Les Misérables – Os Miseráveis


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Me perdoem, mas vou começar este texto dizendo algo óbvio. Os clássicos são chamados clássicos por uma boa razão. E esta boa razão se chama qualidade extrema. Na escola, eu lembro, crianças e jovens têm preguiça de ler os clássicos. Muitas vezes, de fato, porque eles são difíceis. Por isso mesmo, é sempre um prazer quando alguém como o diretor Tom Hooper resolve resgatar um clássico e jogá-lo nos cinemas, utilizando uma linguagem muito mais acessível. Les Misérables é uma produção intocável. E que me surpreendeu. Admito que, no início, eu estava com um pouco de “preguiça” de assistir a um musical adaptado da obra de Victor Hugo. Achei que poderia ficar pedante demais. Mas que fantástico presente! Quebre qualquer preconceito que você puder ter com musicais. Vai valer a pena.

A HISTÓRIA: Uma bandeira tremula na água. O ano é 1815, exatamente 26 anos após o início da Revolução Francesa. Novamente a França tem um rei ocupando o seu trono. Um navio de guerra retorna para o porto e é puxado por dezenas de homens com grossas cordas. Eles são prisioneiros. Entre eles, Jean Valjean (Hugh Jackman). O grupo canta a sua pobreza, com ódio na voz, e são observados pelo policial Javert (Russell Crowe). Depois de ajudar a puxar o navio, Valjean é convocado por Javert a pegar o mastro com a bandeira francesa. E recebe a notícia que está saindo em condicional. Mas que terá que carregar uma carta que lhe apresenta como um homem perigoso. Uma condenação para o resto da vida. Livre, contudo, Valjean recebe uma única oportunidade de recomeçar a vida, e acaba escolhendo este caminho, que significa ignorar o próprio nome, para tentar trilhar um caminho distinto do que aquela carta de condicional lhe determinava.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes deste filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Les Miseràbles): Para gostar deste filme, em primeiro lugar, é preciso aceitar algo que nem sempre as pessoas parecem estar dispostas a aceitar: de que todos nós somos falhos. É estranho ouvir Russell Crowe em um musical? Certamente. Ele parece sofrer para cantar? Um pouco. Mas nem esta primeira constatação, logo no início do filme, e nem a mesma constatação feita com outros atores que, diferente de Hugh Jackman e Anne Hathaway são menos afeitos a cantar, diminuem a força dramática desta história e as suas várias qualidades.

Logo que terminei de assistir a Les Misérables, eu sabia que deveria dar uma nota muito alta para ele. Talvez, até, a máxima. De verdade, fiquei emocionada com a entrega da equipe envolvida e, evidentemente, com o respeito deles com a obra máxima de Victor Hugo. E que obra! Há muito tempo eu não chegava perto deste clássico e de toda a sua profundidade. E esta leitura, com levada muito popular, rejuvenesceu a tão examinada história de Jean Valjean.

Sou da opinião, e a cada dia mais, que as pessoas devem abandonar os preciosismos. Deixar para lá um pouco da “erudição” e do apego ao original, como se ele fosse imutável – quando toda obra carrega, em sua própria essência, a capacidade de ser mutável -, para “abrir a mente” para as releituras. Claro que não defendo as adaptações que violentam o original. Mas este não é o caso deste Les Misérables. A essência do original está toda aqui. Mas vestida de uma roupagem para este século 21 que se parece, em muito, com a parte final do século anterior.

Sendo assim, e voltando um parágrafo, comento que eu sabia, logo depois de terminar de ver a este filme, que lhe daria uma nota muito boa. Primeiro, porque Les Misérables tem um cuidado com os aspectos técnicos irretocável. É um filme que investe nos detalhes, desde o trabalho do ator, os figurinos, direção de fotografia, até os efeitos visuais e especiais. Depois, porque o roteiro respeita a essência do original. E finalmente, porque ele inova ao investir na dramaticidade da música para supervalorizar o lado afetivo do original sem torná-lo piegas.

