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E o Oscar 2013 foi para… (cobertura online da premiação)

85th Academy Awards, Set Ups

Boa noite, pessoal!!!

E aqui estamos nós outra vez. Firmes e fortes na cobertura do Oscar, desta vez ano 2013, a principal e mais badalada premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Tudo indica que teremos uma noite com os principais astros em cena, desfilando no tapete vermelho e depois, durante a premiação. Agora, 20h20min, no horário de Brasília, o canal E! está transmitindo a chegada dos astros. Em breve a TNT começa a transmissão, as 20h30.

Jessica Chastain, uma das duas favoritas da noite para o Oscar de Melhor Atriz, arrasou com um vestido cor pele. Linda, deslumbrante, perfeita para receber a estatueta por Zero Dark Thirty. Francamente, estou na torcida por ela.

A minha previsão é que o Oscar deve manter a sua tradição. Ou seja: deve premiar Argo ou Lincoln, na categoria principal, sem surpresas – porque todas as premiações pré-Oscar apontam para eles, especialmente Argo.

Além disso, não devemos ter surpresas nas categorias principais. Prevejo que três filmes devem dividir a maior parte das estatuetas: Argo, Lincoln e Life of Pi. O último, pode predominar nas categorias técnicas. E os dois primeiros, nas principais. Logo veremos…

Agora, 20h34min, no tapete vermelho o fenômeno Quvenzhané Wallis, a mais jovem atriz indicada a um Oscar. Tudo indica que ela só conseguiu sorrir depois de fazer o filme Beasts of the Southern Wild. 🙂 Quem assistiu ao filme, sabe do que estou falando.

Reese Whiterspoon, com vestido e joias Louis Vuitton, disse que a filha de 13 anos a ajudou a escolher o vestido. Mas para mim, até agora, a mais linda a desfilar no tapete vermelho foi Samantha Barks, que interpretou a Éponine em Les Misérables. Ela e Jessica Chastain estão inacreditáveis…

No Oscar deste ano, sou franca em dizer, os meus favoritos correm por fora. Então minha “torcida” está menor. Mas, de fato, tivemos uma safra muito boa. Ainda que poucos filmes tenham sido, de fato, “arrebatadores”.

Amanda Seyfried, também de Les Misérables, também está linda. Vestindo Alexander McQueen. Jennifer Lawrence é outra que chegou bem. Esta noite, sem dúvida, será uma das mais interessantes em termos de astros e estrelas talentosos e muito bem vestidos.

Servidos? Como estou com fome, sem dúvida eu encararia vários destes “Oscar’s”. 😉85th Academy Awards, Governors Ball Press Preview

Jennifer Lawrence, a outra favorita para o Oscar de Melhor Atriz, acaba de dizer que não teve tempo de comer, e que está com fome. Pois somos duas… mas o meu problema eu vou resolver em breve. hehehehe

Ela está linda. Mas ainda sou mais a Jessica Chastain. Tanto para o Oscar como com o modelito da noite.

Até o momento, o predomínio no tapete vermelho foi feminino. Não vi muitas beldades entre os atores. As lentes estão ignorando eles ou será que todos vão chegar mais tarde?

Mestre Dustin Hoffman é um dos primeiros grandes a chegar no tapete. Agora, Norah Jones, bem diferente do que estamos acostumados. São 21h02min e o E! segue indo muito bem, enquanto a TNT está muito morna.

Pela quantidade de gente que disse que vai cantar no Oscar nesta noite, teremos uma edição muito musical. Começando pelo apresentador, o relativamente “desconhecido” Seth MacFarlane, diretor de Ted, que muitos dizem que foi escolhido mais pelo ótimo tom e afinação ao cantar do que pelo carisma. Logo mais veremos como ele vai se sair em cena.

Anne Hathaway, mais uma grande concorrente da noite, aparece agora, 21h15min, em cena no tapete vermelho. Está menos exuberante que outras de suas colegas. Mas não consegue estar feia, né? 🙂

Agora sim, Christoph Waltz em cena. Grande, grande! Estou na torcida por ele também. Bem simples, discreto. Genial. Anne Hathaway dando entrevista, disse que está vestindo um Prada, e que escolheu o modelito, que evidencia os seus seios, três horas antes de ir para a cerimônia.

85th Academy Awards, Friday, Set UpsBradley Cooper, mais barbudo, com muito gel no cabelo e com gravata borboleta. Acompanhado da mãe, que dá no ombro dele, que afirma estar pela primeira vez no Oscar. E para ver ao filme indicado como Melhor Ator. O que, por si só, é muito surpreendente.

Naomi Watts é outra que merece menção. Para mim, uma das mais bem vestidas da noite, em um vestido de alto risco, lindo, ousado e perfeito para ela. Dior dominando a cena.

Passei para a TNT, porque o início da cerimônia se aproxima… impressionante a Nicole Kidman. Sempre linda e escolhendo muito bem os vestidos do Oscar. São 21h40min e ela me espanta pela altura e pela silhueta. A Adele, por outro lado… está sendo um bocado “detonada” pelos comentaristas do Oscar. Ela realmente ficou estranha.

Até agora, algumas mulheres dominaram a cena. Especialmente Naomi Watts e Jessica Chastain. Entre os homens, o maior frisson parece ter sido com Bradley Cooper.

Faltando 39 minutos para a cerimônia começar, as 21h50min, Hugh Jackmann e a esposa… lindos. Muito elegantes e tranquilos, sem exagerar na dose e até bem simples. Ele, lindo. E, para mim, um dos melhores apresentadores recentes da premiação.

85th Academy Awards, ArrivalsDepois de Chris Evans, é a vez de Robert De Niro. Concorrente da noite, figuraça. Ele destaca o trabalho de elenco de Silver Linings Playbook. Na votação dos melhores vestidos da noite, pela TNT, Jennifer Lawrence aparece em primeiro lugar, com Jessica Chastain em segundo. Lawrence virou, realmente, a última “queridinha da América”.

Jennifer Aniston, de vermelho estonteante by Valentino, diz que vai a apenas algumas festas na noite, porque são muitas… êêê sorte! Falando nos homens da noite, pouco focados pela TV até agora, Ben Affleck, que pode ser um dos grandes vencedores da noite com Argo, está muito bem. Melhor que a esposa, Jennifer Garner, um tanto estranha.

Uau! Halle Berry maravilhosa, mais uma vez! E ela reforça a lista de atrizes com cabelos beeeeem curtos. No caso dela, algo tradicional. Para outras, uma novidade. Engraçado como todas da fila, que passam atrás da Halle Berry, ficam babando nela. O público vai entrando lentamente, e esticando o pescoço para as estrelas.

Agora sim, uma miragem para as meninas… George Clooney e sua mais nova namorada, muito bem vestida. E ele… sem comentários. Fantástico! E poderá sair da noite com uma estatueta se Argo ganhar como Melhor Filme, porque ele é um dos produtores da produção.

Faltando 16 minutos para a premiação começar, Anne Hathaway brinca que o seu vestido é “business” na frente e diversão – porque é bastante aberto – atrás. Ela também revela que, como vem de Nova York, ela está usando um lindo colar da Tiffany.

