E o Oscar 2017 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

Preparations continue Thursday, February 23, 2017 for the 89th Oscars® for outstanding film achievements of 2016 which will be presented on Sunday, February 26, 2017 at the Dolby® Theatre and televised live by the ABC Television Network.

 

Olá amigos e amigas do blog!

Mais uma vez estamos juntos em uma entrega do prêmio anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Este é um ano especial, com uma safra realmente excepcional de filmes.

Não há filme ruim na disputa. Cada um de nós tem a sua preferência e os seus gostos pessoais. Mas é fato que nenhum filme será premiado sem mérito. Isso é um grande avanço para o Oscar. A Academia também está dando alguns passos adiante ao indicar, depois de muitos anos de injustiça, uma série de filmes e de atores negros. Finalmente o Oscar deixou de ser “tão branco”.

A expectativa para esta noite é de consagração do musical La La Land. O filme deve ganhar em 10 categorias, aproximadamente, incluindo a de Melhor Filme. As razões para esta produção ser tão premiada vão além da questão pura e simples do cinema. Tem muito mais a ver com a conjuntura social e política em que os Estados Unidos e Hollywood estão imersos. Ao premiar La La Land, Hollywood está defendendo a sua indústria. Minha opinião sobre isso vocês podem encontrar por aqui, em um texto que produzi sobre o assunto para a revista Plural do jornal Notícias do Dia.

Como comentei no texto citado, o Oscar 2017 é marcado por diversos filmes baseados em histórias reais e/ou que tratam de temas muito contemporâneos e importantes nos nossos dias. Isso vale para quase todas as categorias em disputa, dos curtas até os longas estrangeiros e os documentários. Volto a dizer: a safra deste ano é excepcional.

A cobertura do tapete vermelho começou as 19h30, mas é a partir de agora, às 20h15, que começo a cobertura aqui pelo blog. Vou informando vocês sobre o que os astros e estrelas falaram no tapete vermelho e, quando a premiação começar, sobre todos os premiados da noite. Diferente dos dois últimos anos, em 2017 volto a fazer a cobertura pelo blog e também pelo Twitter @criticanonsense

No tapete vermelho do Oscar entrevistaram Saroo e os pais adotivos dele, John e Sue Brierley. A história real deles é contada no filme Lion. Para mim, a produção mais “fraca” na disputa de Melhor Filme. Ok, a história de Saroo é muito bacana, mas o filme não faz jus a ela. Acho que Lion só chegou a seis indicações ao Oscar porque tem como produtores os “reis do lobby”, os irmãos Weinstein.

O apresentador da vez, Jimmy Kimmel, deu uma entrevista para o canal E! antes da noite de premiações. De boa? Achei ele bem fraquinho. Vamos ver se na apresentação do Oscar ele se sai melhor. Esperamos que sim, até para que não seja um fiasco. Aliás, o que esperar da noite de premiação?

Certamente teremos muitos e muitos discursos políticos contra Donald Trump e a sua política restritiva aos imigrantes. Também espero uma premiação relativamente rápida, seguindo o padrão do Oscar dos últimos anos. Prevejo uma noite com menos espetáculo e mais “pano para manga” para a próxima semana, com discursos contundentes e talvez inflamados.

Este será um ano interessante porque grandes atores devem levar para casa uma estatueta dourada. São mais que esperados os prêmios para Denzel Washington, Viola Davis e Mahershala Ali. Todos são mais que merecedores neste ano. Pode estragar um pouco a festa se Casey Aflleck levar a estatueta de Melhor Ator. Não que ele esteja ruim em Manchester by the Sea, mas temos que convir que ele nunca terá o talento de Denzel.

Oscar® Nominee, Isabelle Huppert, arrives on the red carpet of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2017.

Admito para vocês que, até agora, 20h37, o tapete vermelho está bem morno. Pelo visto os nomes mais interessante, com exceção da divina Isabelle Huppert, que já apareceu em cena, só vão chegar mais perto do horário da premiação começar.

Sting e John Legend vão se apresentar na noite. Eles são ótimos cantores e vão garantir momentos bacanas na premiação, não há dúvida, mas Legend em La La Land é uma ponta fraca do filme. Ele preenche bem a cena, mas quanto à interpretação… tem muito que aprender ainda.

Depois de Pharrell Williams, aparece em cena uma das estrelas de Hidden Figures, Taraji P. Henson. Honestamente? Ela está ótima no filme. Até merecia ter uma indicação na noite de hoje, mas realmente ficou complicado conseguir uma vaga em uma noite com grandes atrizes em cena. Mas não lhe faltou mérito. Ela realmente está surpreendente no filme. É um nome a ser acompanhado no cinema – na TV ela é mais conhecida, claro.

O jovem ator Andrew Garfield, um dos pontos fortes do excelente Hacksaw Ridge, está super feliz de receber a primeira indicação ao Oscar. Para marcar esta data, ele foi para a premiação com os pais e alguns amigos que são atores. Ele disse que se inspirou no exemplo dos veteranos de guerra para fazer o seu papel, especialmente pensando na realidade que todos eles têm de ir para a batalha sem saberem se irão voltar para casa.

Aliás, se esta deve ser a noite de dois veteranos – Denzel Washington e Viola Davis -, poderá ser também a noite de dois nomes com bem menos história no cinema, Emma Stone e Mahershala Ali. Mas, além deles, temos a genial Meryl Streep em sua 20ª indicação, algo histórico, e também jovens talentos despontando, a exemplo de Andrew Garfield e Lucas Hedges.

Em cena o ótimo Mahershala Ali, favoritíssimo da noite como Melhor Ator Coadjuvante. Ele comenta que já conhecia o trabalho do diretor Barry Jenkins e que ficou muito feliz quando surgiu o roteiro de Moonlight e a oportunidade de fazer o filme. Moonlight é mais que necessário e tem grandes atores em cena, inclusive Ali, que faz um ótimo trabalho.

Como comentei há pouco no Twitter, este ano estou menos “nervosa” com o Oscar. Talvez porque as bolas estejam quase todas cantadas, sem muita possibilidade de surpresa na noite, mas também deve contribuir para isso o fato de que em 2017 não deveremos ter nenhuma grande injustiça. Sim, aqui e ali podíamos ter um premiado “mais merecedor”, mas quem levar não terá vencido por lobby, mas porque tem as suas qualidades.

O maior exemplo disso é La La Land. O filme é ruim? Não, ele é muito bem acabado e, especialmente na parte técnica, impecável. Mas ele é o melhor filme do ano? Não, não é. Tem pelo menos quatro produções da lista que concorre a Melhor Filme que eu acho melhor que ele. Ainda assim, não será injusto ele levar a estatueta, seja pelo “conjunto da obra”, seja pelas razões políticas da Academia. Enfim, este está sendo um ano tranquilo.

Em menos de meia hora, agora, vai começar a premiação do Oscar. Que ninguém se surpreenda com La La Land acumulando prêmios logo no início. Isso porque o Oscar sempre tem uma boa sequência de prêmios técnicos, onde o filme deve papar quase tudo. Vale lembrar que o filme tem 14 indicações e 13 chances de vencer – afinal, ele tem duas indicações em Melhor Canção. Deve perder apenas em Melhor Ator, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição de Som. Exceto por esta última categoria, as derrotas do filme devem ficar mais para a reta final do prêmio.

Então vamos lá, minha gente. Na torcida para que Jimmy Kimmel não seja uma piada como apresentador (desculpem a piadinha tosca, mas é o nervosismo por achar que ele será um desastre).

O Oscar 2017 com Justin Timberlake saindo dos corredores do Dolby Theatre para chegar no local da premiação cantando, no trajeto, “Can’t Stop the Feeling”, canção indicada na noite pelo filme Trolls. Achei bacana a sacada do começo. Primeiro, por ser inédita na premiação. Depois, por seguir um pouco a ideia de “vida real” invadindo o cenário de sonhos de Hollywood, algo muito coerente com a safra deste ano. Começamos bem.

Depois de um belo começo com Justin Timberlake, sobe ao palco Jimmy Kimmel. E ele começa com aquelas velhas piadas de “esta é a minha primeira vez no Oscar e possivelmente a última”. Ok. Mas depois ele faz uma boa piada com Mel Gibson, dizendo que só tem um “braveheart” na plateia e que ele não vai conseguir unir todo mundo. Começaram as piadas políticas. Em seguida ele faz a esperada piada com Matt Damon.

Kimmel faz uma piada agradecendo Donald Trump, dizendo que no ano passado o Oscar não indicou negros, mas que isso mudou desde então. Neste ano, os negros salvaram a NASA e os brancos salvaram o jazz – piada envolvendo Hidden Figures e La La Land. Ele seguiu fazendo várias piadas com indicados, nada demais. Mas foi legal ele citar Isabelle Huppert, apesar de fazer piadinha desnecessária com Elle dizendo que ninguém assistiu ao filme.

E, claro, não poderia faltar a tradicional piada com Meryl Streep. Mas ele acertou na piada, especialmente por tirar sarro da crítica de Donald Trump. Kimmel comentou que ela era superestimada e pediu para todos aplaudirem Meryl Streep apesar dela não merecer. Bela sacada, apesar de previsível. Mas a boa piada foi quando ele comentou da responsabilidade de todos que estavam indicados de fazerem discursos que depois seriam comentados pelo presidente pelo Twitter.

