E o Oscar 2017 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

Preparations continue Thursday, February 23, 2017 for the 89th Oscars® for outstanding film achievements of 2016 which will be presented on Sunday, February 26, 2017 at the Dolby® Theatre and televised live by the ABC Television Network.

 

Olá amigos e amigas do blog!

Mais uma vez estamos juntos em uma entrega do prêmio anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Este é um ano especial, com uma safra realmente excepcional de filmes.

Não há filme ruim na disputa. Cada um de nós tem a sua preferência e os seus gostos pessoais. Mas é fato que nenhum filme será premiado sem mérito. Isso é um grande avanço para o Oscar. A Academia também está dando alguns passos adiante ao indicar, depois de muitos anos de injustiça, uma série de filmes e de atores negros. Finalmente o Oscar deixou de ser “tão branco”.

A expectativa para esta noite é de consagração do musical La La Land. O filme deve ganhar em 10 categorias, aproximadamente, incluindo a de Melhor Filme. As razões para esta produção ser tão premiada vão além da questão pura e simples do cinema. Tem muito mais a ver com a conjuntura social e política em que os Estados Unidos e Hollywood estão imersos. Ao premiar La La Land, Hollywood está defendendo a sua indústria. Minha opinião sobre isso vocês podem encontrar por aqui, em um texto que produzi sobre o assunto para a revista Plural do jornal Notícias do Dia.

Como comentei no texto citado, o Oscar 2017 é marcado por diversos filmes baseados em histórias reais e/ou que tratam de temas muito contemporâneos e importantes nos nossos dias. Isso vale para quase todas as categorias em disputa, dos curtas até os longas estrangeiros e os documentários. Volto a dizer: a safra deste ano é excepcional.

A cobertura do tapete vermelho começou as 19h30, mas é a partir de agora, às 20h15, que começo a cobertura aqui pelo blog. Vou informando vocês sobre o que os astros e estrelas falaram no tapete vermelho e, quando a premiação começar, sobre todos os premiados da noite. Diferente dos dois últimos anos, em 2017 volto a fazer a cobertura pelo blog e também pelo Twitter @criticanonsense

No tapete vermelho do Oscar entrevistaram Saroo e os pais adotivos dele, John e Sue Brierley. A história real deles é contada no filme Lion. Para mim, a produção mais “fraca” na disputa de Melhor Filme. Ok, a história de Saroo é muito bacana, mas o filme não faz jus a ela. Acho que Lion só chegou a seis indicações ao Oscar porque tem como produtores os “reis do lobby”, os irmãos Weinstein.

O apresentador da vez, Jimmy Kimmel, deu uma entrevista para o canal E! antes da noite de premiações. De boa? Achei ele bem fraquinho. Vamos ver se na apresentação do Oscar ele se sai melhor. Esperamos que sim, até para que não seja um fiasco. Aliás, o que esperar da noite de premiação?

Certamente teremos muitos e muitos discursos políticos contra Donald Trump e a sua política restritiva aos imigrantes. Também espero uma premiação relativamente rápida, seguindo o padrão do Oscar dos últimos anos. Prevejo uma noite com menos espetáculo e mais “pano para manga” para a próxima semana, com discursos contundentes e talvez inflamados.

Este será um ano interessante porque grandes atores devem levar para casa uma estatueta dourada. São mais que esperados os prêmios para Denzel Washington, Viola Davis e Mahershala Ali. Todos são mais que merecedores neste ano. Pode estragar um pouco a festa se Casey Aflleck levar a estatueta de Melhor Ator. Não que ele esteja ruim em Manchester by the Sea, mas temos que convir que ele nunca terá o talento de Denzel.

Oscar® Nominee, Isabelle Huppert, arrives on the red carpet of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2017.

Admito para vocês que, até agora, 20h37, o tapete vermelho está bem morno. Pelo visto os nomes mais interessante, com exceção da divina Isabelle Huppert, que já apareceu em cena, só vão chegar mais perto do horário da premiação começar.

Sting e John Legend vão se apresentar na noite. Eles são ótimos cantores e vão garantir momentos bacanas na premiação, não há dúvida, mas Legend em La La Land é uma ponta fraca do filme. Ele preenche bem a cena, mas quanto à interpretação… tem muito que aprender ainda.

Depois de Pharrell Williams, aparece em cena uma das estrelas de Hidden Figures, Taraji P. Henson. Honestamente? Ela está ótima no filme. Até merecia ter uma indicação na noite de hoje, mas realmente ficou complicado conseguir uma vaga em uma noite com grandes atrizes em cena. Mas não lhe faltou mérito. Ela realmente está surpreendente no filme. É um nome a ser acompanhado no cinema – na TV ela é mais conhecida, claro.

O jovem ator Andrew Garfield, um dos pontos fortes do excelente Hacksaw Ridge, está super feliz de receber a primeira indicação ao Oscar. Para marcar esta data, ele foi para a premiação com os pais e alguns amigos que são atores. Ele disse que se inspirou no exemplo dos veteranos de guerra para fazer o seu papel, especialmente pensando na realidade que todos eles têm de ir para a batalha sem saberem se irão voltar para casa.

Aliás, se esta deve ser a noite de dois veteranos – Denzel Washington e Viola Davis -, poderá ser também a noite de dois nomes com bem menos história no cinema, Emma Stone e Mahershala Ali. Mas, além deles, temos a genial Meryl Streep em sua 20ª indicação, algo histórico, e também jovens talentos despontando, a exemplo de Andrew Garfield e Lucas Hedges.

Em cena o ótimo Mahershala Ali, favoritíssimo da noite como Melhor Ator Coadjuvante. Ele comenta que já conhecia o trabalho do diretor Barry Jenkins e que ficou muito feliz quando surgiu o roteiro de Moonlight e a oportunidade de fazer o filme. Moonlight é mais que necessário e tem grandes atores em cena, inclusive Ali, que faz um ótimo trabalho.

Como comentei há pouco no Twitter, este ano estou menos “nervosa” com o Oscar. Talvez porque as bolas estejam quase todas cantadas, sem muita possibilidade de surpresa na noite, mas também deve contribuir para isso o fato de que em 2017 não deveremos ter nenhuma grande injustiça. Sim, aqui e ali podíamos ter um premiado “mais merecedor”, mas quem levar não terá vencido por lobby, mas porque tem as suas qualidades.

O maior exemplo disso é La La Land. O filme é ruim? Não, ele é muito bem acabado e, especialmente na parte técnica, impecável. Mas ele é o melhor filme do ano? Não, não é. Tem pelo menos quatro produções da lista que concorre a Melhor Filme que eu acho melhor que ele. Ainda assim, não será injusto ele levar a estatueta, seja pelo “conjunto da obra”, seja pelas razões políticas da Academia. Enfim, este está sendo um ano tranquilo.

Em menos de meia hora, agora, vai começar a premiação do Oscar. Que ninguém se surpreenda com La La Land acumulando prêmios logo no início. Isso porque o Oscar sempre tem uma boa sequência de prêmios técnicos, onde o filme deve papar quase tudo. Vale lembrar que o filme tem 14 indicações e 13 chances de vencer – afinal, ele tem duas indicações em Melhor Canção. Deve perder apenas em Melhor Ator, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição de Som. Exceto por esta última categoria, as derrotas do filme devem ficar mais para a reta final do prêmio.

Então vamos lá, minha gente. Na torcida para que Jimmy Kimmel não seja uma piada como apresentador (desculpem a piadinha tosca, mas é o nervosismo por achar que ele será um desastre).

O Oscar 2017 com Justin Timberlake saindo dos corredores do Dolby Theatre para chegar no local da premiação cantando, no trajeto, “Can’t Stop the Feeling”, canção indicada na noite pelo filme Trolls. Achei bacana a sacada do começo. Primeiro, por ser inédita na premiação. Depois, por seguir um pouco a ideia de “vida real” invadindo o cenário de sonhos de Hollywood, algo muito coerente com a safra deste ano. Começamos bem.

Depois de um belo começo com Justin Timberlake, sobe ao palco Jimmy Kimmel. E ele começa com aquelas velhas piadas de “esta é a minha primeira vez no Oscar e possivelmente a última”. Ok. Mas depois ele faz uma boa piada com Mel Gibson, dizendo que só tem um “braveheart” na plateia e que ele não vai conseguir unir todo mundo. Começaram as piadas políticas. Em seguida ele faz a esperada piada com Matt Damon.

