Avengers: Infinity War – Vingadores: Guerra Infinita

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Tudo o que os fãs dos super heróis esperam para um filme estrelado por eles encontramos em Avengers: Infinity War. Para começar, o que há de melhor em efeitos visuais e virtuais. As imagens mais incríveis criadas por artistas com a ajuda da tecnologia vemos em cena. Depois, temos alguns dos personagens mais amados das HQs reunidos e um super vilão – possivelmente o mais temido de todos os tempos – para ser combatido. Embalando tudo isso, um roteiro recheado de cenas de ação, de algumas piadas perspicazes e de certo drama pincelado aqui e ali.

A HISTÓRIA: Uma nave de refugiados está sendo atacada. Famílias de asgardianos estão sendo mortas, e um pedido de socorro percorre o Universo. Dentro da nave, Ebony Maw (Tom Vaughn-Lawlor), um dos mais fieis seguidores e aliados de Thanos (Josh Brolin), diz para as vítimas que elas devem se alegrar, porque elas serão sacrificadas em nome do equilíbrio do Universo. Thanos, por sua vez, diz que o destino sempre chega, e exige que Loki (Tom Hiddleston) lhe entregue o cubo de Tesseract para que Thor (Chris Hemsworth) não seja morto.

Thor diz que não adianta Thanos pedir por Tessaract porque ele foi destruído em Asgard. Mas Loki mostra o cubo e entrega uma das Joias do Infinito que Thanos tanto queria. Apesar de ceder, Loki diz que eles continuarão a ver a luz do dia, e afirma que eles tem o Hulk (Mark Ruffalo). Ele ataca Thanos, mas acaba sendo vencido. Antes de Hulk ser morto, contudo, Heimdall (Idris Elba), que está caído no chão, consegue enviar o gigante verde para a Terra. Agora, Thanos tem duas Joias do Infinito. Em breve, ele seguirá atrás das outras quatro, incluindo duas que estão na Terra.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Avengers: Infinity War): Eu prometo tentar não escrever um texto gigante sobre esse filme, beleza? 😉 Como já comentei antes em algum texto aqui no blog, eu sempre fui uma grande fã de HQs. Li bastante, especialmente na adolescência. Hoje, leio mais The Walking Dead, apenas – e, eventualmente, alguma outra HQ mais antiga.

Dito isso, claro que eu já tinha visto os principais heróis da Marvel em ação antes. Dos vários filmes da grife lançados no cinema, assisti a alguns – mas a maioria, acredito, eu perdi. Dito isso, quero dizer sim que eu me lembrei de todos os personagens principais desse filme – exceto Thanos e seus aliados, dos quais eu não tinha lembrança.

Acho importante para você que, como eu, talvez não tenha assistido a todos os filmes de heróis da Marvel dos últimos 10 ou 15 anos, dar uma olhada nessa matéria do jornal O Globo. Nela, são citados os sete filmes mais importantes que você deveria assistir antes de conferir Avengers: Infinity War. O quarto e o sétimo filme da lista me parecem os mais importantes – os demais são bacanas também, mas para quem conhece bem os personagens dos quadrinhos, talvez eles não sejam tãoooo fundamentais assim.

Dito isso, comento que sim é possível assistir a Avengers: Infinity War sem ter visto aos sete filmes listados pelo O Globo ou mesmo às outras produções da Marvel que envolvem Os Vingadores e que não estão na lista. O importante mesmo é você conhecer relativamente bem os personagens, as suas personalidades e a importância de cada um naquela constelação de heróis. Fui assistir ao filme em um cinema 3D logo na primeira sessão de sábado, e qual a minha surpresa em conseguir um dos últimos ingressos para a sessão.

O cinema estava praticamente lotado – exceto pelas fileiras bem na frente, que ninguém quer. Tive sorte em consegui entrar. E gostei muito do que eu vi. Para começar, Avengers: Infinity War tem aquela pegada de uma nave no espaço sendo atacada que faz os fãs de cinema e da cultura nerd lembrarem imediatamente de Star Wars. Logo essa impressão desaparece quando vemos ao vilão Thanos, a Loki e Thor, o que nos faz “cair” rapidamente no universo da Marvel.

O começo de Avengers: Infinity War é ótimo. Com bons diálogos e uma luta bacana entre Hulk e Thanos que serve como um “cartão de visitas” do que veremos depois. Essa qualidade inicial do filme também acaba sendo um problema depois. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Isso porque você acaba esperando um filme cheio de cenas de ação, de disputas e de muita adrenalina, mas temos várias partes da história com “cenas emotivas” entre dois ou mais personagens.

Sim, há cenas de ação que todo fã espera, mas talvez em menor número do que gostaríamos. No fim das contas, a narrativa mostra Thanos, que acredita que tem como “missão” exterminar metade da vida no Universo para que o equilíbrio seja reestabelecido, em busca das cinco Joias do Infinito que lhe faltam – ele começa a narrativa já com a Joia do Poder. Se Thanos conseguir o seu objetivo, ele se tornará onipotente e poderá, com um estralar de dedos, exterminar metade da vida nos planetas Universo afora.

Sobrevivem àquela cena inicial do filme os heróis Thor e Hulk. Cada um deles parte em uma direção para buscar aliados para tentar impedir Thanos. E aí que a narrativa se fragmenta, com um núcleo na Terra liderado por Hulk, Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Peter Parker/Homem Aranha (Tom Holland) tentando proteger a Joia do Tempo que está com o Doutor Estranho, enquanto outro grupo, liderado por Thor e os Guardiões da Galáxia busca atacar Thanos em duas frentes.

