E o Oscar 2017 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

Preparations continue Thursday, February 23, 2017 for the 89th Oscars® for outstanding film achievements of 2016 which will be presented on Sunday, February 26, 2017 at the Dolby® Theatre and televised live by the ABC Television Network.

 

Olá amigos e amigas do blog!

Mais uma vez estamos juntos em uma entrega do prêmio anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Este é um ano especial, com uma safra realmente excepcional de filmes.

Não há filme ruim na disputa. Cada um de nós tem a sua preferência e os seus gostos pessoais. Mas é fato que nenhum filme será premiado sem mérito. Isso é um grande avanço para o Oscar. A Academia também está dando alguns passos adiante ao indicar, depois de muitos anos de injustiça, uma série de filmes e de atores negros. Finalmente o Oscar deixou de ser “tão branco”.

A expectativa para esta noite é de consagração do musical La La Land. O filme deve ganhar em 10 categorias, aproximadamente, incluindo a de Melhor Filme. As razões para esta produção ser tão premiada vão além da questão pura e simples do cinema. Tem muito mais a ver com a conjuntura social e política em que os Estados Unidos e Hollywood estão imersos. Ao premiar La La Land, Hollywood está defendendo a sua indústria. Minha opinião sobre isso vocês podem encontrar por aqui, em um texto que produzi sobre o assunto para a revista Plural do jornal Notícias do Dia.

Como comentei no texto citado, o Oscar 2017 é marcado por diversos filmes baseados em histórias reais e/ou que tratam de temas muito contemporâneos e importantes nos nossos dias. Isso vale para quase todas as categorias em disputa, dos curtas até os longas estrangeiros e os documentários. Volto a dizer: a safra deste ano é excepcional.

A cobertura do tapete vermelho começou as 19h30, mas é a partir de agora, às 20h15, que começo a cobertura aqui pelo blog. Vou informando vocês sobre o que os astros e estrelas falaram no tapete vermelho e, quando a premiação começar, sobre todos os premiados da noite. Diferente dos dois últimos anos, em 2017 volto a fazer a cobertura pelo blog e também pelo Twitter @criticanonsense

No tapete vermelho do Oscar entrevistaram Saroo e os pais adotivos dele, John e Sue Brierley. A história real deles é contada no filme Lion. Para mim, a produção mais “fraca” na disputa de Melhor Filme. Ok, a história de Saroo é muito bacana, mas o filme não faz jus a ela. Acho que Lion só chegou a seis indicações ao Oscar porque tem como produtores os “reis do lobby”, os irmãos Weinstein.

O apresentador da vez, Jimmy Kimmel, deu uma entrevista para o canal E! antes da noite de premiações. De boa? Achei ele bem fraquinho. Vamos ver se na apresentação do Oscar ele se sai melhor. Esperamos que sim, até para que não seja um fiasco. Aliás, o que esperar da noite de premiação?

Certamente teremos muitos e muitos discursos políticos contra Donald Trump e a sua política restritiva aos imigrantes. Também espero uma premiação relativamente rápida, seguindo o padrão do Oscar dos últimos anos. Prevejo uma noite com menos espetáculo e mais “pano para manga” para a próxima semana, com discursos contundentes e talvez inflamados.

Este será um ano interessante porque grandes atores devem levar para casa uma estatueta dourada. São mais que esperados os prêmios para Denzel Washington, Viola Davis e Mahershala Ali. Todos são mais que merecedores neste ano. Pode estragar um pouco a festa se Casey Aflleck levar a estatueta de Melhor Ator. Não que ele esteja ruim em Manchester by the Sea, mas temos que convir que ele nunca terá o talento de Denzel.

Oscar® Nominee, Isabelle Huppert, arrives on the red carpet of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2017.

Admito para vocês que, até agora, 20h37, o tapete vermelho está bem morno. Pelo visto os nomes mais interessante, com exceção da divina Isabelle Huppert, que já apareceu em cena, só vão chegar mais perto do horário da premiação começar.

Sting e John Legend vão se apresentar na noite. Eles são ótimos cantores e vão garantir momentos bacanas na premiação, não há dúvida, mas Legend em La La Land é uma ponta fraca do filme. Ele preenche bem a cena, mas quanto à interpretação… tem muito que aprender ainda.

Depois de Pharrell Williams, aparece em cena uma das estrelas de Hidden Figures, Taraji P. Henson. Honestamente? Ela está ótima no filme. Até merecia ter uma indicação na noite de hoje, mas realmente ficou complicado conseguir uma vaga em uma noite com grandes atrizes em cena. Mas não lhe faltou mérito. Ela realmente está surpreendente no filme. É um nome a ser acompanhado no cinema – na TV ela é mais conhecida, claro.

O jovem ator Andrew Garfield, um dos pontos fortes do excelente Hacksaw Ridge, está super feliz de receber a primeira indicação ao Oscar. Para marcar esta data, ele foi para a premiação com os pais e alguns amigos que são atores. Ele disse que se inspirou no exemplo dos veteranos de guerra para fazer o seu papel, especialmente pensando na realidade que todos eles têm de ir para a batalha sem saberem se irão voltar para casa.

Aliás, se esta deve ser a noite de dois veteranos – Denzel Washington e Viola Davis -, poderá ser também a noite de dois nomes com bem menos história no cinema, Emma Stone e Mahershala Ali. Mas, além deles, temos a genial Meryl Streep em sua 20ª indicação, algo histórico, e também jovens talentos despontando, a exemplo de Andrew Garfield e Lucas Hedges.

Em cena o ótimo Mahershala Ali, favoritíssimo da noite como Melhor Ator Coadjuvante. Ele comenta que já conhecia o trabalho do diretor Barry Jenkins e que ficou muito feliz quando surgiu o roteiro de Moonlight e a oportunidade de fazer o filme. Moonlight é mais que necessário e tem grandes atores em cena, inclusive Ali, que faz um ótimo trabalho.

Como comentei há pouco no Twitter, este ano estou menos “nervosa” com o Oscar. Talvez porque as bolas estejam quase todas cantadas, sem muita possibilidade de surpresa na noite, mas também deve contribuir para isso o fato de que em 2017 não deveremos ter nenhuma grande injustiça. Sim, aqui e ali podíamos ter um premiado “mais merecedor”, mas quem levar não terá vencido por lobby, mas porque tem as suas qualidades.

O maior exemplo disso é La La Land. O filme é ruim? Não, ele é muito bem acabado e, especialmente na parte técnica, impecável. Mas ele é o melhor filme do ano? Não, não é. Tem pelo menos quatro produções da lista que concorre a Melhor Filme que eu acho melhor que ele. Ainda assim, não será injusto ele levar a estatueta, seja pelo “conjunto da obra”, seja pelas razões políticas da Academia. Enfim, este está sendo um ano tranquilo.

Em menos de meia hora, agora, vai começar a premiação do Oscar. Que ninguém se surpreenda com La La Land acumulando prêmios logo no início. Isso porque o Oscar sempre tem uma boa sequência de prêmios técnicos, onde o filme deve papar quase tudo. Vale lembrar que o filme tem 14 indicações e 13 chances de vencer – afinal, ele tem duas indicações em Melhor Canção. Deve perder apenas em Melhor Ator, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição de Som. Exceto por esta última categoria, as derrotas do filme devem ficar mais para a reta final do prêmio.

Então vamos lá, minha gente. Na torcida para que Jimmy Kimmel não seja uma piada como apresentador (desculpem a piadinha tosca, mas é o nervosismo por achar que ele será um desastre).

O Oscar 2017 com Justin Timberlake saindo dos corredores do Dolby Theatre para chegar no local da premiação cantando, no trajeto, “Can’t Stop the Feeling”, canção indicada na noite pelo filme Trolls. Achei bacana a sacada do começo. Primeiro, por ser inédita na premiação. Depois, por seguir um pouco a ideia de “vida real” invadindo o cenário de sonhos de Hollywood, algo muito coerente com a safra deste ano. Começamos bem.