Kimmel faz uma piada agradecendo Donald Trump, dizendo que no ano passado o Oscar não indicou negros, mas que isso mudou desde então. Neste ano, os negros salvaram a NASA e os brancos salvaram o jazz – piada envolvendo Hidden Figures e La La Land. Ele seguiu fazendo várias piadas com indicados, nada demais. Mas foi legal ele citar Isabelle Huppert, apesar de fazer piadinha desnecessária com Elle dizendo que ninguém assistiu ao filme.

E, claro, não poderia faltar a tradicional piada com Meryl Streep. Mas ele acertou na piada, especialmente por tirar sarro da crítica de Donald Trump. Kimmel comentou que ela era superestimada e pediu para todos aplaudirem Meryl Streep apesar dela não merecer. Bela sacada, apesar de previsível. Mas a boa piada foi quando ele comentou da responsabilidade de todos que estavam indicados de fazerem discursos que depois seriam comentados pelo presidente pelo Twitter.

Bacana a ideia do Oscar deste ano de mostrar um vídeo com vários premiados em cada uma das categorias em anos anteriores. E o primeiro prêmio da noite, como já é tradição da premiação, foi o de Melhor Ator Coadjuvante. E o Oscar foi para… Mahershala Ali, de Moonlight. Ele era favoritíssimo e, apesar de ter outros nomes fortes na disputa, confirmou a predição. Ele mereceu. Está ótimo neste grande filme chamado Moonlight.

Em seu discurso, Mahershala começa agradecendo os seus professores. Depois diz que os atores são apenas o instrumento para dar voz para os personagens. Ele então fala dos personagens de Moonlight e do elenco do filme. Muito calmo, sereno, homenageou também a esposa e demonstrou toda a sua religiosidade, pedindo bênçãos para todos. Se eu já era fã dele, fiquei ainda mais.

Mahershala Ali poses backstage with the Oscar® for Performance by an actor in a supporting role, for work on “Moonlight” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2016.

Na volta do intervalo, Kimmel segue com as piadas com toques políticos. Ok, até agora ele tem conseguido ser razoável. Veremos até o final da noite. Na sequência, foram apresentados os três indicados na categoria Melhor Maquiagem e Cabelo. E o Oscar foi para… Suicide Squad. Uma das grandes bilheterias do ano passado, ele derrota o mais apontado na bolsa de apostas Star Trek Beyond. Para os fãs do filme deve ter sido uma boa surpresa.

Na sequência, os indicados na categoria Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Fantastic Beasts and Where to Find Them. E eis que surge a segunda “zebra” da noite, vencendo os apostadores. La La Land perdeu em uma categoria em que os apostadores tinham apostado nele. Olha, quem sabe não tenhamos mais surpresas nesta noite? Eu iria adorar uma surpresa em Melhor Filme. 😉 Interessante que foram premiados dois filmes que foram destaque em bilheteria. Bom para os fãs de ambos.

No retorno do intervalo, as deslumbrantes e super talentosas Janelle Monáe, Taraji P. Henson e Octavia Spencer sobem ao palco para apresentarem o filme Hidden Figures. E então sobe ao palco Katherine G. Johnson, que é aplaudida de pé pelos astros e estrelas. Ela é a única das três homenageadas em Hidden Figures que está viva – a personagem dela é interpretada por Taraji P. Henson.

Na sequência, foram apresentados os indicados na categoria Melhor Documentário. E o Oscar foi para… O.J.: Made in America. Bola cantadíssima. O filme é interessante, verdade, mas não era o meu favorito. Se não assistiram ainda, assistam ao premiado e também a 13th. Especialmente este último é uma peça de arte. Fundamental.

Depois de mais uma aparição dispensável de Kimmel, sobe ao palco The Rock para chamar para o cenário a jovem Auli’i Cravalho para cantar a música da animação Moana que está concorrendo em Melhor Canção, “How Far I’ll Go”. Muito bonita, Auli’i surpreende bela bela voz, potente e muito límpida. Natural do Hawaii, Auli’i tem apenas 16 anos de idade e respirou aliviada após a linda apresentação. Um momento bacana do Oscar até então. Aliás, as apresentações musicais, até agora, surpreenderam.

Retornando do intervalo, a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs sobre no palco para falar da comunidade do qual todos os presentes fazem parte. Ela comenta que esta comunidade é global e que está mais inclusiva.

Cheryl Boone Isaacs foi a grande responsável pela “revolução” que aconteceu na Academia no último ano e por, finalmente, a Academia reconhecer o talento, não importando a cor de pele. Por isso, com muito mérito, tantos negros foram indicados neste ano. Estava mais que na hora disso acontecer. Segundo Cheryl Boone, é a magia do cinema que todos estão celebrando nesta noite.

Na sequência, começam as categorias de som. E o Oscar de Melhor Edição de Som foi para… Arrival. Que legal! Fico muito feliz que Arrival saia da noite de hoje ao menos com um prêmio. O filme merece, sem dúvidas! E eis que La La Land perde o seu segundo prêmio. Também fico feliz por isso, admito. Arrival é ótimo. Quem não assista, vá atrás!

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Na sequência, o Oscar de Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Hacksaw Ridge. Opa, outra surpresa! Novamente fico bem feliz que um filme que tinha chances de sair da noite sem nada tenha ganhado ao menos um Oscar. Hacksaw Ridge é um grande filme. Merece vencer o preconceito contra filmes de guerra porque esta é uma produção muito diferente do gênero.

Vejam que curioso. Segundo as bolsas de apostas, Melhor Edição de Som iria para Hacksaw Ridge e Melhor Mixagem de Som iria para La La Land. Hacksaw acabou levando, na categoria contrária a das apostas, e La La Land perdeu mais uma. Sim, o musical é ótimo na técnica, mas francamente acho que ele não merece levar um grande número de estatuetas. Fiquei feliz por Arrival e Hacksaw Ridge.

No retorno de mais um intervalo, o ator Vince Vaughn apresenta as premiações especiais do Oscar deste ano. Os homenageados deste ano foram Lynn Stalmaster, Anne V. Coates, Frederick Wiseman e Jackie Chan. Quatro grandes nomes, sem dúvida, pena que deram um espaço minúsculo para cada um deles falar. Poderiam ter dado um espaço maior, sem dúvida.

Na sequência, um “remember” de atrizes que receberam o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. E o Oscar 2017 de Melhor Atriz Coadjuvante foi para… Viola Davis. Oh yeah! Finalmente! Esta era a terceira indicação de Viola Davis, e foi a primeira vez que ela levou a estatueta para casa. Essa atriz maravilhosa merece, e não é de hoje, este prêmio. Bacana. Segundo Oscar super cantado da noite e muito merecido.

Em seu discurso, Viola Davis fala sobre como as pessoas geniais se encontram no cemitério. E que é preciso exorcizar as suas histórias. Ela disse: “Nós somos a única profissão que celebra o que significa viver uma vida”. Maravilhoso o discurso dela. Celebrou a vida, as histórias de pessoas comuns e de perdão (algo que Fences faz com maestria), a arte, o esforço e o talento. Viola incrível. Especial também quando ela agradeceu Denzel Washington. Torço por ele nesta noite. E espero que Viola Davis ganhe não apenas esta, mas também outras estatuetas do Oscar.

Viola Davis poses backstage with the Oscar® for Performance by an actress in a supporting role, for work on “Fences” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2016.

No retorno de mais um intervalo, Kimmel ainda não consegue decolar. Na sequência, uma outra inovação do Oscar: trazer astros e estrelas para falar de filmes e atuações que lhe inspiraram. Charlize Theron fala de The Apartment e da maravilhosa interpretação de Shirley MacLaine. As duas sobem ao palco juntas e Shirley MacLaine é aplaudida por todos de pé.

Charlize Theron e Shirley MacLaine sobem ao palco para apresentar os indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira. E o Oscar foi para… Forushande (ou The Salesman). O grande Asghar Farhadi não foi para a noite de premiação, mas mandou uma mensagem contundente. Disse que não foi lá receber o seu segundo Oscar em respeito às pessoas de seu país e de outros 60 países que foram desrespeitados pela legislação excludente de Donald Trump. Em sua mensagem, Farhadi pede por mais empatia.

O filme de Farhadi é excepcional. Era o melhor filme em disputa. Por isso fico feliz que ele tenha sido reconhecido hoje. E a mensagem dele também foi muito acertada. Bacana. Na sequência, Sting apresentou “The Empty Chair” que concorre a Melhor Canção e que está no filme Jim: The James Foley Story. Bela canção. Mais uma mensagem importante.