Bacana a ideia do Oscar deste ano de mostrar um vídeo com vários premiados em cada uma das categorias em anos anteriores. E o primeiro prêmio da noite, como já é tradição da premiação, foi o de Melhor Ator Coadjuvante. E o Oscar foi para… Mahershala Ali, de Moonlight. Ele era favoritíssimo e, apesar de ter outros nomes fortes na disputa, confirmou a predição. Ele mereceu. Está ótimo neste grande filme chamado Moonlight.

Em seu discurso, Mahershala começa agradecendo os seus professores. Depois diz que os atores são apenas o instrumento para dar voz para os personagens. Ele então fala dos personagens de Moonlight e do elenco do filme. Muito calmo, sereno, homenageou também a esposa e demonstrou toda a sua religiosidade, pedindo bênçãos para todos. Se eu já era fã dele, fiquei ainda mais.

Mahershala Ali poses backstage with the Oscar® for Performance by an actor in a supporting role, for work on “Moonlight” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2016.

Na volta do intervalo, Kimmel segue com as piadas com toques políticos. Ok, até agora ele tem conseguido ser razoável. Veremos até o final da noite. Na sequência, foram apresentados os três indicados na categoria Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Suicide Squad. Uma das grandes bilheterias do ano passado, ele derrota o mais apontado na bolsa de apostas Star Trek Beyond. Para os fãs do filme deve ter sido uma boa surpresa.

Na sequência, os indicados na categoria Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Fantastic Beasts and Where to Find Them. E eis que surge a segunda “zebra” da noite, vencendo os apostadores. La La Land perdeu em uma categoria em que os apostadores tinham apostado nele. Olha, quem sabe não tenhamos mais surpresas nesta noite? Eu iria adorar uma surpresa em Melhor Filme. 😉 Interessante que foram premiados dois filmes que foram destaque em bilheteria. Bom para os fãs de ambos.

No retorno do intervalo, as deslumbrantes e super talentosas Janelle Monáe, Taraji P. Henson e Octavia Spencer sobem ao palco para apresentarem o filme Hidden Figures. E então sobe ao palco Katherine G. Johnson, que é aplaudida de pé pelos astros e estrelas. Ela é a única das três homenageadas em Hidden Figures que está viva – a personagem dela é interpretada por Taraji P. Henson.

Na sequência, foram apresentados os indicados na categoria Melhor Documentário. E o Oscar foi para… O.J.: Made in America. Bola cantadíssima. O filme é interessante, verdade, mas não era o meu favorito. Se não assistiram ainda, assistam ao premiado e também a 13th. Especialmente este último é uma peça de arte. Fundamental.

Depois de mais uma aparição dispensável de Kimmel, sobe ao palco The Rock para chamar para o cenário a jovem Auli’i Cravalho para cantar a música da animação Moana que está concorrendo em Melhor Canção, “How Far I’ll Go”. Muito bonita, Auli’i surpreende bela bela voz, potente e muito límpida. Natural do Hawaii, Auli’i tem apenas 16 anos de idade e respirou aliviada após a linda apresentação. Um momento bacana do Oscar até então. Aliás, as apresentações musicais, até agora, surpreenderam.

Retornando do intervalo, a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs sobre no palco para falar da comunidade do qual todos os presentes fazem parte. Ela comenta que esta comunidade é global e que está mais inclusiva.

Cheryl Boone Isaacs foi a grande responsável pela “revolução” que aconteceu na Academia no último ano e por, finalmente, a Academia reconhecer o talento, não importando a cor de pele. Por isso, com muito mérito, tantos negros foram indicados neste ano. Estava mais que na hora disso acontecer. Segundo Cheryl Boone, é a magia do cinema que todos estão celebrando nesta noite.

Na sequência, começam as categorias de som. E o Oscar de Melhor Edição de Som foi para… Arrival. Que legal! Fico muito feliz que Arrival saia da noite de hoje ao menos com um prêmio. O filme merece, sem dúvidas! E eis que La La Land perde o seu segundo prêmio. Também fico feliz por isso, admito. Arrival é ótimo. Quem não assista, vá atrás!

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Na sequência, o Oscar de Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Hacksaw Ridge. Opa, outra surpresa! Novamente fico bem feliz que um filme que tinha chances de sair da noite sem nada tenha ganhado ao menos um Oscar. Hacksaw Ridge é um grande filme. Merece vencer o preconceito contra filmes de guerra porque esta é uma produção muito diferente do gênero.

Vejam que curioso. Segundo as bolsas de apostas, Melhor Edição de Som iria para Hacksaw Ridge e Melhor Mixagem de Som iria para La La Land. Hacksaw acabou levando, na categoria contrária a das apostas, e La La Land perdeu mais uma. Sim, o musical é ótimo na técnica, mas francamente acho que ele não merece levar um grande número de estatuetas. Fiquei feliz por Arrival e Hacksaw Ridge.

No retorno de mais um intervalo, o ator Vince Vaughn apresenta as premiações especiais do Oscar deste ano. Os homenageados deste ano foram Lynn Stalmaster, Anne V. Coates, Frederick Wiseman e Jackie Chan. Quatro grandes nomes, sem dúvida, pena que deram um espaço minúsculo para cada um deles falar. Poderiam ter dado um espaço maior, sem dúvida.

Na sequência, um “remember” de atrizes que receberam o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. E o Oscar 2017 de Melhor Atriz Coadjuvante foi para… Viola Davis. Oh yeah! Finalmente! Esta era a terceira indicação de Viola Davis, e foi a primeira vez que ela levou a estatueta para casa. Essa atriz maravilhosa merece, e não é de hoje, este prêmio. Bacana. Segundo Oscar super cantado da noite e muito merecido.

Em seu discurso, Viola Davis fala sobre como as pessoas geniais se encontram no cemitério. E que é preciso exorcizar as suas histórias. Ela disse: “Nós somos a única profissão que celebra o que significa viver uma vida”. Maravilhoso o discurso dela. Celebrou a vida, as histórias de pessoas comuns e de perdão (algo que Fences faz com maestria), a arte, o esforço e o talento. Viola incrível. Especial também quando ela agradeceu Denzel Washington. Torço por ele nesta noite. E espero que Viola Davis ganhe não apenas esta, mas também outras estatuetas do Oscar.

Viola Davis poses backstage with the Oscar® for Performance by an actress in a supporting role, for work on “Fences” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2016.

No retorno de mais um intervalo, Kimmel ainda não consegue decolar. Na sequência, uma outra inovação do Oscar: trazer astros e estrelas para falar de filmes e atuações que lhe inspiraram. Charlize Theron fala de The Apartment e da maravilhosa interpretação de Shirley MacLaine. As duas sobem ao palco juntas e Shirley MacLaine é aplaudida por todos de pé.

Charlize Theron e Shirley MacLaine sobem ao palco para apresentar os indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira. E o Oscar foi para… Forushande (ou The Salesman). O grande Asghar Farhadi não foi para a noite de premiação, mas mandou uma mensagem contundente. Disse que não foi lá receber o seu segundo Oscar em respeito às pessoas de seu país e de outros 60 países que foram desrespeitados pela legislação excludente de Donald Trump. Em sua mensagem, Farhadi pede por mais empatia.

O filme de Farhadi é excepcional. Era o melhor filme em disputa. Por isso fico feliz que ele tenha sido reconhecido hoje. E a mensagem dele também foi muito acertada. Bacana. Na sequência, Sting apresentou “The Empty Chair” que concorre a Melhor Canção e que está no filme Jim: The James Foley Story. Bela canção. Mais uma mensagem importante.

No retorno do intervalo, a sequência de indicados nas categorias curta-metragens. E a primeira a ser apresentada foi a categoria Melhor Curta de Animação. E o Oscar foi para… Piper. Era realmente uma boal bem cantada. Veremos as próximas duas, se os apostadores também acertaram… Piper é lindo. Recomendo.

Na sequência, o apresentador Gael Garcia Bernal fura o script e fala que por ser um imigrante ele é contra qualquer divisão. Depois vieram os indicados na categoria Melhor Animação, e o Oscar foi para… Zootopia. Outra estatueta super cantada. E o filme merece. Ele é bacana e tem uma mensagem ótima de inclusão. Algo fundamental nestes dias.

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A dupla de atores de Fifty Shades Darker, Dakota Johnson e Jamie Dornan sobrem ao palco para apresentar os indicados em Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… La La Land. Primeiro prêmio da noite para o filme. Sem dúvida a produção era a favorita na disputa e, desta vez, confirmou o seu favoritismo.

E nesta ideia de “vida real” invadindo o cenário de sonhos de Hollywood, um grupo de “turistas” é convidado a entrar no Dolby Theatre no meio da cerimônia do Oscar. Uma boa esfriada na cerimônia, mas tudo bem. Realmente acho difícil esse Kimmel apresentar mais um Oscar.

No retorno do intervalo, os indicados em Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… The Jungle Book. Mais um Oscar que era previsto. Outro grande sucesso nas bilheterias do ano passado e que foi reconhecida com uma estatueta dourada. Na sequência, mais um depoimento sobre um filme que marcou um ator. Desta vez o ator Seth Rogen homenageia Michael J. Fox e o filme Back to the Future.