Mesmo o grupo da Terra também acaba se dividindo. Depois de Doutor Estranho ser atacado por Ebony Maw e sequestrado por ele, o Homem de Ferro e o Homem Aranha conseguem embarcar na nave e seguir o vilão para tentar resgatar o Doutor Estranho, enquanto o Hulk, que ficou na Terra, entra em contato com Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans).

Quando o Visão (Paul Bettany), que tem a Joia da Mente, passa a ser o novo alvo dos aliados de Thanos, o herói e a sua companheira Wanda Maximoff/Feiticeira Escalate (Elizabeth Olsen) acabam sendo socorridos por Steve Rogers, Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie) e Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson). Enfim, isso tudo vocês sabem, vendo o filme.

Mas fiz questão de contar toda essa fragmentação da narrativa para comentar como a história, que é linear e parece bastante “simples” no direcionamento da narrativa, acaba ganhando em velocidade e em fragmentação ao se dividir em algumas linhas de ação. Não temos apenas a Thanos perseguindo Joia por Joia. O tempo dos heróis fica mais curto porque enquanto Thanos persegue algumas Joias, os seus comparsas atacam outras frentes para conquistar as demais.

O objetivo dos heróis, por outro lado, é tentar preservar as Joias que estão no poder de dois membros desse grupo: Doutor Estranho e Visão. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Enquanto isso, boa parte da turma dos Guardiões da Galáxia – com exceção de Groot (voz de Vin Diesel) e de Rocket (voz de Bradley Cooper), que acabam seguindo a direção de ajudar Thor a forjar um novo martelo para combater Thanos -, incluindo a “filha adotiva” do vilão, Gamora (Zoe Saldana), tentam impedir Thanos de conseguir as duas Joias que estão em outros lugares do Universo.

Como os fãs dos heróis da Marvel sempre esperam dos filmes que buscam honrar os personagens das HQs, Avengers: Infinity War tem ação, humor e suspense nas doses certas. Essa produção rende algumas boas risadas, em tiradas um tanto sarcásticas com as quais estamos acostumados. As cenas de ação são ótimas, mas talvez o filme poderia ter um pouco mais desse elemento.

A narrativa, que na maior parte do tempo se apresenta bem envolvente e ágil, tem algumas desaceleradas importantes – e, algumas vezes, elas me pareceram um tanto forçadas – para explorar o lado “sentimental” dos personagens. Sim, é bacana ver a tantos personagens importantes em cena. Também faz sentido que o roteiro de Christopher Markus e de Stephen McFeely explorasse as relações entre os personagens, mas algumas sequências entre eles me pareceram um tanto previsíveis e exageradas – especialmente as sequências entre Visão e Wanda Maximoff e entre Thanos, Gamora e Nebulosa (Karen Gillan).

Mas ok, nem sempre dá para um filme tão complexo como esse, com tantos personagens e tanta narrativa contada em diversos HQs e resumida em apenas uma produção, ser totalmente coerente ou equilibrado. O que importa, no fim das contas, é que Avengers: Infinity War atende a grande parte da expectativa dos fãs do gênero. Para começar, o filme é impecável nos efeitos especiais e visuais. Depois, para os fãs, é inegável o efeito de êxtase que uma produção com tantos astros e estrelas juntos, interpretando os seus personagens preferidos, desperta.

Também são importantes – e os pontos altos do filme – as cenas de batalha, luta e as de humor. Para arrematar tudo isso, ainda temos o final dessa produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Assim como um dos arcos narrativos do HQ conta, em uma das realidades possíveis – o Doutor Estranho viu pouco mais de 4 milhões de alternativas ao viajar “no tempo” -, Thanos consegue todas as Joias do Infinito e faz realmente a limpa que ele gostaria no Universo.

Não deixa de ser emocionante e até de nos arrepiar quando vemos, no final de Avengers: Infinity War, diversos heróis sumindo na nossa frente após o sucesso de Thanos. É de doer o coração ver a T’Challa/Pantera Negra (Chadwick Boseman), o Homem-Aranha, Doutor Estranho, Peter Quill/Senhor das Estrelas (Chris Pratt) e tantos outros partirem tão repentinamente. Quando o filme acaba, a plateia fica se perguntando se aquilo realmente aconteceu.

Bem, avaliando as HQs que tratam sobre esse assunto, sim, em um dos arcos narrativos Thanos conseguiu exatamente o que queria. E se metade da população do Universo foi exterminada com o estrelar de dedos dele, é de se presumir que metade – ou um pouco menos – dos heróis também passaria pelo mesmo, não é?

Ainda assim, segundo o próprio Doutor Estranho comentou ao viajar no tempo, havia uma possibilidade – entre mais de 4 milhões – dos heróis vencerem o vilão. Quem sabe essa possibilidade realmente não aconteceu em alguma realidade paralela e os heróis conseguem reverter o que sucedeu nas demais linhas narrativas?

Estou apenas fazendo uma especulação aqui. Mas mesmo que o final seja aquele mesmo, interessante ver a um filme da Marvel que não termina com os heróis se dando bem – afinal, nem sempre é isso que acontece. Uma outra possibilidade que vejo no desdobramento desse filme é que na próxima produção os Vingadores e os Guardiões da Galáxia que restaram realmente unam as forças (talvez até com a adição de outros heróis) e, ao derrotar Thanos, eles consigam “restabelecer” a vida com a Manopla do Universo e as suas Joias. Afinal, se um estralar de dedos mata metade da população do Universo, por que um novo estralar de dedos não poderia “reviver” as mesmas pessoas? A conferir, pois.

Pensando na cena que vemos após os créditos e que mostra Nick Fury (Samuel L. Jackson) também desaparecendo, mas, antes, enviando uma mensagem de Código Vermelho, podemos presumir que o alerta será respondido por alguém. Provavelmente pelos heróis que restaram – e que devem se reunir para enfrentar Thanos. Então muito mais virá pela frente ainda.

