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Winter’s Bone – Inverno da Alma

A realidade de algumas pessoas é dura, difícil. E para alguns, nada pode ser tão ruim que não possa piorar. Winter’s Bone conta uma destas histórias complicadas. E que piora. Mas por mais que o caldo engrosse e uma boa saída parece improvável, a protagonista desta história persiste. Para alguns, o trabalho da atriz Jennifer Lawrence vale o filme. E sim, ela está muito bem. Mas cá entre nós, achei a história de Winter’s Bone cansativa, arrastada, um retrato triste de uma parte da sociedade dos Estados Unidos da qual apenas ouvimos falar. Quer dizer, teve gente que teve a infelicidade de viver um tempo naquele território agreste, de pessoas duras, ríspidas, aparentemente incapazes de afeto. Mas talvez aí resida a faísca interessante desta produção: em revelar, sem pressa ou mesmo utilizando recursos baratos, a solidariedade e o afeto daquelas pessoas “brutas” em seu cotidiano. Um bom filme, mas muito abaixo dos concorrentes deste ano no Oscar.

A HISTÓRIA: Cenário de árvores sem folhas, de alguns carros antigos parados, um lugar aparentemente sem vida. Uma voz melodiosa, mas um bocado triste, começa a cantar. Duas crianças pulam e se divertem em uma cama elástica. Depois, brincam com dois filhotes de gatos e com um skate. As crianças são Sonny (Isaiah Stone) e Ashlee (Ashlee Thompson), irmãos mais novos de Ree (Jennifer Lawrence). A garota de 17 anos coloca as roupas no varal com a ajuda de Ashlee enquanto Sonny observa tudo deitado em uma rede. Ree é a responsável pela casa, na ausência do pai, que foi mandado para a prisão. Ela cuida não apenas dos irmãos menores, mas da mãe doente – e mentalmente ausente. A vida é de sacrifícios, mas tudo fica pior quando Ree recebe a visita do Sheriff Baskin (Garret Dillahunt). Ele comunica a garota que o pai dela, que saiu em condicional, está sumido e que, se ele não aparecer para a audiência marcada com o juiz, ela e a família poderão perder a casa e a propriedade em que moram. Desesperada com esta possibilidade, Ree empreende uma busca perigosa para descobrir o paradeiro do pai.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Winter’s Bone): Algumas realidades são mais duras que outras. E alguns ambientes, mais hostis. Winter’s Bone foca a atenção do espectador para o interior dos Estados Unidos, um lugar onde costuma fazer frio. E não trato, com a linha anterior, apenas do clima, da temperatura, mas das relações humanas. Uma produção que revele um pouco mais sobre estes tipos de relações e, de certo modo, como o ambiente da prisão pode espalhar-se pela sociedade embrutecida, merece nossa atenção. Mas há um problema quando o filme que propõe esta e outras reflexões não consegue ir além da camada superficial. Até porque, convenhamos, há realidades mais duras do que aquela vista em Winter’s Bone.

Talvez você, meu caro leitor e leitora, tenha sentido angústia ou apreensão com esta história. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Talvez vocês tenham ficado realmente preocupados com a protagonista e com sua família, acreditando no suspense sugerido pelo roteiro que a diretora Debra Granik escreveu ao lado de Anne Rosellini. Da minha parte, achei tudo bastante cinza, um bocado arrastado e menos “visceral” do que se podia imaginar. Ok que aquela permanente e aparente falta de “sentimento” faça parte do jogo, do enredo, da mensagem. Mas essa “sobriedade” disfarçada em “pessoas sem coração” também cansa. Certo, aquele mundo é cruel. Mas tantos outros mundo são tão ou mais cruéis que aquele e não rendem um filme vendido como digno de Oscar.

Em teoria, o suspense sobre o paradeiro do pai de Ree deve segurar o filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu a Winter’s Bone). Assim como a dúvida sobre o que irá acontecer com a garota persistente. Será que ela será silenciada, como o pai dela provavelmente foi? As dúvidas são legítimas, mas o suspense é fraco. Fica estabelecido sobre alicerces frágeis e isso faz com que o espectador, você e eu, tiremos conclusões muito antes do que deveríamos. Há pouca surpresa nesta história. E quando um filme não nos surpreende, espera-se que ele pelo menos nos envolva, nos emocione. Não sei vocês, mas fora uma ou outra cena de ternura com as crianças – especialmente a menininha Ashlee Thompson -, pouco de emoção eu senti com Winter’s Bone. Sei que alguns irão discordar de mim, mas não vi o apelo que fez certas pessoas ficarem encantadas com a produção.

Também acho que Winter’s Bone destoa muito do restante dos indicados deste ano na categoria de Melhor Filme no Oscar. Ok, ainda falta assistir a Toy Story 3. Mas algo me diz que a animação não irá me decepcionar. Afinal, tantas pessoas falam bem dela… A impressão que fica é que escolheram Winter’s Bone para integrar a lista dos 10 indicados com o objetivo de preencher uma possível “vaga para filme alternativo” da premiação. No ano passado, o Oscar equilibrou filmes de grandes estúdios e diretores com produções mais modestas. No orçamento, pelo menos. Não na qualidade. Vide Precious, District 9 e An Education.

Este ano, ao invés de indicar produções como Hereafter ou Somewhere, dirigidas por dois nomes conhecidos, o Oscar resolveu abrir espaço para Debra Granik e seu Winter’s Bone. Certo que o filme tem as suas qualidades, como o equilíbrio entre o elenco – ninguém se destaca muito, todos estão bem nas interpretações – e uma edição de fotografia competente. Sei que a trilha sonora também é bacana, com músicas feitas sob medida para reforçar a “aura” de Winter’s Bone. Mas, francamente, até as músicas rurais típicas do interior dos Estados Unidos, esse folk cheio de lamento, me cansou.

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Se fosse avaliar apenas a história narrada por Winter’s Bone, provavelmente a minha nota seria ainda menor. Mas gostei de alguns momentos do filme, assim como da interpretação de Jennifer Lawrence e de alguns dos coadjuvantes. Destaco, em especial, o ótimo trabalho de John Hawkes como Teardrop, o tio da protagonista; e de Dale Dickey como Merab, a mulher durona que protege o “chefão da máfia regional”, Thump Milton (Ronnie Hall).

Além dos atores já citados, vale a pena comentar o bom trabalho de Shelley Waggener como Sonya, a vizinha dos Dolly e que ajuda Ree e seus irmãos volta e meia – um exemplo bacana de solidariedade e compaixão; Lauren Sweetser como Gail, o braço direito de Ree em sua busca por respostas; e Cinnamon Schultz em uma super ponta como Victoria, mulher de Teardrop. Na parte técnica, vale citar a direção de fotografia de Michael McDonough, muito bem feita e planejada para imprimir a aura correta nesta história; a trilha sonora de Dickon Hinchliffe – ainda que é preciso gostar da típica música do interior dos Estados Unidos.

Para os interessados em saber sobre o local em que este filme foi rodado, Winter’s Bone foi todo filmado nas cidades de Branson e Forsyth, ambas no Missouri.

Winter’s Bone estrou em janeiro do ano passado no Festival de Sundance, nos Estados Unidos. Depois, passou pelo Festival de Berlim e em outros 23 festivais. Pois sim, no total, Winter’s Bone fez a sabatina em 25 eventos de cinema. Uma marca impressionante. E que foi fazendo o nome do filme, até o ponto dele ser indicado em quatro categorias do Oscar.

Passando por tantos festivais mundo afora, o filme de Debra Granik conseguiu embolsar 19 prêmios. No Festival de Berlim, a produção embolsou dois prêmios secundários: o C.I.C.A.E. e o Tagesspiegel. Festival de Cinema Independente de Boston, levou o prêmio entregue pela audiência e também um prêmio especial do júri. No Gotham Awards, premiação voltada para os filmes independentes (a exemplo de Sundance), levou os prêmios de Melhor Filme e Melhor Elenco. No Festival de Sundance, Winter’s Bone levou o Grande Prêmio do Júri e o prêmio Waldo Salt como melhor roteiro. A atriz Jennifer Lawrence foi premiada oito vezes, em diferentes festivais e prêmios entregues por sociedades de críticos. Ela foi indicada ainda ao Globo de Ouro como Melhor Atriz, mas perdeu o prêmio para Natalie Portman, por Black Swan.

Winter’s Bone custou um ninharia para os padrões do cinema produzido dos Estados Unidos: US$ 2 milhões. Ou seja, independente até a medula. A produção estreou nos Estados Unidos em junho do ano passado e, até o dia 30 de janeiro, havia faturado pouco mais de US$ 6,3 milhões. Não apenas conseguiu um bom lucro, mas também emplacou vários prêmios e ocupou o espaço do cinema independente no Oscar deste ano.

Uma curiosidade sobre o filme: muitas das “estrelas” de Winter’s Bone, como as crianças que interpretam a Sonny e Ashlee, e William White, que interpreta a Blond Milton, assim com outros nomes da produção, são moradores de Forsyth e nunca haviam interpretado em suas vidas. Percebe-se esta “frescura” e legitimidade em cena – o que justifica também o baixíssimo orçamento da produção.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,4 para o filme. Os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes foram mais generosos: dedicaram 137 críticas positivas e apenas oito negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 94% – e uma nota média de 8,3. Eles gostaram mais do filme do que eu – o que é algo raro, diga-se.

O roteiro da diretora Debra Granik e de Anne Rosellini é baseado no livro homônimo de Daniel Woodrell, que foi elogiado por fazer um retrato interessante das comunidades rurais do Sul dos Estados Unidos que tem que conviver com sua inabalável fé contrastada com a realidade do consumo e produção de drogas. O livro parece bem interessante, especialmente porque Woodrell classifica a sua forma de escrever de “country noir”. Mas não achei que o filme acompanha este processo – seria interessante ver na tela um noir embebido em country. O que eu vi foi apenas um drama com música do gênero, nada mais.

Antes de filmar Winter’s Bone, Debra Granik havia dirigido o curta Snake Feed, em 1997, e o longa Down to the Bone, estrelado por Vera Farmiga, em 2004. Com Winter’s Bone ela foi premiada, pela segunda vez consecutiva, com dois longas em sua filmografia, no Festival de Sundance.