Ainda que eu tivesse uma nota em mente, resolvi dar uma olhada nas avaliações dos usuários dos sites IMDb e Rotten Tomatoes. Como vocês, meus caros leitores, sabem que eu sempre faço. E como em qualquer outra crítica, não tive a minha nota modificada por estas análises. Mas admito que fiquei surpresa ao ver que, desta vez, mais que em outras, minhas impressões não acompanhavam a da maioria.

Observei muitas críticas pesadas para este filme. E daí notei o seguinte: Les Misérables é, provavelmente, a produção mais “ame ou odeie” que está concorrendo ao Oscar deste ano. Basta olhar as críticas espalhadas por aí. Muita gente não gostou desta produção porque um ou outro ator não sabe cantar. Ou porque eles não cantam tão bem assim. Ah, convenhamos. De fato isto é o mais importante?

Sim, como eu disse antes, Russell Crowe não parece totalmente à vontade cantando. Por isso mesmo, desde a primeira vez que ele aparece em cena, ele parece “comedido”. Melhor para ele. Se você não tem potência vocal e/ou não se sente tão confiante cantando, se comparado com outros colegas, melhor fazer a sua parte dentro de certas limitações.

Da minha parte, como alguém sem preconceitos, acho que vale se lançar para assistir a um filme sem a postura primária de que musicais são chatos, de que alguém vai cantar mal, e de que clássicos estão vencidos. Até porque sempre busco o mais importante de um filme: ele convence? Ele me emocionou? Ele pareceu legítimo em sua proposta?

Pois eu acho que Les Misérables consegue, sim, emocionar. Ele convence com a história de Jean Valjean e de uma França que se decepcionou com a Revolução Francesa. Esta produção, além disto, também parece legítima em sua proposta de revisitar um clássico e vestí-lo com nova roupagem. Para o meu gosto, tudo funcionou bem nesta produção. Com uma pequena ressalva: o estereótipo irritante do casal Thénardier, interpretado pela dupla Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter.

Certo, é evidente que os Thénardier são os personagens com maior levada estereotipada de Les Misérables. Que eles são mesmo caricatos, e tudo o mais. Na primeira aparição de Cohen e Carter, não me irritei com a caricatura deles. Mas depois… Tom Hooper teria nos poupado de uma certa e restrita chatice da história se tivesse diminuído a participação dos dois atores na trama. Para mim, Cohen não consegue deixar para traz Borat, e Carter lembra sempre uma personagem qualquer de Tim Burton. Eles são a parte frágil do filme, e me impedem de dar a nota máxima para esta produção.

Porque, para o meu gosto, Les Misérables funciona muito bem, exceto pelos excessos de Cohen e Carter. Além das qualidades já comentadas, achei impressionante a entrega dos atores. Eles emocionam, assim como a história. E agora, voltemos ao início desta crítica. Les Misérables trata de algo fundamental: a compreensão de que todos nós somos falhos. O grande embate entre Valjean e Javert está de que o segundo se acha totalmente cheio de moral. Em certo momento, ele fala que veio da mesma origem de Valjean… não completa a sua linha de pensamento, mas fica evidente que ele se acha superior.

Afinal, apesar de vir da mesma origem ordinária e carente, Javert seguiu “o caminho da lei”, venceu os desafios da vida e trilhou “o caminho certo”, enquanto Valjean roubou alguns pães para dar para a irmã e o filho dela que estavam com fome. Este pensamento de Javert é o mesmo de 99% das pessoas, talvez. Essa massa de gente que, muitas vezes, quando há uma matéria de polícia, argumenta que “bandido bom é bandido morto”, e que esta história de direitos humanos é uma grande bobagem, já que os “bandidos” não tem esta mesma postura ao fazer as suas vítimas.

Quanta dureza de princípios, não? Eis, para mim, o último grau de desumanização. Para estas pessoas que defendem a pena capital, não importa o ser humano e suas histórias. O importante são os números. X bandidos mortos é o que interessa. Quantos mais, melhor. Mas será mesmo que cada um de nós estamos isentos de dúvida? Quanto tempo você já gastou para refletir como seria a sua vida se você não tivesse nascido no local em que você nasceu? No berço da família da qual vieste? E se você tivesse nascido em outra parte, com uma família muito diferente?

