Sex and the City – O Filme


Sempre que alguém resolve adaptar uma série televisiva para o cinema eu – e a torcida do Flamengo – fico com o pé atrás. Afinal, o histórico de adaptações não deixa dúvidas: geralmente o resultado na telona se mostra inferior ao que estávamos acostumados a ver na televisão. Sex and the City, uma das séries de maior êxito da HBO, marcou uma era na televisão e, ainda que eu não fosse uma adepta de todos os seus capítulos, devo dizer que o que eu assisti, aqui e ali, fez com que eu comprovasse que os idealizadores da trama realmente tinham talento. Afinal, pela primeira vez alguém tinha coragem de colocar a sexualidade feminina – em algumas de suas diferentes formas – como tema principal de uma série. Além disso, a moda e uma série de outros fatores importantes do final dos anos 90 estavam presentes na trama como temas importantes e não apenas secundários – que era o mais comum na época. O problema é que tentaram transportar a mesma originalidade da série 10 anos depois de sua estréia na tevê para os cinemas e o que descobrimos é que o quarteto de amigas perdeu um bocado de seu charme e de sua originalidade. No final do filme (que também tem um blog) a impressão que ficou para mim é que a piada perdeu o seu momento de ser contada.

A HISTÓRIA: O filme começa quatro anos depois do fim da série, ou seja, quatro anos depois que Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) teve o seu final feliz com John James Preston, mais conhecido como Mr. Big (Chris Noth). Após situar o espectador na vida dela e de suas amigas Samantha Jones (Kim Cattrall), Charlotte York (Kristin Davis) e Miranda Hobbes (Cynthia Nixon), a narradora Carrie nos remete a Nova York atual, mais precisamente na difícil busca de um apartamento “dos sonhos” para ela e o namorado. A partir daí mergulhamos nas desventuras do quarteto de amigas, duas casadas – Miranda e Charlotte – e duas comprometidas – Carrie e Samantha.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta partes importantes do filme, estragando surpresas para quem ainda não o assistiu, por isso SÓ recomendo que continue a ler quem já viu a Sex and the City): Não quis contar mais sobre o filme na sinopse pelos motivos óbvios: todos querem saber se afinal a bendita Carrie casa com o bendito Mr. Big – a grande pergunta que não quis calar por boa parte da série e que ficou “sem resposta” (como se isso realmente importasse) quando ela terminou. Pois bem, no fundo o filme realmente gira em torno disso. Na verdade, inicialmente, você até pensa que esta história se resolverá logo, afinal, não demora muito para que o Mr. Big peça Carrie em casamento e para que comecem todos os mil preparativos para o tal grande dia.

O problema é justamente que o que parece acaba não sendo. (NÃO leia se não assistiu ao filme). Para ser franca, achei até que o filme vai razoavelmente bem até o tal dia do casório… depois, quando o Mr. Big resolve ter uma “crise” na hora H, o caldo realmente entorna. Para mim, a partir daí, tudo o que de melhor a série tinha vai para o ralo. Afinal, termina o humor e o sarcasmo da narradora, que cai em “depressão”, e nem as férias com as amigas rendem boas piadas. Vamos convir que a história de “cagar nas calças” foi bem ridícula, vai. Mas enfim…

No fundo o filme abre mão do que a série tinha de melhor: o sarcasmo e a vontade de falar abertamente de sexo, amor, consumismo e tudo o mais que fazia o grupo destas mulheres tão diferentes se darem tão bem. Ok, o filme resolve ressaltar justamente a amizade entre elas. Até aí tudo bem, achei bacana. Mas daí a querer fazer a gente acreditar que a Samantha realmente agiria da forma que agiu… ou seja: insatisfeita com o namorado, com um baita vizinho dando sopa e ela fiel?? Huuuuummmmm, o filme acabou tornando as personagens caretas demais. Alguém pode dizer que as mulheres depois dos 40 ficam mais conservadoras e quadradas… mas será mesmo que cinco anos de diferença na vida das quatro mulheres as tornariam realmente tão diferentes do que eram antes? Admito que as pessoas se acomodam, que acabam “sossegando mais o facho” quando o tempo passa, mas a própria Samantha prova, no final, que ela não mudou. Então parece mais lógico ela dar o pé na bunda do namorado e não pular a cerca, como sempre fazia? Huuuummm, realmente acho que o que mudou foi a preocupação do produtor executivo da série e agora diretor do filme, Michael Patrick King, em agradar a gregos e troianos – o que não parecia ser exatamente a sua preocupação antes.