Jamie Foxx, muito elegante, está ao lado da filha, com todo o jeito de modelo, de 19 anos, linda. E o ator confidencia que veio no carro falando com a filha sobre a faculdade e amores, já que eles tem pouco tempo para conversar. Muitos astros com mães e filhas. Oscar bem família.

E o grande Daniel Day-Lewiss, favoritíssimo ao Oscar de Melhor Ator. Bastante discreto e simples, ao lado da mulher. Ele é assim mesmo… low profile. Concentrado na carreira e não no showbusiness, tão diferente de Clooney e Affleck, por exemplo.

85th Academy Awards, Governors Ball PreviewAgora sim, pontualmente as 22h30min, começa a premiação do Oscar. O comediante Seth MacFarlane entra em cena. Ele fala dos vários filmes maravilhosos do ano, e começa destacando Argo. Um indicativo interessante…

MacFarlane brinca que o Oscar é importante para a carreira de qualquer um da indústria. E cita, com ironia, Jean Dujardin, que ganhou no ano passado, e que agora “está em todas as partes”. A verdade é que o inverso aconteceu. Depois ele destaca Amour e Daniel Day-Lewis. Depois ele fala de Django Unchained, brincando sobre a violência da produção. Comenta sobre Jennifer Lawrence, que teria brincado com a ausência de Meryl Streep entre as indicadas.

E então William Shatner, o histórico Kirk de Star Trek, interrompe a cerimônia para tentar “impedir” MacFarlane a fazer a pior apresentação de todos os tempos do Oscar. A tentativa da Academia em tirar sarro de si mesma é boa, mas de fato o apresentador é muito fraquinho. Sem dúvida ele tem um efeito muito maior nos Estados Unidos do que para o resto do mundo.

Em seguida, e aí sim valeu o primeiro minuto da noite, Channing Tatum entra em cena, com Charlize Theron, para dançarem uma música clássica imitando Fred Astaire e Ginger Rogers. Depois Daniel Radcliffe e Joseph Gordon-Levitt dançam sobre o palco, com o apresentador cantando. Certo, já entendemos o esforço do Oscar em tentar ser engraçado e mudar o apresentador, mas não está funcionando. Apresentação chata, e o tal MacFarlane se esforçando demais para agradar, sem conseguir.

Finalmente, começa o que interessa. Viola Davis Octavia Spencer apresenta os indicados a Melhor Ator Coadjuvante. Só feras entre os indicados: Alan Arkin, Robert De Niro, Philip Seymour Hoffman, Tommy Lee Jones e Christoph Waltz. E o Oscar foi para… Christoph Waltz. Grande! Adorei. Estava torcendo por ele. Francamente, gosto muito dos outros. Mas ele rouba a cena em Django Unchained. Tarantino aparece todo feliz, e bem no canto do teatro. Curioso… Waltz agradece muito a ele e a vários nomes do elenco e da produção. Para fechar, ele usa palavras de seu personagem no filme, o Dr. King Schultz. Primeiro prêmio e já gostei. Este é o segundo Oscar de Waltz, que merece. OBS: Falha minha. Estava distraída e confundi Spencer com Davis. Eita! Mas foi Octavia Spencer mesmo quem apresentou.

E o Oscar de Melhor Curta de Animação foi para Paperman, um filme da Disney todo em preto e branco. Não assisti, mas parece interessante. O diretor John Kahrs agradece à Academia. Em seguida, são anunciados os concorrentes a Melhor Filme de Animação. E o Oscar foi para… Brave, dirigido por Mark Andrews e Brenda Chapman, com co-direção de Steve Purcell. Não assisti a nenhum dos concorrentes, algo raro, já que gosto dos filmes de animação. Mas parece que Brave era o mais popular, não?

Na sequência, Reese Whiterspoon apresenta três dos indicados a Melhor Filme. Ela apresenta a ousadia das produções Les Misérables, Life of Pi e Beasts of the Southern Wild. Impressão minha mas o Oscar está correndo com as premiações? Não com as piadas, meio xaropes, mas com a entrega dos prêmios. Estão cortando o lado errado.

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Agora, os indicados a Melhor Fotografia. E o Oscar foi para… Life of Pi. Grande! Merecidíssimo. Só podia dar ele mesmo. Fotografia maravilhosa. O grande Claudio Miranda sobe no palco e fala do quanto difícil e incrível foi fazer aquele filme. Um dos grandes trabalhos da vida dele, sem dúvida.

Os atores de The Avengers, Robert Downey Jr., Jeremy Renner, Chris Evans, Mark Ruffalo e Samuel L. Jackson apresentam, na sequência, o segundo Oscar da trupe nesta noite, o de Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… Life of Pi. Mega merecido novamente. Era esperado, eu estava na torcida, e tiro o meu chapéu.

Na volta do intervalo, Jennifer Aniston e Channing Tatum apresentam o Oscar de Melhor Figurino. Eles fazem muitas gracinhas sobre estes profissionais que ajudam a melhorar o trabalho de qualquer ator, preparando-os para a cena. E o Oscar foi para… Jacqueline Durran por Anna Karenina. Nesta categoria, eu poderia opinar pouco, porque só assisti a Lincoln e Les Misérables. Estava na torcida pelo segundo mas, parece, Anna Karenina mereceu.

lesmiserables6Em seguida, a dupla de atores apresenta o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Les Misérables. Boa! Que bom que este filme não vai sair no zero a zero. Lisa Westcott e Julie Dartnell fizeram um grande trabalho com este filme. De arrepiar o resultado que elas conseguiram.

Na sequência, a estonteante Halle Berry, aparecendo como uma bond girl. Ela apresenta uma homenagem aos filmes de 007, que completam 50 anos. Bela edição de imagens dos filmes que fizeram a história do personagem. Edição moderna, valorizando o estilo das cores que marcaram Bond e aquela trilha sonora deliciosa que todos nós conhecemos. Fechando a homenagem, Shirley Bassey canta um clássico da trilha de Bond. Bacana. Funcionou bem.

Após o intervalo, Jamie Foxx e Kerry Washington, o casal de Django Unchained. Eles apresentam o Oscar de Melhor Curta de Ficção. E o Oscar foi para… Curfew, dirigido por Shawn Christensen. Segundo os atores, esta foi a primeira vez que todos os integrantes da Academia puderam votar nos curtas. Bela valorização. Passava da hora, aliás. Christensen agradece demais aos seus familiares, e a outras pessoas que participaram da produção.

A dupla de atores apresenta o Oscar de Melhor Curta Documentário, que foi para… Inocente, dos diretores Sean Fine e Andrea Nix Fine. Eles são bem aplaudidos. Andrea agradece a várias pessoas que participaram do curta, na equipe de filmagem, e Sean valoriza a artista que é o foco do documentário.

Na sequência, Liam Neeson apresenta outros três indicados ao Oscar de Melhor Filme: Argo, Lincoln e Zero Dark Thirty. Como na apresentação anterior, o público assiste a um trailer que junta as três produções. Os dois primeiros são os favoritos mas, francamente, meu voto iria para o terceiro. E as piadinhas do apresentador… chaaatas. Mas bueno.