Depois de um belo começo com Justin Timberlake, sobe ao palco Jimmy Kimmel. E ele começa com aquelas velhas piadas de “esta é a minha primeira vez no Oscar e possivelmente a última”. Ok. Mas depois ele faz uma boa piada com Mel Gibson, dizendo que só tem um “braveheart” na plateia e que ele não vai conseguir unir todo mundo. Começaram as piadas políticas. Em seguida ele faz a esperada piada com Matt Damon.

Kimmel faz uma piada agradecendo Donald Trump, dizendo que no ano passado o Oscar não indicou negros, mas que isso mudou desde então. Neste ano, os negros salvaram a NASA e os brancos salvaram o jazz – piada envolvendo Hidden Figures e La La Land. Ele seguiu fazendo várias piadas com indicados, nada demais. Mas foi legal ele citar Isabelle Huppert, apesar de fazer piadinha desnecessária com Elle dizendo que ninguém assistiu ao filme.

E, claro, não poderia faltar a tradicional piada com Meryl Streep. Mas ele acertou na piada, especialmente por tirar sarro da crítica de Donald Trump. Kimmel comentou que ela era superestimada e pediu para todos aplaudirem Meryl Streep apesar dela não merecer. Bela sacada, apesar de previsível. Mas a boa piada foi quando ele comentou da responsabilidade de todos que estavam indicados de fazerem discursos que depois seriam comentados pelo presidente pelo Twitter.

Bacana a ideia do Oscar deste ano de mostrar um vídeo com vários premiados em cada uma das categorias em anos anteriores. E o primeiro prêmio da noite, como já é tradição da premiação, foi o de Melhor Ator Coadjuvante. E o Oscar foi para… Mahershala Ali, de Moonlight. Ele era favoritíssimo e, apesar de ter outros nomes fortes na disputa, confirmou a predição. Ele mereceu. Está ótimo neste grande filme chamado Moonlight.

Em seu discurso, Mahershala começa agradecendo os seus professores. Depois diz que os atores são apenas o instrumento para dar voz para os personagens. Ele então fala dos personagens de Moonlight e do elenco do filme. Muito calmo, sereno, homenageou também a esposa e demonstrou toda a sua religiosidade, pedindo bênçãos para todos. Se eu já era fã dele, fiquei ainda mais.

Mahershala Ali poses backstage with the Oscar® for Performance by an actor in a supporting role, for work on “Moonlight” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2016.

Na volta do intervalo, Kimmel segue com as piadas com toques políticos. Ok, até agora ele tem conseguido ser razoável. Veremos até o final da noite. Na sequência, foram apresentados os três indicados na categoria Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Suicide Squad. Uma das grandes bilheterias do ano passado, ele derrota o mais apontado na bolsa de apostas Star Trek Beyond. Para os fãs do filme deve ter sido uma boa surpresa.

Na sequência, os indicados na categoria Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Fantastic Beasts and Where to Find Them. E eis que surge a segunda “zebra” da noite, vencendo os apostadores. La La Land perdeu em uma categoria em que os apostadores tinham apostado nele. Olha, quem sabe não tenhamos mais surpresas nesta noite? Eu iria adorar uma surpresa em Melhor Filme. 😉 Interessante que foram premiados dois filmes que foram destaque em bilheteria. Bom para os fãs de ambos.

No retorno do intervalo, as deslumbrantes e super talentosas Janelle Monáe, Taraji P. Henson e Octavia Spencer sobem ao palco para apresentarem o filme Hidden Figures. E então sobe ao palco Katherine G. Johnson, que é aplaudida de pé pelos astros e estrelas. Ela é a única das três homenageadas em Hidden Figures que está viva – a personagem dela é interpretada por Taraji P. Henson.

Na sequência, foram apresentados os indicados na categoria Melhor Documentário. E o Oscar foi para… O.J.: Made in America. Bola cantadíssima. O filme é interessante, verdade, mas não era o meu favorito. Se não assistiram ainda, assistam ao premiado e também a 13th. Especialmente este último é uma peça de arte. Fundamental.

Depois de mais uma aparição dispensável de Kimmel, sobe ao palco The Rock para chamar para o cenário a jovem Auli’i Cravalho para cantar a música da animação Moana que está concorrendo em Melhor Canção, “How Far I’ll Go”. Muito bonita, Auli’i surpreende bela bela voz, potente e muito límpida. Natural do Hawaii, Auli’i tem apenas 16 anos de idade e respirou aliviada após a linda apresentação. Um momento bacana do Oscar até então. Aliás, as apresentações musicais, até agora, surpreenderam.

Retornando do intervalo, a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs sobre no palco para falar da comunidade do qual todos os presentes fazem parte. Ela comenta que esta comunidade é global e que está mais inclusiva.

Cheryl Boone Isaacs foi a grande responsável pela “revolução” que aconteceu na Academia no último ano e por, finalmente, a Academia reconhecer o talento, não importando a cor de pele. Por isso, com muito mérito, tantos negros foram indicados neste ano. Estava mais que na hora disso acontecer. Segundo Cheryl Boone, é a magia do cinema que todos estão celebrando nesta noite.

Na sequência, começam as categorias de som. E o Oscar de Melhor Edição de Som foi para… Arrival. Que legal! Fico muito feliz que Arrival saia da noite de hoje ao menos com um prêmio. O filme merece, sem dúvidas! E eis que La La Land perde o seu segundo prêmio. Também fico feliz por isso, admito. Arrival é ótimo. Quem não assista, vá atrás!

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Na sequência, o Oscar de Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Hacksaw Ridge. Opa, outra surpresa! Novamente fico bem feliz que um filme que tinha chances de sair da noite sem nada tenha ganhado ao menos um Oscar. Hacksaw Ridge é um grande filme. Merece vencer o preconceito contra filmes de guerra porque esta é uma produção muito diferente do gênero.

Vejam que curioso. Segundo as bolsas de apostas, Melhor Edição de Som iria para Hacksaw Ridge e Melhor Mixagem de Som iria para La La Land. Hacksaw acabou levando, na categoria contrária a das apostas, e La La Land perdeu mais uma. Sim, o musical é ótimo na técnica, mas francamente acho que ele não merece levar um grande número de estatuetas. Fiquei feliz por Arrival e Hacksaw Ridge.

No retorno de mais um intervalo, o ator Vince Vaughn apresenta as premiações especiais do Oscar deste ano. Os homenageados deste ano foram Lynn Stalmaster, Anne V. Coates, Frederick Wiseman e Jackie Chan. Quatro grandes nomes, sem dúvida, pena que deram um espaço minúsculo para cada um deles falar. Poderiam ter dado um espaço maior, sem dúvida.

Na sequência, um “remember” de atrizes que receberam o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. E o Oscar 2017 de Melhor Atriz Coadjuvante foi para… Viola Davis. Oh yeah! Finalmente! Esta era a terceira indicação de Viola Davis, e foi a primeira vez que ela levou a estatueta para casa. Essa atriz maravilhosa merece, e não é de hoje, este prêmio. Bacana. Segundo Oscar super cantado da noite e muito merecido.

Em seu discurso, Viola Davis fala sobre como as pessoas geniais se encontram no cemitério. E que é preciso exorcizar as suas histórias. Ela disse: “Nós somos a única profissão que celebra o que significa viver uma vida”. Maravilhoso o discurso dela. Celebrou a vida, as histórias de pessoas comuns e de perdão (algo que Fences faz com maestria), a arte, o esforço e o talento. Viola incrível. Especial também quando ela agradeceu Denzel Washington. Torço por ele nesta noite. E espero que Viola Davis ganhe não apenas esta, mas também outras estatuetas do Oscar.

Viola Davis poses backstage with the Oscar® for Performance by an actress in a supporting role, for work on “Fences” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2016.