No retorno do intervalo, a sequência de indicados nas categorias curta-metragens. E a primeira a ser apresentada foi a categoria Melhor Curta de Animação. E o Oscar foi para… Piper. Era realmente uma boal bem cantada. Veremos as próximas duas, se os apostadores também acertaram… Piper é lindo. Recomendo.

Na sequência, o apresentador Gael Garcia Bernal fura o script e fala que por ser um imigrante ele é contra qualquer divisão. Depois vieram os indicados na categoria Melhor Animação, e o Oscar foi para… Zootopia. Outra estatueta super cantada. E o filme merece. Ele é bacana e tem uma mensagem ótima de inclusão. Algo fundamental nestes dias.

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A dupla de atores de Fifty Shades Darker, Dakota Johnson e Jamie Dornan sobrem ao palco para apresentar os indicados em Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… La La Land. Primeiro prêmio da noite para o filme. Sem dúvida a produção era a favorita na disputa e, desta vez, confirmou o seu favoritismo.

E nesta ideia de “vida real” invadindo o cenário de sonhos de Hollywood, um grupo de “turistas” é convidado a entrar no Dolby Theatre no meio da cerimônia do Oscar. Uma boa esfriada na cerimônia, mas tudo bem. Realmente acho difícil esse Kimmel apresentar mais um Oscar.

No retorno do intervalo, os indicados em Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… The Jungle Book. Mais um Oscar que era previsto. Outro grande sucesso nas bilheterias do ano passado e que foi reconhecida com uma estatueta dourada. Na sequência, mais um depoimento sobre um filme que marcou um ator. Desta vez o ator Seth Rogen homenageia Michael J. Fox e o filme Back to the Future.

Os dois atores sobem no palco, saindo de um DeLorean. Bem bacana essa sacada do Oscar deste ano. E o Oscar de Melhor Edição foi para… Hacksaw Ridge. Puxa, que bacana! A edição deste filme é realmente algo incrível. Sou suspeita para falar, porque gostei muito desta produção. E, assim, La La Land perde mais uma. 😉 Novamente a maioria dos apostadores perdeu o seu dinheiro. Nesta categoria o favorito era La La Land.

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No retorno de mais um intervalo, os indicados a Melhor Curta Documentário. E o Oscar foi para… The White Helmets. O curta realmente parece muito interessante, e marca a primeira vitória da Netflix. O tema da Síria precisa ser bem tratado e ganhar evidência, até para que alguém achei uma solução para aquele drama humano.

E o Oscar de Melhor Curta foi para… Sing. Esta sim uma surpresa na noite. Ele não estava cotado entre os favoritos. O curta é bacana, tem uma mensagem bonita, mas a minha torcida ia para o espanhol Timecode. Na sequência foram apresentados os Prêmios Técnicos e Científicos do Oscar, premiação paralela feita pela Academia. No total, foram entregues 18 prêmios para estas pessoas que tornam a fábrica do cinema sempre avançar e fascinar plateias mundo afora.

No retorno, Javier Bardem homenageia Meryl Streep e a sua interpretação em The Bridges of Madison County. Ver isso vale qualquer premiação do Oscar. Até agora, para mim, estas homenagens e os discursos de Viola Davis e Mahershala Ali foram os pontos fortes da noite. Javier Bardem e Meryl Streep apresentam os indicados em Melhor Fotografia. E o Oscar foi para… La La Land. Sem dúvida alguma a fotografia do musical é um dos pontos fortes da produção. Mereceu levar a estatueta.

Achei interessante a parte em que tweets raivosos foram lidos pelos próprios atores que são citados por eles. Quem sabe este tapa na cara não ajude as pessoas a pensarem um pouco sobre o que escrevem por aí? As pessoas poderiam evitar de serem tão idiotas, não é verdade?

Seguindo a premiação, Ryan Gosling e Emma Stone aparecem em cena para apresentar as duas indicações de La La Land na categoria Melhor Canção. Apresentando as duas músicas, John Legend. Pena. Eu ia gostar muito dos atores que realmente cantam estas músicas poderem interpretá-las no Oscar. Mas entendo que a Academia precisava de um artista para seguir a sequência de apresentações do tipo. E assim o público viu Legend interpretando a “City of Stars” e “Audition (The Fools Who Dream)”. A primeira é a favorita nesta categoria.

No retorno do intervalo, o ator Samuel L. Jackson apresentou os indicados a Melhor Trilha Sonora. E o Oscar foi para… La La Land. Mais que esperado. Nesta categoria, em 2017, apenas grandes trabalhos. La La Land merece, claro. Justin Hurwitz é um dos grandes responsáveis pelo sucesso do filme.

Na sequência, Scarlett Johansson apresenta os indicados em Melhor Canção. E o Oscar foi para… “City of Stars”, de La La Land. Merecido, bem merecido. A música estourou mundo afora, inclusive aparecendo em diversas listas de mais tocadas quando o filme estreou.

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Depois de um momento de alegria com os últimos premiados, a atriz Jennifer Aniston sobe ao palco para chamar a linda homenagem aos falecidos no último ano, incluindo o ator Bill Paxton, que morreu na véspera da premiação do Oscar 2017. Bela homenagem, sem dúvida. Muita gente super competente já nos deixou. Neste e em vários outros anos.

No retorno do intervalo, Jimmy Kimmel tira sarro de uma das inovações do Oscar deste ano, as homenagens para grandes atores e atrizes e seus filmes e ironiza o trabalho de Matt Damon. Então sobem ao palco Matt Damon e Ben Affleck. Os dois apresentam a categoria Melhor Roteiro Original. E o Oscar foi para… Manchester by the Sea.

Bacana. Manchester era o melhor na disputa, sem dúvida. Na sequência, Amy Adams sobe ao palco para apresentar os indicados a Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… Moonlight. Aí, agora sim! Esta era uma categoria disputadíssima, com grandes roteiros na disputa, mas eu estava torcendo por Moonlight. Grande filme e grande roteiro. Super merecido. A Academia acertou nas duas entregas em roteiro. Vejam os filmes, se ainda não o fizeram.

No retorno de mais um intervalo – como tem intervalo essa premiação, my God! -, a atriz Halle Berry apresenta os indicados a Melhor Diretor. E o Oscar foi para… Damien Chazelle, de La La Land. Aqui existia chance quase zero de outro resultado. Em seu discurso, Chazelle agradeceu a várias pessoas da equipe de produção e aos atores.

Na reta final da premiação, a atriz Brie Larson apresenta os indicados na categoria Melhor Ator. E o Oscar foi para… Casey Affleck, de Manchester by the Sea. Bueno, o que dizer? Eu não tenho dúvidas de que Denzel Washington merecia a estatueta. Não apenas por estar em um nível muito acima da maioria, mas porque Denzel realmente está melhor que os outros por seu papel em Fences. Mas… Casey Affleck não está mal. Realmente Manchester é o filme da vida dele até agora. Então ok.

Depois de mais uma sequência de atrizes premiadas aparecer na telona do Dolby Theatre em um revival da premiação, Leonardo DiCaprio aparece em cena para apresentar as indicadas em Melhor Atriz. E o Oscar foi para… Emma Stone, de La La Land. O musical é o filme da vida dela até o momento. Pelo visto a Academia resolveu premiar este tipo de interpretação neste ano – mais uma vez.

Super respeito a decisão da Academia de premiar jovens talentos que estão no “auge” de suas carreiras, nos papéis de suas vidas, mas é complicado achar que é justo uma premiação dar estatuetas para Emma Stone e Casey Affleck em um ano em que estão concorrendo Isabelle Huppert e Denzel Washington, não? Mas algo ao menos me consola: os premiados deram o sangue em seus respectivos filmes.

Agora só falta um prêmio, o principal da noite. Todos os prognósticos apontam para La La Land. Os grandes atores e veteranos Faye Dunaway e Warren Beatty subiram ao palco para apresentar os concorrentes deste ano em Melhor Filme. Volto a repetir: eis uma grande safra. Tentem assistir a todos os indicados, caso ainda não fizeram isso.

E o Oscar de Melhor Filme foi para… La La Land. Era o preferido por ser uma ode ao cinema, justamente. Com este prêmio, La La Land fecha a noite com sete estatuetas. Conquistou, assim, metade das estatuetas pelas quais concorria. Nada mal. Me pareceu mais justo o Oscar 2017 espalhar parte de suas categorias entre tantos filmes merecedores este ano.

