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Oscar 2019

E o Oscar 2019 foi para… (Cobertura online e lista com todos os premiados)

Olá povo, boa noite – ou bom dia, dependendo do seu caso! 😉

Pois sim. Mais uma vez, estamos aqui “juntos” para comentar sobre a maior premiação da indústria do cinema nos Estados Unidos. Hoje é o dia de assistir a um Oscar diferente.

A diferença começa até pela minha “animação” com as entregas dos prêmios nesse ano. Francamente? Para mim, esta é uma das safras de filmes mais fracas que tivemos nos últimos anos. Não assisti a nenhuma produção que realmente tenha me surpreendido ou me encantado. Assim, não terei um filme para realmente torcer.

Essa é uma das diferenças desta noite. Outra é que não teremos aquele apresentador – ou apresentadora – chato com várias piadas mais ou menos nos fazendo torcer para o discurso acabar logo e irmos para a parte que realmente interessa, que é a entrega dos prêmios e os discursos dos diretores, produtores, astros e estrelas de quem gostamos tanto.

Hoje à noite, como não teremos apenas um apresentador do Oscar e sim vários apresentadores – espalhados pelas diferentes categorias, acredito -, imagino que a premiação será mais “econômica” nas piadinhas e mais objetiva, mais dinâmica. Se isso acontecer, sairemos ganhando. Com menos discursos entre uma premiação e outra, espero que os vencedores também tenham mais espaço para falar. Afinal, os discursos deles costumam ser mais interessantes do que as piadinhas dos apresentadores.

E o que esperar dessa noite em termos de premiação? Honestamente, por ser um dos anos mais emblemáticos por não termos um grande favorito, praticamente tudo pode acontecer na premiação de hoje. Há ótimas disputas nas categorias de Melhor Ator e Melhor Atriz, assim como uma ótima disputa em Melhor Filme e em outras categorias.

O Oscar soube equilibrar muito bem filmes bastante populares – Black Panther (comentado aqui) e Bohemian Rhapsody (com crítica neste link) – com filmes que são mais densos e não muito populares – como Vice (comentado aqui) e The Favourite (crítica neste link). Durante a noite vamos saber se os melhores intérpretes e filmes irão realmente se consagrar ou se o Oscar terá uma ou duas injustiças para entrarem no seu histórico – dificilmente há algum ano da premiação em que isso não acontece. Veremos…

Acho que este será mais um ano, a exemplo de 2018, em que diversos filmes irão dividir os prêmios, sem termos um grande vencedor – esqueça a época em que uma produção ganhava os 5 principais prêmios. E falando em um Oscar diferente, algo muito interessante deste ano é como filmes estrangeiros conseguiram emplacar mais de uma indicação. Ou seja, eles não ficaram restritos à categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira.

O maior exemplo disso está sendo Roma (comentado aqui), é claro. A produção de Alfonso Cuarón ganhou nada menos que 10 indicações ao Oscar. O filme é favoritíssimo para emplacar em Melhor Filme em Língua Estrangeira e em Melhor Diretor – dificilmente Cuarón não receberá o terceiro Oscar da carreira. Mas além dele, foi bonito ver Cold War (com crítica neste link) e Never Look Away emplacando outras indicações, como em Melhor Direção de Fotografia. Isso ajuda a mostrar que o Oscar está mais aberto ao mundo realmente – além de mais aberto à opinião do público e/ou blockbusters.

Estou acompanhando já o “tapete vermelho” do Oscar, mas nada de destaque para comentar até agora. Acho que o realmente interessante veremos quando a premiação começar, a partir das 22h. 😉

Algo interessante deste ano é que seis dos oito indicados a Melhor Filme são livremente inspirados em histórias reais. Ou seja, nunca o hóspede esteve tão próximo da realidade e longe da fantasia quanto neste ano. Apenas Black Panther e A Star Is Born não são baseados em fatos reais. Todos os outros (BlacKkKlansman, Bohemian Rhapsody, The Favourite, Green Book, Roma e Vice) sim, tem um fundo na realidade. Interessante.

Entrevistada no tapete vermelho, Yalitza Aparicio, estrela de Roma, comentou que não esperava que o filme chegaria tão longe e que seria tão prestigiado. Afinal, as pessoas não estão habituadas a assistir filmes em preto e branco. Além disso, Roma é uma produção muito pessoal sobre o diretor. Ela tem razão. Realmente é surpreendente como Roma se consagrou e está se consagrando ainda – mais entre os críticos do que entre o público, me parece.

Entrevistada em seguida, Marina de Tavira, que também estrela Roma e que também está indicada no Oscar, comentou que acha que o filme está encantando tantas pessoas por falar da infância, por resgatar um saudosismo desta época – saudosismo que todos têm. Marina disse que nunca imaginou conseguir uma indicação ao Oscar, mas que ela se sente agradecida por ter tido o seu trabalho visto pela Academia. Realmente, 10 indicações para Roma foi algo surpreendente. Quem já leu a minha crítica sobre o filme aqui no blog sabe que eu esperava mais da produção.

Vou pagar mico agora, com a permissão de vocês. Hahahaha. Ela não está concorrendo à nadica de nada nesta noite, mas eu não posso deixar de colocá-la por aqui. Afinal, Emilia Clarke é uma das estrelas de uma das minhas séries favoritas de todos os tempos, Game of Thrones… série essa que vai se despedir dos fãs(náticos) nesse ano. Então vou deixar ela aqui só por causa disso, tudo bem?

Agora sim, voltando para o tapete vermelho com pessoas indicadas nessa noite. Regina King disse que se identificou muito com o seu papel em If Beale Street Could Talk. Eis um filme que eu ainda quero assistir. Acredito que King deve estar arrebatadora por ter ganho premiações importantes por se papel até o momento. Caso ganhar, ela certamente fará um discurso bastante interessante. A conferir.

Entrevistado no tapete vermelho, o ator e diretor Bradley Cooper comentou sobre a emoção de se apresentar com Lady Gaga logo mais. A apresentação deles, assim como do Queen, certamente serão pontos altos da premiação de hoje. Não é todo dia que temos a grandes canções e astros assim em cena.