Os dois atores sobem no palco, saindo de um DeLorean. Bem bacana essa sacada do Oscar deste ano. E o Oscar de Melhor Edição foi para… Hacksaw Ridge. Puxa, que bacana! A edição deste filme é realmente algo incrível. Sou suspeita para falar, porque gostei muito desta produção. E, assim, La La Land perde mais uma. 😉 Novamente a maioria dos apostadores perdeu o seu dinheiro. Nesta categoria o favorito era La La Land.

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No retorno de mais um intervalo, os indicados a Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… The White Helmets. O curta realmente parece muito interessante, e marca a primeira vitória da Netflix. O tema da Síria precisa ser bem tratado e ganhar evidência, até para que alguém achei uma solução para aquele drama humano.

E o Oscar de Melhor Curta foi para… Sing. Esta sim uma surpresa na noite. Ele não estava cotado entre os favoritos. O curta é bacana, tem uma mensagem bonita, mas a minha torcida ia para o espanhol Timecode. Na sequência foram apresentados os Prêmios Técnicos e Científicos do Oscar, premiação paralela feita pela Academia. No total, foram entregues 18 prêmios para estas pessoas que tornam a fábrica do cinema sempre avançar e fascinar plateias mundo afora.

No retorno, Javier Bardem homenageia Meryl Streep e a sua interpretação em The Bridges of Madison County. Ver isso vale qualquer premiação do Oscar. Até agora, para mim, estas homenagens e os discursos de Viola Davis e Mahershala Ali foram os pontos fortes da noite. Javier Bardem e Meryl Streep apresentam os indicados em Melhor Fotografia. E o Oscar foi para… La La Land. Sem dúvida alguma a fotografia do musical é um dos pontos fortes da produção. Mereceu levar a estatueta.

Achei interessante a parte em que tweets raivosos foram lidos pelos próprios atores que são citados por eles. Quem sabe este tapa na cara não ajude as pessoas a pensarem um pouco sobre o que escrevem por aí? As pessoas poderiam evitar de serem tão idiotas, não é verdade?

Seguindo a premiação, Ryan Gosling e Emma Stone aparecem em cena para apresentar as duas indicações de La La Land na categoria Melhor Canção. Apresentando as duas músicas, John Legend. Pena. Eu ia gostar muito dos atores que realmente cantam estas músicas poderem interpretá-las no Oscar. Mas entendo que a Academia precisava de um artista para seguir a sequência de apresentações do tipo. E assim o público viu Legend interpretando a “City of Stars” e “Audition (The Fools Who Dream)”. A primeira é a favorita nesta categoria.

No retorno do intervalo, o ator Samuel L. Jackson apresentou os indicados a Melhor Trilha Sonora. E o Oscar foi para… La La Land. Mais que esperado. Nesta categoria, em 2017, apenas grandes trabalhos. La La Land merece, claro. Justin Hurwitz é um dos grandes responsáveis pelo sucesso do filme.

Na sequência, Scarlett Johansson apresenta os indicados em Melhor Canção. E o Oscar foi para… “City of Stars”, de La La Land. Merecido, bem merecido. A música estourou mundo afora, inclusive aparecendo em diversas listas de mais tocadas quando o filme estreou.

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Depois de um momento de alegria com os últimos premiados, a atriz Jennifer Aniston sobe ao palco para chamar a linda homenagem aos falecidos no último ano, incluindo o ator Bill Paxton, que morreu na véspera da premiação do Oscar 2017. Bela homenagem, sem dúvida. Muita gente super competente já nos deixou. Neste e em vários outros anos.

No retorno do intervalo, Jimmy Kimmel tira sarro de uma das inovações do Oscar deste ano, as homenagens para grandes atores e atrizes e seus filmes e ironiza o trabalho de Matt Damon. Então sobem ao palco Matt Damon e Ben Affleck. Os dois apresentam a categoria Melhor Roteiro Original. E o Oscar foi para… Manchester by the Sea.

Bacana. Manchester era o melhor na disputa, sem dúvida. Na sequência, Amy Adams sobe ao palco para apresentar os indicados a Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… Moonlight. Aí, agora sim! Esta era uma categoria disputadíssima, com grandes roteiros na disputa, mas eu estava torcendo por Moonlight. Grande filme e grande roteiro. Super merecido. A Academia acertou nas duas entregas em roteiro. Vejam os filmes, se ainda não o fizeram.

No retorno de mais um intervalo – como tem intervalo essa premiação, my God! -, a atriz Halle Berry apresenta os indicados a Melhor Diretor. E o Oscar foi para… Damien Chazelle, de La La Land. Aqui existia chance quase zero de outro resultado. Em seu discurso, Chazelle agradeceu a várias pessoas da equipe de produção e aos atores.

Na reta final da premiação, a atriz Brie Larson apresenta os indicados na categoria Melhor Ator. E o Oscar foi para… Casey Affleck, de Manchester by the Sea. Bueno, o que dizer? Eu não tenho dúvidas de que Denzel Washington merecia a estatueta. Não apenas por estar em um nível muito acima da maioria, mas porque Denzel realmente está melhor que os outros por seu papel em Fences. Mas… Casey Affleck não está mal. Realmente Manchester é o filme da vida dele até agora. Então ok.

Depois de mais uma sequência de atrizes premiadas aparecer na telona do Dolby Theatre em um revival da premiação, Leonardo DiCaprio aparece em cena para apresentar as indicadas em Melhor Atriz. E o Oscar foi para… Emma Stone, de La La Land. O musical é o filme da vida dela até o momento. Pelo visto a Academia resolveu premiar este tipo de interpretação neste ano – mais uma vez.

Super respeito a decisão da Academia de premiar jovens talentos que estão no “auge” de suas carreiras, nos papéis de suas vidas, mas é complicado achar que é justo uma premiação dar estatuetas para Emma Stone e Casey Affleck em um ano em que estão concorrendo Isabelle Huppert e Denzel Washington, não? Mas algo ao menos me consola: os premiados deram o sangue em seus respectivos filmes.

Agora só falta um prêmio, o principal da noite. Todos os prognósticos apontam para La La Land. Os grandes atores e veteranos Faye Dunaway e Warren Beatty subiram ao palco para apresentar os concorrentes deste ano em Melhor Filme. Volto a repetir: eis uma grande safra. Tentem assistir a todos os indicados, caso ainda não fizeram isso.

E o Oscar de Melhor Filme foi para… La La Land. Era o preferido por ser uma ode ao cinema, justamente. Com este prêmio, La La Land fecha a noite com sete estatuetas. Conquistou, assim, metade das estatuetas pelas quais concorria. Nada mal. Me pareceu mais justo o Oscar 2017 espalhar parte de suas categorias entre tantos filmes merecedores este ano.

Esqueçam o que foi dito acima. De forma inacreditável e pela primeira vez na história do Oscar eles conseguiram entregar o prêmio principal para o filme errado. Pois sim. Warren Beatty entregou o Oscar de Melhor Filme para La La Land, mas não era ele que estava no cartão de premiado. Uma das pessoas que subiu ao palco para fazer o discurso de agradecimento é que viu o erro e entregou o Oscar de Melhor Filme para Moonlight.

Olha, fora o choque geral do povo, devo admitir que eu gostei do resultado final. Pelo segundo ano consecutivo o favorito da noite perde o Oscar principal para outro concorrente. E, nas duas vezes, eu considero que o melhor filme venceu. Boa noite e obrigada aos que seguiram a entrega do Oscar mais uma vez por aqui. Até o próximo!

Barry Jenkins and Adele Romanski accept the Oscar® for Best motion picture of the year, for work on “Moonlight” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2017.

Confiram a lista com todos os premiados do Oscar 2017:

Melhor Filme: Moonlight

Melhor Ator: Casey Affleck (Manchester by the Sea)

Melhor Atriz: Emma Stone (La La Land)

Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Moonlight)

Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis (Fences)

Melhor Animação: Zootopia

Melhor Fotografia: La La Land

Melhor Figurino: Fantastic Beasts and Where to Find Them

Melhor Diretor: Damien Chazelle (La La Land)

Melhor Documentário: O.J.: Made in America

Melhor Curta Documentário: The White Helmets

Melhor Edição: Hacksaw Ridge

Melhor Filme em Língua Estrangeira: The Salesman (Forushande)

Melhor Maquiagem e Cabelo: Suicide Squad

Melhor Trilha Sonora: La La Land

Melhor Canção Original: “City of Stars” (La La Land)

Melhor Design de Produção: La La Land

Melhor Curta de Animação: Piper

Melhor Curta: Sing

Melhor Edição de Som: Arrival

Melhor Mixagem de Som: Hacksaw Ridge

Melhores Efeitos Visuais: The Jungle Book

Melhor Roteiro Adaptado: Moonlight

Melhor Roteiro Original: Manchester by the Sea

 

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As premiações que dão uma prévia do Oscar 2017

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Neste último final de semana duas premiações entregues em Hollywood ajudam a dar um prévia do que podemos esperar para a noite do próximo dia 26, quando a Academia de Arte e Ciências Cinematográficas de Hollywood faz a entrega do Oscar 2017.

No sábado foi entregue o Producers Guild Awards, prêmio que consagra os melhores produtores de filmes e séries de TV da temporada. Ainda que na escolha na categoria Melhor Filme do Oscar seja mais ampla, com um número bastante diversificado de votantes, a produção que ganha o prêmio dos produtores sai fortalecida para a entrega da Academia.

