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Indicados ao Oscar 2017 – Lista Completa e Avaliações

Olá meus amigos e amigas do blog!

Mais uma vez estamos juntos em uma cobertura do Oscar. Desta vez, eu não pude publicar pela manhã a lista dos indicados e alguns comentários sobre eles, mas compartilhei na conta do blog no Twitter (@criticanonsense) um texto que eu produzi logo após os indicados serem anunciados no site do jornal para o qual eu trabalho, o Notícias do Dia.

É pelo site do jornal que eu devo, mais uma vez, acompanhar a entrega do Oscar deste ano. Farei ou mesmo pela conta do Twitter do blog, é claro. Bem, a divulgação dos indicados deste ano foi um pouco diferente do usual. Desta vez a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood abriu mão do formato de dois atores e/ou um(a) ator(atriz) e um(a) diretor(a) anunciando os nomes ao vivo em transmissão direta de um teatro para abraçar a ideia de vídeos produzidos para a data.

A proposta de dividir a lista de indicados – 24 categorias no total – em duas partes continuou valendo este ano. Nos dois trechos, um representante de diferentes categorias que compõe a fauna Hollywood – um roteirista, um diretor, um ator, uma atriz e uma cantora – se intercalaram falando sobre a emoção de serem indicados a um Oscar e enalteceram, claro, a premiação e a indústria do cinema.

Como era esperado, La La Land saiu com o maior número de indicações. O filme tem 14 chances de emplacar em 13 categorias da premiação. É verdade que ele é o favorito, até porque defende uma indústria autossuficiente e que precisa reafirmar a “máquina de sonhos” que ela representa em uma era de Donald Trump no poder. Ainda assim, não é certo que o filme vai levar o prêmio principal da noite.

Pela frente ele tem importantes concorrentes em diversas categorias. Com oito indicações cada um estão Arrival e Moonlight, dois grandes filmes desta temporada, cada um com as suas particularidades. O que estas duas produções tem em comum – e La La Land nem tanto – é um ótimo roteiro que sustenta os outros recursos que jogam à favor dos respectivos filmes.

Em seguida, aparecem com seis indicações Manchester by the Sea e Hacksaw Ridge. A verdade é que os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood souberam reconhecer a ótima safra que o cinema americano e de outros países soube produzir nesta temporada.

Praticamente todos os grandes filmes desta boa safra foram indicados – sempre há algum esquecimento, como Gleason, Cameraperson, Deadpool, Tom Hanks e, depende dos gostos, Finding Dory ou Captain America: Civil War. Da minha parte, fiquei feliz com a lista dos indicados. Para mim, é um raro ano de uma grande safra que acaba sendo reconhecida por seus valores e qualidades.

Entre os destaques individuais, vale destacar a 20ª – sim, a vigésima! – indicação ao Oscar da gigante Meryl Streep, e o resgate quase do ostracismo de Mel Gibson, que volta a ser indicado como Melhor Diretor após ter ganho um Oscar por Braveheart há nada menos que 21 anos.

Depois da Academia ser duramente criticada por não indicar atores e diretores negros, neste ano os votantes foram justos e indicaram todos os nomes que mereciam chegar lá – independente da raça deles. Desta forma, o Oscar 2017 tem um recorde de atores, atrizes e diretor negro indicados em uma única edição do prêmio. Vivemos novos tempos, ao menos no Oscar, e isso é um bom sinal.

Aliás, claramente a Academia quer dar uma mensagem para o mundo e para os americanos com os filmes que escolheu nas diferentes categorias deste ano. Há filmes sobre pacifismo, histórias que destacam o poder da comunicação e do diálogo, produções que tratam de violência, de desigualdade social e de segregação racial e, claro, o maior indicado que defende a busca pelos sonhos por todos – além de defender Hollywood.

As mensagens estão muito claras, e a entrega do Oscar deste ano promete ser dominada por discursos políticos e cheio de princípios. Será normal ver realizadores, astros e estrelas e diferentes profissionais defendendo a arte, a igualdade de oportunidades para imigrantes/migrantes de qualquer parte, respeito com as mulheres e todas as raças. Será uma premiação interessante, sem dúvida.

Acertei, até o momento, ao ter assistido a vários dos indicados deste ano – entre os nove finalistas como Melhor Filme, aqui no blog eu já comentei sobre cinco deles. Também acertei em quatro dos cinco documentários e em três dos cinco filmes em língua estrangeira. Agora a missão é assistir aos filmes que faltam desta ótima lista. Para quem não começou esta empreitada ainda, recomendo começar e seguir nela. A safra é boa.

Confira a lista de todos os indicados ao Oscar 2017:

Melhor Filme:

Avaliação: La La Land é um filme exuberante. Tecnicamente falando, perfeito. Mas a história… como eu gosto de filmes com um ótimo roteiro, para o meu gosto, La La Land deixa a desejar no roteiro. Não achei ele tão bom ou tão surpreendente quanto eu gostaria. Ele é o grande favorito deste ano, mas não é garantido que leve nesta categoria – vale lembra que no ano passado o “papa-prêmios” e favoritíssimo The Revenant perdeu na categoria principal para Spotlight. Pode acontecer novamente. Da lista de indicados, até agora, torço para Moonlight e Fences, com reais chances para o primeiro. Mas ainda preciso assistir a quatro da lista.

Melhor Ator:

Avaliação: Todos os atores da lista são ótimos, não há dúvidas. Andrew Garfield é estreante na categoria, enquanto Denzel Washington soma a sua sétima indicação. Admito que conforme a lista acima ia sendo divulgada neste 24 de janeiro de 2017, eu estava preocupada que Denzel não aparecia… para o meu alívio ele foi o último nome citado. Com isso, já revelo o meu favorito neste ano. Ele tem boas chances pelo ótimo trabalho em Fences, ainda que os apostadores apontem para Casey Affleck como favorito. Ainda preciso assistir a alguns desempenhos para realmente bater o martelo, mas neste momento o meu favorito é Denzel – acho que ele é sempre o meu voto, na verdade. 😉 Um dos grandes atores de sempre.