CONCLUSÃO: Uma família em crise, que vive com pouco dinheiro e contando com a ajuda de vizinhos e conhecidos, tem um desafio ainda maior pela frente. Lidar com o desaparecimento do pai da protagonista e de seus dois irmãos. Caso ele não volte a dar as caras, esta família poderá perder a casa e a propriedade em que vive. Winter’s Bone pega esta premissa, adiciona algumas colheradas de tensão, suspense e crime e nos apresenta um drama que veste as roupas do local em que a produção foi rodada, o Missouri. Embalado por músicas do mais puro folk, este filme é quase um estudo de caso sobre o fundo do poço da alma do interior dos Estados Unidos. Até um certo ponto, Winter’s Bone se mostra interessante por isso. E pelas boas interpretações do elenco. Mas por outro lado, o drama previsível acaba cansando. Entre os filmes concorrentes ao Oscar deste ano, sem dúvida, é o mais fraco da lista.

PALPITE PARA O OSCAR 2011: Surpresas sempre podem acontecer. Isso, todos nós, que acompanhamos ao Oscar, sabemos. Mas o meu palpite é que Winter’s Bone sairá de mãos abanando da premiação deste ano. Na categoria principal, como Melhor Filme, ele não tem nenhuma chance. A produção não tem qualidade ou mesmo lobby suficiente para derrubar os peso-pesados The Social Network, The King’s Speech, True Grit ou mesmo Black Swan. Por mais que John Hawkes esteja muito bem no papel de Teardrop, ele não será capaz de tirar a estatueta de Christian Bale. E mesmo Geoffrey Rush estaria em sua frente na disputa.

Jennifer Lawrence é a alma do filme e, muitas vezes, a única razão para continuar assistindo a história amarga e redundante de Winter’s Bone. Ainda assim, a garota talentosa não conseguirá bater a fantástica Natalie Portman de Black Swan, ou mesmo a precisa Annette Bening de The Kids Are All Right. Para Lawrence, o prêmio de ter sido indicada será suficiente este ano. E finalmente Winter’s Bone na categoria de Melhor Roteiro Adaptado: sem chances também. Os textos de The Social Network, 127 Hours e True Grit, nesta ordem, são melhores do que o roteiro de Winter’s Bone. Ainda não assisti a Toy Story 3, mas algo me diz que o filme de animação também deve ter um texto melhor – do contrário, não seria o favoritíssimo deste ano em sua categoria. Para resumir: apenas uma grande, enorme zebra faria Winter’s Bone ganhar algum Oscar este ano.

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True Grit – Bravura Indômita

Os irmãos Coen continuam com a vocação inabalável de desmontar mitos e lugares-comum que compõe a “alma” dos Estados Unidos. Desta vez, a dupla focou o seu talento para contar a história de um faroeste em que uma garota de 14 anos dá as cartas. True Grit levou os Coen novamente para os holofotes do Oscar, em um ano em que eles devem enfrentar uma concorrência feroz – cenário em que outras duas produções lideram a disputa na frente deles. Além de tornar uma garota nada usual como heroína da história, True Grit desmonta mitos da época das “terras selvagens” norte-americanas, mostrando dois tipos de “oficiais da lei” de maneira pouco dignas. De um lado, um Marshall alcóolatra e considerado mercenário por alguns. De outro, um Ranger arrogante, cheio de soberba e um bocado pavão. E para melhorar a situação, no melhor estilo de humor dos Coen, os dois tem as suas “bravuras” colocadas à prova por uma garota, o que acaba rendendo momentos de competição quase infantil.

A HISTÓRIA: Uma mulher narra a sua história. Conta como, aos 14 anos, mesmo contra as previsões de todos, ela conseguiu vingar a morte do pai. Pela sua versão, quando ela tinha esta idade, um covarde chamado Tom Chaney atirou no pai dela e o matou. Robou-lhe “a vida e o cavalo, e duas peças de ouro da Califórnia”. Chaney tinha sido contratado pelo pai da menina para ajudá-lo a buscar alguns cavalos comprados em Forth Smith. Na cidade, Chaney foi para o bar beber, jogou cartas e perdeu todo o dinheiro que tinha. Achou que estava sendo enganado e voltou para a pensão para apanhar um rifle, quando o pai de Mattie Ross (Hailee Steinfeld) tentou impedí-lo. Chaney então matou o homem e fugiu. Mattie critica que ninguém na cidade se interessou em capturá-lo ou perseguí-lo. Mas ela tomou a frente disso, na busca do corpo do pai, de conseguir reaver o dinheiro por ele gasto com os cavalos, e contratando um U.S. Marshall para perseguir a Chaney. Após receber três recomendações do xerife de Forth Smith, Mattie escolhe Rooster Cogburn (Jeff Bridges), considerado o mais “malvado, durão, impiedoso” Marshall das redondezas. Cogburn não teria “medo de nada, mas tem problema com a bebida”. Mattie não se importa com este último detalhe e o contrata, seguindo o Marshall na caçada do assassino de seu pai.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte dos textos à seguir contam momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a True Grit): “Os ímpios fogem sem que haja ninguém a perseguí-los” (Provérbios 28,1). Mais uma vez, e logo após A Serious Man, os irmãos Joel e Ethan Coen voltam a começar um filme citando a Bíblia. Pena que, desta vez, eles não completaram a frase. Após “Os ímpios fogem sem que haja ninguém a perseguí-los”, o provérbio continua: “mas os justos são ousados como um leão”.

As leituras possíveis sobre o uso de trechos tão sugestivos da Bíblia pelos diretores são variadas. Mas, para mim, desde a primeira vez que eles fizeram isso, há dois sentidos claros nestas citações. Primeiro, elas reforçam a análise crítica que os Coen fazem da sociedade dos Estados Unidos, considerada “puritana” por alguns, mas que, de fato, tem na Bíblia um alicerce histórico – para o bem, e para o mal. Porque o problema – antes que alguém me interprete mal, vou explicar – não está nunca na Palavra, mas na interpretação equivocada e, especialmente, no seu uso com fins que não passam pela essência do cristianismo. Mais que isso, convenhamos, não preciso explicar. Para bom entendedor… Voltando a primeira razão: ao citar a Bíblia, os Coen estão deixando ainda mais claro que o que veremos a seguir é uma reflexão crítica, irônica e, algumas vezes, um pouco cínica, sobre os efeitos e influências que a religião teve e continua tendo na sociedade da qual eles estão falando.

Depois, as citações bíblicas sempre parecem resumir a “alma” da história que vamos assistir. Aqui, ao comentar que os “maus” fogem quando não há pessoa que os persiga, os diretores deixam claro que True Grit é, além de outras coisas, uma crítica pesada a falta de justiça, ao sistema falho que existe nos Estados Unidos, no Brasil e em qualquer parte do mundo – em maior ou menor grau. A parte que faltou eles citarem, do provérbio, parece estar diluída no próprio filme: aqueles que estão do lado da justiça ganham coragem redobrada e vencem todos os perigos, como o leão em uma floresta.

Como é típico dos irmãos Coen, em True Grit o espectador é presenteado com um roteiro saboroso, cheio de referências a lugares e personagens da história estadunidense. Cá entre nós, algumas vezes, esse excesso de referências chega a cansar. Mas imagino que os estudiosos da história dos Estados Unidos devem saciar os seus desejos por referências com este tipo de roteiro. Diria que este tipo de texto tem seu lado positivo e negativo, por isso. O roteiro dos Coen também segue apostando em diálogos escritos com perfeição e esmero, na construção de frases em que não sobram palavras. Concisão e rapidez por um lado, excesso de referências de outro. Típico dos diretores e roteiristas.

Em True Grit, os Coen respeitam todos os preceitos de um faroeste, com ótimas cenas de perseguição, suspense e algo de adrenalina. Há pelo menos uma grande sequência, impecável e que relembra os grandes momentos do gênero. Mas se o filme fosse só isso, seria tudo, menos uma obra dos Coen. Para ter a assinatura deles, além das características do gênero reinventadas, é preciso adicionar outros elementos. Especialmente a crítica ácida e a ironia. Que desmontam “lendas” e tentam desmascarar “heróis”. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Só com os Coen poderíamos ver um Marshall interpretado por Jeff Bridges cambaleante, caolho, durão, mercenário, corajoso, beberrão e partidarista. Para contrastar com esta figura, um Ranger interpretado de maneira hilária por Matt Damon. Ranger este bastante ineficaz e que, como tantos outros, tinha mais histórias do que feitos de bravura para contar.

Existe, neste filme, claro, espaço para os bandidos. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Mas como é típico também, entre os Coen, a linha que separa mocinhos de bandidos parece bastante difusa. Nada é tão claro quanto algumas religiões gostariam. No lugar do preto e do branco, o cinza predomina nas intenções e nos atos dos personagens. Quem é mais mercenário? Quem é mais corajoso? Quem está defendendo uma boa causa? O bandido que rouba para sobreviver, porque só encontra ali uma alternativa? O Marshall ou o Ranger que perseguem recompensas porque o que eles ganham do governo é insuficiente para viver? Neste cenário, uma garota de 14 anos ensina para os adultos o que é bravura, inteligência e correção.

Para os Coen, não existe sociedade modelo. Em parte alguma. Mas eles não falam do Japão. Os diretores e roteiristas contemplam sempre o próprio quintal. Falam de terras inóspitas e geladas aqui, de terrenos “selvagens” de uma história vistas com orgulho (e muito desconhecimento) dali. Por isso mesmo, eles são grandes – e admirados pela Academia e pela indústria. Porque não se cansam de ousar, perseguindo com identidade própria uma reflexão sobre o passado e o presente da sociedade dos Estados Unidos. E mesmo quando falam de um tempo de terras inóspitas, como em True Grit, eles estão tratando de assuntos atuais. Que ninguém se engane que os Coen, com este último filme, não estão refletindo sobre corrupção, interesses escusos, falta de justiça, família e tantas outras questões muito pertinentes nos nossos dias – e que, ao olhar para trás, apenas entendemos melhor a origem de tudo isso.

