men in Aleppo
  • Strong Island

Avaliação: Essa categoria logo me chamou a atenção, assim como a de Melhor Filme em Língua Estrangeira. E a razão para isso é simples: ficou de fora da disputa um dos filmes favoritos do ano, Jane. Essa produção ganhou o Producers Guild Awards e vários outros prêmios da temporada. Realmente fiquei surpresa de não ver ela entre os finalistas. Jane também liderava, e com uma ampla vantagem, as bolsas de apostas.

Não assisti ainda a nenhum desses documentários. Mas pela premissa de cada filme, acho que Last Men in Aleppo e Icarus tem boas chances. Segundo as bolsas de apostas, contudo, Faces Places teria vantagem na disputa, seguido de Icarus. Essa é uma categoria sobre a qual eu prefiro opinar no futuro a curto prazo, quando eu começar a assistir aos filmes que estão na disputa.

Melhor Curta Documentário:

  • Edith+Eddie
  • Heaven Is a Traffic Jam on the 405
  • Heroin(e)
  • Knife Skills
  • Traffic Stop

Avaliação: Aqui, mais uma vez, o favorito das bolsas de apostas ficou de fora da disputa. Alone não foi indicado, mas o segundo colocado, Heroin(e), sim. Novamente, prefiro opinar sobre essa categoria depois de assistir aos concorrentes.

Melhor Edição:

Avaliação: Um dos fenômenos desse ano, Baby Driver, conseguiu a sua primeira indicação no Oscar 2018 nessa categoria. Na verdade, essa categoria é toda composta de “filmes sensação” do ano. Não necessariamente eles foram bem nas bilheterias, mas se deram bem na opinião do público e da crítica.

Da lista acima, ainda preciso conferir Baby Driver e The Shape of Water. Entre os demais, as bolsas de apostas apontam como franco favorito Dunkirk. Ainda que eu goste muito de I, Tonya e prefira esse filme, admito que Dunkirk dá um show de edição. Não seria nem um pouco injusto que ele se sangrasse o vencedor como Melhor Edição.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Essa foi outra categoria que me chamou muito a atenção por causa de uma grande ausência. Quem acompanha o blog há bastante tempo, acho que sabe que a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira é uma das minhas favoritas a cada Oscar. Esse ano, não é diferente. Alguns filmes dos quais eu tinha gostado já tinham ficado pelo caminho, e ainda que eu não tenha assistido a In the Fade, eu considerava esse o favorito. Não apenas por ele ter vencido ao Globo de Ouro e a vários outros prêmios, mas porque conheço bem o trabalho do diretor Fatih Akin.

Então sim, foi uma surpresa não ver In the Fade entre os finalistas. Por outro lado, não foi surpresa alguma ver ao chileno A Fantastic Woman – um dos meus próximos filmes a ser comentado por aqui – e ao russo Loveless na lista dos cinco indicados. Os outros dois, The Square e On Body and Soul, também se credenciaram como fortes candidatos nessa temporada por causa dos prêmios que receberam. Segundo as bolsas de apostas, A Fantastic Woman seria o favorito. Da minha parte, de quem não assistiu a todos os indicados ainda, eu diria que The Square ou On Body and Soul tem boas chances também. Essa categoria, até por In the Fade ter ficado de fora, está entre as mais difíceis de acertar nesse ano.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Categoria curiosa que, nos últimos anos, tem indicado apenas três filmes. Não é por falta de candidatos, mas porque a Academia prefere indicar apenas as “unanimidades”, digamos assim, em Maquiagem e Cabelo. Para mim, surpresa alguma nessas indicações. Realmente esses três filmes tem trabalhos excepcionais de Maquiagem e Cabelo – mas Star Wars: The Last Jedi, que nem ficou na lista dos pré-indicados, Guardians of the Galaxy Vol. 2 e outros filmes também tem. Vai entender porque outros títulos não foram indicados…

Desses três trabalhos que acabaram figurando na lista dos indicados, a escolha é difícil – especialmente entre Darkest Hour e Wonder. Os dois trabalhos de Maquiagem e Cabelo são incríveis. Mas… as bolsas de apostas apontam para uma vitória de Darkest Hour. A transformação de Gary Oldman em Winston Churchill realmente é algo impressionante e digno de um Oscar. Eu votaria, provavelmente, por Darkest Hour também.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Outros indicados de peso em uma categoria difícil que parece estar bem disputada nesse ano. Por trás dessas produções, grandes nomes da música e das trilhas sonoras no cinema. Pessoas que fizeram – e continuam fazendo – história, como os veteranos e mestres John Williams, Hans Zimmer e Alexandre Desplat.

Segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water levaria uma certa vantagem sobre Dunkirk. Se avaliarmos os prêmios entregues nessa temporada, de fato Desplat parece levar uma certa vantagem sobre Zimmer. Mas qualquer um deles vencendo, será merecido. Não assisti a Phantom Thread e The Shape of Water, então ainda não me sinto totalmente “informada” para poder opinar. Mas, entre os outros três filmes, acredito que eu ficaria com Dunkirk. A trilha sonora da produção, que muitas vezes apresenta ausência de diálogos, realmente é marcante.