Melhor Atriz:

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Ruth Negga (Loving)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land)
  • Meryl Streep (Florence Foster Jenkins)

Avaliação: Lista incrível, vamos combinar! Alguns dos grandes talentos da história do cinema, como Meryl Streep e Isabelle Huppert, ao lado de jovens talentos já consagrados – Natalie Portman – e outros que ainda buscam uma primeira estatueta, como Emma Stone e Ruth Negga. A favorita é Emma Stone. E a verdade é que ela é o ponto alto de La La Land, junto com as qualidades técnicas do filme, é claro. Meryl Streep sempre merece um Oscar, mas não deve levar, mais uma vez. Quem tem mais chances de ganhar a estatueta da favorita Emma Stone, aparentemente, é mesmo Natalie Portman. Da minha parte, acho que se Emma Stone ganhar, não terá sido injusto. La La Land é o filme da vida dela.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Novamente grandes nomes na disputa. Da lista, só não conheço o trabalho de Lucas Hedges – ou não lembro dele, ao menos. Os outros quatro são geniais. Mas o favoritismo é claramente de Mahershala Ali. Quem pode roubar a estatueta dele é o veterano Jeff Bridges, que realmente é um dos pontos altos de Hell or High Water. Ainda preciso ver a alguns dos trabalhos para poder “votar”, mas inicialmente o meu voto iria mesmo para Mahershala Ali, ainda que Bridges também mereça.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Mais uma categoria de alto nível este ano. Todos os nomes já demonstraram que tem talento de sobra. Naomie Harris está ótima em Moonlight, mas Viola Davis é outro nível em Fences. Sou suspeitíssima para falar, mas eu estou com a maioria que coloca ela como favorita nesta categoria – e eu votaria ainda por Denzel Washington, parceiro dela no filme, para Melhor Ator. Em sua terceira indicação no Oscar, sem nunca ter levado uma estatueta dourada para casa, eu estou na torcida por Viola Davis. Quem ameaça a vitória dela, me parece, são mesmo Naomie Harris e Michelle Williams.

Melhor Animação:

Avaliação: Ah, fiquei muito feliz que Kubo and the Two Strings chegou aqui. E não apenas nesta categoria, mas foi indicado também em outra – que virá na lista depois. O filme merece. É maravilhoso! Zootopia, sem dúvida, é o favoritíssimo nesta disputa. Ele tem um grande estúdio e a força da maior bilheteria entre os concorrentes a seu favor. Preciso ver aos outros três, mas acho que tanto Kubo quanto Zootopia merecem, cada um por razões diferentes. O primeiro, por sua proposta artística; o segundo, por tratar de forma inteligente e envolvente assuntos importantes.

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Mais uma categoria com grandes indicados. La La Land é o favorito, e com méritos. Realmente a fotografia do filme é um de seus pontos altos. Possivelmente o fator que faz a experiência valer o ingresso – junto com Emma Stone. Mas a fotografia de Arrival e, depois, de Moonlight, também são ótimas. Acredito que a estatueta dourada vá para La La Land, com Arrival correndo por fora.

Melhor Figurino:

  • Allied
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Florence Foster Jenkins
  • Jackie
  • La La Land

Avaliação: Esta é uma das categorias em que estou mais desinformada, eu admito. Assisti a apenas um dos filmes da disputa. Ainda assim, sei que Jackie era, até há pouco, o favoritíssimo a ganhar nesta categoria. Com a avalanche de prêmios recebidos por La La Land no Globo de Ouro, o filme passou a ser também um forte concorrente. Eu ficaria dividida entre os dois, e mesmo sem ter assistido a Jackie – apenas vi fotos da produção. Mas La La Land, em uma noite de “papa-tudo”, pode levar aqui também.

Melhor Diretor:

Avaliação: Apenas grandes trabalhos apareceram nesta lista. Impossível não bater palma para cada realizador. O favorito na disputa é Damien Chazelle. Ele merece, até porque teve a visão criativa por trás da exuberância visual e narrativa de La La Land. Mas, da minha parte, torço um pouco por Barry Jenkins ou Denis Villeneuve para serem a “zebra” da noite. 😉 Mas não será injusto se Chazelle confirmar o favoritismo.

Melhor Documentário:

Avaliação: Filmes muito bacanas estão nesta lista. Fiquei muito feliz, em especial, por 13th ter chegado lá. Fire at Sea é um filme necessário, mas não é tão bom quanto poderia ser. Life, Animated é tão necessário quanto e melhor realizado, sem dúvidas. Apesar da qualidade destas produções, o favoritíssimo da categoria é O.J.: Made in America, um filme muito, muito americano. Ele conta uma história especialmente importante para os nascidos naquele país, ainda que, com um pouco de esforço, se veja um recorte “universal” na história mais que conhecida de O.J. Simpson. Senti a falta de Gleason, que seria o meu voto. Da lista que chegou na reta final dos indicados, torço por uma zebra, com vitória de 13th.

Melhor Curta Documentário:

  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

Avaliação: Ainda não assisti a nenhum dos curtas desta categoria, mas pretendo fazer isso em breve e compartilhar com vocês as minhas impressões.

Melhor Edição:

Avaliação: Mais uma vez, grandes filmes na disputa. Difícil escolher o melhor, porque o trabalho de edição de todos é uma aula do ofício. Ainda assim, me parece, La La Land corre na frente. É o favorito, mais uma vez – algo normal para um filme tão bom tecnicamente. Se ele ganhar, será justo. Mas podem estragar a festa dele Arrival ou Moonlight. Pouco provável, no entanto, que isso aconteça.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Esta era, realmente, uma grande safra de filmes nesta categoria. Interessante a ascensão de Tanna. O filme roubou a vaga de outros fortes concorrentes, inclusive do limado com antecedência, com a divulgação da lista dos nove pré-finalistas, de Elle. Preciso assistir ainda a The Salesman que, segundo todos que andei lendo, é o único filme que pode roubar a estatueta dourada do favorito Toni Erdmann. Ainda que o filme alemão seja bom, prefiro A Man Called Ove ou Land of Mine. E tenho uma tendência muito grande de gostar de The Salesman porque eu admiro muito o trabalho do diretor Asghar Farhadi. Mas a estatueta deve ficar mesmo entre Toni Erdmann e The Salesman.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Única categoria com menos de cinco indicados, esta disputa parece ter um favoritíssimo: o sucesso de bilheterias e fracasso de críticas Suicide Squad. Me surpreendeu a indicação de A Man Called Ove, mas eu gostei dele ter emplacado em mais uma categoria além da anterior.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Só assisti a dois dos concorrentes, mas posso dizer que as indicações de La La Land e Moonlight foram justíssimas. As trilhas sonoras dos dois filmes são deliciosas e fundamentais para as duas histórias. Ainda assim, me parece, por razões óbvias, que esta categoria é praticamente uma barbada para La La Land. Não será injusto. O único realmente veterano entre os competidores é Thomas Newman por Passengers.

Melhor Canção Original:

  • “Audition (The Fools Who Dream)” – La La Land
  • “Can’t Stop the Feeling” – Trolls
  • “City of Stars” – La La Land
  • “The Empty Chair” – Jim: The James Foley Story
  • “How Far I’ll Go” – Moana

Avaliação: As músicas de La La Land são favoritíssimas. Da minha parte, gosto muito das duas, mas me parece que City of Stars é a que tem mais chances de levar a estatueta dourada. Corre por fora as canções dos filmes de animação, que por muitos anos dominaram nesta categoria, e que em 2017 são representadas por Moana e Trolls. Da minha parte, torço pelas músicas de La La Land – e meu voto iria com a maioria, desta vez.