Esqueçam o que foi dito acima. De forma inacreditável e pela primeira vez na história do Oscar eles conseguiram entregar o prêmio principal para o filme errado. Pois sim. Warren Beatty entregou o Oscar de Melhor Filme para La La Land, mas não era ele que estava no cartão de premiado. Uma das pessoas que subiu ao palco para fazer o discurso de agradecimento é que viu o erro e entregou o Oscar de Melhor Filme para Moonlight.

Olha, fora o choque geral do povo, devo admitir que eu gostei do resultado final. Pelo segundo ano consecutivo o favorito da noite perde o Oscar principal para outro concorrente. E, nas duas vezes, eu considero que o melhor filme venceu. Boa noite e obrigada aos que seguiram a entrega do Oscar mais uma vez por aqui. Até o próximo!

Barry Jenkins and Adele Romanski accept the Oscar® for Best motion picture of the year, for work on “Moonlight” during the live ABC Telecast of The 89th Oscars® at the Dolby® Theatre in Hollywood, CA on Sunday, February 26, 2017.

Confiram a lista com todos os premiados do Oscar 2017:

Melhor Filme: Moonlight

Melhor Ator: Casey Affleck (Manchester by the Sea)

Melhor Atriz: Emma Stone (La La Land)

Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Moonlight)

Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis (Fences)

Melhor Animação: Zootopia

Melhor Fotografia: La La Land

Melhor Figurino: Fantastic Beasts and Where to Find Them

Melhor Diretor: Damien Chazelle (La La Land)

Melhor Documentário: O.J.: Made in America

Melhor Curta Documentário: The White Helmets

Melhor Edição: Hacksaw Ridge

Melhor Filme em Língua Estrangeira: The Salesman (Forushande)

Melhor Maquiagem e Cabelo: Suicide Squad

Melhor Trilha Sonora: La La Land

Melhor Canção Original: “City of Stars” (La La Land)

Melhor Design de Produção: La La Land

Melhor Curta de Animação: Piper

Melhor Curta: Sing

Melhor Edição de Som: Arrival

Melhor Mixagem de Som: Hacksaw Ridge

Melhores Efeitos Visuais: The Jungle Book

Melhor Roteiro Adaptado: Moonlight

Melhor Roteiro Original: Manchester by the Sea

 

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As premiações que dão uma prévia do Oscar 2017

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Neste último final de semana duas premiações entregues em Hollywood ajudam a dar um prévia do que podemos esperar para a noite do próximo dia 26, quando a Academia de Arte e Ciências Cinematográficas de Hollywood faz a entrega do Oscar 2017.

No sábado foi entregue o Producers Guild Awards, prêmio que consagra os melhores produtores de filmes e séries de TV da temporada. Ainda que na escolha na categoria Melhor Filme do Oscar seja mais ampla, com um número bastante diversificado de votantes, a produção que ganha o prêmio dos produtores sai fortalecida para a entrega da Academia.

Este ano os produtores premiados por filme para os cinemas foram Fred Berger, Jordan Horowitz e Marc Platt, trio responsável por La La Land. Em Documentário, o vencedor foi o filme O.J.: Made in America; e em filme de Animação, Zootopia. Estas três produções saem fortalecidas para as suas respectivas categorias no Oscar.

Ainda assim, vale lembrar que desde 2010 os produtores consagrados na categoria principal do Producers Guild Awards também levaram o Oscar de Melhor Filme em seis das sete ocasiões. A saber: The Hurt Locker em 2010; The King’s Speech em 2011; The Artist em 2012; Argo em 2013; 12 Years a Slave em 2014 (quando este filme dividiu o prêmio do Producers Guild com Gravity); e Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance) em 2015. Apenas no ano passado o vencedor da categoria principal do Producers Guild Awards, The Big Short, perdeu o Oscar para Spotlight.

Ou seja, segundo a história recente das duas premiações, no Oscar 2017 sai como favoritíssimo para o prêmio principal o filme La La Land. Além de ter levado o principal prêmio do Producers Guild Awards, o musical também tem nada menos que 14 indicações em 13 categorias do Oscar.

A outra premiação relevante para antecipar o Oscar foi entregue no domingo, o Screen Actors Guild Awards. Quem vota nesta premiação é o mesmo grupo, praticamente, que irá votar nas respectivas categorias do Oscar. Afinal, atores votam em atores e atrizes votam em atrizes.

Pois bem, segundo este último Screen Actors Guild Awards, saem fortalecidos para levar as estatuetas douradas do Oscar os atores Denzel Washington, de Fences, que ganhou no domingo como Melhor Ator; Emma Stone, de La La Land, que venceu como Melhor Atriz; Mahershala Ali, de Moonlight, que ganhou como Melhor Ator Coadjuvante; e Viola Davis, de Fences, que venceu como Melhor Atriz Coadjuvante.

fences4Da minha parte, eu não tocaria nesta lista. Acho, realmente, do que eu vi até agora, que cada um destes quatro nomes merecem ganhar o prêmio em suas respectivas categorias. Talvez apenas Emma Stone possa ser um pouco questionada… mas eu acho, e reafirmo o que comentei aqui na crítica de La La Land, que a atriz é um dos pontos fortes do filme. La La Land é o filme da vida dela e não deixa de ser justo que ela se consagre por ele. Enfim, teremos boas emoções neste Oscar e, pelo que tudo indica, mais justiça do que injustiça entre os premiados.

Indicados ao Oscar 2017 – Lista Completa e Avaliações

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Olá meus amigos e amigas do blog!

Mais uma vez estamos juntos em uma cobertura do Oscar. Desta vez, eu não pude publicar pela manhã a lista dos indicados e alguns comentários sobre eles, mas compartilhei na conta do blog no Twitter (@criticanonsense) um texto que eu produzi logo após os indicados serem anunciados no site do jornal para o qual eu trabalho, o Notícias do Dia.

É pelo site do jornal que eu devo, mais uma vez, acompanhar a entrega do Oscar deste ano. Farei ou mesmo pela conta do Twitter do blog, é claro. Bem, a divulgação dos indicados deste ano foi um pouco diferente do usual. Desta vez a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood abriu mão do formato de dois atores e/ou um(a) ator(atriz) e um(a) diretor(a) anunciando os nomes ao vivo em transmissão direta de um teatro para abraçar a ideia de vídeos produzidos para a data.

A proposta de dividir a lista de indicados – 24 categorias no total – em duas partes continuou valendo este ano. Nos dois trechos, um representante de diferentes categorias que compõe a fauna Hollywood – um roteirista, um diretor, um ator, uma atriz e uma cantora – se intercalaram falando sobre a emoção de serem indicados a um Oscar e enalteceram, claro, a premiação e a indústria do cinema.

Como era esperado, La La Land saiu com o maior número de indicações. O filme tem 14 chances de emplacar em 13 categorias da premiação. É verdade que ele é o favorito, até porque defende uma indústria autossuficiente e que precisa reafirmar a “máquina de sonhos” que ela representa em uma era de Donald Trump no poder. Ainda assim, não é certo que o filme vai levar o prêmio principal da noite.

Pela frente ele tem importantes concorrentes em diversas categorias. Com oito indicações cada um estão Arrival e Moonlight, dois grandes filmes desta temporada, cada um com as suas particularidades. O que estas duas produções tem em comum – e La La Land nem tanto – é um ótimo roteiro que sustenta os outros recursos que jogam à favor dos respectivos filmes.

Em seguida, aparecem com seis indicações Manchester by the Sea e Hacksaw Ridge. A verdade é que os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood souberam reconhecer a ótima safra que o cinema americano e de outros países soube produzir nesta temporada.

Praticamente todos os grandes filmes desta boa safra foram indicados – sempre há algum esquecimento, como Gleason, Cameraperson, Deadpool, Tom Hanks e, depende dos gostos, Finding Dory ou Captain America: Civil War. Da minha parte, fiquei feliz com a lista dos indicados. Para mim, é um raro ano de uma grande safra que acaba sendo reconhecida por seus valores e qualidades.

Entre os destaques individuais, vale destacar a 20ª – sim, a vigésima! – indicação ao Oscar da gigante Meryl Streep, e o resgate quase do ostracismo de Mel Gibson, que volta a ser indicado como Melhor Diretor após ter ganho um Oscar por Braveheart há nada menos que 21 anos.

