E o Oscar 2017 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

Preparations continue Thursday, February 23, 2017 for the 89th Oscars® for outstanding film achievements of 2016 which will be presented on Sunday, February 26, 2017 at the Dolby® Theatre and televised live by the ABC Television Network.

 

Olá amigos e amigas do blog!

Mais uma vez estamos juntos em uma entrega do prêmio anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Este é um ano especial, com uma safra realmente excepcional de filmes.

Não há filme ruim na disputa. Cada um de nós tem a sua preferência e os seus gostos pessoais. Mas é fato que nenhum filme será premiado sem mérito. Isso é um grande avanço para o Oscar. A Academia também está dando alguns passos adiante ao indicar, depois de muitos anos de injustiça, uma série de filmes e de atores negros. Finalmente o Oscar deixou de ser “tão branco”.

A expectativa para esta noite é de consagração do musical La La Land. O filme deve ganhar em 10 categorias, aproximadamente, incluindo a de Melhor Filme. As razões para esta produção ser tão premiada vão além da questão pura e simples do cinema. Tem muito mais a ver com a conjuntura social e política em que os Estados Unidos e Hollywood estão imersos. Ao premiar La La Land, Hollywood está defendendo a sua indústria. Minha opinião sobre isso vocês podem encontrar por aqui, em um texto que produzi sobre o assunto para a revista Plural do jornal Notícias do Dia.

Como comentei no texto citado, o Oscar 2017 é marcado por diversos filmes baseados em histórias reais e/ou que tratam de temas muito contemporâneos e importantes nos nossos dias. Isso vale para quase todas as categorias em disputa, dos curtas até os longas estrangeiros e os documentários. Volto a dizer: a safra deste ano é excepcional.

A cobertura do tapete vermelho começou as 19h30, mas é a partir de agora, às 20h15, que começo a cobertura aqui pelo blog. Vou informando vocês sobre o que os astros e estrelas falaram no tapete vermelho e, quando a premiação começar, sobre todos os premiados da noite. Diferente dos dois últimos anos, em 2017 volto a fazer a cobertura pelo blog e também pelo Twitter @criticanonsense

No tapete vermelho do Oscar entrevistaram Saroo e os pais adotivos dele, John e Sue Brierley. A história real deles é contada no filme Lion. Para mim, a produção mais “fraca” na disputa de Melhor Filme. Ok, a história de Saroo é muito bacana, mas o filme não faz jus a ela. Acho que Lion só chegou a seis indicações ao Oscar porque tem como produtores os “reis do lobby”, os irmãos Weinstein.

O apresentador da vez, Jimmy Kimmel, deu uma entrevista para o canal E! antes da noite de premiações. De boa? Achei ele bem fraquinho. Vamos ver se na apresentação do Oscar ele se sai melhor. Esperamos que sim, até para que não seja um fiasco. Aliás, o que esperar da noite de premiação?

Certamente teremos muitos e muitos discursos políticos contra Donald Trump e a sua política restritiva aos imigrantes. Também espero uma premiação relativamente rápida, seguindo o padrão do Oscar dos últimos anos. Prevejo uma noite com menos espetáculo e mais “pano para manga” para a próxima semana, com discursos contundentes e talvez inflamados.

Este será um ano interessante porque grandes atores devem levar para casa uma estatueta dourada. São mais que esperados os prêmios para Denzel Washington, Viola Davis e Mahershala Ali. Todos são mais que merecedores neste ano. Pode estragar um pouco a festa se Casey Aflleck levar a estatueta de Melhor Ator. Não que ele esteja ruim em Manchester by the Sea, mas temos que convir que ele nunca terá o talento de Denzel.

Oscar® Nominee, Isabelle Huppert, arrives on the red carpet of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2017.

Admito para vocês que, até agora, 20h37, o tapete vermelho está bem morno. Pelo visto os nomes mais interessante, com exceção da divina Isabelle Huppert, que já apareceu em cena, só vão chegar mais perto do horário da premiação começar.

Sting e John Legend vão se apresentar na noite. Eles são ótimos cantores e vão garantir momentos bacanas na premiação, não há dúvida, mas Legend em La La Land é uma ponta fraca do filme. Ele preenche bem a cena, mas quanto à interpretação… tem muito que aprender ainda.

Depois de Pharrell Williams, aparece em cena uma das estrelas de Hidden Figures, Taraji P. Henson. Honestamente? Ela está ótima no filme. Até merecia ter uma indicação na noite de hoje, mas realmente ficou complicado conseguir uma vaga em uma noite com grandes atrizes em cena. Mas não lhe faltou mérito. Ela realmente está surpreendente no filme. É um nome a ser acompanhado no cinema – na TV ela é mais conhecida, claro.

O jovem ator Andrew Garfield, um dos pontos fortes do excelente Hacksaw Ridge, está super feliz de receber a primeira indicação ao Oscar. Para marcar esta data, ele foi para a premiação com os pais e alguns amigos que são atores. Ele disse que se inspirou no exemplo dos veteranos de guerra para fazer o seu papel, especialmente pensando na realidade que todos eles têm de ir para a batalha sem saberem se irão voltar para casa.

Aliás, se esta deve ser a noite de dois veteranos – Denzel Washington e Viola Davis -, poderá ser também a noite de dois nomes com bem menos história no cinema, Emma Stone e Mahershala Ali. Mas, além deles, temos a genial Meryl Streep em sua 20ª indicação, algo histórico, e também jovens talentos despontando, a exemplo de Andrew Garfield e Lucas Hedges.

Em cena o ótimo Mahershala Ali, favoritíssimo da noite como Melhor Ator Coadjuvante. Ele comenta que já conhecia o trabalho do diretor Barry Jenkins e que ficou muito feliz quando surgiu o roteiro de Moonlight e a oportunidade de fazer o filme. Moonlight é mais que necessário e tem grandes atores em cena, inclusive Ali, que faz um ótimo trabalho.

Como comentei há pouco no Twitter, este ano estou menos “nervosa” com o Oscar. Talvez porque as bolas estejam quase todas cantadas, sem muita possibilidade de surpresa na noite, mas também deve contribuir para isso o fato de que em 2017 não deveremos ter nenhuma grande injustiça. Sim, aqui e ali podíamos ter um premiado “mais merecedor”, mas quem levar não terá vencido por lobby, mas porque tem as suas qualidades.

O maior exemplo disso é La La Land. O filme é ruim? Não, ele é muito bem acabado e, especialmente na parte técnica, impecável. Mas ele é o melhor filme do ano? Não, não é. Tem pelo menos quatro produções da lista que concorre a Melhor Filme que eu acho melhor que ele. Ainda assim, não será injusto ele levar a estatueta, seja pelo “conjunto da obra”, seja pelas razões políticas da Academia. Enfim, este está sendo um ano tranquilo.

Em menos de meia hora, agora, vai começar a premiação do Oscar. Que ninguém se surpreenda com La La Land acumulando prêmios logo no início. Isso porque o Oscar sempre tem uma boa sequência de prêmios técnicos, onde o filme deve papar quase tudo. Vale lembrar que o filme tem 14 indicações e 13 chances de vencer – afinal, ele tem duas indicações em Melhor Canção. Deve perder apenas em Melhor Ator, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição de Som. Exceto por esta última categoria, as derrotas do filme devem ficar mais para a reta final do prêmio.

Então vamos lá, minha gente. Na torcida para que Jimmy Kimmel não seja uma piada como apresentador (desculpem a piadinha tosca, mas é o nervosismo por achar que ele será um desastre).

O Oscar 2017 com Justin Timberlake saindo dos corredores do Dolby Theatre para chegar no local da premiação cantando, no trajeto, “Can’t Stop the Feeling”, canção indicada na noite pelo filme Trolls. Achei bacana a sacada do começo. Primeiro, por ser inédita na premiação. Depois, por seguir um pouco a ideia de “vida real” invadindo o cenário de sonhos de Hollywood, algo muito coerente com a safra deste ano. Começamos bem.

Depois de um belo começo com Justin Timberlake, sobe ao palco Jimmy Kimmel. E ele começa com aquelas velhas piadas de “esta é a minha primeira vez no Oscar e possivelmente a última”. Ok. Mas depois ele faz uma boa piada com Mel Gibson, dizendo que só tem um “braveheart” na plateia e que ele não vai conseguir unir todo mundo. Começaram as piadas políticas. Em seguida ele faz a esperada piada com Matt Damon.

Kimmel faz uma piada agradecendo Donald Trump, dizendo que no ano passado o Oscar não indicou negros, mas que isso mudou desde então. Neste ano, os negros salvaram a NASA e os brancos salvaram o jazz – piada envolvendo Hidden Figures e La La Land. Ele seguiu fazendo várias piadas com indicados, nada demais. Mas foi legal ele citar Isabelle Huppert, apesar de fazer piadinha desnecessária com Elle dizendo que ninguém assistiu ao filme.