Melhor Design de Produção:

  • Arrival
  • Fantastic Beasts and Where to Find Them
  • Hail, Caesar!
  • La La Land
  • Passengers

Avaliação: Mais uma vez, grandes competidores – não conheço apenas o trabalho de design de Hail, Caesar!, mas dos demais eu posso dizer que são trabalhos impecáveis. Novamente o favoritismo é de La La Land. Gosto muito também do design de produção de Arrival, um dos pontos fortes do filme. Mas não será injusto La La Land levar. O meu voto, provavelmente, também iria para ele.

Melhor Curta de Animação:

  • Blind Vaysha
  • Borrowed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper

Avaliação: Mais uma vez esta é uma categoria em que eu ainda não assisti aos indicados. Mas em breve eu quero fazer aqui um post sobre eles.

Melhor Curta:

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode

Avaliação: A exemplo da categoria anterior, ainda preciso assistir aos indicados para poder opinar. Quero fazer isso em breve.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Nesta categoria não esqueceram de Sully. 😉 Isso porque era quase que inevitável lembrar da edição de som feita nesta produção, claro. A concorrência é fortíssima. Todos são excelentes trabalhos na edição de som. Se a noite for para um filme “papar todas”, certamente La La Land vai levar nesta categoria também. Da minha parte, prefiro ainda o excepcional trabalho de Arrival ou, em segundo lugar, de Sully.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Três dos cinco indicados na categoria anterior estão indicados novamente por aqui, o que não é raro de acontecer. Quando um filme tem uma excelente edição de som, não raras vezes ele tem uma mixagem de som igualmente brilhante. O favoritismo, novamente, é de La La Land pela razão que comentei no item anterior. Meu voto, até por não ter assistido aos outros concorrentes, iria para Arrival.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Aqui está a outra indicação de Kubo. 😉 Fiquei feliz pelo filme. Novamente, grandes filmes nesta disputa. Não conferi à maioria, por isso não me sinto exatamente na posição de opinar aqui, mas talvez este seja o caso de premiar Doctor Strange ou Rogue One: A Star Wars Story. Me parece. De qualquer forma, grandes sucessos nas bilheterias concorrem por aqui.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Como comentei na crítica de Moonlight, para o entendimento de alguns este filme deveria concorrer como Melhor Roteiro Original, enquanto para outros o certo seria Melhor Roteiro Adaptado. Na divulgação dos indicados feita pela Academia, a lista de Original saiu antes da de Adaptado e levei um susto ao não ver lá Moonlight. Sem dúvida alguma este filme merece estar lá. Tem um dos grandes roteiros do ano. A lista é forte. Acredito que os favoritos sejam Arrival, Moonlight e Fences, nesta ordem – ou não. Difícil escolher, já que são histórias tão diferentes. Eu ficaria mesmo entre Moonlight e Arrival – nesta ordem de preferência.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Como muitas vezes acontece no Oscar, a categoria Melhor Roteiro Original apresenta filmes mais “fracos” do que na categoria anterior. Isso não é novidade. Desta lista, acredito que os favoritos sejam Manchester by the Sea e La La Land, possivelmente nesta ordem. Claro que se o musical estiver em uma noite de “papar tudo”, ele leva aqui também. Acho o roteiro do filme um de seus pontos fracos, mas sabem como é… quando a Academia quer premiar alguém, ela não é, exatamente, justa. Gosto muito também do roteiro de Hell or High Water.

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Toni Erdmann

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Histórias de família e a busca do “sentido da vida” sempre rendem bons filmes. As relações pais e filhos, os conflitos, a dificuldade que alguns familiares têm de expressar o que sentem, especialmente em relações muito próximas, assim como um questionamento sempre saudável sobre que escolhas um indivíduo está fazendo na vida, são alguns dos elementos de Toni Erdmann. Este é um filme longo, mas envolvente. Considerado por muitos o favorito para o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, ele me surpreendeu menos que outros concorrentes desta temporada.

A HISTÓRIA: Um entregador chega em uma casa e toca a campainha. Ele tem que esperar um bocado até que Winfried (Peter Simonischek) aparece. Ele diz que não tem ideia do que o irmão possa ter pedido desta vez. Ele chama por Toni, e comenta que ele saiu há pouco tempo da prisão. O entregador escuta o diálogo entre os “irmãos” e “Toni” aparece para receber a mercadoria. Em seguida ele cumprimenta Lukas (Lennart Moho), um de seus alunos de piano. Winfried gosta de fazer piadas, e é com elas que ele tenta se aproximar da filha, Ines (Sandra Hüller).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Toni Erdmann): Não deixa de ser verdade que eu estava com grande expectativa para assistir a este filme. Afinal, em muitas bolsas de apostas ele é apontado como o favorito para o Oscar 2017. Como nesta temporada temos alguns filmes bem interessantes, eu esperava uma produção extraordinária.

Toni Erdmann é um bom filme, não quero que ninguém me entenda mal. Ele, de fato, trata muito bem sobre diversas questões atuais, especialmente sobre o distanciamento das pessoas. Todos nós estamos tão ocupados com os nossos compromissos que, muitas vezes, desprezamos o principal: as relações afetuosas e mais generosas com quem mais amamos.

Isso é verdade, mas acho que Toni Erdmann vai bater de forma mais profunda em quem ainda não passou por reflexões como as que o filme tenta despertar. Da minha parte, há muito tempo eu sei o que é mais importante. Por isso mesmo, sempre que eu posso, tento valorizar os bons momentos com as pessoas que eu amo. Até porque nós nunca sabemos quando teremos uma nova oportunidade.

Algo que temos como uma das grandes certezas da vida é que um dia vamos morrer. E, na sociedade cheia de riscos em que vivemos, isso pode acontecer praticamente a qualquer momento. A cada final de ano, quando fazemos também a nossa famosa “revisão” de tudo o que aconteceu e do que não aconteceu, este entendimento da “vida como ela é” também fica mais forte. Então, digamos assim, a reflexão central de Toni Erdmann não é nova – os mais atentos costumam fazer ela de tempos em tempos.

Mas outras questões além do “afinal, o que é importante na vida?” estão presentes neste filme. Um dos temas centrais é a busca de um pai por se aproximar de sua filha ausente. Esta possivelmente é a parte mais tocante da produção. Realmente é de fazer pensar que um pai tenha que assumir um personagem (no caso, Toni Erdmann) para circular perto da filha.

Ao mesmo tempo em que isso nos faz pensar sobre as nossas posturas e a correria do dia a dia que não nos deixa “mudar os planos” para receber bem uma pessoa que nos visita sem avisar – isso é algo especialmente típico da cultura alemã -, também nos faz refletir que somos de uma determinada maneira por uma série de fatores. No caso da protagonista desta produção, ela é um produto, sem dúvida alguma, de sua cultura.