Equilibrando ação, humor, crítica – com fina ironia, um bocadinho de drama e suspense, True Grit comprova, outra vez, a capacidade dos Coen de apresentar o seu próprio país, para o mundo, de uma forma diferenciada. E de promover, em próprio solo norte-americano, um incentivo para a revisão histórica e de valores. Apenas por isto, eles já merecem aplausos. Mas, além das intenções e resultados, o que importa mesmo, é que eles são ótimos cineastas. Ou, em outras palavras, sabem fazer filmes envolventes, com boas histórias e perfeitos na técnica. Aqui, mais uma vez, eles acertaram. E só não dou a nota máxima porque, apesar de todas as qualidades, achei que eles não foram muito além do que já vimos antes. Faltou um pouco mais de ousadia ou de reinvenção deles próprios. Mas, acredito, olhando para a filmografia da dupla, que isto em breve poderá acontecer novamente. Para a nossa sorte.

NOTA: 9,6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Deixei para falar dos aspectos técnicos do filme e de curiosidades por aqui mesmo. Há tanto para se falar de True Grit… mas tentarei ser “comedida” desta vez. Até porque tenho que me atracar a outros filmes antes do Oscar. 🙂

Mais uma vez, Jeff Bridges está digno de um reverência. O ator incorporou até a medula o personagem de Cogburn e merece, sem dúvidas, a segunda indicação seguida para o Oscar. Mas diferente do ano passado, dificilmente neste ele consiga levar a estatueta para casa. Contrapondo com ele, servindo muitas vezes como uma “consciência” adjunta do “herói”, a mais que reveladora Hailee Steinfeld. Seu desempenho aqui é tão bom que a Academia lhe indicou como coadjuvante. Tudo bem que ela teve um roteiro incrível para proferir em cena, mas sua interpretação é tão marcante que fiquei em dúvida na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante deste ano.

Além da dupla mais encantadora do filme – sim, Bridges e Steinfeld acabam sendo encantadores -, palmas também para a interpretação engraçadíssima de Matt Damon. Como os Coen haviam feito antes com George Clooney, aqui foi a vez deles “retocarem” e modificarem a imagem de Damon. Ele está perfeito. Além deles, merecem ser citados Josh Brolin como o bandido Tom Chaney, ainda que seu papel tenha sido bem diminuto; Barry Pepper, especialmente inspirado, como o chefe de quadrilha e “inimigo” histórico de Cogburn, Lucky Ned Pepper; e o cômico Bruce Green em quase uma ponta como o bandido “que faz vozes de bichos” Harold Parmalee.

Na parte técnica do filme, inevitável falar da direção de fotografia. Claro que a história ajuda, e os cenários também, mas a técnica de Roger Deakins lhe rendeu, não por acaso, uma indicação ao Oscar. O trabalho dele se diferencia nos detalhes, como na captação de uma luz expressiva que entra no galpão em que Cogburn está dormindo, por exemplo, ou na fogueira que aquece o trio de personagens principais em uma noite fria. Bom o trabalho de Carter Burwell na trilha sonora, ainda que eu tenha achado ela um tanto “clássica” (alguns podem interpretar como previsível) demais. Mas envolvente, isso é preciso registrar. Bom o trabalho de pesquisa e de desenho dos figurinos, assinados por Mary Zophres, ainda que eu não ache que ela chegue ao ponto de ganhar um Oscar. Os demais elementos técnicos também acompanham a qualidade do projeto ainda que, como a própria direção dos Coen, eles não tenha apresentado realmente inventividade ou muita ousadia.

True Grit estreou com uma premiere em Nova York no dia 14 de dezembro. Além de concorrer a 10 estatuetas no Oscar, a produção participará do Festival de Berlim, que começa daqui a dois dias, em 10 de fevereiro.

Para quem ficou curioso/a para saber onde True Grit foi filmado, o último filme dos Coen foi rodado no Texas e no Novo México. Foi uma produção relativamente cara: custou US$ 38 milhões. Mas está indo bem, muito bem nas bilheterias dos Estados Unidos. Até o dia 30 de janeiro, ou seja, em pouco mais de um mês em cartaz nos cinemas, o filme acumulou US$ 148,3 milhões. Um resultado muito bom e que só tende a crescer em fevereiro, até pelo impulso que o Oscar deverá dar para a produção. E algo fundamental para este resultado: o trabalho massivo de marketing em torno do filme. Isso pode ser percebido pela publicidade nos sites, como o IMDb, e nos vários cartazes produzidos para promovê-lo.

O roteiro, sem dúvida um dos pontos fortes de True Grit, foi inspirado no livro homônimo de Charles Portis, publicado em 1968. Segundo este texto da Wikipédia, o livro foi adaptado para o cinema no ano seguinte, em uma produção estrelada por John Wayne. Fiquei curiosa para assistir, até para saber do grande contraste que deve separar a produção dos Coen daquela “clássica” com Wayne. Depois, segundo o mesmo texto, o ator veterano e conhecido pelos filmes de faroeste voltou a interpretar o destemido U.S. Marshall na produção Rooster Cogburn, de 1975.

Pelo que o link da Wikipédia conta, a história original de Portis já tinha “o achado” de ter uma garota de 14 anos como heroína. Mattie Ross, pelo livro dele, foi a responsável por promover uma caçada ao assassino de seu pai. No livro, Portis explora mais a relação de Chaney com a família Ross, deixando para Mattie classificá-lo como “lixo”, um sujeito que não é afeito ao trabalho na fazenda. Na obra fica mais claro que Chaney mata o pai de Mattie para roubar-lhe o dinheiro – US$ 150 que não haviam sido gastos para comprar os cavalos, assim como as duas peças de ouro. Depois do crime, ele foge para o Território Índio – que era razoavelmente “protegido” e/ou “inacessível” -, atualmente Oklahoma.

Achei o máximo que, no livro de Portis, Rooster Cogburn é descrito como um Marshall envelhecido, “caolho”, que está acima do peso, alcoólatra, mas que é rápido no gatilho. A justa descrição do que os Coen colocaram na tela.

E uma curiosidade sobre o True Grit de 1969: o filme rendeu um Oscar de Melhor Ator para John Wayne em 1970. Aquela foi a única estatueta ganha pelo ator em sua carreira.

Agora, uma curiosidade sobre a versão dos Coen de True Grit: por causa da lei que proíbe o trabalho infantil, os diretores não puderam filmar cenas com Hailee Steinfeld após a meia-noite. Como há muitas cenas noturnas, parte do trabalho foi gravado com ela antes da meia-noite e, nas cenas em que ela aparece de costas, a atriz foi substituída por dublês adultas.

Para os curiosos do tema armas: em True Grit, o personagem de Rooster Cogburn utilizada uma Colt Single Action Army, uma Winchester Model 1873 e um par de revólveres Colt Navy 1851. Mattie herda do pai uma Dragoon Colt. O Ranger La Bouef carrega uma Colt Single Action Army e uma carabina Sharps 1874. Tom Chaney usa um rifle Henry Modelo 1860, e Ned Pepper leva um revólver Remington 1875 e um rifle Winchester 1866 Yellow Boy.

Até o momento, True Grit foi indicado a 10 Oscar, recebeu outros 12 prêmios e foi indicado a mais 55. Entre os que recebeu, destaque para os de Melhor Atriz Coadjuvante para Hailee Steinfeld pelas associações de críticos de cinema de Austin, Chicago, Kansas City, Central Ohio, Toronto e pela Sociedade de Críticos de Cinema Online (além de um prêmio por “jovem desempenho em filme” entregue pelos críticos de Las Vegas); e os de melhor direção de fotografia dados pelas sociedades de críticos de Cinema de Boston, Central Ohio, Phoenix, e dos Críticos de Cinema Online.

Os usuários do site IMDb deram uma nota boa para a produção: 8,2. Mas poderia ser melhor. Os críticos do Rotten Tomatoes, mais uma vez, foram mais generosos: publicaram 200 críticas positivas e apenas 10 negativas para a produção, o que lhe garantiu uma aprovação de 95% – e uma nota média de 8,3.

E um alerta importante: evite assistir ao trailer se você ainda não viu a True Grit. Porque no trailer eles praticamente acabam com todas as surpresas e dão uma palhinha dos momentos principais da história.

CONCLUSÃO: Um faroeste meio clássico, meio desconstruído. True Grit traz em seu dorso cenas de cavalgadas, aventuras, perseguição e o clássico “mocinho contra bandido”, ao mesmo tempo em que deixa claro que a separação entre uns e outros é muito tênue. No melhor estilo dos irmãos Ethan e Joel Coen, este filme esboça com fina ironia uma época em que a injustiça parecia imperar – exceto para aqueles que podiam pagar por ela. Voltando a temas abordados em filmes recentes da dupla, os Coen acrescentam mais uma colherzinha na crítica da sociedade em que eles vivem.

Tentando retirar máscaras e desmontar mitos. Revelando que ninguém pode ser catalogado facilmente e que os desejos de justiça e busca da verdade nem sempre são suficientes. Com interpretações inspiradas e o uso de recursos técnicos com perfeição, True Grit entra para a lista dos grandes filmes dos Coen. Para os que gostam de faroeste, então, é um prato cheio. Também pelo achado de colocar uma garota de 14 anos como grande heróina – mérito da obra original, do escritor Charles Portis, publicada em 1968. Os Coen desmontando o gênero inclusive por tirar a figura predominante do macho do holofote. Por estas e por outras, eles são geniais. Só que para não dizer que tudo é perfeito, os que acompanham a trajetória dos Coen talvez se cansem, nem que for um pouquinho, como eu, por eles seguirem a mesmíssima linha, sem muita invenção, há tanto tempo. Por um lado, isso é sinônimo de coerência. Mas por outro, talvez, esteja na hora deles ousarem um pouquinho mais.