Este ano os produtores premiados por filme para os cinemas foram Fred Berger, Jordan Horowitz e Marc Platt, trio responsável por La La Land. Em Documentário, o vencedor foi o filme O.J.: Made in America; e em filme de Animação, Zootopia. Estas três produções saem fortalecidas para as suas respectivas categorias no Oscar.

Ainda assim, vale lembrar que desde 2010 os produtores consagrados na categoria principal do Producers Guild Awards também levaram o Oscar de Melhor Filme em seis das sete ocasiões. A saber: The Hurt Locker em 2010; The King’s Speech em 2011; The Artist em 2012; Argo em 2013; 12 Years a Slave em 2014 (quando este filme dividiu o prêmio do Producers Guild com Gravity); e Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance) em 2015. Apenas no ano passado o vencedor da categoria principal do Producers Guild Awards, The Big Short, perdeu o Oscar para Spotlight.

Ou seja, segundo a história recente das duas premiações, no Oscar 2017 sai como favoritíssimo para o prêmio principal o filme La La Land. Além de ter levado o principal prêmio do Producers Guild Awards, o musical também tem nada menos que 14 indicações em 13 categorias do Oscar.

A outra premiação relevante para antecipar o Oscar foi entregue no domingo, o Screen Actors Guild Awards. Quem vota nesta premiação é o mesmo grupo, praticamente, que irá votar nas respectivas categorias do Oscar. Afinal, atores votam em atores e atrizes votam em atrizes.

Pois bem, segundo este último Screen Actors Guild Awards, saem fortalecidos para levar as estatuetas douradas do Oscar os atores Denzel Washington, de Fences, que ganhou no domingo como Melhor Ator; Emma Stone, de La La Land, que venceu como Melhor Atriz; Mahershala Ali, de Moonlight, que ganhou como Melhor Ator Coadjuvante; e Viola Davis, de Fences, que venceu como Melhor Atriz Coadjuvante.

fences4Da minha parte, eu não tocaria nesta lista. Acho, realmente, do que eu vi até agora, que cada um destes quatro nomes merecem ganhar o prêmio em suas respectivas categorias. Talvez apenas Emma Stone possa ser um pouco questionada… mas eu acho, e reafirmo o que comentei aqui na crítica de La La Land, que a atriz é um dos pontos fortes do filme. La La Land é o filme da vida dela e não deixa de ser justo que ela se consagre por ele. Enfim, teremos boas emoções neste Oscar e, pelo que tudo indica, mais justiça do que injustiça entre os premiados.

Indicados ao Oscar 2017 – Lista Completa e Avaliações

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Olá meus amigos e amigas do blog!

Mais uma vez estamos juntos em uma cobertura do Oscar. Desta vez, eu não pude publicar pela manhã a lista dos indicados e alguns comentários sobre eles, mas compartilhei na conta do blog no Twitter (@criticanonsense) um texto que eu produzi logo após os indicados serem anunciados no site do jornal para o qual eu trabalho, o Notícias do Dia.

É pelo site do jornal que eu devo, mais uma vez, acompanhar a entrega do Oscar deste ano. Farei ou mesmo pela conta do Twitter do blog, é claro. Bem, a divulgação dos indicados deste ano foi um pouco diferente do usual. Desta vez a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood abriu mão do formato de dois atores e/ou um(a) ator(atriz) e um(a) diretor(a) anunciando os nomes ao vivo em transmissão direta de um teatro para abraçar a ideia de vídeos produzidos para a data.

A proposta de dividir a lista de indicados – 24 categorias no total – em duas partes continuou valendo este ano. Nos dois trechos, um representante de diferentes categorias que compõe a fauna Hollywood – um roteirista, um diretor, um ator, uma atriz e uma cantora – se intercalaram falando sobre a emoção de serem indicados a um Oscar e enalteceram, claro, a premiação e a indústria do cinema.

Como era esperado, La La Land saiu com o maior número de indicações. O filme tem 14 chances de emplacar em 13 categorias da premiação. É verdade que ele é o favorito, até porque defende uma indústria autossuficiente e que precisa reafirmar a “máquina de sonhos” que ela representa em uma era de Donald Trump no poder. Ainda assim, não é certo que o filme vai levar o prêmio principal da noite.

Pela frente ele tem importantes concorrentes em diversas categorias. Com oito indicações cada um estão Arrival e Moonlight, dois grandes filmes desta temporada, cada um com as suas particularidades. O que estas duas produções tem em comum – e La La Land nem tanto – é um ótimo roteiro que sustenta os outros recursos que jogam à favor dos respectivos filmes.

Em seguida, aparecem com seis indicações Manchester by the Sea e Hacksaw Ridge. A verdade é que os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood souberam reconhecer a ótima safra que o cinema americano e de outros países soube produzir nesta temporada.

Praticamente todos os grandes filmes desta boa safra foram indicados – sempre há algum esquecimento, como Gleason, Cameraperson, Deadpool, Tom Hanks e, depende dos gostos, Finding Dory ou Captain America: Civil War. Da minha parte, fiquei feliz com a lista dos indicados. Para mim, é um raro ano de uma grande safra que acaba sendo reconhecida por seus valores e qualidades.

Entre os destaques individuais, vale destacar a 20ª – sim, a vigésima! – indicação ao Oscar da gigante Meryl Streep, e o resgate quase do ostracismo de Mel Gibson, que volta a ser indicado como Melhor Diretor após ter ganho um Oscar por Braveheart há nada menos que 21 anos.

Depois da Academia ser duramente criticada por não indicar atores e diretores negros, neste ano os votantes foram justos e indicaram todos os nomes que mereciam chegar lá – independente da raça deles. Desta forma, o Oscar 2017 tem um recorde de atores, atrizes e diretor negro indicados em uma única edição do prêmio. Vivemos novos tempos, ao menos no Oscar, e isso é um bom sinal.

Aliás, claramente a Academia quer dar uma mensagem para o mundo e para os americanos com os filmes que escolheu nas diferentes categorias deste ano. Há filmes sobre pacifismo, histórias que destacam o poder da comunicação e do diálogo, produções que tratam de violência, de desigualdade social e de segregação racial e, claro, o maior indicado que defende a busca pelos sonhos por todos – além de defender Hollywood.

As mensagens estão muito claras, e a entrega do Oscar deste ano promete ser dominada por discursos políticos e cheio de princípios. Será normal ver realizadores, astros e estrelas e diferentes profissionais defendendo a arte, a igualdade de oportunidades para imigrantes/migrantes de qualquer parte, respeito com as mulheres e todas as raças. Será uma premiação interessante, sem dúvida.

Acertei, até o momento, ao ter assistido a vários dos indicados deste ano – entre os nove finalistas como Melhor Filme, aqui no blog eu já comentei sobre cinco deles. Também acertei em quatro dos cinco documentários e em três dos cinco filmes em língua estrangeira. Agora a missão é assistir aos filmes que faltam desta ótima lista. Para quem não começou esta empreitada ainda, recomendo começar e seguir nela. A safra é boa.

Confira a lista de todos os indicados ao Oscar 2017:

Melhor Filme:

Avaliação: La La Land é um filme exuberante. Tecnicamente falando, perfeito. Mas a história… como eu gosto de filmes com um ótimo roteiro, para o meu gosto, La La Land deixa a desejar no roteiro. Não achei ele tão bom ou tão surpreendente quanto eu gostaria. Ele é o grande favorito deste ano, mas não é garantido que leve nesta categoria – vale lembra que no ano passado o “papa-prêmios” e favoritíssimo The Revenant perdeu na categoria principal para Spotlight. Pode acontecer novamente. Da lista de indicados, até agora, torço para Moonlight e Fences, com reais chances para o primeiro. Mas ainda preciso assistir a quatro da lista.

Melhor Ator:

Avaliação: Todos os atores da lista são ótimos, não há dúvidas. Andrew Garfield é estreante na categoria, enquanto Denzel Washington soma a sua sétima indicação. Admito que conforme a lista acima ia sendo divulgada neste 24 de janeiro de 2017, eu estava preocupada que Denzel não aparecia… para o meu alívio ele foi o último nome citado. Com isso, já revelo o meu favorito neste ano. Ele tem boas chances pelo ótimo trabalho em Fences, ainda que os apostadores apontem para Casey Affleck como favorito. Ainda preciso assistir a alguns desempenhos para realmente bater o martelo, mas neste momento o meu favorito é Denzel – acho que ele é sempre o meu voto, na verdade. 😉 Um dos grandes atores de sempre.