Depois da Academia ser duramente criticada por não indicar atores e diretores negros, neste ano os votantes foram justos e indicaram todos os nomes que mereciam chegar lá – independente da raça deles. Desta forma, o Oscar 2017 tem um recorde de atores, atrizes e diretor negro indicados em uma única edição do prêmio. Vivemos novos tempos, ao menos no Oscar, e isso é um bom sinal.

Aliás, claramente a Academia quer dar uma mensagem para o mundo e para os americanos com os filmes que escolheu nas diferentes categorias deste ano. Há filmes sobre pacifismo, histórias que destacam o poder da comunicação e do diálogo, produções que tratam de violência, de desigualdade social e de segregação racial e, claro, o maior indicado que defende a busca pelos sonhos por todos – além de defender Hollywood.

As mensagens estão muito claras, e a entrega do Oscar deste ano promete ser dominada por discursos políticos e cheio de princípios. Será normal ver realizadores, astros e estrelas e diferentes profissionais defendendo a arte, a igualdade de oportunidades para imigrantes/migrantes de qualquer parte, respeito com as mulheres e todas as raças. Será uma premiação interessante, sem dúvida.

Acertei, até o momento, ao ter assistido a vários dos indicados deste ano – entre os nove finalistas como Melhor Filme, aqui no blog eu já comentei sobre cinco deles. Também acertei em quatro dos cinco documentários e em três dos cinco filmes em língua estrangeira. Agora a missão é assistir aos filmes que faltam desta ótima lista. Para quem não começou esta empreitada ainda, recomendo começar e seguir nela. A safra é boa.

Confira a lista de todos os indicados ao Oscar 2017:

Melhor Filme:

Avaliação: La La Land é um filme exuberante. Tecnicamente falando, perfeito. Mas a história… como eu gosto de filmes com um ótimo roteiro, para o meu gosto, La La Land deixa a desejar no roteiro. Não achei ele tão bom ou tão surpreendente quanto eu gostaria. Ele é o grande favorito deste ano, mas não é garantido que leve nesta categoria – vale lembra que no ano passado o “papa-prêmios” e favoritíssimo The Revenant perdeu na categoria principal para Spotlight. Pode acontecer novamente. Da lista de indicados, até agora, torço para Moonlight e Fences, com reais chances para o primeiro. Mas ainda preciso assistir a quatro da lista.

Melhor Ator:

Avaliação: Todos os atores da lista são ótimos, não há dúvidas. Andrew Garfield é estreante na categoria, enquanto Denzel Washington soma a sua sétima indicação. Admito que conforme a lista acima ia sendo divulgada neste 24 de janeiro de 2017, eu estava preocupada que Denzel não aparecia… para o meu alívio ele foi o último nome citado. Com isso, já revelo o meu favorito neste ano. Ele tem boas chances pelo ótimo trabalho em Fences, ainda que os apostadores apontem para Casey Affleck como favorito. Ainda preciso assistir a alguns desempenhos para realmente bater o martelo, mas neste momento o meu favorito é Denzel – acho que ele é sempre o meu voto, na verdade. 😉 Um dos grandes atores de sempre.

Melhor Atriz:

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Ruth Negga (Loving)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land)
  • Meryl Streep (Florence Foster Jenkins)

Avaliação: Lista incrível, vamos combinar! Alguns dos grandes talentos da história do cinema, como Meryl Streep e Isabelle Huppert, ao lado de jovens talentos já consagrados – Natalie Portman – e outros que ainda buscam uma primeira estatueta, como Emma Stone e Ruth Negga. A favorita é Emma Stone. E a verdade é que ela é o ponto alto de La La Land, junto com as qualidades técnicas do filme, é claro. Meryl Streep sempre merece um Oscar, mas não deve levar, mais uma vez. Quem tem mais chances de ganhar a estatueta da favorita Emma Stone, aparentemente, é mesmo Natalie Portman. Da minha parte, acho que se Emma Stone ganhar, não terá sido injusto. La La Land é o filme da vida dela.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Novamente grandes nomes na disputa. Da lista, só não conheço o trabalho de Lucas Hedges – ou não lembro dele, ao menos. Os outros quatro são geniais. Mas o favoritismo é claramente de Mahershala Ali. Quem pode roubar a estatueta dele é o veterano Jeff Bridges, que realmente é um dos pontos altos de Hell or High Water. Ainda preciso ver a alguns dos trabalhos para poder “votar”, mas inicialmente o meu voto iria mesmo para Mahershala Ali, ainda que Bridges também mereça.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Mais uma categoria de alto nível este ano. Todos os nomes já demonstraram que tem talento de sobra. Naomie Harris está ótima em Moonlight, mas Viola Davis é outro nível em Fences. Sou suspeitíssima para falar, mas eu estou com a maioria que coloca ela como favorita nesta categoria – e eu votaria ainda por Denzel Washington, parceiro dela no filme, para Melhor Ator. Em sua terceira indicação no Oscar, sem nunca ter levado uma estatueta dourada para casa, eu estou na torcida por Viola Davis. Quem ameaça a vitória dela, me parece, são mesmo Naomie Harris e Michelle Williams.

Melhor Animação:

Avaliação: Ah, fiquei muito feliz que Kubo and the Two Strings chegou aqui. E não apenas nesta categoria, mas foi indicado também em outra – que virá na lista depois. O filme merece. É maravilhoso! Zootopia, sem dúvida, é o favoritíssimo nesta disputa. Ele tem um grande estúdio e a força da maior bilheteria entre os concorrentes a seu favor. Preciso ver aos outros três, mas acho que tanto Kubo quanto Zootopia merecem, cada um por razões diferentes. O primeiro, por sua proposta artística; o segundo, por tratar de forma inteligente e envolvente assuntos importantes.

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Mais uma categoria com grandes indicados. La La Land é o favorito, e com méritos. Realmente a fotografia do filme é um de seus pontos altos. Possivelmente o fator que faz a experiência valer o ingresso – junto com Emma Stone. Mas a fotografia de Arrival e, depois, de Moonlight, também são ótimas. Acredito que a estatueta dourada vá para La La Land, com Arrival correndo por fora.

Melhor Figurino:

  • Allied
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Florence Foster Jenkins
  • Jackie
  • La La Land

Avaliação: Esta é uma das categorias em que estou mais desinformada, eu admito. Assisti a apenas um dos filmes da disputa. Ainda assim, sei que Jackie era, até há pouco, o favoritíssimo a ganhar nesta categoria. Com a avalanche de prêmios recebidos por La La Land no Globo de Ouro, o filme passou a ser também um forte concorrente. Eu ficaria dividida entre os dois, e mesmo sem ter assistido a Jackie – apenas vi fotos da produção. Mas La La Land, em uma noite de “papa-tudo”, pode levar aqui também.

Melhor Diretor:

Avaliação: Apenas grandes trabalhos apareceram nesta lista. Impossível não bater palma para cada realizador. O favorito na disputa é Damien Chazelle. Ele merece, até porque teve a visão criativa por trás da exuberância visual e narrativa de La La Land. Mas, da minha parte, torço um pouco por Barry Jenkins ou Denis Villeneuve para serem a “zebra” da noite. 😉 Mas não será injusto se Chazelle confirmar o favoritismo.

Melhor Documentário:

Avaliação: Filmes muito bacanas estão nesta lista. Fiquei muito feliz, em especial, por 13th ter chegado lá. Fire at Sea é um filme necessário, mas não é tão bom quanto poderia ser. Life, Animated é tão necessário quanto e melhor realizado, sem dúvidas. Apesar da qualidade destas produções, o favoritíssimo da categoria é O.J.: Made in America, um filme muito, muito americano. Ele conta uma história especialmente importante para os nascidos naquele país, ainda que, com um pouco de esforço, se veja um recorte “universal” na história mais que conhecida de O.J. Simpson. Senti a falta de Gleason, que seria o meu voto. Da lista que chegou na reta final dos indicados, torço por uma zebra, com vitória de 13th.

Melhor Curta Documentário:

  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

Avaliação: Ainda não assisti a nenhum dos curtas desta categoria, mas pretendo fazer isso em breve e compartilhar com vocês as minhas impressões.