Realmente é possível ela mudar radicalmente e estar aberta para receber o pai que chega sem avisar de uma forma mais “disponível” sendo que ela tem uma série de compromissos de trabalho importantes? Olha, acho até que a pessoa pode identificar as suas características, incluindo pontos fortes e fracos, e tentar melhorar em vários deles para se tornar mais amorosa e afetiva. Mas ninguém muda radicalmente.

Além da cultura que nos forma – e faz parte dela os ensinamentos e valores repassados pelos pais e parentes, além dos nossos amigos, colegas e todas as experiências que temos de formação, especialmente na infância -, temos também características que nos são próprias. Uma pessoa que não é afetiva pode se esforçar para demonstrar mais o que sente, mas ela jamais terá o mesmo comportamento de uma pessoa que é afetiva em sua essência.

Winfried tenta, a sua maneira, mostrar para a filha o que ele aprendeu com a vida. A mensagem dele aparece no final. Durante a vida nos ocupamos tanto com afazeres e tarefas que não curtimos os “momentos” especiais como deveríamos. E muitas vezes, quando eles acontecem, nem estamos atentos para isso.

Esta é uma vantagem da passagem do tempo. Conforme a idade avança, realmente nos tornamos mais sábios e aprendemos isso. Não precisamos ser uma pessoa de meia idade, contudo, para nos darmos conta disso. É possível chegar a este entendimento muito antes. E, claro, quanto mais cedo, melhor.

Então Toni Erdmann nos conta uma história interessante de um pai que precisa interpretar um personagem para se aproximar da filha. De quebra, ele faz ela pensar sobre a própria vida. Consequentemente, esta produção também trata de outra questão: afinal, qual é o propósito da vida de cada um de nós?

Aparentemente Ines gasta muito tempo de sua vida e energia em uma profissão que não traz, exatamente, alegria ou oportunidade para as pessoas. Como consultora de empresas que terceirizam processos e buscam eficiência ao máximo, ela acaba fazendo parte de projetos de “modernização” que apenas criam desemprego e que aumentam as desigualdades sociais.

Por outro lado, e como contraponto a ela, o protagonista e pai de Ines é um professor de música, alguém que vive de ensinar e de inspirar jovens com algo tão bonito quanto a arte. São dois mundos muito diferentes, sem dúvida. Para Ines o sucesso é algo importante. Ser independente, ter as rédeas da própria vida. Mas alguém que busca esse caminho sempre tem alguns preços a pagar.

Esta produção não fecha os olhos para a questão social. Além de ter o tema da atividade de Ines como pano de fundo, o filme com roteiro e direção de Maren Ade mostra, pincelado aqui e ali, a realidade com grandes desigualdades da Romênia. O país entrou na União Europeia junto com a Bulgária em 2007 – ou seja, há exatos 10 anos.

Como Ines comenta em um certo momento, ela e o pai vão para uma “missão” no maior centro comercial, onde ninguém tem dinheiro para comprar nada – no caso, claro, ela se refere aos habitantes da cidade e do país e não trata dos turistas como a esposa de Henneberg (Michael Wittenborn).

Apenas neste comentário existem algumas verdades interessantes e incômodas. Primeiro que a única diferença para muitos países que entraram na União Europeia depois foi receber grandes investimentos estrangeiros, mas sem que isso mudasse realmente a realidade das pessoas daquele país. Em muitos lugares, inclusive, estes novos investimentos apenas tornaram ainda mais evidentes ou agravaram as desigualdades sociais existentes. Esta é a crítica social interessante do filme – e que pode agradar, em especial, aos membros da Academia.

Para entender bem Toni Erdmann é preciso conhecer de perto a cultura alemã. Para mim o filme trata de comportamentos, posturas e valores muito típicos desta cultura. Os personagens que eu vi em cena eu “conheci” por ter nascido em uma cidade de colonização alemã. E o personagem de Winfried/Toni, em especial, me lembrou muito o pai de uma das minhas melhores amigas.

Ele é exatamente daquele jeito. Uma pessoa “fechada”, rígida, mas que não perde uma piada. Que gosta de “pregar peças” e de interpretar personagens. Que tem dificuldade de se expressar, muitas vezes, usando a comédia como ferramenta para comunicar o que de forma séria não tem coragem. Uma pessoa excêntrica segundo a visão de muitos. Mas quem conheces pessoas assim sabe que elas não são excêntricas, mas que é possível compreendê-las apesar do choque que muitas vezes elas provocam.

Aliás, por trás de toda a reação chocante, sempre existe algum desespero que quer ser comunicado. Toni Erdmann tem pelo menos dois momentos “chocantes” e/ou de grande surpresa. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O primeiro é quando Toni Erdmann aparece no restaurante em que Ines vai se encontrar com as suas amigas. O segundo é quando Ines “pira o cabeção” em sua própria festa de aniversário e resolve receber todos nua, afirmando que a festa é para pessoas sem roupa.

Nas duas situações os tão diferentes pai e filha estão desesperados por comunicar algo. Por isso eles agem de uma maneira que acaba surpreendendo e chocando. Quando as pessoas não conseguem expressar exatamente o que elas querem dizer de forma racional, elas agem de maneira “fora dos padrões” e chocam aqueles que as conhecem.

No final do filme, Toni Erdmann nos deixa mais algumas lições. Ines vai se despedir de sua avó e comenta que gostaria de ter convivido mais com ela. Ora, para isso acontecer, dependia apenas de uma decisão dela. Todos nós podemos aproveitar mais as pessoas de quem gostamos, mesmo que estejamos pouco com elas. Mas que os encontros sejam de qualidade.

E a sequência final para mim é ótima porque demonstra como as pessoas podem ser generosas e fazerem gestos para agradar as pessoas de quem elas gostam mas, nem por isso, elas vão mudar a sua própria identidade. Ines agrada o pai que, como muitos pais, deseja que ela seja mais parecida com ele. Só que Ines tem a sua própria identidade, e segue com ela, apesar de refletir sobre tudo que o pai lhe sugere.

Alguns pais tem essa mania de querer que os filhos sejam parecidos com eles, mas cada indivíduo é um universo, sabe sobre os seus próprios sonhos, desejos, realizações e decide no que colocar a sua energia. Toni Erdmann termina nos mostrando isso. Que todos somos capazes de gestos de generosidade e de doação mas que, no fim das contas, somos exatamente aquilo que nos desafiamos a ser. Somo o que escolhemos.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Esta produção tem dois grandes, grandes atores. O primeiro destaque é o óbvio e evidente personagem título, interpretado pelo divertido e interessante Peter Simonischek. Ele se destaca por cada olhar, por cada gesto inusitado. Mas, para mim, o grande destaque é mesmo a atriz Sandra Hüller. Ela está fantástica como Ines, em um papel bastante complexo e bem desenvolvido.