Depois entra em cena Ben Affleck. Ele apresenta os indicados ao Oscar de Melhor Documentário: 5 Broken Cameras, The Gatekeepers, How to Survive a Plague, The Invisible War e Searching for Sugar Man. E o Oscar foi para… Searching for Sugar Man, dirigido por Malik Bendjelloul.

Agora, francamente, ooohhh apresentador chato! Eu preferia mil vezes o Hugh Jackman apresentando ao Oscar do que este Seth MacFarlane. Ele não consegue quebrar o gelo.

amour2Voltando do intervalo, Jennifer Garner e a maravilhosa Jessica Chastain. Elas apresentam os indicados ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira: Amour, Kon-Tiki, No, A Royal Affair, War Witch. Na torcida por Amour, claro. E o Oscar foi para… Amour. Oh yeah!! O grande Michael Haneke vai até o palco para receber a merecida estatueta. Nos agradecimentos, muito fofos, achei especialmente tocante a fala dele para a mulher, que lhe acompanha há mais de 30 anos, e o agradecimento para os grandes atores Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant. Bacana. Primeiro Oscar para este grande diretor.

John Travolta sobe ao palco para falar dos musicais. E homenageá-los. Um clipe apresenta alguns dos melhores dos últimos tempos, quando Chicago e tantas outras produções resgataram o gênero. E sobre o palco, Catherine Zeta-Jones arrasou. No vocal e na dança. Dominou o palco. Começou cantando, mas depois foi para o playback. Mas dançou bem. Ela foi seguida pela homenagem para Dreamgirls, com Jennifer Hudson cantando e gritando no palco. Desta vez pra valer. E aí veio Les Misérables… e Hugh Jackman, que deveria estar apresentando este Oscar, cantando maravilhosamente. Grande! Em seguida, a genial Anne Hathaway, seguida de Amanda Seyfried, Eddie Redmayne, Samantha Barks, Aaron Tveit e o restante do elenco deste grande filme. Russell Crowe, que não tem voz para cantar, nem mesmo no filme, teve que usar um microfone discreto.

Zoe Saldana e Chris Pine voltam após o comercial para destacar os prêmios científicos, que destacam os avanços tecnológicos que servem ao cinema. O apresentador chato chama os astros de seu “esforço medíocre”, Mark Wahlberg e Ted, do filme Ted… sono! Eles apresentam os indicados para Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Andy Nelson, Mark Paterson e Simon Hayes pelo filme Les Misérables. Bacana. Fico feliz que esta produção está sendo lembrada durante a noite.

A dupla de Ted segue apresentando o Oscar. Desta vez, os indicados a Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… que surpresa, um empate! A primeira estatueta vai para Paul N. J. Ottosson, por Zero Dark Thirty. Legal. Gostei muito deste filme. E o segundo Oscar nesta categoria foi para Per Hallberg e Karen Baker Landers por Skyfall.

Film Title: Les MisÈrablesNa sequência, mais uma piada idiota com a família Von Trapp. Melhor que o apresentador sem graça, Christopher Plummer, um veterano dos bons, sobe ao palco para apresentar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante: Amy Adams, Sally Field, Anne Hathaway, Helen Hunt e Jacki Weaver. Minha torcida para Hathaway. E o Oscar foi para… Anne Hathaway. Legas! Elegante, Anne Hathaway agradece a Academia por ter indicado ela junto com as outra atrizes, que lhe inspiram. Ele agradece a Hugh Jackman e a várias pessoas da equipe de Les Misérables. Em um discurso emocionado, ela agradeceu também aos amigos, familiares, fez uma declaração de amor fofa para o marido – eles são recém-casados – e disse que espera que um dia as dores e mazelas de sua personagem Fantine façam parte apenas da ficção, e não mais da realidade de ninguém. Foi muito bem. Indicada para dois Oscars antes, mas sem nunca ter recebido nenhuma estatueta, chegou a hora dela. Merecido. Ela faz uma das melhores interpretações de sua vida em Les Misérables.

Até agora, fora o empate, surpresa alguma. Fora o apresentador, horrível, e a dinâmica desta premiação, bem mal planejada, estou gostando da distribuição de estatuetas. Filmes que eu gostei muito estão levando os seus merecidos Oscars.

argo1Sandra Bullock entra após mais uma fala idiota do apresentador para apresentar os indicados ao Oscar de Melhor Edição: Argo, Lincoln, Silver Linings Playbook e Zero Dark Thirty. E o Oscar foi para… William Goldenberg, de Argo. Era bola bem cantada. Argo, de fato, tem uma ótima edição.

Depois, Jennifer Lawrence, em seu vestido tão comentado, introduz Adele, que canta a música Skyfall, do filme homônimo de 007. A canção é dela e de Paul Epworth e está concorrendo na categoria Melhor Canção Original. Essa sim, sabe soltar a voz. E só daí, com o telão borbulhando em brilhos, que eu entendi o vestido dela… tipo uma continuidade das “estrelas” do fundo. Melhor só escutar do que vê-la em uma roupa que não a favoreceu em nada. 🙂 Agora, depois de nos acostumarmos com o visual, foi legal ver ela se soltando, inclusive com dancinha. Possivelmente a pessoa que mais se soltou na noite. Grande!

Pois é, meus bons leitores. Só amando muito o cinema e o Oscar para aguentar a premiação deste ano. Chata, chata! Só o povo que faz Hollywood e o cinema pelo resto do mundo e que está presente para fazer a noite valer a pena.

No retorno do comercial, Nicole Kidman apresenta outros três indicados na categoria Melhor Filme: Silver Linings Playbook, Django Unchained e Amour. Achei a Nicole meio “passada”… parecia que tinha bebido. Por isso mesmo, engraçada. Depois, o tradicional trailer com estas três produções.

lincoln2Na sequência, Kristen Stewart e Daniel Radcliffe apresenta os indicados a Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… Rick Carter no design de produção e Jim Erickson na decoração de set de Lincoln. Fiquei surpresa. Esperava que a estatueta fosse para Life of Pi ou Les Misérables.

Após uma rápida piada idiota sobre atores que não são compreendidos – por serem gringos – do apresentador, Salma Hayek apresenta os Oscars honorários e humanitários para D.A Pennebaker, George Stevens Jr., Hal Needham e Jeffrey Katzenberg.

No retorno de mais um comercial, George Clooney apresenta o in memoriam do cinema, que começa com Ernest Borgnine, passou por Michael Clarke Duncan, Tonino Guerra, Herbert Lom, Tony Scott, Nora Ephron e terminou com Marvin Hamlisch, homenageado por Barbra Streisand. Sono e sono!

Senti que o apresentador mala está mais “contido”. Alguém deve ter contado pra ele que o Oscar de chato da noite vai pra ele. Na sequência, alguns dos atores principais de Chicago, Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones, Queen Latifah e Richard Gere apresentam os indicados a Melhor Trilha Sonora. E o Oscar foi para… Mychael Danna por Life of Pi. Legal. Gostei muito da trilha deste filme. Peça fundamental para o conjunto da obra.