E, claro, não poderia faltar a tradicional piada com Meryl Streep. Mas ele acertou na piada, especialmente por tirar sarro da crítica de Donald Trump. Kimmel comentou que ela era superestimada e pediu para todos aplaudirem Meryl Streep apesar dela não merecer. Bela sacada, apesar de previsível. Mas a boa piada foi quando ele comentou da responsabilidade de todos que estavam indicados de fazerem discursos que depois seriam comentados pelo presidente pelo Twitter.

Bacana a ideia do Oscar deste ano de mostrar um vídeo com vários premiados em cada uma das categorias em anos anteriores. E o primeiro prêmio da noite, como já é tradição da premiação, foi o de Melhor Ator Coadjuvante. E o Oscar foi para… Mahershala Ali, de Moonlight. Ele era favoritíssimo e, apesar de ter outros nomes fortes na disputa, confirmou a predição. Ele mereceu. Está ótimo neste grande filme chamado Moonlight.

Em seu discurso, Mahershala começa agradecendo os seus professores. Depois diz que os atores são apenas o instrumento para dar voz para os personagens. Ele então fala dos personagens de Moonlight e do elenco do filme. Muito calmo, sereno, homenageou também a esposa e demonstrou toda a sua religiosidade, pedindo bênçãos para todos. Se eu já era fã dele, fiquei ainda mais.

Mahershala Ali poses backstage with the Oscar® for Performance by an actor in a supporting role, for work on “Moonlight” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2016.

Na volta do intervalo, Kimmel segue com as piadas com toques políticos. Ok, até agora ele tem conseguido ser razoável. Veremos até o final da noite. Na sequência, foram apresentados os três indicados na categoria Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Suicide Squad. Uma das grandes bilheterias do ano passado, ele derrota o mais apontado na bolsa de apostas Star Trek Beyond. Para os fãs do filme deve ter sido uma boa surpresa.

Na sequência, os indicados na categoria Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Fantastic Beasts and Where to Find Them. E eis que surge a segunda “zebra” da noite, vencendo os apostadores. La La Land perdeu em uma categoria em que os apostadores tinham apostado nele. Olha, quem sabe não tenhamos mais surpresas nesta noite? Eu iria adorar uma surpresa em Melhor Filme. 😉 Interessante que foram premiados dois filmes que foram destaque em bilheteria. Bom para os fãs de ambos.

No retorno do intervalo, as deslumbrantes e super talentosas Janelle Monáe, Taraji P. Henson e Octavia Spencer sobem ao palco para apresentarem o filme Hidden Figures. E então sobe ao palco Katherine G. Johnson, que é aplaudida de pé pelos astros e estrelas. Ela é a única das três homenageadas em Hidden Figures que está viva – a personagem dela é interpretada por Taraji P. Henson.

Na sequência, foram apresentados os indicados na categoria Melhor Documentário. E o Oscar foi para… O.J.: Made in America. Bola cantadíssima. O filme é interessante, verdade, mas não era o meu favorito. Se não assistiram ainda, assistam ao premiado e também a 13th. Especialmente este último é uma peça de arte. Fundamental.

Depois de mais uma aparição dispensável de Kimmel, sobe ao palco The Rock para chamar para o cenário a jovem Auli’i Cravalho para cantar a música da animação Moana que está concorrendo em Melhor Canção, “How Far I’ll Go”. Muito bonita, Auli’i surpreende bela bela voz, potente e muito límpida. Natural do Hawaii, Auli’i tem apenas 16 anos de idade e respirou aliviada após a linda apresentação. Um momento bacana do Oscar até então. Aliás, as apresentações musicais, até agora, surpreenderam.

Retornando do intervalo, a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs sobre no palco para falar da comunidade do qual todos os presentes fazem parte. Ela comenta que esta comunidade é global e que está mais inclusiva.

Cheryl Boone Isaacs foi a grande responsável pela “revolução” que aconteceu na Academia no último ano e por, finalmente, a Academia reconhecer o talento, não importando a cor de pele. Por isso, com muito mérito, tantos negros foram indicados neste ano. Estava mais que na hora disso acontecer. Segundo Cheryl Boone, é a magia do cinema que todos estão celebrando nesta noite.

Na sequência, começam as categorias de som. E o Oscar de Melhor Edição de Som foi para… Arrival. Que legal! Fico muito feliz que Arrival saia da noite de hoje ao menos com um prêmio. O filme merece, sem dúvidas! E eis que La La Land perde o seu segundo prêmio. Também fico feliz por isso, admito. Arrival é ótimo. Quem não assista, vá atrás!

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Na sequência, o Oscar de Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Hacksaw Ridge. Opa, outra surpresa! Novamente fico bem feliz que um filme que tinha chances de sair da noite sem nada tenha ganhado ao menos um Oscar. Hacksaw Ridge é um grande filme. Merece vencer o preconceito contra filmes de guerra porque esta é uma produção muito diferente do gênero.

Vejam que curioso. Segundo as bolsas de apostas, Melhor Edição de Som iria para Hacksaw Ridge e Melhor Mixagem de Som iria para La La Land. Hacksaw acabou levando, na categoria contrária a das apostas, e La La Land perdeu mais uma. Sim, o musical é ótimo na técnica, mas francamente acho que ele não merece levar um grande número de estatuetas. Fiquei feliz por Arrival e Hacksaw Ridge.

No retorno de mais um intervalo, o ator Vince Vaughn apresenta as premiações especiais do Oscar deste ano. Os homenageados deste ano foram Lynn Stalmaster, Anne V. Coates, Frederick Wiseman e Jackie Chan. Quatro grandes nomes, sem dúvida, pena que deram um espaço minúsculo para cada um deles falar. Poderiam ter dado um espaço maior, sem dúvida.

Na sequência, um “remember” de atrizes que receberam o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. E o Oscar 2017 de Melhor Atriz Coadjuvante foi para… Viola Davis. Oh yeah! Finalmente! Esta era a terceira indicação de Viola Davis, e foi a primeira vez que ela levou a estatueta para casa. Essa atriz maravilhosa merece, e não é de hoje, este prêmio. Bacana. Segundo Oscar super cantado da noite e muito merecido.

Em seu discurso, Viola Davis fala sobre como as pessoas geniais se encontram no cemitério. E que é preciso exorcizar as suas histórias. Ela disse: “Nós somos a única profissão que celebra o que significa viver uma vida”. Maravilhoso o discurso dela. Celebrou a vida, as histórias de pessoas comuns e de perdão (algo que Fences faz com maestria), a arte, o esforço e o talento. Viola incrível. Especial também quando ela agradeceu Denzel Washington. Torço por ele nesta noite. E espero que Viola Davis ganhe não apenas esta, mas também outras estatuetas do Oscar.

Viola Davis poses backstage with the Oscar® for Performance by an actress in a supporting role, for work on “Fences” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2016.

No retorno de mais um intervalo, Kimmel ainda não consegue decolar. Na sequência, uma outra inovação do Oscar: trazer astros e estrelas para falar de filmes e atuações que lhe inspiraram. Charlize Theron fala de The Apartment e da maravilhosa interpretação de Shirley MacLaine. As duas sobem ao palco juntas e Shirley MacLaine é aplaudida por todos de pé.

Charlize Theron e Shirley MacLaine sobem ao palco para apresentar os indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira. E o Oscar foi para… Forushande (ou The Salesman). O grande Asghar Farhadi não foi para a noite de premiação, mas mandou uma mensagem contundente. Disse que não foi lá receber o seu segundo Oscar em respeito às pessoas de seu país e de outros 60 países que foram desrespeitados pela legislação excludente de Donald Trump. Em sua mensagem, Farhadi pede por mais empatia.

O filme de Farhadi é excepcional. Era o melhor filme em disputa. Por isso fico feliz que ele tenha sido reconhecido hoje. E a mensagem dele também foi muito acertada. Bacana. Na sequência, Sting apresentou “The Empty Chair” que concorre a Melhor Canção e que está no filme Jim: The James Foley Story. Bela canção. Mais uma mensagem importante.

No retorno do intervalo, a sequência de indicados nas categorias curta-metragens. E a primeira a ser apresentada foi a categoria Melhor Curta de Animação. E o Oscar foi para… Piper. Era realmente uma boal bem cantada. Veremos as próximas duas, se os apostadores também acertaram… Piper é lindo. Recomendo.

Na sequência, o apresentador Gael Garcia Bernal fura o script e fala que por ser um imigrante ele é contra qualquer divisão. Depois vieram os indicados na categoria Melhor Animação, e o Oscar foi para… Zootopia. Outra estatueta super cantada. E o filme merece. Ele é bacana e tem uma mensagem ótima de inclusão. Algo fundamental nestes dias.

