The Wife – A Esposa

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Qual papel a mulher que é casada desempenha na sociedade? Atualmente, diversificado – se ela tiver terreno para isso e assim desejar. Mas e há algumas décadas? A mulher estava sempre em uma papel secundário, afinal, “Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher”, como gostavam de dizer. Mas por que “por trás”? E será que realmente “por trás”? The Wife é um filme muito interessante por tratar deste aspecto, mas não apenas dele. Esta produção bateu forte em mim por abordar com franqueza a questão das aparências. Um marido aparentemente amoroso e atencioso que, depois, vamos ver que não era nada daquilo. Uma boa surpresa nesta temporada.

A HISTÓRIA: Começa em Connecticut em 1992. Joe Castleman (Jonathan Pryce) chega até a cama, onde Joan Castleman (Glenn Close) já está deitada. Ele está inquieto, e Joan pergunta o que ele está fazendo. Ela recomenda que ele não coma doces, como ele está fazendo, porque ele vai acabar não dormindo. Joe diz que se “aquilo não acontecer”, ele não quer ficar em casa recebendo ligações de consolo. Que eles devem ir para um chalé no Maine. Ela olha para cima, aparentemente pedindo paciência para lidar o marido, que está bem agitado. Ele se aproxima dela, mas Joan comenta que não quer sexo e que aquilo estava se desenrolando de forma patética.

Durante a noite, Joe atende uma ligação. Do outro lado da linha, o Sr. Arvid Engdahl, da Fundação Nobel, em Estocolmo, na Suécia. Inicialmente, Joe reage com surpresa, comentando que aquela situação deveria ser uma brincadeira. Sr. Arvid diz que não, mas Joe pede que ele aguarde um pouco porque ele gostaria que a esposa também escutasse, acessando uma outra linha. Em breve, a carreira de escritor de Joe Castleman será reconhecida com um Prêmio Nobel.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Wife): O trabalho dos atores é o primeiro aspecto que salta aos olhos nesse filme. O segundo elemento de destaque, sem dúvida, é o roteiro de Jane Anderson, muito bem construído e envolvente. Cada linha é importante e está em seu lugar. Não é um roteiro verborrágico, cheios de frases e de palavras jogadas ao vento. Nem mesmo um destes roteiros que pretende dar uma “reviravolta” no final ou surpreender.

Isso, inclusive, foi uma das críticas sobre este filme. De que ele não era surpreendente. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Comentam isso porque, de fato, quando The Wife começa a apresentar fatos do passado, não é muito difícil presumir que o verdadeiro responsável pelo Nobel de Literatura não era o marido, e sim a esposa. Mas esse fato sendo conhecido em meados do filme não é algo ruim para a produção. Na verdade, desde o início de The Wife, tive a sensação de que algo estava errado naquela história. Eu só não sabia o porquê.

O que nos faz duvidar daquele “conto de fadas” desde o início, antes mesmo do flashback começar? A maravilhosa interpretação de Glenn Close, que está perfeita como Joan Castleman. E esse é um dos aspectos que eu acho mais interessantes e diferenciados em The Wife. Aparentemente, Joe Castleman é um marido atencioso, generoso, que está sempre atento à esposa e homenageando ela. Enquanto isso, a esposa dele parece um tanto fria ou distante.

Mas aí, como já tenho certa experiência de vida, comecei a me perguntar: por que isso parece tão estranho? Porque as reações de Joan são tão diferentes do que seria normal de uma mulher que realmente estaria sendo paparicada e constantemente homenageada? É porque as aparências nunca são o que elas querem nos passar, não é mesmo? A parceria entre os atores é maravilhosa, e a maneira com que o roteiro de Anderson vai nos apresentando essa relação, mergulhando na intimidade dos protagonistas e nos mostrando as suas particularidades, é algo fascinante.

Honestamente, eu não sabia o que esperar desse filme. Isso porque eu não tinha lido nada a respeito da história antes. Então fui me surpreendendo com a história conforme ela foi se desenrolando. A produção mexeu comigo, especialmente, por dois aspectos: por nos contar uma história que explora, como poucas que eu tenho lembrança, como as aparências enganam e como as mulheres tiveram que abrir mão de seu talento por não serem levadas à sério em diferentes funções por causa de sociedades que não estavam (e não estão ainda) preparadas para isso.

The Wife nos apresenta, assim, com bastante contundência, essa questão da “esposa” ser sempre a sombra do marido. Sempre homenageada, muitas vezes amada, mas sempre colocada em segundo plano. Conforme a história vai se revelando, impossível não começar a lembrar de tudo que vimos antes e de como Joan teve que “engolir” a soberba do marido que, na verdade, não tinha quase mérito nenhum sobre o que estava recebendo. A carreira dele foi construída por ela, e o trabalho duro foi feito por ela também.

Ainda assim, Joe se mostra superior, sempre que pode, não apenas para ela e para os demais, mas para o filho que pretende ser escritor também, David (Max Irons). O comportamento de Joe frente aos familiares é um clássico do macho que se acha “alfa” na relação. Um perfil visto por tantas e tantas mulheres e filhos em diferentes famílias. Então, conforme a história avança e percebemos o papel de cada um naquele Nobel, impossível para uma espectadora desta produção não ficar mexida com a história de Joan.

Nesse sentido, é interessante rever o filme – ou lembrar dele. Para pensar em cada reação de Joe, inclusive a comemoração de “Eu ganhei um Nobel” pulando sobre a cama. O mínimo que ele deveria fazer era dizer “Nós ganhamos um Nobel”, não? Mas a soberba não lhe deixa esta possibilidade. Depois, cada elogio e palavra que Joan ouve sobre Joe, deveria ser dita para ela, na verdade. E como isso tudo pode não mexer com a gente?

Em uma época em que falamos sobre o empoderamento feminino, The Wife nos dá um tapa na cara de como as sociedades precisam evoluir muito ainda. Joan, apesar de muito talentosa, acaba não se lançando para a carreira de escritora porque todos lhe dizem que ela não terá espaço para isso. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). A consequência é que ela, possivelmente culpada por ter terminado com o casamento de Joe, acaba aceitando “salvar” a carreira dele reescrevendo os seus livros.