Alfonso Cuarón falou sobre Roma no tapete vermelho. Ele comentou que o maior desafio foi encontrar o tom e o tema da história. Falou também sobre a importância de falar do papel das domésticas e do racismo que existe no mundo – temas que surgiram a partir de Roma. Nos Estados Unidos, o filme está sendo utilizado inclusive pelas domésticas para buscar um “empoderamento” e a discussão sobre a sua função na sociedade.

Entrevistada no tapete vermelho, Glenn Close disse que nunca visitou o Brasil, mas que o genro dela é meio brasileiro. Ela comentou que a história de The Wife foi muito importante para ela porque ela se lembrou muito da mãe, e resgatou parte das histórias que ela contava para interpretar a sua personagem. Glenn também elogiou o trabalho da filha em The Wife e disse que espera que ela se desenvolva no trabalho dela. Francamente? Acho que esse é o ano de Glenn Close. Está na hora dela receber um prêmio de Melhor Atriz. Se não for para ela, torço por Olivia Colman, que está ótima em The Favourite. Ambas merecem.

Agora sim, vamos lá para a premiação. 😉 Começando com nada menos que apresentação do Queen. Aí sim, hein? Beeeem melhor que piadinhas sem graça de apresentadores. Curti. Bóra lá colocar rock para tocar, bebê! Hoje a noite é de rock. E será que Bohemian vai levar no final? Seria interessante. A plateia curtiu o micro show do Queen, ficando de pé no início da apresentação. Merecido. Melhor começo de Oscar do qual eu tenho lembrança. No final da apresentação, todos da plateia em pé novamente.

Do show, partimos para uma introdução um tanto estranha sobre os astros e estrelas que chegaram no tapete vermelho e que representam as produções indicadas como Melhor Filme do Ano. Além destas cenas de tapete vermelho, vimos a trechos de filmes que marcaram o ano – alguns indicados, outros não. Bacana eles terem citado um número maior de filmes no clipe, afinal, o cinema é feito de uma grande diversidade, algo que o Oscar nunca vai conseguir abarcar nas suas 24 categorias.

Depois de algumas piadas, algumas boas, outras razoáveis, tivemos a primeira entrega de prêmio da noite. E o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante foi para… Regina King, por If Beale Street Could Talk. Ela era a favorita, mas vamos combinar que esta categoria estava bem disputada este ano. Ainda preciso assistir a If Beale Street Could Talk, mas entre o trabalho das demais, acho que Emma Stone merecia o Oscar. Mas acredito que Regina King mereceu. A conferir.

Em seu discurso, Regina King disse que é surreal estar sobre o palco para representar um dos melhores artistas deste tempo, James Baldwin – autor do livro em que o filme foi inspirado. Ela disse que está certo dela estar ali porque ela representa o quanto o amor faz a diferença. Regina então agradeceu a mãe sobre ensinar o que é Deus estar em sua direção. Um discurso emocionado. Agradeceu também as demais atrizes que concorreram com ela, e que ela se sente honrada por estar com elas nessa categoria.

Em seguida, Helen Mirren brinca que os tempos mudaram, a ponto dela, uma inglesa, vestir uma cor parecida com um ator havaiano, Jason Mamoa. Os dois entregaram o Oscar para Melhor Documentário. E o Oscar foi para… Free Solo. A produção foi dirigida por Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi. O casal agradeceu a National Geographic por dar espaço para a diversidade, e agradeceram a Dierdre Wolownick por ele ter inspirado eles a acreditarem no impossível. Começamos bem esse Oscar.

Dois filmes para eu assistir logo que possível. Free Solo e If Beale Street Could Talk. Estão na minha lista. A piada de Helen Mirren e Momoa é especialmente interessante para o Brasil, não é mesmo? Onde tem gente que ainda discute que cor de roupa meninos e meninas devem vestir.

Na volta do intervalo, todos viram o clipe de Vice. Para mim, um dos melhores filmes do ano. Denso, cínico, muito bem editado e dirigido, ele foge do óbvio e surpreende. Só por isso, tem a minha admiração. Logo na sequência, foi apresentada a categoria Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Vice. Merecido. Realmente um grande trabalho dos artistas responsáveis por esse aspecto do filme. Sobre o palco, eles agradeceram ao diretor Adam McKay, aos atores e à diversas outras pessoas que fizeram parte da equipe e do trabalho. Uma pena, mas subiram a música antes da hora – além de cortarem o microfone. Pecado.

Na sequência, foram apresentados os filmes indicados a Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Black Panther. Oh yeah! Parabéns para o filme, que já fez história. Sobre o palco, Ruth Carter, a primeira negra a receber um prêmio nessa categoria. Ela agradeceu pela Academia por homenagear a realeza africana e a força das mulheres na tela. Agradeceu também a equipe dela, que está espalhada no mundo todo.

Fico realmente feliz pelo filme. Ruth ainda agradeceu à mãe, que chamou da verdadeira heroína da história. Fofa. Antes de ganhar por Black Panther, Ruth Carter já tinha sido indicada em outras duas ocasiões ao Oscar – por Amistad e por Malcolm X (por isso agradeceu a Spike Lee, diretor do segundo filme).

Na volta do intervalo, Chris Evans e Jennifer Lopez apresentaram os indicados na categoria Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… Black Panther. Show! Sobre o palco, Hannah Beachler e Greg Berry. Ela, segundo os comentaristas do Oscar, a primeira negra a ser indicada e ganhar nesta categoria. Ela comentou que está naquele dia mais forte do que antes.

Ela agradeceu especialmente Ryan Coogler, o diretor de Black Panther, por ele ter feito ela um profissional e uma pessoa melhor. Aliás, Coogler não ter sido indicado no Oscar deste ano foi realmente estranho. No final, ela disse que quando alguém pensar que algo é impossível, deve pensar que fez o melhor que pode e isso é o suficiente. Bacana.

Na sequência, os indicados na categoria de Melhor Direção de Fotografia. Uma das minhas categorias favoritas. E o Oscar foi para… Roma. O primeiro – possivelmente de três – prêmios de Alfonso Cuarón nesta noite. O diretor começou comentando que o trabalho de construir cada quadro de um filme depende de muitas pessoas, e ele começou agradecendo às estrelas do filme. Ele agradeceu também ao México, mas não fez um discurso excepcional. Deve ter guardado o restante para depois.