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A dupla de atores de Fifty Shades Darker, Dakota Johnson e Jamie Dornan sobrem ao palco para apresentar os indicados em Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… La La Land. Primeiro prêmio da noite para o filme. Sem dúvida a produção era a favorita na disputa e, desta vez, confirmou o seu favoritismo.

E nesta ideia de “vida real” invadindo o cenário de sonhos de Hollywood, um grupo de “turistas” é convidado a entrar no Dolby Theatre no meio da cerimônia do Oscar. Uma boa esfriada na cerimônia, mas tudo bem. Realmente acho difícil esse Kimmel apresentar mais um Oscar.

No retorno do intervalo, os indicados em Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… The Jungle Book. Mais um Oscar que era previsto. Outro grande sucesso nas bilheterias do ano passado e que foi reconhecida com uma estatueta dourada. Na sequência, mais um depoimento sobre um filme que marcou um ator. Desta vez o ator Seth Rogen homenageia Michael J. Fox e o filme Back to the Future.

Os dois atores sobem no palco, saindo de um DeLorean. Bem bacana essa sacada do Oscar deste ano. E o Oscar de Melhor Edição foi para… Hacksaw Ridge. Puxa, que bacana! A edição deste filme é realmente algo incrível. Sou suspeita para falar, porque gostei muito desta produção. E, assim, La La Land perde mais uma. 😉 Novamente a maioria dos apostadores perdeu o seu dinheiro. Nesta categoria o favorito era La La Land.

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No retorno de mais um intervalo, os indicados a Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… The White Helmets. O curta realmente parece muito interessante, e marca a primeira vitória da Netflix. O tema da Síria precisa ser bem tratado e ganhar evidência, até para que alguém achei uma solução para aquele drama humano.

E o Oscar de Melhor Curta foi para… Sing. Esta sim uma surpresa na noite. Ele não estava cotado entre os favoritos. O curta é bacana, tem uma mensagem bonita, mas a minha torcida ia para o espanhol Timecode. Na sequência foram apresentados os Prêmios Técnicos e Científicos do Oscar, premiação paralela feita pela Academia. No total, foram entregues 18 prêmios para estas pessoas que tornam a fábrica do cinema sempre avançar e fascinar plateias mundo afora.

No retorno, Javier Bardem homenageia Meryl Streep e a sua interpretação em The Bridges of Madison County. Ver isso vale qualquer premiação do Oscar. Até agora, para mim, estas homenagens e os discursos de Viola Davis e Mahershala Ali foram os pontos fortes da noite. Javier Bardem e Meryl Streep apresentam os indicados em Melhor Fotografia. E o Oscar foi para… La La Land. Sem dúvida alguma a fotografia do musical é um dos pontos fortes da produção. Mereceu levar a estatueta.

Achei interessante a parte em que tweets raivosos foram lidos pelos próprios atores que são citados por eles. Quem sabe este tapa na cara não ajude as pessoas a pensarem um pouco sobre o que escrevem por aí? As pessoas poderiam evitar de serem tão idiotas, não é verdade?

Seguindo a premiação, Ryan Gosling e Emma Stone aparecem em cena para apresentar as duas indicações de La La Land na categoria Melhor Canção. Apresentando as duas músicas, John Legend. Pena. Eu ia gostar muito dos atores que realmente cantam estas músicas poderem interpretá-las no Oscar. Mas entendo que a Academia precisava de um artista para seguir a sequência de apresentações do tipo. E assim o público viu Legend interpretando a “City of Stars” e “Audition (The Fools Who Dream)”. A primeira é a favorita nesta categoria.

No retorno do intervalo, o ator Samuel L. Jackson apresentou os indicados a Melhor Trilha Sonora. E o Oscar foi para… La La Land. Mais que esperado. Nesta categoria, em 2017, apenas grandes trabalhos. La La Land merece, claro. Justin Hurwitz é um dos grandes responsáveis pelo sucesso do filme.

Na sequência, Scarlett Johansson apresenta os indicados em Melhor Canção. E o Oscar foi para… “City of Stars”, de La La Land. Merecido, bem merecido. A música estourou mundo afora, inclusive aparecendo em diversas listas de mais tocadas quando o filme estreou.

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Depois de um momento de alegria com os últimos premiados, a atriz Jennifer Aniston sobe ao palco para chamar a linda homenagem aos falecidos no último ano, incluindo o ator Bill Paxton, que morreu na véspera da premiação do Oscar 2017. Bela homenagem, sem dúvida. Muita gente super competente já nos deixou. Neste e em vários outros anos.

No retorno do intervalo, Jimmy Kimmel tira sarro de uma das inovações do Oscar deste ano, as homenagens para grandes atores e atrizes e seus filmes e ironiza o trabalho de Matt Damon. Então sobem ao palco Matt Damon e Ben Affleck. Os dois apresentam a categoria Melhor Roteiro Original. E o Oscar foi para… Manchester by the Sea.

Bacana. Manchester era o melhor na disputa, sem dúvida. Na sequência, Amy Adams sobe ao palco para apresentar os indicados a Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… Moonlight. Aí, agora sim! Esta era uma categoria disputadíssima, com grandes roteiros na disputa, mas eu estava torcendo por Moonlight. Grande filme e grande roteiro. Super merecido. A Academia acertou nas duas entregas em roteiro. Vejam os filmes, se ainda não o fizeram.

No retorno de mais um intervalo – como tem intervalo essa premiação, my God! -, a atriz Halle Berry apresenta os indicados a Melhor Diretor. E o Oscar foi para… Damien Chazelle, de La La Land. Aqui existia chance quase zero de outro resultado. Em seu discurso, Chazelle agradeceu a várias pessoas da equipe de produção e aos atores.

Na reta final da premiação, a atriz Brie Larson apresenta os indicados na categoria Melhor Ator. E o Oscar foi para… Casey Affleck, de Manchester by the Sea. Bueno, o que dizer? Eu não tenho dúvidas de que Denzel Washington merecia a estatueta. Não apenas por estar em um nível muito acima da maioria, mas porque Denzel realmente está melhor que os outros por seu papel em Fences. Mas… Casey Affleck não está mal. Realmente Manchester é o filme da vida dele até agora. Então ok.

Depois de mais uma sequência de atrizes premiadas aparecer na telona do Dolby Theatre em um revival da premiação, Leonardo DiCaprio aparece em cena para apresentar as indicadas em Melhor Atriz. E o Oscar foi para… Emma Stone, de La La Land. O musical é o filme da vida dela até o momento. Pelo visto a Academia resolveu premiar este tipo de interpretação neste ano – mais uma vez.

Super respeito a decisão da Academia de premiar jovens talentos que estão no “auge” de suas carreiras, nos papéis de suas vidas, mas é complicado achar que é justo uma premiação dar estatuetas para Emma Stone e Casey Affleck em um ano em que estão concorrendo Isabelle Huppert e Denzel Washington, não? Mas algo ao menos me consola: os premiados deram o sangue em seus respectivos filmes.

Agora só falta um prêmio, o principal da noite. Todos os prognósticos apontam para La La Land. Os grandes atores e veteranos Faye Dunaway e Warren Beatty subiram ao palco para apresentar os concorrentes deste ano em Melhor Filme. Volto a repetir: eis uma grande safra. Tentem assistir a todos os indicados, caso ainda não fizeram isso.

E o Oscar de Melhor Filme foi para… La La Land. Era o preferido por ser uma ode ao cinema, justamente. Com este prêmio, La La Land fecha a noite com sete estatuetas. Conquistou, assim, metade das estatuetas pelas quais concorria. Nada mal. Me pareceu mais justo o Oscar 2017 espalhar parte de suas categorias entre tantos filmes merecedores este ano.

Esqueçam o que foi dito acima. De forma inacreditável e pela primeira vez na história do Oscar eles conseguiram entregar o prêmio principal para o filme errado. Pois sim. Warren Beatty entregou o Oscar de Melhor Filme para La La Land, mas não era ele que estava no cartão de premiado. Uma das pessoas que subiu ao palco para fazer o discurso de agradecimento é que viu o erro e entregou o Oscar de Melhor Filme para Moonlight.

Olha, fora o choque geral do povo, devo admitir que eu gostei do resultado final. Pelo segundo ano consecutivo o favorito da noite perde o Oscar principal para outro concorrente. E, nas duas vezes, eu considero que o melhor filme venceu. Boa noite e obrigada aos que seguiram a entrega do Oscar mais uma vez por aqui. Até o próximo!

Barry Jenkins and Adele Romanski accept the Oscar® for Best motion picture of the year, for work on “Moonlight” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2017.