Não quero relativizar tudo e dizer que todos os “bandidos” tem as suas justificativas e que são todos “tadinhos”. Mas peço calma em qualquer andor. Les Misérables é uma história tão incrível porque nos fala sobre estas coisas… de como a sociedade pode excluir as pessoas, tirarem as suas oportunidades de desenvolverem os seus próprios potenciais. De como o coletivo pode estigmatizar e interromper vidas que poderiam ser produtivas e maravilhosas.

Vide Valjean. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). De fato, e muitos devem ter tido uma reação impressionante quando, na primeira oportunidade, ele sai roubando ao Bispo (Colm Wilkinson) que lhe ajudou, ele erra feio ao seguir bandido logo que tem a chance de escolher que caminho seguir. Mas daí, e eu também fiquei indignada a princípio, vem a história para nos dar o primeiro tapa na cara.

Quanto do que fazemos e do que tantas pessoas fazem é por automatismo? Valjean, até aquele momento, estava acostumado a que? Depois de 19 anos preso, penando como um diabo, ele sai da detenção e é tratado como um cachorro. Em seu íntimo, tudo que ele tinha era raiva e revolta. De forma automática, ele segue sendo um marginal – à margem da sociedade. Até que, para surpresa geral – especialmente dele -, ele recebe um segundo gesto seguido de ajuda. É perdoado e incentivado a recomeçar a vida. E este gesto solene de generosidade chega fundo ao coração endurecido de Valjean.

Quantos de nós não sentimos o coração sendo endurecido com o passar do tempo, depois de ter recebido tantos golpes? Um certo Renato Russo, certo, dia, cantou: “… não vou me deixar embrutecer/ eu acredito nos meus ideais/ Podem até maltratar o meu coração/ que o meu espírito ninguém vai conseguir quebrar”. Certo, mas quantas pessoas se mantém fortes apesar dos golpes? Conseguem manter a suavidade, apesar de tantos golpes para que se tornem brutas?

Valjean aprende com o gesto do Bispo e muda a sua vida para sempre. Ganha uma oportunidade de recomeçar que 99% dos presos libertos do nosso país não recebem. Com apenas um candelabro de prata – perto da morte percebemos que ele ainda preserva o outro -, ele multiplica os recursos, vira um homem de negócios, dá oportunidade de emprega para muitas pessoas e se torna um homem respeitado pela sociedade.

Até que Javert volta a lhe assombrar. E ele estará perseguindo o personagem até o final. Porque os dois são a mesma pessoa, apesar da sociedade vê-los de forma tão diferente. E eis uma das forças deste clássico de Victor Hugo. Nos mostrar que papéis contrários da mesma sociedade podem ser, mais que nada, duas faces da mesma moeda. Javert não suporta “ficar devendo” nada para o homem que ele abomina porque, no fim das contas, é incapaz de perceber que eles são tão parecidos. Por ter sido um homem “da lei” a vida toda, Javert não era melhor que Valjean. Pelo contrário. Já que Valjean foi capaz de se arriscar mais de uma vez pela vida de outra pessoa. Foi capaz de amar e de se doar sem esperar nada em troca. Enquanto Javert apenas “cumpria o seu dever”. E quem tem mais mérito: aquele que faz algo por obrigação, porque assim lhe cobra o “dever”, ou aquele que se doa por livre e expontânea vontade?

Um filme que trata de todas estas coisas já é algo fora do comum. E por isso mesmo, merece ser visto. Porque faz pensar, porque emociona. Mas além disso, Les Misérables trata sobre o espírito da mudança. Aborda a força inspirada de uma França que nunca desistiu de lutar por liberdade, igualdade e fraternidade. Mesmo que estes ideiais não tenham sido vitoriosos após a Revolução Francesa, eles perduram. No tempo. Passam gerações, vencem fronteiras. Seguem inspirando.

Mas nem por isso, deixa de valer a crítica de que os anos seguintes à Revolução não trouxeram melhora para o povo. Que seguiu cada vez mais miserável. E que um certo levante não chegou a ser popular, mas apenas serviu de tema para registros históricos de uma covardia que aconteceu e se repete em diferentes sociedades até hoje. Mesmo que transfigurada com outras roupagens.