Melhor Canção Original:

  • “Mighty River” (Mudbound)
  • “Mystery Of Love” (Call Me By Your Name)
  • “Remember Me” (Coco)
  • “Stand Up For Something” (Marshall)
  • “This Is Me” (The Greatest Showman)

Avaliação: A grande ausência dessa categoria foi a música “Evermore”, do filme Beauty and the Beast. No lugar dela, entrou uma outra forte candidata, “Mighty River”. Canção Original é algo complicado de julgar. O filme Detroit, por exemplo, de algumas canções originais bastante marcantes. Entre os concorrentes, assisti apenas a Call Me By Your Name. Então fica difícil julgar com propriedade.

Pelo histórico do Oscar, que gosta de premiar canções de filmes de animação, me parece que “Remember Me” leva uma certa vantagem. As bolsas de apostas também apontam para essa direção. Pessoalmente, gosto muito da força de “This Is Me”. Essa pode ser a melhor chance de The Greatest Showman não sair de mãos vazias do Oscar. Mais uma categoria difícil e na qual pode pintar uma certa zebra.

Melhor Filme:

Avaliação: Tive sorte nesse ano. Dos nove filmes indicados na categoria principal do Oscar, eu já assisti a seis. 😉 Falta conferir, ainda, Phantom Thread, The Post e The Shape of Water. Produções dirigidas por três diretores de quem eu gosto muito. Sobre esses filmes, que eu ainda não assisti, não tenho como comentar. Dos outros seis, posso dizer que concordo com quase todas as indicações. Apenas Darkest Hour eu acho que não é tãooo bom a o ponto de ser indicado a Melhor Filme. No lugar dele, sem dúvida alguma, eu iria preferir I, Tonya, Blade Runner 2049 (que eu já sabia que estava fora da disputa) ou mesmo The Florida Project – que será o próximo filme comentado aqui no blog.

Entre os indicados, me parece que a grande queda de braço está entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri e The Shape of Water. Dunkirk viria na terceira posição. Preciso assistir ao filme do del Toro, mas entre os indicados que eu já assisti, sem dúvida eu ficaria com Three Billboards. Em segundo lugar, com Get Out. Mas isso pode mudar depois que eu ver aos filmes de Paul Thomas Anderson, Guillermo del Toro ou Steven Spielberg. Três gênios de quem eu gosto muito. Veremos. Logo falaremos sobre essas produções e eu baterei o meu martelo definitivamente. 😉

Melhor Design de Produção:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Os cinco filmes mais cotados foram, justamente, os que conseguiram uma indicação ao Oscar. Design de Produção é algo magnífico. Não vi a dois desses filmes – Beauty and the Beast e The Shape of Water -, mas pelas imagens dos filmes que eu vi, especialmente em fotografias, concordo com as indicações. Os cinco filmes são incríveis. Mas essa é uma categoria disputada.

Acredito, por exemplo, que The Greatest Showman também mereceria ser indicado. Mas não sobrou uma vaga para ele. Entre os filmes que eu vi até agora, não tenho como não considerar Blade Runner 2049 o mais incrível. Mas… segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water seria o favorito. Tenho que ver aos dois filmes que faltam para poder realmente bater o martelo. Ah sim, depois do filme do del Toro, Blade Runner 2049 seria o segundo mais visado pelas bolsas de apostas.

Melhor Curta Animação:

  • Dear Basketball
  • Garden Party
  • Lou
  • Negative Space
  • Revolting Rhymes

Avaliação: Categoria sobre a qual eu gosto de comentar aqui no blog. Em breve, tenham certeza, farei blog posts sobre as três categorias de curtas. Mas, como ainda não assisti aos concorrentes, prefiro comentar sobre eles depois. Na bolsa de apostas, o filme que liderava, e de disparada, In a Heartbeat, ficou de fora da lista dos indicados. O segundo mais apostado é Dear Basketball.

Melhor Curta:

  • DeKalb Elementary
  • The Eleven O’Clock
  • My Nephew Emmett
  • The Silent Child
  • Watu Wote (All of Us)

Avaliação: Nessa categoria, por muito pouco as bolsas de apostas não acertaram em cheio. Apenas o curta Icebox, que era apontado na quinta posição entre os favoritos, ficou de fora, cedendo a sua vaga para My Nephew Emmett. Ainda preciso assistir a essas produções, mas segundo os apostadores, teria uma vantagem considerável na disputa o curta DeKalb Elementary.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Mais uma categoria que junta a alguns dos filmes “fenômeno” da temporada e sobre a qual os apostadores acertaram em cheio. Os cinco favoritos conseguiram, de fato, ser indicados. Mais uma categoria em que a concorrência é das boas, porque temos apenas grandes trabalhos lutando por uma estatueta dourada. Da lista, não assisti a Baby Driver e a The Shape of Water. Mas entre os que eu assisti, fico honestamente em dúvida.