Confiram a lista com todos os premiados do Oscar 2017:

Melhor Filme: Moonlight

Melhor Ator: Casey Affleck (Manchester by the Sea)

Melhor Atriz: Emma Stone (La La Land)

Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Moonlight)

Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis (Fences)

Melhor Animação: Zootopia

Melhor Fotografia: La La Land

Melhor Figurino: Fantastic Beasts and Where to Find Them

Melhor Diretor: Damien Chazelle (La La Land)

Melhor Documentário: O.J.: Made in America

Melhor Curta Documentário: The White Helmets

Melhor Edição: Hacksaw Ridge

Melhor Filme em Língua Estrangeira: The Salesman (Forushande)

Melhor Maquiagem e Cabelo: Suicide Squad

Melhor Trilha Sonora: La La Land

Melhor Canção Original: “City of Stars” (La La Land)

Melhor Design de Produção: La La Land

Melhor Curta de Animação: Piper

Melhor Curta: Sing

Melhor Edição de Som: Arrival

Melhor Mixagem de Som: Hacksaw Ridge

Melhores Efeitos Visuais: The Jungle Book

Melhor Roteiro Adaptado: Moonlight

Melhor Roteiro Original: Manchester by the Sea

 

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Hacksaw Ridge – Até o Último Homem

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Quando você defende valores corretos e está convicto sobre eles, não existe cenário agreste ou situação impossível pela frente. Hacksaw Ridge é um filme de guerra como você nunca viu. Por incrível que possa parecer, este é um libelo sobre a não violência e sobre a defesa da vida em meio à carnificina de uma guerra. Mel Gibson nos presenteia com um dos melhores filmes deste gênero de todos os tempos. Isso não é pouca coisa.

A HISTÓRIA: Começa afirmando que se trata de uma história verdadeira. Muitos mortos no chão. Vários soldados estão sendo borbardeados e caem sobre o solo. Alguns são incendiados. Em meio àquela cena de guerra e morte, uma oração sobre Deus ecoa. Ela está sendo feita por Desmond Doss (Andrew Garfield), soldado que está sendo retirado do campo de batalha ferido. Este filme conta a história dele e do feito impressionante que ele foi capaz de realizar naquele mesmo cenário de destruição.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Hacksaw Ridge): Eu admito logo de cara que este filme me conquistou. Fui fisgada e me emocionei em mais de um momento da produção. Se pensamos nela racionalmente, é claro que os roteiristas Robert Schenkkan e Andrew Knight e que o diretor Mel Gibson recorreram a vários lugares-comum e chavões. Mas você esquece de tudo isso quando vê o exemplo deixado por Desmond Doss.

Como vou falar novamente lá embaixo, na conclusão, este filme será visto e sentido de maneira muito diferente conforme as convicções do espectador. Para quem é ateu, mas acredita na não violência, na paz e na defesa da vida, este filme será uma história interessante descontada toda a parte “religiosa”. Para quem é cristão, como eu, as ações de Desmond Doss ganham outra camada de significado.

Como tantas outras produções, Hacksaw Ridge começa com uma “pílula” da parte final da história, quando Desmond é carregado por outros soldados que procuram salvá-lo no campo de batalhas. Depois deste rápido “lampejo” da parte final da história, o roteiro de Schenkkan e de Knight volta 16 anos no tempo.

Com esta escolha, vemos um pouco da infância de Desmond (quando criança, interpretado por Darcy Bryce), quando ele brincava nas Montanhas Blue Ridge, no Estado da Virgínia, ao lado do irmão Harold, conhecido como Hal (Roman Guerriero na fase infantil). Voltamos para um dia específico e que acabou sendo importante para formar o caráter de Desmond quando adulto.

No dia comum da família Doss que acompanhamos, o pai dos garotos, Tom (Hugo Weaving) bebe e se lamenta para os amigos mortos na guerra ao visitá-los no cemitério. Desmond e Hal acabam brigando, e em um gesto sem pensar, Desmond atinge o irmão com um tijolo. Naquele momento ele percebe que poderia ter matado o irmão, como Caim fez com Abel, e ouve da mãe, Bertha (Rachel Griffiths), que é cristã, que matar alguém é o pior pecado contra Deus. Essa lição marcaria o protagonista da história para sempre.

Na sequência, o roteiro de Hacksaw Ridge pula 15 anos para a frente, ou seja, um ano antes das cenas de guerra que iniciaram a produção. Novamente somos apresentados a fatos determinantes para a vida de Desmond. Quando o protagonista vê um acidente acontecer na rua, ele vai ao socorro do acidentado atingido em uma artéria e o salva ao fazer um torniquete na perna. Ele acompanha o jovem até o hospital, e é lá que ele conhece a enfermeira Dorothy Schutte (Teresa Palmer).

Ele fica imediatamente encantado por ela e começa a flertar com a garota. Quando os dois engatam um namoro, ele pede ajuda para ela porque ele quer saber mais de Medicina. Hal se alista e vai para a guerra, e não demora muito para Desmond seguir o mesmo caminho. Nenhum dos irmãos quer ficar em casa enquanto os seus amigos e conhecidos estão defendendo o país no campo de batalha – mesmo os dois “odiando” o pai alcoólatra e veterano de guerra, eles são inspirados por ele no exemplo de “servir à pátria” e de fazer o que é certo pelo coletivo da nação.

Mesmo fazendo parte da mesma família, nem todos tem as mesmas convicções e a mesma fé. O pai, Tom, claramente parece um morto-vivo e indica que já não é capaz de acreditar em nada, muito menos em Deus. A mãe dos garotos é religiosa. Hal parece ser neutro – não há muitas informações sobre ele, na verdade -, enquanto Desmond seguiu os passos da mãe e é bastante religioso.

Realmente parece assustador pensar em alguém indo para uma guerra sem ao menos carregar uma arma sequer para se defender. Afinal, tudo que se espera em um campo de batalha é que você seja atacado. Mas Desmond se recusa a carregar uma arma e, claro, se recusa solenemente a atacar uma pessoa ou matá-la – nem que isso signifique a própria sobrevivência.

Se você parar para pensar, isso sim é ser revolucionário. É marcar uma posição quando todos os outros dizem que isso é impossível e que você não pode fazer aquilo não apenas porque é suicídio, mas especialmente porque você estará passando uma mensagem muito ruim para o restante da tropa. Mesmo após ser preso, Desmond continua defendendo as suas convicções. E, aí entra a primeira surpresa do filme, Desmond só não se dá mal porque o pai, aparentemente “ausente”, intervém.

Em certo momento questionam Desmond: por que ele simplesmente não desiste daquela ideia maluca e vai para casa? Isso acontece quando ele vai para a corte marcial. Ali ele dá o primeiro depoimento contundente. As convicções de Desmond não permitem que ele fique em casa “tocando a vida” enquanto tantos outros homens estão se sacrificando por ele. É uma questão de honra e de lealdade por amigos, pelo irmão e por tantos outros desconhecidos. Ele não consegue apenas “deixar para lá”.

Pois bem, após uma intervenção salutar do pai, Desmond consegue terminar a formação e ir para a guerra sem ter pego em uma arma. Importante dizer que a convicção dele anti-violência tem duas fontes principais: o exemplo violento do pai, que era alcoólatra e batia em todos em casa, dos filhos até a esposa; e aquele exemplo citado antes, de quando o garoto Desmond percebeu que ele próprio tinha a capacidade de matar e que isso era algo muito, muito errado. Sem contar, evidentemente, como ele se inspira no exemplo de Cristo e nos mandamentos fundamentais.

Em determinado momento do filme, no campo de batalha, quando está falando com um dos colegas de farda, Smitty Ryker (Luke Bracey), Desmond também admite que, certa vez, pegou em uma arma para defender a mãe e que chegou a apontá-la para o pai. A partir daquele momento ele prometeu para si mesmo nunca mais pegar em uma arma novamente.

Estes e outros detalhes do filme fazem Hacksaw Ridge ser muito rico em histórias e muito coerente em sua narrativa. Uma pessoa cercada por violência tem a capacidade de escolher entre seguir aquela linha ou mudar completamente, tornando-se uma pessoa da paz. Esse segundo caminho é o que Desmond escolhe. Mas ele não se satisfaz apenas em ter esta conduta na sua vida pessoal. Ele leva esta ética para o campo de batalha. Isso sim, é algo incrível. E que nos demonstra, sem dúvidas, como é possível ter esta atitude pacifista em qualquer lugar e contexto.

Quando o diretor Mel Gibson leva a narrativa para o campo de batalha é que o filme ganha outra dimensão. As cenas recheadas de disparos, explosões, ataques e contra-ataques são impecáveis. O diretor demonstra conhecer bem esta narrativa e vemos um grande cuidado técnico com cada sequência. Mas o que ganha o espectador não são esses recursos já conhecidos. Acho difícil alguém não se emocionar com as cenas de Desmond correndo em meio ao perigo com cada companheiro de farda pelas costas.