Melhor Edição:

Avaliação: Mais uma vez, grandes filmes na disputa. Difícil escolher o melhor, porque o trabalho de edição de todos é uma aula do ofício. Ainda assim, me parece, La La Land corre na frente. É o favorito, mais uma vez – algo normal para um filme tão bom tecnicamente. Se ele ganhar, será justo. Mas podem estragar a festa dele Arrival ou Moonlight. Pouco provável, no entanto, que isso aconteça.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Esta era, realmente, uma grande safra de filmes nesta categoria. Interessante a ascensão de Tanna. O filme roubou a vaga de outros fortes concorrentes, inclusive do limado com antecedência, com a divulgação da lista dos nove pré-finalistas, de Elle. Preciso assistir ainda a The Salesman que, segundo todos que andei lendo, é o único filme que pode roubar a estatueta dourada do favorito Toni Erdmann. Ainda que o filme alemão seja bom, prefiro A Man Called Ove ou Land of Mine. E tenho uma tendência muito grande de gostar de The Salesman porque eu admiro muito o trabalho do diretor Asghar Farhadi. Mas a estatueta deve ficar mesmo entre Toni Erdmann e The Salesman.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Única categoria com menos de cinco indicados, esta disputa parece ter um favoritíssimo: o sucesso de bilheterias e fracasso de críticas Suicide Squad. Me surpreendeu a indicação de A Man Called Ove, mas eu gostei dele ter emplacado em mais uma categoria além da anterior.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Só assisti a dois dos concorrentes, mas posso dizer que as indicações de La La Land e Moonlight foram justíssimas. As trilhas sonoras dos dois filmes são deliciosas e fundamentais para as duas histórias. Ainda assim, me parece, por razões óbvias, que esta categoria é praticamente uma barbada para La La Land. Não será injusto. O único realmente veterano entre os competidores é Thomas Newman por Passengers.

Melhor Canção Original:

  • “Audition (The Fools Who Dream)” – La La Land
  • “Can’t Stop the Feeling” – Trolls
  • “City of Stars” – La La Land
  • “The Empty Chair” – Jim: The James Foley Story
  • “How Far I’ll Go” – Moana

Avaliação: As músicas de La La Land são favoritíssimas. Da minha parte, gosto muito das duas, mas me parece que City of Stars é a que tem mais chances de levar a estatueta dourada. Corre por fora as canções dos filmes de animação, que por muitos anos dominaram nesta categoria, e que em 2017 são representadas por Moana e Trolls. Da minha parte, torço pelas músicas de La La Land – e meu voto iria com a maioria, desta vez.

Melhor Design de Produção:

  • Arrival
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Hail, Caesar!
  • La La Land
  • Passengers

Avaliação: Mais uma vez, grandes competidores – não conheço apenas o trabalho de design de Hail, Caesar!, mas dos demais eu posso dizer que são trabalhos impecáveis. Novamente o favoritismo é de La La Land. Gosto muito também do design de produção de Arrival, um dos pontos fortes do filme. Mas não será injusto La La Land levar. O meu voto, provavelmente, também iria para ele.

Melhor Curta de Animação:

  • Blind Vaysha
  • Borrowed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper

Avaliação: Mais uma vez esta é uma categoria em que eu ainda não assisti aos indicados. Mas em breve eu quero fazer aqui um post sobre eles.

Melhor Curta:

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode

Avaliação: A exemplo da categoria anterior, ainda preciso assistir aos indicados para poder opinar. Quero fazer isso em breve.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Nesta categoria não esqueceram de Sully. 😉 Isso porque era quase que inevitável lembrar da edição de som feita nesta produção, claro. A concorrência é fortíssima. Todos são excelentes trabalhos na edição de som. Se a noite for para um filme “papar todas”, certamente La La Land vai levar nesta categoria também. Da minha parte, prefiro ainda o excepcional trabalho de Arrival ou, em segundo lugar, de Sully.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Três dos cinco indicados na categoria anterior estão indicados novamente por aqui, o que não é raro de acontecer. Quando um filme tem uma excelente edição de som, não raras vezes ele tem uma mixagem de som igualmente brilhante. O favoritismo, novamente, é de La La Land pela razão que comentei no item anterior. Meu voto, até por não ter assistido aos outros concorrentes, iria para Arrival.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Aqui está a outra indicação de Kubo. 😉 Fiquei feliz pelo filme. Novamente, grandes filmes nesta disputa. Não conferi à maioria, por isso não me sinto exatamente na posição de opinar aqui, mas talvez este seja o caso de premiar Doctor Strange ou Rogue One: A Star Wars Story. Me parece. De qualquer forma, grandes sucessos nas bilheterias concorrem por aqui.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Como comentei na crítica de Moonlight, para o entendimento de alguns este filme deveria concorrer como Melhor Roteiro Original, enquanto para outros o certo seria Melhor Roteiro Adaptado. Na divulgação dos indicados feita pela Academia, a lista de Original saiu antes da de Adaptado e levei um susto ao não ver lá Moonlight. Sem dúvida alguma este filme merece estar lá. Tem um dos grandes roteiros do ano. A lista é forte. Acredito que os favoritos sejam Arrival, Moonlight e Fences, nesta ordem – ou não. Difícil escolher, já que são histórias tão diferentes. Eu ficaria mesmo entre Moonlight e Arrival – nesta ordem de preferência.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Como muitas vezes acontece no Oscar, a categoria Melhor Roteiro Original apresenta filmes mais “fracos” do que na categoria anterior. Isso não é novidade. Desta lista, acredito que os favoritos sejam Manchester by the Sea e La La Land, possivelmente nesta ordem. Claro que se o musical estiver em uma noite de “papar tudo”, ele leva aqui também. Acho o roteiro do filme um de seus pontos fracos, mas sabem como é… quando a Academia quer premiar alguém, ela não é, exatamente, justa. Gosto muito também do roteiro de Hell or High Water.

Moonlight – Moonlight: Sob a Luz do Luar

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Sobrevivência. Ela nem sempre é um processo simples. E sem dúvida alguma ela é menos que o necessário para qualquer pessoa. Moonlight nos revela a história de uma dura luta pela sobrevivência. O filme também nos mostra como os efeitos da ignorância e da violência podem perdurar, ainda que eles nunca sejam o suficiente para realmente mudar aquilo que uma pessoa tem como essência. Grande filme. Mais uma bela descoberta desta temporada pré-Oscar.

A HISTÓRIA: Juan (Mahershala Ali) chega com o seu carrão e estaciona na calçada. Ele pega um cigarro, coloca sobre a orelha e caminha lentamente até cumprimentar a um de seus “homens”. Ele acompanha a conversa dele com um viciado que não tem dinheiro para comprar a droga. Enquanto o vendedor e o usuário discutem, Juan fica por perto. Ele pergunta como tudo está, e o vendedor diz que tudo está tranquilo.

Juan está fazendo a sua ronda normal pelo bairro que ele controla. Quando ele começa a voltar para o carro, passam por eles alguns moleques. Little/Chiron (Alex R. Hibbert) está na frente, sendo perseguido por alguns garotos. Little acha um local no qual ele pode se proteger. Depois de algum tempo da perseguição, aparece por ali Juan, que oferece comida para o garoto. Neste momento começa uma amizade entre os dois.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso eu recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Moonlight): Que filme, meus amigos e amigas! Uma produção extremamente sincera e sensível. Que revela, entre outros pontos, como a violência pode ser determinante na vida de uma pessoa sensível e que vira alvo de babacas.

O diretor e roteirista Barry Jenkins, que trabalhou sobre uma história original de Tarell Alvin McCraney, nos apresenta aqui uma narrativa interessantíssima e muito, muito necessária. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A produção começa mergulhada na mais pura realidade, de um local em que as drogas e a violência são elementos presentes. Neste contexto, temos uma palhinha sobre a “desculpa” dos meninos em perseguir Chiron logo no início.

Quando os moleques passam correndo na frente de Juan, eles xingam Chiron de “viado”. O garoto não é forte, mas magro e frágil, e não entra no ciclo de agressões dos outros moleques. Por isso ele vira o saco de pancada dos garotos e logo é taxado de “viado”. Gostei da forma honesta com que a narrativa é construída. Aliás, diferente do favoritíssimo La La Land (comentado por aqui), Moonlight tem como um de seus destaques, justamente, o seu roteiro.

Este filme nos faz refletir por várias razões. Jenkins tem a coragem de quebrar uma série de lugares-comum e de subverter a crença comum e preconceituosa sobre comunidades marginalizadas. Logo no começo ele faz isso ao mostrar o respeito e o cuidado que o traficante Juan tem com um moleque frágil e acossado que cruza o seu caminho.