Ela convence em um papel menos linear que o do personagem do pai. Para mim, ela até poderia ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz – mas algo que será quase impossível de acontecer. Afinal, ela não tem o “apelo” de outras atrizes estrangeiras mais conhecidas dos votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, como é o caso de Isabelle Huppert – que está muito bem em Elle, devemos admitir (filme comentado neste link). Ainda assim, acho o desempenho de Sandra Hüller impecável. Ela está soberba.

Ainda que a produção seja focada nos personagens de pai e filha, Toni Erdmann funciona porque tem alguns atores coadjuvantes muito bons. Fazem um belo trabalho na produção Trystan Pütter como Tim, colega e namorado “secreto” de Ines; Thomas Loibl como Gerald, chefe da protagonista; Ingrid Bisu muito bem em todas as suas aparições como a assistente de Ines, Anca; Hadewych Minis como Tatjana e Lucy Russell como Steph, as duas as melhores amigas de Ines. Especialmente Lucy ganha destaque pela sequência da festa da protagonista/aniversariante.

Outros atores que participam do filme em papéis menores mas que tem as suas oportunidades de se destacarem são Victoria Cocias como Flavia, uma pessoa que Winfried conhece em uma festa e que acaba recebendo ele e a filha em casa em uma sequência inusitada do filme; Alexandru Papadopol como Dascalu, que faz parte das negociações da empresa de Ines com Henneberg; o próprio Michael Wittenborn muito bem como o americano Henneberg; Victoria Malektorovych como Natalja, mulher de Henneberg; e Vlad Ivanov como Iliescu, representante dos trabalhadores envolvidos no processo entre a empresa de Ines e Henneberg.

Apesar de não ser, para mim, super surpreendente, Toni Erdmann é um filme com um olhar apurado e interessante. Fiquei interessada em saber mais sobre a diretora e roteirista, Maren Ade, especialmente porque este é o primeiro filme dela que eu assisto. Natural da cidade alemã de Karlsruhe, Maren Ade completou 40 anos no final de 2016, no dia 12 de dezembro.

Toni Erdmann é o quinto filme de Maren Aden como diretora. Ela fez, antes, dois curtas e dois longas. Os longas foram Der Wald vor Lauter Bäumen e Alle Anderen. Ela estava desde 2009 sem lançar um novo filme. Por outro lado, ela tem uma carreira mais ampla como produtora, tendo 17 filmes em seu currículo nesta função. Todos os filmes que ela dirigiu também tiveram roteiros escritos por ela. Vale acompanhá-la, pois.

Da parte técnica do filme, gostei da direção de fotografia de Patrick Orth, da edição de Heike Parplies e, principalmente, do design de produção de Silke Fischer, da direção de arte de Malina Ionescu, da decoração de set de Katja Schlömer, dos ótimos figurinos de Gitti Fuchs e da maquiagem muito coerente e bem pensada do trio Wiltrud Derschmidt, Monika Münnich e Astrid Weber. Todos trabalharam muito bem e contribuíram para o filme ter a qualidade e a coerência que tem.

Toni Erdmann estreou em maio de 2016 no Festival de Cinema de Cannes. Depois o filme participou de outros 39 festivais e eventos de cinema pelo mundo. Ou seja, fez uma grande trajetória de premiações antes de ser cotado para o Oscar 2017. Nesta trajetória ele acumulou 26 prêmios e foi indicado a outros 51 prêmios, incluindo a indicação ao Globo de Ouro 2017 de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para os três de Melhor Filme em Língua Estrangeira dados pelas associações de críticos de Vancouver, Nova York e de Atlanta; para dois prêmios de Melhor Filme e o de Melhor Roteiro no Festival Internacional de Cinema de Bruxelas; para o Prêmio Fipresci do Festival de Cinema de Cannes; pelos cinco prêmios (Atriz Europeia, Ator Europeu, Diretor Europeu, Roteiro Europeu e Filme Europeu) no European Film Awards; para o Fipresci Filme do Ano do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián; e para os seis prêmios (Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Atriz para Sandra Hüller e Melhor Diretor para Maren Aden) dados em “duplicata” em 2016/2017 pela Associação de Críticos de Cinema de Toronto.

Toni Erdmann teria custado 3 milhões de euros. Um orçamento muito baixo, especialmente se levarmos em conta os padrões de Hollywood. Não informações seguras sobre o desempenho do filme nos mercados em que ele já estreou. E nem uma previsão para quando ele vai estrear no Brasil.

Como a história do filme mesmo sugere, Toni Erdmann foi rodado em diversas localidades da Alemanha e da Romênia. Entre outras cidades, ele foi filmado em Bucareste, na Romênia, e em Aachen e Langerwehe, cidades de North Rhine-Westphalia, na Alemanha.

Agora, aquelas tradicionais curiosidades sobre o filme. Toni Erdmann foi um dos filmes mais comentados do Festival de Cinema de Cannes, mas ele saiu da premiação sem qualquer reconhecimento do júri da “competição oficial”. A Palma de Ouro foi para I, Daniel Blake. Críticos importantes como Justin Chang, Manohla Dargis, Kenneth Turan, Peter Bradshaw e Guy Lodge disseram que a decisão do júri de Cannes por não dar a Palma de Ouro para Toni Erdmann foi “desconcertante” e de que o festival perdeu uma boa chance de premiar um ótimo filme de uma diretora.

O personagem de Winfried Conradi é levemente inspirado no pai da diretora Maren Ade que gosta, ele próprio, de colocar dentes falsos para brincar com as pessoas. Outra inspiração para o personagem foi o comediante Andy Kaufman.

Toni Erdmann demorou um ano para ser editado e utilizou como matéria-prima 120 horas de filmagens feitas durante 56 dias.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A sequência da festa com convidados nus dada por Ines foi considerada a “cena de nudez do ano” pela Vulture.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 63 críticas positivas e seis negativas para o filme, o que lhe rendeu uma aprovação de 91% e uma nota média de 8,4. Apesar das duas notas serem boas, se levarmos em conta os padrões dos dois sites, elas não podem ser consideradas excepcionais – há diversos filmes desta temporada com avaliações melhores.

Este filme é uma coprodução da Alemanha, da Áustria e da Romênia. Mas como o coração da produção é da Alemanha, o filme é o representante oficial do país no Oscar 2017. Há bastante tempo, em uma votação aqui no blog, vocês pediram filmes da Alemanha. Por isso essa produção entra para a lista de filmes que atendem a votações feitas por aqui.

CONCLUSÃO: Este é um bom filme. Ele conta boa parte do “modo de ser” dos alemães. Por ter nascido em uma cidade de colonização alemã e por conhecer personagens como os mostrados em Toni Erdmann, talvez por isso o filme não tenha me surpreendido tanto como talvez tenha ocorrido com outras pessoas.