Finalizando essa crítica, comento que esse filme me agradou, mas que ele teve um impacto menor do que outra produção recente que assisti baseada em HQs: Black Panther (comentada por aqui). Se, por um lado, Avengers: Infinity War agradou pelos efeitos visuais e especiais e por fazer desfilar tantos astros e personagens legais na nossa frente, por outro lado essa quantidade de personagens torna a narrativa menos rica. Diferente de Black Panther, que teve muito mais espaço para desenvolver os personagens e suas relações.

Apesar disso, vale comentar como Avengers: Infinity War trata de um assunto que parece exagerado mas que já fez parte da nossa história no passado e que volta à tona agora, com o recrudescimento de posturas de direita extremista: o desejo de alguns de determinar quem deve viver ou morrer e de, movidos por essa ânsia, promover “limpas” e/ou genocídios de contingentes importantes em nome de um “equilíbrio” da sociedade.

Hitler, antes, defendia o extermínio de vários grupos que não eram da “raça superior”. Vários políticos, atualmente, querem fechar fronteiras para refugiados, tirar do próprio território pessoas que eles consideram “indignas” de estar no país e outros tipos de exclusão/extermínio por causa de raça ou credo.

Muitos, a exemplo de Thanos, defendem essas práticas em nome do “equilíbrio” e como solução para o crescimento da população e a diminuição dos recursos finitos da Terra. Assim, guardadas as devidas proporções de um filme de ficção e baseado em HQs, Avengers: Infinity War nos faz pensar sobre questões bastante reais e que fazem parte da nossa realidade – mesmo que não estejamos inseridos (ainda) em regimes de exceção. Mas vale o alerta – e a reflexão.

Dito isso, devo comentar que sim, Avengers: Infinity War e Black Panther são estilos de filmes bem diferentes, com propostas igualmente diferenciadas. Mas, inevitavelmente, sempre comparamos as nossas experiências com o cinema. Assim, sendo, gostei sim de Avengers: Infinity War, mas não tanto gostei de Black Panther. Dito isso, quero dizer que vale muito a pena assistir a Avengers: Infinity War em 3D e nos cinemas, é claro.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu li a algumas histórias de Thanos. Mas não sou nenhuma especialista no super vilão e em suas peripécias envolvendo Os Vingadores e demais heróis das HQs – como o Surfista Prateado. Mas do que eu conheço e do que eu li, me parece que Avengers: Infinity War toma diversas “licenças poéticas”, digamos assim. Parece que o filme não é muuuuito fiel aos quadrinhos. E beleza os realizadores produzirem algo diferente, mas fico me perguntando se o filme ficou melhor que o original. Se tiver algum especialista por aqui que puder comentar, agradeço.

Falando em Thanos e as suas peripécias, se você, como eu, não é um(a) especialista no assunto, sugiro dar uma conferida em dois sites que ajudam a nos situar sobre esse personagem e as suas narrativas na Marvel. A primeira leitura que eu recomendo é essa, do site Universo HQ, que dá uma bela resumida no personagem e em suas aparições em gibis da Marvel. Depois, sugiro a leitura desse texto do site Aficionados que traz um bom resumo sobre as Joias do Infinito, incluindo a função de cada um delas e os seus atuais e antigos detentores. Leituras bastante recomendadas e que ajudam a rememorar e/ou conhecer alguns fatos envolvendo Thanos e as Joias.

Enquanto eu via o vilão Thanos na minha frente, era impossível para mim não lembrar de personagens da mitologia grega como Thánatos e Hades. Quem já ouviu falar deles – quem sabe em uma música da Legião Urbana – sabe que eles estão ligados à morte e à destruição. Ou seja, faz muito sentido o nome de Thanos, que acredita que tem como “missão” matar para colocar equilíbrio no Universo. Quem quer saber um pouco mais sobre Thánatos e Hades, pode encontrar uma boa introdução nesse texto da Wikipédia.

O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely é inspirado em uma série de personagens criados por alguns dos grandes gênios da história das HQs. Vale citar toda a inspiração dos roteiristas: eles se inspiraram nos quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby; no personagem do Capitão América criado por Joe Simon e Jack Kirby; no Senhor das Estrelas (Star-Lord) criado por Steve Englehart e Steve Gan; no Rocket Raccoon criado por Bill Mantlo e por Keith Giffen; no Thanos, Gamora e Drax criados por Jim Starlin; no Groot criado por Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby; e na Mantis criada por Steve Englehart e Don Heck.

Como comentei antes, um dos destaques de Avengers: Infinity War é o elenco estelar da produção. Entre os vários nomes em cena, destaco as atuações de Chris Hemsworth, de Mark Ruffalo, de Benedict Cumberbatch, de Zoe Saldana, de Josh Brolin e de Chris Pratt. Aparecem bastante na produção, mas achei que com um nível de interpretação um pouco menor, os atores Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson e Tom Holland. Eles estão bem, mas acho que se destacam menos que os anteriores.

Além deles, vale citar o bom trabalho de Scarlett Johansson, Don Cheadle, Chadwick Boseman, Karen Gillan, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Vin Diesel, Bradley Cooper, Benedict Wong e Letitia Wright. Eles aparecem um pouco menos que os atores citados anteriormente, mas fazem um bom trabalho. Estão bem no filme, mas em papéis ainda menos – quase de pontas – os atores Tom Hiddleston, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Idris Elba, Danai Gurira, Peter Dinklage, Pom Klementieff, Dave Bautista, Gwyneth Paltrow, Benicio Del Toro, Winston Duke e Florence Kasumba.

Os diretores Anthony Russo e Joe Russo fazem um belo trabalho com Avengers: Infinity War, especialmente nas cenas de ação. Pena que o roteiro não acompanhou tão bem o talento dos diretores.