PALPITE PARA O OSCAR 2011: True Grit foi o segundo filme com o maior número de indicações ao Oscar deste ano. Só ficou atrás das 12 indicações de The King’s Speech. Pela minha análise, dificilmente teremos este ano um “grande ganhador”. O mais provável é que The Social Network, The King’s Speech e Inception fiquem meio que equilibrados no número de estatuetas. Mas então como ficaria True Grit? Um ano sem grandes ganhadores não significa, exatamente, que não teremos grandes perdedores.

Para começar, True Grit foi solenemente ignorado pelo Golden Globes. Claro que esta premiação não elimina as chances dele no Oscar, mas já servem como um bom termômetro. E quando digno ignorado no Globo de Ouro, não estou falando apenas da lista de vencedores, mas inclusive na de indicados. True Grit não disputou nada de nada.

Pela minha lista de palpites sobre o Oscar, ele também não aparece em parte alguma. Nem nas categorias técnicas. Mas dei os pitacos antes de ver ao filme. Agora, acho que ele talvez tenha alguma chance em duas categorias: Melhor Atriz Coadjuvante, para Hailee Steinfeld, e Melhor Direção de Fotografia. E só. Steinfeld tem a inglória tarefa de vencer a Melissa Leo, que está ótima em The Fighter. Mas, caso Steinfeld vença, será um prêmio muito merecido. E Roger Deakins deverá deixar para trás trabalhos estupendos, como as fotografias de Black Swan, The Social Network e The King’s Speech. Ambos tem a seu favor vários prêmios conquistados por associações de críticos. Mas não são os críticos, e sim as pessoas que fazem a indústria, quem decide sobre o Oscar. Cá entre nós, ainda que eles tenham méritos, não vejo nenhum dos dois levando o Oscar para casa.

Que chances, então, teria True Grit nas outras oito categorias que está disputando? Melhor Filme ele não leva – The King’s Speech e The Social Network, especialmente o segundo, dominam as bolsas de apostas. E com razão. Aliás, dei para True Grit a mesma nota que havia dado para The Social Network porque, para mim, os dois filmes são muito bons. Diferentes entre si, mas muito bons. Acima da média. Mas, para meu gosto, estão um pouco abaixo de The King’s Speech e Black Swan – meus favoritos, caso minha torcida valesse algo. 😉

Jeff Bridges não tem chance, este ano, com os concorrentes – especialmente Colin Firth. Não seria uma injustiça, caso ele ganhasse, mas seria uma grande surpresa – e zebra. Não acho que isso vá acontecer. A Direção de Arte do filme é boa, tem uma bela pesquisa, mas acho que não ganha de Inception, The King’s Speech ou Alice. Em Figurino o filme também corre por fora, atrás de Alice e The Tempest. Melhor Diretor, será muito difícil.

Ainda que a Academia goste muito dos Coen, mas este ano parece ser mesmo de David Fincher – ou de Tom Hooper, caso ocorra alguma zebra. Para ganhar como Melhor Edição de Som, True Grit tem a tarefa inglória de desbancar Inception ou, em segundo lugar, Unstoppable. O mesmo em Mixagem de Som – tendo, talvez em segundo lugar, após Inception, a rivalidade de The Social Network. Finalmente, em Melhor Roteiro Adaptado, não vejo que os Coen vão conseguir bater o ótimo e, até certa medida, ousado texto de The Social Network. Além dele, que é o favorito, True Grit teria que desbancar o elogiado Winter’s Bone e 127 Hours. Difícil, bem difícil.

Para resumir a ópera, True Grit pode ser um dos grandes perdedores deste Oscar. Não será surpresa se isso acontecer.

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Oscar 2011: todos os indicados (e as chances de cada um)

Demorei mais este ano, meus queridos leitores e leitoras. Sinto muito.

Mas é que diferente do ano passado, quando eu estava começando a procurar emprego e saia de um ano de mergulho profundo e exclusivo no meu projeto do doutorado, em 2011 estou trabalhando. E muito. E apenas nas horas livres eu consigo ver algum filme e publicar algo por aqui.

Resolvi parar hoje, recusando o convite de uma praia bacana agora de tarde para, finalmente, publicar a lista de indicados ao Oscar 2011 e, claro, diferente de outros sites, deixar por aqui os meus palpites sobre os premiados.

Quem me acompanha há mais tempo sabe que eu publico este tipo de texto de “análise” dos indicados ao Oscar desde 2008. Daquele ano até agora, sem dúvida, esta foi a vez que demorei mais para publicar este tipo de avaliação. Mas acho que ainda vale a pena, não é mesmo? Nem que for para ver, depois, quantos palpites eu errei.

Desde o ano passado, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vem indicando 10 produções para a categoria principal, de Melhor Filme. Uma forma de agradar a gregos e troianos – e desagradar apenas a alguns gatos pingados -, abrindo espaço para filmes que entrariam na lista clássica dos cinco melhores e ainda adicionando outros mais comerciais e mais “alternativos” para abrir bastante o leque. Bem, falemos de todos os indicados nas 24 categorias da premiação, seguindo a ordem que a Academia usou em seu site este ano:

MELHOR FILME: Black Swan, The Fighter, Inception, The Kids Are All Right, The King’s Speech, 127 Hours, The Social Network, Toy Story 3, True Grit, Winters’s Bone.

Análise: Algumas semanas antes de sair a lista de indicados ao Oscar 2011, eu diria um mês ou um mês e meio antes, nove dos 10 indicados deste ano eram quase uma aposta certeira. Havia, na verdade, espaço para uma ou, no máximo, duas surpresas entre os indicados. Winter’s Bone ficou com esta vaga. Todos os outros indicados para Melhor Filme eram esperados. Com um belo favoritismo de três produções: The Social Network, The King’s Speech e True Grit, nesta ordem. Correm, um pouco atrás, Black Swan, Inception e 127 Hours. Os outros filmes estão ali apenas para fechar a lista e, claro, para servir como um interessante painel do que foi produzido como aposta de alguns dos principais estúdios de Hollywood em 2010. De qualquer forma, não deixou de ser surpresa Winter’s Bone deixar um veterano como Clint Eastwood com seu Hereafter de fora da disputa, ou mesmo o elogiado Somewhere, de Sofia Coppola.

O franco favorito ao Oscar 2011: The Social Network. Sem dúvida, é o filme do ano, para a maioria dos críticos. Especialmente porque, para quase todos, ele resume como poucos fizeram antes a “nossa era” de superexposição voluntária das pessoas na internet. E estes críticos estão certos. Realmente The Social Network é um grande filme. Mas na reta final para a disputa ele tem sido surpreendido pelas indicações recebidos por The King’s Speech.

O meu favorito: The King’s Speech. Essa, sem dúvida, foi uma escolha difícil. Isso porque, para mim, existe quase um empate técnico entre The King’s Speech, Black Swan e The Social Network. Cada filme tem a sua personalidade, seus objetivos, técnicas e sentidos. Mas o primeiro ganha dos demais por milésimos de segundo e, principalmente, por um fator: originalidade. Ainda que trate de um tema que outras produções já trataram, a intimidade de uma família real, The King’s Speech trata este assunto de forma totalmente diferenciada. Black Swan é brilhante, perfeito, mas lembra muito outras produções – do próprio Aronofsky e do Kieslowsky. The Social Network não é perfeito mas, ainda assim, trata de forma bastante interessante a aura que parece cercar o nosso tempo. Os três, em resumo, tem méritos e qualidade para vencer. Mas ainda fico, por pouco, com The King’s Speech.

MELHOR ATOR: Javier Bardem (Biutiful), Jeff Bridges (True Grit), Jesse Eisenberg (The Social Network), Colin Firth (The King’s Speech), James Franco (127 Hours).

Análise: Este é um ano bastante raro. Não há espaço para injustiças nesta categoria. Acompanho o Oscar há muito tempo e posso dizer: não lembro a última vez em que isso aconteceu. Qualquer um dos cinco atores indicados este ano tem méritos de sobra, por suas respectivas atuações, para levar a estatueta para casa. E o mais bacana: quatro dos indicados tem os seus respectivos filmes na lista dos melhores do ano. Nada mais justo e coerente. E mesmo Bardem, que não tem Biutiful indicado entre os filmes principais, pode orgulhar-se de ter a produção entre as de Melhor Filme Estrangeiro. Mas mesmo que só tenhamos feras este ano, existe sim um franco favorito. Não apenas pelos prêmios que recebeu, mas porque ele faz um trabalho de deixar qualquer queixo cair.

O franco favorito ao Oscar 2011: Colin Firth. Esta é a segunda indicação consecutiva do ator inglês para o Oscar. Há quem diga que, no ano passado, ele já deveria ter vencido por seu papel em A Single Man. No lugar dele, venceu a disputa o brilhante Jeff Bridges. Mas tudo indica que, desta vez, Firth levará a melhor na disputa – que tem, novamente, Bridges. Mas não seria uma surpresa completa se Bardem, Eisenberg ou mesmo Franco levassem a estatueta. Os três tem méritos para isso. Há quem diga que Mark Wahlberg merecia estar entre os cinco. Bem, o ator teve mais méritos por ter tomado The Fighter como um projeto pessoal e ter conseguido viabilizar o filme do que, propriamente, fazer um papel inesquecível. Não, acho que ele ficou bem fora da lista.

O meu favorito: Colin Firth. Novamente, a escolha foi difícil. Gostei muito do perfeccionismo e dos trejeitos perfeitamente copiados por Jesse Eisenberg. Jeff Bridges e Javier Bardem sempre merecem ser premiados. James Franco conseguiu a melhor interpretação de sua carreira em 127 Hours. Mas Colin Firth… está estonteante em The King’s Speech. Meu voto seria para ele.

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christian Bale (The Fighter), John Hawkes (Winter’s Bone), Jeremy Renner (The Town), Mark Ruffalo (The Kids Are All Right), Geoffrey Rush (The King’s Speech).

Análise: Aqui a disputa ficou mais fácil. Com isso não quero dizer que todos os atores indicados não sejam bons ou tenham méritos para estar na lista. Mas, mesmo sem ter assistido a todos os desempenhos listados, há um franco favoritismo – e com razões – para Christian Bale. Frente aos concorrentes, ele está realmente muito, muito à frente. Vi, até o momento, apenas as interpretações de Mark Ruffalo e Geoffrey Rush. Os dois estão bem, mas não fazem nada além da média. Christian Bale, mesmo que pareça um tanto repetitivo em relação a papéis que fez anteriormente, está impecável, em uma entregue digna de aplausos.