Enquanto Les Misérables trata destes e de outros temas tão magnifícos e raros, há quem se apegue apenas a uma falta de musicalidade de um ou outro ator. Que pena. Mas a história está lá. Nos mostrando como uma pessoa nunca é apenas um determinado personagem. Um ladrão não precisa ser, sempre, um ladrão. Um homem da lei, idem. Cada pessoa é responsável por suas próprias escolhas, e elas nos determinam. O mágico da vida é que esta reinvenção é constante. Só não muda quem não quer – ou acha que não precisa.

NOTA: 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Les Misérables teve a sua premiere no dia 5 de dezembro, em Londres. Depois desta data, pouco a pouco, ele foi sendo lançado nos mercados de diferentes países. Até o momento, a produção está confirmada para participar de apenas um festival, o de Belgrado, no dia 23 de fevereiro.

Como comentei antes, este filme é todo bem acabado. Além do ótimo trabalho dos atores – um melhores que outros -, vale destacar alguns aspectos técnicos da produção. Começando pela ótima direção de Tom Hooper. O diretor inglês consegue, ao mesmo tempo, explorar belos cenários da França do século 19, os detalhes dramáticos das interpretações de seus principais atores, e a convulsão social/divisão de classes tão explorada pela obra de Victor Hugo. Hooper se utiliza de um jogo de câmeras importante, dando ritmo visual para a produção, em sintonia com a música. Tudo deve fluir nesta produção, e ele consegue fazer com que isso aconteça na prática.

Para ajudar Hooper neste processo, é fundamental o trabalho do diretor de fotografia Danny Cohen. Ele faz um trabalho impecável, tanto nas cenas abertas, com muitos figurantes ou com ajuda de efeitos especiais, quanto e, principalmente, nos planos mais dramáticos com os atores principais em interpretações solitárias. Muito bom o trabalho da dupla de editores Chris Dickens e Melanie Oliver. Eles são peças-chave para que o diretor consiga dar o ritmo adequado para as cenas.

E depois, vem a turma responsável pela linguagem visual desta produção. Merecem ser elogiados os trabalhos da designer de produção Eve Stewart; a direção de arte da equipe Hannah Moseley, Grant Armstrong, Gary Jopling e Su Whitaker; os figurinos de Paco Delgado, bárbaros; a decoração de set de uma equipe de nove profissionais; o departamento de arte, que faz um trabalho impressionante; os efeitos especiais da equipe de James Davis III; os efeitos visuais da equipe de Sandra Chocholska, Edson Williams e Thomas Nittmann; e a ótima maquiagem da equipe comandada por Audrey Doyle, Nikita Rae e Malwina Suwinska.

Como qualquer musical exige, a trilha sonora e todos os demais aspectos sonoros desta produção são impecáveis. Claro, alguns atores como Russell Crowe, Eddie Redmayne e até Amanda Seyfried não se saem tão bem cantando quanto outros nomes da produção, mas isso não impede que o filme funcione bem na parte musical. Vale, portanto, elogiar o departamento de som desta produção, assim como o departamento musical comandado por Claude-Michel Schönberg, com direção musical de Stephen Brooker.

Les Misérables tem roteiro de William Nicholson, Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg, já que é uma adaptação do musical homônomo baseado na obra original de Victor Hugo. Segundo os próprios produtores deste filme, ele segue o musical que já foi assistido por mais de 60 milhões de pessoas em teatros de 42 países e adaptado para 21 idiomas. Há 27 anos o musical está em cartaz perigrinando por diferentes nações. Segundo os produtores, Les Misérables é o musical há mais tempo em cartaz no mundo.

Tiro o meu chapéu para Hugh Jackman. Ele faz, em Les Misérables, um de seus grandes papéis até hoje. Grande interpretação, digna de prêmios. Os demais atores são coadjuvantes. Ainda assim, impressiona a interpretação de Anne Hathaway, que rouba a cena como Fantine. Amanda Seyfried está bem como Cosette, assim como Isabelle Allen, que interpreta a personagem quando criança. Pena que Seyfried, por mais carismática que ela seja, não consiga se destacar tanto quanto Hathaway e nem cantar como ela. O mesmo se pode dizer de Eddie Redmayne, que perde na comparação com Jackman tanto na interpretação quanto ao cantar.