Avengers: Infinity War teve a sua première em Los Angeles no dia 23 de abril de 2018. No dia 25, dois dias depois da première, o filme estreou nos cinemas de 25 países. No dia 26, estreou em outros 28 países, incluindo o Brasil. Assisti ao filme ontem, dia 28 de abril, em uma sessão praticamente lotada.

O filme deve consagrar-se com uma das grandes bilheterias de todos os tempos. Segundo o site Box Office Mojo, Avengers: Infinity War faturou, até o dia 29 de abril, US$ 250 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 380 milhões nos outros países em que o filme estreou até essa data. Ou seja, em poucos dias, ele faturou US$ 630 milhões. Se seguir nessa pegada, logo ele será um filme com faturamento bilionário. Impressionante. Quem mesmo disse que as pessoas não vão mais nos cinemas? Para determinados filmes, não faltará público e lucro.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. As filmagens de Avengers: Infinity War começou em janeiro de 2017 e terminou em janeiro de 2018. Essa produção foi rodada simultaneamente ao novo filme Avengers, que dá continuidade a Infinity War mas que ainda não tem o título definido e que deverá estrear nos cinemas em 2019.

De acordo com o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, a formação dos Vingadores vai mudar substancialmente entre esse filme lançado em 2018 e o próximo que será estrelado pelo grupo de heróis. Dá para entender o porquê disso assistindo a Avengers: Infinity War. 😉 Ainda segundo Feige, Avengers: Infinity War é o ponto alto de toda a saga dos super heróis da Marvel porque esta produção seria o “resultante” de todos os filmes anteriores.

Nesse filme, os atores Robert Downey Jr. e Chris Evans completam nove produções em que eles interpretam os personagens Homem de Ferro e Capitão América, respectivamente. Assim, eles empatam com Hugh Jackman, que também interpretou em nove filmes o personagem Wolverine. Mas tanto Downey Jr. quanto Evans demoraram muito menos tempo que Jackman para chegar a esse marco de nove produções interpretando o mesmo herói de HQ. Enquanto Jackman demorou 16 anos para somar esses nove filmes, Evans demorou sete anos e Downey Jr. demorou 10 anos.

Avengers: Infinity War é o primeiro filme – sem ser um documentário – totalmente filmado com câmeras IMAX.

O primeiro trailer de Avengers: Infinity War registrou 200 milhões de visualizações em 24 horas, o que estabeleceu um novo recorde para visualizações de um trailer em um único dia.

Quando eu estava no cinema, eu achei o filme um tanto longo… mas só agora eu me dei conta que Avengers: Infinity War tem 156 minutos de duração, ou seja, 2 horas e 36 minutos! Uau! No cinema, ele parece longo, mas não dá para perceber que ele tem mais de duas horas e meia. Por ter toda essa duração, Avengers: Infinity War é o filme baseado em HQs mais longo da história do cinema.

De acordo com os produtores do filme, Avengers: Infinity War está inspirado em três marcos narrativos das HQs da Marvel: The Infinity Gauntlet, The Thanos Imperative e Infinity. O enredo Civil War das HQs da Marvel, contudo, não tem nada a ver com a narrativa do filme. Que bom que esclareceram isso, porque realmente me pareceu estranho as HQs e o filme terem o mesmo nome mas não terem nada a ver uns com os outros.

Os usuários do site IMDb deram a nota 9,1 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 226 críticas positivas e 42 negativas para o filme, o que lhe garante um nível de aprovação de 84% e uma nota média de 7,5. Especialmente o público está amando essa produção – mais do que os críticos. Reação mais que compreensível dos super fãs do Universo Marvel. No site Metacritic, Avengers: Infinity War apresenta um metascore de 68. Esse indicador resume 38 críticas positivas, 13 medianas e uma negativa.

Avengers: Infinity War é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, esse filme atende a uma votação feita há bastante tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Todos esperavam pela estreia de Avengers: Infinity War. Os fãs de HQ “raiz”, os fãs dos filmes que estão arrasando as bilheterias a cada nova estreia e mesmo aqueles que não são tão fãs assim desse gênero. Afinal, tanto se falou dessa produção… Como filmes do gênero competentes foram lançados recentemente, ficou difícil para esse filme superar toda essa expectativa. Então sim, Avengers: Infinity War é uma bela experiência de cinema. Um show de efeitos especiais e um belo desfile de astros e estrelas. O filme também agrada por não acabar de maneira óbvia, mas está longe de ser uma produção inesquecível. Vale pelo entretenimento e pelo visual. Mas isso é tudo.

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Three Billboards Outside Ebbing, Missouri – Três Anúncios para Um Crime

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Quando um crime brutal e absurdo acontece, as pessoas mais próximas exigem e querem justiça. Mas de que justiça, exatamente, estamos falando? Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, parece repassar todos os filmes sobre familiares que buscam vingança e produções que trataram sobre a algumas vezes questionável polícia de algumas partes dos Estados Unidos.

Não deixa de ser um tanto irônico que este filme seja estrelado por Frances McDormand, a ótima atriz que fez história por viver justamente uma policial do interior no ótimo e já um tanto distante Fargo, de 1996. Essa nova produção é um filme bem escrito, com atuações condizentes e com um e outro questionamento que é muito bem-vindo nos dias de hoje em que tantas pessoas continuam acreditando que a vingança pode ser uma boa solução para a dor.