No retorno de mais um intervalo, Kimmel ainda não consegue decolar. Na sequência, uma outra inovação do Oscar: trazer astros e estrelas para falar de filmes e atuações que lhe inspiraram. Charlize Theron fala de The Apartment e da maravilhosa interpretação de Shirley MacLaine. As duas sobem ao palco juntas e Shirley MacLaine é aplaudida por todos de pé.

Charlize Theron e Shirley MacLaine sobem ao palco para apresentar os indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira. E o Oscar foi para… Forushande (ou The Salesman). O grande Asghar Farhadi não foi para a noite de premiação, mas mandou uma mensagem contundente. Disse que não foi lá receber o seu segundo Oscar em respeito às pessoas de seu país e de outros 60 países que foram desrespeitados pela legislação excludente de Donald Trump. Em sua mensagem, Farhadi pede por mais empatia.

O filme de Farhadi é excepcional. Era o melhor filme em disputa. Por isso fico feliz que ele tenha sido reconhecido hoje. E a mensagem dele também foi muito acertada. Bacana. Na sequência, Sting apresentou “The Empty Chair” que concorre a Melhor Canção e que está no filme Jim: The James Foley Story. Bela canção. Mais uma mensagem importante.

No retorno do intervalo, a sequência de indicados nas categorias curta-metragens. E a primeira a ser apresentada foi a categoria Melhor Curta de Animação. E o Oscar foi para… Piper. Era realmente uma boal bem cantada. Veremos as próximas duas, se os apostadores também acertaram… Piper é lindo. Recomendo.

Na sequência, o apresentador Gael Garcia Bernal fura o script e fala que por ser um imigrante ele é contra qualquer divisão. Depois vieram os indicados na categoria Melhor Animação, e o Oscar foi para… Zootopia. Outra estatueta super cantada. E o filme merece. Ele é bacana e tem uma mensagem ótima de inclusão. Algo fundamental nestes dias.

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A dupla de atores de Fifty Shades Darker, Dakota Johnson e Jamie Dornan sobrem ao palco para apresentar os indicados em Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… La La Land. Primeiro prêmio da noite para o filme. Sem dúvida a produção era a favorita na disputa e, desta vez, confirmou o seu favoritismo.

E nesta ideia de “vida real” invadindo o cenário de sonhos de Hollywood, um grupo de “turistas” é convidado a entrar no Dolby Theatre no meio da cerimônia do Oscar. Uma boa esfriada na cerimônia, mas tudo bem. Realmente acho difícil esse Kimmel apresentar mais um Oscar.

No retorno do intervalo, os indicados em Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… The Jungle Book. Mais um Oscar que era previsto. Outro grande sucesso nas bilheterias do ano passado e que foi reconhecida com uma estatueta dourada. Na sequência, mais um depoimento sobre um filme que marcou um ator. Desta vez o ator Seth Rogen homenageia Michael J. Fox e o filme Back to the Future.

Os dois atores sobem no palco, saindo de um DeLorean. Bem bacana essa sacada do Oscar deste ano. E o Oscar de Melhor Edição foi para… Hacksaw Ridge. Puxa, que bacana! A edição deste filme é realmente algo incrível. Sou suspeita para falar, porque gostei muito desta produção. E, assim, La La Land perde mais uma. 😉 Novamente a maioria dos apostadores perdeu o seu dinheiro. Nesta categoria o favorito era La La Land.

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No retorno de mais um intervalo, os indicados a Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… The White Helmets. O curta realmente parece muito interessante, e marca a primeira vitória da Netflix. O tema da Síria precisa ser bem tratado e ganhar evidência, até para que alguém achei uma solução para aquele drama humano.

E o Oscar de Melhor Curta foi para… Sing. Esta sim uma surpresa na noite. Ele não estava cotado entre os favoritos. O curta é bacana, tem uma mensagem bonita, mas a minha torcida ia para o espanhol Timecode. Na sequência foram apresentados os Prêmios Técnicos e Científicos do Oscar, premiação paralela feita pela Academia. No total, foram entregues 18 prêmios para estas pessoas que tornam a fábrica do cinema sempre avançar e fascinar plateias mundo afora.

No retorno, Javier Bardem homenageia Meryl Streep e a sua interpretação em The Bridges of Madison County. Ver isso vale qualquer premiação do Oscar. Até agora, para mim, estas homenagens e os discursos de Viola Davis e Mahershala Ali foram os pontos fortes da noite. Javier Bardem e Meryl Streep apresentam os indicados em Melhor Fotografia. E o Oscar foi para… La La Land. Sem dúvida alguma a fotografia do musical é um dos pontos fortes da produção. Mereceu levar a estatueta.

Achei interessante a parte em que tweets raivosos foram lidos pelos próprios atores que são citados por eles. Quem sabe este tapa na cara não ajude as pessoas a pensarem um pouco sobre o que escrevem por aí? As pessoas poderiam evitar de serem tão idiotas, não é verdade?

Seguindo a premiação, Ryan Gosling e Emma Stone aparecem em cena para apresentar as duas indicações de La La Land na categoria Melhor Canção. Apresentando as duas músicas, John Legend. Pena. Eu ia gostar muito dos atores que realmente cantam estas músicas poderem interpretá-las no Oscar. Mas entendo que a Academia precisava de um artista para seguir a sequência de apresentações do tipo. E assim o público viu Legend interpretando a “City of Stars” e “Audition (The Fools Who Dream)”. A primeira é a favorita nesta categoria.

No retorno do intervalo, o ator Samuel L. Jackson apresentou os indicados a Melhor Trilha Sonora. E o Oscar foi para… La La Land. Mais que esperado. Nesta categoria, em 2017, apenas grandes trabalhos. La La Land merece, claro. Justin Hurwitz é um dos grandes responsáveis pelo sucesso do filme.

Na sequência, Scarlett Johansson apresenta os indicados em Melhor Canção. E o Oscar foi para… “City of Stars”, de La La Land. Merecido, bem merecido. A música estourou mundo afora, inclusive aparecendo em diversas listas de mais tocadas quando o filme estreou.

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Depois de um momento de alegria com os últimos premiados, a atriz Jennifer Aniston sobe ao palco para chamar a linda homenagem aos falecidos no último ano, incluindo o ator Bill Paxton, que morreu na véspera da premiação do Oscar 2017. Bela homenagem, sem dúvida. Muita gente super competente já nos deixou. Neste e em vários outros anos.

No retorno do intervalo, Jimmy Kimmel tira sarro de uma das inovações do Oscar deste ano, as homenagens para grandes atores e atrizes e seus filmes e ironiza o trabalho de Matt Damon. Então sobem ao palco Matt Damon e Ben Affleck. Os dois apresentam a categoria Melhor Roteiro Original. E o Oscar foi para… Manchester by the Sea.

Bacana. Manchester era o melhor na disputa, sem dúvida. Na sequência, Amy Adams sobe ao palco para apresentar os indicados a Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… Moonlight. Aí, agora sim! Esta era uma categoria disputadíssima, com grandes roteiros na disputa, mas eu estava torcendo por Moonlight. Grande filme e grande roteiro. Super merecido. A Academia acertou nas duas entregas em roteiro. Vejam os filmes, se ainda não o fizeram.

No retorno de mais um intervalo – como tem intervalo essa premiação, my God! -, a atriz Halle Berry apresenta os indicados a Melhor Diretor. E o Oscar foi para… Damien Chazelle, de La La Land. Aqui existia chance quase zero de outro resultado. Em seu discurso, Chazelle agradeceu a várias pessoas da equipe de produção e aos atores.

Na reta final da premiação, a atriz Brie Larson apresenta os indicados na categoria Melhor Ator. E o Oscar foi para… Casey Affleck, de Manchester by the Sea. Bueno, o que dizer? Eu não tenho dúvidas de que Denzel Washington merecia a estatueta. Não apenas por estar em um nível muito acima da maioria, mas porque Denzel realmente está melhor que os outros por seu papel em Fences. Mas… Casey Affleck não está mal. Realmente Manchester é o filme da vida dele até agora. Então ok.

