Wonder Wheel – Roda Gigante

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Um lugar cheio de prazeres, de atrativos e de entretenimento. Mas, para alguns, esse lugar está decadente. Agora, vale sempre perguntar: quem faz a decadência de um lugar? Será que ele, por si só, pode tornar-se decadente? Ou somos nós, as pessoas, que sucumbimos a nossos vícios, egoísmos e decaímos em relação ao que sonhamos? Woody Allen apresenta mais um de seus filmes. Bem ao seu estilo. Mas, é bom dizer, Wonder Wheel não faz parte da melhor safra do diretor. Com roteiro um bocado óbvio, rebuscado, Wonder Wheel tem um estilo teatral interessante, mas que se torna um pouco enfadonho pelo roteiro que não é tão bom quanto poderia ser.

A HISTÓRIA: Começa em Coney Island nos anos 1950. Vemos a uma praia cheia e, no Posto 7, a um “salva vidas” que se apresenta como narrador da história. Mickey (Justin Timberlake) diz que trabalha ali no Verão, mas que está estudando para ser artista. E, como tal, ele gosta de escrever utilizando muitos símbolos. Ele gosta de drama. E é uma história com esse estilo que ele vai nos apresenta.

O drama narrado por Mickey inicia com a chegada de Carolina (Juno Temple), uma bela moça que está procurando por Humpty (Jim Belushi). Ela logo descobre que ele trabalha no carrossel do parque à noite, mas fica sabendo onde encontrar a mulher dele, Ginny (Kate Winslet). Todos esses personagens vão se relacionar e viver momentos de emoção e de tensão.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Wonder Wheel): Bem, o que dizer sobre esse filme? Vou começar pelo básico, que foi a minha motivação de assistir a Wonder Wheel – ainda em 2017, mais precisamente no final do ano. Eu admiro o diretor Woody Allen, o seu estilo e as suas escolhas artísticas. Ele sempre explorou uma forma de fazer cinema, de valorizar a história e os personagens que eu admiro. Por isso, não sou super “fanática” do diretor, mas tento assistir aos novos filmes dele sempre que eles aparecem.

Essa foi a minha principal motivação para assistir a Wonder Wheel. Ver o que Allen iria nos apresentar dessa vez. Procuro não ver trailers ou ler sobre os filmes antes de assisti-los – essa é uma mania que eu tenho. Mas admito que eu costumo saber se um filme foi bem ou mal segundo as críticas do público e dos especialistas antes de optar por uma produção. Então sim, eu sabia que Wonder Wheel não estava muito “bem visto”, digamos assim. Ele não tinha caído no gosto das pessoas. E ao assistir a essa produção, eu descobri o porquê disso.

O filme começa bem, com um visual super interessante e que lembra alguns filmes de Federico Fellini. Depois, vemos uma direção de fotografia muito presente, algo importante e marcante em todos os minutos da produção. Conforme a história escrita por Allen se desenrola, também percebemos uma grande aposta do diretor em um tom “teatral” que funciona até uma certa parte e, depois, fica bastante previsível e até cansativo.

Como sempre, o diretor escreve o seu roteiro para os atores terem os seus “grandes momentos”. E isso acontece aqui. Como costuma acontecer também, as “grandes linhas” e momentos do roteiro são escritas para a protagonista, interpretada pela grande e sempre talentosa Kate Winslet. Mas até os grandes momentos da atriz parecem um tanto óbvios e previsíveis – especialmente, imagino, para quem já assistiu a vários e vários filmes do diretor.

Feitos esses comentários sobre pontos que me chamaram a atenção na produção, falemos um pouco sobre a história narrada por Wonder Wheel. (SPOILER – não leia se você não assistiu ainda ao filme). O âmago da narrativa é um certo “triângulo amoroso” entre Mickey, Ginny e Carolina. Ou melhor, uma sugestão de triângulo amoroso que acaba, na prática, apenas se desenhando e não se consolidando, mas que acaba sendo fundamental para os atos finais de Ginny e de Mickey. No mais, o filme nos conta a mudança na rotina do casal Humpty e Ginny quando a filha do primeiro casamento de Humpty pede abrigo para eles. E o que mais Wonder Wheel nos conta?

Em termos de ação e de dinâmica dos personagens, essa narrativa que eu comentei resume tudo. Mas o interessante da narrativa está, evidentemente, na história e nos atos da protagonista, Ginny. Ela é a parte realmente importante da trama. Afinal, quase tudo que vemos em cena acontece por influência dessa personagem. Ela é que está no centro da dinâmica entre os personagens e ela é determinante para o que acontece na reta final da produção. Também é Ginny que apresenta os elementos que “fazem pensar” (ainda que pouco) em Wonder Wheel.

Para mim, a única parte interessante e que “se salva” desse filme – além da direção de fotografia – é o contexto da personagem de Kate Winslet. Ela nos mostra, de forma bastante didática, inclusive, como as frustrações de uma vida e o descolamento da ideia que uma pessoa tinha para si mesma como realidade ideal e o que ela de fato vive pode provocar destruição e muitos, muitos problemas. Ginny é uma mulher frustrada, que vive em um casamento por “comodismo” e não por amor e que não se esqueceu das besteiras que fez na vida – como o amor que perdeu por traição feita por ela.

Ela conhece Mickey em um passeio na praia em que ela estava pensando em colocar fim na própria vida. Como é infeliz, não apenas no casamento, mas em sua vida particular – ela trabalha como garçonete, e tem uma grande frustração por causa disso -, ela acaba repercutindo negativamente em todas as direções ao seu redor. Vide o seu filho “problemático” Richie (Jack Gore). O garoto pouco fala, mas expressa a sua insatisfação com a vida colocando fogo em tudo que aparece pela frente.

Na cabeça de Ginny, ela tem talento e deveria fazer sucesso no teatro ou no cinema. Mas a vida “foi injusta” com ela, ninguém conseguiu reconhecer o talento que ela acredita ter e, por isso, ela vive aquela vida “ordinária” em um lugar que ela odeia e com uma pessoa que ela apenas suporta – e ainda, em alguns dias, muito mal. Ginny não sabe lidar com o filho, Richie, e enxerga no romance que desenvolve com Mickey uma fuga da sua realidade infeliz. No fundo, ela gostaria de sair dali correndo e não olhar para trás, mas ela não tem coragem para isso.

Como Mickey simboliza para ela tudo aquilo que ela não tem – juventude, talento, perspectiva de viver um amor que ela não vive -, Ginny fica perturbada ao perceber que a filha do marido, Carolina, pode ameaçar esse seu “ideal de fuga”. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). E é assim que Ginny não provoca a captura de Carolina, mas também não impede que a moça seja levada pelos capangas do ex-marido mafioso. Mickey percebe que ela teve participação no sumiço de Carolina e a abandona, mas Ginny já está vivendo novamente em seu mundo próprio de fantasia. Ali, ninguém pode “tocá-la” ou frustrá-la mais do que a vida mesma em que ela se perdeu.

Como resolver uma situação como a de Ginny? Bem, aí poderíamos entrar em um grande debate – ou sessões de terapia. Mas acho que as pessoas devem sempre buscar o que lhes dá sentido e o que lhes faz feliz. Você está insatisfeito com a sua vida e gostaria de estar em outro local ou fazendo outra coisa? Corra atrás então do que você quer. Você gostaria de ser uma artista de sucesso, mas esse tal sucesso não veio?

Quem sabe você deveria ver tudo o que a vida lhe deu e está lhe dando e que não passa por esse sucesso desejado. Ficar satisfeito com o que você tem, que possivelmente será bastante – e mais do que muitos merecem. Ter gratidão, perceber a sua realidade com olhos mais generosos. Parte das respostas começa por aí. Mas enfim, como eu disse, esse é um longo papo. Mas Wonder Wheel pode estimular as pessoas a pensarem sobre isso e, quem sabe, debaterem a respeito das suas próprias frustrações.

Por causa da personagem de Ginny e de tudo que ela nos apresenta, Wonder Wheel não é um verdadeiro desperdício de tempo. Mas… a forma com que a história, que não é assim tão original, é contada, não surpreende e nem se apresenta tão envolvente. O filme segue muitas trilhas conhecidas e acaba se perdendo um pouco no tom teatral. Tantos outros filmes tratam muito bem sobre a decadência particular de um indivíduo. Não acho que Wonder Wheel faça isso com maior propriedade ou profundidade. Valeu pela experiência, mas eu não recomendaria como um filme que precisa ser visto. Espero que Woody Allen volte melhor na próxima vez.

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Para mim, as melhores qualidades de Wonder Wheel são a direção de fotografia de Vittorio Storaro, caprichada e muito bonita, que ajuda a pontuar a história com as suas variações, e o trabalho de dois dos quatro atores principais. Kate Winslet está ótima, mais uma vez, apesar de nem sempre o roteiro lhe ajudar como poderia; e gostei muito do trabalho de Jim Belushi também – ele mergulhou no personagem e mostra muita verdade em cada cena.

Os outros dois atores que têm relevância no filme estão bem, mas não fazem nada demais, digamos assim. Justin Timberlake mostra que é um intérprete regular, com um desempenho que poderia ser obtido por vários outros atores do mercado. Juno Temple também está bem, mas acho que ela apresenta uma interpretação morna. Mas entre os dois, ainda acho que Temple está melhor que Timberlake. Ainda assim, nada demais a comentar sobre o elenco. Apenas que Kate Winslet e Jim Belushi são os melhores em cena.

Além do quarteto de atores central, vale comentar o trabalho de alguns coadjuvantes: Steve Schirripa como Nick, um dos capangas do ex-marido de Carolina; Tony Sirico como Angelo, o outro capanga que anda atrás de Carolina; Jack Gore está bem como Richie, o filho revoltado de Ginny; e Gregory Dann, Bobby Slayton e Michael Zegarski como os companheiros de pesca de Humpty.

Além da direção de fotografia de Storaro, ponto alto da produção, vale comentar a competente edição de Alisa Lepselter; o design de produção de Santo Loquasto; a direção de arte de Miguel López-Castillo; a decoração de set de Regina Graves; os figurinos de Suzy Benzinger; a maquiagem feita por 12 profissionais; o Departamento de Arte com 16 profissionais e o trabalho das 14 pessoas envolvidas com os Efeitos Visuais.

Wonder Wheel estreou no dia 14 de outubro de 2017 no Festival de Cinema de Nova York. Depois, o filme participou de outros cinco festivais e eventos de cinema. Nessa trajetória, o filme conquistou um prêmio e foi indicado a outros quatro. O único prêmio que ele recebeu até agora foi o de Atriz do Ano para Kate Winslet no Hollywood Film Award.

Esta produção foi rodada em diversos lugares de Nova York, incluindo o Ruby’s Bar & Grill, em Coney Island; o Deno’s Wonder Wheel Amusement Park, também em Coney Island; o Richmond Hill Flea Market, em Richmond Hill; o Snug Harbor Cultural Center, em Staten Island; a South Beach e a Chinese Scholars Garden, em Staten Island; o Freak Bar, em Coney Island; o Rye Playland, em Rye; e o St. George Theatre, em Staten Island.

De acordo com o Box Office Mojo, Wonder Wheel fez US$ 1,3 milhão nos Estados Unidos e pouco mais de US$ 5,9 milhões nos outros países em que o filme já estreou. Ou seja, no total, cerca de US$ 7,3 milhões. Bilheteria bastante baixa e que sinaliza, provavelmente, prejuízo para os produtores – não temos certeza disso porque não encontrei o valor de custo do filme, mas provavelmente ele está no vermelho.

Wonder Wheel é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso o filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,3 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 104 textos negativos e 45 positivos para Wonder Wheel, o que garante para a produção um nível de aprovação de apenas 30% e uma nota média 5.