Resumo da ópera: o que as antes “liberadas” e independentes amigas de Nova York nos ensinavam sobre ter a rédea de suas vidas nas mãos agora ficou ofuscado pela idéia de que as mulheres realmente tem que perdoar os homens para possibilitar que o amor dê certo. Uma idéia um tanto antiga, não parece? Pois sim… fora Charlotte, que realmente vive (aparentemente) uma relação segura e feliz no casamento; e Samantha, que acaba descobrindo que realmente ser fiel não é sua praia; as outras duas amigas do quarteto acabam tendo que perdoar traições das gordas. E dizendo isso eu não quero argumentar que o perdão não é recomendado e necessário, mas que achei um pouco demais a forma com que ele surgiu de parte das duas – especialmente por parte de Carrie. Enfim, aquela cena final, com todos felizes, me lembrou demais um novelão. Algo que a série, pelo menos os episódios que eu assisti, não me fazia lembrar.

Fora o fato de que as personagens viraram “quadradas” e que perderam boa parte da graça e da originalidade, o filme peca também por personagens masculinos bastante apagados. Ok que isso já acontecia um pouco na série, mas acho que no filme esse carácter se ampliou. Não gostei do roteiro do diretor que, na minha opinião, sempre preferiu a saída mais fácil para os problemas das quatro amigas. Sei lá, mas acho que a vida é um pouco mais complicada e interessante do que o que ele tenta mostrar – e imagino que ainda mais em Nova York. Mas para não dizer que tudo é horrível, gostei da trilha sonora e de boa parte do figurino – características que também marcavam a série.

Além dos atores já citados, vale comentar a participação de Jennifer Hudson como Louise, a assistente vinda de St. Louis que acaba colocando a vida de Carrie nos eixos – ainda que, até agora, eu não entendi realmente porque ela precisava de uma assistente; David Eigenberg como Steve Brady, o marido de Miranda; Evan Handler como Harry Goldenblatt, o marido de Charlotte; Jason Lewis como Jerry Jerrod, mais conhecido como Smith, o ator e namorado aparentemente fiel de Samantha; e Gilles Marini como Dante, o vizinho “boazudo” de Samantha.

NOTA:4.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Antes que chovam pedras neste blog, quero comentar que eu dei a nota acima para o filme em respeito às atrizes que interpretam as quatro amigas e levando em consideração a trilha sonora e o sempre competente trabalho de figurino… porque se fosse levar em conta apenas o roteiro ou a direção, a nota seria ainda pior. Sei lá, digam o que disserem, mas eu acho que o “espírito” da série se perdeu no caminho e nem chegou a entrar no filme, o que é uma pena. Faltou ousadia.

Segundo as informações do estúdio, Sex and the City, o filme, teria custado aproximadamente US$ 65 milhões. Apenas na semana de estréia nos Estados Unidos a produção já tinha faturado US$ 56,8 milhões. Nada que uma boa propaganda não ajude a vender, não é mesmo? Até o dia 17 de agosto o filme tinha arrecadado pouco mais de US$ 152 milhões somente nos Estados Unidos. O que me dá medo, porque se eles quiserem fazer uma continuação… ai, só por Deus! Daí acho que serei obrigada a fazer algo que odeio: evitar de assistir a um filme (até porque meu lema é que todos, mesmo os piores, precisam ser vistos).

Como na história, o filme foi todo rodado em Nova York e na Califórnia (em Los Angeles e em Malibu).