As bolsas de apostas apontam para Dunkirk como o favorito, seguindo muito, mas muito atrás por Blade Runner 2049. Pessoalmente, prefiro Blade Runner 2049. Mas sou capaz de admitir, também, que o trabalho de edição de som de Dunkirk é exemplar e de tirar o chapéu. Acredito que qualquer filme que vencer nessa categoria será merecedor.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Sim, a lista em Mixagem de Som é exatamente a mesmo da lista de Edição de Som. Isso se explica pelo trabalho excepcional dos cinco filmes nesses quesitos. Os apostadores, aqui, mais uma vez, acertaram em cheio. As minhas considerações e opinião são praticamente as mesmas da categoria anterior. Acho excepcional o trabalho de mixagem de som em todos os filmes que eu assisti dessa lista, e acho que Dunkirk deve levar a estatueta para casa.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Na lista, cinco filmes que investiram pesado em efeitos visuais. Como sempre, essa é uma das categorias que eu menos acompanho a cada Oscar – especialmente porque ela é formada, geralmente, por “blockbusters” que, como os leitores fieis dessa blog sabem, não são muito a minha “praia” – ou, para dizer de outra forma, não são muito o meu foco. Entre os indicados, assisti apenas a Blade Runner 2049 e a Star Wars: The Last Jedi. Francamente? Eu acharia bacana qualquer um desses dois filmes vencer.

Mas, segundo as bolsas de apostas, o favorito nessa disputa, e com uma certa vantagem, é War for the Planet of the Apes. Realmente preciso assistir aos outros três concorrentes para poder opinar, mas tenho certeza que não será feita injustiça nessa categoria porque todos os concorrentes capricharam nos efeitos visuais.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Que legal ver um filme baseado em uma HQ ser indicado a Melhor Roteiro Adaptado. Puxa, muito legal mesmo! Eu sou uma grande fã de HQs – mas admito que, nem sempre, estou super no “barato” de ver a uma adaptação delas no cinema. Ainda assim, eu assisti a Logan e acho que o filme mereceu sim essa indicação. Bacana. Dito isso, comento também que me falta conhecimento para opinar sobre essa categoria nesse momento.

Essa minha “mea culpa” é porque eu assisti apenas a Logan e a Call Me By Your Name da lista aí acima. Tenho que ver aos outros filmes para poder opinar. Entre os dois que eu vi, sem dúvidas o meu voto iria para Call Me By Your Name, uma adaptação muito bem feita e comovente de uma obra que me parece ser complicada de adaptar. Nas bolsas de apostas, o filme dirigido por Luca Guadagnino, com roteiro de James Ivory e com o brasileiro Rodrigo Teixeira entre os produtores é apontado, também, como o favorito nessa categoria. Honestamente? Estou torcendo por ele (até prova em contrário). Ah sim, e as bolsas de apostas acertaram em cheio na lista dos cinco indicados. Sem surpresas, portanto.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Gosto muito das duas categorias de roteiros no Oscar. Afinal, para mim, um grande filme deve ter um grande roteiro como base. Sempre. Mesmo comentando isso, devo dizer que eu tenho uma certa “predileção” por essa categoria, a de Melhor Roteiro Original. Nela que, geralmente, encontramos os filmes mais interessantes a cada ano. Novamente, em 2018, isso não é diferente.

Eu não assisti, ainda, a The Shape of Water e a The Big Sick, mas sei do “burburinho” que os dois filmes causaram por causa dos seus roteiros. Gostei muito também do roteiro de I, Tonya, mas entendo que tendo apenas cinco vagas, não dá para entrar todos os filmes bons dessa temporada. Entre as produções que eu assisti, acho que o meu voto iria para Get Out pelo ineditismo da história e pelas ótimas sacadas do diretor e roteirista Jordan Peele. Mas, para ser franca, eu não acharia injusto Three Billboards também levar o título – afinal, o roteiro do filme é ótimo também. Escolha difícil. Nas bolsas de apostas, Lady Bird é o favorito, seguido de Get Out. Bueno, gosto é gosto, mas eu não gostaria de ver Lady Bird vencedor nessa categoria.

 

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Call Me By Your Name – Me Chame pelo Seu Nome

Quando somos jovens, o amor flui mais naturalmente. Com o passar do tempo, pensamos um pouco demais, sentimos um pouco menos. Colocamos cada vez mais dúvidas no que deveríamos fazer ou sentir. Mas quando somos jovens, não nos importamos tanto em nos equivocarmos. Sobre isso tudo é que Call Me By Your Name trata. E não apenas sobre isso. Essa produção conta uma bela história de amor. E não qualquer amor, mas o primeiro realmente grande para um jovem – e possivelmente para o seu par também. Um filme sensível, interessante, como há algum tempo a gente não via.