CONCLUSÃO: Quem assistiu a um par de filmes do diretor e roteirista Woody Allen já conhece a sua assinatura como realizador. A mesma assinatura vemos aqui, em Wonder Wheel, mas sem a mesma qualidade que vimos anteriormente. Não assisti a todos os filmes do diretor para dizer se este faz parte da lista dos mais fracos, mas algo tenho certeza: Wonder Wheel não é um de seus melhores filmes. Ainda que a produção toque em questões importantes, como a decadência humana e o descolamento entre os sonhos e o ideal de uma pessoa e o que ela verdadeiramente consegue realizar, esse filme realmente não decola em momento algum.

Os protagonistas tem alguns bons momentos, mas o filme em si parece “mais do mesmo”. Nem a direção feita com esmero e a busca pelo tom teatral e por uma certa homenagem à Fellini aqui e ali tornam este filme relevante. Assista apenas se você não perde a um filme de Woody Allen. Se você não tem tanta fidelidade ao diretor assim, procure uma opção melhor nos cinemas e/ou em casa. Porque há opções bem melhores por aí – inclusive do próprio Woody Allen.

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The Dressmaker – A Vingança Está na Moda

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Estilo é o que não falta para este The Dressmaker. Antes mesmo do primeiro traje vestido por Kate Winslet aparecer em cena – e são muitos figurinos em jogo aqui -, a trilha sonora, a direção de fotografia e as escolhas da diretora Jocelyn Moorhouse já mostram que este filme tem um DNA importante. Do início ao fim Moorhouse faz boas e planejadas escolhas. Todo elemento e palavra tem uma finalidade. Nada é jogado ao vento. Um filme bem diferente sobre a busca da verdade e por vingança. Divertido, apesar de que, claro, ele não chega a reinventar nenhum gênero.

A HISTÓRIA: Trilha sonora ao estilo western. Um ônibus cruza uma estrada rodeada de campos. Uma menina brinca. Uma mulher olha séria para trás. Um menino está caído no chão com sangue na testa. A mesma menina de antes grita em um carro. Várias cenas antigas se repetem mostrando aquelas crianças, mas sem uma sequência bem definida. O ônibus chega à noite em uma pequena cidade e desce dele uma mulher muito bem vestida. Ela deixa uma máquina Singer no chão, pega um cigarro, olha ao redor e fala: “Voltei, desgraçados”. Esta é a história de redescoberta de Myrtle Dunnage, ou apenas Tilly (Kate Winslet), como ela gosta de ser chamada.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Dressmaker): Tenho um fraco por filmes que tem um estilo bem definido. Acho que isso faz falta no cinema. Aprecio, pois, quando a identidade de uma produção é clara, tem um propósito e um estilo artístico que diferencia ela de todas as demais. E isso é algo muito evidente em The Dressmaker.

Claro que apenas o estilo artístico e a identidade planejada pelo realizador(a) não basta. O roteiro tem que ser competente, assim como o trabalho dos atores tem que convencer. Pois bem, acho que tudo isso está presente em The Dressmaker. Depois vamos falar sobre a mensagem e a essência da história, mas antes vou falar sobre o que me impressionou mais nesta produção.

A sequência inicial deste filme é mais do que um belo cartão de visitas. Ela revela muito do estilo da diretora Jocelyn Moorhouse e do tipo de produção que teremos pela frente. Trilha sonora marcante, direção de fotografia perfeita e uma edição ágil e bem precisa. Cada ângulo da sequência inicial, cada cena apresentada, tem um propósito. Não há sobras na narrativa, seja no que vemos ou no que ouvimos. Isso é algo raro no cinema comercial atualmente, tão cheio, muitas vezes, de efeitos especiais e de pouca valorização do conjunto de qualidades que faz o cinema ser a Sétima Arte.

Achei, pois, a sequência inicial de The Dressmaker perfeita. Em pouco tempo vamos descobrir que esta produção com roteiro de Moorhouse e P.J. Hogan, baseada no livro de Rosalie Ham, é uma espécie de “comédia de costumes”, ou seja, uma leitura ácida e um tanto irônica/macabra de uma comunidade do interior da Austrália – mas que, certamente, poderia ser ambientada no interior de diversos países. Sendo assim, não teremos um ritmo frenético, muita ação ou suspense. Claro que há ação e um toque de suspense, mas estes não são os elementos principais da trama.

O que mais interessa em The Dressmaker é o raio-x daquela comunidade de Dungatar no início dos anos 1950 – o filme se passa na pequena cidade australiana em 1951. Neste filme, a exemplo de outros que se debruçam no estilo de vida de um pequeno grupo social, o que importa são as relações humanas e o perfil dos personagens. Neste sentido, o roteiro de Moorhouse e Hogan gasta o tempo exato para aproximar-se de cada personagem – especialmente do núcleo central da trama.

É fundamental para a trama e para o envolvimento do espectador com a protagonista conhecer pouco a pouco as suas motivações, dúvidas e sentimentos. O roteiro acerta ao ir desbravando o mistério do “crime” que teria sido praticado por Tilly pouco a pouco. Afinal, o suspense sempre ajuda a manter a atenção na trama e na história que está sendo contada. Enquanto acompanhamos a protagonista em sua “busca pela verdade” – algo que, naturalmente, sempre vai ter potência no cinema -, também conhecemos melhor aquela pequena comunidade australiana, seus costumes e valores (ou a falta deles).

Além da trilha sonora, da direção da fotografia, do roteiro e do trabalho competente dos atores, outro elemento tem um papel-chave nesta produção: os figurinos. Nem teria como ser diferente já que a protagonista ganha a vida como estilista. As roupas que Tilly produz mudam a rotina da comunidade e, com isso, ela consegue avançar em seu propósito de dar uma qualidade de vida melhor para a mãe, Molly (a ótima Judy Davis), e descobrir o que realmente aconteceu em seu próprio passado.

Comentado os pontos de destaque do filme e o que mais me chamou a atenção nele, falemos sobre a essência da história e o que ela nos diz. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). Para começar, aparentemente, a protagonista tem três motivações centrais: conhecer a verdade sobre o próprio passado, reencontrar e resgatar os laços com a mãe e, se ela tiver confirmada a teoria de que foi injustiçada por aquela comunidade, vingar-se deles. Mas, como na vida real, nem sempre as intenções iniciais são plasmadas. A razão principal para isso é que a vida é dinâmica e sempre acontecem surpresas além dos nossos planos iniciais – por isso muitos planos são vãos.

No caso de Tilly, não apenas ela demora bastante tempo para roçar a verdade sobre o que aconteceu com ela quando era criança, como ela descobre que tem um pai bem diferente do que imaginava, perde alguém fundamental e é surpreendida pelas investidas de Teddy McSwiney (Liam Hemsworth). Isso não a impede de realizar o que tinha planejado desde o princípio, mas sem dúvida alguma restringe as suas escolhas e possibilidades.

Alguns podem não gostar, exatamente, da parte final do filme. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Mas The Dressmaker não se preocupa com finais felizes. Quem assiste Game of Thrones ou The Walking Dead sabe que está na moda histórias um bocado realistas e com mortes importantes – inclusive de personagens centrais. Isso acontece com The Dressmaker. Tilly acredita que é amaldiçoada – uma bobagem, evidentemente. Mas, de fato ela não tem muita sorte nesta produção. Bem, esta é uma forma de encarar o que acontece com ela. Eu já vejo de outra forma.

Quando retorna para Dungatar 25 anos depois da morte de Stewart Pettyman (Rory Potter), Tilly tem a sorte de resgatar a dignidade da própria mãe, uma mulher abandonada e que provavelmente só não tinha morrido devido à ajuda de um pequeno grupo de pessoas. Sozinha em uma casa cheia de lixo e de dejetos, Molly volta a ter uma casa decente e, pouco a pouco, a conviver em sociedade, não apenas lembrando de fatos esquecidos, mas ajudando a filha a entender a própria história. Apenas por fazer isso Tilly já deveria se sentir muito feliz e honrada. No fim das contas ela conseguiu fazer isso pela mãe dela e ainda conviver com Molly por algum tempo.

Além disso, ao voltar para aquela pequena cidade que a expulsou quando ainda era criança, Tilly retorna o contato com Teddy, um partido incrível que, inacreditavelmente, seguia solteiro. 😉 Mesmo que ele não tem um final feliz, Tilly consegue fazê-lo feliz por um pouco de tempo – e ela também sente o gostinho bom do amor. Como diria o mestre Vinicius de Moraes em seu Soneto de Fidelidade, “eu possa me dizer do amor (que tive):/ que não seja imortal, posto que é chama/ mas que seja infinito enquanto dure”.

Agora, se Tilly fez diferença na vida daquelas duas pessoas positivamente, ela também infligiu naquela pequena comunidade de invejosos, caluniosos, mesquinhos, hipócritas e traidores uma vingança dura. Desta forma ela foi a algoz de pessoas boas e ruins – talvez uma “moral da história” seja que planos de vingança tem este efeito devastador, atingindo quem “merece” e quem é inocente.

Afinal, se Gertrude “Trudy” Pratt (Sarah Snook), Elsbeth (Caroline Goodall, que interpreta a mãe de William), Beulah Harridiene (Kerry Fox, professora de Tilly quando ela era criança), Muriel Pratt (Rebecca Gibney), Percival Almanac (Barry Otto), Evan Pettyman (Shane Bourne) e outros da comunidade até mereciam sofrer um pouco na pele pelos seus próprios pecados, o mesmo dificilmente podemos dizer dos personagens de Marigold Pettyman (Alison Whyte), Irma Almanac (Julia Blake, aparentemente a única amiga de Molly na cidade) ou do sargento Farrat (Hugo Weaving). Dois deles sofrem finais que não são bacanas antes do “grand finale”. Mas é assim que as coisas são, nem sempre os bons tem o final que eles merecem.

Enfim, acho que este filme tem muito mais acertos do que erros. A crônica de uma comunidade corrompida acho que pode fazer as pessoas refletirem, além da diversão propriamente dita que um filme com estilo proporciona. Mas para não dizer que tudo são flores, acho que o roteiro exagerou a tinta em alguns personagens, tornando eles um pouco caricatos demais – o maior exemplo, para mim, é do sargento Farrat. Dá para entender a escolha, já que personagens caricatos são mais fáceis de fazer rir. Mas acho que o filme poderia ser ainda melhor se tivesse personagens que fugissem deste caminho e que fossem um pouco mais “complexos”. Ainda assim, nada que desmereça o conjunto da obra de The Dressmaker.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Gostei muito da direção de Jocelyn Moorhouse. Para mim, em um filme, o trabalho de direção pode ser comparado com o de um maestro de uma orquestra. O diretor ou diretora não deve ter apenas a visão sobre como a história deve ser contada, que dinâmica ela deve ter e seu visual mas, e principalmente, trabalhar com o talento de diferentes profissionais para fazer com que todos os elementos deem certo e conversem, sem que um seja dissonante em relação a outro. Este seria um trabalho perfeito de direção. Para mim, é isso o que Moorhouse consegue em The Dressmaker.

Além de ter muito bem definida a identidade deste filme, ele cuidou de valorizar as paisagens, os cenários internos e externos e, principalmente, o belo trabalho dos atores. Ninguém está mal no filme, aliás. Ainda que o destaque evidente fique com a sempre divina e talentosa Kate Winslet; com Liam Hemsworth que, para mim, está em sua melhor fase neste filme; e para a divina Judy Davis. Esse trio vale o filme. Mas os coadjuvantes citados na crítica também estão muito bem e dão o “molho” necessário para o roteiro funcionar.