Enquanto isso, em casa, Chiron não tem nem um pouco deste cuidado. A mãe dele, Paula (Naomie Harris), conhecida no bairro por fazer programas em troca de qualquer trocado ou droga, não consegue dar o exemplo para o filho. E, mais que isso, não consegue dar o apoio ou o cuidado básico que se espera de uma mãe. Então temos, de um lado, o vendedor da “desgraça” que consegue ter sensibilidade com aquela história difícil e a mãe do garoto que é vítima da dependência de drogas – duas pontas de um mesmo problema, pois.

Bacana também como Moonlight é dividido em três atos. O primeiro mostra o protagonista na fase em que ele era conhecido como Little – entendido como “moleque”. Nesta fase, o garoto frágil considerado “esquisito” por muitos, inclusive pelo amigo Kevin (Jaden Piner), vira saco de pancadas dos valentões de sua idade e do colégio.

Cada vez mais ignorado pela mãe, que vai ficando pouco a pouco mais dependente das drogas, Little encontra algum apoio no casal Juan e Teresa (Janelle Monáe). Sem uma figura paterna em quem se espelhar, ele fica fascinado por Juan, que lhe ensina a beleza do mar e lhe conta algumas histórias, como quando ele andava descalço sob a luz do luar (o “moonlight” que dá nome ao filme).

Quando Juan encontra o garoto o esperando em casa, ele não o expulsa ou lhe dá uma bronca. Ele dedica um pouco de seu tempo para Little porque percebe que falta atenção e um pouco de carinho para o garoto. Juan e Teresa fazem isso de forma descompromissada, mostrando que nem sempre o traficante que pensamos ser pura crueldade é apenas isso. Todos tem as suas histórias, e todos deveriam poder contá-las para alguém.

Nesta fase, há uma sequência realmente preciosa – uma das melhores do filme. Ela acontece depois que Little percebe um pouco melhor a realidade que o cerca e, em uma sequência marcante na casa de Juan e Teresa, ele faz uma série de perguntas decisivas. Ele quer saber o que é um viado, se a mãe dele usa drogas e se o seu novo herói/referência, Juan, vende drogas. De arrepiar – e o ponto forte do trabalho de Mahershala Ali.

Na segunda fase do filme, quando o protagonista já é conhecido como Chiron (interpretado aí por Ashton Sanders), pouca coisa muda para ele. Chiron continua sendo perseguido e maltratado pelos garotos de sua idade e escola. Mas é nesta fase, um pouco mais crescido, que Chiron começa a dar uma direção para a vida dele.

É neste momento em que, em uma noite de luar, Chiron se encontra com o amigo Kevin (nesta fase, Jharrel Jerome) na praia, sem querer, e os dois tem o primeiro envolvimento amoroso. No fundo, Chiron não tem certeza que é gay, mas para ele é natural e faz sentido o que ele sente por Kevin. Enquanto isso, na escola, se aproxima o momento em que ele vai levar a grande surra da sua vida até então.

Finalmente, após o protagonista parar com a sequência de violências, ele é punido pela lei e aí o filme entra em sua terceira e última fase. Chiron agora é Black (Trevante Rhodes), um cara forte e livremente inspirado em seu ídolo Juan. O mundo foi cruel com Chiron, e ele aprendeu, finalmente, a se defender. Ora, se a melhor forma de ser respeitado seria transformar-se em um traficante temido, é isso que ele faz, ele se torna um deles.

Mas o interessante de Moonlight é que, a partir do momento em que Black recebe o telefonema da mãe, internada em um local que a ajuda a ficar “limpa”, e uma ligação de Kevin, percebemos que ele não deixou de ser aquele garoto sensível do início. Como ele mesmo conta para Kevin, ele não deixou de ser quem ele é, apesar de agora também assumir a figura de um traficante musculoso, rico e respeitado.

Por tudo isso, Moonlight nos mostra como a falta de estrutura e de proteção de uma criança, que é o que acontece com Chiron, pode ajudar a definir a uma vida, mas esta simplificação da narrativa não é tudo. Black é um cara que, a exemplo de Juan, está sempre no alvo, pode virar uma vítima fatal a qualquer momento, mas apesar dele lidar com a violência o tempo inteiro, ele não deixou de ser quem ele era desde o princípio.

Sobre violência, aliás, ele conhece bem. Na infância e na adolescência ele foi vítima dela, não teve escolha. Depois, quando pode revidar, ele escolheu seguir no mesmo círculo de violência, virando a figura de um traficante que, ironicamente, ajudou ele a chegar ali – seja vendendo drogas para a mãe dele, seja lhe dando apoio quando ele mais precisava.

A realidade das drogas é muito complicada. Moonlight mostra isso de forma muito transparente. Falta educação, cuidados médicos e amparo para pessoas que vivem neste círculo do tráfico. Além disso, falta cuidado em casa para que as crianças saibam se respeitar, independente de quem ou do que elas sejam.

Todos merecem receber amor e cuidados, mas quando as pessoas não recebem valores e educação em casa para fazer escolhas certas desde o princípio, temos vítimas como Chiron espalhadas por todos os países do mundo. Por tudo isso este filme é tão necessário, e potente. Ele faz todos pensarem um pouco mais sobre esta realidade complicada que nos cerca.

Precisamos achar soluções para estes cenários, e elas passam por famílias melhor estruturadas, por educação e por mais informações para as pessoas sobre os efeitos daninhos das drogas. Não vejo outra maneira. E essa é uma responsabilidade que deveria ser de todos.

Começando pelas famílias, passando pelas escolas e pelas outras pessoas que tem contatos com pessoas que são marginalizadas. Afinal, a exemplo de Juan, todos podemos estender a mão e ajudar um pouco a quem precisa, nem que for lhes garantindo um pouco de alegria e de afeto. Grande filme, muito bem realizado, com grandes atores e um roteiro impecável.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Um dos elementos deste filme que me chamou a atenção logo no início foi a excelente trilha sonora de Nicholas Britell. Grandes escolhas para a produção, que tem músicas destacadas de forma cirúrgica aqui e ali, valorizando a história e os momentos importantes dela. Muito bacana.

Da parte técnica do filme, também gostei muito da direção de fotografia de James Laxton. Apesar destes elementos funcionarem muito bem, sem dúvida alguma é o roteiro e a direção de Barry Jenkins que tornam este filme especial. O texto é sincero, envolvente e bem direto. Tem algumas sequências surpreendentes e muito potentes, além de um aprofundamento sensível na realidade e nos sentimentos do protagonista de poucas palavras. Na direção, Jenkins procura estar sempre muito próximo dos atores de seu ótimo elenco, com uma câmera atenta e que lembra um pouco a dos documentários, muitas vezes.

Ah, e o elenco desta produção! Nenhum ator extremamente conhecido, mas todos muito bons. Claro que o destaque são os três atores que interpretam o protagonista nas três fases de sua vida. O garoto Alex R. Hibbert, o jovem Ashton Sanders e o ator Trevante Rhodes dão um show em seus respectivos momentos na produção. Difícil destacar apenas um deles, ainda que os garotos tenham um apelo um pouco maior que Rhodes. Mas estão todos muito bem.

Além deles, claro que se destacam na produção os personagens que estão mais próximos dos protagonistas, com destaque para o momento relativamente curto que está na produção para Mahershala Jenkins, para a estonteante e sempre interessante Janelle Monáe e para a esforçada Naomie Harris.

A personagem dela, como mãe de Chiron, é a que menos desperta simpatia, por razões óbvias. Mas ela realmente está muito bem nas diferentes fases da história. De sua maneira muito torta e errática ela tenta “fazer o certo” com o filho, lhe dando teto, comida e insistindo para que ele estude. Mas isso é tudo. Todo o restante necessário para o garoto, especialmente o carinho, o amor, a atenção e o exemplo, ficam de fora.

Em um momento tocante do filme ela se arrepende e pede perdão, mas no caso do filho dela, ficou um pouco tarde para esse arrependimento ter efeito. Por isso mesmo a importância das pessoas pensarem muito bem antes de terem filhos, até para perceberem se tem ou não condições para isso. Nem todos tem.

Vários garotos perseguem o protagonista. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Mas o principal algoz dele, na fase Chiron, é o covarde Terrel (Patrick Decile) que, como muitos perseguidores, não tem coragem dele mesmo encarar a sua vítima. Ele utiliza outros garotos, sobre os quais ele exerce influência através do medo, para fazerem o “serviço”. Claro que a origem do problema está na educação que o jovem recebeu em casa, mas a escola também deveria coibir esse tipo de atitude. Quando o pior acontece e estendem a mão para Chiron, já é tarde. Evidente.