Da minha parte, me emocionei logo nas primeiras sequências de Desmond salvando vidas. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Mas ainda que a emoção tenha começado pouco depois dele colocar os primeiros homens daquele batalhão nas costas e correr com eles para tentar salvá-los, sem se importar em quem poderia sobreviver ou não, porque ele acreditava que todos mereciam uma chance, foi na sequência em que Desmond fica sozinho e começa a salvar a todos que ele encontra pela frente, inclusive japoneses “inimigos”, que a emoção corre solta. Ele passou uma noite inteira, sozinho, fazendo isso, rezando a cada minuto e pedindo a Deus mais forças para seguir salvando vidas. Na verdade, toda vez que ele ora pedindo uma resposta e segue em frente ao ouvir um pedido de ajuda, a emoção corre solta. Há uma mensagem mais forte que essa? Acho difícil.

É fácil falar de princípios, de defesa da vida e da paz quando você está seguro e tranquilo na sua casa. Algo bem diferente é defender tudo isso estando sob risco constante de levar um tiro ou de ser implodido em um campo de batalha. Mas Desmond não tem nenhuma dúvida sobre como agir e sobre qual é a sua missão naquele local. Ele não vai matar ninguém. Ele está lá para salvar vidas. Incrível.

Tem gente que sempre usa o lema “uma andorinha só não faz Verão” para justificar que mais pessoas precisam ter interesse em uma ideia para que ela dê certo. Desmond mostra que uma pessoa sozinha pode fazer uma grande, imensa diferença. Ele mostrou mais honra e coragem do que muitos homens que foram para a guerra e apertaram gatilhos, usaram lança-chamas ou jogaram bombas nos inimigos.

Um tempo depois de ter assistido a Hacksaw Ridge, que achei muito inspirador, me lembrei de outro filme que mostra como uma única andorinha pode fazer uma grande diferença e salvar muitas vidas. Me lembrei de Schindler’s List, a história de outro homem que foi capaz de salvar muitas vidas. A exemplo de Desmond, Oskar Schindler teve a oportunidade de salvar pessoas e não se eximiu desta responsabilidade.

É inacreditável o que Desmond foi capaz de fazer. O exemplo dele foi tão inspirador que ele teve que entrar no campo de batalha novamente logo após ter passado uma noite salvando vidas sozinho. Os soldados que iam entrar em ação queriam ele por perto, como se ele fosse um tipo de “amuleto” ou alguém “protegido por Deus”. Neste momento Hacksaw Ridge mostra como um exemplo pode inspirar tantas pessoas. E é isso que Jesus continua fazendo até hoje.

Quando Desmond entra no campo de batalha novamente, é sábado, justamente o dia em que ele dizia que não poderia “trabalhar” por causa de sua fé. Mas ele sente que tem aquela missão para cumprir e, de fato, com o ânimo do exemplo dele, o batalhão vence a batalha e conquista Hacksaw. Desmond é ferido e consegue ser resgatado, e nos minutos finais do filme vemos a cenas reais do militar que foi condecorado por salvar 75 vidas. Certamente Mel Gibson quis colocar aquelas cenas no final para justificar alguns momentos mais “controversos” da produção.

Os roteiristas e o diretor constroem este filme de forma muito inteligente. Conhecemos as origens e o entorno familiar e social do protagonista, elementos que ajudaram a moldar o seu caráter. Os valores dele e a visão de mundo que ele constrói pelas experiências pelas quais ele passa são fundamentais para explicar a sua postura diferenciada no campo de batalha.

Depois de fazer esta contextualização essencial do personagem, entramos na ação propriamente dita. Nesta etapa, vemos o pior da guerra, toda a crueldade dos japoneses kamikazes e também dos soldados americanos, e um contra-exemplo dado por Desmond. Ele é o contraponto de tudo aquilo e serve de exemplo atualmente, nestes dias tão conturbados que vivemos no Brasil e no mundo, de que é possível buscar um caminho diferente.

Desmond nos lembra que sempre podemos escolher a paz e a defesa da vida, mesmo que todos ao nosso redor pareçam estar defendendo a violência e o conflito com a justificativa de que esta é a única saída. Nunca existe apenas uma saída. Desmond nos lembra que sempre temos a capacidade de escolher e que mesmo que a escolha faça todos pensarem que nós somos loucos ou “bobos”, ela vale a pena quando é feita com convicção.

Hacksaw Ridge também nos lembra que ninguém tem o direito de dizer para o outro o que ele deve fazer se isso vai contra o que ele acredita ser o melhor. Um belo e contundente filme. Um dos melhores filmes de guerra que já foram feitos para o meu gosto. Entra na lista de produções inesquecíveis e inspiradoras. Para quem é religioso, este filme também mostra como cada cristão pode ser o sal da Terra e servir de luz para os seus irmãos. Deus opera milagre através das pessoas que estão afinadas com ele, eu não tenho dúvidas disso. Desmond só conseguiu fazer tudo o que fez confiando muito em Deus e que ele lhe protegeria para cumprir a sua missão.

Ainda que Hacksaw Ridge tenha uma defesa da fé do protagonista inevitável, ele não precisa ser visto apenas sob esta ótica religiosa. Pode ser visto apenas como um filme de um homem com princípios diferentes dos de uma guerra. Mais uma grande produção desta safra especial do Oscar. Há muito tempo não se via filmes tão bons na disputa.

NOTA: 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Grande escolha dos produtores e do diretor Mel Gibson por Andrew Garfield como protagonista. Ele realmente tem o porte e o perfil adequado para o personagem de Desmond Doss. Afinal, o Desmond verdadeiro era magro e tido como um sujeito “fraco” para os padrões do Exército. Era um “cara comum” que foi capaz de um feito extraordinário. Garfield está muito bem no papel e merece, sem dúvida, ser indicado ao Oscar.

Logo depois de assistir a este filme eu pensei em dar a nota máxima para ele. Mas aí pensei um pouco melhor e teve um ou dois pontos que me “incomodaram” um pouco na história. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Apesar dele ser baseado em fatos reais e eu achar que boa parte do que vemos no filme realmente aconteceu, tem partes que me pareceram um tanto “exageradas”. Primeiro, o filme é declaradamente pró-EUA. Ou seja, os japoneses são tratados como super cruéis e carniceiros,mas certamente esta visão também era a que o outro lado tinha dos americanos.

A simplificação dos japoneses e a sequência em que Desmond ajuda um inimigo e que é “poupado” por ele me pareceram um pouco equivocadas. Também me incomodou um pouquinho o tom de “protegidos por Deus” na segunda batalha em Hacksaw, quando eles vencem os japoneses. Desnecessário, afinal, Deus jamais estará do lado de alguém que faz guerra – uns vencem e outros perdem apesar de Deus. Também me incomodou um pouquinho a cena de “endeusamento” de Desmond, ou de torná-lo praticamente um “anjo” quando ele está sendo resgatado. Mas estes são detalhes em um filme com mensagem, no geral, bacana e importante.

Hacksaw Ridge é um filme declaradamente de um personagem. Ainda que tenhamos vários nomes interessantes em cena, esta produção é toda construída para valorizar a história de Desmond Doss. Andrew Garfield brilha no papel, neste que pode ser, até o momento, o filme da vida do ator. Ele tem uma presença, um carisma e uma postura otimista que é típica de quem está “repleto do Espírito Santo”, e por isso ele convence tanto no papel de Desmond. Mas além dele, tem outros atores importantes e que fazem bem o seu trabalho.

Do núcleo familiar do protagonista, vale destacar o belo trabalho de Hugo Weaving como o ex-veterano de guerra e patriarca da família Tom Doss; o coerente e sensível trabalho de Rachel Griffiths como a pacífica e amorosa mãe Bertha Doss; e o da talentosa atriz Teresa Palmer em um dueto importante com Andrew Garfield como a namorada e depois esposa dele, a enfermeira Dorothy Schutte. Também vale citar o bom trabalho de Nathaniel Buzolic como Hal Doss – ainda que o papel dele seja micro.

Do núcleo do exército, sem dúvida merecem aplausos os atores Sam Worthington como o capitão Glover; Vince Vaughn lembrando um pouco o capitão do clássico de Kubrick neste filme como o sargento Howell; e Luke Bracey brilha como Smitty Ryker. Todos eles tem em comum desprezarem Desmond no início, mas depois se renderem à bravura e ao exemplo dele.

Como em todo filme de guerra, é complicado ligar “o nome à pessoa”. Quando Desmond chega no treinamento militar, rapidamente um grupo de soldados se apresentam para ele. Mas é difícil, depois, você identificar este ou aquele no campo de batalha. Ainda assim, vale citar o nome de alguns atores que, mesmo sendo coadjuvantes, recebem um certo destaque na história nesta tentativa dos roteiristas em “humanizar” os soldados: Firass Dirani como Vito Rinnelli; Michael Sheasby como Tex Lewis; Luke Pegler como Hollywood Zane; Ben Mingay como Grease Nolan; Nico Cortez como Wal Kirzinski, apelidado de “Chefe”; e Goran D. Kleut como o “esquisitão” Ghoul.