Na sequência, o mesmo grupo de atores de Chicago relembra os indicados a Melhor Canção Original. Além daqueles que se apresentaram na noite, eles apresentam as composições de Chasing Ice e Life of Pi. Fechando a lista, Norah Jones subiu ao palco para interpretar a Everybody Needs a Best Friend, do filme Ted. E o Oscar foi para… Adele e Paul Epworth por Skyfall, do filme de 007. Gostei. Ainda que estivesse torcendo para a música de Les Misérables, gostei de ver Adele ser reconhecida. Ela é genial.

No retorno dos comerciais, serão entregues os principais prêmios. Life of Pi não deve ganhar mais nada. E o que falta ser entregue tem grandes chances de ser repartido por três ou quatro produções. 1h20min da manhã de segunda-feira e o Oscar manteve o seu padrão. Distribuindo prêmios, e com um apresentador surpreendentemente chato.

Na sequência, Charlize Theron e Dustin Hoffman sobem ao palco, para o nosso deleite, e apresentam os indicados ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Grandes concorrentes. Eu votaria em Life of Pi. Mas deve ganhar Argo. Veremos. E o Oscar foi para… Chris Terrio por Argo. Previsível. A verdade é que o roteiro deste filme é muito bom. Mas eu acho que tivemos outros exemplares mais complicados de adaptar, como Life of Pi. Paciência. Agora Argo vai começar a levar algumas estatuetas.

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A mesma dupla de atores apresenta os indicados na categoria Melhor Roteiro Original. Talvez a categoria mais disputada da noite. Só filmes geniais estavam concorrendo. E o Oscar foi para… Quentin Tarantino! Uau! Genial. Django Unchained não é o melhor roteiro dele, mas como a Academia devia há tempos uma estatueta para esse cara genial, fiquei feliz. Depois de ganhar por Pulp Fiction, este é o segundo Oscar da carreira do diretor e roteirista.

No retorno do comercial, 1h32min, Jane Fonda e Michael Douglas, dois monstros do cinema, caminham com toda a elegância sobre o palco para apresentar os indicados a Melhor Diretor. E o Oscar foi para… Ang Lee. Uauuuu! Fiquei surpresa. Achei que ia dar o Steven Spielberg. Mas Lee foi supermerecido. Ele fez um trabalho primoroso com Life of Pi. E ele foi aplaudido de pé pelo público. Um grande reconhecimento, e bastante raro na noite. Ele agradeceu a todos que acreditaram no projeto, às mais de 3 mil pessoas que trabalharam no filme e a Suraj Sharma, que “levou o filme”. Ele tem razão. Fico especialmente feliz por ser um diretor estrangeiro sendo reconhecido pela Academia. Especialmente ele, com uma filmografia tão boa.

O simpático, carismático e lindo (me perdoem os sensíveis, hehehehe) Jean Dujardin aparece sobre o palco para apresentar as indicadas a Melhor Atriz: Jessica Chastain, Jennifer Lawrence, Emmanuelle Riva, Quvenzhané Wallis e Naomi Watts. E o Oscar foi para… Jennifer Lawrence. Uau!! Agora ninguém mais segura ela, que já é a queridinha da América. De tão emocionada, ela caiu ao subir aos degraus. No discurso, o que achei o máximo, ela brincou que o povo estava aplaudindo ela de pé porque havia caído. Ela agradeceu ao elenco, à equipe, deu os parabéns para Emmanuelle Riva, que estava de aniversário. Figura.

Na sequência, a grande, insuperável Meryl Streep. Ela apresenta aos indicados na categoria Melhor Ator: Bradley Cooper, Daniel Day-Lewis, Hugh Jackman, Joaquin Phoenix e Denzel Washington. E o Oscar foi para… Daniel Day-Lewis. Era a bola mais cantada da noite, sem dúvida. E Meryl Streep foi a mais rápida no anúncio. Como Jennifer Lawrence, ele foi aplaudido de pé. Mas por muito mais tempo. Ovacionado, na verdade. Bacana. Ele brinca que não sabe como aquilo aconteceu… porque ele gostaria de ter interpretado a Margareth Thatcher. Uma piada com Meryl, que ele disse que foi a primeira escolhar para Lincoln. Ele brinca que a mulher dele casou com um homem estranho há 16 anos. Foi muito bem no discurso. A música não tocou pra ele… e após agradecer a muita gente, ele dedicou o prêmio para a mãe. Fofo!

argo2E para fechar a noite, Jack Nicholson. Figuraça. Andando bem estranho. Ele brinca que escolheram alguém bem confuso para apresentar o prêmio. E depois, chama a primeira dama dos EUA ao vivo da Casa Branca, Michelle Obama. Estranho foi ver as pessoas atrás dela com um olhar de admiração mega exagerado. Nicholson volta para nominar os concorrentes a Melhor Filme: Amour, Argo, Beasts of the Southern Wild, Django Unchained, Les Misérables, Life of Pi, Lincoln, Silver Linings Playbook e Zero Dark Thirty. E o Oscar foi para… Argo. Anunciado por Michelle Obama. Deu o previsto. Com Ben Affleck com aquela cara de surpresa que ninguém mais acredita. Apesar disto, o discurso dele foi bacana. Nervoso, fez uma revisão de sua carreira, e de como ele mesmo se surpreendeu com ela.

Francamente? Um Oscar bem político. Em todos os sentidos. Não apenas por Michelle Obama, mas pela repartição de prêmios, no estilo “vamos tentar agradar um pouquinho a todo mundo”. Das indicações até os premiados foi assim. Agora, um ano em que um filme como Argo é considerado o melhor… não acho ele ruim. É interessante, bem construído e narrado. Mas o melhor do ano? Sério? Pufff… Oscar político. Que pena. Mas valeu. No ano que vem tem mais. 🙂

Abraços para quem acompanhou a premiação por aqui. Seguimos na luta, pois! Inté!

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Amour – Amor

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A vida é bela, grande. Alguma vezes, longa. A vida é difícil. Algumas vezes cruel, no final. Amour trata, bem ao estilo do diretor Michael Haneke, sobre a mudança crucial que acontece na vida de um casal que compartilha a velhice. Não há espaço para floreios, mas para a observação precisa de uma rotina complicada. A intenção do diretor é compartilhar com o espectador aquela intimidade que ninguém conhece, nem é capaz de compreender em toda a sua complexidade. Como o nome da produção sugere, este filme lança um olhar atento para o mais nobre dos sentimentos, cheio de conflitos, altos e baixos, mas também de uma certeza contagiante.