Além dos atores já citados, vale comentar o trabalho de Shane Jacobson como Alvin Pratt, o dono do armazém e pai de Trudy; Gyton Grantley como Barney McSwiney, o irmão com deficiência mental de Teddy e que acaba tendo um papel vital na reta final da produção; e Sacha Horler como Una Pleasance, a estilista que o canalha do Evan Pettyman traz para a cidade para tentar acabar mais uma vez com Tilly. Também vale citar o trabalho de Darcey Wilson como Tilly quando era criança; o de Olivia Sprague como Gertrude na infância; o de Alex de Vos como Barney criança e o de Lucy Moir como a jovem Molly.

Como falamos do elenco da parte “antiga” do filme, vale citar o excelente trabalho do diretor de fotografia Donald McAlpine. Ele torna interessante tanto o tempo “atual” da narrativa, ou seja, o início dos anos 1950, quanto a parte “antiga” do filme, no meados da década de 1920. Cada um destes momentos tem uma característica bem diferente, o que ajuda o espectador a se ambientar na história. Um belo trabalho. Excelente também a trilha sonora original de David Hirschfelder, que mistura o estilo de western com o de comédias antigas e até uma Billie Holiday colocada no lugar certo. Muito bom!

Da parte técnica do filme também merecem aplausos a edição precisa e bem costurada de Jill Bilcock; os maravilhosos figurinos de Marion Boyce e Margot Wilson (ela ficou responsável exclusivamente pelo vestuário de Kate Winslet); o design de produção fundamental de Roger Ford; a direção de arte estilosa de Lucinda Thomson; a decoração de set precisa e complementar de Lisa Thompson; o trabalho excepcional da direção de arte com 10 profissionais envolvidos; e a maquiagem com seis profissionais.

Agora, um pequeno comentário sobre um ponto que talvez muitas pessoas se questionem neste filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme ainda). Afinal, Tilly era mesmo amaldiçoada? Eu não acredito. Mas o que acontece com Teddy é aquilo que pode acontecer com qualquer pessoa que ignora o risco, que se joga em um local sem saber exatamente onde está pisando ou se atirando. Se você ignora o risco, se ignora que realmente pode morrer, você aumenta consideravelmente a chance disso acontecer. Ele foi displicente com o risco e se deu mal, como alguém que mergulha em uma cachoeira sem saber se há pedra sob a água. No caso de Teddy, ele deu azar que ao invés de milho, o silo estava cheio de sorgo. Um cereal menor e mais fácil de ceder com o peso de alguém – ainda mais se essa pessoa estava se jogando de uma altura em que a força da gravidade ajudaria no processo de fundar. Foi isso, nada além.

The Dressmaker estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto em setembro de 2015. Depois o filme participou, ainda, de outros quatro festivais. Nesta trajetória ele faturou 12 prêmios e foi indicado a outros 24. Todos eles foram dados por associações e festivais dentro da Austrália. Para mim, os prêmios de destaque foram conferidos pela Associação de Críticos de Cinema Australianos, que conferiu os prêmios de melhor roteiro, melhor atriz para Kate Winslet, melhor ator coadjuvante para Hugo Weaving e melhor atriz coadjuvante para Judy Davis.

Agora, aquelas tradicionais curiosidades sobre os filmes. Na cena em que o ator Liam Hemsworth tira a roupa para ter as medidas tiradas, as atrizes Kate Winslet e Judy Davis tiveram dificuldades de segurar o riso. Eu entendo. 😉

Kate Winslet aprendeu a costurar por sua própria conta para poder interpretar a protagonista deste filme. Depois, ela acabou ajudando a estilista Margot Wilson a criar as roupas que a sua personagem usou na produção.

A máquina utilizada por Tilly é uma Singer 201K2, até hoje considerada uma das melhores máquinas de costura já inventada. Ela era muito resistente e cara, quando foi lançada, podendo valer o equivalente a seis meses de salário de uma trabalhadora.

A cidade fictícia de Dungatar foi construída completamente do zero e não se parece com nenhuma cidade da região de Victoria, mas ela mescla a ideia do designer de produção Roger Ford para uma cidade do estilo western com características australianas.

As gravações foram adiadas por um ano para esperar o fim da gravidez de Kate Winslet. Quando as filmagens foram feitas, várias vezes elas tiveram que ser interrompidas por causa da aparição de emas selvagens. 😉

A diretora Jocelyn Moorhouse descreveu The Dressmaker como Unforgiven (grande filme, aliás) com uma máquina de costura.

Este é o primeiro filme de Jocelyn Moorhouse desde A Thousand Acres, de 1997. De acordo com o site IMDb, a diretora tem dois filhos com autismo e grande parte do tempo que ela passou fora do cinema foi para cuidar deles. Dei uma olhada na filmografia dela e vi que a diretora tem apenas cinco longas no currículo. Além de The Dressmaker e A Thousand Acres, ela filmou How to Make an American Quilt (1995), Proof (1991) e Pavane (1983).

Este é um filme 100% da Austrália. Ainda segundo o IMDb, The Dressmaker foi a segunda maior bilheteria australiana de 2015 e a 11ª maior da história do cinema australiano.

Para quem gosta de saber o local em que os filmes foram rodados, The Dressmaker foi totalmente rodado na Austrália, em locais como Horsham, em Victoria; Sun Theatre, em Yarraville, Victoria; nos Dockland Studios, em Melbourne, Victoria; e Mount Rothwell, em Little River, também Victoria.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,1 para o filme, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 33 críticas positivas e 19 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 65% e uma nota média 5,9. Achei que a avaliação da crítica poderia ter sido um pouco maior.

CONCLUSÃO: Um filme com princípios e mensagens muito claras. Com DNA. The Dressmaker é bem construído no visual, na narrativa e na escolha de um equilíbrio quase perfeito entre drama, sarcasmo, romance e uma pequena pitada de suspense (na parte de “investigação pessoal”). A história, em si, é bastante simples, mas ela fica “floreada” e interessante pelos detalhes da produção e pelo belo trabalho dos atores. Não é um filme inesquecível, mas certamente ele está acima da média. Vale conferir.

SUGESTÕES DOS LEITORES: Opa, fazia tempo que eu não tinha o prazer de usar esta seção aqui no blog. Ainda que eu sempre prefira que vocês, meus caros leitores e leitoras, utilizem o espaço dos comentários aqui do blog para sugerir e comentar filmes, desde que eu criei a página do Crítica (non)Sense da 7Arte no Facebook, recebi alguns comentários e sugestões em recados que recebi por ali. Um deles foi o da Katia Oliveira (que, misteriosamente, não consigo mais ver o sobrenome) e que, no dia 4 de abril, me mandou uma mensagem sugerindo que eu visse a The Dressmaker. Muito bem, Katia, aqui está a crítica sobre o filme. Espero que ela te ajude a tirar algumas dúvidas sobre o filme ou a complementar a tua visão sobre ele. Abraços!

Steve Jobs

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Um personagem de relevância histórica é sempre difícil de retratar em apenas um filme. Basta lembrar de grandes lideranças políticas ou de grandes artistas e os filmes que tentaram contar a suas histórias ou parte delas para ter isto claro. Mas algumas produções conseguem se dar melhor que outras nesta tarefa. Steve Jobs é um destes filmes que fica no meio do caminho. Ele tem qualidades, mas deixa bastante a desejar – especialmente se você conhece um pouco sobre a história do personagem retratado. Francamente, depois de assisti-lo, fico surpresa com as indicações que recebeu para o Oscar. Para mim, não passa de um filme razoável.

A HISTÓRIA: Começa com aquele vídeo histórico com a entrevista que um jornalista da rede ABC fez com o escritor Arthur C. Clarke, de 2001: A Space Odyssey. O jornalista apresenta para o escritor o seu filho Jonathan, comentando que ele será um adulto – a entrevista acontece em 1974 – no ano que o autor projetou em seu livro, e pergunta como será o mundo em 2001. Clarke prevê que todos terão um computador e que as pessoas terão mais liberdade e autonomia por causa disso. Corta.

Passamos para 1984, em Cupertino, na Califórnia, quando Steve Jobs (Michael Fassbender) se prepara para lançar o Macintosh para uma grande e sedenta plateia. Nos bastidores ele discute com Andy Hertzfeld (Michael Stuhlbarg) porque o computador não conseguirá responder “olá” durante a apresentação. A partir deste momento conhecemos mais sobre a personalidade e a vida do homem que transformara a Apple e o consumo de tecnologia no muno.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Steve Jobs): Honestamente, se não fosse pelo Oscar, eu não teria assistido a Steve Jobs. Digo isso porque, como comentei lá no início, sempre acho complicado um filme de duas horas ou pouco mais apresentar um recorte interessante de um personagem histórico interessante e controverso, como é o caso do ícone da informática em questão.

Enfrentei a missão por causa do meu desafio pessoal de assistir ao máximo de filmes que estão concorrendo ao Oscar. Além disso, admito, tinha curiosidade de ver o desempenho de Michael Fassbender e Kate Winslet nesta produção. Afinal, os dois estão sendo volta e meio lembrados em premiações como duas das melhores interpretações de 2015. Não sou uma fanática por Steve Jobs, daquelas que sabe tudo sobre a vida dele. Mas já li um bocado, vi alguns de seus vídeos disponíveis no YouTube – de apresentações de produtos, como o lançamento do iPod e do iPhone, até entrevistas com ele – e, por isso, sei que ele não era um gênio sem problemas.

Muito pelo contrário. Steve Jobs era um visionário com pés, canelas e pernas de barro. Talvez por isso ele chame tanto a atenção. Faz parte da atratividade dele, evidentemente, também ele ter ajudado a mudar uma indústria e a empresa que ele ajudou a fundar e recuperar fazer parte da vida de milhões de pessoas no mundo inteiro. Tivemos vários outros gênios na história da humanidade, muitos deles muito maiores que Steve Jobs – que tal falar de Copérnico, Galileu Galilei, Da Vinci, Darwin e Einstein, só para citar alguns dos óbvios?

Todos viveram em uma época em que não era possível utilizar a mídia global a seu favor e nem promover grandes eventos para o lançamento de suas últimas “descobertas”. Também havia uma capacidade de documentação e registro muito, mas muito menor do que aquela vivida por Steve Jobs. A favor dele, além de uma bela capacidade de persuasão e de convencimento da mídia – falando bem ou mal dele, mas normalmente bem -, havia o fato de tudo poder ser gravado, documentado, transmitido e propagado para milhões como nunca antes na história.

Steve Jobs, o filme, faz um recorte bem pequeno da trajetória de Steve Jobs. O filme vai do lançamento do Macintosh, em 1984, passando pela saída traumática dele da Apple até o retorno do executivo para a companhia para o lançamento do iMac em 1998. Inicialmente, acho estranho contar de forma linear e tão limitada a vida de um personagem como este, tendo a possibilidade de utilizar outros recursos, como flashbacks para contar fatos importantes do passado – esse recurso até é utilizado, mas pouco e de forma muito pontual – e um roteiro e uma edição mais elaborada para contar uma parte maior da vida de Jobs.

Agora, entendo a escolha do roteirista Aaron Sorkin e do diretor Danny Boyle de centrar este filme apenas no período entre 1984 e 1998. Com esta escolha eles tentam resumir este personagem complexo e conturbado em um conceito: um homem brilhante, um tanto cruel, obcecado pelo trabalho e pelos detalhes, frio com a maioria das pessoas mas capaz de mostrar também algum sentimento e, principalmente, obcecado pela Apple e por fazer uma desforra contra todos aqueles que foram contra ele e/ou não entenderam a sua genialidade antes.

O problema é que esta é apenas uma parte da história de Jobs. Verdade que ele era tudo isso, mas ele era também um sujeito muito preocupado com o design e com o “estado de arte” da tecnologia. Ele poderia ser um pouco egocêntrico, mas ele não queria só ser o centro das atenções e retomar o posto que havia perdido na Apple. Ele queria, de fato, comprovar a própria teoria de que as pessoas poderiam ter bons equipamentos, úteis para as suas vidas e que ajudariam a revolucionar o mundo – como previu o Arthur C. Clarke que aparece no vídeo que abre o filme.