É uma história humana interessante, que resume bem o desejo de um pai se aproximar de sua filha e, de quebra, fazê-la pensar sobre o que é importante na vida. Também tem um fundo de análise social sobre os nossos tempos, especialmente sobre as desigualdades na Europa. Vale ser visto, sem dúvida, ainda que eu não o considere a melhor produção cotada para a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2017.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Quase todas as bolsas de apostas estão colocando Toni Erdmann como o grande favorito para o Oscar deste ano. A produção realmente deve figurar entre as cinco finalistas da categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira deste ano. Ainda preciso assistir a outro forte concorrente do ano, Forushande, do geralmente ótimo Asghar Farhadi.

Da minha parte e, como sempre, cinema é uma questão de gosto pessoal. Sendo assim, posso comentar que gostei de Toni Erdmann, mas não achei ele o melhor filme estrangeiro do ano. Da lista de nove filmes que conseguiram avançar na disputa por uma das cinco vagas na categoria do Oscar deste ano, prefiro A Man Called Ove (comentado aqui) e até Land of Mine (com crítica neste link) achei mais surpreendente e impactante.

Mas não sei, desconfio que o filme de Farhadi tem grandes chances de vencer desta produção alemã. Quer dizer, tudo vai depender dos humores e dos gostos dos votantes da Academia. Ainda preciso assistir aos outros nomes fortes da disputa para poder fazer uma avaliação final.

Toni Erdmann é bom, mas não é inesquecível ou mesmo a produção em disputa que mais me agradou. Mas ele tem boas chances no Oscar sim, especialmente porque trata de questões universais apesar de ser muito, muito alemão. Não é todo filme que consegue este equilíbrio.

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Toni Erdmann – As Faces de Toni Erdmann

Histórias de família e a busca do “sentido da vida” sempre rendem bons filmes. As relações pais e filhos, os conflitos, a dificuldade que alguns familiares têm de expressar o que sentem, especialmente em relações muito próximas, assim como um questionamento sempre saudável sobre que escolhas um indivíduo está fazendo na vida, são alguns dos elementos de Toni Erdmann. Este é um filme longo, mas envolvente. Considerado por muitos o favorito para o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, ele me surpreendeu menos que outros concorrentes desta temporada.

A HISTÓRIA: Um entregador chega em uma casa e toca a campainha. Ele tem que esperar um bocado até que Winfried (Peter Simonischek) aparece. Ele diz que não tem ideia do que o irmão possa ter pedido desta vez. Ele chama por Toni, e comenta que ele saiu há pouco tempo da prisão. O entregador escuta o diálogo entre os “irmãos” e “Toni” aparece para receber a mercadoria. Em seguida ele cumprimenta Lukas (Lennart Moho), um de seus alunos de piano. Winfried gosta de fazer piadas, e é com elas que ele tenta se aproximar da filha, Ines (Sandra Hüller).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Toni Erdmann): Não deixa de ser verdade que eu estava com grande expectativa para assistir a este filme. Afinal, em muitas bolsas de apostas ele é apontado como o favorito para o Oscar 2017. Como nesta temporada temos alguns filmes bem interessantes, eu esperava uma produção extraordinária.

Toni Erdmann é um bom filme, não quero que ninguém me entenda mal. Ele, de fato, trata muito bem sobre diversas questões atuais, especialmente sobre o distanciamento das pessoas. Todos nós estamos tão ocupados com os nossos compromissos que, muitas vezes, desprezamos o principal: as relações afetuosas e mais generosas com quem mais amamos.

Isso é verdade, mas acho que Toni Erdmann vai bater de forma mais profunda em quem ainda não passou por reflexões como as que o filme tenta despertar. Da minha parte, há muito tempo eu sei o que é mais importante. Por isso mesmo, sempre que eu posso, tento valorizar os bons momentos com as pessoas que eu amo. Até porque nós nunca sabemos quando teremos uma nova oportunidade.

Algo que temos como uma das grandes certezas da vida é que um dia vamos morrer. E, na sociedade cheia de riscos em que vivemos, isso pode acontecer praticamente a qualquer momento. A cada final de ano, quando fazemos também a nossa famosa “revisão” de tudo o que aconteceu e do que não aconteceu, este entendimento da “vida como ela é” também fica mais forte. Então, digamos assim, a reflexão central de Toni Erdmann não é nova – os mais atentos costumam fazer ela de tempos em tempos.

Mas outras questões além do “afinal, o que é importante na vida?” estão presentes neste filme. Um dos temas centrais é a busca de um pai por se aproximar de sua filha ausente. Esta possivelmente é a parte mais tocante da produção. Realmente é de fazer pensar que um pai tenha que assumir um personagem (no caso, Toni Erdmann) para circular perto da filha.

Ao mesmo tempo em que isso nos faz pensar sobre as nossas posturas e a correria do dia a dia que não nos deixa “mudar os planos” para receber bem uma pessoa que nos visita sem avisar – isso é algo especialmente típico da cultura alemã -, também nos faz refletir que somos de uma determinada maneira por uma série de fatores. No caso da protagonista desta produção, ela é um produto, sem dúvida alguma, de sua cultura.

Realmente é possível ela mudar radicalmente e estar aberta para receber o pai que chega sem avisar de uma forma mais “disponível” sendo que ela tem uma série de compromissos de trabalho importantes? Olha, acho até que a pessoa pode identificar as suas características, incluindo pontos fortes e fracos, e tentar melhorar em vários deles para se tornar mais amorosa e afetiva. Mas ninguém muda radicalmente.

Além da cultura que nos forma – e faz parte dela os ensinamentos e valores repassados pelos pais e parentes, além dos nossos amigos, colegas e todas as experiências que temos de formação, especialmente na infância -, temos também características que nos são próprias. Uma pessoa que não é afetiva pode se esforçar para demonstrar mais o que sente, mas ela jamais terá o mesmo comportamento de uma pessoa que é afetiva em sua essência.

Winfried tenta, a sua maneira, mostrar para a filha o que ele aprendeu com a vida. A mensagem dele aparece no final. Durante a vida nos ocupamos tanto com afazeres e tarefas que não curtimos os “momentos” especiais como deveríamos. E muitas vezes, quando eles acontecem, nem estamos atentos para isso.

Esta é uma vantagem da passagem do tempo. Conforme a idade avança, realmente nos tornamos mais sábios e aprendemos isso. Não precisamos ser uma pessoa de meia idade, contudo, para nos darmos conta disso. É possível chegar a este entendimento muito antes. E, claro, quanto mais cedo, melhor.

Então Toni Erdmann nos conta uma história interessante de um pai que precisa interpretar um personagem para se aproximar da filha. De quebra, ele faz ela pensar sobre a própria vida. Consequentemente, esta produção também trata de outra questão: afinal, qual é o propósito da vida de cada um de nós?