Por causa dela, ele teve uma carreira. Teve sucesso. Mas ele não teve a coragem de falar sobre isso em público ou de começar a lançar os seus livros tendo os dois como autores. Que era o mínimo que ele deveria fazer, evidentemente. Depois, quando ganhou o Nobel, disse indiretamente que o prêmio era da esposa, mas sem realmente jogar luz sobre a verdade sobre a sua carreira. Isso tudo porquê? Pelo orgulho, que sempre parece ser maior entre os homens. Infelizmente.

Outro ponto que me chamou a atenção: que apesar de não ter tanto talento e nem tanto mérito sobre o Nobel, Joe “cantava de galo” frente ao filho, não incentivando ele em uma visível disputa entre os dois. Algo que Joan assistia de perto silenciosamente discordando. Mas para tudo há um limite, e no final do filme o limite chegou para Joan.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para mim, conscientemente ou não, ela provocou a morte de Joe – ela sabia que ele tinha problema cardíaco e que aquele rompimento poderia originar um problema maior. No fim, ela diz para ele o que ele deseja ouvir e o “protege” frente ao biógrafo não autorizado Nathaniel Bone (Christian Slater), que havia chegado à verdade sobre a fraude do escritor. Ela fez isso por amor à ele. Não acredito. Fez mais para proteger a família, os filhos, esses sim que realmente lhe importavam.

Jane Anderson escreveu o roteiro de The Wife baseado no livro de mesmo nome de Meg Wolitzer. Fiquei curiosa para ler a obra que, imagino, seja ainda mais rica que esta produção. Outro ponto forte do filme, a meu ver, é a direção cuidadosa e que valoriza as interpretações dos atores feita por Björn Runge. Um belo trabalho, que casa muito bem com os outros elementos importantes da produção – roteiro e interpretações. Um filme que mexe especialmente com as mulheres e que trata de temas bastante relevantes. Deve ser assistido e apreciado.

Ah sim, e existe uma dúvida sobre o final desta produção. É claro que não existe apenas um final possível, já que ele ficou em aberto. Mas vou dar a minha opinião e leitura sobre aquele final. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para mim, Joan negou o que Nathanial havia descoberto para defender a família e o marido morto – e ganhador de um Nobel, no final das contas. Mas depois, pelo que ela falou para David no avião, ela contaria toda a verdade para os filhos, para que eles soubessem realmente o que aconteceu – e até para tirar das costas de David toda aquela cobrança do pai que não tinha realmente fundamento.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Os protagonistas desta produção são os grandes responsáveis pela força de The Wife. Glenn Close e Jonathan Pryce tem muita experiência e são talentosos, então eles conseguem dar a dinâmica e a profundidade necessária para entendermos os seus personagens. Ainda que eles tenham muito de “comum”, eles são complexos e tem várias camadas de interpretação. Isso que torna o filme interessante, afinal, mergulhamos na privacidade deles e na sua relação.

The Wife é um filme sobre uma mulher que, apesar de protagonista, é considerada coadjuvante, e sobre uma relação que começou conturbada e que seguiu carregada de culpa e de parceria até o seu fim. Quantas relações podem ser classificadas sob esses mesmos critérios? Quantas “esposas” deveriam ser consideradas protagonistas, mas por causa da sociedade em que nasceram e foram criadas, não o são? The Wife nos faz pensar sobre tudo isso, assim como no jogo de poder dentro de uma família.

Apesar de Close e Pryce serem as estrelas desse filme, seria errado não comentar o belo trabalho de Annie Starke e Harry Lloyd como os jovens Joan e Joe. No passado, ela era uma estudante de Literatura e, ele, um de seus professores. Além deles, vale citar o trabalho competente de dois outros atores: Max Irons como David, o carente aspirante a escritor filho do “genial” Joe Castleman; e Christian Slater como Nathaniel Bone, um escritor que tenta escrever a biografia não autorizada de Castleman. Também vale citar o trabalho de ponta de Elizabeth McGovern como a escritora Elaine Mozell, que desencoraja a jovem Joan a se tornar escritora; de Karin Franz Körlof como Linnea, fotógrafa que acompanha de perto o novo escritor premiado com um Nobel; Richard Cordery como Hal Bowman, agente de Castleman; Jan Mybrand como Arvid Engdahl, contato do Nobel com os ganhadores dos prêmios; e Alix Wilton Regan como Susannah Castleman, filha do casal de escritores.

O filme é muito bem guiado pelo diretor Björn Runge, que sabe valorizar os talentos que tem em cena e fazer uma narrativa segura sobre a história perfeitamente adaptada pela roteirista Jane Anderson. Além deles, vale destacar outros aspectos técnicos do filme, como a direção de fotografia de Ulf Brantas; a trilha sonora de Jocelyn Pook; a edição de Lena Runge; o design de produção de Mark Leese; a direção de arte de Caroline Grebbell, Paul Gustavsson e Martin McNee; os figurinos de Trisha Biggar; e a decoração de set de Craig Menzies.

The Wife estreou em setembro de 2017 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. No mesmo ano, o filme passou, ainda, pelos festivais de cinema de San Sebastián e de Zurique. Em circuito comercial, ele entraria em cartaz apenas no dia 2 de agosto de 2018 na Austrália e em Israel, estreando nos Estados Unidos no dia 17 de agosto. No mesmo ano, ele participaria de apenas mais um festival de cinema, o Noordelijk Film Festival.

Em sua trajetória por festivais e destacado em diversas premiações de cinema, The Wife ganhou 11 prêmios e foi indicado a outros 20, incluindo uma indicação ao Oscar na categoria Melhor Atriz para Glenn Close. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Atriz – Drama para Gleen Close; para o prêmio de Melhor Atriz dado pelo Screen Actors Guild Awards; para outros oito prêmios de Melhor Atriz recebidos por Glenn Close e para um prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para Jonathan Pryce.