A HISTÓRIA: Com a ajuda de bombeiros, a polícia abre a porta trancada. Vizinhos chegam, e o odor forte da residência cria reações esperadas de repúdio. Um ambiente da casa está, além de trancado, lacrado com fitas adesivas. O policial que lidera a operação (Laurent Capelluto) abre as janelas, para que o cheiro seja dissipado. Quando os bombeiros abrem a porta do quarto trancado, ele encontra o corpo de Anne (Emmanuelle Riva) deitado sobre a cama, com flores secas espalhadas ao redor de sua cabeça, no travesseiro. Corta. Em um teatro lotado, olhamos para uma plateia que, primeiro, se acomoda e, depois, ouve a um concerto de piano. No meio desta plateia, o casal Anne e Georges (Jean-Louis Trintignant). Acompanhamos eles cumprimentando ao pianista, Alexandre (Alexandre Tharaud), e depois voltando para casa. Em breve, a vida deste casal será modificada quando Anne começa a apresentar alguns problemas de saúde.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Amour): A vida é cheia de imprevistos. O que temos como certo hoje, pode mudar radicalmente amanhã. Quando somos crianças, ou jovens, não percebemos o quanto somos frágeis. Com o passar do tempo, e com todas as dificuldades que a vida adulta vai nos trazendo, é que percebemos esta impermanência que marca cada um de nós e a existência de tudo que um dia já existiu.

Amour é um filme rico que, entre outros temas, trata justamente desta fragilidade. A percepção de que “viver é uma questão de sorte”, como diria a letra da música de um amigo meu espanhol, vai se tornando mais clara conforme vamos enfrentando momentos difíceis. Nossos ou de pessoas próximas. Ainda não estou perto da idade dos protagonistas desta produção, mas tenho certeza que quanto mais eu me aproximar da realidade deles, e se eu tiver esta sorte de viver tanto, mais claro terei esta vulnerabilidade em mente.

Ainda assim, mesmo que a gente tenha cada vez mais consciência disto, a imprevisibilidade da vida sempre vem e nos surpreende. Não há preparo para enfrentar o que Amour nos apresenta. Por mais equilibrada que seja uma pessoa e independente da crença que ela tenha na vida, em um Deus ou nas pessoas, não há estrutura suficiente para, em todos os momentos, tratar com força e esperança a situação vivida por Anne – olhando sob a ótica de Georges.

Michael Haneke é um realizador absurdo. No sentido de brilhante. A construção que ele faz desta história, com tanta naturalidade e, ao mesmo tempo, com tanta precisão na construção de cada cena, de cada sequência, é exemplar. Há momentos arrebatadores, como aquele em que Anne “se desconecta da realidade” na cozinha, antes de ir para o hospital, mas a maestria do diretor e roteirista se revela em todo o restante da história. Especialmente nos momentos mais complicados, mas também nas cenas mais “comuns”.

Porque aquela rotina “ordinária” provoca o espectador a olhar para a sua própria rotina, olhar com atenção para o interior do seu lar, de seus sentimentos e de suas relações. Fiquei especialmente maravilhada com sequências como aquela em que o diretor mostra os quadros que o casal preserva em casa. Georges e Anne eram pessoas sensíveis, atentas aos detalhes, que gostavam de arte e cultura. Educados, civilizados, seguem a linha de tantos idosos da França e de outros países europeus. Mas quem poderia, ainda, observar aqueles quadros com a sua beleza? Eles haviam perdido totalmente o valor e o significado. Como tudo que, por mais belo e inventivo que seja, é um artigo material. Afinal, somos nós que damos valor a estas coisas. Mas o que realmente tem valor, e que transcende a nossa fragilidade e, consequentemente a vida, sempre vai sobrepujar tudo isso.

E este artigo valioso, que dá nome a este filme, não está isento de contaminações. As diferentes vertentes e variações do amor são explicadas justamente pela contaminação do amor pelas demais características humanas. Assim, há amor possessivo, altruísta, que morre em si mesmo, é doado, se multiplica, egoísta e tantas outras variações. A mesma relação pode sustentar estas e tantas outras variações. E quem poderá classificar este amor?

O filme de Haneke, aliás, mostra como somos ignorantes. Como desconhecemos, de fato, o que acontece com as outras pessoas. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Este, sem dúvida, foi um dos aspectos mais marcantes desta produção para mim. Enquanto os vizinhos de Georges e Anne, interpretados por Ramón Agirre e Rita Blanco, admiravam a dedicação de Georges para cuidar da mulher, a filha deles, Eva (Isabelle Huppert) questionava as decisões do pai. Qual leitura estaria certa? A otimista e benevolente dos vizinhos ou a extremamente crítica da filha? Eu diria que ambas estavam certas e, ao mesmo tempo, erradas.

Ninguém, e isso aprendi com a vida, mas este filme aborda muito bem, sabe de fato o que acontece na vida da outra pessoa. De fato somos pequenos universos complexos e cheios de sentimento, histórias, percepções, que seremos “tocados” e “entendidos” apenas em parte por outra pessoa. Na melhor das hipóteses. Temos sorte quando encontramos alguém que nos entende sem precisarmos falar muita coisa. E ainda assim, mesmo dando esta sorte, seremos compreendidos e conhecidos apenas em parte. Amour trata muito disto. Georges e Anne compartilharam uma vida juntos e, ainda assim, ele contava histórias que Anne nunca havia ouvido.

Não importa o tempo que passemos ao lado de alguém. Esta pessoa nunca vai nos entender plenamente. E, apesar disto, é possível amar ao outro de uma forma absurda, completa. Mesmo sem o entendimento pleno. Um ponto chave para isto, e Amour nos ensina um bocado a este respeito, é o respeito. Georges, mesmo intimamente contrariado, respeita ao máximo a vontade de sua amada. E busca, até o final, ajudá-la, e respeitar a vontade dela. E é muito difícil fazer isso porque, muitas vezes, respeitar ao máximo a vontade de quem se ama é aceitar abrir mão não apenas da tua própria vontade, mas também daquilo que você acha certo. A vontade de quem se ama pode estar totalmente equivocada, mas o esforço altruísta está, justamente, em segui-la apesar disto.

Difícil. Complicado. Amour é assim. Um filme duro que nos faz observar a vida como ela é. Porque nem sempre as histórias tem final feliz. Nem sempre a vida toma rumos que a gente gostaria. Porque um elemento fundamental da vida é o imprevisível, e todos os acidentes que podem ocorrer a partir daí. Apesar disto, nos aventuramos no percurso. Algumas vezes, temos a sorte de amar. E de fazer este sentimento transcender as dificuldades e a morte. Porque estas duas últimas são inevitáveis. Mas o amor… para existir e vencer, precisa ser buscado, conquistado, batalhado. Ele não é inevitável. Mas faz todo o resto valer a pena.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Possivelmente este filme mereceria uma nota 10. Eu sei disso. Admito. Mas vou explicar a razão de eu não ter conseguido dar a nota máxima pra ele: sou uma otimista inveterada. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Eu entendo, e admiro Michael Haneke pro ele fazer um filme como este, sem um final redentor. O que temos é a vida real, sem firulas. Sendo assim, muitas vezes, não há uma solução bacana para uma situação complicada como a mostrada por Amour. Paciência. É assim mesmo. Ainda assim, pelo estilo de pessoa que eu sou, me incomoda um pouco esta dureza, esta falta de compreensão final. O gesto de Georges, para mim, não foi o complicado. E sim a chegada de Eva na casa vazia. Nem Georges, após tudo que ele fez por Anne, teve uma sobrevida. Isto sim me incomodou. Esta falta de diálogo entre pai e filha que nunca será resolvido. Uma falta de esperança definitiva. Não consigo dar um 10 para este filme por isso. Por mais que eu saiba que, algumas vezes, seja isso mesmo que aconteça.