Depois de mais uma sequência de atrizes premiadas aparecer na telona do Dolby Theatre em um revival da premiação, Leonardo DiCaprio aparece em cena para apresentar as indicadas em Melhor Atriz. E o Oscar foi para… Emma Stone, de La La Land. O musical é o filme da vida dela até o momento. Pelo visto a Academia resolveu premiar este tipo de interpretação neste ano – mais uma vez.

Super respeito a decisão da Academia de premiar jovens talentos que estão no “auge” de suas carreiras, nos papéis de suas vidas, mas é complicado achar que é justo uma premiação dar estatuetas para Emma Stone e Casey Affleck em um ano em que estão concorrendo Isabelle Huppert e Denzel Washington, não? Mas algo ao menos me consola: os premiados deram o sangue em seus respectivos filmes.

Agora só falta um prêmio, o principal da noite. Todos os prognósticos apontam para La La Land. Os grandes atores e veteranos Faye Dunaway e Warren Beatty subiram ao palco para apresentar os concorrentes deste ano em Melhor Filme. Volto a repetir: eis uma grande safra. Tentem assistir a todos os indicados, caso ainda não fizeram isso.

E o Oscar de Melhor Filme foi para… La La Land. Era o preferido por ser uma ode ao cinema, justamente. Com este prêmio, La La Land fecha a noite com sete estatuetas. Conquistou, assim, metade das estatuetas pelas quais concorria. Nada mal. Me pareceu mais justo o Oscar 2017 espalhar parte de suas categorias entre tantos filmes merecedores este ano.

Esqueçam o que foi dito acima. De forma inacreditável e pela primeira vez na história do Oscar eles conseguiram entregar o prêmio principal para o filme errado. Pois sim. Warren Beatty entregou o Oscar de Melhor Filme para La La Land, mas não era ele que estava no cartão de premiado. Uma das pessoas que subiu ao palco para fazer o discurso de agradecimento é que viu o erro e entregou o Oscar de Melhor Filme para Moonlight.

Olha, fora o choque geral do povo, devo admitir que eu gostei do resultado final. Pelo segundo ano consecutivo o favorito da noite perde o Oscar principal para outro concorrente. E, nas duas vezes, eu considero que o melhor filme venceu. Boa noite e obrigada aos que seguiram a entrega do Oscar mais uma vez por aqui. Até o próximo!

Barry Jenkins and Adele Romanski accept the Oscar® for Best motion picture of the year, for work on “Moonlight” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2017.

Confiram a lista com todos os premiados do Oscar 2017:

Melhor Filme: Moonlight

Melhor Ator: Casey Affleck (Manchester by the Sea)

Melhor Atriz: Emma Stone (La La Land)

Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Moonlight)

Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis (Fences)

Melhor Animação: Zootopia

Melhor Fotografia: La La Land

Melhor Figurino: Fantastic Beasts and Where to Find Them

Melhor Diretor: Damien Chazelle (La La Land)

Melhor Documentário: O.J.: Made in America

Melhor Curta Documentário: The White Helmets

Melhor Edição: Hacksaw Ridge

Melhor Filme em Língua Estrangeira: The Salesman (Forushande)

Melhor Maquiagem e Cabelo: Suicide Squad

Melhor Trilha Sonora: La La Land

Melhor Canção Original: “City of Stars” (La La Land)

Melhor Design de Produção: La La Land

Melhor Curta de Animação: Piper

Melhor Curta: Sing

Melhor Edição de Som: Arrival

Melhor Mixagem de Som: Hacksaw Ridge

Melhores Efeitos Visuais: The Jungle Book

Melhor Roteiro Adaptado: Moonlight

Melhor Roteiro Original: Manchester by the Sea

 

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Lion – Lion: Uma Jornada para Casa

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A força do encontro com as próprias origens. Um drama real que acontece a cada ano com milhares de crianças – ou seria milhões no mundo inteiro? – e que é tratada com suavidade neste Lion. Mesmo quando nos deparamos com uma história triste, é possível encontrar muitas lições nela, assim como a manifestação pura de amor. Tudo isso faz parte deste filme que, apesar de ser bacana, é o mais fraco da temporada pré-Oscar.

A HISTÓRIA: Diversas paisagens que mesclam terra e mar. No final de uma sequência delas, o filme explica que esta produção é baseada em uma história real. Logo vemos a Saroo (Sunny Pawar) maravilhado com um grupo gigantesco de borboletas. No alto de uma montanha, o irmão mais velho dele, Guddu (Abhishek Bharate), chama o irmão. Eles tem uma missão a cumprir.

Os garotos sobem em um trem carregado de carvão e roubam o máximo que eles conseguem carregar. Guardas chamam a atenção deles, e um dos guardas corre ao lado do trem pedindo para eles pularem. Os garotos se divertem quando o trem passa em um túnel. Estamos em Khandwa, na Índia, no ano de 1986. Com o carvão que os garotos roubaram, eles conseguem dois pacotes com leite, que levam para casa, para a mãe deles, Kamla (Priyanka Bose). Este filme conta a história de Saroo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Lion): Nesses dias eu estava me perguntando onde estavam os tão conhecidos produtores da The Weinstein Company. Pois bem, resposta imediata nos créditos deste Lion. Isso explica, aliás, como este filme chegou tão longe, indicado a nada menos que seis estatuetas do Oscar.

Para quem não se lembra ou não liga os “nomes às pessoas”, os irmãos Weinstein são dois dos produtores mais fortes e “de peso” de Hollywood. Mais que investir em filmes, eles são craques no lobby de suas produções. Lobby é aquela campanha massiva que inclui favores e presentes para os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood valorizarem uma produção.

Às vezes esse lobby premia filmes realmente bons, mas nem sempre é assim. Os irmãos Harvey e Bob Weinstein fizeram Quentin Tarantino ser conhecido e emplacaram The Artist, dois bons exemplos. Mas eles também conquistaram, a custo de muito lobby, um Oscar de Melhor Filme para o mediano Shakespeare in Love. Eis um mal exemplo. Enfim, há algum tempo eles não “ditam” as regras do Oscar, e eu estava achando a ausência deles até ver o gigante crédito da companhia neles neste Lion.

Não me entendam mal. Este não é um filme ruim. Ele apenas é mediano. Se não fosse a força dos Weinstein por trás da produção, dificilmente este filme apareceria no Oscar. Descontado Lion na premiação deste ano, realmente falamos de uma safra excepcional na premiação. Lion é o ponto fora da curva nesta boa safra.

O filme, com narrativa linear, conta a história do indiano Saroo, um garoto como qualquer outro da sua idade nos anos 1980. A família dele era pobre, a mãe dos garotos, aparentemente sozinha, cuidava de três filhos, sendo dois deles pequenos – Saroo era o do meio -, tendo como a sua principal fonte de renda o trabalho pesado com pedras. Saroo, a exemplo de tantas crianças da Índia, não tem uma lei para as proteger – ou se existe lei, ela não é cumprida, porque estas crianças trabalham desde cedo.

Lion mostra um pouco da realidade do garoto até que ele se perde do irmão mais velho, Guddu, com quem ele estava sempre grudado. Com sono, Saroo não é capaz de ajudar o irmão em um trabalho noturno. Guddu pede para ele ficar no banco da estação de trem, mas o garoto acaba entrando em um vagão que é fechado e que não para em diversas estações até, finalmente, aceitar passageiros em Calcutá.

O menino, que parece ter cerca de seis anos, está a 1,6 mil quilômetros de casa. Ele cita o lugar em que ele mora, mas não fala bengalês, apenas híndi, e ninguém sabe do lugar do qual ele está falando. Saroo acaba tendo sorte e escapa de duas ciladas, pelo menos, passando a morar na rua e a se virar para conseguir comida. Em um certo dia, ele chama a atenção de um rapaz que com em um café (Riddhi Sen) e que o leva para a polícia.