Fiquei curiosa para saber quantas mulheres ganharam o Prêmio Nobel de Literatura. O prêmio começou a ser entregue, anualmente, desde 1901. As mulheres que o receberam, desde então, foram as seguintes: Selma Lagerlöf, em 1909; Grazia Deledda, em 1926; Sigrid Undset, em 1928; Pearl S. Buck, em 1938; Gabriela Mistral, em 1945; Nelly Sachs, em 1966; Nadine Gordimer, em 1991; Wislawa Szymborska, em 1996; Elfriede Jelinek, em 2004; Doris Lessing, em 2007; Herta Müller, em 2009; Alice Munro, em 2013; e Svetlana Alexijevich, em 2015. Ou seja, 13 mulheres em mais de 100 anos de premiação. São poucas, mas elas existem. Algumas delas poderiam ter inspirado a escritora que protagoniza esta produção. A lista completa dos premiados no Nobel de Literatura vocês encontram nesse artigo da Wikipédia – sem dúvida que eu preciso ler a vários deles.

Agora, algumas curiosidades sobre este filme. A atriz Annie Starke, que interpreta a jovem Joan, é filha da atriz Glenn Close. Interessante, não? Eu não sabia disso até ler as notas dos produtores. 😉 Não achei elas muito parecidas, na verdade. Sem a nota, jamais adivinharia.

Embora uma parte do filme se passe, teoricamente, em Estocolmo, grande parte de The Wife foi rodado em Glasgow.

O processo de desenvolvimento de The Wife demorou 14 anos.

Glenn Close e Jonathan Pryce ensaiaram ao redor de uma mesa durante uma semana antes do filme começar a ser rodado.

O nome de Joan Archer – antes de casar com Joe -, o corte de cabelo curto e algumas das característica de seu papel neste filme lembram a heroína francesa Jeanne D’Arc.

The Wife tem uma importância especial para Glenn Close, que disse que a história lhe lembrou muito a própria mãe que, aos 80 anos de idade, disse que parecia que não tinha realizado nada em sua vida porque tinha sido apenas “uma esposa” – e mãe. Ao ser premiada, acredito que no Screen Actors Guild Awards, Close disse que a mãe dela não podia estar mais errada, porque ela tinha realizado muito sendo mãe e esposa. Foi emocionante de ver.

Esse é o primeiro filme falado em inglês do diretor Björn Runge.

O trecho de James Joyce citado duas vezes por Joe Castleman no filme faz parte do conto The Dead, que faz parte da coleção Dubliners, de 1914. Existem alguns paralelos entre o conto e o filme, especialmente entre a última cena do conto e a sequência após a festa de comemoração do Prêmio Nobel. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A cena do quarto, depois de uma festa, onde a esposa tem algum segredo para revelar é o paralelo mais forte, mas há ainda a questão da neve caindo “sobre os vivos e os mortos”.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 162 críticas positivas e 30 negativas para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 84% e uma nota média de 7,1. No site Metacritic, The Wife apresenta um “metascore” 77, fruto de 34 críticas positivas, 1 mediana e 1 negativa.

De acordo com o site Box Office Mojo, The Wife faturou US$ 8,9 milhões nos Estados Unidos e mais US$ 8,6 milhões nos outros mercados em que estreou, somando uma bilheteria de cerca de US$ 17,5 milhões.

The Wife é uma coprodução do Reino Unido, da Suécia e dos Estados Unidos. Como um dos países envolvidos na produção é os Estados Unidos, essa produção passa a fazer parte da relação de filmes que atendem a uma votação feita aqui no blog há algum tempo.

CONCLUSÃO: Alguns criticaram esse filme por ter um final óbvio. Devo dizer, que não concordo com esse parecer. Claro, lá pelas tantas, quando o filme entra no seu flashback, não é difícil entender quem está por trás da obra que levou ao Nobel. Mas, nem por isso, a história deixa de ser surpreendente. Gostei, em especial, do roteiro e do trabalho dos protagonistas. Eles estão incríveis. Nos envolvem, nos emocionam e nos “tiram do sério” – ao menos àqueles que se indignam com a falta de oportunidades iguais para as pessoas.

Achei um filme potente e muito bem acabado. Me fez pensar e me tirou do sério, então, apenas por isso, já está bem acima da média. Entre as produções recentes, achei uma das mais contundentes sobre a relação que se desenvolve dentro de um lar, os jogos e disputas que existem neste ambiente, especialmente o “jogo de poder” entre o casal e os pais e filhos. Me impressionou a crítica sobre as aparências e sobre a desigualdade de oportunidades. Muito bom!

PALPITES PARA O OSCAR 2019: The Wife foi indicado em apenas uma categoria na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood: a de Melhor Atriz. Glenn Close está perfeita no papel de Joan Castleman. Mas é um desempenho digno de Oscar? Em outros anos, em que a disputa estava mais acirrada, talvez não. Mas neste ano, em que a principal rival nesta disputa é Lady Gaga, certamente que sim.

Eu não tenho nada contra a Lady Gaga, preciso dizer. Ela está bem em A Star Is Born (comentado neste link) – um dos trunfos do filme, inclusive. Mas ela interpreta, no fim das contas, a si mesma. O que eu acho de uma atriz que interpreta a si mesma? Que ok, isso é válido. Mas é digno de um Oscar? Acho que uma atriz que se desdobra para vivenciar alguém muito diferente dela, com todos os recursos e “imersão” que isso significa, tem mais méritos e merece mais o prêmio.

Assim, eu votaria tranquilamente em Gleen Close. O que os atores e atrizes do Oscar devem fazer? Pelo que vimos nas premiações que antecedem ao Oscar, o prêmio estará, realmente, entre Gleen Close e Lady Gaga. Mas acho que o favoritismo ainda é de Glenn Close. Se ganhar, certamente levará para casa uma estatueta não apenas por esse papel em The Wife, mas também por ótimos trabalhos em uma carreira longa e até hoje não premiada no Oscar – ela foi indicada sete vezes, mas esta poderá ser a sua primeira vez como vencedora. Merece.

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E o Globo de Ouro foi para… (cobertura online e todos os premiados)

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Saudações queridos leitores e leitoras deste blog.

Como vocês bem sabem, tenho como tradição acompanhar todos os anos a entrega do Oscar, prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Desde que eu estreei o blog, em agosto de 2007, apenas em 2010 eu fiz uma experiência de cobertura do Globo de Ouro – pelo blog e, especialmente, pelo Twitter (veja como foi por aqui).