Minha homenageada antes, Emilia Clarke apresentou uma das concorrentes em Melhor Canção do Oscar 2019. Sobre o palco, cantando “I’ll Fight”, a premiada Jennifer Hudson. A música dela aparece apenas nos créditos finais de RBG, mas a canção é realmente uma beleza. Um verdadeiro hino. E Jennifer Hudson deu um show no Oscar – como esperado. De arrepiar.

Na volta do intervalo, Serena Williams apresentou outro indicado a Melhor Filme. O público assistiu ao clipe de A Star Is Born. Outro filme que vai render uma apresentação muito interessante de música nessa noite. De fato, o melhor do filme é justamente a canção de Gaga.

Em seguida, vimos os indicados em Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… Bohemian Rhapsody. Bacana. Ganharam de First Man. Esse pode ser apenas um dos vários prêmios que a produção poderá vencer nessa noite. De fato, o som é um dos destaques da produção. Mas a disputa estava boa. Em seguida, descobrimos o vencedor de Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Bohemian Rhapsody. Opa! O filme já não sairá de mãos vazias nessa noite. Fico feliz por Bohemian Rhapsody e por Black Panther, até agora. Dois filmes muito populares e que mereciam ser reconhecidos no Oscar.

Após um intervalo rápido – estou gostando do ritmo desta noite do Oscar -, Queen Latifah apresenta um outro indicado a Melhor Filme da noite, The Favourite. Um filme também diferenciado – mas que, infelizmente, não sustenta a sua força e tom surpreendente até o final. Mas é um bom filme. Veremos se ela ganha algo nessa noite ou sairá de mãos vazias.

Javier Bardem falando em espanhol… ai, pirei! Lindo! Guapo! Em seguida, os indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira. E o Oscar foi para… Roma. Como era mais que esperado. Ainda preciso assistir a outros filmes indicados nessa categoria este ano, mas não sei… Roma não me encantou como eu achei que iria. Mas ok. Hollywood realmente gosta de Cuarón. O diretor comentou que sempre se inspirou em filmes estrangeiros, e citou vários deles. Comentou também que alguns perguntam sobre a nova onda – de mexicanos, talvez? – mas que não existe uma nova onda, e sim um grande oceano de talentos. Isso é fato. Por isso amo tanto essa categoria.

Na sequência, assistimos à apresentação de outro concorrente em Melhor Canção Original. Beth Midler cantou “The Place Where Lost Things Go”, do filme Mary Poppins Returns. Uma bela escolha de intérprete, devo dizer. Diva. 😉 Até o momento, gostei das escolhas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood sobre o tom da premiação. Tivemos apenas algumas piadinhas apresentadas no início da noite pelo trio Tina Fey, Maya Rudolph e Amy Poehler. Algumas piadas boas, outras nem tanto. Mas o melhor de tudo: sem prolongar isso a noite toda. Podiam repetir o formato de hoje nos próximos anos.

Só acho que o Cuarón, que já ganhou dois prêmios e deve levar o terceiro como Melhor Diretor, poderia ter compartilhado o palco na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira com o seu elenco, não? Do jeito que ele fez, subindo sozinho pela segunda vez mas “homenageando” as suas atrizes, ele me fez lembrar The Wife (entendedores entenderão #prontofalei).

Na volta do intervalo, o público foi apresentado ao clipe de outro indicado a Melhor Filme nesse ano, Black Panther e o seu Forever Wakanda. Realmente um belo filme baseado em HQ – possivelmente o melhor que vimos até o momento. Em seguida, fomos apresentados aos indicados de uma categoria mega concorrida. Michael Keaton apresentou os indicados em Melhor Edição. E o Oscar foi para… Bohemian Rhapsody.

Opa. Vejam só! Interessante. Com esse Oscar, estou achando que o filme pode ganhar até Melhor Filme, viu? Está ganhando disputas importantes. John Ottman agradeceu a mãe, em primeiro lugar, e depois disse que o filme é fruto do amor de todos os envolvidos, que foram reunidos por Freddie Mercury. Ottman dedicou os filmes aos pais… muito fofo também!

Em seguida, Daniel Craig e Charlize Theron apresentaram a categoria Melhor Ator Coadjuvante. E o Oscar foi para… Mahershala Ali. Posso dizer? Outro favoritíssimo e que mereceu ter ganho por seu trabalho em Green Book. Para mim, esse ano, essa era uma das categorias mais “tranquilas” da noite, já que os demais atores estavam bem, mas sem graaaande destaque. Bem, ainda preciso ver a Richard E. Grant. Mas fiquei feliz por Ali. Grande ator.

Sobre o palco, Mahershala Ali começou agradecendo pela Academia e também ao Dr. Don Shirley. Ele disse que foi um aprendizado trabalhar com Viggo Mortensen e agradeceu ao diretor Peter Farrelly, assim como Octavia Spencer. Também agradeceu a avó, que disse que ele deveria insistir mesmo que não tivesse sucesso, e que deveria sempre insistir. Agradeceu à esposa e à filha. Muito sóbrio e humilde. Realmente parece ser um grande cara.

Na volta do intervalo – mais um rápido -, Laura Dern apresentou o novo Museu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Momento para uma propaganda para a Academia. Achei justo. Na sequência, fomos apresentados os filmes indicados a Melhor Animação. E o Oscar foi para… Spider-Man: Into the Spider-Verse. Tenho que assistir. Eis outro favorito que foi confirmado nessa noite. Mais um grupo de premiados que teve o microfone cortado. Uma lástima.

Em seguida, vemos a apresentação de outra indicada a Melhor Canção Original, “When a Cowboy Trades His Spurs for Wing”, do filme The Ballad of Buster Scruggs. No retorno de mais um intervalo, Mike Myers e Dana Carvey apresentaram a outro indicado como Melhor Filme, Bohemian Rhapsody.

Na sequência, fomos apresentados aos indicados em Melhor Curta de Animação. E o Oscar foi para… Bao. A diretora Domee Shi e a produtora Becky Neiman subiram ao palco para agradecer quem lhes deu oportunidade de fazer o curta e às pessoas da equipe. Becky comentou que ela fez um filme sobre ser uma mãe quando ela também estava aprendendo a ser mãe.