A HISTÓRIA: Verão de 1983. Elio (Timothée Chalamet) joga algumas roupas suas na cama em que está a amiga Marzia (Esther Garrel) quando ele escuta um carro chegando. Elio fala que está chegando “o usurpador”. A história se passa “em algum lugar ao Norte da Itália”. Quando o carro estaciona, os pais de Elio, Mr. Perlman (Michael Stuhlbarg) e Annella (Amira Casar), recepcionam o novo hóspede da família, Oliver (Armie Hammer). Mr. Perlman e Oliver já tinham trabalhado juntos, mas essa é a primeira vez que Oliver encontra a esposa e o filho do professor.

Elio tira as roupas e o violão da cama, e Oliver logo se joga para dormir. Ele está exausto. Enquanto Oliver ocupa o quarto de Elio, o jovem fica no quarto ao lado, com eles dividindo o banheiro. A relação deles vai se tornando cada vez mais próxima com o passar do tempo, em uma visível admiração que um sente pelo outro desde o princípio.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Call Me By Your Name): Depois de Moonlight (comentado aqui) ter vencido em três categorias do Oscar no ano passado, incluindo a de Melhor Filme, é bacana ver um outro filme tratando sobre a descoberta do amor e como ele pode transformar as pessoas. E, evidentemente, é bom que essas histórias de amor foquem um casal de homens, para variar um pouco.

Afinal, já estamos acostumados a muitas histórias de amor entre homens e mulheres. O cinema está recheado destas histórias. Mas é bem menos frequente vermos belas histórias de amor de casais de homens ou de mulheres. Homossexuais com belas histórias de amor sempre existiram na História, mas nem sempre as sociedades estiveram preparadas para falar abertamente sobre isso. Que bom que vivemos novos tempos, em que cada vez mais sociedades aprendem a observar estas histórias de amor como tão belas quanto as clássicas histórias de amor entre homens e mulheres.

Dito isso, no Globo de Ouro desse ano, vi o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira, um dos responsáveis por Call Me By Your Name, comentar sobre isso, de como é importante, depois de Moonlight, um filme tratar de forma bela e sensível uma bela história de amor entre dois homens. Afinal, Moonlight mostra a transformação de um garoto que passou por diversas situações difíceis, até que encontrou o amor e uma forma de redenção.

Em Call Me By Your Name temos outra pegada. Um filme sobre o primeiro amor que não segue a cartilha de uma garota e um garoto que se apaixonam pela primeira vez. Ou então de uma mulher mais velha que ensina tudo o que sabe para um garoto inexperiente. Não. Dessa vez, temos um jovem com grande vocação artística que, aos 17 anos, descobre o amor para valer na relação com um universitário sete anos mais velho que ele que está concluindo o seu doutorado.

Essas histórias acontecem, não apenas na década de 1980, mas atualmente, na década de 2010. E antes disso, e seguirão existindo depois. Bacana ver uma história dessas ser contada com tanta naturalidade e com tanta paixão pelas pessoas envolvidas. E se você não “concorda” com nada disso, acha que as relações homossexuais são “erradas” e não deveriam ser retratadas com a mesma beleza que uma relação heterossexual, deixa eu te dizer uma coisa. Essas relações e essas formas de amar vão continuar existindo, independente da sua opinião. E quanto antes você perceber que as coisas no mundo não precisam da sua opinião ou da sua concordância para existir, melhor para você.

Dito isso, vamos ao que interessa. Falar sobre Call Me By Your Name. Essa produção segue um pouco a cartilha de um romance clássico. Ou seja, primeiro temos a aproximação entre os futuros amantes, nesse caso, Elio e Oliver. Especialmente o filho do casal de anfitriões observa cada gesto do hóspede da família. Mas ele também é observado – mesmo que não perceba. O cortejo entre os dois é cheio de provocações, de aproximações e de disfarces, como acontece (ou aconteceu) com qualquer um de nós em algum momento da vida.

Você e eu, provavelmente, já passamos por isso. Pelos “jogos” do amor. Por provocações, dissimulações, uma aproximação seguida de um disfarce. Tudo isso faz parte do cortejo, do encantamento, de tudo aquilo que é prometido mas ainda não realizado. Por grande parte de Call Me By Your Name, vemos a esse cortejo em cena. E, claro, como nem tudo acontece como Elio ou Oliver deseja, temos pequenos “desvios no caminho”, como quando Elio avança o sinal na amizade com Marzia e eles acabam transando para o jovem colocar para fora todo o tesão que, na verdade, tem por Oliver.

Claramente Oliver e Elio, e especialmente o primeiro, tem um grande apreço pelas belas feições humanas, tão bem plasmadas pela arte clássica e/ou greco-romana, que é a especialidade de Mr. Perlman. O hedonismo, aliás, está presente nesse filme desde as imagens de abertura e até o último minuto. A busca pelo prazer e a vivência dele acabam sendo um elemento vital nessa produção. Algo que toda a família de Elio entende muito bem – e isso é algo realmente raro. Mas vamos falar sobre a família dele na sequência.