Mas desta vez resolvi acompanhar também a premiação menos badalada mas, todos dizem, mais divertida do Golden Globes (Globo de Ouro), entregue todos os anos pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. Diferente do Oscar, concentrado apenas na indústria do cinema, o Globo de Ouro tem algumas categorias do cinema e outras da TV norte-americana.

A transmissão do tapete vermelho está sendo feita pelo canal E! Entertainment e também pelo site do Globo de Ouro. Confira aqui o que está acontecendo antes da premiação começar.

O Globo de Ouro sempre antecede a entrega do Oscar em mais de um mês. Para quem acompanha a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, ele é mais um termômetro para o maior reconhecimento do cinema dos Estados Unidos. Algumas vezes há coincidência entre os premiados, mas isso não acontece sempre.

No ano passado, por exemplo, enquanto o Globo de Ouro premiou Boyhood como Melhor Filme – Drama, o Oscar consagrou Birdman. Entre os atores, houve coincidência entre as duas premiações: tanto no Globo de Ouro quanto no Oscar ganharam a disputa principal Eddie Redmayne e Julianne Moore. O mesmo aconteceu nas categorias de coadjuvante, com J.K. Simmons e Patricia Arquette levando as estatuetas das duas premiações. Na categoria Melhor Diretor, novamente, não houve coincidência entre Oscar e Globo de Ouro: enquanto no primeiro o vencedor foi Alejandro González Iñarritu, no segundo o premiado foi Richard Linklater.

Isso comprova que o Oscar não repete o Globo de Ouro sempre, mas que há muitas coincidências entre as duas premiações. Por isso mesmo é interessante acompanhar o Globo de Ouro – eu mesma tenho utilizado a lista de indicados da premiação para me guiar na escolha dos filmes para assistir pensando no Oscar.

Tenho achado o tapete vermelho do site oficial do Golden Globes o mais interessante até agora. Afinal, ali o áudio está aberto, no melhor estilo “bastidores reais”. Tem uma figura que deve estar fotografando que sempre pede com a sua voz fina e um pouco esganiçada para os astros e estrelas virarem para a direita. Divertido!

Entre os astros e estrelas que apareceram no tapete vermelho até agora, gostei de Brie Larson com um vestido longo dourado. Ela está ótima em Room e, francamente, estou torcendo por ela hoje à noite. Ainda que, claro, Cate Blanchett levar a estatueta não seria uma injustiça. A interpretação de Saoirse Ronan ainda não vi para opinar a respeito. Na entrevista no E! ela disse que estava vestindo um Calvin Klein feito especialmente para ela. Linda.

Como era esperado, a cobertura do canal TNT começou as 22h. Ainda com o tapete vermelho. Will Smith, indicado como Melhor Ator – Drama por Concussion, comentou que é importante ser indicado por um filme que tem uma mensagem. Taraji P. Henson, da série Empire, fala sobre a importância de estar no Globo de Ouro, uma premiação com projeção internacional. Ela usava um vestido Stella McCartney.

Em seguida apareceu em cena a maravilhosa Helen Mirren, que acumula 14 indicações no Globo de Ouro. Neste ano ela concorre como Atriz Coadjuvante por Trumbo – filme que tem ainda o genial Bryan Cranston no elenco. Estou curiosa para vê-lo. Alicia Vikander, indicada em duas categorias do Globo de Ouro, aparece na sequência. Estou curiosa para ver o desempenho dela em The Danish Girl – aonde ela contracena com Eddie Redmayne.

O Globo de Ouro 2016 será apresentado por Ricky Gervais, um grande ator, roteirista e produtor. Responsável pela genial série de TV The Office, estou confiante que ele se sairá bem na apresentação de hoje.

No tapete vermelho, o superastro Harrison Ford. Ele diz que está muito agradecido pelo sucesso do último Star Wars. Ele vai entregar a homenagem do Globo de Ouro para outro ator de grande peso: Denzel Washington. Gostei, em especial, do brinquinho prateado que ele usava em uma das orelhas. Estiloso.

Depois de Jennifer Lopez aparecer em cena em um vestido colado amarelo, temos o prazer de ver Eddie Redmayne. Eleito o homem mais bem vestido da Inglaterra, ele está muito bem vestido nesta noite. Ano passado, como eu comentei, Redmayne ganhou como Melhor Ator no Globo de Ouro e no Oscar e, este ano, está concorrente novamente como Melhor Ator – Drama por The Danish Girl.

A premiação propriamente dita vai começar as 23h. Até lá, overdose de tapete vermelho. 😉

Sylvester Stallone com a esposa e suas três filhas Ele está indicado a Melhor Ator Coadjuvante. Incrível. Em seguida aparece outra veterana: Jane Fonda. Linda, super elegante e interessante, Jennifer Lawrence aparece em cena. Ela está indicada como Melhor Atriz – Musical ou Comédia por Joy. Estou curiosa para assistir a este filme também.

E agora em cena Leonardo DiCaprio, bem cotado para ganhar como Melhor Ator – Drama por The Revenant. Ele está cada vez melhor em seus papéis. Sobre o filme, ele comenta que sabia que enfrentaria dificuldades para fazer o papel, mas que tudo transcorreu bem e que eles estão contentes com o desempenho da produção nas bilheterias. The Revenant estourou nas bilheterias dos Estados Unidos, fazendo cerca de US$ 38 milhões na última semana.

Denzel Washington, que vai ganhar o prêmio Cecil B. DeMille neste Globo de Ouro, comenta que é uma honra receber este reconhecimento e mostra o papel em que anotou nomes que ele não quer esquecer de agradecer. Ele é, sem dúvida, um dos meus atores preferidos de todos os tempos. Merecido ganhar este e qualquer outro prêmio.

Algo interessante do tapete vermelho do Globo de Ouro é que os astros e estrelas aparecem com os seus acompanhantes, na maioria das vezes as suas famílias. Algo bacana de se ver.

A supertalentosa Rooney Mara, fantástica em Carol, aparece em cena. Ela diz que está muito orgulhosa de ter sido indicada junto com Cate Blanchett. Ela diz que não está pensando propriamente na premiação, mas que está orgulhosa pelo filme e por todos que trabalharam nele. Fofa!