Lá ele é “fichado”, ganha uma identificação como uma criança perdida, e é levado para um orfanato. Na sequência, ele é atendido pela Mrs. Sood (Deepti Naval), que publica um anúncio no jornal da cidade mas que, claro, não é visto pela família dele – não apenas porque a mãe do garoto é analfabeta e pobre, mas porque eles estão muito distantes de Calcutá.

Sem resposta da família do garoto, ele tem a sorte de ser adotado pelo casal australiano Sue (Nicole Kidman) e John Brierley (David Wenham). Uma das primeiras reflexões que Lion provoca é sobre o improvável da história de Saroo. Infelizmente ele é uma exceção naquela realidade da Índia – e de tantos países em que a pobreza e a desigualdade social não são artigos raros.

Impossível não pensar que para cada Saroo que tem sorte e que “dá certo” na vida porque tem as oportunidades para isso, existem tantas e tantas outras crianças que se dão muito mal e não tem a mesma oportunidade. Sem dúvida alguma é de cortar o coração, e toda a parte que mostra Saroo na sua fase de infância é o que Lion tem de melhor.

Na fase seguinte, há um grande trabalho que vale o investimento de tempo do espectador: o da atriz Nicole Kidman. Ela está ótima no papel da mãe adotiva de Saroo e tem, sem dúvida alguma, os melhores momentos de interpretação do filme – talvez esse seja o melhor trabalho dela deste The Hours. E isso não é pouca coisa. Nicole Kidman merece a sua indicação para o Oscar deste ano. Ela é o ponto forte do filme junto com os atores mirins da produção.

Adotado pelo casal, Saroo se desenvolve bem e tem as melhores oportunidades de estudar e de fazer esportes. Ele tem uma boa vida na Austrália. A história avança 20 anos, quando Saroo sai da casa dos pais para morar sozinho em Melbourne. É lá, interagindo com outros estudantes, que ele começa a questionar as suas origens e o seu passado. Começa a relembrar da mãe, do irmão, e da vida que tinha na Índia.

Esta é uma parte que eu acho mal explicada no roteiro regular de Luke Davies, baseado no livro escrito por Saroo Brierley. Afinal, Saroo ficou 20 anos morando com os novos pais na Austrália e nunca questionou as suas origens, procurou saber mais sobre a família e até buscá-la antes? Verdade que o indivíduo, quando vai morar sozinho, passa a ter outro tipo de “busca de si mesmo” mas, ainda assim, é um pouco estranho esse salto todo na vida do garoto sem nenhuma contextualização sobre as memórias dele antes, não?

Eu achei que o filme deixou esse buraco grande na história e que isso compromete a produção. Ok que eles quisessem saltar bastante tempo na trajetória de Saroo e mostrá-lo já adulto (interpretado então por Dev Patel). Mas então nesta fase adulta ele poderia ter comentado algo sobre como ele lidou com as suas lembranças e a saudade que tinha da família original, não? Para o meu gosto, o roteiro de Luke Davies é o ponto fraco de Lion.

Outra questão que eu acho que Davies não trabalha bem é sobre a “crise existencial” pela qual passa o protagonista desta história. Ok que ele estava dividido entre a necessidade de procurar a família original e a preocupação de não chatear os pais adotivos, mas isso não é exatamente bem explorado pela produção.

Lion acaba desacelerando justamente em uma parte vital, quando o rapaz começa a questionar a vida confortável que ele leva na Austrália e recorda o contraste das experiências que ele teve na Índia. A história acaba se repetindo naquela indecisão dele de realmente buscar as origens, o que não ajuda na narrativa.

O filme não teria perdido nada, pelo contrário, se tivesse cortado um pouco aquela investigação “by Google Earth” e explorado melhor as relações pessoais dele ou partido logo para a procura dele de suas origens. Francamente eu achei que ele não encontraria ninguém quando voltasse para casa, mas ele ainda tem a sorte de rever a mãe.

Lion nos faz pensar, desta forma, em dois elementos fundamentais: a importância de cada um de nós entender com profundidade de onde veio, porque nossas origens acabam moldando muito o que somos; e o quanto a desigualdade de oportunidades é algo injusto e cruel. Saroo acaba tendo uma qualidade de vida e uma série de oportunidades que ele jamais teria se tivesse ficado na Índia. Mas onde ele seria mais feliz? Nunca saberemos.

Mas independente disso, toda criança deveria ser protegida e ter as mesmas oportunidades na vida. Depois o que cada um faria de sua trajetória, seria algo que competiria a cada indivíduo. O cruel e injusto do mundo é que muitas crianças simplesmente não tem oportunidade de se desenvolver e de ter oportunidades na vida. Lion mostra isso de forma muito contundente, ainda que o filme poderia ser melhor planejado e ter um roteiro mais inteligente na segunda parte da produção.

Antes eu comentei sobre o ótimo trabalho de Nicole Kidman. Para mim, ela tem alguns dos melhores diálogos da produção. Particularmente, estou totalmente de acordo com ela de que já existem pessoas suficientes no mundo. O que muitos casais poderiam fazer, a exemplo do que os Brierley desta história fizeram, é adotar algumas das crianças que não tem estrutura familiar e que não terão oportunidades na vida para realmente dar para elas uma outra realidade.

Esta é uma outra boa reflexão que Lion nos propicia, pensar sobre que realidade temos, qual queremos ter e de que forma podemos contribuir para esta mudança. Este é um filme bacana, necessário, pena que não tem a qualidade narrativa que ele poderia ter.

NOTA: 8,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O destaque desta produção são os garotos Sunny Pawar e Abhishek Bharate. Eles se saem muito bem em seus papéis, ainda que o roteiro de Luke Davies não ajude muito os dois ao tentar levar a narrativa um pouco para o “sentimentalismo”. Existe uma linha tênue entre retratar uma história difícil e explorá-la. Lion acaba caindo mais para o segundo lado do que para o primeiro. Mas sempre que os garotos aparecem em cena, o filme ganha.

Na parte da fase adulta do protagonista, quem brilha é Nicole Kidman. Ela nos dá uma lição de amor e de dedicação pela forma igualitária com que ela trata os dois filhos adotivos. Saroo é um exemplo de filho, aparentemente, mas o segundo garoto que o casal adota, Mantosh (Divian Ladwa, vivido por Keshav Jadhav na infância), claramente tem problemas de comportamento. Isso não importa para Sue, que ama e aceita os filhos como eles são e da mesma forma.

Dev Patel está bem em seu papel, mas não faz nada extraordinário – para mim, o personagem de Saroo perde em força quando ele o interpreta, comparando com o trabalho de Sunny Pawar. Nesta fase da história estão bem também David Wenham como o pai dos garotos e Rooney Mara como Lucy, namorada de Saroo. Rooney Mara está novamente encantadora, e convincente, mas o roteiro não lhe ajuda muito. Uma pena.

Além dos atores citados, vale comentar o bom trabalho dos coadjuvantes Khushi Solanki em uma super ponta como Shekila quando criança; Tannishtha Chatterjee como Noor, uma mulher que ajuda Saroo quando criança com segundas intenções; Nawazuddin Siddiqui como Rawa, aparentemente um traficante de pessoas; Koushik Sen como o policial que atende Saroo; Pallavi Sharda como Prama, amiga de Saroo que o incentiva a procurar as suas origens; Sachin Joab como Bharat, também amigo de Saroo; Arka Das como Sami, jovem que faz parte do mesmo grupo; e Rohini Kargaiya como Shekila adulta.

Da parte técnica do filme, vale comentar o bom trabalho de uma série de pessoas. Ainda que, francamente, todos cumpram bem a sua função, apenas o diretor de fotografia Greig Fraser é o que merece uma menção especial. Os demais fazem apenas um trabalho ok. Ainda assim, vale citá-los: Volker Bertelman e Dustin O’Halloran assinam a trilha sonora; Alexandre de Franceschi faz a edição; Chris Kennedy assina o design de produção; Nicki Gardiner e Seema Kashyap assinam a decoração de set; Cappi Ireland, os figurinos; e Erica Brien o departamento de arte.