Antes, falando sobre a dinâmica do roteiro de James Ivory, que teve contribuição do diretor Luca Guadagnino e que foi baseado no romance de André Aciman, vale ressaltar que Call Me By Your Name segue essa narrativa romântica tradicional. Depois dos “jogos” de aproximação e afastamento que Elio e Oliver fazem, o que apenas alimenta a expectativa dos espectadores para o momento em que eles realmente coloquem em prática todo o desejo que sentem um pelo outro, temos finalmente o grande encontro amoroso dos personagens.

Até lá, a história explora o amadurecimento da atração que Elio vai sentindo em relação a Oliver, a ponto de sentir o cheiro de suas roupas e de buscar sempre por onde anda o ser amado. Mais maduro, com 24 anos de idade, Oliver sabe bem alimentar esse desejo do jovem “pupilo”, ficando ausente o suficiente para que Elio se sinta incomodado e para que manifeste o seu desejo de maneira mais clara. Finalmente, os dois se encontram e vivem o seu romance, depois de terem “perdido” um bom tempo naquele tradicional jogo de “gato e rato”.

Interessante como os pais de Elio são sensíveis e inteligentes. Mesmo não deixando claro, eles estão cientes de tudo que está passando com Elio e em sua casa de veraneio. Não tenho dúvidas que a mãe dele, ao sugerir que Elio acompanhe Oliver em sua última estadia na Itália antes de voltar para casa, nos Estados Unidos, sabia exatamente o que estava fazendo. Diferente de outros pais, que tolhem as experiências dos filhos porque querem evitar que eles sofram com a decepção do fim do romance depois, Annella quer que Elio vivencie o amor o máximo possível.

Que a decepção, a tristeza e a dor venham depois, isso não deve impedir Elio de viver o que deseja. Isso tudo fica subentendido nos gestos de Annella e é declarado com quase todas as letras no diálogo que Mr. Perlman tem com o filho quando ele retorna da viagem com Oliver. Aliás, para mim, essa é uma das melhores partes de Call Me By Your Name. Até então, tínhamos visto a uma narrativa praticamente clássica de um romance. Mas é na análise sobre tudo o que aconteceu e na espécie de “mea-culpa” que Mr. Perlman faz que o filme ganha uma outra dimensão.

Na verdade, para ser justa, existem dois grandes momentos no roteiro do experiente James Ivory. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O primeiro ocorre quando a produção praticamente chega à sua metade, quando Elio e Oliver vão até a cidade e, em um monumento em homenagem aos que morreram na 2ª Guerra Mundial, ocorre um dos melhores diálogos da produção. Oliver elogia como Elio sabe de tudo, ao passo que o jovem diz que Oliver nem sonha como ele não sabe de nada do que realmente interessa. O outro grande momento da produção é a conversa entre Mr. Perlman e o filho após o jovem voltar da sua viagem amorosa.

Mr. Perlman faz questão de dizer para Elio que ele deve ter a dimensão sobre o que ele viveu. Que foi algo muito especial, único, e que ele deve aproveitar isso enquanto é jovem, porque depois dos 30 anos parece que nos esvaziamos um pouco por termos dado tanto de nós antes. E nessa conversa ele fala grandes verdades. Admite, também, que teve algumas oportunidades na vida para vivenciar o que o filho viveu com Oliver, mas que acabou não se entregando para esse amor e que a oportunidade passou.

Nesse momento, de reflexão sobre o romance “clássico” que vimos, é que Call Me By Your Name consegue ser diferenciado. De fato, como eu disse no início desse texto, quando somos mais jovens, até os 20 e tantos anos, vivemos tudo mais intensamente. Nos soltamos mais e temos mais coragem em experimentar, em vivenciar o que queremos e desejamos. Depois dos 30 anos e após várias experiências amorosas, pensamos mais, analisamos, e abrimos mão de experiências que podem nos trazer dor e sofrimento. Com isso, consequentemente, deixamos de viver tudo que poderíamos.

No fim das contas, é sobre isso que se trata Call Me By Your Name. Sobre a nossa capacidade de vivenciar o amor de forma livre, solta, sem amarras ou julgamentos, e sobre a nossa capacidade de deixar de vivenciar isso depois de uma certa idade. Como eu acredito que tudo na vida é uma questão de decisão, de vontade e de escolha, acho sim que podemos vivenciar diversas fases e “vidas” dentro de uma mesma vida.

Assim, podemos ter as fases de amor platônico, de amor livre e de amor pleno, assim como as fases de tentar fugir das decepções amorosas e de seus joguinhos. Tudo é válido, desde que não percamos nunca a capacidade de amar. Porque existem diversas formas de amor e maneiras de manifestá-lo. Mesmo que abramos mão do amor apaixonado por um tempo, podemos canalizar o nosso amor para outras manifestações amorosas. E como Call Me By Your Name nos demonstra, o importante mesmo é que nunca nos deixemos embrutecer, não importa quantas desilusões amorosas vivenciemos.

O que é dito e o que é comunicado apenas pelos olhares nesse filme são elementos preciosos. Vale assistir Call Me By Your Name com tempo, com atenção e sabendo que esta produção bebe muito mais das fontes do cinema europeu do que do cinema clássico americano. Um filme com estilo, com cadência própria e com tempo para valorizar os sentimentos e expectativas de seus personagens – especialmente do protagonista, de quem a câmera de Luca Guadagnino está sempre próxima.