Barry Jenkins acerta ao apostar em um número reduzido de personagens. Desta forma a história pode se concentrar mais no protagonista e na relação dele com as pessoas que lhe cercam e que são importantes para ele. Isso torna a história ainda mais legítima porque sabemos que figuras tímidas e oprimidas como Chiron realmente tem, normalmente, poucas pessoas como as mais próximas.

Da parte técnica do filme, vale destacar, ainda, a edição de Joi McMillon e Nat Sanders, a maquiagem de Doniella Davy e de Gianna Sparacino, e os 18 profissionais envolvidos no departamento de câmera e elétrica. Eles são fundamentais para contar esta história como o diretor e roteirista Barry Jenkins a imaginou e idealizou.

Moonlight estreou no Festival de Cinema de Telluride em setembro de 2016. Depois, o filme participou de outros 15 festivais em vários países no período de dois meses. Em sua trajetória até agora o filme ganhou impressionantes 141 prêmios e foi indicado a outros 222.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama e para nada menos que 22 prêmios como Melhor Filme; 19 conquistas de Barry Jenkins como Melhor Diretor; 31 prêmios como Melhor Ator Coadjuvante para Mahershala Ali; quatro prêmios para Naomie Harris como Melhor Atriz Coadjuvante; 11 prêmios para o conjunto do elenco e 11 prêmios como Melhor Roteiro. Impressionante.

Alguns podem se perguntar porque eu não dei uma nota 10 para esta produção. Olha, admito que foi por causa de detalhes. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). E quais foram estes detalhes? Pois bem, acho que o filme evitou de mostrar uma certa violência necessária. Qual é ela? Para Juan e Black se tornarem os chefes do tráfico que eles se tornaram, certamente eles tiveram que se impor de alguma forma. Esta parte da história foi deixada totalmente de lado. A morte de Juan é citada, mas não é explicada. Ok que a intenção do diretor e roteirista era mostrar o lado bacana destes personagens, mas acho que ele ignorou uma parte importante da história e isso fez com que eu não desse uma nota melhor para a produção.

Não comentei antes, mas achei especialmente bonito o final. Quando Kevin e Black se reaproximam, é algo potente e muito belo, especialmente quando Kevin coloca a música para Black ouvir. Quem sabe o amor não possa dar uma nova chance para o protagonista do filme, fazendo ele escolher um caminho diferente a partir deste encontro? Afinal, agora ele é um adulto e não precisa ter mais medo do que ele sente. Cada um pode imaginar o desenrolar do fatos usando a sua imaginação.

Esta produção foi totalmente rodada na Flórida, em locais como Miami, na Liberty City e na Miramar High School, em Miramar.

Moonlight teria custado US$ 5 milhões. Ou seja, é um filme de baixo orçamento se levarmos em conta o padrão de Hollywood. Apenas nos Estados Unidos o filme fez quase Us$ 15,2 milhões nos cinemas. Ou seja, já entrou na lista de filmes que estão fechando com lucro.

Antes de filmar Moonlight, Barry Jenkins tinha apenas sete títulos no currículo como diretor, sendo cinco deles curtas-metragens, um deles um episódio de série de TV e apenas um longa, o filme Medicine for Melancholy, de 2008. Ou seja, é um diretor relativamente “iniciante” e que merece ter o seu trabalho acompanhado, certamente.

Agora, algumas curiosidades sobre Moonlight. Quando Juan ensina Little a nadar, o ator Mahershala Ali realmente está ensinando o jovem Alex R. Hibbert a nadar, porque o garoto não sabia fazer isso até então.

Em uma entrevista, o diretor Barry Jenkins disse que os três atores que interpretam a Chiron não se conheceram durante as filmagens. Essa foi uma determinação do diretor, que queria que cada um deles construísse a sua própria versão do protagonista. A mesma tática foi usada com os atores que interpretam a Kevin. Aliás, não comentei antes, mas todos estes atores que interpretam a Kevin são ótimos – a citar, Jaden Piner, Jharrel Jerome e André Holland, respectivamente aos nove, 16 e na fase adulta.

Em algumas premiações o filme foi reconhecido como tendo o melhor roteiro original, enquanto em outros ele foi reconhecido como roteiro adaptado. Nas notas de produção eu entendi a razão disso. O roteiro original de Barry Jenkins é inspirado na peça que não foi produzida “In Moonlight Black Boys Look Blue” de MacArthur Fellow Tarell Alvin McCraney. Ou seja, o filme teve um material original no qual ele se inspirou mas, ao mesmo tempo, não é uma adaptação, até porque o original não chegou ao mercado. Pode ser, assim, classificado tanto de uma forma quanto de outra, dependendo do entendimento da premiação.

Moonlight foi rodado em apenas 25 dias entre outubro e novembro de 2015. A atriz Naomie Harris filmou toda a sua participação na história em apenas três dias, em um intervalo da divulgação de Spectre.

A exemplo do personagem de Chiron, o diretor Barry Jenkins também tinha uma mãe que era viciada.

Cerca de 80% da produção foi rodada em Liberty City, bairro de Miami que é considerada uma das áreas mais atingidas pela pobreza nos Estados Unidos. Inicialmente, a produção do filme ficou um pouco apreensiva por gravar no bairro, com receio pela segurança da equipe, mas tudo melhorou quando foi espalhado pelo bairro que o diretor Barry Jenkins, a exemplo de Tarell Alvin McCraney, era originário do bairro. A partir daí a comunidade acolheu e recebeu muito bem a equipe do filme.

A inspiração para a estrutura narrativa de Moonlight veio do diretor Hsiao-Hsien Hou em Zui Hao de Shi Guang, de 2005.

Moonlight marca a estreia de Alex R. Hibbert nos cinemas.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para a produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 193 críticas positivas e apenas três negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota média 8. Especialmente o nível de avaliação dos críticos surpreende e coloca o filme em um patamar muito difícil de ser batido no Rotten Tomatoes.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso esse filme entra para a lista de produções que atende a uma votação feita aqui no blog há tempos atrás.

CONCLUSÃO: Um filme potente e muito duro. Assim como a realidade de muita gente. Moonlight revela como o acosso de um jovem frágil e que não é protegido por quem ele deveria ser no momento mais importante pode resultar em cicatrizes duradouras. Apesar de ser muito duro, Moonlight também tem uma mensagem muito bonita e importante. De que não importa o que façam contra a gente, se mantivermos o nosso coração protegido, podemos seguir a vida respeitando quem somos apesar de tudo.

Em uma época em que ainda existe muita ignorância e perseguição de homossexuais, Moonlight faz pensar sobre a violência que é praticada contra aqueles que não entendemos. Afinal, para que tanta agressão? Por que para alguns é tão difícil respeitar o que é diferente de si mesmos? Filme sensível, forte e muito interessante. Das boas descobertas do ano.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Não tenho dúvidas de que Moonlight vai chegar bem na premiação da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Os indicados para a premiação deste ano vão sair na próxima terça-feira, e acredita que Moonlight tem boas chances de ser indicado em seis categorias.

Ele deve ser indicado a Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original, e tem boas chances de emplacar em Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Trilha Sonora. De todas estas categorias, vejo que as melhores chances do filme são mesmo em Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original, ainda que será uma dura tarefa da produção vencer ao favorito La La Land na categoria principal da premiação.

Da minha parte, sei que Moonlight é menos “vistoso” e tecnicamente mais “simples” que La La Land. Mas se vamos falar de história, do trabalho do elenco, de roteiro e da importância do que é contado, Moonlight é mais filme que La La Land. O musical é mais um de seu gênero. Bem feito, mas apenas isso. Moonlight não, ele trata de temas fundamentais e apresenta eles com muita força, tornando o filme um dos melhores entre os que entraram em temas tão áridos antes.

Preciso ainda assistir a Manchester by the Sea e a outras produções cotadas para o Oscar, mas até o momento eu acharia mais interessante e justo Moonlight ou mesmo Fences levar o prêmio de Melhor Filme do que La La Land. Mesmo achando isso, tenho quase certeza que a Academia vai preferir o musical, por tudo que ele representa para a indústria do cinema. Mas o meu voto, sem dúvida, iria para Moonlight.

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