Entendo que Sorkin e Boyle escolheram o período citado por mostrar que este gênio da informática teve dois “fracassos” importantes antes de conseguir o primeiro sucesso. Isto é algo fundamental para as pessoas que atuam na área e para a cultura dos Estados Unidos.

Lá, diferente do Brasil, se aceita e até se estimula que um empreender tente e erre antes de simplesmente não tentar. Os fracassos fazem parte do processo. Neste sentido, Steve Jobs acerta ao mostrar como o protagonista desta história se deu mal com o lançamento do Macintosh e, depois, com o lançamento do Cubo da NeXT antes de ter sucesso comercial pela primeira vez.

Mas aí, justamente aí, está um dos grandes problemas deste filme. Algo que me incomodou quando saímos do lançamento do Cubo para “viajarmos” direto no tempo para o lançamento do iMac em 1998. Quem leu a obra de Walter Isaacson, no qual o roteiro de Sorkin teria se baseado ou, como eu, ao menos leu alguns trechos deste livro, sabe que há um capítulo importante neste período temporal de Jobs que fez toda a diferença para a vida dele e para esta história.

Esse capítulo tem a ver com a compra da Pixar por Jobs em 1986. Tudo o que ele fez no estúdio simplesmente é ignorado pelo filme de Sorkin/Boyle. Achei lamentável. Até porque não era difícil falar a respeito – mesmo que a intenção dos realizadores era mostrar sempre os bastidores e momentos de “tensão” que antecederam a algumas de suas famosas apresentações de novos produtos. Além disso, me pareceu exagerada a força que o roteiro fez para mostrar a relação (ou falta dela, em muitos momentos) de Jobs com a filha Lisa (Makenzie Moss quando ela tinha cinco anos, Ripley Sobo quando ela tinha nove e a brasileira Perla Haney-Jardine quando ela tinha 19 anos).

Neste filme percebemos muito o lado perfeccionista e cruel de Steve Jobs, seja no trato dele com a equipe com a qual ele trabalhava e que eram subordinados dele, seja na forma com que ele lidava com a ex-namorada Chrisann Brennan (Katherine Waterston) ou com Lisa. Parece que Sorkin fez questão de mostrar bastante da relação de Jobs com Lisa, em especial, para tentar “humanizá-lo”. Como se o robô fosse, pouco a pouco, se tornando humano. Sabemos que Jobs, de fato, foi com o tempo suavizando um pouco o trato, mas a verdade é que ele nunca deixou de ser perfeccionista e um tanto “babaca” com as demais pessoas.

Isso acontece com muitos de nós, diga-se de passagem. Somos mais diretos, afoitos e temos muita pressa para conquistar o que queremos quando somos muito jovens. Com o tempo, a maturidade nos ensina a desacelerar e a relaxar. Inevitável que isso tivesse acontecido com Jobs. Mas esta reflexão não aparece tanto no filme quanto desejado. Também achei estranho tantas discussões ao estilo “lavar a roupa suja” do protagonista com John Sculley (Jeff Daniels) e Steve Wozniak (Seth Rogen) enquanto o roteiro ignora a Pixar e os outros relacionamentos que Jobs teve na vida – apenas em um breve momento o roteiro cita Joan Baez, mas é só.

Toda obra, e os filmes estão incluídos nesta categoria, defende uma ideia. Isso acontece em Steve Jobs também. Mas a ideia que o filme defende é deficitária. Este é o problema. Esta produção é muito menor do que poderia ser. Verdade que ela tem o mérito, ao menos, de não endeusar Jobs. Menos mal. Ele tinha diversos pecados e falhas, como tantos outros gênios antes e depois dele – mas sem tanta documentação a respeito, volto a ressaltar.

O filme mostra parte delas, mas ignora muitas de suas qualidades – apenas algumas são enfocadas na história. Na maior parte do tempo ele parece apenas um grande babaca obcecado pelo trabalho e por apresentações de produtos perfeitas e que não sabia lidar com as pessoas, nem amar a filha, nem reconhecer os colegas que tinham feito os produtos que ele apresentava com tanta soberba. E ainda que ele fosse um pouco disso, certamente ele era mais do que este retrato imperfeito.

Também senti falta de algo importante no filme: um pouco mais sobre a história por trás dos três aparatos destacados nas apresentações de Jobs. Afinal, como surgiram as “viradas de chave” do Macintosh, do Cube da NeXT e do iMac? Em que pontos Jobs foi decisivo e em que pontos outras pessoas foram determinantes? Claro, alguém pode argumentar, que Sorkin não poderia ter se aprofundado na personalidade de Jobs ao mesmo tempo em que detalhava cada uma destas inovações. Mas acho que ele não precisava nem ir tanto ao céu e nem ir tanto a Terra.

Sorkin poderia perfeitamente ter encurtado as várias discussões entre o protagonista e Wozniak ou de Jobs com Sculley e ter colocado um pouco mais de dinâmica e edição em contar um pouco dos bastidores dos laboratórios e não apenas da “coxia” das apresentações dos produtos. Na verdade, achei o filme bem devagar, em muitos momentos, com um ritmo lento demais e sem a necessária profundidade narrativa ou do personagem central.

Alguns momentos da história também me pareceram forçados para arrancar algum “sentimento” do espectador – especialmente na reta final envolvendo a personagem de Joanna Hoffman (Kate Winslet) e a de Lisa em relação a Jobs. Vi uma forçada de barra desnecessária ali. E quanto às interpretações… Fassbender e Winslet estão bem. O filme é centrado bastante nos dois. Mas não vi em nenhum deles uma interpreta digna do Oscar. E mesmo eles terem sido indicados achei um pouco de bondade da Academia. Se eu votasse, não teria colocado eles lá.

NOTA: 7 6,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Gosto muito do diretor Danny Boyle. Ele está na lista dos diretores que eu gosto sempre de acompanhar. Por isso mesmo achei este Steve Jobs um ponto fora da curva da filmografia dele. Para mim, um de seus filmes mais fracos e, sem dúvida alguma, menos ousados. Claro que ele faz um bom trabalho, como não poderia deixar de ser. Boyle acompanha de perto os atores principais, especialmente Fassbender e Winslet. Acerta ao mostrar os comentários da imprensa após cada lançamento fracassado, dando um certo “contexto histórico” – ainda que limitado – para a história. Mas, cá entre nós, nada inovador.

O roteirista Aaron Sorkin realmente é um dos “queridinhos de Hollywood”. Só isso poderia explicar ele ganhando o Globo de Ouro de Melhor Roteiro por este filme. Para mim o roteiro de Steve Jobs é um dos pontos fracos da produção. E deveria ser exigido que constasse, em alguma parte, que o roteiro é “levemente” baseado no livro de Walter Isaacson.

Porque o livro homônimo dele sim trata Jobs de maneira muito mais ampla e justa, contando a história completa deste personagem, todas as suas nuances, crises, carreira e vida pessoal. Muito diferente do filme. Além disso, me parece um crime Steve Jobs ganhar o Globo de Ouro concorrendo com Room (comentado aqui), Spotlight (com crítica neste link) e mesmo The Big Short (crítica por aqui). Qualquer um destes três tem um roteiro muito, mas muito melhor que Steve Jobs.

Eu até simpatizo com o ator Seth Rogen mas, francamente, acho que um ator mais “de peso” e, talvez, mais velho, deveria ter encarnado Steve Wozniak. Faria mais sentido.

Como comentei antes, o filme é bastante centrado na interpretação de Michael Fassbender e de Kate Winslet. Até porque boa parte da história é feita sobre a interação dos dois. Ambos estão bem, mas nada extraordinário. Cite já alguns coadjuvantes de renome, como Jeff Daniels, Seth Rogen e Michael Stuhlbarg. Os três estão bem, mas algo esperado de atores deste nível – novamente, nada demais. Do elenco de apoio, gostei em especial da interpretação de Katherine Waterston como Chrisann Brennan e da carioca Perla Haney-Jardine como a filha de Jobs quando ela tinha 19 anos. Não lembro de ter visto Haney-Jardine em cena antes. Acho que ela tem carisma e promete. Pode estourar em breve – se tiver boas oportunidades para isso. É alguém interessante para ser acompanhada.

Além desse povo, aparece um pouco mais em cena, entre os coadjuvantes, John Ortiz como o jornalista Joel Pforzheimer.

Da parte técnica do filme, achei interessante o visual conferido em cada momento da história. Mérito do diretor Danny Boyle e, principalmente, das escolhas do diretor de fotografia Alwin H. Küchler. Boa também a edição de Elliot Graham. A trilha sonora de Daniel Pemberton aparece pouco, até porque o filme tem na verborragia dos diálogos de Jobs um de seus elementos centrais, dando pouco espaço para uma trilha sonora. Os demais elementos, como direção de arte, design de produção, decoração de set e figurinos são bem feitos, mas nada a destacar.

Steve Jobs estreou em setembro no Festival de Cinema de Telluride. Depois, o filme participaria ainda de outros seis festivais e mostras de cinema pelo mundo. Nesta trajetória o filme acumulou 12 prêmios e foi indicado a outros 83, incluindo duas indicações ao Oscar. Entre os prêmios que recebeu, destaque para os de Melhor Roteiro e de Melhor Atriz Coadjuvante no Globo de Ouro; e para nove prêmios de Melhor Ator para Michael Fassbender.

Este filme teria custado US$ 30 milhões e faturado, nos Estados Unidos, até o dia 10 de dezembro, quase US$ 17,8 milhões. Nos outros mercados em que ele estreou ele faturou quase US$ 11,2 milhões. Ou seja, no total, ele ainda não conseguiu cobrir nem os gastos com as filmagens – e há ainda outros custos para cobrir. Em resumo, talvez ele não consiga se pagar. Cá entre nós, não me surpreende. O filme realmente não é digno de uma boa propaganda boca a boca. Ele está muito aquém do personagem que tenta retratar.

Steve Jobs foi totalmente rodado nos Estados Unidos, em locais como Berkeley, Cupertino, San Francisco (no War Memorial Opera House e no Davies Symphony Hall) e em Palo Alto.

Agora, algumas curiosidades sobre o filme. Para marcar bem a passagem de tempo, Steve Jobs foi filmado com equipamentos diferentes para cada momento da história. Na primeira parte, em 1984, o filme foi rodado em 16 mm; a segunda parte, em 1988, em 35 mm, e a última, em 1998, em digital.

Michael Fassbender chegou a dizer que o ator Christian Bale deveria ter feito o papel de Jobs. E esta produção, inicialmente, ia ser rodada por David Fincher. Mas a Sony resolveu não aceitar as exigências dele – como pagamento de US$ 10 milhões e controle criativo total sobre a produção – e, por isso, o filme ficou com Danny Boyle. Quando o diretor assumiu o projeto, Jobs foi oferecido para Leonardo DiCaprio, que não topou, e depois para Bale, que também recusou.

O cofundador da Apple Steve Wozniak teria trabalhado como consultor do filme. Por isso, talvez, o personagem dele aparece duas vezes basicamente discursando o mesmo. 😉

Algo curioso: DiCaprio não aceitou fazer Steve Jobs para poder, no lugar, embarcar em The Revenant. E é bem possível que ele ganhe o Oscar por causa desta decisão. Cá entre nós, comparando os filmes e roteiros, sem dúvida alguma ele acertou na aposta.

Inicialmente Aaron Sorkin queria Tom Cruise para interpretar Jobs. Sério?

Agora, mais razões para não gostar do roteiro de Sorkin. O que motivou, inclusive, que eu abaixasse um pouco mais a nota. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Algumas cenas “cruciais” da produção nunca aconteceram na vida real. Por exemplo, aquela em que Lisa faz um desenho no Macintosh. Outra que nunca aconteceu foi a “reconciliação” entre John Sculley e Jobs e a maioria dos argumentos utilizados por Steve Wozniak com Jobs, além da sequência final entre Jobs e a filha (esta, na verdade, ao menos para mim, já estava na cara que tinha sido forçada).