Aparentemente Ines gasta muito tempo de sua vida e energia em uma profissão que não traz, exatamente, alegria ou oportunidade para as pessoas. Como consultora de empresas que terceirizam processos e buscam eficiência ao máximo, ela acaba fazendo parte de projetos de “modernização” que apenas criam desemprego e que aumentam as desigualdades sociais.

Por outro lado, e como contraponto a ela, o protagonista e pai de Ines é um professor de música, alguém que vive de ensinar e de inspirar jovens com algo tão bonito quanto a arte. São dois mundos muito diferentes, sem dúvida. Para Ines o sucesso é algo importante. Ser independente, ter as rédeas da própria vida. Mas alguém que busca esse caminho sempre tem alguns preços a pagar.

Esta produção não fecha os olhos para a questão social. Além de ter o tema da atividade de Ines como pano de fundo, o filme com roteiro e direção de Maren Ade mostra, pincelado aqui e ali, a realidade com grandes desigualdades da Romênia. O país entrou na União Europeia junto com a Bulgária em 2007 – ou seja, há exatos 10 anos.

Como Ines comenta em um certo momento, ela e o pai vão para uma “missão” no maior centro comercial, onde ninguém tem dinheiro para comprar nada – no caso, claro, ela se refere aos habitantes da cidade e do país e não trata dos turistas como a esposa de Henneberg (Michael Wittenborn).

Apenas neste comentário existem algumas verdades interessantes e incômodas. Primeiro que a única diferença para muitos países que entraram na União Europeia depois foi receber grandes investimentos estrangeiros, mas sem que isso mudasse realmente a realidade das pessoas daquele país. Em muitos lugares, inclusive, estes novos investimentos apenas tornaram ainda mais evidentes ou agravaram as desigualdades sociais existentes. Esta é a crítica social interessante do filme – e que pode agradar, em especial, aos membros da Academia.

Para entender bem Toni Erdmann é preciso conhecer de perto a cultura alemã. Para mim o filme trata de comportamentos, posturas e valores muito típicos desta cultura. Os personagens que eu vi em cena eu “conheci” por ter nascido em uma cidade de colonização alemã. E o personagem de Winfried/Toni, em especial, me lembrou muito o pai de uma das minhas melhores amigas.

Ele é exatamente daquele jeito. Uma pessoa “fechada”, rígida, mas que não perde uma piada. Que gosta de “pregar peças” e de interpretar personagens. Que tem dificuldade de se expressar, muitas vezes, usando a comédia como ferramenta para comunicar o que de forma séria não tem coragem. Uma pessoa excêntrica segundo a visão de muitos. Mas quem conheces pessoas assim sabe que elas não são excêntricas, mas que é possível compreendê-las apesar do choque que muitas vezes elas provocam.

Aliás, por trás de toda a reação chocante, sempre existe algum desespero que quer ser comunicado. Toni Erdmann tem pelo menos dois momentos “chocantes” e/ou de grande surpresa. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O primeiro é quando Toni Erdmann aparece no restaurante em que Ines vai se encontrar com as suas amigas. O segundo é quando Ines “pira o cabeção” em sua própria festa de aniversário e resolve receber todos nua, afirmando que a festa é para pessoas sem roupa.

Nas duas situações os tão diferentes pai e filha estão desesperados por comunicar algo. Por isso eles agem de uma maneira que acaba surpreendendo e chocando. Quando as pessoas não conseguem expressar exatamente o que elas querem dizer de forma racional, elas agem de maneira “fora dos padrões” e chocam aqueles que as conhecem.

No final do filme, Toni Erdmann nos deixa mais algumas lições. Ines vai se despedir de sua avó e comenta que gostaria de ter convivido mais com ela. Ora, para isso acontecer, dependia apenas de uma decisão dela. Todos nós podemos aproveitar mais as pessoas de quem gostamos, mesmo que estejamos pouco com elas. Mas que os encontros sejam de qualidade.

E a sequência final para mim é ótima porque demonstra como as pessoas podem ser generosas e fazerem gestos para agradar as pessoas de quem elas gostam mas, nem por isso, elas vão mudar a sua própria identidade. Ines agrada o pai que, como muitos pais, deseja que ela seja mais parecida com ele. Só que Ines tem a sua própria identidade, e segue com ela, apesar de refletir sobre tudo que o pai lhe sugere.

Alguns pais tem essa mania de querer que os filhos sejam parecidos com eles, mas cada indivíduo é um universo, sabe sobre os seus próprios sonhos, desejos, realizações e decide no que colocar a sua energia. Toni Erdmann termina nos mostrando isso. Que todos somos capazes de gestos de generosidade e de doação mas que, no fim das contas, somos exatamente aquilo que nos desafiamos a ser. Somo o que escolhemos.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Esta produção tem dois grandes, grandes atores. O primeiro destaque é o óbvio e evidente personagem título, interpretado pelo divertido e interessante Peter Simonischek. Ele se destaca por cada olhar, por cada gesto inusitado. Mas, para mim, o grande destaque é mesmo a atriz Sandra Hüller. Ela está fantástica como Ines, em um papel bastante complexo e bem desenvolvido.

Ela convence em um papel menos linear que o do personagem do pai. Para mim, ela até poderia ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz – mas algo que será quase impossível de acontecer. Afinal, ela não tem o “apelo” de outras atrizes estrangeiras mais conhecidas dos votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, como é o caso de Isabelle Huppert – que está muito bem em Elle, devemos admitir (filme comentado neste link). Ainda assim, acho o desempenho de Sandra Hüller impecável. Ela está soberba.

Ainda que a produção seja focada nos personagens de pai e filha, Toni Erdmann funciona porque tem alguns atores coadjuvantes muito bons. Fazem um belo trabalho na produção Trystan Pütter como Tim, colega e namorado “secreto” de Ines; Thomas Loibl como Gerald, chefe da protagonista; Ingrid Bisu muito bem em todas as suas aparições como a assistente de Ines, Anca; Hadewych Minis como Tatjana e Lucy Russell como Steph, as duas as melhores amigas de Ines. Especialmente Lucy ganha destaque pela sequência da festa da protagonista/aniversariante.

Outros atores que participam do filme em papéis menores mas que tem as suas oportunidades de se destacarem são Victoria Cocias como Flavia, uma pessoa que Winfried conhece em uma festa e que acaba recebendo ele e a filha em casa em uma sequência inusitada do filme; Alexandru Papadopol como Dascalu, que faz parte das negociações da empresa de Ines com Henneberg; o próprio Michael Wittenborn muito bem como o americano Henneberg; Victoria Malektorovych como Natalja, mulher de Henneberg; e Vlad Ivanov como Iliescu, representante dos trabalhadores envolvidos no processo entre a empresa de Ines e Henneberg.