O franco favorito ao Oscar 2011: Christian Bale. Depois de ter sido ignorado pela Academia vários anos seguidos, especialmente em 2008, quando muitos esperavam que ele fosse indicado por The Dark Knight, parece que finalmente chegou a vez de Bale levar uma estatueta para casa.

O meu favorito: Christian Bale. Dificilmente alguém vai conseguir tirar o prêmio do ator este ano. Além do mais, especialmente por sua carreira até aqui, ele merece a estatueta – merecia há alguns anos, inclusive.

MELHOR ATRIZ: Annette Bening (The Kids Are All Right), Nicole Kidman (Rabbit Hole), Jennifer Lawrence (Winter’s Bone), Natalie Portman (Black Swan), Michelle Williams (Blue Valentine).

Análise: Por aqui, algumas indicações óbvias no Oscar 2011 e algumas surpresas. Annette Bening e Natalie Portman eram figuras garantidas nas indicações deste ano. Nicole Kidman estava bem cotada, mas não deixou de ser uma surpresa ver Jennifer Lawrence e Michelle Williams deixando para trás outras atrizes bem cotadas como Julianne Moore e Hilary Swan. De qualquer forma, como na categoria Melhor Filme, aqui há também algumas favoritas e, as demais, correm “por fora”. Na frente, sem dúvida, Natalie Portman seguida, com certa distância, por Annette Bening. Jennifer Lawrence, que ainda não assisti, poderia surpreender – ela vem ganhando muitos elogios por seu desempenho. Mas a Academia, ainda conservadora, deve premiar alguém com uma história um pouco mais “antiga” em Hollywood.

A franca favorita no Oscar 2011: Natalie Portman. Há seis anos a atriz foi indicada por seu papel estonteante em Closer. Na época, ela perdeu a estatueta para Cate Blanchett, outra atriz incrível. Mas tudo indica que, desta vez, Portman irá vencer a veterana Annette Bening.

A minha favorita: Natalie Portman. Outra vez, difícil escolher. Isso porque Annette Bening merece ganhar, também. Qualquer uma das duas vencendo, não será uma injustiça. Mas Portman se entregou de uma maneira tão contagiante e impressionante em Black Swan que eu acho que, realmente, esta é a sua hora.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Amy Adams (The Fighter), Helena Bonham Carter (The King’s Speech), Melissa Leo (The Fighter), Hailee Steinfeld (True Grit), Jacki Weaver (Animal Kingdom).

Análise: Eis aqui mais uma disputa apertada no Oscar 2011. Diferente de outras categorias, aqui é mais difícil apontar uma “franca favorita”. Claro que há alguns burburinhos que tem dominado os discursos. Por exemplo: Melissa Leo leva vantagem sobre Amy Adams. Helena Bonham Carter pode surpreender pela força que The King’s Speech tem ganhado nesta reta final – além de, claro, ter um bom desempenho. Hailee Steinfeld é a surpresa da vez – que a Academia gosta de enaltecer. E todos, absolutamente, elogiam o trabalho de Jacki Weaver. Até o momento, assisti apenas ao trabalho das três primeiras. Então vou opinar a partir disto. Ah sim, e houve uma pequena grande injustiça nesta categoria: terem deixado Mila Kunis, de Black Swan, de fora. Ela, sem dúvida, merecia estar entre as cinco – mais que Amy Adams, na minha opinião.

A franca favorita ao Oscar 2011: Melissa Leo. Ela levou para casa o Globo de Ouro e ainda está indicada no prêmio do Screen Actors Guild.

A minha favorita: Melissa Leo. A atriz, que já havia sido indicada em 2009 por Frozen River, merece levar a estatueta para casa. Mais uma vez ela está perfeita, em uma interpretação muito realista, nesta produção. Se Mila Kunis estivesse na disputa, provavelmente eu penderia para o seu lado.

ADENDO (dia 24/02): A sempre ótima Ana Maria Bahiana publicou um texto em seu blog avaliando uma série de anúncios que a Melissa Leo publicou em revistas e jornais dos Estados Unidos pedindo votos no Oscar. Concordo que essa prática de forçar a barra e pedir votos é quase um tiro no próprio pé. Hailee Steinfeld pode até sair favorecida com isso e, francamente, não será uma injustiça se a menina ganhar. Mas, ainda que ela roube a cena em True Grit, ainda sou da opinião que Melissa Leo faz um trabalho superior e ainda mais determinante para The Fighter. Meu voto, se eu tivesse um, ainda seria dela.

MELHOR ANIMAÇÃO: How to Train Your Dragon, The Illusionist (L’Illusionniste), Toy Story 3.

Análise: Nesta categoria do Oscar 2011 não há segredo. Os três indicados eram esperados, ainda que havia um certo rumor que Tangled ou Despicable Me poderiam tirar a vaga de How to Train Your Dragon ou The Illusionist – ou, pelo menos, de um deles. Mas deu o esperado. E aqui não existe um favorito, mas aquele que, claramente, irá vencer a disputa. Até porque o filme está indicado duplamente, não apenas como Melhor Animação, mas como Melhor Filme. Infelizmente, até agora, não assisti a nenhum dos três. Mas, em breve, quero ver a Toy Story 3.

O franco favorito ao Oscar 2011: Toy Story 3.

O meu favorito: Toy Story 3. Ok, ainda não posso dizer que é o meu favorito. Melhor dizer que é a minha aposta. Afinal, como eu disse, ainda não assisti a nenhum dos três. Talvez mude o meu voto depois.

ADENDO (24/02): Após assistir a Toy Story 3, e mesmo sem ter assistido aos demais, reafirmo a minha opinião de que ele deve ganhar a estatueta este ano. O filme é delicioso, criativo e cumpre todas as suas promessas.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Alice in Wonderland, Harry Potter and the Deathly Hallows Part 1, Inception, The King’s Speech, True Grit.

Análise: Por aqui, um pequeno quadro da diversidade e da qualidade do cinema feito em Hollywood – como já havia ocorrido na edição do Oscar do ano passado. Há produções de estilos muito diferentes nas disputa, de filmes de época como The King’s Speech e True Grit até fantasias como Inception e Alice in Wonderland. O lobby pode dar a estatueta para títulos menos evidentes, como The King’s Speech ou True Grit. Mas, tudo indica, que os favoritos são mesmo Inception e Alice in Wonderland. E daí a disputa é acirrada. Os dois filmes tem uma direção de arte de tirar o chapéu – e digo isso sem ter assistido ao segundo, mas apenas ao ver alguns “croquis” e fotos.

O franco favorito ao Oscar 2011: Inception. Acredito que a produção dirigida por Christopher Nolan leva uma pequena vantagem na disputa, ainda que não seria uma surpresa se outros filmes ganhassem dela na queda de braço.

O meu favorito: Inception. Ainda não assisti a todos os concorrentes. Gostei do trabalho feito em King’s Speech, mas acho que a complexidade de Inception merece mais o prêmio.

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Black Swan, Inception, The King’s Speech, The Social Network, True Grit.

Análise: Outra categoria em que a disputa está acirrada no Oscar 2011 e em que aparecem filmes de estilos muito diferentes. Ainda que a fotografia de todas estas produções seja um elemento que pode ser destacado, acho que apenas The Social Network possa estar correndo um pouco por fora. Ainda que o apuro do diretor de fotografia seja mais evidente em Black Swan e True Grit.

O franco favorito no Oscar 2011: Black Swan. Quer dizer, acho que não existe um franco favorito… mas como tenho que apontar um nome, joguei as fichas em Black Swan. Mas não seria uma surpresa, aqui, ver qualquer um dos outros indicados levar o prêmio. Especialmente porque esta é mais uma categoria onde o lobby conta bastante. Ou, em outras palavras, é mais uma categoria que pode ajudar a formar o “grande vencedor” da premiação, aquele filme que irá levar muitos prêmios para casa.

O meu favorito: Black Swan. Ah, a direção de fotografia de Black Swan é estonteante. Perfeita. Clássica, sem mistérios, apostando no contraste da luz e das trevas. Esta “simplicidade” muito bem planejada é fundamental para a história e o trabalho do diretor de fotografia fundamental para propiciar o ritmo da produção. Por isso, para mim, esta estatueta deveria ir para Black Swan.

MELHOR FIGURINO: Alice in Wonderland, I Am Love (Io Sono L’Amore), The King’s Speech, The Tempest, True Grit.

Análise: Mais uma vez a disputa é das boas. Há filmes de época, fantasia, produção contemporânea. Das cinco indicadas, todas mulheres, duas estreantes e três profissionais premiadas em edições anteriores do Oscar. Não assisti a todos os filmes, mas pelas imagens, eu diria que tem uma certa vantagem na disputa as “oscarizadas” Colleen Atwood, por Alice in Wonderland, e Sandy Powell, por The Tempest. Correm por fora as demais.

O franco favorito no Oscar 2011: Alice in Wonderland.

O meu favorito: The Tempest. Não assisti a quatro dos filmes em disputa, mas vendo as fotos deles, achei o trabalho de Powell em The Tempest simplesmente fantástico. Inovador, ousado, bastante interessante. Mas se alguma das outras ganharem, tenho certeza, não seja injusto.

 

MELHOR DIRETOR: Darren Aronofsky (Black Swan), David O. Russell (The Fighter), Tom Hooper (The King’s Speech), David Fincher (The Social Network), Joel e Ethan Coen (True Grit).

Análise: Três dos cinco nomes eram uma aposta certeira e os outros dois estavam bem cotados – e ganharam força para suas indicações na reta final para o Oscar. Darren Aronofsky, David Fincher e os irmãos Coen eram indicações evidentes. Hooper ganhou impulso, junto com o seu filme, nos últimos tempos, assim como Russell. Para mim, no lugar do último, muito bem poderia ter entrado o diretor Christopher Nolan, por Inception. Ainda que eu não tenha achado o filme tudo aquilo, mas vejo que o diretor teve um trabalho muito mais complicado e digno de uma indicação do que Russell, por exemplo. Mas ok, a Academia faz destas…

O franco favorito no Oscar 2011: David Fincher. Como o filme é o favorito para o Oscar, o diretor também segue a mesma direção. Além disso, cá entre nós, Fincher merece. Não apenas por esta produção, mas pela qualidade de sua filmografia até aqui.