Busquei no livro de Isaacson essa parte sobre a paternidade de Lisa Brennan. O livro é claro sobre como tudo aconteceu e explica que Jobs simplesmente decidiu ignorar que ele era pai da menina. É como se ele pudesse “escolher” entre ser pai ou não e ter optado pela segunda opção – mesmo sendo óbvio que Lisa era a sua filha. No livro, comenta-se, que ele fez isso porque tinha outros planos para a sua vida – como fazer a carreira que ele fez. Ou seja, um belo de um babaca e covarde.

O computador que ele lançou com o nome de Lisa era, de fato, uma homenagem para a filha que ele negava até então. Outra verdade é que inventaram um acrônimo que não significava nada para tentar “esconder” a homenagem para a menina. Em outro momento do livro Isaacson comenta que quando Lisa ficou maior, ela e o pai viviam uma relação de altos e baixos. Os dois eram temperamentais e tinham dificuldade de pedir desculpas. Chegaram a ficar mais de um ano sem se falarem.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para esta produção. Uma boa avaliação, levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 198 críticas positivas e 34 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 85% e uma nota média de 7,6. Este é um dos raros casos em que eu não consigo ter uma visão tão positiva quanto o resto do público e da crítica – vocês sabem que eu costumo ser bondosa. 😉

Este filme é uma coprodução dos Estados Unidos com o Reino Unido.

CONCLUSÃO: Há alguns anos eu ganhei o livro Steve Jobs, de Walter Isaacson, de presente. Até hoje não li a obra inteira, apenas trechos aqui e ali. Mas por atuar como jornalista e cobrar as áreas de economia e tecnologia, impossível não ter lido, nestes anos todos, tantas histórias e partes sobre a vida e a obra de Jobs. Por isso mesmo achei este filme bastante menor do que ele poderia ser. Verdade que a história acerta ao mostrar dois grandes fracassos do ícone da tecnologia antes dele começar a acertar e iniciar o processo que tornaria a Apple a empresa mais valiosa do mundo.

Mas fora isso, muito da personalidade e da história do retratado fica de fora – e detalhe, com “esquecimentos” importantes no período retratado. As interpretações dos atores principais são boas e coerentes, mas nada demais. Em resumo, um filme apenas mediano. Se tiveres outra opção para assistir e que tem a tendência de ser melhor, recomendo passar para uma segunda opção.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Steve Jobs acabou sendo indicado em apenas duas categorias do prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Ele disputa como Melhor Ator para Michael Fassbender e como Melhor Atriz Coadjuvante para Kate Winslet. Francamente? Se for feita a justiça, ele não levará em nenhuma destas duas categorias.

Sem dúvida alguma Leonardo DiCaprio e Eddie Redmayne estão melhores e The Revenant e The Danish Girl (comentado aqui), respectivamente. E o mesmo pode ser dito de Matt Damon por seu trabalho em The Martian (com crítica neste link). Então, só em Melhor Ator, temos três nomes mais fortes que Fassbender na disputa. Se ele ganhasse, para mim, seria a maior zebra da noite.

O mesmo posso dizer da categoria Melhor Atriz Coadjuvante. Alicia Vikander, para mim, é o nome do ano. Ela merece levar o Oscar. Mas se ela não levar, prefiro Rooney Mara em Carol (com crítica neste link) do que Winslet em Steve Jobs. Nada contra os atores, quero deixar claro, mas para mim há uma diferença grande de performance entre eles. Sendo assim, não será nenhuma surpresa se Steve Jobs não ganhar nada no Oscar deste ano.

E o Globo de Ouro foi para… (cobertura online e todos os premiados)

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Saudações queridos leitores e leitoras deste blog.

Como vocês bem sabem, tenho como tradição acompanhar todos os anos a entrega do Oscar, prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Desde que eu estreei o blog, em agosto de 2007, apenas em 2010 eu fiz uma experiência de cobertura do Globo de Ouro – pelo blog e, especialmente, pelo Twitter (veja como foi por aqui).

Mas desta vez resolvi acompanhar também a premiação menos badalada mas, todos dizem, mais divertida do Golden Globes (Globo de Ouro), entregue todos os anos pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. Diferente do Oscar, concentrado apenas na indústria do cinema, o Globo de Ouro tem algumas categorias do cinema e outras da TV norte-americana.

A transmissão do tapete vermelho está sendo feita pelo canal E! Entertainment e também pelo site do Globo de Ouro. Confira aqui o que está acontecendo antes da premiação começar.

O Globo de Ouro sempre antecede a entrega do Oscar em mais de um mês. Para quem acompanha a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, ele é mais um termômetro para o maior reconhecimento do cinema dos Estados Unidos. Algumas vezes há coincidência entre os premiados, mas isso não acontece sempre.

No ano passado, por exemplo, enquanto o Globo de Ouro premiou Boyhood como Melhor Filme – Drama, o Oscar consagrou Birdman. Entre os atores, houve coincidência entre as duas premiações: tanto no Globo de Ouro quanto no Oscar ganharam a disputa principal Eddie Redmayne e Julianne Moore. O mesmo aconteceu nas categorias de coadjuvante, com J.K. Simmons e Patricia Arquette levando as estatuetas das duas premiações. Na categoria Melhor Diretor, novamente, não houve coincidência entre Oscar e Globo de Ouro: enquanto no primeiro o vencedor foi Alejandro González Iñarritu, no segundo o premiado foi Richard Linklater.

Isso comprova que o Oscar não repete o Globo de Ouro sempre, mas que há muitas coincidências entre as duas premiações. Por isso mesmo é interessante acompanhar o Globo de Ouro – eu mesma tenho utilizado a lista de indicados da premiação para me guiar na escolha dos filmes para assistir pensando no Oscar.

Tenho achado o tapete vermelho do site oficial do Golden Globes o mais interessante até agora. Afinal, ali o áudio está aberto, no melhor estilo “bastidores reais”. Tem uma figura que deve estar fotografando que sempre pede com a sua voz fina e um pouco esganiçada para os astros e estrelas virarem para a direita. Divertido!

Entre os astros e estrelas que apareceram no tapete vermelho até agora, gostei de Brie Larson com um vestido longo dourado. Ela está ótima em Room e, francamente, estou torcendo por ela hoje à noite. Ainda que, claro, Cate Blanchett levar a estatueta não seria uma injustiça. A interpretação de Saoirse Ronan ainda não vi para opinar a respeito. Na entrevista no E! ela disse que estava vestindo um Calvin Klein feito especialmente para ela. Linda.

Como era esperado, a cobertura do canal TNT começou as 22h. Ainda com o tapete vermelho. Will Smith, indicado como Melhor Ator – Drama por Concussion, comentou que é importante ser indicado por um filme que tem uma mensagem. Taraji P. Henson, da série Empire, fala sobre a importância de estar no Globo de Ouro, uma premiação com projeção internacional. Ela usava um vestido Stella McCartney.

Em seguida apareceu em cena a maravilhosa Helen Mirren, que acumula 14 indicações no Globo de Ouro. Neste ano ela concorre como Atriz Coadjuvante por Trumbo – filme que tem ainda o genial Bryan Cranston no elenco. Estou curiosa para vê-lo. Alicia Vikander, indicada em duas categorias do Globo de Ouro, aparece na sequência. Estou curiosa para ver o desempenho dela em The Danish Girl – aonde ela contracena com Eddie Redmayne.

O Globo de Ouro 2016 será apresentado por Ricky Gervais, um grande ator, roteirista e produtor. Responsável pela genial série de TV The Office, estou confiante que ele se sairá bem na apresentação de hoje.

No tapete vermelho, o superastro Harrison Ford. Ele diz que está muito agradecido pelo sucesso do último Star Wars. Ele vai entregar a homenagem do Globo de Ouro para outro ator de grande peso: Denzel Washington. Gostei, em especial, do brinquinho prateado que ele usava em uma das orelhas. Estiloso.

Depois de Jennifer Lopez aparecer em cena em um vestido colado amarelo, temos o prazer de ver Eddie Redmayne. Eleito o homem mais bem vestido da Inglaterra, ele está muito bem vestido nesta noite. Ano passado, como eu comentei, Redmayne ganhou como Melhor Ator no Globo de Ouro e no Oscar e, este ano, está concorrente novamente como Melhor Ator – Drama por The Danish Girl.

A premiação propriamente dita vai começar as 23h. Até lá, overdose de tapete vermelho. 😉

Sylvester Stallone com a esposa e suas três filhas Ele está indicado a Melhor Ator Coadjuvante. Incrível. Em seguida aparece outra veterana: Jane Fonda. Linda, super elegante e interessante, Jennifer Lawrence aparece em cena. Ela está indicada como Melhor Atriz – Musical ou Comédia por Joy. Estou curiosa para assistir a este filme também.

E agora em cena Leonardo DiCaprio, bem cotado para ganhar como Melhor Ator – Drama por The Revenant. Ele está cada vez melhor em seus papéis. Sobre o filme, ele comenta que sabia que enfrentaria dificuldades para fazer o papel, mas que tudo transcorreu bem e que eles estão contentes com o desempenho da produção nas bilheterias. The Revenant estourou nas bilheterias dos Estados Unidos, fazendo cerca de US$ 38 milhões na última semana.

Denzel Washington, que vai ganhar o prêmio Cecil B. DeMille neste Globo de Ouro, comenta que é uma honra receber este reconhecimento e mostra o papel em que anotou nomes que ele não quer esquecer de agradecer. Ele é, sem dúvida, um dos meus atores preferidos de todos os tempos. Merecido ganhar este e qualquer outro prêmio.

Algo interessante do tapete vermelho do Globo de Ouro é que os astros e estrelas aparecem com os seus acompanhantes, na maioria das vezes as suas famílias. Algo bacana de se ver.

A supertalentosa Rooney Mara, fantástica em Carol, aparece em cena. Ela diz que está muito orgulhosa de ter sido indicada junto com Cate Blanchett. Ela diz que não está pensando propriamente na premiação, mas que está orgulhosa pelo filme e por todos que trabalharam nele. Fofa!

Kirsten Dunst, em um vestido um tanto estranho, comenta que para ela é igual fazer TV ou cinema, porque para um ator o importante é estar envolvido em grandes produções. Ela tem razão. Há diversos anos a TV americana, inglesa e de outros países tem apresentado produções tão ou mais interessantes do que os cinemas de seus países. Sem ser entrevistada, mas apareceu em cena rapidamente Cate Blanchett, lindíssima. Torço por ela sempre – ainda que, admita, há outras atrizes ótimas concorrendo com ela este ano.

O Globo de Ouro 2016 entregará prêmios em 25 categorias. O filme mais indicado é Carol, com cinco chances de ganhar esta noite. Em segundo lugar, empatados com quatro chances, estão The Big Short, The Revenant e Steve Jobs. Pontualmente as 23h começou a cerimônia de premiação.

Ricky Gervais começou interpretando a persona de “mal-criado” e mandando todos calarem a boca. Ele disse que faria um monólogo e depois desapareceria. Em seguida, tomou um belo gole de um chope. Entre as piadas, brincou que a rede que estava transmitindo a premiação não tinha sido indicada em nada e por isso era imparcial. Em seguida, brincou que seria legal e nada ofensivo, diferente de anos anteriores.