Apesar de não ser, para mim, super surpreendente, Toni Erdmann é um filme com um olhar apurado e interessante. Fiquei interessada em saber mais sobre a diretora e roteirista, Maren Ade, especialmente porque este é o primeiro filme dela que eu assisto. Natural da cidade alemã de Karlsruhe, Maren Ade completou 40 anos no final de 2016, no dia 12 de dezembro.

Toni Erdmann é o quinto filme de Maren Aden como diretora. Ela fez, antes, dois curtas e dois longas. Os longas foram Der Wald vor Lauter Bäumen e Alle Anderen. Ela estava desde 2009 sem lançar um novo filme. Por outro lado, ela tem uma carreira mais ampla como produtora, tendo 17 filmes em seu currículo nesta função. Todos os filmes que ela dirigiu também tiveram roteiros escritos por ela. Vale acompanhá-la, pois.

Da parte técnica do filme, gostei da direção de fotografia de Patrick Orth, da edição de Heike Parplies e, principalmente, do design de produção de Silke Fischer, da direção de arte de Malina Ionescu, da decoração de set de Katja Schlömer, dos ótimos figurinos de Gitti Fuchs e da maquiagem muito coerente e bem pensada do trio Wiltrud Derschmidt, Monika Münnich e Astrid Weber. Todos trabalharam muito bem e contribuíram para o filme ter a qualidade e a coerência que tem.

Toni Erdmann estreou em maio de 2016 no Festival de Cinema de Cannes. Depois o filme participou de outros 39 festivais e eventos de cinema pelo mundo. Ou seja, fez uma grande trajetória de premiações antes de ser cotado para o Oscar 2017. Nesta trajetória ele acumulou 26 prêmios e foi indicado a outros 51 prêmios, incluindo a indicação ao Globo de Ouro 2017 de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para os três de Melhor Filme em Língua Estrangeira dados pelas associações de críticos de Vancouver, Nova York e de Atlanta; para dois prêmios de Melhor Filme e o de Melhor Roteiro no Festival Internacional de Cinema de Bruxelas; para o Prêmio Fipresci do Festival de Cinema de Cannes; pelos cinco prêmios (Atriz Europeia, Ator Europeu, Diretor Europeu, Roteiro Europeu e Filme Europeu) no European Film Awards; para o Fipresci Filme do Ano do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián; e para os seis prêmios (Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Atriz para Sandra Hüller e Melhor Diretor para Maren Aden) dados em “duplicata” em 2016/2017 pela Associação de Críticos de Cinema de Toronto.

Toni Erdmann teria custado 3 milhões de euros. Um orçamento muito baixo, especialmente se levarmos em conta os padrões de Hollywood. Não informações seguras sobre o desempenho do filme nos mercados em que ele já estreou. E nem uma previsão para quando ele vai estrear no Brasil.

Como a história do filme mesmo sugere, Toni Erdmann foi rodado em diversas localidades da Alemanha e da Romênia. Entre outras cidades, ele foi filmado em Bucareste, na Romênia, e em Aachen e Langerwehe, cidades de North Rhine-Westphalia, na Alemanha.

Agora, aquelas tradicionais curiosidades sobre o filme. Toni Erdmann foi um dos filmes mais comentados do Festival de Cinema de Cannes, mas ele saiu da premiação sem qualquer reconhecimento do júri da “competição oficial”. A Palma de Ouro foi para I, Daniel Blake. Críticos importantes como Justin Chang, Manohla Dargis, Kenneth Turan, Peter Bradshaw e Guy Lodge disseram que a decisão do júri de Cannes por não dar a Palma de Ouro para Toni Erdmann foi “desconcertante” e de que o festival perdeu uma boa chance de premiar um ótimo filme de uma diretora.

O personagem de Winfried Conradi é levemente inspirado no pai da diretora Maren Ade que gosta, ele próprio, de colocar dentes falsos para brincar com as pessoas. Outra inspiração para o personagem foi o comediante Andy Kaufman.

Toni Erdmann demorou um ano para ser editado e utilizou como matéria-prima 120 horas de filmagens feitas durante 56 dias.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A sequência da festa com convidados nus dada por Ines foi considerada a “cena de nudez do ano” pela Vulture.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 63 críticas positivas e seis negativas para o filme, o que lhe rendeu uma aprovação de 91% e uma nota média de 8,4. Apesar das duas notas serem boas, se levarmos em conta os padrões dos dois sites, elas não podem ser consideradas excepcionais – há diversos filmes desta temporada com avaliações melhores.

Este filme é uma coprodução da Alemanha, da Áustria e da Romênia. Mas como o coração da produção é da Alemanha, o filme é o representante oficial do país no Oscar 2017. Há bastante tempo, em uma votação aqui no blog, vocês pediram filmes da Alemanha. Por isso essa produção entra para a lista de filmes que atendem a votações feitas por aqui.

CONCLUSÃO: Este é um bom filme. Ele conta boa parte do “modo de ser” dos alemães. Por ter nascido em uma cidade de colonização alemã e por conhecer personagens como os mostrados em Toni Erdmann, talvez por isso o filme não tenha me surpreendido tanto como talvez tenha ocorrido com outras pessoas.

É uma história humana interessante, que resume bem o desejo de um pai se aproximar de sua filha e, de quebra, fazê-la pensar sobre o que é importante na vida. Também tem um fundo de análise social sobre os nossos tempos, especialmente sobre as desigualdades na Europa. Vale ser visto, sem dúvida, ainda que eu não o considere a melhor produção cotada para a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2017.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Quase todas as bolsas de apostas estão colocando Toni Erdmann como o grande favorito para o Oscar deste ano. A produção realmente deve figurar entre as cinco finalistas da categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira deste ano. Ainda preciso assistir a outro forte concorrente do ano, Forushande, do geralmente ótimo Asghar Farhadi.

Da minha parte e, como sempre, cinema é uma questão de gosto pessoal. Sendo assim, posso comentar que gostei de Toni Erdmann, mas não achei ele o melhor filme estrangeiro do ano. Da lista de nove filmes que conseguiram avançar na disputa por uma das cinco vagas na categoria do Oscar deste ano, prefiro A Man Called Ove (comentado aqui) e até Land of Mine (com crítica neste link) achei mais surpreendente e impactante.

Mas não sei, desconfio que o filme de Farhadi tem grandes chances de vencer desta produção alemã. Quer dizer, tudo vai depender dos humores e dos gostos dos votantes da Academia. Ainda preciso assistir aos outros nomes fortes da disputa para poder fazer uma avaliação final.

Toni Erdmann é bom, mas não é inesquecível ou mesmo a produção em disputa que mais me agradou. Mas ele tem boas chances no Oscar sim, especialmente porque trata de questões universais apesar de ser muito, muito alemão. Não é todo filme que consegue este equilíbrio.