Afinal, a descoberta do primeiro grande amor nunca é algo banal. E esse filme sabe valorizar isso muito bem. Uma produção de romance clássica mas com a coragem de mostrar um casal de homossexuais no centro da narrativa. Muito bacana. Espero que mais pessoas passem a respeitar todas as formas de amor após assistirem a esse filme.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Na transmissão do Globo de Ouro, o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira comentou sobre como é bom ver um filme sobre um romance homossexual com “final feliz”. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). E aí temos algo interessante nesse Call Me By Your Name: o filme realmente tem um final feliz? Isso vai depender tudo do que o espectador entende por final feliz. Admito que eu esperei que Elio e Oliver ficassem juntos. Ou seja, que Oliver iria aparecer novamente na propriedade italiana dos Perlman e assumir o seu romance com o jovem promissor. Isso não acontece mas, ainda assim, o filme deixa de ter um final feliz?

Para mim, não. E isso eu só percebi como o final do filme mesmo. Foi então que eu percebi que um “final feliz” não precisa, necessariamente, das pessoas ficando juntas “para sempre”. Até porque esse entendimento é relativo. Acredito sim que um “final feliz” acontece quando as pessoas se entregam totalmente ao que sentem e se elas foram honestas consigo mesmas, em primeiro lugar, e com o seu par, em segundo lugar. Se isso aconteceu, se o amor foi vivido intensamente, aí já temos um “final feliz”. O amor romântico geralmente provoca dor e termina.

Como já nos disse o sábio Vinicius de Moraes, que o “amor seja eterno enquanto dure”. Temos um “final feliz” quando vivemos essa eternidade e, quando o romance propriamente dito termina, saboreamos o que vivemos para o resto da nossa vida. Porque os laços continuam, e o amor também, mesmo que o contato físico não exista mais. Como bem disse Oliver perto do final, ele lembrava de tudo. E o quanto isso é imenso! Lembrar de tudo, ter apenas as lembranças boas do que passou, isso é amor e isso é ter um laço permanente com o ser amado, mesmo que nunca mais o vejamos na vida. Para mim, esse é um “final feliz” de uma história de amor. E temos isso em Call Me By Your Name.

Falando no nome do filme e do que ele representa. (SPOILER – não leia… bem você já sabe). Admito que, quando Oliver fala para Elio chamá-lo pelo seu nome e vice-versa, achei aquilo um pouco estranho. Me coloquei no lugar deles. Mas depois, conforme a história avança, é que tive a dimensão exata do que aquilo representava. Primeiro, que um chamar o outro pelo seu nome era algo que só eles sabiam, era algo que tinha um significado especial apenas para eles. Depois que, convenhamos, ninguém nos conhece – ou isso deveria ser sempre assim – melhor do que nós mesmos. Então você viver uma relação com alguém ao ponto de chamar essa outra pessoa pelo teu nome, porque você a conhece com toda essa profundidade, com toda essa intimidade… realmente é algo único. Interessante. E dá realmente a dimensão exata do que o romance que é retratado representa.

Quem acompanha esse blog há mais tempo pode estar estranhando as últimas notas que eu dei para os filmes. Mas, como comentei por aqui, na crítica de Lady Bird, resolvi ser um pouco mais “dura” e criteriosa com as notas que eu dou para as produções que eu assisto. Então, segundo o histórico do blog, pode parecer que a nota 9 não é muito boa. Mas convenhamos, lembrando da nossa época de colégio e tudo o mais, um 9 é uma nota ótima, não é mesmo? Estudávamos muito para tirar um 9 no colégio.

Então é isso. Call Me By Your Name é um filme bem feito, interessante, corajoso ao contar um romance clássico sob a ótica de um jovem que descobre que gosta de um doutorando mais velho. O primeiro amor, com toda a sua base narrativa que já conhecemos, ganha nova abordagem nesse filme. Por tudo isso, pelo belo trabalho dos atores e por dois grandes momentos dessa produção, acho que ela merece sim esse 9. Notas maiores que essa, só para filmes realmente mais marcantes e muito, muito bons, caminhando para excepcionais e excelentes. O que cada vez será mais raro por aqui.

Eu gostei das escolhas narrativas do diretor Luca Guadagnino. Ele pincela, aqui e ali na história, os seus momentos de pura arte – como em algumas sequências em que Elio está “maturando” o seu primeiro amor e na expectativa de realizar o encontro da “primeira vez” com Oliver. Nesses momentos, além da direção de fotografia de Sayombhu Mukdeeprom, é valorizada a trilha sonora que contou com Gerry Gershman como músico consultor, Lindsey Taylor como coordenadora musical e Robin Urdang como músico supervisor. Muito bons estes dois elementos na produção. Tanto a direção de fotografia quanto a música. Elementos importantes para a história e para os personagens.