Algumas piadas dele foram boas, mas muitas, cá entre nós, beeeeem sem graça. Só bebendo como boa parte da plateia para achar engraçado. Exemplo: de que a Igreja Católica odiou Spotlight, enquanto Roman Polanski achou este um dos melhores filmes já feitos. Em seguida ele falou dos principais indicados. Nada demais.

katewinslet1Na primeira entrega da noite, Kate Winslet ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante no Cinema. Ela ganhou por Steve Jobs. Interessante. Adoro ela. Em seu agradecimento, ela disse que estava completamente surpresa e maravilhada pelo prêmio. Em seguida, homenageou as mulheres, dizendo que elas tiveram ótimos papéis no ano. Kate Winslet sempre merece um prêmio. Na sequência ela diz que Michael Fassbender é uma lenda e que assistiria ele sem cansar sempre, além de dizer que ele estabeleceu um padrão muito alto para todos. Mega talentosa e simpática. E verdadeiramente surpresa pelo prêmio.

A segunda entrega da noite foi para Melhor Atriz Coadjuvante em Série de TV. E o Globo de Ouro foi para Maura Tierney por The Affair. Ouvi falar muito bem desta série, mas ainda não a assisti. Fiquei curiosa. Ainda assim, pena Joanne Froggatt não ter ganho – afinal, ela se despediu de Downton Abbey. Gosto de Maura Tierney. É uma atriz muito talentosa, sem dúvida. Agora resta assistir a The Affair. Ela agradeceu principalmente ao elenco e aos familiares.

Até agora gostei da dinâmica do Golden Globes. Fora a introdução meio xarope do Gervais, as entregas são agilizadas e bem diretas. Isso é bom.

Depois do intervalo, a entrega de Melhor Atriz em Série de TV – Musical ou Comédia. Quem ganhou foi Rachel Bloom de Crazy Ex-Girlfriend. Me desculpem a ignorância, mas nunca tinha ouvido falar da série. Bloom disse que a série quase não aconteceu porque o piloto foi rejeitado por quase todos, inclusive seis vezes no mesmo dia. Ela agradece a quem permitiu que a série acontecesse.

Na sequência foi entregue o prêmio para Melhor Série da TV – Musical e Comédia. E o vencedor veio da Amazon: Mozart in the Jungle. Bacana ver uma outra produtora de séries ganhar uma premiação como esta. Agora, sem dúvida, tenho que me atualizar com as séries – ainda que musicais não sejam o meu forte.

A linda e talentosa Viola Davis apareceu na sequência para apresentar cenas de Carol, um belo filme e que foi o mais indicado da noite.

Após o intervalo, Ricky Gervais voltou à cena. Ele disse que o Globo de Ouro não tem uma seção para os falecidos do ano para deixar a todos deprimido mas que, no lugar disso, há um discurso com o presidente da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood.

Na sequência, Matt Damon apresenta ao filme The Martian, que ele estrela e é dirigido por Ridley Scott. A entrega seguinte foi para Melhor Telessérie ou Telefilme. E o prêmio foi para Wolf Hall, do canal inglês PBS. Não conheço a série, mas gostei de ver o ator Damian Lewis no grupo de premiados pela série. O produtor da série agradeceu a BBC e disse que sem ela produções como Wolf Hall não existiriam. E pediu para o governo inglês seguir apostando na TV.

O premiado na categoria Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme foi Oscar Isaac de Show Me a Hero. Isaac foi rápido nos agradecimentos, basicamente homenageando pessoas da equipe da série. A premiação do Golden Globes é mais rápida que a do Oscar mas, francamente, até agora, achei mais sem graça. É mais direta, objetiva, mas ainda prefiro as “firulas” e o espetáculo do Oscar. Mas ok, é bom acompanhar tudo.

Na volta do intervalo, os espectadores são apresentados a Spy, indicado a Melhor Filme – Musical ou Comédia. Lady Gaga e Tom Ford entraram na sequência para apresentar a categoria Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie, Telessérie ou Filme para a TV. E o vencedor foi Christian Slater por Mr. Robot. Estou louca para ver a essa série, aliás. Muito elogiada. Slater diz que é uma honra receber o prêmio e agradece ao roteirista de Mr. Robot por criar um personagem tão bom. Ele agradeceu também a esposa e Hollywood por permitir que ele possa fazer o que ele ama.

Na sequência foi entregue o Globo de Ouro por Melhor Trilha Sonora Original para o genial veterano Ennio Morricone, autor da trilha de The Hateful Eight. Quem recebeu o prêmio por ele foi Quentin Tarantino, diretor e roteirista do filme. Ele comenta que Morricone está na mesma categoria de Mozart e Schubert e que, até então, ele nunca tinha ganho um prêmio por suas trilhas nos Estados Unidos – apenas na Itália. Ele agradece muito a Morricone e a sua esposa. Figura! E Morricone, sem dúvida, é um dos grandes do cinema. Merece não apenas esse prêmio, mas qualquer outro de trilha sonora. Ele é um mito na área.

jonhamm1Gervais retorna para tirar um sarro de Donald Trump, que quer deportar estrangeiros. Em seguida aparecem as atrizes America Ferrera e Eva Longoria para apresentar a categoria Melhor Ator de Série de TV – Drama. E ganha o prêmio Jon Hamm, de Mad Men. Nesta categoria estava concorrendo o brasileiro Wagner Moura. Francamente Hamm merece o prêmio, especialmente pela despedida de Mad Men. Uma série que demorei um pouco para assistir mas que, de fato, é muito bem acabada. Hamm diz que não esperava receber o prêmio e agradece a todas as pessoas que permitiram que a série fosse realizada por tanto tempo. Francamente ele não era o favorito para a categoria, mas foi bacana terminar Mad Men com ele recebendo mais esse prêmio.

Mais um intervalo e, na volta, Gervais aparece para chamar as “grandes amigas” Jennifer Lawrence e Amy Schumer – a primeira de Joy e a segunda de Trainwreck. As atrizes apareceram para apresentar os vídeos de seus filmes – elas disputam entre si na categoria Melhor Atriz – Musical ou Comédia. Não sei, mas as piadas da noite estão difíceis. Ainda bem que os astros e estrelas em cena não precisam destes momentos para ganhar a vida.

Na sequência, Amy Adams apresenta a categoria Melhor Ator em Filme – Musical ou Comédia. E o ganhador foi… Matt Damon, por The Martian. Ele agradeceu pelo prêmio e mandou uma mensagem para os filhos. Damon pediu para eles irem para a cama e homenageou a esposa. Ele lembrou que começou a carreira há 18 anos e que teve muita sorte de ter feito The Martian com Ridley Scott. Até aonde eu acompanhei a vitória de Damon era mais que esperada. Não vi ao filme ainda, mas desconfio que ele esteja muito bem – afinal, temos Ridley Scott na direção.

Na volta dos comerciais, vence a categoria Melhor Filme de Animação a produção Inside Out, da Pixar e da Walt Disney. Favoritíssimo desta noite e também do Oscar. Perdi ele nos cinemas, mas quero assisti-lo em breve. Sucesso de público e crítica, sem dúvida.

Os atores Ryan Gosling e Brad Pitt entram em cena para uma das trocas mais interessantes até agora. Gosling brinca que tinham dito para ele que ele iria apresentar sozinho o vencedor… e na verdade nem é uma categoria. Eles subiram ao palco para apresentar The Big Short, concorrente na categoria Melhor Filme – Musical ou Comédia.

Os vencedores do ano passado Patricia Arquette e J.K. Simmons apresentam a categoria Melhor Ator Coadjuvante em Filme. E o prêmio foi para Sylvester Stallone. Primeira entrega que foi aplaudido pela plateia de pé. Stallone agradece a todos e diz que a última vez que ele esteve ali foi em 1977, e que agora tudo é diferente. Ele disse se considerar uma pessoa com sorte e agrade a muita gente, da mulher até o produtor de Creed. No final, ele agradece ao amigo imaginário Rocky Balboa, o “melhor amigo” que ele jamais teve. Interessante ver Stallone sendo reconhecido. Mas surpresa mesmo seria isso se repetir no Oscar. 😉

No retorno do intervalo, Mark Wahlberg e Will Farrell entram com óculos coloridos de 2016 para apresentar a categoria Melhor Roteiro. Farrell pede silêncio completo e enrola por um bom tempo antes do vencedor ser anunciado. E o Globo de Ouro como Melhor Roteiro foi para Aaron Sorkin por Steve Jobs. Para mim, francamente, foi uma grande surpresa. Ainda que ele seja um grande roteirista, eu esperava outro resultado. Sorkin diz que francamente não imagina que poderia ganhar. Nos agradecimentos ele homenageia a Danny Boyle e a todos do elenco.

Na sequência, o Globo de Ouro de Melhor Ator em Série de TV – Musical ou Comédia foi para Gael García Bernal por Mozart in the Jungle. Bacana. Um grande ator e que merece ser reconhecido. Não vi a série e aos demais concorrentes para saber se ele mereceu, mas foi legal vê-lo tão emocionado sobre o palco. Muito humilde. Agradeceu a toda a equipe da série, como é de praxe, e dedicou o prêmio para a música. Curti. Até porque cinema e música são as minhas grandes paixões – além do jornalismo, é claro.

sonofsaul1Mais um intervalo. No retorno, Helen Mirren e Gerard Butler apresentam a categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Eles brincam que para quem não os assiste, é possível ler as produções porque eles tem legenda. Visível piada com o fato dos americanos raramente verem filmes de fora do país. E o vencedor foi… Son of Saul. Mirren pediu palmas para os vencedores porque, segundo ela, esta foi a primeira vez que um filme da Hungria foi premiado. O diretor László Nemes agradece a todos que ajudaram o filme a ser realizado e comentou, no final, como o Holocausto jamais será esquecido. Tudo indica que Son of Saul será o favorito do Oscar também.

Na sequência vieram as indicadas na categoria Melhor Atriz em Minissérie, Telessérie ou Filme para a TV. E o Globo de Ouro foi para Lady Gaga por American Horror Story: Hotel. Uau! Lady Gaga ganhando um Globo de Ouro vai me fazer assistir a essa última edição da série. Na ida para o palco, Leonardo DiCaprio rindo muito. Não sei se dela ou de alguma piada paralela. 😉 Gaga comentou que se sente como a Cher e considerou esse um dos grandes momentos de sua vida. Isso Madonna não conseguiu. Gaga agradeceu genericamente a todas as pessoas do elenco que fizeram ela brilhar. Também disse que antes de ser cantora ela queria ser atriz. Demorando muito no discurso, subiu a música para interrompê-la. Visivelmente surpresa.

Francamente, até agora, me surpreenderam os prêmios para Steve Jobs e para Sylvester Stallone, falando de cinema. O primeiro caso pode render indicações para o Oscar, mas Stallone acho difícil ganhar no prêmio da Academia. Entre os premiados da TV, acho que não dá para ignorar os prêmios de Mozart in the Jungle. Fiquei com vontade de assistir a série. E o paralelo de Stallone na noite talvez seja Gaga – que me fez querer assistir ao último American Horror Story.

Após mais um intervalo, Kate Perry sobe ao palco para apresentar a categoria Melhor Canção Original em Filme. E a vencedora foi Writing’s on the Wall, do filme Spectre, escrita por Sam Smith e Jimmy Napes. Realmente grande fase do Sr. Sam Smith. Ele agradece a todos os envolvidos na produção, enquanto Napes afirma que foi um sonho ter escrito uma música para um filme de James Bond.

Ricky Gervais, que eu já achei que tinha se enterrado em um barril de chope, volta para falar sobre a relação dele com a emissora de TV. Faz referência a anos anteriores em que ele fez apresentações polêmicas. Tira sarro de figuras da platéia e chama Mel Gibson para subir ao palco. Gervais tira sarro de Gibson por causa da bebida, e Gibson responde que é bom revê-lo a cada três anos porque o encontro lhe recorda que ele tem que fazer uma endoscopia. Gibson com aquela cara clássica de louco apresenta o clipe de Mad Max: Fury Road.