A HISTÓRIA: Três outdoors que há muito tempo não vêem a um anúncio novo. Grande parte de cada uma das publicidades, de décadas atrás, já desapareceu. Ninguém dá bola para aqueles outdoors porque ninguém dá bola para aquela estrada. Mas é por ela que Mildred (Frances McDormand) passa todos os dias. Em um destes dias, ela olha para aqueles outdoors de uma maneira diferente. E aí ela tem a grande ideia. Após dar uma ré, Mildred vê que os responsáveis pelos outdoors são da Companhia de Publicidade de Ebbing. E é para lá que ela vai. Mildred gasta as economias que tem para reservar por um ano aqueles outdoors e paga o primeiro mês adiantado. Tudo para denunciar o descaso da polícia local com a morte brutal de sua filha.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Three Billboards Outside Ebbing, Missouri): Eis um filme no estilo “gente como a gente”. Afinal, quem nunca se colocou no lugar de alguém que perdeu uma pessoa próxima de forma brutal e que ficou indignado com a falta de uma resposta por parte das autoridades? Todos nós podemos entender essa indignação. Porque por mais que a pessoa “aceite” o que aconteceu com o passar do tempo, o desejo por um “mínimo de justiça” faz parte do desejo de qualquer pessoa.

Então sim, dá para entender a personagem principal desse filme e colocar-se no lugar dela. A indignação de Mildred com a falta de respostas a faz colocar o dedo na ferida da polícia local. E esse é outro ponto marcante do filme dirigido e escrito por Martin McDonagh. Ele sabe explorar muito bem algumas questões que estão arraigadas nos recônditos mais profundos da “alma americana”. Three Billboards se debruça sobre o “cowboy” típico do interior, questiona a ineficiência da polícia nesses locais e alguns comportamentos que ainda não foram expurgados daquela sociedade, como o preconceito racial.

Mas a boa sacada do filme não termina por aí. Three Billboards surfa a onda da indignação cívica muito bem. Esta produção tem a cara do nosso tempo. Afinal, a protagonista corajosa dessa produção, motivada por toda a sua indignação, resolve fazer algo a respeito. Primeiro, ela usa da sua inteligência. Sabe que a “propaganda é a alma do negócio” e que, muitas vezes, a polícia se incomoda mais com a imagem que ela tem do que com o número de casos resolvidos. Depois, claro, ela acaba radicalizando um pouco demais, e ultrapassando a fronteira do bom senso.

Mas, para fazer isso, ela tem um grande incentivo: o ótimo personagem do policial Dixon (Sam Rockwell). Ele incorpora, até um certo ponto de forma um tanto caricatural, todos os defeitos de um policial do interior americano metido a macho e a problemático. E o pior é que sabemos que existem policiais assim, e não apenas por aquelas altitudes. São homens com problemas sérios que utilizam uma farda para poder dar vazão para toda a sua insatisfação com a vida e com os outros. Tudo o que eles tem reprimido, a sua raiva e indignação, acaba sendo utilizada através de sua “autoridade” para colocar terror na cidade.

Esse personagem, que só não fica realmente caricatural por causa do talento de Rockwell e do ótimo texto de McDonagh, só coloca gasolina na até então pequena fogueira criada pela protagonista de Three Billboards. Enquanto o sujeito que tem o seu nome colocado no último outdoor, o chefe de polícia Willoughby (Woody Harrelson) mantém a cabeça no lugar e tem sensibilidade, inteligência e bom humor para lidar com a situação com elegância, Dixon mete os pés pelas mãos – especialmente quando Willoughby faz a sua “saída” magistral do cenário motivado por outras razões que não a publicidade indignada de Mildred.

Daí outra sacada interessante de McDonagh. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). A protagonista desta produção descobriu algo que os mais atentos já perceberam nos dias de hoje: mais importante do que a ética e a consciência, para muitos, nos dias de reinado das redes sociais, o que interessa é a reputação, o que os outros pensam ou dizem sobre você. Claro que essa interpretação da realidade está distorcida e é equivocada, mas quantos, realmente, tem coragem e condições de pensar por conta própria?

Assim, para as pessoas daquela cidade do interior dos Estados Unidos, onde Mildred denuncia a ineficiência do chefe de polícia e de sua equipe em três outdoors, o que realmente importa é como ela colocou em dúvida toda a reputação da “encarnação” da segurança da cidade. Ora, ela não deveria ter feito isso com um cara “gente fina” como Willoughby, especialmente quando ele estava tão doente. Então as pessoas se compadecem do chefe de polícia, mas não da mulher que tem poucos amigos e que não adula ninguém e que apenas deseja uma resposta para a morte da filha?

Sim, é bem esse “senso de justiça” que vemos em muitas ruas e cidades mundo afora. As pessoas gostam de ter dois pesos e duas medidas, mesmo não admitindo isso. De que outra forma a figura de Willoughby pode ser considerada mais importante que Mildred na cidade de Ebbing, no Missouri, ou em qualquer outra parte? Com uma certa facilidade as pessoas “escolhem i, lado” e conseguem classificar umas pessoas como sendo melhores que outras. Mas quem, realmente, se importa em conhecer a história, os sentimentos e o que pensa a tal pessoa que eles gostam de atacar?

Vivemos em tempos complicados, em que muitas pessoas gostam de fazer esse tipo de classificação e de acabar com alguém apenas porque aquela pessoa não se enquadra no seu “modelo ideal”. Dessa forma, Three Billboards coloca o dedo em mais essa ferida exposta, em como a nossa sociedade – e não apenas a “do interior”, onde estão os “caipiras”, os “retrógrados” e outros tipos de classificação utilizadas para atacar e estigmatizar determinados grupos que não são homogêneos – acaba excluindo e julgando uma mulher “divorciada”, que não conseguiu “segurar o seu marido” e que criou os filhos sem o pulso firme que deveria.