Sobre os irmãos Weinstein e o seu trabalho forte com o lobby em Hollywood, vale dar uma olhadela nesta matéria da revista Exame.

Lion estreou em setembro no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme participaria ainda de outros 18 festivais pelo mundo. Em sua trajetória até agora, Lion conquistou 26 prêmios e foi indicado a outros 72, incluindo seis indicações ao Oscar 2017.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para os de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante para Dev Patel no Bafta Awards; para o de Melhor Diretor Estreante para Garth Davis dado pelo Directors Guild of America; oito prêmios como Melhor Filme – a maioria dada pelas audiências de festivais; dois prêmios de Melhor Roteiro Adaptado; quatro prêmios de Melhor Ator Coadjuvante ou de Melhor Ator para Dev Patel; quatro prêmios para Melhor Atriz Coadjuvante para Nicole Kidman; um prêmios de Melhor Fotografia e um prêmio de Melhor Ator para Sunny Pawar.

Lion teria custado US$ 12 milhões, um orçamento até baixo para a complexidade da produção. O filme faturou, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 30,4 milhões e, nos demais países em que já estreou, outros US$ 14,1 milhões. Até o momento a produção faturou pouco mais de US$ 44,5 milhões, ou seja, está trilhando o caminho do lucro – até porque ele custou relativamente pouco para os padrões de Hollywood.

Como a história mesmo conta, Lion foi totalmente rodado na Índia e na Austrália. Entre as cidades em que a produção passou estão a de Kolkata, em West Bengal, na Índia, e as de Hobart, Melbourne, Bruny Island, Cape Hauy e Recherche Bay, todas na Austrália.

Esta foi a estreia de Sunny Pawar no cinema. Torço para que ele consiga ter uma carreira legal. Talento não lhe falta. Falando em estreias, Lion também marca a estreia de Garth Davis entre os longas – antes ele tinha feito o documentário P.I.N.S., o curta Alice e alguns episódios das séries Love My Way e Top of the Lake.

Agora, aquelas curiosidades básicas da produção. A personagem de Rooney Mara não é baseada em uma pessoa específica, mas é a junção de diversas “amigas” do protagonista que o acompanharam em sua longa jornada em busca de seu lugar de origem.

Como a produção mesmo informa, na Índia, todos os anos, 80 mil crianças se perdem de seus país. E um número ainda mais impressionante e de cortar o coração: 11 milhões de crianças vivem nas ruas da Índia. Vocês leram bem? 11 milhões de crianças! Os produtores de Lion criaram a fundação #LionHeart para tentar ajudar estas crianças que vivem nas ruas.

A atriz Nicole Kidman foi escolhida a dedo pela verdadeira Sue Brierley. As duas conversaram sobre o papel em Sydney e imediatamente Nicole e Sue viram que elas tinham algo em comum: as duas amavam os seus filhos naturais e adotivos da mesma forma.

Nada menos que 4 mil meninos fizeram os testes para interpretar Saroo na infância.

O ator Dev Patel considera o roteiro de Lion o melhor que ele já leu.

Na Austrália o filme teve a melhor estreia de um filme independente da história. Entre todos os filmes do país que já estrearam naquele mercado, Lion teve a quinta melhor estreia de todos os tempos.

Esta é uma coprodução da Austrália, dos Estados Unidos e do Reino Unido. Como tem os EUA no meio, Lion atende a uma votação feita aqui no blog há um bocado de tempo.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para esta produção, o que é uma avaliação muito boa para os padrões do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 156 críticas positivas e 26 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 86% e uma nota média de 7,3. Me parece, até pelos prêmios que este filme já recebeu, que os espectadores têm sido mais “sensíveis” para a produção do que os críticos. Desta vez, tenho que concordar mais com os críticos. A história de Lion é importante, mas não é muito bem contada e nem é surpreendente. Enfim, poderia ser melhor.

Achei forçado o material de divulgação do filme explorar tanto a imagem de Dev Patel. Por justiça, seria muito mais interessante termos cartazes que dessem destaque para os irmãos quando pequenos. Afinal, a parte mais interessante do filme está com eles. Mas entendo os produtores, preocupados com a bilheteria, por explorarem a imagem do conhecido Dev Patel e da “queridinha” Rooney Mara.

CONCLUSÃO: A mensagem deste filme é importante, e ele tem boas interpretações. Mas entre os indicados deste ano do Oscar este é, sem dúvida, o elo fraco da corrente. Primeiro porque o filme é um bocado arrastado e tem muitos altos e baixos. Depois, porque ele talvez teria funcionado melhor como documentário do que como uma produção dramática.

Falta para esta produção um pouco de conteúdo, de brilho e de emoção, apesar de Lion ter algumas mensagens muito bacanas, especialmente pela forma com que o filme defende a importância da família, da generosidade, da busca por si mesmo e do amor. Vale a pena assistir se você já viu a todos os outros indicados ao Oscar desta safra.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Parece incrível pensar que Lion foi indicado em seis categorias do Oscar. Ok, o filme é bom, mas ele não passa disso. Como eu comentei por aqui antes, a única explicação para este número de indicações é a força dos produtores Harvey e Bob Weinstein. Eles continuam tendo um lobby forte em Hollywood, pelo visto.

Lion concorre neste ano nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante para Dev Patel (classificação estranha essa, mas não é inédita), Melhor Atriz Coadjuvante para Nicole Kidman, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora.

Entre os nove filmes indicados na categoria principal do Oscar deste ano, não tenho nenhuma dúvida em afirmar que Lion é o mais fraco concorrente. Sendo assim, claro que chance zero do filme ganhar nesta categoria. Também não vejo nenhuma chance do filme levar em Melhor Ator Coadjuvante – o prêmio deve ir para Mahershala Ali, de Moonlight – ou em Melhor Atriz Coadjuvante.

Apesar de Nicole Kidman ser, provavelmente, a indicação mais justa que o filme recebeu no Oscar 2017, a categoria em que ela concorre deve ser ganha por Viola Davis – que, a exemplo de Patel, poderia, perfeitamente, estar na categoria principal e não na de coadjuvante, já que ambos são os protagonistas nos seus respectivos filmes.

Na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, Lion corre totalmente por fora. Não imagino ele tendo qualquer chance contra Moonlight, Fences, Arrival ou Hidden Figures. Todos os quatro são melhores do que ele.

Em Melhor Fotografia e em Melhor Trilha Sonora o favoritíssimo da noite é La La Land, apontado como o filme que será mais premiado na noite do Oscar. Quem corre por fora na primeira categoria é Arrival e Moonlight, enquanto na segunda existe uma mínima chance para Moonlight e Jackie. Ou seja, se o previsto acontecer, Lion sairá da noite do Oscar de mãos vazias. Nesta temporada de grandes filmes concorrendo, não será uma injustiça.

Indicados ao Oscar 2017 – Lista Completa e Avaliações

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Olá meus amigos e amigas do blog!

Mais uma vez estamos juntos em uma cobertura do Oscar. Desta vez, eu não pude publicar pela manhã a lista dos indicados e alguns comentários sobre eles, mas compartilhei na conta do blog no Twitter (@criticanonsense) um texto que eu produzi logo após os indicados serem anunciados no site do jornal para o qual eu trabalho, o Notícias do Dia.

É pelo site do jornal que eu devo, mais uma vez, acompanhar a entrega do Oscar deste ano. Farei ou mesmo pela conta do Twitter do blog, é claro. Bem, a divulgação dos indicados deste ano foi um pouco diferente do usual. Desta vez a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood abriu mão do formato de dois atores e/ou um(a) ator(atriz) e um(a) diretor(a) anunciando os nomes ao vivo em transmissão direta de um teatro para abraçar a ideia de vídeos produzidos para a data.