Em seguida, aparecem os indicados na categoria Melhor Série de TV – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Mr. Robot. Era previsto mas, mesmo assim, sempre vou torcer por Game of Thrones. Com mais esse prêmio para a série fiquei ainda mais com vontade de assisti-la. Para vocês que conhecem todas as séries que concorreram nesta categoria (a saber: Empire, Narcos e Outlander além de Game of Thrones), Mr. Robot realmente mereceu? O diretor Sam Esmail agradece a todos os envolvidos na série, especialmente ao elenco, cumprimenta a noiva Emmy Rossum e manda um recado para o seu pessoal na Índia. Bacana ver alguém como ele, que tem as bases fora dos Estados Unidos, fazendo referência para as suas origens.

Na volta de mais um intervalo, Tom Hanks brinca a respeito do resfriado que ele tem e também com Denzel Washington. Ele fala sobre os grandes atores que marcaram as suas épocas, destes atores que não podem ser copiados mas, no máximo, imitados. E que isso não lhes trará frutos. Atrizes e atores deste naipe são conhecidos apenas por um nome. Ele cita vários, e comenta que um deles é o homenageado da noite. Hanks diz que Denzel Washington deixou um legado honrado, superlativo, e que ele se iguala a qualquer outro da história do cinema que virou referência de uma época.

Bacana o trailer com um resumo do trabalho de Denzel neste tempo todo de carreira. Hanks chama o colega para o palco e ele é aplaudido pela plateia de pé. Não tinha como ser diferente. Um ator que merece ser ovacionado é ele, sem dúvida. Denzel subiu ao lado da mulher e de um dos filhos e chamou o restante da família antes de discursar. Mas lembrou que um dos filhos, cineasta, estava ausente porque está fazendo a sua tese. Ele agradeceu pelo prêmio e pela imprensa estrangeira por ter acompanhado a carreira dele por tanto tempo. Entre os agradecimentos, destaca o primeiro agente que ele teve; a mãe por ter convencido o pai a comprar lâmpadas mais fortes ao invés de economizar em energia; e agradeceu à família antes de pedir que Deus abençoe a todos.

Mais um intervalo – falha de memória minha ou o Oscar não tem tantas paradas assim? Enfim… No retorno, Chris Evans apresentou o vídeo de Spotlight, indicado a Melhor Filme de Cinema – Drama. Ricky Gervais volta para chamar ao palco Morgan Freeman. O grande ator sobre ao palco para apresentar os indicados a Melhor Diretor em Filme. E o vencedor foi… Alejandro González Iñarritu por The Revenant. Francamente? Eu já esperava. Ele realmente faz mais um grande, grande trabalho com o filme estrelado por Leonardo DiCaprio. Iñarritu diz que todo filme é difícil de ser feito, mas que ainda assim o ano em que ele fez The Revenant foi o mais difícil que ele teve. O diretor relembra o que todos da sala sabem: que dor é temporária, mas que um filme é para sempre. Iñarritu também agradece a todos os produtores e aos estúdios envolvidos. Finalizou agradecendo, em especial, o elenco, chamando DiCaprio de herói e do grande responsável por essa que foi a sua grande experiência como diretor.

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Correndo contra o tempo, apresentaram a categoria Melhor Atriz em Série de TV – Drama. E o Globo de Ouro foi para Taraji P. Henson, de Empire. Não assisti a essa série ainda, mas sei que ela virou um fenômeno nos Estados Unidos. Agora, mais que antes, fiquei curiosa para assisti-la. Henson ganhar de Viola Davis e Robin Wright é porque seu trabalho tem que ser incrível. Quiseram interromper o discurso dela, mas ela pediu para darem mais tempo porque ela esperou 20 anos por isso. Entre os agradecimentos, os especiais foram para o elenco e a equipe.

Logo após mais um intervalo, Michael Keaton sobe ao palco para relacionar as indicadas na categoria Melhor Atriz em Filme – Musical ou Comédia. E o Globo de Ouro foi para Jennifer Lawrence por Joy. Hollywood realmente gosta dela. Se é o melhor desempenho entre as concorrente eu não sei porque, francamente, não assisti a nenhum dos filmes concorrentes. Lawrence agradece pelo prêmio e, em especial, pelo trabalho do diretor David O. Russell, elogiando o fato dele fazer cinema porque ele ama e não pelo que os outros possam falar de seus filmes.

Na sequência, Maggie Gyllenhaal sobe ao palco para apresentar a mais um concorrente na categoria Melhor Filme de Cinema – Drama, o maravilhoso Room. E depois, mais um dos intermináaaaaaveis intervalos da premiação.

No retorno, o talentoso e querido ator Tobey Maguire apresenta o vídeo do filme The Revenant, que está concorrendo na categoria Melhor Filme de Cinema – Drama. Na sequência, Jim Carrey tira sarro sobre ter sido premiado no Golden Globe e sobre o que ele sonha, que é ganhar mais um prêmio deles. Ele brinca de como o Globo de Ouro é importante e apresenta os indicados a Melhor Filme em Cinema – Musical ou Comédia. E o vencedor foi… The Martian. Ridley Scott caminha para o palco e é aplaudido de pé pela plateia.

Ele agradece pelo prêmio e brinca que achou que ganharia um Globo de Ouro após a sua morte. Ele faz uma menção muito bacana sobre os outros filmes concorrentes e que acha que fez um bom filme. Citou o sucesso de Star Wars, antes de homenagear o roteirista, Matt Damon e todas as pessoas que fizeram parte do projeto. Mesmo ele sendo Ridley Scott, não se furtaram de colocar a música para pressioná-lo a parar de falar. Ele tinha uma boa lista para falar e foi até o final dela. Ridley Scott é gênio e sempre merece ser reconhecido. Mas é preciso assistir aos concorrentes para ter certeza se foi justo.

Após mais um intervalo, Ricky Gervais retorna para chamar ao palco Eddie Redmayne. Esse ator supertalentoso aparece para listar as indicadas na categoria Melhor Atriz em Cinema – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Brie Larson, do filme Room. Que legal! Ela pode até não ganhar ao Oscar, mas pelo menos levou o Globo de Ouro. Ela está ótima no filme. Larson agradece pelo prêmio e diz que foi um prazer conhecer as pessoas da associação de imprensa. Os agradecimentos dela começam pela roteirista de Room e segue pelas demais pessoas da produção, dizendo que metade do prêmio é também de Jacob Tremblay. Ela tem razão. Os dois dividem os méritos igualmente.

Rapidinho, porque o prêmio parece estar atrasado, sobe ao palco Julianne Moore para apresentar os indicados na categoria Melhor Ator em Cinema – Drama. E o Globo de Ouro foi para… Leonardo DiCaprio, por The Revenant. Bola bem cantada, diga-se. Ele é aplaudido por toda a plateia de pé. DiCaprio agradece ao prêmio e comenta que é uma honra ser premiado com tantos ótimos atores concorrendo na mesma categoria. Ele homenageia Iñarritu, por sua visão e direção precisa. Complementa dizendo que ele nunca teve uma experiência como essa em sua vida, e agradece ao restante do elenco, assim como ao técnico de maquiagem que fez parte de The Revenant. DiCaprio ainda agradeceu a sua equipe, seus pais, seus amigos e terminou homenageando aos indígenas, dizendo que eles devem lutar por manterem as suas terras livres dos exploradores.

Mais um intervalo e, depois dele, a última categoria do Globo de Ouro 2016: Melhor Filme de Cinema – Drama. Até o momento, os grandes derrotados da noite foram, nesta ordem, Carol e The Big Short. Finalizando a premiação, Harrison Ford subiu ao palco para apresentar os finalistas da categoria. E o Globo de Ouro foi para… The Revenant. Iñarritu sobre ao palco mais uma vez e termina de listar os nomes que precisavam ser agradecidos, dando destaque, entre outros, aos nativos dos Estados Unidos. Sem dúvida The Revenant é um filme muito bem feito, mas não achei, até o momento, o melhor do ano. Tenho outras preferência. E ganhar o Globo de Ouro é uma coisa, o Oscar é outra. Logo veremos o que vai acontecer na premiação da Academia.

Finalizada a entrega do Globo de Ouro, dá para dizer que o grande premiado da noite foi The Revenant, vencedor em três categorias, seguido de Steve Jobs e de The Martian que ganharam em duas categorias. Francamente acho que o Oscar não vai repetir todos os premiados, mas se o repeteco entre os atores for repetido, ficarei feliz – Leonardo DiCaprio e Brie Larson merecem ganhar.

Resumindo a noite, os premiados no Globo de Ouro 2016 foram os seguintes:

  • Melhor Atriz Coadjuvante em Cinema: Kate Winslet por Steve Jobs
  • Melhor Atriz Coadjuvante em Série de TV: Maura Tierney por The Affair
  • Melhor Atriz em Série de TV – Musical ou Comédia: Rachel Bloom por Crazy Ex-Girlfriend
  • Melhor Série de TV – Musical ou Comédia: Mozart in the Jungle
  • Melhor Minissérie ou Filme feito para a TV: Wolf Hall
  • Melhor Ator em Minissérie ou Filme feito para a TV: Oscar Isaac por Show Me a Hero
  • Melhor Ator Coadjuvante por Série de TV: Christian Slater por Mr. Robot
  • Melhor Trilha Sonora Original: Ennio Morricone por The Hateful Eight
  • Melhor Ator em Série de TV – Drama: Jon Hamm por Mad Men
  • Melhor Ator de Cinema – Musical ou Comédia: Matt Damon por The Martian
  • Melhor Filme de Animação: Inside Out
  • Melhor Ator Coadjuvante em Cinema: Sylvester Stallone por Creed
  • Melhor Roteiro: Aaron Sorkin por Steve Jobs
  • Melhor Ator em Série de TV – Musical ou Comédia: Gael García Bernal por Mozart in the Jungle
  • Melhor Filme em Língua Estrangeira: Son of Saul
  • Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV: Lady Gaga por American Horror Story: Hotel
  • Melhor Canção Original: Writing’s on the Wall de Spectre
  • Melhor Série de TV – Drama: Mr. Robot
  • Melhor Diretor de Cinema: Alejandro González Iñarritu por The Revenant
  • Melhor Atriz de Série de TV – Drama: Taraji P. Henson por Empire
  • Melhor Atriz de Cinema – Musical ou Comédia: Jennifer Lawrence por Joy
  • Melhor Filme – Musical ou Comédia: The Martian
  • Melhor Atriz de Cinema – Drama: Brie Larson por Room
  • Melhor Ator de Cinema – Drama: Leonardo DiCaprio por The Revenant
  • Melhor Filme – Drama: The Revenant

Muito obrigada a você que acompanhou essa cobertura online do Globo de Ouro. Agora, vamos correr para assistir aos filmes que devem chegar ao Oscar 2016 e acompanhar, no final da manhã desta quinta-feira, a lista dos indicados para a premiação deste ano. Abraços!

Carnage – Deus da Carnificina

Todos são muito civilizados. Até que cada um começa a ser contratariado. Esta não é a história apenas dos personagens principais do ótimo Carnage. Mas de cada um de nós. Como lidamos com o contrário, com o diverso, com a quebra de nossas certezas, diz muito sobre quem somos. Este filme de atores, que ganha força pelo ótimo roteiro e pelo trabalho dos protagonistas, expõe as fragilidades, contradições e a violência domada pela sociedade que, volta e meia, vem à tona quando as pessoas perdem o controle e as barreiras da civilização. Altamente recomendado se você não tem problemas com um filme rodado, totalmente, em um ambiente, e que abre mão das cenas de ação para apostar em uma outra forma de cinema.

