Limite


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Uma lenda. Faz tempo que tinha visto esse filme, o tão falado e tão pouco visto Limite, única produção de Mário Peixoto. Não lembrava muito bem dele, para ser franca. Claro, tinha na mente algumas cenas antológicas, mas não lembrava dos detalhes. E, por isso, resolvi revê-lo dia destes. E entendi o porquê de tanta “tela” pelo filme.

Filmado em 1931, ele realmente é um filme muito ousado, mesmo para a atualidade. Imagine então para o início da década de 30… filme mudo, não é para qualquer um ver. Especialmente não-recomendado para os que só assistem aos “blockbusters” da vida e que vão ao cinema para ver filmes com muitos efeitos sonoros ou especiais.

A HISTÓRIA: O filme começa com um close no rosto de uma mulher cercado por dois braços com mãos algemadas. Logo passamos para um barco com três pessoas, à deriva. Depois, vamos assistindo a cenas que, se presume, são a “memória” dessas pessoas de acontecimentos passados.

VOLTANDO À CRÍTICA: Até para escrever um resumo da história do filme é complicado. Isso porque o filme não segue regra de linearidade e nem de “veracidade”… ou seja, por sua forma de narrativa onírica, não se sabe até que ponto o que se vê são lembranças ou não, até que ponto se percebe a realidade ou um sonho. Vertiginoso em muitos momentos, o filme é uma peça de arte. Ainda assim – e muitos podem me atirar pedras por esse comentário – eu acho que muitas cenas podiam ter sido suprimidas. Muitas e muitas partes em que o diretor se fixa na natureza, em especial. Ok, elas tem todo um sentido de existir, mas tornam o filme excessivamente lento. Por mais artístico que seja e “visionário” para sua época, admito que atualmente esse excesso de cenas sem real conotação narrativa ou “simbólica” tornam a história um pouco arrastada demais.

Mas não há dúvida: Limite é uma obra de arte. E um filme indignamente ignorado por muito tempo. Resgatado, em grande parte, por várias e continuadas citações de diretores como Walter Salles, que sempre mencionaram esse filme de Mario Peixoto. Visto com o devido olho histórico, contextualizando quando foi filmado – apenas 32 anos depois da invenção do cinema pelos irmãos Lumière -, esse filme pode ser colocado ao lado das grandes produções da histórica por sua ousadia técnica e, especialmente, narrativa.

Vale citar o elenco: Olga Breno, Brutus Pedreira, Tatiana Rey e Raul Schnoor.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Interessante que Limite foi tema de coletiva de imprensa em Cannes esse ano, graças ao último estágio de restauração do filme através da World Cinema Fund, uma organização capitaneada por Martin Scorsese e destinada a preservar as principais obras do cinema mundial. O responsável pela restauração do filme e sua inclusão nesta fundação foi Walter Salles.

Em 1988, Limite foi eleito pela Cinemateca Brasileira o melhor filme da história do cinema nacional. A foto a seguir parece uma obra de arte, ou não? Me lembrou algumas pinturas que vi aqui em Madrid, no Reina Sofia.

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