O meu favorito: Darren Aronofsky. Difícil escolher. Isso porque eu gosto muito do Fincher, do Aronofsky e dos irmãos Coen. Qualquer um deles ganhando, para mim, será bacana. Sem contar que fiquei impressionada com o trabalho do Hooper. Também acho que ele merece. Para mim, só seria injusto se a estatueta parasse nas mãos de Russell. Qualquer um dos demais é digno do prêmio. Ainda assim, tenho uma quedinha maior por Arnofsky, seguido de perto por Hooper e Fincher.

MELHOR FILME DOCUMENTÁRIO: Exit Through the Gift Shop, GasLand, Inside Job, Restrepo, Waste Land.

Análise: Mais uma vez, uma categoria em que a disputa é forte. Ainda assim, existe um certo “favoritismo” no ar. Exit Through the Gift Shop e Restrepo levam vantagem sobre os demais. Em seguida, vem correndo Waste Land. Os outros dois estariam correndo por fora. Inside Job tem o conhecido Charles Ferguson por trás das câmeras, mas o filme não tem recebido muitas indicações a prêmios. Diferente de Exit Through the Gift Shop, Restrepo e Waste Land. O segundo merece destaque por tratar de um tema que Hollywood gosta de ver em documentários: a guerra. Mas os outros dois se destacam por tratarem com originalidade temas recorrentes. Difícil apontar um favorito, mas vou fazer isso.

O franco favorito no Oscar 2011: Exit Through the Gift Shop. Não assisti, infelizmente, a nenhum dos concorrentes até agora. Mas pelos prêmios que esta produção já embolsou e por ter Banksy por trás do filme, acredito que ela poderá sair com uma certa vantagem na frente dos demais.

O meu favorito: Waste Land. Sim, minha escolha passa pela questão do tema e pelo filme ter sido, em parte, filmado no Brasil. Gosto do assunto e a abordagem de Lucy Walker, Angus Aynsley e do brasileiro João Jardim, parece ter sido interessante. Sem contar que a produção valoriza o trabalho do ótimo Vik Muniz e tem a trilha do sonora do igualmente fantástico Moby. Só por estas razões ele entra como o meu preferido – mesmo sem tê-lo assistido.

ADENDO (24/02): Acabei não assistindo a Waste Land mas, cá entre nós, logo que assisti a Exit Through the Gift Shop, o trabalho de Banksy e Cia. me conquistou. O filme é simplesmente fantástico e inovador. Inclusive pela grande possibilidade de tratar-se de um “pseudo-documentário”. Diferente da maioria das produções do gênero lançadas até o momento e com uma deliciosa carga de crítica e ironia, sem dúvidas ele seria o meu voto – seu eu pudesse votar. Desde que assisti ao filme, estou na torcida por ele. Mas eis uma categoria em que três filmes tem séries chances de vencer. Então só esperando para ver.

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM: Killing in the Name, Poster Girl, Strangers No More, Sun Come Up, The Warriors of Qiugang.

Análise: Como comentei no Oscar anterior, eis uma categoria pouco observada nas premiações anuais da Academia. O que é uma pena – e culpa, claro, da falta de opções, seja de festivais ou do circuito comercial mesmo, em disponibilizar estas produções para o grande público. Não assisti ainda aos concorrentes, mas vale a pena comentar, rapidamente, sobre o que cada produção trata. Killing the Name é um documentário de 39 minutos que trata de um tema espinhoso: os homens-bomba muçulmanos. O diretor Jed Rothstein narra a história de perda de Ashraf Al-Khaled e sua esposa que, no dia em que se casaram, tiveram a cerimônia invadida por um homem-bomba. O homem explodiu durante a cerimônia e matou 27 pessoas das famílias do casal. De forma corajosa, Ashraf rompe o silêncio da comunidade muçulmana para falar de sua história. Poster Girl, com 38 minutos de duração, foca as lentes para a história de Robynn Murray, uma soldado do Exército que foi para a Guerra do Iraque e voltou para o seu país “sem chão”. Refém de vários tipos de remédio e “incapacitada” para ter uma vida normal, Murray serve de exemplo sobre a brutalidade de guerras que a maioria das pessoas não entende porque continuam ocorrendo. Com 40 minutos de duração, Strangers No More conta a história de uma escola para alunos “especiais” em Tel Aviv. Naquele local, crianças e jovens de 48 diferentes nacionalidades dividem as suas experiências, muitas delas traumáticas, na busca pela adaptação a um novo país, a uma nova realidade, e na compreensão dos diferentes. Sun Come Up tem 38 minutos de duração e conta a história de um grupo de refugiados na região de Papua, na Nova Guinea. O documentário acompanha o deslocamento desta pessoas, expulsas de suas terras por causa de uma guerra em Bougainville. Com 39 minutos de duração, The Warriors of Qiugang conta a impressionante história de um grupo de moradores de uma vila na China que resolvem tomar conta de uma empresa química que está poluindo o ar e a água do local. Durante cinco anos estes moradores lutaram para mudar aquela realidade e, com este gesto, modificaram a eles próprios.

O franco favorito ao Oscar 2011: Killing in the Name. Complicado escolher um franco favorito. Na verdade, acho que não existe um favorito. Mas três filmes talvez liderem a disputa: Killing the Name, Strangers no More e The Warriors of Qiugang. Especialmente por causa da temática de cada um deles e pela “sacada” de seus diretores.

O meu favorito: Strangers No More. Difícil escolher. Fiquei bastante dividida entre os três que citei antes. Mas acho que a temática de crianças e jovens de diferentes culturas vivendo em um mesmo local e aprendendo uns com os outros me “toca” de uma maneira mais especial. Fiquei muito curiosa para assistir a este filme e aos demais. Quando eu conseguir, comento sobre cada um por aqui.

MELHOR EDIÇÃO: Black Swan, The Fighter, The King’s Speech, 127 Hours, The Social Network.

Análise: Mais uma vez, a disputa está boa. O trabalho de edição feito em cada um destes filmes é digno de aplausos. E, como pede, esta categoria, estes trabalhos foram essenciais para a qualidade final da produção. Por isso mesmo, difícil dizer quem é o favorito. Mais uma vez, esta categoria técnica pode ser definida por quem fizer um lobby melhor – ou, em outras palavras, ela pode premiar aquele filme que foi escolhido a “bola da vez” deste ano. De qualquer forma, eu acredito que Black Swan, 127 Hours e The Social Network levem uma certa vantagem sobre os outros concorrentes. Ainda que, volto a comentar, todos sejam dignos do prêmio.

O franco favorito ao Oscar 2011: The Social Network. Levando em conta que este filme continua sendo o favorito para as categorias principais, acredito que ele será também o preferido para este prêmio. A verdade é que esta categoria deverá acompanhar o filme escolhido como “bola da vez” – e isso poderá acontecer com The Social Network ou The King’s Speech. Além deles, não seria uma total surpresa se Black Swan ou 127 Hours vencessem. Afinal, o trabalho de edição em ambos é decisivo e magnífico.

O meu favorito: Black Swan. Outra vez uma escolha complicada. Praticamente todos os concorrentes merecem ganhar. Mas eu tenho uma leve preferência pelo trabalho de Black Swan, porque acho que ele foi mais difícil de ser feito, tecnicamente, apresentando uma perfeição impressionante que aliou ritmo e cortes precisos.

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: Biutiful, Dogtooth (Kynodontas), In a Better World (Haevnen), Incendies, Outside the Law (Hors-la-loi).

Análise: Dos cinco finalistas nesta categoria, eu só apostava em dois: In a Better World e Biutiful. Os outros demais, pelo menos para mim, foram uma surpresa. Carancho, por exemplo, ficou de fora, o que eu achei uma bela injustiça. Mas tudo bem, muitos comentam mesmo que esta é uma das categorias mais surpreendentes e abertas a “surpresas” da premiação. Biutiful tem grandes chances ao prêmio por várias razões. Para começar, ele é dirigido pelo fantástico Alejandro González Inãrritu, um dos grandes cineastas que o Méximo já produziu. Depois, o filme tem o grande Javier Bardem como ator principal – e também candidato ao Oscar – e embolsou, até o momento quatro prêmios em outros festivais/premiações. In a Better World ou Haevnen, no original, é mais um dos grandes trabalhos da excelente diretora Susanne Bier. O filme tem roteiro de Anders Thomas Jensen, mais um dos grandes nomes do cinema do leste europeu. Tem tudo para ser brilhante (não, ainda não consegui assistir a nenhum dos dois). Além de Biutiful e Haevnen, que parecem ser os favoritos este ano, correm por fora o grego Dogtooth, o canadense Incendies e o argeliano Hors-la-loi. Dogtooth (ou Kynodantas, no original) é dirigido por Giorgos Lanthimos e acumula nove prêmios. Incendies, do premiado Denis Villenueve, é uma surpresa na premiação. Mesmo sem ter ganho nenhum prêmio até agora, foi um filme bem recebido em festivais como o de Toronto e Veneza. Finalmente, Hors-la-loi, dirigido por Rachid Bouchareb, apesar da narrativa acelerada, entrou como o azarão na disputa.

O franco favorito ao Oscar 2011: In a Better World (Haevnen). Eu diria que o filme de Susanne Bier leva uma certa vantagem na disputa após ter vencido a seus principais concorrentes, e mais o forte italiano Io Sono L’Amore, no Globo de Ouro. Mas não seria uma total surpresa, também, se Biutiful levasse a estatueta.

O meu favorito: Haevnen. Difícil escolher, porque gosto muito do cinema o Iñarritu. Mas aprecio demais a Susanne Bier e acho que está na hora desta “nova escola” dinamarquesa levar um Oscar para casa.