A HISTÓRIA: Um grupo de crianças conversa e brinca em um parque. Enquanto alguns meninos jogam bola uns para os outros, outros começam a caminhar, até que um garoto parece desagradar aos demais. Ele é empurrado, e também empurra. O garoto parece levar um galho antigo em uma das mãos, e o utiliza para bater em um desafeto, no rosto. Na saída, ele responde a outros garotos e derruba uma bicicleta. Corta. Uma mulher escreve, no computador, uma declaração sobre o que aconteceu. Ela é Penelope Longstreet (Jodie Foster), mãe do garoto que foi golpeado, e chamou os pais do agressor, Nancy (Kate Winslet) e Alan Cowan (Christoph Waltz) para uma espécie de “acordo amigável”. O que começa bem vai se transformando conforme Penelope e o marido, Michael (John C. Reilly) vão interagindo com Nancy e Alan.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta partes importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Carnage): Eis um filme fascinante, que mostra como grandes atores interpretando um roteiro impecável podem entreter tanto ou mais que milhões investidos em efeitos especiais. Uma ode a ótimos intérpretes que retratam a ironia da nossa civilização, que gasta tanta energia para educar-se e ascender socialmente, mas que segue rastejando em sentimentos e reações de cólera e que nos lembram aos animais mais irracionais.

O diretor e roteirista Roman Polanski faz mais um grande trabalho aqui. Talvez, um dos melhores de sua carreira. Produção universal, e que não deverá perder valor com o tempo. Carnage é um roteiro do diretor, que contou com o trabalho do tradutor Michael Katims para reproduzir todas as peculariedades da peça Le Dieu du Carnage, escrita por Yasmina Reza. Imagino que no teatro, com grandes atores, este texto também provoque um grande impacto.

Muito bom ver Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly, grandes atores que já demonstraram, em mais de uma ocasião, os seus respectivos talentos, reunidos em um mesmo jogo de cena. A mudança que ocorre dentro daquelas quatro paredes da casa dos Longstreet, inicialmente “tão corretos”, “tão civilizados” e, especialmente, a alteração das expressões e dos comportamentos do casal vivido por Foster e Reilly é de arrepiar. E lembra a transformação que tantas outras pessoas passam em diferentes situações.

Há quem se transforme quando está em grupo – como na abertura do filme, quando vários garotos enfrentam um outro, que está sozinho, mas “armado”. Há quem mude quando sobe de posto, ganha poder e dinheiro. E há também os que se transformam na intimidade de seus lares, assumindo uma postura dominante e repressiva na família enquanto na rua esta pessoa utiliza a máscar do “bom/boa cidadão/ã”.

Mas as situações mais frequentes, talvez, sejam aquelas que envolvem a alteração da personalidade quando a pessoa é contrariada. Como diria um certo sábio, infelizmente há muitas certezas para poucas dúvidas neste mundo. E quanto mais as pessoas guardam as suas convicções e não dão espaço para a contrariedade, mais elas deixam aberta a porta para o confronto, a discórdia, a cólera e a violência.

Eis apenas algumas das reflexões que Carnage nos propicia. Mas há muitas outras, que podem ser retiradas desta história saborosa. Como as relações de poder entre homens e mulheres. A facilidade com que eles se unem contra elas, enquanto as mulheres parecem mais propensas a assumir suas brigas individualmente. O filme também demonstra como alta erudição – no caso de Penelope – ou alta posição social – especialmente no caso de Alan – não significam, necessariamente, boas maneiras, generosidade, altruísmo ou senso comum.

O mais irônico – e interessante – é a forma como o filme sugere que, no final, somos todos bárbaros. Uma fina crítica de Polanski para esse esforço medíocre da sociedade em ser civilizada e dar as costas para o “Deus da Carnificina” que parece acompanhar-nos desde as cavernas. Interessante que a perda de tempo com este “Deus”, que significa a ânsia de devorar o outro, essencialmente, e pela destruição, no fim das contas, segue nos cercando. Em ambientes corporativos, nas redações, nas universidades, nas escolas, em diversos ambientes em que há gente que prefere “rezar” e fazer promessas para este “Deus” do que para o outro, mais conhecido, que representa justamente o contrário – amor, doação, comprometimento, etc.

Interessante a sutileza do texto e do jogo de cena. Desde as leves ironias da “supercivilizada” Penelope, desde o início, e seu desejo de aparentar alguém comprometido com a casa e os visitantes – ao comprar, por exemplo, um buquê de tulipas importadas que custa US$ 20 – até o desejo incontido de Alan em dizer que tudo aquilo era uma grande besteira, porque as crianças não tem a noção de civilização e todos os compromissos que surgem daí como os adultos. No que, francamente, em parte, ele está certo. Quem não se lembra de quando era criança ou pré-adolescente de como não enxergava todas as sutilezas das relações de poder e as demais como agora, já adulto? O que não justifica, nunca, claro, atos de violência. Mas é de se pensar.

E falando em pensar… outra questão bem levantada por Carnage é que tipo de ensinamentos os pais estão repassando para os filhos atualmente. Que tipo de lógica torta ou de valores corretos estão sendo transmitidos? Preocupante o ambiente das duas famílias retratadas e que refletem muitas outras mundo afora. Interessante também como cada linha de diálogo e expressão dos atores demonstra pré-julgamentos que uns tens dos outros e suas reprovações contidas. Um belo retrato desta necessidade que muitos tem – a maioria mas, acredito, não a totalidade – de estar sempre julgando e hierarquizando aos demais.

E impressionante a forma com que um casal fica medindo o outro, tentando ver quem está mais “ferrado” para, desta forma, sentir-se melhor com os próprios problemas. O descontrole vai crescendo, até que todos lavam as suas próprias roupas sujas. Uma catarse que pode ser lida, quase, como terapia. E no final, a cereja no bolo: a sugestão que os jovens problemáticos resolveram seus problemas de forma muito mais simples do que os seus pais.

Mas para não dizer que tudo é perfeito em Carnage, há algumas situações um bocado irreais que acabam atrapalhando todo aquele “excesso de realidade”. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Como, por exemplo, os pais do garoto agressor, que estavam loucos para sair dali o mais rápido possível, terem aceitado tomar café e água e, depois, terem comido bolo e se enredado, cada vez mais, em um embate verborrágico com o outro casal.

Então alguém pode dizer: “Mas se fosse assim, tudo tão lógico e racional, não teríamos um filme, porque o casal não voltaria para o apartamento do outro tantas vezes”. De fato, não teríamos filme. O que seria péssimo, claro. Mas talvez a forma com que o “convencimento” foi feito poderia ter sido outra do que o oferecimento de uma simples xícara de expresso. Além do mais, uma vez, tudo bem. Mas duas? Se bem que, da segunda vez, o reticente Alan já estava querendo embarcar em uma sessão de desmascarar aquela Penelope tão perfeita… As razões para os retornos eu ahcei o único porém desta produção.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Meus bons leitores, minhas desculpas por ficar tanto tempo sem escrever. Eu assisti a Carnage há quatro ou três semanas mas, só agora, consegui sentar para escrever estas linhas. A verdade é que entrei, mais uma vez, naquela fase de muito trabalho… mas prometo tentar, a partir de agora, atualizar o blog pelo menos uma vez por semana.

Outra leve ironia de Polanski foi colocar um de seus filhos, Elvis Polanski, no “papel” de Zachary Cowan, o garoto agressor da história. O próprio Polanski tem uma história bastante controversa. Nascido na França, ele fugiu dos guetos de um campo de concentração, foi para os Estados Unidos, perdeu a mulher Sharon Tate, que estava grávida, assassinada por Charles Manson e “família” e, mais tarde, foi acusado e condenado por ter estuprado uma garota de 13 anos. Para não ser preso, ele fugiu dos Estados Unidos e voltou a morar na França, até que, em 2009, foi preso em Zurique.

Polanski ficou em prisão domiciliar, na Suíça, até que uma decisão da Justiça optou para que ele não fosse extraditado para os Estados Unidos.

E uma curiosidade sobre esta produção: a exemplo de Rope, de Alfred Hitchcock, Carnage também foi totalmente rodado em tempo real, de forma contínua e sem cortes. Diferente do clássico do mestre do suspense, Carnage só tem algumas cenas, as iniciais e finais, que transcorrem fora de um único ambiente – o apartamento e o corredor de acesso a ele.

Agora, uma curiosidade difícil de perceber: Polanski, a exemplo de Hitchcock, faz uma “ponta” no filme como o vizinho que olha pela porta entreaberta para ver o que está acontecendo no corredor, já que os atores estão falando alto. Curioso, no mínimo. O que reforça, também, como Carnage é uma homenagem de Polanski a Hitchcock.

A trilha sonora de Carnage está presente no início e no final. E mesmo que pouco presente, nela é possível ver o trabalho dinâmico e dramático do ótimo Alexandre Desplat.

Além da trilha sonora, importante destacar o belo trabalho do diretor de fotografia Pawel Edelman, que deu o tom exato para cada momento do filme – no parque e na casa – e a decoração de set de Franckie Diago. Precisos.

Carnage foi totalmente rodado na França, em dois estúdios, e na cidade de Paris – as cenas externas.

Este filme estreou no Festival de Veneza em setembro de 2011. Depois, ele participou de outros três festivais. No Festival de Veneza, ele recebeu o Pequeno Leão de Ouro. Foi indicado, ainda, aos Globos de Ouro de Melhor Performance de Atriz em um Filme de Comédia ou Musical para Jodie Foster e Kate Winslet. Além daquele prêmio de Veneza, ele recebeu outros três: Melhor Elenco pela avaliação do prêmio da Boston Society of Film Critics; Melhor Roteiro Adaptado no prêmio do Cinema Writers Circle, da Espanha; e Melhor Roteiro Adaptado no prêmio César, da França.

Uma pena, mas este filme mal conseguiu pagar-se. Carnage teria custado cerca de US$ 25 milhões e arrecadado, segundo o site Box Office Mojo, pouco mais que isso nas bilheterias globais. Nos Estados Unidos, ele foi mal: conseguiu pouco mais de US$ 2,5 milhões. No restante dos países, mais US$ 25 milhões. No total, cerca de US$ 27,6 milhões, até o momento. Pouco. Mas dá para entender, pelo estilo de fime – não é o grande público que busca algo deste gênero. Infelizmente.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,3 para o filme. É uma boa nota, para os padrões do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram na mesma linha, dedicando 188 críticas positivas e 46 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 72% e uma nota média de 6,8.

Carnage é uma co-produção da França, Alemanha, Polônia e Espanha.

CONCLUSÃO: Este não é o primeiro filme que se passa em um único ambiente. Mas, sem dúvida, é um dos melhores. Diferente do clássico de Hitchcock, que aposta na tensão criada por um crime, Carnage investe na tensão do embate de argumentos e psicológico entre pessoas com olhares muito diferentes sobre boas maneiras. A própria civilização está em jogo naquela casa de pessoas, aparentemente, tão equilibradas e “compreensivas”. Pouco a pouco os quatro personagens vão mostrando as suas armas, ironias, hipocrisias. Quem descuidar e começar a preocupar-se mais em avaliar a pessoa próxima do que a si mesma, vai cair no embate. Na crítica, no confronto, na violência controlada por muitos anos de educação. Há muitas camadas de leitura deste filme. Só isso já o torna um artigo raro. Mais um excelente trabalho de Roman Polanski. E uma oportunidade única de ver ótimas interpretações de quatro grandes atores.

SUGESTÕES DE LEITORES: Demorei tanto para escrever sobre Carnage que o Mangabeira, um dos mais estimados leitores deste blog, foi mais rápido. 🙂 Mangabeira, tenho que citar a tua indicação, é claro. Tinha assistido ao filme antes de comentares, mas como não escrevi… está valendo a tua sugestão. O que é bacana, porque reforça ainda mais, para quem não assistiu, de que não sou a única que aprovou a produção. Muito obrigada, por mais esta dica. Como podes ver, eu também tinha adorado ao filme. Inteligente, irônico, com ótimas atuações e roteiro inspirador. Abraços e obrigada por sempre voltar aqui!