Em seguida, os indicados a Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… Period. End the Sentence. A diretora Rayka Zehtabchi, muito emocionada, disse que não estava chorando porque estava menstruada, mas porque achava incrível um filme sobre menstruação ganhar o Oscar. A produtora do curta, Melissa Berton, dedicou o filme para estudantes e professores do mundo inteiro – a produção parece ter surgido por iniciativa de estudantes. Bacana. Um dos momentos mais legais da noite.

Esse ano, com a correria que tem sido os meus dias, acabei não falando dos curtas indicados ao Oscar. Mas, quem sabe, faço um post ainda sobre os premiados? Veremos…

Em mais um retorno do intervalo, fomos apresentados ao clipe de outro indicador a Melhor Filme, a produção Roma. Filme que já levou dois Oscar’s nessa noite – e que deve levar mais um, de Melhor Diretor. Na sequência, fomos apresentados aos indicados em Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… First Man. Opa! Gostei. Para mim, um dos melhores filmes do ano. Que ao menos aqui foi reconhecido com um Oscar. Os premiados agradeceram, entre outros, ao diretor Damien Chazelle. Grande diretor.

Em seguida, em uma bela entrada de músicos e de piano em cena, vimos a partir da parte de trás do palco a subida de Bradley Cooper e Lady Gaga até o palco. Os dois para apresentar à melhor parte de A Star Is Born, a música indicada como Melhor Canção Original, Shallow. De arrepiar, realmente. Se o filme merece ganhar algo, é o Oscar por essa música. E a apresentação… para ficar para a história da premiação. De arrepiar. Linda! Vão falar sobre essa apresentação por muitos anos ainda. Grande momento! Depois da apresentação, a plateia aplaudiu Cooper e Gaga de pé. Realmente… 🙂

Após mais um intervalo, fomos apresentados aos indicados em Melhor Curta. E o Oscar foi para… Skin. Sobre o palco Guy Nattiv fala sobre como ele veio há cinco anos de Israel e como a discriminação continua acontecendo e deve ser combatida. Estou bem curiosa para ver esse curta. Aliás, parece que todos os curtas esse ano eram interessantes.

Na sequência, Brie Larson e Samuel L. Jackson apareceram em cena para apresentar os indicados a Melhor Roteiro Original. E o Oscar foi para… Green Book. Será que essa produção vai levar Melhor Filme também? Veremos. Nick Vallelonga, Brian Currie e Peter Farrelly subiram ao palco para agradecer às suas famílias e ao elenco que foi fundamental para a produção.

Na sequência, Brie e Samuel apresentaram aos indicados na categoria Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… BlacKkKlansman. Vejam só! Bacana. Samuel L. Jackson comemorou muito com o amigo Spike Lee. E o diretor e roteirista foi aplaudido de pé e muito comemorado.

Logo de cara ele pediu para o microfone não ser desligado – o que aconteceu algumas vezes na noite. Lee falou sobre a história dos negros nos Estados Unidos e especialmente sobre a avó, a grande responsável por ele ter feito o cinema e ter feito uma carreira. Ele pediu para as pessoas se mobilizarem e para fazerem a coisa certa – inclusive porque uma nova eleição está se aproximando nos Estados Unidos. Discurso político e muito aplaudido.

Até agora, devo dizer, não achei nenhuma injustiça entre os vencedores. Ok que não assisti a todos os premiados – como Melhor Documentário e Melhor Animação -, mas me parece que havia um certo favoritismo e quase unanimidade nestas categorias. E nas demais, nas quais assisti aos concorrentes, tenho achado justo. E bacana ver uma pulverização de premiações. Já era esperado, aliás.

Passado mais um intervalo, fomos apresentados aos indicados na categoria Melhor Trilha Sonora. E o Oscar foi para… Black Panther. Muito bom! Mais um Oscar para um dos filmes favoritos do público em 2018. Ganhando em sua primeira indicação ao Oscar, Ludwig Goransson compartilha o prêmio com todos os artistas africanos que trabalharam com ele, assim como todos os músicos clássicos de Londres que gravaram a trilha. Agradeceu ainda a família. Singelo e bacana. Simpático.

Em seguida, relembramos os indicados em Melhor Canção Original. E o Oscar foi para… Shallow, de A Star is Born. Merecido. Se tem algo que o filme merecia era esse Oscar. Lady Gaga conseguiu a sua estatueta, portanto. 😉 Lady Gaga emulando a si mesma nas outras premiações, iniciou agradecendo muito os parceiros de composição, a família e Bradley Cooper. Gaga ainda falou para as pessoas que estavam em casa, comentando que o prêmio era o símbolo de ter trabalhado muito. E que não se tratava de ganhar, mas de insistir e de perseverar.

Na sequência, o presidente da Academia, John Bailey, fez uma homenagem os 212 indicados ao Oscar 2019 e à todos os nomes da indústria que morreram desde a última premiação. Diversos nomes muito conhecidos, como Burt Reynolds, Nelson Pereira do Santos, Milos Forman, Stan Lee, Bruno Ganz, Albert Finney, entre tantos outros.

No retorno do intervalo, tivemos um rápido resumo dos prêmios honorários e dos prêmios técnicos que são entregues antes da celebração televisionada do Oscar. Na sequência, Barbra Streisand subiu ao palco e foi ovacionada pela plateia. Ela comentou sobre BlacKkKlansman, de como ela se emocionou ao ver ao filme, e de como ele, apesar de fantástico, era baseado na verdade, e “a verdade é tão importante nos dias de hoje”. Ela diz que teve que elogiar o filme no Twitter e que a partir daí ela começou a trocar mensagens com Spike Lee.

De acordo com a atriz, o diálogo entre eles fluiu de forma natural porque ambos cresceram no Bronx, e brincou que ambos gostam de chapéus. Uma interessante homenagem a uma das produções indicadas a Melhor Filme neste ano. Em seguida, Allison Janney e Gary Oldman sobem ao palco para apresentar os indicados a Melhor Ator. E o Oscar foi para… Rami Malek, por Bohemian Rhapsody. Fiquei feliz. Ele é um grande ator e faz um excelente trabalho como Freddie Mercury.