Os usuários do site IMDb deram a nota 5,4 para o filme, enquanto que os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes também ficaram divididos: publicaram 84 críticas favoráveis e 81 negativas. Francamente eu esperava do filme um pouco mais de tempero e ousadia – como eu acho que a maior parte da série tinha se desenvolvido.

Para quem não se lembra ou caiu meio que de “páraquedas” no que é Sex and the City, relembro que tudo surgiu em 1998 pelas mãos de Darren Star. No início, a série reunia quatro amigas muito diferentes que se encontravam para compartilhar de suas histórias mais íntimas – especialmente em suas buscas pelo amor e todos os problemas que advém deste tipo de procura. Declaradamente consumistas dentro de realidades bem diferentes, estas mulheres passaram por histórias das mais engraçadas. A série durou de 1998 até 2004 e, neste tempo, ganhou um total de 44 prêmios – incluindo oito cobiçados Globos de Ouro e sete Emmy. Ela foi indicada ainda a outros 125 prêmios – algo impressionante. A série foi um marco na questão da moda e na reflexão sobre a liberdade sexual feminina – em uma época em que poucos tratavam o tema de forma tão aberta. A atriz Sarah Jessica Parker se consagrou através da série, assumindo a postura de ícone de moda e estilo no final dos anos 90 e início dos anos 2000. As outras atrizes também ganharam fama com Sex and the City, assim como Chris Noth e Willie Garson, os únicos atores que participaram da série desde a primeira temporada – ainda que eles tenham conseguido uma projeção muito menor que elas, afinal, essa é uma série de “meninas”.

Algo que me incomodou no filme, já que se trata de uma “superprodução”: a quantidade de vezes em que aparece aquele baita microfone negro formato picolé gigante em cena… especialmente nas sequências em que está Carrie e sua assistente. Acho que um pouco mais de cuidado da produção não seria pedir demais, né não? hehehehehehehe

CONCLUSÃO: Mais um exemplo de série que perde força quando chega aos cinemas. O filme tem qualidades técnicas e boas interpretações, mas deixa a desejar na ousadia. Para mim faltou sal e pimenta no roteiro – algo que na série era mais frequente. Ok que as personagens envelheceram e deixaram de lado várias “bobagens” dos 30 e poucos, mas não esperavam que elas se tornassem tão “normaizinhas” assim rapidamente. Se puder, assista a série e não o filme – especialmente as primeiras temporadas. E antes que os leitores deste blog se desesperem, prometo que só vou assistir a mais um filminho fraquinho e que depois retomo os filmes bons, ok? 😉

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2 comentários em “Sex and the City – O Filme

  1. Olá Ale
    tudo bom???

    Então ainda não assisti esse filme, e tambem não sou fã da série, aliás só vi apenas 1 episódio. Mas acho q é filme mais voltado para as mulheres.
    Bom pelo o que eu sei até a semana passada aqui no Brasil tinha mais de 800 mil expectadores nos cinemas, podendo ir até mais.
    E outra informação teremos o 2º e o 3º filme sim de Sex and the City ano q vem terá o 2º e no outro o 3º, exatamente como a Bussola de Ouro (The Golden Compass)

    Um abraço

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  2. Oi Elizeu!!!

    Tudo certo. Estou terminando meu segundo ano de doutorado e logo vou começar a atualizar mais este blog semi-abandonado. 🙂

    Então, realmente Sex and the City perdeu muito indo para o cinema… ele era melhor como série – e ainda mais nas primeiras temporadas. Realmente do jeito que foi para as telonas, deve interessar mais às mulheres – e olha lá.

    Sobre ele ter mais duas continuações… estava pesquisando a respeito e realmente vi que os produtores adoraram o sucesso das bilheterias deste primeiro filme e que vão fazer pelo menos um outro filme. O Sex and the City 2, segundo o ator Chris Noth, poderá ser filmado em Londres. Fora as especulações, o certo é que Michael Patrick King já está trabalhando no roteiro do segundo filme.

    Só quero ver, viu? Até podem me surpreender positivamente, mas meu instinto diz que uma continuação será ainda pior… 😉

    Abraços e te cuida… e volte mais vezes!!!

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