MELHOR MAQUIAGEM: Barney’s Version, The Way Back, The Wolfman.

Análise: Não assisti a nenhum dos indicados, devo dizer. Mas não deixa de ser surpreendente que filmes com um trabalho menos “extensivo” de maquiagem, como parecem ser Barney’s Version e The Way Back, tenham sido indicados no lugar de Alice in the Wonderland, apenas para dar um exemplo. De qualquer forma, acho que aqui não há muito segredo sobre a produção que leva a dianteira na disputa.

O franco favorito ao Oscar 2011: The Wolfman. Parece ter sido o trabalho mais complexo e difícil de fazer.

O meu favorito: The Wolfman. Apenas para seguir o óbvio, já que não assisti, ainda, a nenhum dos concorrentes.

MELHOR TRILHA SONORA: How to Train Your Dragon, Inception, The King’s Speech, 127 Hours, The Social Network.

Análise: Belas escolhas da Academia. Tirando o primeiro filme, que ainda não assisti, posso falar dos demais. Há um equilíbrio entre trilhas mais “tradicionais”, como as que escutamos em Inception e The King’s Speech, e outras mais ousadas, criativas, representadas por 127 Hours e The Social Network. Difícil escolher, mas uma vez. Por trás da trilha de How to Train Your Dragon, o trabalho do premiado John Powell. E o que dizer Hans Zimmer, compositor da trilha de Inception? Veterano de Hollywood, ele já recebeu um Oscar e foi premiado outras 49 vezes em eventos diversos. Por trás da trilha de The King’s Speech, o francês Alexandre Desplat, que foi indicado outras três vezes ao Oscar e, até agora, nunca levou uma estatueta. Com 127 Hours, reaparece em cena o criativo e premiado com um Oscar A.R. Rahman. Finalmente, assinando a trilha de The Social Network, Atticus Ross e Trent Reznor. Grandes nomes, ótimas trilhas, uma boa disputa.

O franco favorito ao Oscar 2011: The King’s Speech. Sei que parece absurdo, mas acho que desta vez a Academia vai se render a Desplat. Ele assina uma trilha fantástica e primordial para The King’s Speech. Mas não seria uma surpresa se Zimmer levasse por Inception, outro grande trabalho, ou mesmo se A. R. Rahman conseguisse ser premiado novamente. Ainda pode jogar a favor da dupla Reznor e Ross a velha máxima de “avalanche” de prêmios, caso The Social Network vá embolsando quase tudo para o qual foi indicado. E digo isso tranquilamente, porque eles também merecem ser premiados pelo trabalho que fizeram – ainda que, neste caso, o lobby contaria mais que a questão pura e simples do talento.

O meu favorito: 127 Hours. Certo, eu admito: sou fã do A.R. Rahman. E acho, francamente, que a trilha sonora que ele bolou para 127 Hours é muito mais impactante e determinante para a história do que as demais trilhas para seus respectivos filmes. Duvido que ele seja premiado novamente, depois de ter recebido, há apenas dois anos, duas estatuetas por Slumdog Millionaire. Mas eu ia curtir muito se ele ganhasse mais esta.

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MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Country Strong (Coming Home, de Tom Douglas, Troy Verges e Hillary Lindsey), Tangled (I See the Light, de Alan Menken e Glenn Slater), 127 Hours (If I Rise, de A.R. Rahman, Dido e Rollo Armstrong), Toy Story 3 (We Belong Together, de Randy Newman).

Análise: Das quatro canções indicadas, duas são de filmes de animação. O que era mais que esperado, já que estas produções normalmente dominam as indicações e a lista de premiados nesta categoria do Oscar. Mas este ano, quem sabe, são os outros filmes que tem mais chances de levar a estatueta. Coming Home, música do filme Country Song, assim como a canção de Tangled, já haviam sido indicadas ao Globo de Ouro. Mas ambas acabaram perdendo para uma música de Burlesque – musical que, inclusive, foi solenemente ignorado pelo Oscar deste ano. Os demais indicados ao Oscar, para surpresa de muita gente, não haviam aparecido na lista do Globo de Ouro. Fiquei feliz, cá entre nós, pela música de Rahman, Dido e Armstrong ter entrado na disputa. Assim como pela canção de Randy Newman, um veterano premiado, ter aparecido na lista. A concorrência está boa este ano. Fora a canção de 127 Hours, as demais eu não conhecia. Indo atrás delas, no Youtube, posso dizer: Coming Home é uma música bonita, mas com uma interpretação melhor do que a letra propriamente, bastante fraquinha; I See the Light é a típica música bonitinha de um filme da Disney, sem nada demais; We Belong Together, do grande Randy Newman, é uma música bonitinha também, mas com mais conteúdo e cuidado nos detalhes, sem contar uma sonoridade inventiva e interessante; e, finalmente, If I Rise é uma música com sonoridade e letra impecáveis, sem contar a bela interpretação de Dido.

O franco favorito ao Oscar 2011: Toy Story 3. Acredito que vão dar o prêmio para Newman, o que seria bastante justo. Além do mais, as animações levam uma certa vantagem histórica sobre os outros filmes.

O meu favorito: 127 Hours. Sem dúvida, adorei a música If I Rise, não apenas pela voz de Dido, que é fantástica, mas pela sonoridade que apenas A.R. Rahman teria a sensibilidade de construir. Sem dúvida esta parceria merecia um prêmio. Mas duvido que será o Oscar.

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MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO: Day & Night, The Gruffalo, Let’s Pollute, The Lost Thing, Madagascar – carnet de voyage.

Análise: Como de costume, mais uma vez, nesta categoria podemos ver a curtas de animação de grandes estúdios, como Day & Night, da Pixar, competindo com produções bastante alternativas, a exemplo de Madagascar. Em breve vou publicar um texto apenas sobre os curtas. De momento, assisti apenas aos trailers de três deles, no Youtube, e a duas produções na íntegra, também no site de compartilhamento de vídeos. Quem procurar a Let’s Pollute e Madagascar no Youtube, conseguirá assistí-los integralmente. Os outros devem ser acessados de outra forma – Day & Night pode ser visto como extra no DVD de Toy Story 3. Comecemos por Day & Night, da Pixar. O curta com seis minutos de duração conta o encontro do Dia com a Noite e a brincadeira que começa a surgir entre eles, cada um revelando os seus pontos fortes e belezas. Pelo trailer, parece ser um curta muito interessante e criativo e com aquela velha e boa mensagem de “cada um com suas diferenças e qualidades” no ventre. The Gruffalo é um curta de 27 minutos produzido pela BBC e que tem um grande elenco em algumas de suas vozes (entre outros, Helena Bonham Carter, Tom Wilkinson e John Hurt). Baseado em um livro infantil, o curta conta a história de um rato que atravessa uma floresta pela qual deverá enfrentar vários predadores. Pelo trailer do curta, ele parece ser bastante interessante – ainda que menos inventivo que o anterior. Let’s Pollute tem seis minutos de duração e segue a linha dos filmes educativos dos anos 1950 e 1960, satirizando o nosso modelo de “desenvolvimento” atual – baseado em uma economia poluente. O curta pode ser visto na íntegra neste link. The Lost Thing é um curta de 15 minutos que conta a história de um rapaz que, ao caminhar pela praia, encontra uma estranha criatura. Surpreso por ninguém mais dar bola para aquele ser estranho e de tamanho considerável, o garoto leva a criatura para sua casa, onde acaba não sendo bem recebida. Neste link é possível assistir ao trailer do curta. Finalmente, Madagascar, Carnet de Voyage, um curta de 11 minutos feito por um programador francês que narra, de forma muito particular, a sua experiência de viajar por Madagascar. O curta pode ser assistido na íntegra neste link.

O franco favorito ao Oscar 2011: Day & Night. Primeiro, o curta parece ser muito bem feito. E criativo. Depois, ele tem a força da Pixar a seu lado. Deve ganhar a estatueta por estas razões. Ainda que, nesta categoria, não seria exatamente uma surpresa se outros concorrentes, como The Gruffalo, levassem a melhor.

O meu favorito: Madagascar, Carnet de Voyage. Fiquei impressionada com o estilo e a forma diferenciada de Bastien Dubois contar esta história. Muito bacana.

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MELHOR CURTA-METRAGEM: The Confession, The Crush, God of Love, Na Wewe, Wish 143.

Análise: Mais uma vez, entre os filmes indicados a Melhor Curta, algumas produções com temática bastante forte. The Confession, com 26 minutos de duração, é uma produção inglesa que conta a história de um garoto de nove anos que está apavorado com a ideia de enfrentar, pela frente, a sua primeira confissão. Juntamente com o amigo Jacob, ele tenta evitar a experiência. The Crush é um curta com 15 minutos de duração que também foca as atenções para um garoto. A produção irlandesa conta a história de um menino de oito anos que, de tão obcecado por seu professor, desafia o namorado dele para um duelo. O estadunidense God of Love, de 18 minutos, conta a história de um cantor e jogador de dardos profissional que recebe uma caixa misteriosa cheia de dardos. O belga Na Wewe, com 19 minutos de duração, concentra-se em um episódio da guerra civil de Burundi pelos anos 1994. Um genecídio está colocando em lados opostos Hutus e Tutsis. O curta mostra um destes episódios envolvendo um ônibus cheio de civis. Finalmente o inglês Wish 143, com 24 minutos de duração, conta a história de um jovem, paciente de um hospital que trata doentes terminais, que tem a oportunidade de realizar um último desejo antes de morrer.

O franco favorito ao Oscar 2011: Na Wewe. Pelo tema da produção e pela cotação alta que ela tem no site IMDb, acredito que este curta seja o grande favorito da disputa. Mas não seria de surpreender se vencesse The Crush ou mesmo Wish 143 que, aparentemente, tem uma narrativa bastante criativa. Quer dizer, todos da lista parecem interessantes. Difícil saber o favorito sem ter assistido aos concorrentes.

O meu favorito: The Crush. Gostei desta premissa bastante inusitada, de um garoto que, de tão obcecado pelo professor, resolve tirar o seu parceiro para um duelo mortal. Deve ser interessante – sem contar que ele tem uma nota ótima no IMDb também. Meu segundo voto seria para Na Wewe ou Wish 143.