A proposta de dividir a lista de indicados – 24 categorias no total – em duas partes continuou valendo este ano. Nos dois trechos, um representante de diferentes categorias que compõe a fauna Hollywood – um roteirista, um diretor, um ator, uma atriz e uma cantora – se intercalaram falando sobre a emoção de serem indicados a um Oscar e enalteceram, claro, a premiação e a indústria do cinema.

Como era esperado, La La Land saiu com o maior número de indicações. O filme tem 14 chances de emplacar em 13 categorias da premiação. É verdade que ele é o favorito, até porque defende uma indústria autossuficiente e que precisa reafirmar a “máquina de sonhos” que ela representa em uma era de Donald Trump no poder. Ainda assim, não é certo que o filme vai levar o prêmio principal da noite.

Pela frente ele tem importantes concorrentes em diversas categorias. Com oito indicações cada um estão Arrival e Moonlight, dois grandes filmes desta temporada, cada um com as suas particularidades. O que estas duas produções tem em comum – e La La Land nem tanto – é um ótimo roteiro que sustenta os outros recursos que jogam à favor dos respectivos filmes.

Em seguida, aparecem com seis indicações Manchester by the Sea e Hacksaw Ridge. A verdade é que os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood souberam reconhecer a ótima safra que o cinema americano e de outros países soube produzir nesta temporada.

Praticamente todos os grandes filmes desta boa safra foram indicados – sempre há algum esquecimento, como Gleason, Cameraperson, Deadpool, Tom Hanks e, depende dos gostos, Finding Dory ou Captain America: Civil War. Da minha parte, fiquei feliz com a lista dos indicados. Para mim, é um raro ano de uma grande safra que acaba sendo reconhecida por seus valores e qualidades.

Entre os destaques individuais, vale destacar a 20ª – sim, a vigésima! – indicação ao Oscar da gigante Meryl Streep, e o resgate quase do ostracismo de Mel Gibson, que volta a ser indicado como Melhor Diretor após ter ganho um Oscar por Braveheart há nada menos que 21 anos.

Depois da Academia ser duramente criticada por não indicar atores e diretores negros, neste ano os votantes foram justos e indicaram todos os nomes que mereciam chegar lá – independente da raça deles. Desta forma, o Oscar 2017 tem um recorde de atores, atrizes e diretor negro indicados em uma única edição do prêmio. Vivemos novos tempos, ao menos no Oscar, e isso é um bom sinal.

Aliás, claramente a Academia quer dar uma mensagem para o mundo e para os americanos com os filmes que escolheu nas diferentes categorias deste ano. Há filmes sobre pacifismo, histórias que destacam o poder da comunicação e do diálogo, produções que tratam de violência, de desigualdade social e de segregação racial e, claro, o maior indicado que defende a busca pelos sonhos por todos – além de defender Hollywood.

As mensagens estão muito claras, e a entrega do Oscar deste ano promete ser dominada por discursos políticos e cheio de princípios. Será normal ver realizadores, astros e estrelas e diferentes profissionais defendendo a arte, a igualdade de oportunidades para imigrantes/migrantes de qualquer parte, respeito com as mulheres e todas as raças. Será uma premiação interessante, sem dúvida.

Acertei, até o momento, ao ter assistido a vários dos indicados deste ano – entre os nove finalistas como Melhor Filme, aqui no blog eu já comentei sobre cinco deles. Também acertei em quatro dos cinco documentários e em três dos cinco filmes em língua estrangeira. Agora a missão é assistir aos filmes que faltam desta ótima lista. Para quem não começou esta empreitada ainda, recomendo começar e seguir nela. A safra é boa.

Confira a lista de todos os indicados ao Oscar 2017:

Melhor Filme:

Avaliação: La La Land é um filme exuberante. Tecnicamente falando, perfeito. Mas a história… como eu gosto de filmes com um ótimo roteiro, para o meu gosto, La La Land deixa a desejar no roteiro. Não achei ele tão bom ou tão surpreendente quanto eu gostaria. Ele é o grande favorito deste ano, mas não é garantido que leve nesta categoria – vale lembra que no ano passado o “papa-prêmios” e favoritíssimo The Revenant perdeu na categoria principal para Spotlight. Pode acontecer novamente. Da lista de indicados, até agora, torço para Moonlight e Fences, com reais chances para o primeiro. Mas ainda preciso assistir a quatro da lista.

Melhor Ator:

Avaliação: Todos os atores da lista são ótimos, não há dúvidas. Andrew Garfield é estreante na categoria, enquanto Denzel Washington soma a sua sétima indicação. Admito que conforme a lista acima ia sendo divulgada neste 24 de janeiro de 2017, eu estava preocupada que Denzel não aparecia… para o meu alívio ele foi o último nome citado. Com isso, já revelo o meu favorito neste ano. Ele tem boas chances pelo ótimo trabalho em Fences, ainda que os apostadores apontem para Casey Affleck como favorito. Ainda preciso assistir a alguns desempenhos para realmente bater o martelo, mas neste momento o meu favorito é Denzel – acho que ele é sempre o meu voto, na verdade. 😉 Um dos grandes atores de sempre.

Melhor Atriz:

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Ruth Negga (Loving)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land)
  • Meryl Streep (Florence Foster Jenkins)

Avaliação: Lista incrível, vamos combinar! Alguns dos grandes talentos da história do cinema, como Meryl Streep e Isabelle Huppert, ao lado de jovens talentos já consagrados – Natalie Portman – e outros que ainda buscam uma primeira estatueta, como Emma Stone e Ruth Negga. A favorita é Emma Stone. E a verdade é que ela é o ponto alto de La La Land, junto com as qualidades técnicas do filme, é claro. Meryl Streep sempre merece um Oscar, mas não deve levar, mais uma vez. Quem tem mais chances de ganhar a estatueta da favorita Emma Stone, aparentemente, é mesmo Natalie Portman. Da minha parte, acho que se Emma Stone ganhar, não terá sido injusto. La La Land é o filme da vida dela.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Novamente grandes nomes na disputa. Da lista, só não conheço o trabalho de Lucas Hedges – ou não lembro dele, ao menos. Os outros quatro são geniais. Mas o favoritismo é claramente de Mahershala Ali. Quem pode roubar a estatueta dele é o veterano Jeff Bridges, que realmente é um dos pontos altos de Hell or High Water. Ainda preciso ver a alguns dos trabalhos para poder “votar”, mas inicialmente o meu voto iria mesmo para Mahershala Ali, ainda que Bridges também mereça.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Mais uma categoria de alto nível este ano. Todos os nomes já demonstraram que tem talento de sobra. Naomie Harris está ótima em Moonlight, mas Viola Davis é outro nível em Fences. Sou suspeitíssima para falar, mas eu estou com a maioria que coloca ela como favorita nesta categoria – e eu votaria ainda por Denzel Washington, parceiro dela no filme, para Melhor Ator. Em sua terceira indicação no Oscar, sem nunca ter levado uma estatueta dourada para casa, eu estou na torcida por Viola Davis. Quem ameaça a vitória dela, me parece, são mesmo Naomie Harris e Michelle Williams.

Melhor Animação:

Avaliação: Ah, fiquei muito feliz que Kubo and the Two Strings chegou aqui. E não apenas nesta categoria, mas foi indicado também em outra – que virá na lista depois. O filme merece. É maravilhoso! Zootopia, sem dúvida, é o favoritíssimo nesta disputa. Ele tem um grande estúdio e a força da maior bilheteria entre os concorrentes a seu favor. Preciso ver aos outros três, mas acho que tanto Kubo quanto Zootopia merecem, cada um por razões diferentes. O primeiro, por sua proposta artística; o segundo, por tratar de forma inteligente e envolvente assuntos importantes.

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Mais uma categoria com grandes indicados. La La Land é o favorito, e com méritos. Realmente a fotografia do filme é um de seus pontos altos. Possivelmente o fator que faz a experiência valer o ingresso – junto com Emma Stone. Mas a fotografia de Arrival e, depois, de Moonlight, também são ótimas. Acredito que a estatueta dourada vá para La La Land, com Arrival correndo por fora.