Logo que sobre ao palco, Malek, que é genial em Mr. Robot, fala sobre a mãe, que está em algum lugar da plateia. Ele fala sobre o pai também, que não chegou a ver o filho fazer tudo isso, mas que o está vendo “lá de cima”. Malek também agradece a todas as pessoas que apostaram nele. Disse que ele não devia ser a escolha óbvia – ele foi o terceiro cotado para o papel, na verdade -, mas que acabou dando certo no fim. Agradeceu ao pessoal do Queen e disse que sempre terá uma dívida com eles. Agradeceu a equipe e o elenco do filme. Um fofo!

“Fizemos um filme sobre um homem gay, imigrante, e que viveu a vida sem pedir desculpas”, comentou. Falou sobre ele também ser americano de primeira geração e que o Malek criança ficaria fascinado de saber onde chegaria, já que ele tinha problemas de identidade no passado. No fim, agradece a Lucy Boynton, sua parceira de cena, que ele disse estar no centro da produção e que lhe roubou o coração. Tentem assistir a Malek em Mr. Robot, se ainda não assistiram. Fiquei feliz pelo ator, que tem uma carreira em pleno crescimento, já ser reconhecido com o Oscar. Realmente ele está gigante como Mercury. Fiquei feliz por ele.

No retorno do intervalo, fomos apresentados para o último indicado na categoria Melhor Filme, a produção Green Book. Um filme singelo, mas cheio de verdade e interessante. Na sequência, Frances McDormand e Sam Rockwell apresentam as indicadas na categoria Melhor Atriz. E o Oscar foi para… Olivia Colman, or The Favourite. Uau! De boas? Merecido, viu? Ela arrasou em The Favourite. Sem dúvida ela e Glenn Close mereciam a estatueta – pena que o Oscar não permite empate.

O filme The Favourite tem no seu elenco o seu grande trunfo, e Olivia está genial. Sobre o palco, ela começa dizendo que é muito estressante toda a situação, assim como hilária. Diz que precisa agradecer a tantas pessoas, começando pelo diretor Yorgos Lanthimos e pelas maravilhosas companheira de cena, Emma Stone e Rachel Weisz. Fala da admiração que sempre teve por Glenn Close e agradece aos familiares, inclusive aos filhos, que ela espera que estejam em casa. Um dos melhores discursos da noite. Engraçadíssima e fantástica em toda a sua emoção.

Olha, eu vou dizer para vocês. Até agora, nenhuma injustiça. Todos os que ganharam o prêmio até agora mereciam. Fiquei feliz pelos que não eram considerados favoritos, mas que venceram, como Malek e Olivia. Porque ambos mereceram. Roubam a cena e se superam nos seus filmes. Bacana. Acho que esse será um Oscar para lembrarmo por algum tempo ainda. Tivemos alguns grandes momentos da noite e muitos talentos reconhecidos. Dá para pedir mais?

No retorno do intervalo, Guillermo del Toro surgiu para apresentar os indicados a Melhor Diretor. E o Oscar foi para… Alfonso Cuarón, por Roma. E, assim, del Toro entregou a estatueta dourada para o seu amigo. Ele brincou que nunca se cansa de subir ao palco, e que espera que del Toro também nunca se canse. Para não variar, agradeceu às atrizes (zzzzz), aos produtores, aos amigos del Toro e Iñarritu e falou sobre o filme, que mostra a importância de não esquecer os “desprezados”. Ok, deu para ti Cuarón. Espero levar muitos anos para vê-lo novamente no Oscar.

Fechando a noite, a linda Julia Roberts subiu ao palco para apresentar os indicados a Melhor Filme. E o Oscar foi para… Green Book. Opa! Então, não é exatamente uma surpresa. O filme já tinha vencido o prêmio dos produtores – e isso costuma ser uma prévia. Bacana. Um filme simples e bem acabado que passa mensagens importantes nesse ano. Não foi injusto, em um ano com diversos filmes que poderiam ter ganho essa estatueta.

O produtor falou que o filme foi feito com carinho, com respeito e com amor. Uma bela mensagem. Peter Farrelly falou que tudo isso é verdade, e que o filme fala sobre como todos são iguais. Também destacou Viggo Mortensen e Mahershala Ali, afirmando que a produção não existiria sem eles. E assim, o Oscar 2019 conseguiu realmente distribuir vários prêmios. O que é sempre positivo e, especialmente este ano, sem um filme que realmente tenha sido arrebatador, bastante coerente.

Agradeço, mais um ano, por quem acompanhou o Oscar aqui pelo blog. Abraços e até o próximo ano! 😉

CONFIRA A LISTA COM TODOS OS PREMIADOS DO OSCAR 2019:

Melhor Filme: Green Book

Melhor Ator: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

Melhor Atriz: Olivia Colman (The Favourite)

Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Green Book)

Melhor Atriz Coadjuvante: Regina King (If Beale Street Could Talk)

Melhor Diretor: Alfonso Cuarón (Roma)

Melhor Animação: Spider-Man: Into the Spider-Verse

Melhor Filme em Língua Estrangeira: Roma

Melhor Documentário: Free Solo

Melhor Roteiro Adaptado: BlacKkKlansman

Melhor Roteiro Original: Green Book

Melhor Fotografia: Roma

Melhor Figurino: Black Panther

Melhor Edição: Bohemian Rhapsody

Melhor Design de Produção: Black Panther

Melhor Maquiagem e Cabelo: Vice

Melhor Edição de Som: Bohemian Rhapsody

Melhor Mixagem de Som: Bohemian Rhapsody

Melhores Efeitos Visuais: First Man

Melhor Trilha Sonora: Black Panther

Melhor Canção: “Shallow” (A Star Is Born)

Melhor Curta: Skin

Melhor Curta Documentário: Period. End the Sentence

Melhor Curta Animação: Bao

 

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Vice

Alguém que chega à Vice-Presidência de um país tem que ter influência e uma trajetória cheia de aliados. Mas algumas vezes alguns vice-presidentes parecem ter saído quase do anonimato. Esses, muitas vezes, são os mais perigosos. Vice nos conta a história de uma figura importante dos Estados Unidos que fez um bom estrago enquanto esteve no poder. Raposa antiga do sistema, ele soube inclusive moldar o próprio cargo, dando para o vice mais poder do que os Estados Unidos estão acostumados. Um filme interessante, muito bem construído e contundente na sua crítica. Uma das boas pedidas desta temporada do Oscar.