Kirsten Dunst, em um vestido um tanto estranho, comenta que para ela é igual fazer TV ou cinema, porque para um ator o importante é estar envolvido em grandes produções. Ela tem razão. Há diversos anos a TV americana, inglesa e de outros países tem apresentado produções tão ou mais interessantes do que os cinemas de seus países. Sem ser entrevistada, mas apareceu em cena rapidamente Cate Blanchett, lindíssima. Torço por ela sempre – ainda que, admita, há outras atrizes ótimas concorrendo com ela este ano.

O Globo de Ouro 2016 entregará prêmios em 25 categorias. O filme mais indicado é Carol, com cinco chances de ganhar esta noite. Em segundo lugar, empatados com quatro chances, estão The Big Short, The Revenant e Steve Jobs. Pontualmente as 23h começou a cerimônia de premiação.

Ricky Gervais começou interpretando a persona de “mal-criado” e mandando todos calarem a boca. Ele disse que faria um monólogo e depois desapareceria. Em seguida, tomou um belo gole de um chope. Entre as piadas, brincou que a rede que estava transmitindo a premiação não tinha sido indicada em nada e por isso era imparcial. Em seguida, brincou que seria legal e nada ofensivo, diferente de anos anteriores.

Algumas piadas dele foram boas, mas muitas, cá entre nós, beeeeem sem graça. Só bebendo como boa parte da plateia para achar engraçado. Exemplo: de que a Igreja Católica odiou Spotlight, enquanto Roman Polanski achou este um dos melhores filmes já feitos. Em seguida ele falou dos principais indicados. Nada demais.

katewinslet1Na primeira entrega da noite, Kate Winslet ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante no Cinema. Ela ganhou por Steve Jobs. Interessante. Adoro ela. Em seu agradecimento, ela disse que estava completamente surpresa e maravilhada pelo prêmio. Em seguida, homenageou as mulheres, dizendo que elas tiveram ótimos papéis no ano. Kate Winslet sempre merece um prêmio. Na sequência ela diz que Michael Fassbender é uma lenda e que assistiria ele sem cansar sempre, além de dizer que ele estabeleceu um padrão muito alto para todos. Mega talentosa e simpática. E verdadeiramente surpresa pelo prêmio.

A segunda entrega da noite foi para Melhor Atriz Coadjuvante em Série de TV. E o Globo de Ouro foi para Maura Tierney por The Affair. Ouvi falar muito bem desta série, mas ainda não a assisti. Fiquei curiosa. Ainda assim, pena Joanne Froggatt não ter ganho – afinal, ela se despediu de Downton Abbey. Gosto de Maura Tierney. É uma atriz muito talentosa, sem dúvida. Agora resta assistir a The Affair. Ela agradeceu principalmente ao elenco e aos familiares.

Até agora gostei da dinâmica do Golden Globes. Fora a introdução meio xarope do Gervais, as entregas são agilizadas e bem diretas. Isso é bom.

Depois do intervalo, a entrega de Melhor Atriz em Série de TV – Musical ou Comédia. Quem ganhou foi Rachel Bloom de Crazy Ex-Girlfriend. Me desculpem a ignorância, mas nunca tinha ouvido falar da série. Bloom disse que a série quase não aconteceu porque o piloto foi rejeitado por quase todos, inclusive seis vezes no mesmo dia. Ela agradece a quem permitiu que a série acontecesse.

Na sequência foi entregue o prêmio para Melhor Série da TV – Musical e Comédia. E o vencedor veio da Amazon: Mozart in the Jungle. Bacana ver uma outra produtora de séries ganhar uma premiação como esta. Agora, sem dúvida, tenho que me atualizar com as séries – ainda que musicais não sejam o meu forte.

A linda e talentosa Viola Davis apareceu na sequência para apresentar cenas de Carol, um belo filme e que foi o mais indicado da noite.

Após o intervalo, Ricky Gervais voltou à cena. Ele disse que o Globo de Ouro não tem uma seção para os falecidos do ano para deixar a todos deprimido mas que, no lugar disso, há um discurso com o presidente da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood.

Na sequência, Matt Damon apresenta ao filme The Martian, que ele estrela e é dirigido por Ridley Scott. A entrega seguinte foi para Melhor Telessérie ou Telefilme. E o prêmio foi para Wolf Hall, do canal inglês PBS. Não conheço a série, mas gostei de ver o ator Damian Lewis no grupo de premiados pela série. O produtor da série agradeceu a BBC e disse que sem ela produções como Wolf Hall não existiriam. E pediu para o governo inglês seguir apostando na TV.

O premiado na categoria Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme foi Oscar Isaac de Show Me a Hero. Isaac foi rápido nos agradecimentos, basicamente homenageando pessoas da equipe da série. A premiação do Golden Globes é mais rápida que a do Oscar mas, francamente, até agora, achei mais sem graça. É mais direta, objetiva, mas ainda prefiro as “firulas” e o espetáculo do Oscar. Mas ok, é bom acompanhar tudo.

Na volta do intervalo, os espectadores são apresentados a Spy, indicado a Melhor Filme – Musical ou Comédia. Lady Gaga e Tom Ford entraram na sequência para apresentar a categoria Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie, Telessérie ou Filme para a TV. E o vencedor foi Christian Slater por Mr. Robot. Estou louca para ver a essa série, aliás. Muito elogiada. Slater diz que é uma honra receber o prêmio e agradece ao roteirista de Mr. Robot por criar um personagem tão bom. Ele agradeceu também a esposa e Hollywood por permitir que ele possa fazer o que ele ama.