Melhor Atriz:

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Ruth Negga (Loving)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land)
  • Meryl Streep (Florence Foster Jenkins)

Avaliação: Lista incrível, vamos combinar! Alguns dos grandes talentos da história do cinema, como Meryl Streep e Isabelle Huppert, ao lado de jovens talentos já consagrados – Natalie Portman – e outros que ainda buscam uma primeira estatueta, como Emma Stone e Ruth Negga. A favorita é Emma Stone. E a verdade é que ela é o ponto alto de La La Land, junto com as qualidades técnicas do filme, é claro. Meryl Streep sempre merece um Oscar, mas não deve levar, mais uma vez. Quem tem mais chances de ganhar a estatueta da favorita Emma Stone, aparentemente, é mesmo Natalie Portman. Da minha parte, acho que se Emma Stone ganhar, não terá sido injusto. La La Land é o filme da vida dela.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Novamente grandes nomes na disputa. Da lista, só não conheço o trabalho de Lucas Hedges – ou não lembro dele, ao menos. Os outros quatro são geniais. Mas o favoritismo é claramente de Mahershala Ali. Quem pode roubar a estatueta dele é o veterano Jeff Bridges, que realmente é um dos pontos altos de Hell or High Water. Ainda preciso ver a alguns dos trabalhos para poder “votar”, mas inicialmente o meu voto iria mesmo para Mahershala Ali, ainda que Bridges também mereça.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Mais uma categoria de alto nível este ano. Todos os nomes já demonstraram que tem talento de sobra. Naomie Harris está ótima em Moonlight, mas Viola Davis é outro nível em Fences. Sou suspeitíssima para falar, mas eu estou com a maioria que coloca ela como favorita nesta categoria – e eu votaria ainda por Denzel Washington, parceiro dela no filme, para Melhor Ator. Em sua terceira indicação no Oscar, sem nunca ter levado uma estatueta dourada para casa, eu estou na torcida por Viola Davis. Quem ameaça a vitória dela, me parece, são mesmo Naomie Harris e Michelle Williams.

Melhor Animação:

Avaliação: Ah, fiquei muito feliz que Kubo and the Two Strings chegou aqui. E não apenas nesta categoria, mas foi indicado também em outra – que virá na lista depois. O filme merece. É maravilhoso! Zootopia, sem dúvida, é o favoritíssimo nesta disputa. Ele tem um grande estúdio e a força da maior bilheteria entre os concorrentes a seu favor. Preciso ver aos outros três, mas acho que tanto Kubo quanto Zootopia merecem, cada um por razões diferentes. O primeiro, por sua proposta artística; o segundo, por tratar de forma inteligente e envolvente assuntos importantes.

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Mais uma categoria com grandes indicados. La La Land é o favorito, e com méritos. Realmente a fotografia do filme é um de seus pontos altos. Possivelmente o fator que faz a experiência valer o ingresso – junto com Emma Stone. Mas a fotografia de Arrival e, depois, de Moonlight, também são ótimas. Acredito que a estatueta dourada vá para La La Land, com Arrival correndo por fora.

Melhor Figurino:

  • Allied
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Florence Foster Jenkins
  • Jackie
  • La La Land

Avaliação: Esta é uma das categorias em que estou mais desinformada, eu admito. Assisti a apenas um dos filmes da disputa. Ainda assim, sei que Jackie era, até há pouco, o favoritíssimo a ganhar nesta categoria. Com a avalanche de prêmios recebidos por La La Land no Globo de Ouro, o filme passou a ser também um forte concorrente. Eu ficaria dividida entre os dois, e mesmo sem ter assistido a Jackie – apenas vi fotos da produção. Mas La La Land, em uma noite de “papa-tudo”, pode levar aqui também.

Melhor Diretor:

Avaliação: Apenas grandes trabalhos apareceram nesta lista. Impossível não bater palma para cada realizador. O favorito na disputa é Damien Chazelle. Ele merece, até porque teve a visão criativa por trás da exuberância visual e narrativa de La La Land. Mas, da minha parte, torço um pouco por Barry Jenkins ou Denis Villeneuve para serem a “zebra” da noite. 😉 Mas não será injusto se Chazelle confirmar o favoritismo.

Melhor Documentário:

Avaliação: Filmes muito bacanas estão nesta lista. Fiquei muito feliz, em especial, por 13th ter chegado lá. Fire at Sea é um filme necessário, mas não é tão bom quanto poderia ser. Life, Animated é tão necessário quanto e melhor realizado, sem dúvidas. Apesar da qualidade destas produções, o favoritíssimo da categoria é O.J.: Made in America, um filme muito, muito americano. Ele conta uma história especialmente importante para os nascidos naquele país, ainda que, com um pouco de esforço, se veja um recorte “universal” na história mais que conhecida de O.J. Simpson. Senti a falta de Gleason, que seria o meu voto. Da lista que chegou na reta final dos indicados, torço por uma zebra, com vitória de 13th.

Melhor Curta Documentário:

  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

Avaliação: Ainda não assisti a nenhum dos curtas desta categoria, mas pretendo fazer isso em breve e compartilhar com vocês as minhas impressões.

Melhor Edição:

Avaliação: Mais uma vez, grandes filmes na disputa. Difícil escolher o melhor, porque o trabalho de edição de todos é uma aula do ofício. Ainda assim, me parece, La La Land corre na frente. É o favorito, mais uma vez – algo normal para um filme tão bom tecnicamente. Se ele ganhar, será justo. Mas podem estragar a festa dele Arrival ou Moonlight. Pouco provável, no entanto, que isso aconteça.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Esta era, realmente, uma grande safra de filmes nesta categoria. Interessante a ascensão de Tanna. O filme roubou a vaga de outros fortes concorrentes, inclusive do limado com antecedência, com a divulgação da lista dos nove pré-finalistas, de Elle. Preciso assistir ainda a The Salesman que, segundo todos que andei lendo, é o único filme que pode roubar a estatueta dourada do favorito Toni Erdmann. Ainda que o filme alemão seja bom, prefiro A Man Called Ove ou Land of Mine. E tenho uma tendência muito grande de gostar de The Salesman porque eu admiro muito o trabalho do diretor Asghar Farhadi. Mas a estatueta deve ficar mesmo entre Toni Erdmann e The Salesman.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Única categoria com menos de cinco indicados, esta disputa parece ter um favoritíssimo: o sucesso de bilheterias e fracasso de críticas Suicide Squad. Me surpreendeu a indicação de A Man Called Ove, mas eu gostei dele ter emplacado em mais uma categoria além da anterior.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Só assisti a dois dos concorrentes, mas posso dizer que as indicações de La La Land e Moonlight foram justíssimas. As trilhas sonoras dos dois filmes são deliciosas e fundamentais para as duas histórias. Ainda assim, me parece, por razões óbvias, que esta categoria é praticamente uma barbada para La La Land. Não será injusto. O único realmente veterano entre os competidores é Thomas Newman por Passengers.

Melhor Canção Original:

  • “Audition (The Fools Who Dream)” – La La Land
  • “Can’t Stop the Feeling” – Trolls
  • “City of Stars” – La La Land
  • “The Empty Chair” – Jim: The James Foley Story
  • “How Far I’ll Go” – Moana

Avaliação: As músicas de La La Land são favoritíssimas. Da minha parte, gosto muito das duas, mas me parece que City of Stars é a que tem mais chances de levar a estatueta dourada. Corre por fora as canções dos filmes de animação, que por muitos anos dominaram nesta categoria, e que em 2017 são representadas por Moana e Trolls. Da minha parte, torço pelas músicas de La La Land – e meu voto iria com a maioria, desta vez.

Melhor Design de Produção:

  • Arrival
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Hail, Caesar!
  • La La Land
  • Passengers

Avaliação: Mais uma vez, grandes competidores – não conheço apenas o trabalho de design de Hail, Caesar!, mas dos demais eu posso dizer que são trabalhos impecáveis. Novamente o favoritismo é de La La Land. Gosto muito também do design de produção de Arrival, um dos pontos fortes do filme. Mas não será injusto La La Land levar. O meu voto, provavelmente, também iria para ele.

Melhor Curta de Animação:

  • Blind Vaysha
  • Borrowed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper

Avaliação: Mais uma vez esta é uma categoria em que eu ainda não assisti aos indicados. Mas em breve eu quero fazer aqui um post sobre eles.

Melhor Curta:

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode

Avaliação: A exemplo da categoria anterior, ainda preciso assistir aos indicados para poder opinar. Quero fazer isso em breve.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Nesta categoria não esqueceram de Sully. 😉 Isso porque era quase que inevitável lembrar da edição de som feita nesta produção, claro. A concorrência é fortíssima. Todos são excelentes trabalhos na edição de som. Se a noite for para um filme “papar todas”, certamente La La Land vai levar nesta categoria também. Da minha parte, prefiro ainda o excepcional trabalho de Arrival ou, em segundo lugar, de Sully.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Três dos cinco indicados na categoria anterior estão indicados novamente por aqui, o que não é raro de acontecer. Quando um filme tem uma excelente edição de som, não raras vezes ele tem uma mixagem de som igualmente brilhante. O favoritismo, novamente, é de La La Land pela razão que comentei no item anterior. Meu voto, até por não ter assistido aos outros concorrentes, iria para Arrival.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Aqui está a outra indicação de Kubo. 😉 Fiquei feliz pelo filme. Novamente, grandes filmes nesta disputa. Não conferi à maioria, por isso não me sinto exatamente na posição de opinar aqui, mas talvez este seja o caso de premiar Doctor Strange ou Rogue One: A Star Wars Story. Me parece. De qualquer forma, grandes sucessos nas bilheterias concorrem por aqui.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Como comentei na crítica de Moonlight, para o entendimento de alguns este filme deveria concorrer como Melhor Roteiro Original, enquanto para outros o certo seria Melhor Roteiro Adaptado. Na divulgação dos indicados feita pela Academia, a lista de Original saiu antes da de Adaptado e levei um susto ao não ver lá Moonlight. Sem dúvida alguma este filme merece estar lá. Tem um dos grandes roteiros do ano. A lista é forte. Acredito que os favoritos sejam Arrival, Moonlight e Fences, nesta ordem – ou não. Difícil escolher, já que são histórias tão diferentes. Eu ficaria mesmo entre Moonlight e Arrival – nesta ordem de preferência.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Como muitas vezes acontece no Oscar, a categoria Melhor Roteiro Original apresenta filmes mais “fracos” do que na categoria anterior. Isso não é novidade. Desta lista, acredito que os favoritos sejam Manchester by the Sea e La La Land, possivelmente nesta ordem. Claro que se o musical estiver em uma noite de “papar tudo”, ele leva aqui também. Acho o roteiro do filme um de seus pontos fracos, mas sabem como é… quando a Academia quer premiar alguém, ela não é, exatamente, justa. Gosto muito também do roteiro de Hell or High Water.