Dos atores secundários, vale destacar o trabalho de Samantha Barks como Éponine, a jovem apaixonada por Marius e que, mesmo assim, tem uma postura correta e não canalha com Cosette; o jovem Daniel Huttlestone como Gavroche, o menino emblemático da história; e Aaron Tveit como Enjolras, o líder dos revolucionários.

Les Misérables teria custado cerca de US$ 61 milhões. Até o momento, o filme faturou, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 137,5 milhões. Nada mal para um musical – ainda mais baseado em um clássico.

Esta produção foi totalmente rodada no Inglaterra, em cidades como Winchester, Kettering, Kent e Londres.

Uma curiosidade sobre esta produção: Paul Bettany havia sido considerado para o papel de Javert antes de Russell Crowe. Talvez ele tivesse se saído melhor. Para o papel de Fantine, foram consideradas as atrizes Amy Adams, Jessica Biel, Marion Cotillard, Katie Winslet e Rebecca Hall. Geoffrey Rush, que interpretou a Javert na versão de Les Misérables para o teatro, foi considerado para o papel de Monsier Thenardier.

Inicialmente, Les Misérables teria quatro horas de duração. Ainda bem que fizeram uma versão bem mais curta.

Até o momento, Les Misérables recebeu 31 prêmios e foi indicado para outros 79, além de ter recebido oito indicações para o Oscar. Entre os prêmios que recebeu, destaque para dois como o Filme do Ano no AFI Awards; para os Globos de Ouro de Melhor Filme – Musical ou Comédia, Melhor Ator – Musical ou Comédia para Hugh Jackman, e Melhor Música para Suddenly; Melhor Atriz Coadjuvante para Anne Hathaway no Screen Actors Guild; além de figurar no Top Films da National Board of Review.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para Les Misérables. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes, por sua vez, dedicaram 150 textos positivos e 65 negativos para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 70% e uma nota média 7. A pior nota entre os filmes indicados na categoria principal do Oscar deste ano.

CONCLUSÃO: Uma história emocionante, adaptada de um clássico. E que da forma com que foi adaptada, faz refletir sobre vários valores e posturas que seguem válidas e, me arrisco a dizer, seguirão válidas enquanto existir a humanidade. Les Misérables provavelmente não vai agradar a todos. Primeiro, porque não é qualquer um que tem paciência para os musicais. Assim como nem todos tem paciência com os clássicos. Junte ambos, musical e clássico, e terás muitos insatisfeitos. Mas com a ousadia de adaptar o texto de Victor Hugo para o formato musical, o drama dos personagens deste clássico são colocados em negrito e sublinhado. Les Misérables nos fala, com estes tons dramáticos ressaltados pela música, da fantástica capacidade humana da reinvenção. E de como o amor pode ter um papel fundamental neste processo. Com uma produção impecável, um trabalho apaixonado do diretor e de seus comandados, Les Misérables é um dos belos filmes desta safra. Desde que você ignore seus pequenos pecados.

PALPITE PARA O OSCAR 2013: Les Misérables recebeu o mesmo número de indicadores que o recentemente comentado por aqui, Silver Linings Playbook. Mas diferente do filme de David O. Russell, de fato eu acho que a produção de Tom Hooper mereceu cada uma de suas indicações.

Curioso que Les Misérables concorre, basicamente, em categorias técnicas, mas foi ignorado em Melhor Roteiro Adaptado. Não que uma produção que, como ele, concorre como Melhor Filme do ano precise estar, obrigatoriamente, indicada como roteiro. Mas é estranho ele não estar ali. Assim como Hooper ter ficado de fora da lista de Melhor Diretor.

Então o que sobrou para Les Misérables? O filme está concorrendo nas categorias Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo, Melhor Canção Original para Suddenly, Melhor Design de Produção, Melhor Mixagem de Som e, finalmente, Melhor Filme, Melhor Ator para Hugh Jackman e Melhor Atriz Coadjuvante para Anne Hathaway.