Além deste grupo de atores que dão vida a jovens soldados, vale destacar alguns atores veteranos em pequenos papéis no filme, como Richard Roxburgh como o coronel Stelzer; Robert Morgan em uma participação contundente como o coronel Sangston; e Philip Quast como o juiz que sabe ser justo quando Desmond decide se defender na corte marcial.

Tecnicamente falando, o filme é irretocável. Não vi nenhum problema em parte alguma. Diversos talentos ajudaram este filme a ele ter a qualidade que vemos em cena. Para começar, a envolvente, emocional e um tanto época trilha sonora de Rupert Gregson-Williams que, sem dúvida alguma, ajuda bastante a história nas cenas de batalha.

Outros profissionais que dão um show em suas respectivas funções são o diretor de fotografia Simon Duggan; o editor John Gilbert; os 16 profissionais envolvidos no departamento de maquiagem; os 23 profissionais envolvidos no departamento de arte; os 21 profissionais que fazem um trabalho fundamental e perfeito no departamento de som; os 10 profissionais responsáveis pelos efeitos especiais; os 30 profissionais responsáveis pelos efeitos visuais; além do design de produção de Barry Robinson; a direção de arte de Jacinta Leong e de Mark Robins; e os figurinos de Lizzy Gardiner.

Hacksaw Ridge estreou em setembro de 2016 no Festival de Cinema de Veneza. Foi o único festival em que a produção participou. Apesar disso, ela já contabiliza 38 prêmios e foi indicado a outros 79, incluindo seis indicações ao Oscar. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de melhor elenco em um filme de ação dado pelo Screen Actors Guild Awards; quatro prêmios para Mel Gibson como Melhor Diretor; três prêmios de Melhor Filme, Melhor Filme de Ação ou Melhor Filme Estrangeiro; cinco prêmios de Melhor Ator para Andrew Garfield; e seis prêmios de Melhor Edição.

Esta produção teria custado cerca de US$ 40 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 66,5 milhões. Nos outros mercados em que o filme já estreou ele fez outros US$ 97,7 milhões. No total, faturou US$ 164,2 milhões, o que o coloca na trajetória de obter lucro.

Hacksaw Ridge foi totalmente rodado na Austrália, em locais como os estúdios Fox em Sydney; no cemitério Centennal Park, em Eastern Suburbs, também em Sydney; no Newington Amory, que serviu de locação para o Fort Jackson, e que fica no Sydney Olympic Park; e em cidades como Richmond (cenas da Igreja e do cinema) e Camden.

Este filme é uma coprodução da Austrália e dos Estados Unidos. Como este segundo país foi o mais votado em uma das enquetes feitas aqui no blog, ele entra para a lista de produções que atendem às votações feitas aqui.

Agora, para finalizar, algumas curiosidades sobre a produção. Sempre que perguntavam para Desmond Doss quantas pessoas ele tinha ajudado a salvar, ele dizia que aproximadamente 50. No entanto, testemunhas daqueles dias disseram que foi mais perto de 100. Para chegar a um meio-termo, eles chegaram ao número de 75.

De acordo com o diretor Mel Gibson, o filho de Desmond Doss, Desmond Jr., participou da escolha do elenco e ficou emocionado com a forma com que Andrew Garfield interpretou com fidelidade o pai dele.

As notas de produção dizem que Desmond Doss foi o único soldado que serviu na linha de frente sem portar uma arma. Na Segunda Guerra Mundial, nas guerras da Coreia e do Vietnã, os militares que eram da Igreja Adventista do Sétimo Dia eram classificados como 1A-O, o que significava que eles estavam dispostos a servir, mas que não portariam uma arma em combate. Havia um grupo similar, chamado Society of Friends (Quaker) que se voluntariou desta forma na Primeira Guerra Mundial.

O produtor Hal B. Wallis tinha tentado comprar a história de Desmond Doss nos anos 1950, imaginando o ator Audie Murphy como o protagonista. Mas Desmond não tinha interesse em que a sua história se transformasse em um filme de Hollywood. Bem, como o filme mesmo nos informa, ele morreu em 2006… abrindo então a oportunidade para que os realizadores finalmente levassem a sua história para os cinemas.

As cenas de batalha demoraram 19 dias para serem filmadas.

Hacksaw Ridge foi aplaudido de pé durante nove minutos e 48 segundos na estreia no Festival de Cinema de Veneza – o próprio Mel Gibson cronometrou este tempo.

Além de salvar 75 homens, Desmond Doss teria tratado outros 55 que puderam sair do campo de batalha sozinhos.

A Bíblia que Desmond levava sempre consigo realmente foi perdida no campo de batalha e só foi recuperada depois que ele foi levado para casa para tratar de seus ferimentos. A divisão da qual ele fazia parte, depois de capturar Hacksaw, passou algum tempo procurando a Bíblia até que a conseguiram localizar.

Esta produção levou 59 dias para ser filmada.

O filme marca a estreia de Milo Gibson, filho do diretor Mel Gibson – ele faz o papel de Lucky Ford, um dos soldados do batalhão de Doss.

James Horner tinha sido contratado para fazer a trilha sonora de Hacksaw Ridge, mas com a morte prematura e repentina do premiado compositor, entrou em cena John Debney. Mas o trabalho dele foi rejeitado e aí assumiu o posto Rupert Gregson-Williams.

Impressionante uma parte da história real de Desmond. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Ele não foi ferido e resgatado na conquista de Hacksaw. Na verdade ele foi ferido algumas semanas depois na Campanha Okinawa durante um ataque noturno perto de Shuri. Ele foi ferido nas pernas por uma granada e teve que esperar cinco horas até que os maqueiros pudessem alcançá-lo. Neste tempo, ele tratou de suas próprias feridas como pôde.

Quando ele estava sendo levado por três maqueiros, eles foram atacados por um tanque japonês. Doss se arrastou para fora da maca para que outro soldado em situação mais grave que a dele fosse atendido primeiro. Enquanto ele esperava a maca retornar, ele foi baleado por um franco-atirador, o que causou uma fratura no braço de Desmond. Para tratá-la, ele próprio improvisou uma tala usando a parte de um rifle.

Desmond então rastejou cerca de 274 metros para uma estação de socorro em que ele pôde ser atendido. Estes e outros detalhes da história de Desmond foram deixados de fora do filme porque o diretor Mel Gibson achou que o público não acreditaria neles. Acho que ele tem razão. A história de Desmond é incrível demais para reles mortais acreditarem com toda a facilidade que deveriam sem estarem lá para presenciar os fatos.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para Hacksaw Ridge, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 191 críticas positivas e 30 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 86% e uma nota média de 7,2. Neste caso, estou mais do lado do público que vota no IMDb do que dos críticos que foram um tanto “duros” com a produção. Talvez tenha incomodado os críticos o tom religioso do filme, mas este era um elemento importante para o protagonista da história e não tinha como ser negado na produção. Para os padrões do site IMDb a nota de Hacksaw Ridge é muito boa.

CONCLUSÃO: O testemunho de uma pessoa através de seu exemplo vale mais do que mil discursos. Esse filme será visto de maneira muito diferente dependendo se o espectador acredita ou não em Deus. Mas, independente disso, Hacksaw Ridge é um grande testemunho de que é possível se manter fiel à si mesmo e ao que se acreditar ser certo mesmo que todas as pessoas ao redor e as condições que o cerca lhe disser o contrário.

Para o meu gosto, volto a afirmar: Hacksaw Ridge é um dos grandes filmes sobre guerra de todos os tempos. Ele mostra a crueldade de um campo de batalha mas vai muito além disso. Resgata uma história impressionante de bravura e de defesa da vida em um local em que o elemento mais constante e certo é o da morte. Bem conduzido, o filme começa morno, previsível, mas depois acerta o espectador direto na emoção. Mais uma das belas surpresas desta temporada do Oscar 2017. Altamente recomendado.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Hacksaw Ridge está concorrendo em seis categorias do prêmio máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Ele disputa a estatueta dourada nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor para Mel Gibson, Melhor Ator para Andrew Garfield, Melhor Edição para John Gilbert, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som.

Em um ano “normal” do Oscar, Hacksaw Ridge talvez fosse o favorito na categoria Melhor Filme. Mas este não é um ano normal da premiação. A Academia está visivelmente querendo defender os seus valores e a si mesma e, por isso, deve premiar La La Land, um filme bom, mas que definitivamente não é o melhor do ano.

Consequentemente, se Hollywood quer consagrar La La Land, é praticamente certo que Mel Gibson vai perder a disputa para Damien Chazelle. E mesmo que aconteça uma zebra e Chazelle não vença, a estatueta deve ir para outro nome, para Barry Jenkins, de Moonlight. Na categoria Melhor Ator, a disputa está entre Denzel Washington (meu voto) e Casey Affleck.

Então as chances que restam para Hacksaw Ridge estão nas categorias técnicas. Como La La Land é o favoritíssimo para papar quase tudo na noite de entrega do Oscar, é o filme de Chazelle que tem a preferência para levar o Oscar de Melhor Edição – ainda que eu prefira o trabalho feito em Hacksaw Ridge.