Fences – Um Limite Entre Nós

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A vida é o que ela faz com a gente e o que a gente faz com a nossa vida também. Algumas condições nos são dadas e outros fatos acontecem sem que tenhamos possibilidade de escolher. A forma com que lidamos com isso tem muito a dizer sobre nós. Mas além dos fatos da vida que acontecem com a gente, tem tudo aquilo que decidimos por nossa conta e que acaba moldando muito do que virá de resposta da vida pra gente. Fences é um filme que trata disso e de muito mais. Inicialmente, ele parece ter uma história simples, mas ele é tudo menos isso.

A HISTÓRIA: Dois amigos que passam os dias recolhendo o lixo da cidade estão conversando na boleia do caminhão. Troy Maxson (Denzel Washington) fala para o colega Jim Bono (Stephen Henderson) sobre a conversa que teve com o Sr. Rand. Ele questionou o chefe de porquê apenas os brancos dirigem os caminhões de lixo enquanto apenas os negros recolhem os dejetos na cidade. Pediram então para ele falar com o sindicato dos trabalhadores na semana seguinte.

Enquanto Jim pergunta se ele não tem risco de ser demitido, Troy diz que perguntou sobre isso para que todos tenham direito de dirigir, tanto brancos quanto negros. Depois eles recebem o salário deles, porque é sexta-feira, e no caminho da casa de Troy o amigo Jim pergunta sobre a aproximação dele de Alberta. Questiona se o amigo não está flertando com ela, e Troy nega, dizendo que nunca mais flertou com mulher alguma desde que casou com Rose (Viola Davis). Chegando em casa, ele continua a contar as suas histórias, e é lá que ele lidar com conflitos com Rose e com os dois filhos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Fences): Que grande filme do Sr. Denzel Washington. A exemplo do grande Clint Eastwood, Denzel costuma acertar a mão quando pega um filme para estrelar e dirigir. E ainda que Eastwood tenha parado de contracenar e siga apenas dirigindo, antes ele fez com maestria as duas funções – a exemplo do que Denzel faz aqui.

Este é um filme que vai crescendo aos poucos, sem pressa, como um cozido que precisa de muito tempo para soltar todos os seus sabores na panela. Fences começa de forma “desprensiosa”, com um grande, grande diálogo entre Troy, seu amigo Jim e, depois, alguma interferência de Rose, até que outros elementos entram em cena. Naquele começo, muito bem escrito, dirigido e interpretado, conhecemos a uma das principais característica do protagonista: ele é um contador de história.

Na verdade, ele adora falar. Ele parece falar sem parar. Denzel interpreta a um personagem que, no início do filme, parece uma matraca. Troy ama contar histórias e, fica evidente logo no início, ele gosta de ser o centro das atenções. Ou gosta, pelo menos, de ter a palavra final. Afinal, ele é o dono da casa – e, se possível, o dono do pedaço.

Mas pouco a pouco é que vamos entendendo todas as camadas de Fences. O roteiro de August Wilson, baseado em seu próprio livro Fences, nos conta a história difícil de um homem negro comum dos Estados Unidos dos anos 1950. Conforme vamos conhecendo a história de Troy, parece que ele tem uma vida “desgraçada”, no sentido de que o dinheiro dele é sempre contado.

Tanto que se não fosse a indenização que ele ganhou por cuidar do irmão Gabriel (Mykelti Williamson), um veterano ferido na guerra, ele não teria condições de comprar a casa em que ele mora com Rose e o filho Cory (Jovan Adepo). A condição limitada de Troy começa a ficar evidente logo no início do filme, quando o filho mais velho dele, de outro casamento, Lyons (Russell Hornsby), vai pedir US$ 10 emprestados para o pai.

Troy não para de dar lição de moral para o filho que quer ser músico e repete mais de uma vez que não tem dinheiro sobrando. Depois de longos minutos de discussão filosófica sobre as responsabilidades e os sonhos de um homem, Rose interfere na discussão e acaba emprestando o dinheiro para Lyons. Esta é apenas a primeira vez no filme em que a dura realidade da vida será contrastada com os desejos dos filhos de Troy.

Por estas e por outras razões que Fences é muito mais do que o conflito entre pai e filho que muitos citaram. Esta produção tem muito a ver, é verdade, com as visões conflitantes entre pais e filhos, que são de gerações diferentes, e também sobre as dificuldades de uma família para se manter unida. Tanto que é sobre este segundo ponto a analogia à cerca que Troy deve construir a pedido de Rose e para a qual ele pede ajuda de Cory.

No final das contas, e isso acaba sendo bastante ilustrativo sobre a história, Troy acaba terminando de construir a cerca sozinho e mais por uma questão de “honra” e de obrigação do que por achar necessário. Esta é uma analogia importante sobre a própria vida do protagonista. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Como ele fala para Rose em uma sequência fundamental da história, ele foi procurar fora de casa a alegria e a leveza que ele não encontrava na família que, para ele, virou basicamente uma grande obrigação.

Daí entramos em outra parte fundamental desta produção: como o que aconteceu com a gente pode moldar de forma decisiva a nossa vida. Isso tem a ver como que eu falei lá no início: que a nossa vida é um bocado do que ela fez com a gente. No caso de Troy, conforme a história vai se desenvolvendo, ficamos sabendo um pouco mais sobre as origens dele e sobre valores de família e de sobrevivência que acabaram moldando de forma definitiva o seu caráter.

Em uma sequência fundamental em que Troy fala de seu pai para Jim e Lyons, ficamos sabendo sobre a origem da compreensão que ele tem que os filhos não estão aí para serem amados, mas eles são uma grande responsabilidade para qualquer pai e mãe. Ele não recebeu amor em casa, muito pelo contrário. Foi abandonado pela mãe e foi agredido pelo pai em mais de uma ocasião – na última grande surra ele resolveu sair de casa, ainda muito jovem.

Sem dinheiro, Troy teve que perambular sozinho. Ao não conseguir emprego, virou bandido. Até que foi preso e, na cadeia, conheceu o grande amigo Jim. Ora, uma pessoa com esse histórico, não é difícil de entender que tenha uma postura de certa “dureza” no trato com a família. Ele ama Rose e é agradável com ela, assim como tenta cuidar do irmão Gabe, mas com os filhos ele é muito exigente.

Neste ponto o filme tem uma temática que é universal. Afinal, temos um pai que passou por muitas dificuldades – como muitos e muitos pais mundo afora – e que tem dificuldade de ver os filhos “brincando” com os seus próprios futuros. Para Troy é impossível entender o filho mais velho, que quer ser músico, e também o filho mais novo, que queria seguir a carreira de jogador de futebol americano.

No caso do filho músico, Troy não aceitava que ele viesse lhe pedir ajuda, já adulto, porque o protagonista não acreditava que a profissão de músico lhe daria qualquer futuro. E no caso de Cory, Troy também não via futuro na carreira dele como atleta profissional. E aí ele tinha uma mágoa própria para resolver porque, ele mesmo, Troy, apesar de ter talento no beisebol, nunca conseguiu decolar.

Novamente entra em cena a questão racial. Ela está na sequência inicial do filme e pincelada em diversas partes da história. Para Troy, os brancos nunca vão deixar os negros terem o espaço devido nos esportes. Por mais que Rose e Cory digam para Troy que as coisas mudaram e ainda estão mudando – e os dias de hoje mostram como isso acabou sendo verdade -, Troy não quer saber. O que interessa para ele é a experiência ruim que ele teve, e o resto não interessa.

Ele é uma figura dominante e, como Rose diz em certo momento tocante e especial do filme, ele sempre ocupou um grande espaço na casa. Mas se a vida de Troy era meio “desgraçada” e difícil, ele também acabou sendo o senhor de seu próprio destino ao fazer escolhas equivocadas. E aí entra o que eu comentei antes de que a vida é também o que fazemos dela, das escolhas que vamos tomando no caminho.

(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Para mim não deixou de ser chocante que um sujeito tão correto como Troy chegasse em um certo dia para Rose e dissesse que seria pai de uma criança feita fora do casamento. E detalhe: ele não estava nem um pouco arrependido. Daí vem aquela sequência em que ele fala que a vida dele era só obrigações e que ele foi buscar alegria e “leveza” fora de casa.

Nesta parte, achei fundamental o roteiro de Fences. Apesar daquela sociedade ser machista – e a de hoje ainda é -, e de Troy dizer com todas as letras que não tinha o porquê de se arrepender do que fez, Rose deixa bem clara a postura dela. Essa atitude de Rose, interpretada pela estupenda Viola Davis, também reflete o início da busca da mulher pela sua independência e por seus direitos.