Esse é o tipo de julgamento que se faz de uma pessoa como Mildred. Como ela não tem a preocupação de ser a pessoa que agrada a todos, muito pelo contrário, quase toda a cidade fica contra ela quando ela cobra uma atitude da polícia local. A forma com que ela faz isso e chama a atenção da imprensa para o caso da filha é genial, mas rapidamente todos se voltam contra ela por causa da condição de saúde de Willoughby.

Tudo teria acontecido com uma relativa “calma” e controle se Mildred não tivesse uma figura como Dixon e como o ex-marido dela, o também policial Charlie (John Hawkes), do lado oposto de sua busca por justiça. Dixon é um policial racista e violento que, quando não está ameaçando os outros, está na delegacia lendo gibi, comendo salgadinhos e fazendo nada. Ele tem uma mãe “típica” (interpretada por Sandy Martin) que lhe ajuda a ter as ideias mais imbecis e reprováveis possíveis.

Da sua parte, Willoughby parece ser o único sujeito centrado da história. Não por acaso ele tem tantos “fãs”. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Claro que ele fica incomodado com a provocação de Mildred, mas, mais que isso, ele está incomodado por não ter como avançar na investigação da morte de Angela Hayes (Kathryn Newton). Ele encara por um bom tempo a luta contra um câncer agressivo, até que resolve terminar com a própria história por sua própria conta. Aí sim Dixon entra em parafuso e desperta uma reação de Mildred tão maluca quanto.

Dessa forma, e de maneira muito sutil, McDonagh mostra que a ciranda da violência nunca tem fim. E que pessoas boas acabam pagando caro apenas por entrar no caminho de pessoas cheias de raiva. Ainda que Mildred e Dixon pareçam tão diferentes, a violência que eles acabam alimentando e a busca por extravasar a própria insatisfação com as suas vidas e realidades os torna igualmente agentes do caos. McDonagh revela, para os mais atentos, como a violência apenas gera mais violência e que, no final, não importa quem seja punido, porque o que foi perdido nunca será recuperado.

Então volto a perguntar: será a vingança e a busca pela justiça sem medidas realmente o melhor caminho? Mildred até começou essa história cheia de razão, mas será que ela terminou da mesma forma? (SPOILER – não leia… bem você já sabe). O final desse filme não é conclusivo. E há, basicamente, duas formas de cada um “terminar” essa história. Ou Mildred e Dixon acabam perseguindo o suspeito que sabemos que não foi culpado pela morte de Angela e o matam porque, afinal, ele parece ter estuprado alguma menina em algum momento, como Dixon comentou, ou eles chegam até o endereço do alvo e simplesmente o deixam em paz. Voltam para a casa após uma viagem de busca, de redenção e de perdão.

A escolha pelo que acontece após a última cena terminar é de cada espectador. Da minha parte, acredito na segunda versão. Acho que Mildred e Dixon já gastaram boa parte da raiva que tinham e, depois de terem feito o que fizeram, de terem sentido a dor como sentiram e de provocarem o caos que causaram, eles estão em outro momento. Estão na fase de redenção, resignação e de perdão um do outro e dos demais. O processo de cura, me parece, para os dois, apenas começou, mas acho que eles vão seguir adiante. Sim, eu tenho uma tendência de pensar sempre positivo.

Mas mesmo que o final não tenha sido esse, mas aquela primeira opção… Three Billboards já serviu ao seu propósito de nos fazer pensar. Afinal, matar uma pessoa apenas por achar que ela fez algo errado com alguém em algum momento é realmente “buscar justiça” e/ou vingança? Se a resposta for sim, é porque no fundo o que as pessoas querem é cair na barbárie também. Matar alguém para dar vazão para a própria raiva e insatisfação. Isso, para mim, nunca será nem uma sombra de justiça. Será apenas a queda civilizatória, mais uma vez, na barbárie.

Three Billboards trata de tudo isso de forma magistral, com ação, emoção, humor, um belo roteiro, direção e atores inspirados. Sim, outros filmes, inclusive dos irmãos Coen, já trataram daquele mesmo cenário e de alguns desses mesmos personagens. Mas acho que o filme de McDonagh consegue avançar com um passo a mais em relação à maioria das produções do gênero. E isso não é pouca coisa. Para a nossa sorte.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: É fácil de perceber quando um filme é bem escrito. Quando ele tem dois “lados” muito bem delineados na história e quando esses dois lados provocam empatia e compreensão. Não é difícil entender a indignação, a revolta e o desespero que movem a protagonista de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, assim como não é difícil de entender os argumentos do seu “rival” inicial na trama, o chefe de polícia Willoughby. Quem nunca se colocou no lugar de uma mãe que perdeu um filho de forma brutal e que percebe que o crime não será resolvido? E quem não consegue compreender que existem limites para a lei e para a busca da justiça? Three Billboards apresenta estas duas realidades muito bem.

Apesar do filme ser tão cheio de qualidades, impossível não pensar em diversas outras produções, inclusive algumas dos irmãos Coen, que já pisaram exatamente aquelas terras. O interior dos Estados Unidos, com todas as suas particularidades, preconceitos e conflitos, volta e meia é bem explorado pelos realizadores de Hollywood. Sendo assim, apesar de ser muito bem escrito e realizado, esse Three Billboards não é, exatamente, inovador.

Mas, ainda que esta produção não “inventa a roda”, ela traz uma brisa nova para um gênero que já conhecemos. Então, o primeiro que merece o nosso aplauso é o diretor e roteirista Martin McDonagh. O trabalho dele é um dos principais trunfos dessa produção. Seja pelo texto inteligente, que equilibra diversos elementos muito bem, seja pela direção que privilegia o trabalho dos atores e que explora muito bem a paisagem interiorana.