Fiquei extremamente fascinada pelo trabalho destes dois gigantes chamados Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva. Acredito que sempre que se fale de grandes atuações, a partir de agora, deveriam citar estes atores fenomenais. Não entendo, por exemplo, porque ela foi indicada ao Oscar e ele não. Para mim, é evidente que ambos fazem um trabalho soberbo. E imagino que Hollywood não fará o certo, em premiar a Emmanuelle Riva. Não será totalmente uma injustiça dar a estatueta para Jessica Chastain, que isso fique claro. Mas sem dúvida Emmnauelle dá um banho. Para mim, se ela realmente não ganhar, será como o Oscar 1999, quando Fernanda Montenegro deveria ter levado a estatueta. Paciência, pois.

Sobre a história, há outro aspecto que me chamou a atenção, além da dificuldade de entendimento da filha sobre a realidade dos pais. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O abismo das nossas relações atuais entre a vontade de fazer boas ações e a prática deste altruísmo. Eva tem uma vida complicada, é verdade. Está cheia de razão quando tenta ver uma alternativa para a mãe que, evidentemente, ela ama. Mas não consegue sair desta posição de “voz crítica” e, de fato, fazer algo prático a respeito. Claro que aí também entra o respeito do qual eu falava acima. Ela não quer invadir a vida dos pais, e obrigar Georges ou Anne a fazerem o que eles não querem. Esta complexidade do amor é o que parece impossível de conciliar. Onde está o limite para a ação? Sabendo que cada indivíduo sabe, com exatidão, o que pensa e o que sente, como não impor a sua vontade, por mais bem intencionada que ela seja? E ao não fazer isso, como não ser visto como egoísta ou displicente? Como eu disse, é complexo.

Michael Haneke é um diretor interessante. Em muitas sequências deste filme ele não nos mostra o ângulo que seria “esperado”. Desde a cena no teatro, em que não assistimos ao artista, e sim à plateia, até o momento em que Alexandre visita a antiga professora e, enquanto espera por Georges, não acompanhamos a ação propriamente, de Georges buscando a Anne, e sim a espera de Alexandre. É como se a todo momento Haneke nos lembrasse que aquele filme não era para satisfazer as nossas vontades. Porque o amor não pode ser assim. Mas que deveríamos seguir observando e captando os detalhes do que ele, mestre do artifício, queria nos mostrar. Observar o que não é o foco evidente das atenções sempre nos traz elementos interessantes. Haneke acerta também nisto.

Além do fantástico trabalho do diretor e roteirista Michael Haneke e da sua estupenda dupla de protagonistas, Amour tem uma direção de fotografia impecável. Mérito de Darius Khondji. Muito bom, e merece ser citado também, o trabalho dos editores Nadine Muse e Monika Willi.

Uma curiosidade sobre esta produção: a cena do pombo foi rodada 12 vezes. Diferente de cães e cavalos, certamente os pombos são mais difíceis de “dirigir”. 🙂

Outra curiosidade: esta produção teve uma certa inspiração em uma experiência pessoal de Haneke. Uma tia dele sofria de uma doença degenerativa, e as pinturas vistas na produção são da coleção particular dos pais do diretor.

Michael Haneke escreveu este roteiro pensando em Jean-Louis Trintignant que, segundo o IMDb, estava há sete anos sem atuar. Que bom que ele voltou, para nos brindar com uma interpretação tão marcante.

Indicada ao Oscar deste ano, Emanuelle Riva se tornou a atriz com maior idade da história a concorrer a uma estatueta. Ela chega à disputa com 84 anos, batendo o recorde anterior, de Jessica Tandy, que foi indicada e saiu vencedora do Oscar aos 80 anos de idade. A premiação deste ano também tem outro recorde na mesma categoria: Quvenzhané Wallis se tornou a atriz mais jovem indicada a um Oscar, aos nove anos de idade.

Vejam como um ótimo filme não precisa consumir um absurdo de dólares ou euros. Amour teria custado cerca de 7,29 milhões de euros. Até o momento, ele teria arrecadado pouco mais de US$ 1,33 milhões nos Estados Unidos e US$ 13,1 milhões no restante do mundo. Honestamente, espero que ele ganhe algumas estatuetas no Oscar para conseguir um lucro muito maior. Merece.

Amour estreou em maio de 2012 no Festival de Cannes. Depois, o filme passou por outros 22 festivais. Belo número. Nesta trajetória, a produção conquistou 28 prêmios e foi indicada a outros 30, além de ter sido indicada para cinco Oscar’s. Entre os prêmios que recebeu, absoluto destaque para a Palma de Ouro como melhor filme no Festival de Cannes. Também merecem menção os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Atriz no Festival de Cinema Europeu; Melhor Filme em Língua Estrangeira no Globo de Ouro; e Melhor Filme em Língua Estrangeira no National Board of Review.

Esta produção foi totalmente rodada em Paris.

Amour é uma coprodução da França, Alemanha e Áustria. Mas na indicação ao Oscar, apareceu como uma indicação austríaca.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para esta produção. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 127 críticas positivas e 11 negativas para Amour, o que rendeu uma aprovação de 92% e uma nota média de 8,6. Para os padrões do site, esta nota é muito, muito boa.

CONCLUSÃO: O diretor Michael Haneke é um especialista em desconcertar o espectador e fazê-lo pensar nos seus sentimentos mais profundos. E também em fazer ele pensar sobre a razão de atos extremos que, anteriormente, ele não compreendia. Amour é um filme duro, pesado. Ao mesmo tempo, um libelo impressionante sobre o amor, a doação, o altruísmo e, porque não dizer, o egoísmo. Esta produção abre mão de uma mensagem redentora, que seria tão natural em filmes de Hollywood, para explorar uma de tantas histórias difíceis da vida pela ótica da falta de esperança. Mais uma vez, a dificuldade que as pessoas tem de se comunicarem e se compreenderem entra no foco, na relação da filha e do genro e dos demais “estranhos” com o casal de idosos. E a dificuldade que, muitas vezes, os próprios protagonistas têm de dialogar. Haneke não cede aos finais redentores e, desta forma, mais uma vez, trilha o caminho de um cinema provocador. Sorte da gente ter uma figura como ele para acompanhar.

PALPITE PARA O OSCAR 2013: Amour foi indicado para cinco estatuetas: Melhor Filme, Melhor Filme em Língua Estrangeira, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz. Exceto pela indicação dupla como melhor filme, francamente, ele tem potencial para ganhar todos os demais prêmios. Ou seja: pode receber até quatro estatuetas neste Oscar.

E seria justo. Mas acho difícil que isso aconteça. Primeiro porque não vejo Hollywood deixando de “lado” produções com forte lobby para trás, como Lincoln e Argo. Depois, que a mesma regra vale para Melhor Diretor. Dificilmente vão premiar Michael Haneke no lugar de Steven Spielberg ou David O. Russell. Mas surpresas, especialmente na categoria, diretor, sempre podem ocorrer.