O mesmo se pode dizer em Melhor Mixagem de Som, onde nas bolsas de apostas La La Land leva vantagem. A única categoria em que Hacksaw Ridge está liderando é na de Melhor Edição de Som. Francamente, acho que ele poderia levar tranquilamente nas três categorias técnicas. Acho o trabalho das equipes de Hacksaw Ridge mais contundentes nas três categorias do que as equipes de La La Land. Mas, novamente, este parece ser o ano do musical, então talvez Hacksaw Ridge saia com duas, uma ou nenhuma estatueta deste Oscar. Qualquer um destes cenários não será surpreendente. Uma pena. O filme merecia mais reconhecimento.

Indicados ao Oscar 2017 – Lista Completa e Avaliações

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Olá meus amigos e amigas do blog!

Mais uma vez estamos juntos em uma cobertura do Oscar. Desta vez, eu não pude publicar pela manhã a lista dos indicados e alguns comentários sobre eles, mas compartilhei na conta do blog no Twitter (@criticanonsense) um texto que eu produzi logo após os indicados serem anunciados no site do jornal para o qual eu trabalho, o Notícias do Dia.

É pelo site do jornal que eu devo, mais uma vez, acompanhar a entrega do Oscar deste ano. Farei ou mesmo pela conta do Twitter do blog, é claro. Bem, a divulgação dos indicados deste ano foi um pouco diferente do usual. Desta vez a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood abriu mão do formato de dois atores e/ou um(a) ator(atriz) e um(a) diretor(a) anunciando os nomes ao vivo em transmissão direta de um teatro para abraçar a ideia de vídeos produzidos para a data.

A proposta de dividir a lista de indicados – 24 categorias no total – em duas partes continuou valendo este ano. Nos dois trechos, um representante de diferentes categorias que compõe a fauna Hollywood – um roteirista, um diretor, um ator, uma atriz e uma cantora – se intercalaram falando sobre a emoção de serem indicados a um Oscar e enalteceram, claro, a premiação e a indústria do cinema.

Como era esperado, La La Land saiu com o maior número de indicações. O filme tem 14 chances de emplacar em 13 categorias da premiação. É verdade que ele é o favorito, até porque defende uma indústria autossuficiente e que precisa reafirmar a “máquina de sonhos” que ela representa em uma era de Donald Trump no poder. Ainda assim, não é certo que o filme vai levar o prêmio principal da noite.

Pela frente ele tem importantes concorrentes em diversas categorias. Com oito indicações cada um estão Arrival e Moonlight, dois grandes filmes desta temporada, cada um com as suas particularidades. O que estas duas produções tem em comum – e La La Land nem tanto – é um ótimo roteiro que sustenta os outros recursos que jogam à favor dos respectivos filmes.

Em seguida, aparecem com seis indicações Manchester by the Sea e Hacksaw Ridge. A verdade é que os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood souberam reconhecer a ótima safra que o cinema americano e de outros países soube produzir nesta temporada.

Praticamente todos os grandes filmes desta boa safra foram indicados – sempre há algum esquecimento, como Gleason, Cameraperson, Deadpool, Tom Hanks e, depende dos gostos, Finding Dory ou Captain America: Civil War. Da minha parte, fiquei feliz com a lista dos indicados. Para mim, é um raro ano de uma grande safra que acaba sendo reconhecida por seus valores e qualidades.

Entre os destaques individuais, vale destacar a 20ª – sim, a vigésima! – indicação ao Oscar da gigante Meryl Streep, e o resgate quase do ostracismo de Mel Gibson, que volta a ser indicado como Melhor Diretor após ter ganho um Oscar por Braveheart há nada menos que 21 anos.

Depois da Academia ser duramente criticada por não indicar atores e diretores negros, neste ano os votantes foram justos e indicaram todos os nomes que mereciam chegar lá – independente da raça deles. Desta forma, o Oscar 2017 tem um recorde de atores, atrizes e diretor negro indicados em uma única edição do prêmio. Vivemos novos tempos, ao menos no Oscar, e isso é um bom sinal.

Aliás, claramente a Academia quer dar uma mensagem para o mundo e para os americanos com os filmes que escolheu nas diferentes categorias deste ano. Há filmes sobre pacifismo, histórias que destacam o poder da comunicação e do diálogo, produções que tratam de violência, de desigualdade social e de segregação racial e, claro, o maior indicado que defende a busca pelos sonhos por todos – além de defender Hollywood.

As mensagens estão muito claras, e a entrega do Oscar deste ano promete ser dominada por discursos políticos e cheio de princípios. Será normal ver realizadores, astros e estrelas e diferentes profissionais defendendo a arte, a igualdade de oportunidades para imigrantes/migrantes de qualquer parte, respeito com as mulheres e todas as raças. Será uma premiação interessante, sem dúvida.

Acertei, até o momento, ao ter assistido a vários dos indicados deste ano – entre os nove finalistas como Melhor Filme, aqui no blog eu já comentei sobre cinco deles. Também acertei em quatro dos cinco documentários e em três dos cinco filmes em língua estrangeira. Agora a missão é assistir aos filmes que faltam desta ótima lista. Para quem não começou esta empreitada ainda, recomendo começar e seguir nela. A safra é boa.

Confira a lista de todos os indicados ao Oscar 2017:

Melhor Filme:

Avaliação: La La Land é um filme exuberante. Tecnicamente falando, perfeito. Mas a história… como eu gosto de filmes com um ótimo roteiro, para o meu gosto, La La Land deixa a desejar no roteiro. Não achei ele tão bom ou tão surpreendente quanto eu gostaria. Ele é o grande favorito deste ano, mas não é garantido que leve nesta categoria – vale lembra que no ano passado o “papa-prêmios” e favoritíssimo The Revenant perdeu na categoria principal para Spotlight. Pode acontecer novamente. Da lista de indicados, até agora, torço para Moonlight e Fences, com reais chances para o primeiro. Mas ainda preciso assistir a quatro da lista.

Melhor Ator:

Avaliação: Todos os atores da lista são ótimos, não há dúvidas. Andrew Garfield é estreante na categoria, enquanto Denzel Washington soma a sua sétima indicação. Admito que conforme a lista acima ia sendo divulgada neste 24 de janeiro de 2017, eu estava preocupada que Denzel não aparecia… para o meu alívio ele foi o último nome citado. Com isso, já revelo o meu favorito neste ano. Ele tem boas chances pelo ótimo trabalho em Fences, ainda que os apostadores apontem para Casey Affleck como favorito. Ainda preciso assistir a alguns desempenhos para realmente bater o martelo, mas neste momento o meu favorito é Denzel – acho que ele é sempre o meu voto, na verdade. 😉 Um dos grandes atores de sempre.

Melhor Atriz:

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Ruth Negga (Loving)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land)
  • Meryl Streep (Florence Foster Jenkins)

Avaliação: Lista incrível, vamos combinar! Alguns dos grandes talentos da história do cinema, como Meryl Streep e Isabelle Huppert, ao lado de jovens talentos já consagrados – Natalie Portman – e outros que ainda buscam uma primeira estatueta, como Emma Stone e Ruth Negga. A favorita é Emma Stone. E a verdade é que ela é o ponto alto de La La Land, junto com as qualidades técnicas do filme, é claro. Meryl Streep sempre merece um Oscar, mas não deve levar, mais uma vez. Quem tem mais chances de ganhar a estatueta da favorita Emma Stone, aparentemente, é mesmo Natalie Portman. Da minha parte, acho que se Emma Stone ganhar, não terá sido injusto. La La Land é o filme da vida dela.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Novamente grandes nomes na disputa. Da lista, só não conheço o trabalho de Lucas Hedges – ou não lembro dele, ao menos. Os outros quatro são geniais. Mas o favoritismo é claramente de Mahershala Ali. Quem pode roubar a estatueta dele é o veterano Jeff Bridges, que realmente é um dos pontos altos de Hell or High Water. Ainda preciso ver a alguns dos trabalhos para poder “votar”, mas inicialmente o meu voto iria mesmo para Mahershala Ali, ainda que Bridges também mereça.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Mais uma categoria de alto nível este ano. Todos os nomes já demonstraram que tem talento de sobra. Naomie Harris está ótima em Moonlight, mas Viola Davis é outro nível em Fences. Sou suspeitíssima para falar, mas eu estou com a maioria que coloca ela como favorita nesta categoria – e eu votaria ainda por Denzel Washington, parceiro dela no filme, para Melhor Ator. Em sua terceira indicação no Oscar, sem nunca ter levado uma estatueta dourada para casa, eu estou na torcida por Viola Davis. Quem ameaça a vitória dela, me parece, são mesmo Naomie Harris e Michelle Williams.