Curioso que este é apenas o quarto filme dirigido por McDonagh. Ele estreou na direção com o curta Six Shooter, em 2004. Depois, estreou em longas com o interessante In Bruges, em 2008, comentado por aqui. E o terceiro filme dirigido por ele foi Seven Psychopaths. Como ele mistura uma pegada Tarantino, com uns toques de Soderbergh e dos irmãos Coen, acredito que ele apenas está começando a despontar. Deve nos surpreender muito ainda daqui para a frente.

Falando nos destaques dessa produção, impossível pensar esse filme sem a estrela de Frances McDormand. Essa atriz, tão valente e interessante na escolha de seus papéis, faz uma entrega incrível em Three Billboards. Aos 60 anos de idade, McDormand tem a chance de ganhar com Three Billboards o seu segundo Oscar.

Curioso que o primeiro foi ganho justamente por Fargo, um filme que tem muita relação com essa nova produção. É como se a policial de Fargo evoluísse para a versão de mulher mais empoderada, realista e anarquista de Three Billboards. Inclusive, sou franca, me deu vontade de rever Fargo… afinal, se passaram 21 anos desde aquela experiência de assistir a um dos filmes que fizeram a fama de McDormand e dos irmãos Coen. Por essa evolução da figura feminina e da atriz, sou franca em dizer, estou na torcida por Frances McDormand nesse Oscar. E, claro, pelo excelente trabalho dela nesse Three Billboards. Ela realmente é a alma do filme.

Ainda que Frances McDormand esteja perfeita em Three Billboards, ela não é o único nome de destaque da produção. Dois atores também estão ótimos e mostram como amadureceram com o passar do tempo. Destaco, claro, Sam Rockwell como o aloprado e bastante representativo Dixon, e Woody Harrelson como Willoughby. Eles interpretam dois perfis muito diferentes de policiais, mas que se completam, no fim das contas. Bonito como Willoughby acredita em Dixon de uma maneira que o próprio aprendiz de policial não acredita. Essa crença mostra como qualquer pessoa, por mais “torta” ou “errada” que seja, pode mudar de atitude se receber a confiança e a aposta necessária.

Os três atores roubam a cena cada vez que aparecem. Estão muito bem, realmente. Mas tem outros atores em papéis secundários que também fazem um bom trabalho. Destaque, nesse sentido, para Caleb Landry Jones como Red Welby, o gerente da empresa de publicidade que aceita a encomenda de Mildred; Kerry Condon em quase uma ponta como Pamela, secretária de Red; Lucas Hedges como Robbie, filho de Mildred que encara a indignação da cidade com o que a mãe fez na escola; Darrel Britt-Gibson como Jerome, um negro que já sentiu na pele a ignorância de Dixon e que ajuda Mildred com os outdoors; Zeljko Ivanek como o sargento que é o braço direito de Willoughby; Amanda Warren como Denise, amiga e colega de Mildred e uma de suas poucas aliadas; Abbie Cornish como a linda Anne, esposa de Willoughby; Sandy Martin muito bem como a mãe de Dixon; e Peter Dinklage como James, um amigo de Mildred que quer ser mais que um amigo.

Além deles, vale citar o trabalho de outros coadjuvantes: Jerry Winsett como Geoffrey, o “dentista gordo” que faz questão de dizer que é aliado de Willoughby; Kathryn Newton em uma super ponta como Angela Hayes; John Hawkes como o odioso Charlie, ex-marido violento e cretino de Mildred; Samara Weaving como Penelope, a namorada de 20 e poucos anos de Charlie; Clarke Peters como Abercrombie, o novo chefe de polícia que acaba colocando a casa em ordem; e Brendan Sexton III como o sujeito esquisito e ameaçador que vira o suspeito nº 1 de Dixon.

Entre os elementos técnicos desse filme, sem dúvida alguma o destaque vai para o roteiro e a direção competentes de Martin McDonagh. Depois, vale citar a boa direção de fotografia de Ben Davis; a trilha sonora de Carter Burwell; a ótima edição de John Gregory; o design de produção de Inbal Weinberg; a direção de arte de Jesse Rosenthal; a decoração de set de Merissa Lombardo; os figurinos de Melissa Toth; e a maquiagem de Susan Buffington, Leo Corey Castellano, Cydney Cornell, Jorie Mars Malan, Lindsay McAllister e Meghan Reilly.

Three Billboards estreou em setembro de 2017 no Festival de Cinema de Veneza. Depois, até janeiro de 2018, o filme participou de outros 31 festivais. Uma verdadeira maratona. Em sua trajetória, até agora, o filme colecionou 68 prêmios, sendo quatro deles no Globo de Ouro, e foi indicado ainda a outros 152 prêmios. Números impressionantes. No Globo de Ouro, o filme concorreu a seis prêmios, e ganhou os de Melhor Filme – Drama; Melhor Roteiro; Melhor Atriz para Frances McDormand; e Melhor Ator Coadjuvante para Sam Rockwell.

Um pequeno comentário sobre algumas cenas na reta final dessa produção. (SPOILER – realmente não leia se você ainda não assistiu ao filme). O diretor McDonagh deixa algumas imagens que podem nos fazer pensar na reta final de Three Billboards. Deixo claro aqui que são apenas suposições minhas, ok? Vocês não precisam concordar com elas. Tudo começa na ligação de Dixon para Mildred dizendo que o cara que ele tinha como suspeito não era o culpado. A impressão que eu tive é que Dixon estava prestes a estourar os próprios miolos quando Mildred deu a ideia deles viajarem no dia seguinte. E a mãe dele, afinal, estava viva ou morta? Pergunta que ficou sem resposta. A forma com que Mildred se despede do filho também dá a entender que ela pretende matar o cara que eles vão encontrar. Mas… por outro lado, ela diz que ela e Dixon devem decidir sobre o que farão no caminho. Sacadas interessantes do diretor, de deixar as motivações e a realidade dos dois personagens mais em aberto.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. No início, a atriz Frances McDormand estava relutante em aceitar o papel de Mildred, mas ela acabou sendo convencida pelo seu marido, o diretor Joel Coen. Segundo a atriz, quando ela recebeu o convite para fazer Mildred, ela tinha 58 anos de idade. Daí ela pensou: “Mas mulheres do estrato socioeconômico de Mildred não esperam até os 38 anos para ter o primeiro filho”. Ela estava relutante, portanto, por causa da idade que ela tinha e para que a personagem não parecesse “forçada”. Mas aí o marido dela disse “Cale-se e faça o filme!”. Por causa dela ter ouvido o conselho, a atriz já coleciona 16 prêmios por seu desempenho como Mildred e tem sérias chances de ganhar o Oscar.