Na sequência foi entregue o Globo de Ouro por Melhor Trilha Sonora Original para o genial veterano Ennio Morricone, autor da trilha de The Hateful Eight. Quem recebeu o prêmio por ele foi Quentin Tarantino, diretor e roteirista do filme. Ele comenta que Morricone está na mesma categoria de Mozart e Schubert e que, até então, ele nunca tinha ganho um prêmio por suas trilhas nos Estados Unidos – apenas na Itália. Ele agradece muito a Morricone e a sua esposa. Figura! E Morricone, sem dúvida, é um dos grandes do cinema. Merece não apenas esse prêmio, mas qualquer outro de trilha sonora. Ele é um mito na área.

jonhamm1Gervais retorna para tirar um sarro de Donald Trump, que quer deportar estrangeiros. Em seguida aparecem as atrizes America Ferrera e Eva Longoria para apresentar a categoria Melhor Ator de Série de TV – Drama. E ganha o prêmio Jon Hamm, de Mad Men. Nesta categoria estava concorrendo o brasileiro Wagner Moura. Francamente Hamm merece o prêmio, especialmente pela despedida de Mad Men. Uma série que demorei um pouco para assistir mas que, de fato, é muito bem acabada. Hamm diz que não esperava receber o prêmio e agradece a todas as pessoas que permitiram que a série fosse realizada por tanto tempo. Francamente ele não era o favorito para a categoria, mas foi bacana terminar Mad Men com ele recebendo mais esse prêmio.

Mais um intervalo e, na volta, Gervais aparece para chamar as “grandes amigas” Jennifer Lawrence e Amy Schumer – a primeira de Joy e a segunda de Trainwreck. As atrizes apareceram para apresentar os vídeos de seus filmes – elas disputam entre si na categoria Melhor Atriz – Musical ou Comédia. Não sei, mas as piadas da noite estão difíceis. Ainda bem que os astros e estrelas em cena não precisam destes momentos para ganhar a vida.

Na sequência, Amy Adams apresenta a categoria Melhor Ator em Filme – Musical ou Comédia. E o ganhador foi… Matt Damon, por The Martian. Ele agradeceu pelo prêmio e mandou uma mensagem para os filhos. Damon pediu para eles irem para a cama e homenageou a esposa. Ele lembrou que começou a carreira há 18 anos e que teve muita sorte de ter feito The Martian com Ridley Scott. Até aonde eu acompanhei a vitória de Damon era mais que esperada. Não vi ao filme ainda, mas desconfio que ele esteja muito bem – afinal, temos Ridley Scott na direção.

Na volta dos comerciais, vence a categoria Melhor Filme de Animação a produção Inside Out, da Pixar e da Walt Disney. Favoritíssimo desta noite e também do Oscar. Perdi ele nos cinemas, mas quero assisti-lo em breve. Sucesso de público e crítica, sem dúvida.

Os atores Ryan Gosling e Brad Pitt entram em cena para uma das trocas mais interessantes até agora. Gosling brinca que tinham dito para ele que ele iria apresentar sozinho o vencedor… e na verdade nem é uma categoria. Eles subiram ao palco para apresentar The Big Short, concorrente na categoria Melhor Filme – Musical ou Comédia.

Os vencedores do ano passado Patricia Arquette e J.K. Simmons apresentam a categoria Melhor Ator Coadjuvante em Filme. E o prêmio foi para Sylvester Stallone. Primeira entrega que foi aplaudido pela plateia de pé. Stallone agradece a todos e diz que a última vez que ele esteve ali foi em 1977, e que agora tudo é diferente. Ele disse se considerar uma pessoa com sorte e agrade a muita gente, da mulher até o produtor de Creed. No final, ele agradece ao amigo imaginário Rocky Balboa, o “melhor amigo” que ele jamais teve. Interessante ver Stallone sendo reconhecido. Mas surpresa mesmo seria isso se repetir no Oscar. 😉

No retorno do intervalo, Mark Wahlberg e Will Farrell entram com óculos coloridos de 2016 para apresentar a categoria Melhor Roteiro. Farrell pede silêncio completo e enrola por um bom tempo antes do vencedor ser anunciado. E o Globo de Ouro como Melhor Roteiro foi para Aaron Sorkin por Steve Jobs. Para mim, francamente, foi uma grande surpresa. Ainda que ele seja um grande roteirista, eu esperava outro resultado. Sorkin diz que francamente não imagina que poderia ganhar. Nos agradecimentos ele homenageia a Danny Boyle e a todos do elenco.

Na sequência, o Globo de Ouro de Melhor Ator em Série de TV – Musical ou Comédia foi para Gael García Bernal por Mozart in the Jungle. Bacana. Um grande ator e que merece ser reconhecido. Não vi a série e aos demais concorrentes para saber se ele mereceu, mas foi legal vê-lo tão emocionado sobre o palco. Muito humilde. Agradeceu a toda a equipe da série, como é de praxe, e dedicou o prêmio para a música. Curti. Até porque cinema e música são as minhas grandes paixões – além do jornalismo, é claro.

sonofsaul1Mais um intervalo. No retorno, Helen Mirren e Gerard Butler apresentam a categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Eles brincam que para quem não os assiste, é possível ler as produções porque eles tem legenda. Visível piada com o fato dos americanos raramente verem filmes de fora do país. E o vencedor foi… Son of Saul. Mirren pediu palmas para os vencedores porque, segundo ela, esta foi a primeira vez que um filme da Hungria foi premiado. O diretor László Nemes agradece a todos que ajudaram o filme a ser realizado e comentou, no final, como o Holocausto jamais será esquecido. Tudo indica que Son of Saul será o favorito do Oscar também.

Na sequência vieram as indicadas na categoria Melhor Atriz em Minissérie, Telessérie ou Filme para a TV. E o Globo de Ouro foi para Lady Gaga por American Horror Story: Hotel. Uau! Lady Gaga ganhando um Globo de Ouro vai me fazer assistir a essa última edição da série. Na ida para o palco, Leonardo DiCaprio rindo muito. Não sei se dela ou de alguma piada paralela. 😉 Gaga comentou que se sente como a Cher e considerou esse um dos grandes momentos de sua vida. Isso Madonna não conseguiu. Gaga agradeceu genericamente a todas as pessoas do elenco que fizeram ela brilhar. Também disse que antes de ser cantora ela queria ser atriz. Demorando muito no discurso, subiu a música para interrompê-la. Visivelmente surpresa.