Vejo mais chances desta produção vencer nas demais categorias. Amour tem boas chances contra Moonrise Kingdom, Zero Dark Thirty, Flight e Django Unchained. Não assisti, ainda, aos últimos dois. Mas posso dizer que acho justo se ele vencer nesta categoria. E olha que eu gostei muito dos roteiros de Moonrise Kingdom e Zero Dark Thirty. Bem diferentes uns dos outros.

Do que assisti até agora do trabalho das concorrentes à Melhor Atriz, sem dúvida o meu voto iria para Emmanuelle Riva. Ela destrói qualquer concorrência com o seu trabalho soberbo. E em Melhor Filme em Língua Estrangeira, ainda que eu não tenha assistido aos outros quatro concorrentes, me arrisco a dizer que Amour é o franco favorito. Quase uma barbada.

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Das Weisse Band – The White Ribbon – A Fita Branca

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A maldade surge e se espalha no silêncio, entre cúmplices e em uma comunidade que permite a sua presença. Das Weisse Band, o premiado filme do diretor alemão-austríaco Michael Haneke, é uma das produções mais apontadas para figurar no próximo Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro. Gostei dele, mas não tanto quanto dos outros dois concorrentes que comentei anteriormente aqui no blog. Filmado em preto-e-branco, Das Weisse Band é uma alegoria. Ele revela, através de estranhos e infames acontecimentos em um pequeno povoado alemão, como uma nação pode sucumbir à maldade e, ao mesmo tempo, acreditar que determinadas pessoas merecem ser punidas – em outras palavras, explica a origem do fascismo. Religião, exploração do trabalho alheio, traições, violência contra crianças (e feita por elas também), diferentes tipos de dominação são parte do repertório deste drama celebrado pela crítica.

A HISTÓRIA: O narrador do filme comenta que irá contar uma história que não sabe, até que ponto, é verdadeira. Muito do que o espectador verá não foi presenciado pelo narrador, que apenas “ouviu falar” sobre alguns dos fatos mostrados. Ainda assim, ele acha importante contar o que ocorreuem sua pequena aldeia como forma, talvez, de revelar parte do que aconteceu com seu país. Assim, sua narrativa começa com um acidente envolvendo o médico da aldeia (Rainer Bock). Um dia, voltando para casa de um adestramento na casa do Barão (Ulrich Tukur), ele foi pêgo em uma armadilha colocada no jardim de sua residência. Um arame esticado entre uma árvore e uma cerca derrubou o cavalo do médico e o tirou de circulação por alguns meses. Mas este seria apenas o primeiro de vários eventos marcantes na aldeia, que passaria ainda por outros acidentes, atos de vingança e tortura.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Das Wesse Band): Junto ao título original deste filme, segue a frase “Eine deutsche Kindergeschichte”, que significa “uma história do alemão para crianças”. Como eu disse no início deste texto, Das Weisse Band é uma alegoria sobre o fascismo na Alemanha. Através da história do povoado do professor/narrador (Christian Friedel), o espectador é apresentado a uma série de conceitos que permitiram que aquele país se tornasse decisivo nas 1ª e 2ª Guerra Mundiais. E que seu líder, Adolf Hitler, superasse os ensinamentos fascistas de Mussolini.

Uma das características interessantes do filme é que ele não pretende desvelar uma história, explicando com clareza o que ocorreu em determinado tempo e espaço. Não. Michael Haneke elaborou um roteiro que se baseia no testemunho de um homem bom, curioso e, por sua posição social, um dos mais preparados da aldeia mas que, ainda assim, se mostrou “cego” em relação aos problemas que ocorriam ao seu redor. Provavelmente através da figura do professor/narrador, Haneke fez a sua crítica para a “intelectualidade” alemã naquele período e na fase posterior da vida pública do país, quando eles permitiram que o fascismo crescesse e se multiplicasse – e, junto com ele, as variadas ações de “escolha dos melhores” para a sociedade alemã.

Mas voltando ao filme… não deixa de ser curioso como vamos nos enredando em histórias menos importantes até que, no final, Haneke segura nosso rosto em direção ao que deveríamos ter percebido desde o início. Algo de muito errado estava acontecendo naquele local, mas histórias como a do professor e de sua amada Eva (Leonie Benesch) nos desviam a atenção – como, certamente, boa parte da população alemã teve sua atenção desviada dos horrores das guerras em outras direções, como das conquistas nos esportes, pela propaganda nazista e pelo crescimento da economia. Sem dúvida uma das histórias mais impressionantes envolve a família do pastor (o veterano premiado Burghart Klaussner). Seus filhos, Klara (Maria-Victoria Dragus) e Martin (Leonard Proxauf) estão envolvidos no centro da trama.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Pode incomodar a muita gente o fato de que Das Weisse Band não coloca um pingo final e conclusivo na história. Afinal, foram mesmo as crianças e jovens da aldeia que provocaram o acidente com o médico e a tortura do filho do Barão e de Karl (Kai-Peter Malina), filho da parteira da aldeia (Susanne Lothar)? Tudo leva a crer que sim, especialmente pela reação do grupo na primeira e na última situação, quando eles atuaram em conjunto para “silenciar” quem poderia ir contra eles. Mas e se não foram as crianças e jovens os causadores daqueles atos?

De qualquer forma, o importante desta história é a forma com que os habitantes da aldeia reagiram frente a estes fatos. (SPOILER – não leia… você sabe). Mesmo tendo ficado “perplexos”, desconfiados e sentindo-se ameaçados – segundo o narrador da história -, os moradores da aldeia não ousaram investigar o que havia ocorrido ou, sabendo de algo, acusar aos culpados. Como ocorreria no país pouco depois, durante as guerras, os alemães preferiram silenciar e encobrir os criminosos e seus delitos. Provavelmente porque concordavam com suas práticas, acreditavam que haviam pessoas que deveriam ser excluídas do convívio social de “pessoas superiores”. Desta forma, eles se tornaram coniventes com tudo o que ocorria ao seu redor.

Esta talvez seja a principal reflexão do filme. Outra importante é a forma com que a violência e a maldade podem ser encobertas pelos bons modos e pela educação de uma sociedade “desenvolvida”. Das Weisse Band revela como desejos sexuais reprimidos acabam sendo saciados de alguma forma – muitas vezes torta, através de adultério e pedofilia, por exemplo. E quando não são saciados, podem resultar em mais violência – como nas reações do pastor e de seu filho Martin. Das Weisse Band resume, para os que não estão familarizados com a cultura alemã, muito dos conceitos e valores que formam este povo. Achei especialmente impactante o momento em que o véu das aparências cai por terra e que o médico confronta a  parteira, dizendo para ela tudo o que tinha reprimido por anos de convívio. Haneke, neste momento, destila alguns dos diálogos mais violentos dos últimos tempos.