Melhor Animação:

Avaliação: Ah, fiquei muito feliz que Kubo and the Two Strings chegou aqui. E não apenas nesta categoria, mas foi indicado também em outra – que virá na lista depois. O filme merece. É maravilhoso! Zootopia, sem dúvida, é o favoritíssimo nesta disputa. Ele tem um grande estúdio e a força da maior bilheteria entre os concorrentes a seu favor. Preciso ver aos outros três, mas acho que tanto Kubo quanto Zootopia merecem, cada um por razões diferentes. O primeiro, por sua proposta artística; o segundo, por tratar de forma inteligente e envolvente assuntos importantes.

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Mais uma categoria com grandes indicados. La La Land é o favorito, e com méritos. Realmente a fotografia do filme é um de seus pontos altos. Possivelmente o fator que faz a experiência valer o ingresso – junto com Emma Stone. Mas a fotografia de Arrival e, depois, de Moonlight, também são ótimas. Acredito que a estatueta dourada vá para La La Land, com Arrival correndo por fora.

Melhor Figurino:

  • Allied
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Florence Foster Jenkins
  • Jackie
  • La La Land

Avaliação: Esta é uma das categorias em que estou mais desinformada, eu admito. Assisti a apenas um dos filmes da disputa. Ainda assim, sei que Jackie era, até há pouco, o favoritíssimo a ganhar nesta categoria. Com a avalanche de prêmios recebidos por La La Land no Globo de Ouro, o filme passou a ser também um forte concorrente. Eu ficaria dividida entre os dois, e mesmo sem ter assistido a Jackie – apenas vi fotos da produção. Mas La La Land, em uma noite de “papa-tudo”, pode levar aqui também.

Melhor Diretor:

Avaliação: Apenas grandes trabalhos apareceram nesta lista. Impossível não bater palma para cada realizador. O favorito na disputa é Damien Chazelle. Ele merece, até porque teve a visão criativa por trás da exuberância visual e narrativa de La La Land. Mas, da minha parte, torço um pouco por Barry Jenkins ou Denis Villeneuve para serem a “zebra” da noite. 😉 Mas não será injusto se Chazelle confirmar o favoritismo.

Melhor Documentário:

Avaliação: Filmes muito bacanas estão nesta lista. Fiquei muito feliz, em especial, por 13th ter chegado lá. Fire at Sea é um filme necessário, mas não é tão bom quanto poderia ser. Life, Animated é tão necessário quanto e melhor realizado, sem dúvidas. Apesar da qualidade destas produções, o favoritíssimo da categoria é O.J.: Made in America, um filme muito, muito americano. Ele conta uma história especialmente importante para os nascidos naquele país, ainda que, com um pouco de esforço, se veja um recorte “universal” na história mais que conhecida de O.J. Simpson. Senti a falta de Gleason, que seria o meu voto. Da lista que chegou na reta final dos indicados, torço por uma zebra, com vitória de 13th.

Melhor Curta Documentário:

  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

Avaliação: Ainda não assisti a nenhum dos curtas desta categoria, mas pretendo fazer isso em breve e compartilhar com vocês as minhas impressões.

Melhor Edição:

Avaliação: Mais uma vez, grandes filmes na disputa. Difícil escolher o melhor, porque o trabalho de edição de todos é uma aula do ofício. Ainda assim, me parece, La La Land corre na frente. É o favorito, mais uma vez – algo normal para um filme tão bom tecnicamente. Se ele ganhar, será justo. Mas podem estragar a festa dele Arrival ou Moonlight. Pouco provável, no entanto, que isso aconteça.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Esta era, realmente, uma grande safra de filmes nesta categoria. Interessante a ascensão de Tanna. O filme roubou a vaga de outros fortes concorrentes, inclusive do limado com antecedência, com a divulgação da lista dos nove pré-finalistas, de Elle. Preciso assistir ainda a The Salesman que, segundo todos que andei lendo, é o único filme que pode roubar a estatueta dourada do favorito Toni Erdmann. Ainda que o filme alemão seja bom, prefiro A Man Called Ove ou Land of Mine. E tenho uma tendência muito grande de gostar de The Salesman porque eu admiro muito o trabalho do diretor Asghar Farhadi. Mas a estatueta deve ficar mesmo entre Toni Erdmann e The Salesman.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Única categoria com menos de cinco indicados, esta disputa parece ter um favoritíssimo: o sucesso de bilheterias e fracasso de críticas Suicide Squad. Me surpreendeu a indicação de A Man Called Ove, mas eu gostei dele ter emplacado em mais uma categoria além da anterior.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Só assisti a dois dos concorrentes, mas posso dizer que as indicações de La La Land e Moonlight foram justíssimas. As trilhas sonoras dos dois filmes são deliciosas e fundamentais para as duas histórias. Ainda assim, me parece, por razões óbvias, que esta categoria é praticamente uma barbada para La La Land. Não será injusto. O único realmente veterano entre os competidores é Thomas Newman por Passengers.

Melhor Canção Original:

  • “Audition (The Fools Who Dream)” – La La Land
  • “Can’t Stop the Feeling” – Trolls
  • “City of Stars” – La La Land
  • “The Empty Chair” – Jim: The James Foley Story
  • “How Far I’ll Go” – Moana

Avaliação: As músicas de La La Land são favoritíssimas. Da minha parte, gosto muito das duas, mas me parece que City of Stars é a que tem mais chances de levar a estatueta dourada. Corre por fora as canções dos filmes de animação, que por muitos anos dominaram nesta categoria, e que em 2017 são representadas por Moana e Trolls. Da minha parte, torço pelas músicas de La La Land – e meu voto iria com a maioria, desta vez.

Melhor Design de Produção:

  • Arrival
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Hail, Caesar!
  • La La Land
  • Passengers

Avaliação: Mais uma vez, grandes competidores – não conheço apenas o trabalho de design de Hail, Caesar!, mas dos demais eu posso dizer que são trabalhos impecáveis. Novamente o favoritismo é de La La Land. Gosto muito também do design de produção de Arrival, um dos pontos fortes do filme. Mas não será injusto La La Land levar. O meu voto, provavelmente, também iria para ele.

Melhor Curta de Animação:

  • Blind Vaysha
  • Borrowed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper

Avaliação: Mais uma vez esta é uma categoria em que eu ainda não assisti aos indicados. Mas em breve eu quero fazer aqui um post sobre eles.

Melhor Curta:

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode

Avaliação: A exemplo da categoria anterior, ainda preciso assistir aos indicados para poder opinar. Quero fazer isso em breve.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Nesta categoria não esqueceram de Sully. 😉 Isso porque era quase que inevitável lembrar da edição de som feita nesta produção, claro. A concorrência é fortíssima. Todos são excelentes trabalhos na edição de som. Se a noite for para um filme “papar todas”, certamente La La Land vai levar nesta categoria também. Da minha parte, prefiro ainda o excepcional trabalho de Arrival ou, em segundo lugar, de Sully.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Três dos cinco indicados na categoria anterior estão indicados novamente por aqui, o que não é raro de acontecer. Quando um filme tem uma excelente edição de som, não raras vezes ele tem uma mixagem de som igualmente brilhante. O favoritismo, novamente, é de La La Land pela razão que comentei no item anterior. Meu voto, até por não ter assistido aos outros concorrentes, iria para Arrival.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Aqui está a outra indicação de Kubo. 😉 Fiquei feliz pelo filme. Novamente, grandes filmes nesta disputa. Não conferi à maioria, por isso não me sinto exatamente na posição de opinar aqui, mas talvez este seja o caso de premiar Doctor Strange ou Rogue One: A Star Wars Story. Me parece. De qualquer forma, grandes sucessos nas bilheterias concorrem por aqui.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Como comentei na crítica de Moonlight, para o entendimento de alguns este filme deveria concorrer como Melhor Roteiro Original, enquanto para outros o certo seria Melhor Roteiro Adaptado. Na divulgação dos indicados feita pela Academia, a lista de Original saiu antes da de Adaptado e levei um susto ao não ver lá Moonlight. Sem dúvida alguma este filme merece estar lá. Tem um dos grandes roteiros do ano. A lista é forte. Acredito que os favoritos sejam Arrival, Moonlight e Fences, nesta ordem – ou não. Difícil escolher, já que são histórias tão diferentes. Eu ficaria mesmo entre Moonlight e Arrival – nesta ordem de preferência.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Como muitas vezes acontece no Oscar, a categoria Melhor Roteiro Original apresenta filmes mais “fracos” do que na categoria anterior. Isso não é novidade. Desta lista, acredito que os favoritos sejam Manchester by the Sea e La La Land, possivelmente nesta ordem. Claro que se o musical estiver em uma noite de “papar tudo”, ele leva aqui também. Acho o roteiro do filme um de seus pontos fracos, mas sabem como é… quando a Academia quer premiar alguém, ela não é, exatamente, justa. Gosto muito também do roteiro de Hell or High Water.