Francamente, até agora, me surpreenderam os prêmios para Steve Jobs e para Sylvester Stallone, falando de cinema. O primeiro caso pode render indicações para o Oscar, mas Stallone acho difícil ganhar no prêmio da Academia. Entre os premiados da TV, acho que não dá para ignorar os prêmios de Mozart in the Jungle. Fiquei com vontade de assistir a série. E o paralelo de Stallone na noite talvez seja Gaga – que me fez querer assistir ao último American Horror Story.

Após mais um intervalo, Kate Perry sobe ao palco para apresentar a categoria Melhor Canção Original em Filme. E a vencedora foi Writing’s on the Wall, do filme Spectre, escrita por Sam Smith e Jimmy Napes. Realmente grande fase do Sr. Sam Smith. Ele agradece a todos os envolvidos na produção, enquanto Napes afirma que foi um sonho ter escrito uma música para um filme de James Bond.

Ricky Gervais, que eu já achei que tinha se enterrado em um barril de chope, volta para falar sobre a relação dele com a emissora de TV. Faz referência a anos anteriores em que ele fez apresentações polêmicas. Tira sarro de figuras da platéia e chama Mel Gibson para subir ao palco. Gervais tira sarro de Gibson por causa da bebida, e Gibson responde que é bom revê-lo a cada três anos porque o encontro lhe recorda que ele tem que fazer uma endoscopia. Gibson com aquela cara clássica de louco apresenta o clipe de Mad Max: Fury Road.

Em seguida, aparecem os indicados na categoria Melhor Série de TV – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Mr. Robot. Era previsto mas, mesmo assim, sempre vou torcer por Game of Thrones. Com mais esse prêmio para a série fiquei ainda mais com vontade de assisti-la. Para vocês que conhecem todas as séries que concorreram nesta categoria (a saber: Empire, Narcos e Outlander além de Game of Thrones), Mr. Robot realmente mereceu? O diretor Sam Esmail agradece a todos os envolvidos na série, especialmente ao elenco, cumprimenta a noiva Emmy Rossum e manda um recado para o seu pessoal na Índia. Bacana ver alguém como ele, que tem as bases fora dos Estados Unidos, fazendo referência para as suas origens.

Na volta de mais um intervalo, Tom Hanks brinca a respeito do resfriado que ele tem e também com Denzel Washington. Ele fala sobre os grandes atores que marcaram as suas épocas, destes atores que não podem ser copiados mas, no máximo, imitados. E que isso não lhes trará frutos. Atrizes e atores deste naipe são conhecidos apenas por um nome. Ele cita vários, e comenta que um deles é o homenageado da noite. Hanks diz que Denzel Washington deixou um legado honrado, superlativo, e que ele se iguala a qualquer outro da história do cinema que virou referência de uma época.

Bacana o trailer com um resumo do trabalho de Denzel neste tempo todo de carreira. Hanks chama o colega para o palco e ele é aplaudido pela plateia de pé. Não tinha como ser diferente. Um ator que merece ser ovacionado é ele, sem dúvida. Denzel subiu ao lado da mulher e de um dos filhos e chamou o restante da família antes de discursar. Mas lembrou que um dos filhos, cineasta, estava ausente porque está fazendo a sua tese. Ele agradeceu pelo prêmio e pela imprensa estrangeira por ter acompanhado a carreira dele por tanto tempo. Entre os agradecimentos, destaca o primeiro agente que ele teve; a mãe por ter convencido o pai a comprar lâmpadas mais fortes ao invés de economizar em energia; e agradeceu à família antes de pedir que Deus abençoe a todos.

Mais um intervalo – falha de memória minha ou o Oscar não tem tantas paradas assim? Enfim… No retorno, Chris Evans apresentou o vídeo de Spotlight, indicado a Melhor Filme de Cinema – Drama. Ricky Gervais volta para chamar ao palco Morgan Freeman. O grande ator sobre ao palco para apresentar os indicados a Melhor Diretor em Filme. E o vencedor foi… Alejandro González Iñarritu por The Revenant. Francamente? Eu já esperava. Ele realmente faz mais um grande, grande trabalho com o filme estrelado por Leonardo DiCaprio. Iñarritu diz que todo filme é difícil de ser feito, mas que ainda assim o ano em que ele fez The Revenant foi o mais difícil que ele teve. O diretor relembra o que todos da sala sabem: que dor é temporária, mas que um filme é para sempre. Iñarritu também agradece a todos os produtores e aos estúdios envolvidos. Finalizou agradecendo, em especial, o elenco, chamando DiCaprio de herói e do grande responsável por essa que foi a sua grande experiência como diretor.

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Correndo contra o tempo, apresentaram a categoria Melhor Atriz em Série de TV – Drama. E o Globo de Ouro foi para Taraji P. Henson, de Empire. Não assisti a essa série ainda, mas sei que ela virou um fenômeno nos Estados Unidos. Agora, mais que antes, fiquei curiosa para assisti-la. Henson ganhar de Viola Davis e Robin Wright é porque seu trabalho tem que ser incrível. Quiseram interromper o discurso dela, mas ela pediu para darem mais tempo porque ela esperou 20 anos por isso. Entre os agradecimentos, os especiais foram para o elenco e a equipe.

Logo após mais um intervalo, Michael Keaton sobe ao palco para relacionar as indicadas na categoria Melhor Atriz em Filme – Musical ou Comédia. E o Globo de Ouro foi para Jennifer Lawrence por Joy. Hollywood realmente gosta dela. Se é o melhor desempenho entre as concorrente eu não sei porque, francamente, não assisti a nenhum dos filmes concorrentes. Lawrence agradece pelo prêmio e, em especial, pelo trabalho do diretor David O. Russell, elogiando o fato dele fazer cinema porque ele ama e não pelo que os outros possam falar de seus filmes.

Na sequência, Maggie Gyllenhaal sobe ao palco para apresentar a mais um concorrente na categoria Melhor Filme de Cinema – Drama, o maravilhoso Room. E depois, mais um dos intermináaaaaaveis intervalos da premiação.