Além desses aspectos técnicos que se destacam nesta produção, vale comentar o bom trabalho de edição de Walter Fasano; o design de produção de Samuel Deshors; a direção de arte de Roberta Federico; a decoração de set de Muriel Chinal, Sandro Piccarozzi e de Violante Visconti di Modrone; os figurinos de Giulia Piersanti; a maquiagem de Fernanda Perez; e os efeitos visuais que envolveram 16 profissionais.

O elenco é outro ponto a destacar nessa produção. Os atores centrais da história, Timothée Chalamet e Armie Hammer, estão realmente ótimos. Eles não forçam em suas interpretações e não parecem caricaturas de pessoas reais. Não. Ambos estão muito bem e convencem nas particularidades de seus personagens. Claro que é impossível não destacar, ainda assim, o trabalho de Chalamet. Afinal, ele está sendo focado pelas lentes de Luca Guadagnino praticamente o tempo inteiro do filme, e ele convence em cada momento. Sem dúvida, merece aplausos e o holofote que ele tem recebido. Hammer também está muito bem, carismático e provocativo na dose certa. Eles são o destaque da produção.

Além deles, é preciso comentar o bom trabalho dos coadjuvantes, com destaque, nesse sentido, para Michael Stuhlbarg e para Amira Casar. Os dois tem uma presença muito marcante no filme, nem tanto pelos diálogos – descontada a sequência da conversa de Mr. Perlman com o filho -, mas, principalmente, pela interpretação detalhista, com forte presença de olhares que dizem tudo. Especialmente Casar se destaca nesse sentido. Observem como ela percebe tudo sem dizer nada a respeito… muito interessante. E Stuhlbarg também segue essa linha, além de ter um diálogo decisivo na história. Outros coadjuvantes que merecem ser citados pelo bom trabalho são Esther Garrel como Marzia, amiga “colorida” de Elio; Victoire Du Bois como Chiara, garota “local” que fica fascinada por Oliver; Vanda Capriolo como Mafalda, empregada da família; e Antonio Rimoldi como Anchiese, outro funcionário da propriedade italiana dos Perlman.

Call Me By Your Name estreou em janeiro de 2017 no Festival de Cinema de Sundance. Ou seja, o filme já está completando um ano de trajetória em festivais pelo mundo. Ele participou, até o momento, além do Festival de Sundance, de 46 festivais – sendo o mais recente dele, iniciado no dia 12 de janeiro de 2018, o Festival Internacional de Cinema de Palm Springs. Realmente impressionante a maratona de festivais em que o filme participou. Algo muito bacana para os nomes envolvidos no projeto, inclusive o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira.

Aliás, vale comentar um pouco sobre a trajetória de Teixeira. Como produtor, ele tem 35 projetos no currículo. Começou em 2004 com o curta Desequilíbrio. Dois anos depois, ele produziria o seu primeiro longa, o brasileiro O Cheiro do Ralo. A primeira incursão internacional de destaque de Teixeira foi o elogiado e premiado Frances Ha – uma falha no meu currículo, eu admito -, lançado em 2012. Desde então, ele seguiu produzindo filmes brasileiros e internacionais. Entre outros títulos, vale citar The VVitch: A New-England Folktale, Love e Mistress America.

Nessa trajetória imensa de festivais pelo mundo, Call Me By Your Name recebeu 42 prêmios e foi indicado a outros 118 – incluindo indicações em três categorias do Globo de Ouro 2018: Melhor Filme – Drama, Melhor Ator – Drama para Timothée Chalamet e Melhor Ator Coadjuvante para Armie Hammer. Entre os prêmios que recebeu, destaque para 8 prêmios de Melhor Ator para Timothée Chalamet; para 9 prêmios de Melhor Roteiro Adaptado para James Ivory; para 5 prêmios de Melhor Filme; para 5 prêmios de Interpretação Arrebatadora para Timothée Chalamet; para 1 prêmio de Melhor Diretor para Luca Guadagnino e para 1 prêmio de Melhor Filme Internacional no St. Louis International Film Festival. Uma bela coleção de prêmios, sem dúvida.

Tem alguns detalhes da história de Call Me By Your Name que eu só descobri lendo a sinopse da produção – durante o filme estes pontos não ficaram claros para mim. Vale citar alguns deles. A história se passa em uma vila no Norte da Itália do século 17, onde a família Perlman passa as férias sempre recebendo um estudante como convidado(a). O protagonista Elio tem 17 anos e passa as férias lendo, tocando e estudando música clássica, nadando nos rios e lagos e flertando com a amiga Marzia. O pai de Elio é um eminente professor especializado na cultura greco-romana. A mãe do garoto é uma tradutora, que aprecia a natureza e a cultura tanto quanto o marido. Oliver é o “estudante” hóspede dessa temporada, que chega na propriedade para ajudar Perlman em seu trabalho. Ele tem 24 anos e está trabalhando em sua tese de doutorado quando vai visitar o professor Perlman e família.

Na estreia de Call Me By Your Name no Festival de Cinema de Nova York, o filme foi aplaudido por 10 minutos – a maior ovação que um filme recebeu no evento até hoje.