Os homens sempre justificam as suas puladas de cerca e as suas mancadas, mas poucas vezes eles estão dispostos a perceber que o casamento é uma escolha de duas pessoas e uma certa “prisão” para ambos. Ora, ninguém se casa obrigado – até existem casos, hoje em dia, mas eles são minoria, ao menos nas sociedades ocidentais. Se ninguém casa obrigado, todos deveriam ter uma consciência maior de que o casamento é sacrifício, é abrir mão de certos espaços e que é preciso muita, muita paciência e comprometimento.

Se as pessoas não estão preparadas para isso, não deveriam nem entrar neste barco. Não deveriam se comprometer. Porque é fácil entrar no barco, exigir isso da outra pessoa e, quando o “peso” fica muito grande, simplesmente trair toda a confiança e o sacrifício da outra pessoa para satisfazer necessidades e desejos pessoais. Rose fala muito bem com Troy em mais de uma ocasião de como eles eram iguais no casamento, e de que ela também tinha desejos e necessidades, mas que ela soube lidar com eles em nome do casamento e do compromisso que eles tinham assumido.

Perfeito. É isso. Ou a relação é igualitária e justa para os dois, ou o mais honesto seria ela não continuar. O que Troy faz é de uma covardia gigantesca, mas ele acaba pagando o preço por ela de uma maneira muito dura. Não da forma que ele imaginou ou escolheu, mas de uma forma natural e que cobrou um grande preço dele – especialmente o do isolamento e da solidão.

Se a vida do protagonista poderia ser lida como “desgraçada” antes dele pisar na bola, ela ficou ainda pior depois. Parte disso tinha a ver com o que ele carregava dentro de si desde a época da criação dele e de tudo que aconteceu depois e que o deixou mais “duro” com a vida, mas parte teve a ver com as escolhas equivocadas que ele mesmo fez quando começamos a acompanhar a sua história.

Como tantos outros pais, Troy acha que tem que exercer a sua autoridade e mandar nos filhos pela opressão, mostrando “quem manda” a partir do poder econômico. Ele faz isso com Cory, em especial. Sempre que pode, ele lembra o rapaz de quem paga as contas e, por isso, sobre quem manda no pedaço. Não importa os sonhos e os talentos que Cory tem. A palavra final é de Troy e está acabado.

Sem perceber – aparentemente -, Troy está seguindo a linha da crueldade do pai dele e da qual ele fugiu quando pode. Daí outra reflexão significativa do filme – acho até que ela é a principal lição da história. E esta reflexão surge no final, na conversa entre Rose e o filho Cory que volta da Marinha. Cory não entendia o pai e não sabia porque ele era tão cruel e repressor.

Pois bem, todos que um dia já tiveram conflitos com um pai ou uma mãe e tiveram dificuldade de entendê-los devem, primeiro, olhar para o passado deles. Entender pelo que eles passaram, especialmente na infância, e sobre a realidade e os valores que lhes moldaram em uma fase fundamental. Depois, devem se esforçar, por mais que o pai ou a mãe seja cruel e injusto, para saber que eles tentaram fazer o melhor possível dentro do que eles eram capazes.

Esta conclusão vem de um diálogo poderoso de Rose com Cory. Troy era um sujeito que buscou trilhar um caminho correto na vida mas que teve vários tropeços e que fez várias mancadas? Ele foi um pai que não deu carinho ou amor para os filhos e que não os incentivou a seguirem os seus sonhos? Pode ser, mas ele tentou fazer o melhor que ele pode dentro das limitações que ele tinha. E todos nós temos limitações. Devemos lembrar isso com maior frequência.

Nem sempre é fácil, mas é preciso que cada um de nós nos esforcemos para entender que todos somos imperfeitos. Ao buscarmos respostas no passado e entender que escolhas equivocadas fazem parte da trajetória da vida de qualquer um, fica mais fácil ter empatia e perdoar quem não age como nós desejaríamos. Até porque, e isso Fences deixa bem claro, todos se decepcionam ou se frustram com todos.

Se os filhos de Troy não eram o que ele desejava e não agiam como ele queria, o próprio Troy não fazia tudo que os filhos ou Rose desejava. Participar de uma família exige esse tipo de compreensão e de perdão. Tudo isso faz parte do nosso aprendizado como indivíduos e coletivos. Quem não está dispostos aos problemas deste aprendizado não está pronto para tirar o melhor desta vida. Fences é uma grande reflexão sobre tudo isso.

O filme vai de questões sociais como a desigualdade racial, algo intrínseco e ainda não resolvido nos Estados Unidos e em outros países, para aprofundar-se em questões pessoais e filosóficas mais específicas do indivíduo. Trata, assim, fortemente de família, de pais e filhos, de conflitos geracionais, da busca de sonhos e de como lidamos com as dificuldades e as frustrações.

Aborda acertos e erros e sobre a capacidade que cada um tem de evoluir ou não em sua própria história, recriando a si mesmo ou carregando os seus demônios por tempo demais. É um filme sobre a vida mesma, nossas qualidades e imperfeição. Desta forma, é mais um filme desta temporada sobre tudo o que nos torna humanos, demasiado humanos. Uma grande, grande história. Um dos melhores filmes da temporada.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu tentei não escrever demais sobre Fences, mas há tanto para falar sobre este filme… tentei ser sucinta, eu juro. 😉 Mas o roteiro de August Wilson realmente é muito rico, muito interessante. Ele começa com a verborragia de Troy no início e não para de ser intenso e cheio de histórias até o final. Não dá para piscar e nem bobear ou então o espectador perde um detalhe importante do filme.

Uma das qualidades que mais ficou evidente até agora através do burburinho sobre Fences são as interpretações de Denzel Washington e de Viola Davis. De fato, eles estão soberbos. Os dois. É um verdadeiro deleite observar cada detalhe da interpretação destes dois atores gigantes. E há muitos detalhes para serem observados. Para mim, Fences entra na lista das melhores interpretações de ambos – e isso não é pouco.

Ainda que os holofotes estejam em Denzel Washington e em Viola Davis, os demais atores que fazem parte deste filme – o grupo de intérpretes é pequeno – também estão muito bem. Ainda que eles não sejam indicados ou saiam vencedores em prêmios mundo afora, vale citar o trabalho competente de Stephen Henderson como o “fiel escudeiro” do protagonista, o seu melhor amigo Jim Bono; Jovan Adepo em uma interpretação forte e bem equilibrada como o filho do casal Cory; Russell Hornsby em uma participação sensível e interessante como o filho mais velho de Troy, o músico Lyons; e Mykelti Williamson em um trabalho difícil e bem equilibrado como Gabriel, irmão de Troy.

Todos esses atores estão muito bem em seus papéis. Gostei, especialmente, por nenhum deles exagerar na dose. Certamente um trabalho decisivo e com olhar crítico do diretor Denzel Washington no comando de todas as cenas. Não era difícil algum destes atores sair do tom, mas isso não acontece. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Em um papel menor, mas encantador, está a atriz Saniyya Sidney, que interpreta Raynell, filha de Troy e adotada por Rose, na reta final da produção.

Da parte técnica do filme, gostei muito da direção de fotografia de Charlotte Bruus Christensen. Acho que ela não apenas usa lentes que nos remetem para o tempo da história, os anos 1950, mas também usa tons mais escuros e “duros” e que ajudam a mostrar, desde o princípio, que esta não é uma história simples, ou “feliz”, mas é no melhor estilo “a vida como ela é”.

Interessantes que alguns personagens importante da história e bastante citados, como Alberta e o pai do protagonista, assim como a primeira mulher dele ou a esposa do filho mais velho, ou mesmo a esposa de Jim, Lucille, são apenas citados, mas nunca aparecem. Sem dúvida uma escolha dos realizadores para concentrar a história em poucos personagens e, desta forma, aprofundar o filme em suas histórias particulares e na relação dos personagens entre si.

Este é um filme com uma quantidade impressionante de diálogos. De conversas entre os personagens. Interessante como o diretor Denzel Washington se preocupou, neste momentos, em evitar a câmera estática. Ele está sempre procurando movimentar a câmera, muitas vezes ao redor dor atores, buscando um certo ritmo e dinâmica na produção para manter o interesse do espectador. Funciona. Neste sentido, ajuda bastante também a edição de Hughes Winborne que sabe, nos momentos certos, valorizar esta dinâmica das câmeras e, em outras partes, promover cortes para ajudar nesta dinâmica do filme.

Ajudam muito a ambientar o filme no clima correto da história o design de produção de David Gropman, a direção de arte da dupla Karen Gropman e Gregory A. Weimerskirch, a decoração de set de Rebecca Brown e, principalmente, os figurinos de Sharen Davis.

Fences estreou em circuito limitado nos Estados Unidos no dia 16 de dezembro de 2016. Ou seja, o filme entrou quase no último minuto para ser habilitado a concorrer ao Oscar 2017. Não à toa o burburinho da produção foi crescendo aos poucos e nas últimas semanas. Afinal, ele estreou realmente em circuito comercial nos Estados Unidos e no Canadá apenas no dia 25 de dezembro. Pouco a pouco, a partir de fevereiro de 2017 ele vai chegando nos outros mercados pelo mundo.