Vale a pena citar também a simbologia da “fita branca” que dá título a esta produção. Segundo “ensina” o pastor e pai de Klara e Martin, ela deve ser utilizada para recordar as pessoas o valor da inocência e da pureza. Conceitos estes que, claramente, estão ausentes da vida dos personagens citados e, em geral, da população daquela aldeia. Os que querem preservar esta inocência e pureza devem, a exemplo da baronesa e de seus filhos, deixar o local antes de serem contaminados. A fita branca, naquela realidade, era apenas um pedaço de pano sem um valor real – como a maioria dos símbolos adotados sob pressão.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: A história ficcional narrada por Michael Haneke começa um ano antes do assassinato de Francisco Ferdinando em Saravejo que, por sua vez, desencadearia a declaração de guerra da Áustria contra a Sérvia (acontecimento este que resultaria na 1ª Guerra Mundial). Quatro dias depois, a Alemanha declararia guerra contra a Rússia e, dois dias mais tarde, contra a França, mudando a história do país para sempre. Para os que não lembram os antecedentes e os fatos que cercaram este primeiro grande conflito mundial, recomendo este texto curto e bem resumido sobre o conflito que colocou em choque os dois blocos de países europeus no início do século passado. Para os que não lembram, exatamente, o que significa o termo “fascismo”, aqui é possível encontrar uma rápida definição.

A história de Das Weisse Band se passa na “aldeia” de Eichwald. De fato, existe um vilarejo com este nome, na Alemanha, localizada na região de Brandenburg. O aeroporto mais próximo da cidade fica em Dresden, distante 56 quilômetros de Eichwald.

O filme de Michael Haneke foi o grande vencedor deste ano do Festival de Cannes. A produção levou três prêmios do evento: a Palma de Ouro como melhor filme; o Prêmio FIPRESCI conferido pela imprensa internacional e o Prêmio de Cinema do Sistema Nacional de Educação Francês. Para muitos críticos que estiveram presentes no festival, a Palma de Ouro foi entregue para o diretor austríaco graças à uma campanha, nos bastidores, feita pela presidente do júri, a atriz Isabelle Huppert, uma fã declarada de Haneke e com quem trabalhou em La Pianiste e Le Temps du Loup. Das Weisse Band foi premiado ainda pela FIPRESCI do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha, como o melhor filme do ano.

Entre os críticos, o filme é um fenômeno. Enquanto os usuários do site IMDb deram a nota 8,2 para a produção, os críticos que tem textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram para o filme 18 críticas positivas. E isto é tudo. Não há nenhum texto negativo para Das Weisse Band. Até o momento, o filme de Haneke consegue uma impressionante – e rara – unanimidade no site.

Um dos textos que exalta o trabalho de Haneke é assinado por Peter Brunette, do Hollywood Reporter (disponível aqui, em inglês). Em sua crítica, Brunette afirma que Das Weisse Band é o melhor título da filmografia do diretor alemão-austríaco. Ele destaca a diferença entre os personagens adultos e infantis da história: os primeiros, normalmente identificados por suas posições na sociedade, enquanto os segundos por seus nomes. A idéia da hierarquia predomina no filme, para Brunette, assim como um código moral que deve ser imposto para as gerações mais jovens. As crianças são constantemente punidas, “tanto física como psicologicamente” por causa da menor infração – assim como as mulheres, que também são brutalizadas.

Nesta entrevista para o jornal El País, da Espanha, Michael Haneke, 67 anos, comenta que Das Weisse Band surgiu de sua vontade por filmar uma história que mostrasse como “todo ideal se perverte”. Nascido em Munique em 1942, Haneke adquiriu a nacionalidade austríaca e, com este filme, voltou ao seu país de origem para lançar um olhar sobre a geração que, pouco depois, abraçaria o nazismo. O título do filme, segundo o cineasta, faz referência ao “distintivo de pureza” que, na prática, não deixa de ser uma peça de ficção.

Logo na primeira pergunta, o cineasta mostra toda a clareza de suas intenções com Das Weisse Band: “Naquela época, o protestantismo religioso era muito rígido e a educação muito estrita. As autoridades eclesiásticas e os progenitores incucavam às crianças um rigor moral que não eram aplicados a seus próprios atos. As crianças se converteram em justiceiros porque acreditavam ser a mão direita de Deus. Isso ocorreu na Alemanha, e esta geração, 20 anos depois, criou o nazismo. Este filme não é apenas sobre as origens deste movimento, mas também sobre todos os terrorismos ideológicos, políticos ou religiosos. Esse é um problema que afeta a toda a humanidade, porque isto pode ocorrer em qualquer lugar do planeta e em qualquer época da história”. Perfeito, não?

Na mesma entrevista, Haneke afirma que se sente obcecado pela idéia de filmar a culpabilidade. Achei especialmente curioso o fato de que o cineasta montou uma coleção de manuais de educação dos séculos 18, 19 e 20 em sua biblioteca. Esta coleção serviu de inspiração e apoio para o roteiro de Das Weisse Band, especialmente no que se refere aos diálogos do filme.

Da parte técnica do filme, merece destaque, sem dúvida, a belíssima fotografia em preto-e-branco de Christian Berger. A edição, de Monika Willi, antiga colabora de Haneke, também se revela importante para a qualidade da obra.

Das Weisse Band teria custado aproximadamente 12 milhões de euros para ser produzido.

CONCLUSÃO: Um filme inteligente sobre a sociedade alemã no período pré-Primeira Guerra Mundial. O diretor e roteirista premiado Michael Haneke destila um texto potente que, de forma linear, conta a história da origem do fascismo entre os alemães. Neste seu conto, ele não poupa adultos ou crianças. Todos fazem parte de um “acordo” de “surdos, cegos e mudos” para que a maldade e a violência se criem e se disseminem. Filmado em preto-e-branco e narrado por uma testemunha ocular bastante omissa, Das Weisse Band provoca reflexão e repúdio. Mas por deixar muitas dúvidas no ar, esta produção pode incomodar uma parte do público. Da minha parte, não gostei do tom extremamente frio da história que, comparado a outras produções pré-candidatas ao Oscar de filme estrangeiro, se revela mais sombrio e com precisão cirúrgica do que o desejado. Ainda assim, Das Weisse Band toca em temas fundamentais e muito atuais, especialmente no que toca o extremismo religioso, ideológico e político, tão presente – e temido – em diferentes realidades.

PALPITE PARA O OSCAR 2010: Por enquanto, é difícil dizer, com certeza, se Das Weisse Band estará entre os cinco finalistas na categoria de melhor filme estrangeiro no próximo Oscar. Suas chances, contudo, são muito altas. Dos três filmes pré-candidatos que assisti até o momento, ele é o que tem a minha cotação mais baixa. Ele é bom, inteligente, bem filmado e bem escrito. Tudo isso é verdade. Mas, para o meu gosto, falta emoção nesta história. Talvez eu não aprecie histórias frias e calculistas como esta. Prefiro, por exemplo, a reflexão e o trabalho passional de Un Prophète, ou a singularidade da história de La Teta Asustada (ambos comentados aqui no blog, anteriormente). Ainda assim, não seria uma surpresa se Das Weisse Band vencesse seus concorrentes. É preciso esperar – e assistir aos demais concorrentes – para ver.