A HISTÓRIA: Começa dizendo que a história a seguir é real. Ou tanto quanto possível, levando em conta que Dick Cheney é considerado um dos líderes mais reservados da história. Mas eles comentam que fizeram o melhor. Em uma noite de jogos e bebidas, alguém urra alto. Na cidade de Casper, Wyoming, em 1963, um motorista dirige de forma arriscada. Dentro do carro, o jovem Dick Cheney (Christian Bale), que é abordado por um policial, que lhe manda sair do veículo. Ele está caindo de bêbado. Corta. Em 2011, esse mesmo Dick Cheney é levado para uma sala de segurança após os ataques do 11 de setembro de 2011 começarem. Ali ele começa a mudar a história dos EUA.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Vice): Quem diria que o grande vilão da administração George W. Bush (interpretado por Sam Rockwell) não foi o próprio Bush, e sim o seu vice-presidente Dick Cheney. Morando no Brasil, e não nos Estados Unidos, nós acompanhamos os bastidores políticos dos Estados Unidos totalmente em segundo plano. Quem mora por lá deve ter outra visão sobre Cheney e Bush.

Adoro filmes que tratam sobre os bastidores da política e sobre figuras que foram determinantes para a vida de um país – ou tiveram efeito maior do que as suas fronteiras, influenciando inclusive as relações internacionais. Volta e meia Hollywood nos apresenta um filme que vai além na análise política e econômica e que nos mostra as “engrenagens do poder”. Gosto de produções do gênero.

A última nesse estilo que concorreu ao Oscar de Melhor Filme foi, olhem a coincidência, uma produção também estrelada por Christian Bale – e que tinha Steve Carell no elenco. Falo de The Big Short (comentado por aqui), que tratava sobre o colapso gerado nos Estados Unidos, no setor imobiliário e que chegou ao setor financeiro, e que desencadeou a crise financeira global de 2008.

Entre os filmes que eu assisti esse ano, e que concorrem ao Oscar de Melhor Filme, Vice foi o que me pareceu mais ousado na sua proposta. O filme é crítico e tem um roteiro um bocado ácido e criativo acima da média. Mérito do roteirista e diretor Adam McKay. Sem dúvida alguma ele é o grande responsável pela proposta desta produção.

Mergulhamos na figura de Dick Cheney, um sujeito que foi preso duas vezes por fazer estripulias regadas a bebedeira quando jovem e que teria tudo para ser um americano comum e relativamente “fracassado” se não fosse a pressão e cobrança da esposa Lynne Cheney (Amy Adams), que exigiu que o marido tomasse outro rumo e recuperasse a compostura em 1963 – após a segunda prisão, desta vez por dirigir bêbado.

Na verdade, e isso é muito interessante, Cheney acaba sendo vice-presidente dos Estados Unidos na capa de George W. Bush, um outro sujeito que também teve vários problemas quando jovem e que poderia ter sido um “loser”. Ambos, contudo, seguindo caminhos diferentes e motivados por razões distintas, acabaram se tornando presidente e vice-presidente dos Estados Unidos, um dos países mais poderosos do mundo.

Adam McKay acerta na mosca na sua narrativa mostrando as sutilezas da história, como algumas decisões, em determinados momentos das vidas dos personagens retratados, foram decisivas para o rumo da história. Quando jovem, Cheney poderia ter seguido um caminho que o levaria a ter sempre empregos de segunda e se separar de Lynne. Mas, ao ser pressionado, ele resolve fazer algo diferente, e é assim que ele se torna assessor de outra figura muito conhecida na política dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld (Steve Carell).

Para mim, o grande interesse de Vice é justamente nos apresentar um retrato muito próximo – e sem filtros – destas figuras famosas da política americana, especialmente Cheney, Rumsfeld e Bush. Com destaque para os dois primeiros nessa história – até porque ambos tiveram uma trajetória anterior à de Bush. O tom do filme, crítico, cínico e mordaz, destaca ele em relação à maioria dos filmes que concorrem ao Oscar nesse ano. Gostei disso. O roteiro de Vice, assim como a direção e a edição do filme, são as suas principais qualidades.

Gostei da “brincadeira” que McKay faz com os espectadores quando o filme não tinha chegado ainda à metade. Ele mostra um “final feliz” que teria sido possível, com Cheney deixando a política e trabalhando para o setor privado. Mas não é isso que acontece. Cheney, que, certa vez, pergunta para Rumsfeld no que eles, republicanos, acreditam – o que despertou gargalhadas do “mestre” Rumsfeld -, vislumbra que pode ser o vice-presidente mais importante da história dos Estados Unidos.

Para isso, ele consulta especialistas na Constituição americana e consegue colocar condições para Bush para que ele seja o vice-presidente. Cheney convence Bush a “dividir” mas o poder com ele, para que ele não seja apenas uma figura sem importância, e Bush aceita a proposta. Quando acontecem os ataques terroristas do dia 11 de setembro de 2001, Cheney coloca outra das suas ideias em cena: a teoria do Executivo Unitário, ou seja, que o poder executivo dos Estados Unidos pode ser considerado supremo, tomar decisões que não precisam respeitar convenções internacionais ou outros acordos e legislações. Ou seja, um poder “democrático” com requintes de poder ditatorial.

Foi essa teoria que fez com que a “guerra ao terror” fosse possível. A partir daí, criou-se Guantánamo e diversas outras estratégias e práticas que incluíram torturas de suspeitos e espionagem de todo e qualquer cidadão. Tudo isso, quem diria, não saiu da cabeça “alucinada” de George W. Bush, mas da teoria há muito tempo estudada por Cheney. A narrativa sobre a sua trajetória e sobre aqueles anos loucos da administração Bush são o principal atrativo e diferencial de Vice.

Além das qualidades já comentadas, gostei muito do trabalho dos atores que fazem parte desta produção, com destaque para Christian Bale, que encarnou muito bem Cheney, e de Amy Adams como a sua esposa. (SPOILER – não leia se você não assistiu a Vice). Um filme competente e muito bem acabado, mas que acaba “forçando” um pouco a barra com o narrador da história. Achei um tanto “viagem” demais de McKay colocar como narrador Kurt (Jesse Plemons), um sujeito que serviu o Exército dos Estados Unidos e que tem como “ligação” com o protagonista o fato de ter doado para ele, após ter tido morte cerebral após ser atropelado, o seu coração.