O diretor Martin McDonagh escreveu o papel de Mildred tendo a atriz Frances McDormand na cabeça. Realmente, o papel parece cair como uma luva para a atriz, que honra também a personagem. Um casamento perfeito.

Esta produção foi rodada em uma pequena cidade que fica nas montanhas do Estado da Carolina do Norte. O nome da cidade é Sylva. Muitos moradores locais aproveitavam os intervalos para tirar fotos e pedir autógrafo do ator Woody Harrelson, que atendia a todos de forma muito simpática – inclusive tocando uma guitarra de forma improvisada em uma pequena loja para alegria do povão local.

O filme que a mãe de Dixon está assistindo na TV, com Donald Sutherland, é Don’t Look Now, que foi comentado aqui no blog nesse texto. Essa mesma produção foi “homenageada” por McDonagh em In Bruges. Realmente, o filme dirigido por Nicolas Roeg é um verdadeiro clássico dos filmes de suspense/ação. Merece ser visto e revisto – fiquei com vontade de revê-lo, aliás.

A bandana que Mildred usa no filme é uma homenagem a outra grande produção, The Deer Hunter – de quem McDonagh e Sam Rockwell são grandes fãs.

McDonagh se inspirou a escrever o roteiro de Three Billboards após ver alguns cartazes sobre um crime não solucionado em uma viagem que fez na região do Alabama.

Three Billboards arrecadou pouco mais de US$ 30,6 milhões nos Estados Unidos e pouco mais de US$ 11,7 milhões nos outros países em que já estreou. Ou seja, até o momento, fez pouco mais de US$ 42,3 milhões. Uma boa bilheteria, mas nada extraordinário também.

Esse filme é uma coprodução dos Estados Unidos e do Reino Unido – esse último, o país natal de Martin McDonagh. Por ser um filme dos Estados Unidos, também, Three Billboards atende a uma votação feita há tempos aqui no blog e que pedia produções desse país por aqui.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 259 textos positivos e 19 negativos para Three Billboards, o que garante para o filme uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,6. Tanto a nota do IMDb quanto a do Rottent Tomatoes estão excelentes para o nível de exigência dos dois sites. O que demonstra como Three Billboards caiu no gosto popular e da crítica.

CONCLUSÃO: Quantos filmes em que um personagem foi buscar a justiça pelas próprias mãos você já assistiu? Será, realmente, que é esse tipo de filme que ainda faz sentido para a gente? Three Billboards Outside Ebbing, Missouri parece desarmar algumas bombas e mostrar que, apesar da indignação e da raiva serem combustíveis que podem ser bem utilizados, em algumas situações, é o perdão e a busca da compreensão do outro que realmente podem fazer a diferença. Um filme inteligente, com belas interpretações e com um final em aberto que deixa o desfecho ao gosto do freguês. Produção importante que caminha por trilhas já conhecidas mas que desvirtua alguns conceitos para fazer o público pensar.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, é um dos filmes favoritos para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Pelas indicações que já recebeu, em diferentes premiações, esse filme tem grandes chances de ser indicado em pelo cinco categorias das principais do Oscar 2018: Melhor Filme; Melhor Diretor, para Martin McDonagh; Melhor Atriz, para Frances McDormand; Melhor Ator Coadjuvante, para Sam Rockwell; e Melhor Roteiro Original.

Além destas categorias, o filme poderá concorrer ainda em outras mais “técnicas”, como Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora. Ou seja, se o filme tiver um bom lobby, ele pode concorrer em até sete categorias. Mas em quantas ele realmente tem chances de ganhar? Essa pergunta já é um pouco mais difícil, porque tudo vai depender do potencial vencedor que cada um dos principais concorrentes desse filme terá na reta final da disputa.

Sem dúvida alguma os adversários a serem batidos são The Shape of Water, Dunkirk, Get Out e Lady Bird, com destaque para o primeiro e o último, que parecem estar crescendo nessa reta final para o Oscar. As maiores chances de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, parecem estar nas categorias Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e, correndo um pouco atrás nestas outras duas, Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Só espero que o filme não saia da premiação de mãos abanando, porque ele merecia ao menos algum reconhecimento.

Entre os filmes que eu já vi, sem dúvida prefiro Three Billboards Ouside Ebbing, Missouri do que o “badalado” pela crítica Lady Bird. Ainda preciso ver The Shape of Water, mas entre os filmes que eu já assisti, eu não me incomodaria de I, Tonya ou Get Out surpreenderem, junto com esse Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Para o meu gosto, estes foram os melhores filmes que eu vi nessa temporada do Oscar.

Agora, levando em conta as bolsas de apostas e o meu gosto, eu diria que Three Billboards é o filme que está despontando como o meu favorito. Pelo andar da carruagem, apenas o filme do Guillermo del Toro pode desbancar a minha preferência pela produção de McDonagh. Estou curiosa para assistir a The Shape of Water e, em menor grau, aos outros filmes cotados para o Oscar. Veremos se algum deles vai mudar a minha preferência. 😉