Agora, outras curiosidades sobre essa produção. Segundo a história do filme, Elio tinha 17 anos e Oliver 24 anos quando os dois se encontram. Os atores Timothée Chalamet tinha 20 anos e Armie Hammer 29 anos quando a produção foi rodada. Na Itália, a idade para uma relação sexual ser considerada legal e feita de forma consentida é de 14 anos.

O ator Timothée Chalamet aprendeu a falar italiano e a tocar violão para poder interpretar melhor Elio.

O filme tem várias cenas sensuais, mas a sequência que mais deixou o ator Armie Hammer sem graça foi aquela em que ele dança em uma pista comandada por um DJ.

Antes das filmagens começarem, os atores tiveram apenas um ensaio. Timothée e Armie chegaram para gravar uma cena, justamente a que os dois tem o primeiro contato amoroso após estarem deitados na grama. Eles encararam a cena e o diretor Luca Guadagnino pediu para eles demonstrarem mais paixão na cena. Então eles embarcaram nos personagens até que perceberam, após algum tempo, que o diretor já tinha se afastado. Esse foi o único ensaio – ou seja, praticamente todo o filme foi rodado pela primeira vez, com os atores sem praticar cada cena antes.

Call Me By Your Name é dedicado ao ator Bill Paxton, que morreu em fevereiro de 2017. Brian Swardson, marido de um dos produtores do filme, Peter Spears, era o melhor amigo e o agente de Bill Paxton. Ele também é o agente de Timothée Chalamet. Bill Paxton visitou o set em que o filme foi rodado, na Itália, e se tornou amigo de Luca Guadagnino antes de morrer.

O diretor Luca Guadagnino já comentou que pensa em fazer uma sequência para Call Me By Your Name. No romance original, de André Aciman, os personagens Elio e Oliver se reencontram 15 anos depois do que vemos nessa primeira produção. Realmente pode ser interessante mostrar o que acontece com os dois passado tanto tempo.

De acordo com o site Box Office Mojo, Call Me By Your Name faturou pouco mais de US$ 7,2 milhões nos cinemas dos Estados Unidos. Não é uma bilheteria ruim, mas está longe de ser um graaaande sucesso comercial. Especialmente porque a produção teria custado cerca de US$ 4 milhões – ou seja, precisa crescer ainda para começar a dar lucro. Veremos se o filme consegue decolar mais após as suas várias indicações e premiações.

Call Me By Your Name é uma coprodução da Itália, da França, do Brasil e dos Estados Unidos.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 214 críticas positivas e nove negativas para esta produção, o que garante para o filme um nível de aprovação de 96% e uma nota média de 8,8. Especialmente as notas dos dois sites chamam a atenção. Estão bem acima da média dada pelo público e pelos críticos nas duas páginas.

CONCLUSÃO: O amor é sempre válido, mesmo quando ele nos machuca no final. Call Me By Your Name nos conta uma história de amor que, como tantas outras, surgiu por acaso, com o encontro de duas almas e a coragem delas de encarar o que sentiam. Um filme contado com a suavidade de uma produção europeia mas com algumas pitadas do bom cinema americano. Um tanto lento no início, Call Me By Your Name sabe alimentar a expectativa do público na cadência certa, até que na reta final o filme cresce. Nos faz pensar sobre o amor, nossas escolhas e tudo aquilo que deixamos de encarar por pensar demais. Uma bela produção, de uma safra do Oscar bastante diversa e interessante.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Esse filme tem tudo para emplacar diversas indicações no prêmio deste ano da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Pelos prêmios que o filme já recebeu e pelos quais ele já foi indicado, dá para nos arriscarmos a dizer que ele pode ser indicado no Oscar 2018 nas seguintes categorias: Melhor Filme; Melhor Ator, para Timothée Chalamet; Melhor Ator Coadjuvante, para Armie Hammer; Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (podendo concorrer tanto com “The Mystery of Love” quanto com “Visions of Gideon”).

O filme ainda tem chances, se conseguir fazer um bom lobby, de emplacar indicações nas categorias de Melhor Diretor, para Luca Guadagnino; e Melhor Direção de Fotografia. Ou seja, acredito que Call Me By Your Name tem chances de emplacar entre 5 e 7 indicações para o Oscar. Um belo desempenho, sem dúvidas.

Mas em que categorias o filme tem reais chances de vencer? Pelo andar da carruagem das bolsas de apostas – mais do que das premiações, porque muitas das principais de Hollywood ainda estão para acontecer -, acredito que ele tenha chances mesmo só em Melhor Roteiro Adaptado. Nas demais categorias o filme corre um pouco “por fora”, tendo sempre um ou dois candidatos muito fortes para derrubar antes de chegar na estatueta dourada.

Ainda assim, se o filme emplacar cinco ou mais indicações, ele já terá bastante visibilidade e conseguirá ser visto por ainda mais pessoas. E isso é tudo que um filme e os seus realizadores desejam. Veremos as próximas premiações para fazer um prognóstico ainda mais ajustado.