Até acho interessante a figura de um narrador para esta produção, mas a figura escolhida para isso, achei um tanto forçada. Vice também nos deixa um gostinho de “quero mais”, de sabermos sobre outras figuras poderosas que circundaram Bush e sobre o que aconteceu com Cheney depois que a história termina.

Ainda assim, o filme tem muito mais qualidades que defeitos, o que faz dele uma das produções mais interessantes do ano. Vale ser vista e pensarmos sobre ela. Afinal, mas do que nunca, deveríamos pensar sobre a trajetória e a história dos nossos governantes, estudando as suas origens, ligações e o que eles pensam. Do contrário, nossos países e o mundo podem seguir caminhos perigosos. Ou seja, Vice é um filme mais que atual. Ele é necessário.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Estou atrasada com a publicação de críticas aqui no blog, devo dizer. Assisti à Vice há mais de uma semana. Em seguida, assisti ao último filme que faltava da lista de concorrentes a Melhor Filme no Oscar 2019 – ou seja, finalmente assisti a Bohemian Rhapsody. O que eu posso dizer sobre o que eu assisti? Que estamos em um dos anos mais fracos em relação aos concorrentes do Oscar do qual eu tenho lembrança. Na verdade, pouco a pouco, tenho visto os indicados ao Oscar nos convencerem menos do que gostaríamos. Sim, temos a ótimos filmes na disputa. Mas temos filmes inesquecíveis? Temos na lista produções que nos impactaram e que nos fazem torcer por elas? Para o meu gosto, não.

De todos os concorrentes deste ano, acho que Bohemian Rhapsody é o filme mais completo e “empolgante”. Ou seja, não será uma surpresa se ele ganhar como Melhor Filme. Além dele, eu gosto muito de Vice. Não acho que o filme tenha chances de ganhar na categoria principal hoje à noite, mas acho que ele é um dos dois melhores filmes do ano. Além de Bohemian Rhapsody, que me parece ser o favorito da noite, acho que Green Book tem alguma chance de se dar bem na categoria Melhor Filme. Logo mais veremos.

Como comentei acima, as maiores qualidades de Vice são o roteiro e a direção de Adam McKay. O diretor e roteirista dá o tom diferenciado desta produção, nos apresentando uma história bem focada em um personagem e nas pessoas que orbitaram ao redor dele, aprofundando-se o máximo possível no protagonista e nos apresentando com talento não apenas os bastidores da sua vida mas também o que as suas ações significaram para o mundo. Roteiro realmente brilhante, juntamente com a construção em imagens de sua narrativa.

Por isso, além da direção e do roteiro de McKay, destaco a excelente edição de Hank Corwin e a direção de fotografia de Greig Fraser. Vale comentar, ainda, a trilha sonora de Nicholas Britell; o design de produção de Patrice Vermette; a direção de arte de David Meyer, Brad Ricker e Dean Wolcott; a decoração de set de Jan Pascale e David Smith; os figurinos de Susan Matheson; e o excelente trabalho dos 23 profissionais envolvidos com o trabalho no Departamento de Maquiagem.

Do elenco, sem dúvida alguma o grande destaque é Christian Bale. Ele conseguiu emular Dick Cheney com perfeição – seu jeito de olhar, de andar e, principalmente, de falar. Impressionante o trabalho do ator. Conseguimos esquecer, muitas vezes, que é Bale quem está em cena – e pensamos em Cheney. Excelente trabalho e que poderá levar o ator a ganhar mais um Oscar – o grande nome que ele precisa “vencer” no Oscar hoje será Rami Malek, que também está ótimo como Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody. Será uma disputa das boas.

Além de Bale, vale comentar o ótimo trabalho de Amy Adams como Lynne Cheney e de Steve Carell como Donald Rumsfeld – acho, inclusive, que Carell merecia mais uma indicação ao Oscar como coadjuvante do que Sam Rockwell como George W. Bush. Ainda que, claro, Rockwell esteja bem. Além deles, vale citar o bom trabalho de Alison Pill como a filha homossexual de Cheney, Mary; Eddie Marsan como Paul Wolfowitz, aliado de Cheney; Justin Kirk como Scooter Libby; LisaGay Hamilton em uma ponta como Condoleezza Rice; Jesse Plemons como Kurt, narrador da história; Bill Camp como Gerald Ford; Don McManus como David Addington; Lily Rabe como Liz Cheney, que segue os passos do pai; e Tyler Perry em uma ponta como Colin Powell.

Vice estreou nos Estados Unidos no dia 12 de dezembro de 2018. A produção participou de apenas dois festivais, desde então, o PAC Festival e o Festival Internacional de Cinema de Berlin. Em sua trajetória até o momento, Vice ganhou 28 prêmios e foi indicado a outros 115 – incluindo oito indicações ao Oscar 2019. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Melhor Ator – Musical ou Comédia para Christian Bale no Globo de Ouro 2019; o de Melhor Edição no BAFTA; e para outros 8 prêmios de Melhor Ator para Christian Bale.

Agora, vale citar algumas curiosidades sobre esta produção. O ator Christian Bale disse que, devido ao estilo de direção voltada para a improvisação de Adam McKay, ele teve que fazer mais pesquisas sobre o seu personagem para este filme do que qualquer outro papel que ele já tivesse desempenhado. Para improvisar dentro de seu personagem, Bale não precisava apenas “absorver” os maneirismos e o vernáculo de Dick Cheney como precisava, também, saber quais políticas, suas instâncias e abreviações o vice-presidente dominaria em qualquer momento da produção levando em conta a sua trajetória. Um trabalho realmente aprofundado e que convence.

Christian Bale engordou 45 quilos, raspou a cabeça, clareou as sobrancelhas e se esforçou para engrossar o pescoço para assumir a figura de Cheney. O ator disse que conseguiu engordar para o filme comendo muitas tortas. Realmente o trabalho dele é impressionante. Não sei se bato mais palmas para Bale ou para Malek, mas ambos estão fantásticos em seus respectivos papéis.

Como Cheney teve problemas cardíacos bem documentados durante a maior parte da sua vida adulta, Bale teve de estudar a prevenção de ataques cardíacos como parte de seu método de mergulho no personagem. O que ele aprendeu ajudou a salvar a vida do diretor Adam McKay, que teve um ataque cardíaco durante a pós-produção.