Melhor Figurino:

  • Allied
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Florence Foster Jenkins
  • Jackie
  • La La Land

Avaliação: Esta é uma das categorias em que estou mais desinformada, eu admito. Assisti a apenas um dos filmes da disputa. Ainda assim, sei que Jackie era, até há pouco, o favoritíssimo a ganhar nesta categoria. Com a avalanche de prêmios recebidos por La La Land no Globo de Ouro, o filme passou a ser também um forte concorrente. Eu ficaria dividida entre os dois, e mesmo sem ter assistido a Jackie – apenas vi fotos da produção. Mas La La Land, em uma noite de “papa-tudo”, pode levar aqui também.

Melhor Diretor:

Avaliação: Apenas grandes trabalhos apareceram nesta lista. Impossível não bater palma para cada realizador. O favorito na disputa é Damien Chazelle. Ele merece, até porque teve a visão criativa por trás da exuberância visual e narrativa de La La Land. Mas, da minha parte, torço um pouco por Barry Jenkins ou Denis Villeneuve para serem a “zebra” da noite. 😉 Mas não será injusto se Chazelle confirmar o favoritismo.

Melhor Documentário:

Avaliação: Filmes muito bacanas estão nesta lista. Fiquei muito feliz, em especial, por 13th ter chegado lá. Fire at Sea é um filme necessário, mas não é tão bom quanto poderia ser. Life, Animated é tão necessário quanto e melhor realizado, sem dúvidas. Apesar da qualidade destas produções, o favoritíssimo da categoria é O.J.: Made in America, um filme muito, muito americano. Ele conta uma história especialmente importante para os nascidos naquele país, ainda que, com um pouco de esforço, se veja um recorte “universal” na história mais que conhecida de O.J. Simpson. Senti a falta de Gleason, que seria o meu voto. Da lista que chegou na reta final dos indicados, torço por uma zebra, com vitória de 13th.

Melhor Curta Documentário:

  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

Avaliação: Ainda não assisti a nenhum dos curtas desta categoria, mas pretendo fazer isso em breve e compartilhar com vocês as minhas impressões.

Melhor Edição:

Avaliação: Mais uma vez, grandes filmes na disputa. Difícil escolher o melhor, porque o trabalho de edição de todos é uma aula do ofício. Ainda assim, me parece, La La Land corre na frente. É o favorito, mais uma vez – algo normal para um filme tão bom tecnicamente. Se ele ganhar, será justo. Mas podem estragar a festa dele Arrival ou Moonlight. Pouco provável, no entanto, que isso aconteça.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Esta era, realmente, uma grande safra de filmes nesta categoria. Interessante a ascensão de Tanna. O filme roubou a vaga de outros fortes concorrentes, inclusive do limado com antecedência, com a divulgação da lista dos nove pré-finalistas, de Elle. Preciso assistir ainda a The Salesman que, segundo todos que andei lendo, é o único filme que pode roubar a estatueta dourada do favorito Toni Erdmann. Ainda que o filme alemão seja bom, prefiro A Man Called Ove ou Land of Mine. E tenho uma tendência muito grande de gostar de The Salesman porque eu admiro muito o trabalho do diretor Asghar Farhadi. Mas a estatueta deve ficar mesmo entre Toni Erdmann e The Salesman.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Única categoria com menos de cinco indicados, esta disputa parece ter um favoritíssimo: o sucesso de bilheterias e fracasso de críticas Suicide Squad. Me surpreendeu a indicação de A Man Called Ove, mas eu gostei dele ter emplacado em mais uma categoria além da anterior.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Só assisti a dois dos concorrentes, mas posso dizer que as indicações de La La Land e Moonlight foram justíssimas. As trilhas sonoras dos dois filmes são deliciosas e fundamentais para as duas histórias. Ainda assim, me parece, por razões óbvias, que esta categoria é praticamente uma barbada para La La Land. Não será injusto. O único realmente veterano entre os competidores é Thomas Newman por Passengers.

Melhor Canção Original:

  • “Audition (The Fools Who Dream)” – La La Land
  • “Can’t Stop the Feeling” – Trolls
  • “City of Stars” – La La Land
  • “The Empty Chair” – Jim: The James Foley Story
  • “How Far I’ll Go” – Moana

Avaliação: As músicas de La La Land são favoritíssimas. Da minha parte, gosto muito das duas, mas me parece que City of Stars é a que tem mais chances de levar a estatueta dourada. Corre por fora as canções dos filmes de animação, que por muitos anos dominaram nesta categoria, e que em 2017 são representadas por Moana e Trolls. Da minha parte, torço pelas músicas de La La Land – e meu voto iria com a maioria, desta vez.

Melhor Design de Produção:

  • Arrival
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Hail, Caesar!
  • La La Land
  • Passengers

Avaliação: Mais uma vez, grandes competidores – não conheço apenas o trabalho de design de Hail, Caesar!, mas dos demais eu posso dizer que são trabalhos impecáveis. Novamente o favoritismo é de La La Land. Gosto muito também do design de produção de Arrival, um dos pontos fortes do filme. Mas não será injusto La La Land levar. O meu voto, provavelmente, também iria para ele.

Melhor Curta de Animação:

  • Blind Vaysha
  • Borrowed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper

Avaliação: Mais uma vez esta é uma categoria em que eu ainda não assisti aos indicados. Mas em breve eu quero fazer aqui um post sobre eles.

Melhor Curta:

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode

Avaliação: A exemplo da categoria anterior, ainda preciso assistir aos indicados para poder opinar. Quero fazer isso em breve.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Nesta categoria não esqueceram de Sully. 😉 Isso porque era quase que inevitável lembrar da edição de som feita nesta produção, claro. A concorrência é fortíssima. Todos são excelentes trabalhos na edição de som. Se a noite for para um filme “papar todas”, certamente La La Land vai levar nesta categoria também. Da minha parte, prefiro ainda o excepcional trabalho de Arrival ou, em segundo lugar, de Sully.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Três dos cinco indicados na categoria anterior estão indicados novamente por aqui, o que não é raro de acontecer. Quando um filme tem uma excelente edição de som, não raras vezes ele tem uma mixagem de som igualmente brilhante. O favoritismo, novamente, é de La La Land pela razão que comentei no item anterior. Meu voto, até por não ter assistido aos outros concorrentes, iria para Arrival.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Aqui está a outra indicação de Kubo. 😉 Fiquei feliz pelo filme. Novamente, grandes filmes nesta disputa. Não conferi à maioria, por isso não me sinto exatamente na posição de opinar aqui, mas talvez este seja o caso de premiar Doctor Strange ou Rogue One: A Star Wars Story. Me parece. De qualquer forma, grandes sucessos nas bilheterias concorrem por aqui.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Como comentei na crítica de Moonlight, para o entendimento de alguns este filme deveria concorrer como Melhor Roteiro Original, enquanto para outros o certo seria Melhor Roteiro Adaptado. Na divulgação dos indicados feita pela Academia, a lista de Original saiu antes da de Adaptado e levei um susto ao não ver lá Moonlight. Sem dúvida alguma este filme merece estar lá. Tem um dos grandes roteiros do ano. A lista é forte. Acredito que os favoritos sejam Arrival, Moonlight e Fences, nesta ordem – ou não. Difícil escolher, já que são histórias tão diferentes. Eu ficaria mesmo entre Moonlight e Arrival – nesta ordem de preferência.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Como muitas vezes acontece no Oscar, a categoria Melhor Roteiro Original apresenta filmes mais “fracos” do que na categoria anterior. Isso não é novidade. Desta lista, acredito que os favoritos sejam Manchester by the Sea e La La Land, possivelmente nesta ordem. Claro que se o musical estiver em uma noite de “papar tudo”, ele leva aqui também. Acho o roteiro do filme um de seus pontos fracos, mas sabem como é… quando a Academia quer premiar alguém, ela não é, exatamente, justa. Gosto muito também do roteiro de Hell or High Water.