No retorno, o talentoso e querido ator Tobey Maguire apresenta o vídeo do filme The Revenant, que está concorrendo na categoria Melhor Filme de Cinema – Drama. Na sequência, Jim Carrey tira sarro sobre ter sido premiado no Golden Globe e sobre o que ele sonha, que é ganhar mais um prêmio deles. Ele brinca de como o Globo de Ouro é importante e apresenta os indicados a Melhor Filme em Cinema – Musical ou Comédia. E o vencedor foi… The Martian. Ridley Scott caminha para o palco e é aplaudido de pé pela plateia.

Ele agradece pelo prêmio e brinca que achou que ganharia um Globo de Ouro após a sua morte. Ele faz uma menção muito bacana sobre os outros filmes concorrentes e que acha que fez um bom filme. Citou o sucesso de Star Wars, antes de homenagear o roteirista, Matt Damon e todas as pessoas que fizeram parte do projeto. Mesmo ele sendo Ridley Scott, não se furtaram de colocar a música para pressioná-lo a parar de falar. Ele tinha uma boa lista para falar e foi até o final dela. Ridley Scott é gênio e sempre merece ser reconhecido. Mas é preciso assistir aos concorrentes para ter certeza se foi justo.

Após mais um intervalo, Ricky Gervais retorna para chamar ao palco Eddie Redmayne. Esse ator supertalentoso aparece para listar as indicadas na categoria Melhor Atriz em Cinema – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Brie Larson, do filme Room. Que legal! Ela pode até não ganhar ao Oscar, mas pelo menos levou o Globo de Ouro. Ela está ótima no filme. Larson agradece pelo prêmio e diz que foi um prazer conhecer as pessoas da associação de imprensa. Os agradecimentos dela começam pela roteirista de Room e segue pelas demais pessoas da produção, dizendo que metade do prêmio é também de Jacob Tremblay. Ela tem razão. Os dois dividem os méritos igualmente.

Rapidinho, porque o prêmio parece estar atrasado, sobe ao palco Julianne Moore para apresentar os indicados na categoria Melhor Ator em Cinema – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Leonardo DiCaprio, por The Revenant. Bola bem cantada, diga-se. Ele é aplaudido por toda a plateia de pé. DiCaprio agradece ao prêmio e comenta que é uma honra ser premiado com tantos ótimos atores concorrendo na mesma categoria. Ele homenageia Iñarritu, por sua visão e direção precisa. Complementa dizendo que ele nunca teve uma experiência como essa em sua vida, e agradece ao restante do elenco, assim como ao técnico de maquiagem que fez parte de The Revenant. DiCaprio ainda agradeceu a sua equipe, seus pais, seus amigos e terminou homenageando aos indígenas, dizendo que eles devem lutar por manterem as suas terras livres dos exploradores.

Mais um intervalo e, depois dele, a última categoria do Globo de Ouro 2016: Melhor Filme de Cinema – Drama. Até o momento, os grandes derrotados da noite foram, nesta ordem, Carol e The Big Short. Finalizando a premiação, Harrison Ford subiu ao palco para apresentar os finalistas da categoria. E o Globo de Ouro foi para… The Revenant. Iñarritu sobre ao palco mais uma vez e termina de listar os nomes que precisavam ser agradecidos, dando destaque, entre outros, aos nativos dos Estados Unidos. Sem dúvida The Revenant é um filme muito bem feito, mas não achei, até o momento, o melhor do ano. Tenho outras preferência. E ganhar o Globo de Ouro é uma coisa, o Oscar é outra. Logo veremos o que vai acontecer na premiação da Academia.

Finalizada a entrega do Globo de Ouro, dá para dizer que o grande premiado da noite foi The Revenant, vencedor em três categorias, seguido de Steve Jobs e de The Martian que ganharam em duas categorias. Francamente acho que o Oscar não vai repetir todos os premiados, mas se o repeteco entre os atores for repetido, ficarei feliz – Leonardo DiCaprio e Brie Larson merecem ganhar.

Resumindo a noite, os premiados no Globo de Ouro 2016 foram os seguintes:

  • Melhor Atriz Coadjuvante em Cinema: Kate Winslet por Steve Jobs
  • Melhor Atriz Coadjuvante em Série de TV: Maura Tierney por The Affair
  • Melhor Atriz em Série de TV – Musical ou Comédia: Rachel Bloom por Crazy Ex-Girlfriend
  • Melhor Série de TV – Musical ou Comédia: Mozart in the Jungle
  • Melhor Minissérie ou Filme feito para a TV: Wolf Hall
  • Melhor Ator em Minissérie ou Filme feito para a TV: Oscar Isaac por Show Me a Hero
  • Melhor Ator Coadjuvante por Série de TV: Christian Slater por Mr. Robot
  • Melhor Trilha Sonora Original: Ennio Morricone por The Hateful Eight
  • Melhor Ator em Série de TV – Drama: Jon Hamm por Mad Men
  • Melhor Ator de Cinema – Musical ou Comédia: Matt Damon por The Martian
  • Melhor Filme de Animação: Inside Out
  • Melhor Ator Coadjuvante em Cinema: Sylvester Stallone por Creed
  • Melhor Roteiro: Aaron Sorkin por Steve Jobs
  • Melhor Ator em Série de TV – Musical ou Comédia: Gael García Bernal por Mozart in the Jungle
  • Melhor Filme em Língua Estrangeira: Son of Saul
  • Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV: Lady Gaga por American Horror Story: Hotel
  • Melhor Canção Original: Writing’s on the Wall de Spectre
  • Melhor Série de TV – Drama: Mr. Robot
  • Melhor Diretor de Cinema: Alejandro González Iñarritu por The Revenant
  • Melhor Atriz de Série de TV – Drama: Taraji P. Henson por Empire
  • Melhor Atriz de Cinema – Musical ou Comédia: Jennifer Lawrence por Joy
  • Melhor Filme – Musical ou Comédia: The Martian
  • Melhor Atriz de Cinema – Drama: Brie Larson por Room
  • Melhor Ator de Cinema – Drama: Leonardo DiCaprio por The Revenant
  • Melhor Filme – Drama: The Revenant

Muito obrigada a você que acompanhou essa cobertura online do Globo de Ouro. Agora, vamos correr para assistir aos filmes que devem chegar ao Oscar 2016 e acompanhar, no final da manhã desta quinta-feira, a lista dos indicados para a premiação deste ano. Abraços!