A atriz Amy Adams permaneceu com o seu personagem durante todo o tempo das filmagens, especialmente mantendo a voz diferenciada da sua personagem. Ela chegou a debater política com o diretor McKay com a voz de sua personagem. A atriz disse que essa foi a primeira vez que ela ficou imersa no personagem durante toda a filmagem.

Bale disse que essa foi a primeira vez que ele contou com um nutricionista para ajudá-lo a ganhar peso. Isso porque, desta vez, ele estava mais preocupado em manter a saúde do que quando era mais jovem.

Christian Bale e Dick Cheney fazem aniversário no mesmo dia, 30 de janeiro.

Esse é o primeiro filme de Hollywood que foca na vida real de um vice-presidente do país – normalmente o que vemos são filmes sobre homens que chegaram à Presidência.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). A sequência em que Bale “quebra a quarta parede”, ou seja, em que faz o seu personagem falar com os espectadores, foi sugerida pelo ator. Inicialmente McKay não tinha pensado naquela cena e estava um pouco resistente a incluí-la, mas ao ver o desempenho de Bale, ele resolveu utilizá-la. De fato, naquele momento, Bale dá um show de interpretação e demonstra como ele realmente mergulhou no personagem.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,2 para Vice, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 207 críticas positivas e 107 negativas para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 66% e uma nota média de 6,7. O site Metacritic apresenta um “metascore” de 61 para Vice, fruto de 29 críticas positivas, 14 medianas e 11 negativas. Sem dúvida alguma é o filme com menor aprovação dos críticos entre aqueles que concorrem a Melhor Filme no Oscar 2019.

De acordo com o site Box Office Mojo, Vice teria arrecadado US$ 47,2 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e outros US$ 16,5 milhões nas bilheterias dos outros países em que o filme estreou. Ou seja, no total, o filme fez pouco mais de US$ 63,7 milhões, um bom resultado para um filme com uma carga tão fortemente política – o que, convenhamos, não é o perfil favorito da maioria do público.

Vice é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso esse filme passa a figurar na lista de produções que atendem à uma votação feita há algum tempo aqui no blog e que pedia por filmes made in USA.

CONCLUSÃO: Um filme que mergulha muito bem na história de um vice-presidente dos Estados Unidos que teve mais poder que o próprio líder do país. Bem narrado, com um roteiro ácido, crítico e que apresenta alguma inovação não apenas na narrativa, mas também na forma de apresentar essa história, Vice é um dos melhores filme do ano e desta temporada do Oscar. Entre os concorrentes deste ano, este é um dos melhores, especialmente por inovar na narrativa. Gostei muito da direção e do roteiro, e os atores estão muito bem. Mereceu as indicações recebidas, mas deve levar poucos prêmios para casa. Espero que mais filmes assim surjam. Filme político, crítico e necessário.

PALPITES PARA O OSCAR 2019: Vice concorre a oito prêmios na premiação da Academia de Arte e Ciência Cinematográfica de Hollywood. O filme teve muitos méritos para chegar a essas indicações. A produção concorre como Melhor Ator Coadjuvante para Sam Rockwell; Melhor Atriz Coadjuvante para Amy Adams; Melhor Edição; Melhor Ator para Christian Bale; Melhor Diretor para Adam McKay; Melhor Maquiagem e Cabelo; Melhor Filme; e Melhor Roteiro Original.

Vamos começar com as chances de Sam Rockwell. O ator está bem como George W. Bush, mas ele aparece relativamente pouco no filme e não me pareceu que faz aquela graaaaande interpretação. Faz um bom trabalho, mas não realmente marcante. Entre ele e Mahershala Ali, sem dúvida Ali tem o favoritismo e deve receber o Oscar.

Amy Adams tem uma importância maior em Vice e está muito bem, mas tanto Emma Stone quanto Rachel Weisz em The Favourite (comentado aqui) apresentam trabalhos mais marcantes. Além delas terem chances maiores que Adams, tudo indica que a favorita do ano é Regina King por If Beale Street Could Talk. A confirmar esse favoritismo.

Em Melhor Edição, o filme tem grandes concorrentes pela frente. Mas o trabalho de Hank Corwin é realmente muito bom e interessante. Gosto muito também do trabalho de edição de BlacKkKlansman (com crítica neste link), mas considero que The Favourite também tem boas chances. Difícil apostar nessa categoria, mas Vice até poderia levar a estatueta em edição.

Depois, temos a categoria de Melhor Ator e a indicação para Christian Bale. Ele realmente tem boas chances de levar ao prêmio mas, para isso, terá que vencer a queda de braços com Rami Malek, de Bohemian Rhapsody. Viggo Mortensen faz um grande trabalho em Green Book (com crítica neste link), mas parece que ele corre por fora nesse ano. O favorito, me parece, é realmente Christian Bale. Se ganhar, não será injusto – ainda que eu tenha uma certa quedinha pelo ator Rami Malek e acho que ele merecia ser reconhecido.

Temos ainda Adam McKay concorrendo como Melhor Diretor, em um ano em que dificilmente tirarão o prêmio de Alfonso Cuarón, por Roma (comentado aqui). Vice tem grandes chances de ganhar na categoria Melhor Maquiagem e Cabelo. Em Melhor Filme, apesar de merecer, dificilmente Vice terá chances reais de levar. Os favoritos deste ano, me parecem, são os filmes Bohemian Rhapsody – o próximo na minha lista -, Green Book ou The Favourite. Para o meu gosto, por ordem de preferência, os favoritos seriam Vice, The Favourite e Green Book.

Finalmente, Vice concorre em Melhor Roteiro Original. Categoria com grandes títulos na disputa nesse ano. Roma e Green Book parecem levar vantagem nesta disputa, mas estão no páreo, ainda, The Favourite e Vice. Assim, no cômputo geral, Vice tem chances reais de levar estatuetas em três categorias: Melhor Ator para Christian Bale, Melhor Maquiagem e Cabelo e Melhor Edição. Pode surpreender ainda em alguma outra categoria, mas acho difícil. E pode, eventualmente, levar apenas em Melhor Maquiagem e Cabelo.