Mesmo não tendo assistido a todos os filmes que estão concorrendo com Les Misérables, não seria uma surpresa ver ele ganhando em algumas destas categorias. Principalmente nas de Melhor Canção Original, Melhor Design de Produção, Melhor Figurino, Melhor Mixagem de Som e, quem sabe, até como Melhor Atriz Coadjuvante para Anne Hathaway. De fato, ela merece. Se o filme ganhar nestas categorias – Melhor Ator parece ser uma barbada para Daniel Day-Lewis -, ele terá conseguido quatro ou cinco Oscar’s. E deve estar satisfeito com isso.

Francamente, apesar de saber que Day-Lewis é o favorito e que, de fato, ele ganhando não será uma injustiça, mas eu prefiro a Hugh Jackman. Acho que ele, como Anne Hathaway, tiveram uma entrega muito maior para os seus papéis.

Independente das expectativas, claro que acidentes de percurso sempre acontecem. E Les Misérables pode sair de mãos vazias. Pode ocorrer. Mas acredito que não. Até porque seria uma boa injustiça.

5 thoughts on “Les Misérables – Os Miseráveis

  1. Assisti o filme 3 vezes. Em Londres e aqui no Brasil. Concordo com vc em 100%. Vc tirou as palavras de minha boca. Infelizmente, um babaca de um crítico disse que o musical se trata de uma comédia…desaforo total.

    Parabéns pela crítica.

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    1. Oi André!

      Antes de mais nada, seja bem-vindo por aqui!

      Para ter visto ao filme três vezes é sinal de que você gostou muito, não é mesmo? Fiquei curiosa para saber o que achaste do desempenho dele no Oscar.

      Que bom que a crítica te pareceu coerente e que ela tenha sintetizado o que você pensava. Isso, às vezes, acontece. E quando não, paciência, não é mesmo? 🙂

      Agora, não fica assim com o outro crítico… as pessoas devem ter o direito de dar a opinião delas. Mesmo quando forem equivocadas pelo teu critério.

      De qualquer forma, fiquei mesmo feliz pelo teu cumprimento e pela tua visita. Espero que voltes por aqui mais vezes, inclusive para falar de outros filmes.

      Abraços e inté!

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  2. Vou apostar na sua indicação de “Os Miseráveis”. Dos indicados a melhor filme, não vi apenas esse e “Indomável Sonhadora”, que só estreia neste fim de semana. Confesso que tinha passado até outros filmes na frente da história do clássico de Victor Hugo, e que tenho implicância com musicas. Definitivamente, nenhum dos que assistir até aqui nenhum me convenceu a ser um amante do gênero. Mas vou tentar vê-lo antes dos Oscar, confiando na sua indicação…rs.

    Leitor assíduo do blog, costumo ler as críticas apenas depois de ver o filme. Quando não vi, leio apenas a introdução, e a de “Os Miseráveis” me convenceu, afinal, as palavras foram bastantes elogiosas.

    Parabéns pelo blog.

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    1. Olá José Geraldo!

      Que bacana o teu comentário. Muito obrigada por ele.

      Fiquei curiosa para saber o que você achou de Les Misérables depois de assisti-lo. Você viu que, de fato, ele acabou sendo indicado a oito estatuetas do Oscar, não é mesmo? Um belo número! E sai com três delas para casa – incluindo a de Melhor Atriz Coadjuvante para Anne Hathaway.

      Os musicais também não estão na minha linha de frente de filmes para assistir. Não posso dizer que não gosto deles… mas também não morro de amores. Assisti a alguns muito bons, especialmente os antigos, mas admito que este gênero corre um risco maior de me desagradar do que outros.

      Fiquei feliz de saber que você é um leitor assíduo e que segues as minhas recomendações de ler o texto completo só depois de assistir ao filme. Comento isso porque, de fato, acho que é melhor assim.

      Que bom que você gosta do blog. Espero que sigas me visitando.

      Obrigada pela confiança e por teu comentário tão bacana. E volte sempre!

      Abraços e inté!

      Curtir

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