Esta produção teria custado US$ 24 milhões – uma parte importante deste dinheiro foi, provavelmente, para pagar os cachês dos grandes atores envolvidos na produção – e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 42 milhões até ontem, dia 10 de janeiro. Ou seja, ele já está trilhando o caminho de lucrar. De qualquer forma, ele foi muito bem nos Estados Unidos, o que ajuda o filme em sua campanha pelo Oscar 2017.

Fences foi totalmente rodado na cidade de Pittsburgh, no Estado da Pensilvânia.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Fences, a história original, estreou na Broadway em 1987. Na época, a história ganhou os prêmios Tony (o Oscar do teatro) de Melhor Peça, Melhor Ator (para o grande James Earl Jones) e Melhor Atriz (para Mary Alice).

O resgate de Fences em 2010 fez a história ganhar um Tony como o Melhor Revival de uma peça, além dos prêmios de Melhor Ator (para Denzel Washington) e de Melhor Atriz (para Viola Davis). Eu não sabia que estes dois gigantes já tinham vivido esta história no teatro. Isso explica como eles se saíram tão bem em suas interpretações. Conhecem o texto como poucos. Na verdade, os cinco atores com papéis adultos na história reviveram os seus personagens interpretados no teatro em 2010 neste filme.

Escrito pelo dramaturgo August Wilson em 1983, Fences é a sexta das 10 peças dele do chamado “Ciclo de Pittsburght”. Como todas as demais peças deste ciclo, Fences explora a evolução da experiência afro-americana e examina as relações raciais, entre outros temas. A peça ganhou, além dos Tony’s citados, o prêmio Pulitzer em 1987.

Para muitos a classificação de Viola Davis como Atriz Coadjuvante para os prêmios foi incorreta, já que ela poderia (ou deveria) ser classificada como Melhor Atriz. Em uma entrevista para a Deadline o ator Denzel Washington disse que discordava desta crítica e que Viola Davis tinha a liberdade de escolher em que categoria ela deveria ser classificada, inclusive para melhorar as suas chances de vencer. Também acho que as classificações de atriz principal ou coadjuvante são relativas. E Fences não é o primeiro filme em que esta divisão é muito tênue.

O autor August Wilson insistiu para que um diretor afro-americano dirigisse a adaptação para o cinema. Curioso que quando a Paramount Studios adquiriu os direitos sobre Fences, em 1987, a ideia era que o ator Eddie Murphy, que buscava papéis mais “sérios” para a sua carreira, interpretasse a Cory. Só que naquele ano Murphy já tinha 10 anos a mais que o personagem e, conforme a adaptação para o cinema da peça foi atrasando, ficou impossível dele participar do projeto.

Esta é a primeira vez que August Wilson adapta uma de suas peças mais aclamadas. Mas apesar dele ter trabalhado muito tempo nesta adaptação, o roteiro do filme ainda estava incompleto quando ele morreu em 2005. Em janeiro de 2016 o Deadline Hollywood informou que o produtor Scott Rudin tinha contratado o premiado dramaturgo (vencedor de Tony e Pulitzer) Tony Kushner para terminar o roteiro de Wilson. Apesar do crédito não aparecer para ele como roteirista, ele foi creditado como um dos coprodutores.

Denzel Washington ficou confortável com o material original para ele interpretar o protagonista e dirigir o filme após ele ter interpretado o papel em 114 apresentações no Teatro Cort, na Broadway, em Nova York, no ano de 2010.

Denzel Washington havia dirigido Viola Davis em outro filme: Antwone Fisher, a estreia do ator na direção de uma produção. Viola Davis fez um papel secundário naquele filme, como Eva May.

Aliás, vamos falar deste gigante Denzel Washington. Para mim, e não é de hoje, um dos melhores atores de sua geração. Ele tem nada menos que 56 títulos no currículo como ator e quatro produções que ele dirigiu. Além de Antwone Fisher, de 2002, ele dirigiu The Great Debaters (comentado aqui) e, no ano passado, ao episódio The Sound of Silence da série de TV Grey’s Anatomy.

Não citei antes, mas um elemento interessante deste filme é a trilha sonora cheia de jazz de Marcelo Zarvos. Ela casa muito bem com a história e dá o tom certo para o filme.

Estava aqui pensando em um ponto importante do filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu a Fences). Apenas a sociedade dos anos 1950, os costumes e os valores da sociedade daquele época para explicar como Rose aceita criar a filha de Troy e aceita ele ficar na mesma casa mesmo depois dele ter continuado com a amante durante o tempo todo. Se fosse hoje, certamente, ao ver que o marido ia continuar com a amante, Rose provavelmente o teria feito sair de casa ou ela teria saído com o filho e pedido pagamento de pensão e divisão de bens, mandando ele cuidar da própria vida e de sua “felicidade” e “liberdade” que ele tanto buscou. Outros tempos, sem dúvidas.

Até o momento Fences ganhou 31 prêmios e foi indicado a outros 86. Números impressionantes para um filme que está há menos de um mês no circuito. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante para Viola Davis ganho no último domingo. Viola Davis ganhou outros 20 prêmios como Melhor Atriz Coadjuvante. O ator Denzel Washington também recebeu três prêmios como Melhor Ator; Fences ganhou como Melhor Roteiro duas vezes; e Fences integra a lista dos 10 melhores filmes do ano segundo o Prêmio AFI.

Aliás, até o momento, aqui no blog eu comentei cinco dos 10 melhores filmes do ano segundo o Prêmio AFI. São eles: Zootopia (comentado aqui), Arrival (com crítica neste link); Hell or High Water (com crítica aqui); e Sully (comentado neste link). Falta assistir ainda La La Land, Manchester by the Sea, Moonlight, Silence e Hacksaw Ridge. Amanhã será a vez de assistir a La La Land. 😉

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,8 para esta produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 141 críticas positivas e sete negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 95% e uma nota média 8. Apesar do nível de aprovação ser bom para os dois sites, achei um tanto baixa a avaliação do público que votou no IMDb. Especialmente se levarmos em conta o nível de aprovação de outras produções fortes desta temporada pré-Oscar.

Este filme é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso ele atende a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Fences é um destes filmes que explica o porquê do cinema ser uma arte tão incrível. Verdade que a origem da história veio de outro formato que, imagino, seja tão maravilhoso quanto, mas apenas um grande filme pode nos apresentar interpretações tão fantástica e nos fisgar pela razão e pela emoção de forma tão completa. Denzel Washington não é apenas um estupendo ator, mas também um diretor cuidadoso. Ele que nos transporta nesta história que é humana, demasiado humana.

Ao mesmo tempo que Fences nos apresenta agruras e detalhes de vidas que parecem ter uma data e local específicos, o filme fala de histórias muito próximas. Trata de relações que conhecemos bem porque aborda, realmente, o heroísmo e as fraquezas de pessoas comuns. Gente que, como nós, falha, mas tenta sempre fazer o melhor. Fences é universal porque trata com maestria sobre pessoas e famílias. Tudo isso com um texto incrível e interpretações irretocáveis. Imperdível.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Fences tem tudo para chegar bem na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Depois da campanha dos últimos anos, incluindo 2016, contra o esquecimento de realizadores e de atores negros na premiação, a expectativa é que este ano esteja em evidência apenas o talento dos envolvidos em cada filme e não a questão racial.

Ou seja, a expectativa é que filmes fortes desta temporada como Fences e Moonlight tenham o destaque eles merecem. Se isso de fato acontecer, Fences deve ser indicado em pelo menos quatro categorias, podendo emplacar em alguma outra mais técnica.

As indicações óbvias são para Melhor Filme, Melhor Ator para Denzel Washington, Melhor Atriz Coadjuvante para Viola Davis e Melhor Roteiro Adaptado. Ele ficar fora de algumas destas categorias seria estranho. A maior chance, parece, até pelas premiações entregues até o momento, parece estar com uma estatueta dourada indo para Viola Davis. Ela é a favorita da categoria.

Não seria uma surpresa se Denzel Washington ganhasse o prêmio de Melhor Ator. Até o momento o meu voto iria para ele – mas ainda preciso assistir aos seus principais concorrentes em Manchester by the Sea e La La Land. O filme também tem boas chances em Roteiro Adaptado, ainda que a categoria tenha na disputa fortes concorrentes como Moonlight e Arrival. Na categoria Melhor Filme ele corre muito por fora – o favoritíssimo é mesmo La La Land.

Para resumir, Fences deve ser indicado em quatro categorias, pelo menos, e tem real chance em uma, de Melhor Atriz Coadjuvante. Mas não seria uma surpresa levar também em Melhor Ator.

ADENDO (22/02): Faltando pouco mais de uma semana para Fences estrear nos cinemas do Brasil, atualizei o título deste post com o nome oficial da produção no país. Vamos combinar que “Cercas” teria sido bem melhor, não? Achei “Um Limite Entre Nós” bem, bem ruim. Mas ok, ignorem o nome do filme em português e o assistam. Ele merece.

PEQUENO ALERTA: Meus caros leitores aqui do blog, eu vou seguir com as publicações normais até o Oscar 2017, para seguir uma tradição aqui do blog. Mas passada a premiação, se eu não tiver conseguido uma boa adesão na campanha de apoio ao blog, eu vou dedicar mais tempo para outras atividades que me deem retorno financeiro e vou tornar as atualizações aqui mais escassas ou bem mais sucintas. Se você quer ajudar o blog a continuar como ele está agora ou até a ampliar a frequência de publicações, sugiro o apoio a este projeto:

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