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MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Inception, Toy Story 3, Tron: Legacy, True Grit, Unstoppable.

Análise: Indicações bastante óbvias contrastando com uma ou duas surpresas. Inception, Tron: Legacy e Unstoppable eram indicações evidentes. Especialmente o primeiro. Toy Story 3 e True Grit entraram para reforçar, ainda mais, o peso de seus títulos. Outras produções poderiam ter entrado na disputa, como The Social Network.

O franco favorito ao Oscar 2011: Inception. Acredito que, pelo menos neste quesito técnico, ele leve vantagem. Ainda que não seria uma total surpresa se Unstoppable ou Tron: Legacy levassem a estatueta. Para ser franca, fora True Grit e Inception, ainda não assisti aos outros concorrentes para poder dar uma opinião certeira.

O meu favorito: Inception. Dos que eu assisti, sem dúvida, é o que tem uma edição de som mais determinante para a história e, claro, com qualidade.

MELHOR MIXAGEM DE SOM: Inception, The King’s Speech, Salt, The Social Network, True Grit.

Análise: Aqui sim a disputa ficou mais divertida. Difícil escolher algum dos indicados. Na verdade, mais fácil tirar um deles: True Grit, para mim, corre por fora na disputa. São fortes concorrentes The Social Network e Inception, acompanhados de perto por The King’s Speech e Salt. Difícil, bem difícil escolher apenas um. Isso porque o trabalho de equalização, captação, efeitos e demais processos que fazem parte da mixagem de som foram muito bem feitos em todos os concorrentes.

O franco favorito ao Oscar 2011: Inception. Acredito que o filme possa ganhar pelos detalhes. Mas não seria uma surpresa se ele perdesse para The Social Network, por exemplo.

O meu favorito: The King’s Speech. Outra vez, um trabalho cuidadoso e que acaba sendo fundamental para a produção. Mas eu não ficaria chateada se outro vencesse – como The Social Network, por exemplo.

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MELHORES EFEITOS ESPECIAIS: Alice in Wonderland, Harry Potter and the Deathly Hallows Part 1, Hereafter, Inception, Iron Man 2.

Análise: Interessante que apenas um dos cinco indicados não foi um arrasa-quarteirão. Para não dizer que o filme do Clint Eastwood foi solenemente ignorado, ele recebeu esta indicaçãozinha por efeitos especiais. Mas não deve levar. Afinal, ele concorre com grandes produções que apostaram algumas de suas principais fichas, justamente, neste recurso. A escolha será difícil, para os votantes, e acredito que o ganhador vencerá por uma vantagem pequena.

O franco favorito ao Oscar 2011: Inception. Acho complicado apontar um favorito, já que me parece que correm, um tanto que “parelhos”, Alice in Wonderland e Inception. Pouco atrás, viriam Iron Man 2 e Harry Potter. Digo isso podendo errar redondamente já que, até o momento, assisti apenas a Inception.

O meu favorito: Inception. E nem poderia ser diferente, não é? Talvez, depois que eu assistir aos demais, eu possa mudar de ideia. Mas, até o momento, acho que os efeitos estonteantes de Inception merecem sim levar um Oscar para casa.

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MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: 127 Hours, The Social Network, Toy Story 3, True Grit, Winter’s Bone.

Análise: Este ano as duas categorias de melhor roteiro estão disputadíssimas. A ponto de algumas produções consideradas favoritas, antes dos indicados serem anunciados, terem ficado de fora. Não assisti a Toy Story 3 e Winter’s Bone. E ainda que o texto de True Grit seja um de seus pontos fortes, vejo que a grande concorrência esteja entre The Social Network e 127 Hours. O primeiro, é fantástico e corajoso. O segundo, muito difícil de ser adaptado – e feito de forma bacana e criativa. Ainda assim, acho que não teremos muita surpresa nesta categoria.

O franco favorito ao Oscar 2011: The Social Network. Não adianta. Aaron Sorkin deve levar a estatueta para casa. E com todos os méritos, é importante dizer. Mas caso ocorresse uma surpresa por aqui e a estatueta fosse parar nas mãos de Danny Boye e Simon Beaufoy pelo difícil trabalho com 127 Hours, seria algo bastante justo também.

O meu favorito: The Social Network. Apesar dos pesares, de que o filme não é tão bom, perfeito como poderia, a verdade é que este é um grande roteiro. Um texto ousado, veloz, que amarra bem as histórias e segura a verborragia como algo interessante e convidativo. Sorkin merece levar.

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MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Another Year, The Fighter, Inception, The Kids Are All Right, The King’s Speech.

Análise: Mais um exemplo de como Hollywood está atenta ao talento e aceita a diversidade. Na lista, alguns dos melhores filmes do ano. Ainda que, cá entre nós, eu preferia Black Swan no lugar de The Fighter ou mesmo de Inception. Mas ok, as indicações do Oscar nem sempre são perfeitas. Fiquei feliz pelo fato de The Kids Are All Right ter sido reconhecido, assim como fiquei curiosa para assistir a Another Year – afinal, a produção não teve mais nenhuma indicação a não ser esta. De qualquer forma, aqui a disputa está clara: entre The King’s Speech e Inception.

O franco favorito ao Oscar 2011: The King’s Speech. O roteiro de David Seidler é maravilhoso. Cada linha foi bem escrita, a exemplo do texto de The Social Network. Se o Oscar for justo, estes dois filmes, considerados por muitos os melhores do ano passado, receberão as suas respectivas estatuetas por roteiros.

O meu favorito: The King’s Speech. Sem dúvidas. O filme é muito mais original do que Inception, por exemplo, e marca a obstinação de seu roteirista. Se ele não vencer, que pelo menos The Kids Are All Right surpreenda.

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Animação Cinema Cinema do mundo Cinema europeu Cinema norte-americano Confessions Curta-metragem Curtas Documentário Filme premiado Oscar 2011

Indicados ao Oscar 2011 (e as chances de cada um)

Demorei mais este ano, meus queridos leitores e leitoras. Sinto muito.

Mas é que diferente do ano passado, quando eu estava começando a procurar emprego e saia de um ano de mergulho profundo e exclusivo no meu projeto do doutorado, em 2011 estou trabalhando. E muito. E apenas nas horas livres eu consigo ver algum filme e publicar algo por aqui.

Resolvi parar hoje, recusando o convite de uma praia bacana agora de tarde para, finalmente, publicar a lista de indicados ao Oscar deste ano e, claro, diferente de outros sites, deixar por aqui os meus palpites sobre os premiados.

Quem me acompanha há mais tempo sabe que eu publico este tipo de texto de “análise” dos indicados ao Oscar desde 2008. Daquele ano até agora, sem dúvida, esta foi a vez que demorei mais para publicar este tipo de avaliação. Mas acho que ainda vale a pena, não é mesmo? Nem que for para ver, depois, quantos palpites eu errei.

Desde o ano passado, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vem indicando 10 produções para a categoria principal, de Melhor Filme. Uma forma de agradar a gregos e troianos – e desagradar apenas a alguns gatos pingados -, abrindo espaço para filmes que entrariam na lista clássica dos cinco melhores e ainda adicionando outros mais comerciais e mais “alternativos” para abrir bastante o leque. Bem, falemos de todos os indicados nas 24 categorias da premiação, seguindo a ordem que a Academia usou em seu site este ano:

MELHOR FILME: Black Swan, The Fighter, Inception, The Kids Are All Right, The King’s Speech, 127 Hours, The Social Network, Toy Story 3, True Grit, Winters’s Bone.

Análise: Algumas semanas antes de sair a lista de indicados, eu diria um mês ou um mês e meio antes, nove dos 10 indicados deste ano eram quase uma aposta certeira. Havia, na verdade, espaço para uma ou, no máximo, duas surpresas entre os indicados. Winter’s Bone ficou com esta vaga. Todos os outros indicados para Melhor Filme eram esperados. Com um belo favoritismo de três produções: The Social Network, The King’s Speech e True Grit, nesta ordem. Correm, um pouco atrás, Black Swan, Inception e 127 Hours. Os outros filmes estão ali apenas para fechar a lista e, claro, para servir como um interessante painel do que foi produzido como aposta de alguns dos principais estúdios de Hollywood em 2010. De qualquer forma, não deixou de ser surpresa Winter’s Bone deixar um veterano como Clint Eastwood com seu Hereafter de fora da disputa, ou mesmo o elogiado Somewhere, de Sofia Coppola. O franco favorito: The Social Network. Sem dúvida, é o filme do ano, para a maioria dos críticos. Especialmente porque, para quase todos, ele resume como poucos fizeram antes a “nossa era” de superexposição voluntária das pessoas na internet. E estes críticos estão certos. Realmente The Social Network é um grande filme. Mas na reta final para a disputa ele tem sido surpreendido pelas indicações recebidos por The King’s Speech. O meu favorito: The King’s Speech. Essa, sem dúvida, foi uma escolha difícil. Isso porque, para mim, existe quase um empate técnico entre The King’s Speech, Black Swan e The Social Network. Cada filme tem a sua personalidade, seus objetivos, técnicas e sentidos. Mas o primeiro ganha dos demais por milésimos de segundo e, principalmente, por um fator: originalidade. Ainda que trate de um tema que outras produções já trataram, a intimidade de uma família real, The King’s Speech trata este assunto de forma totalmente diferenciada. Black Swan é brilhante, perfeito, mas lembra muito outras produções – do próprio Aronofsky e do Kieslowsky. The Social Network não é perfeito mas, ainda assim, trata de forma bastante interessante a aura que parece cercar o nosso tempo. Os três, em resumo, tem méritos e qualidade para vencer. Mas ainda fico, por pouco, com The King’s Speech.

MELHOR ATOR: Javier Bardem (Biutiful), Jeff Bridges (True Grit), Jesse Eisenberg (The Social Network), Colin Firth (The King’s Speech), James Franco (127 Hours).

Análise: Este é um ano bastante raro. Não há espaço para injustiças nesta categoria. Acompanho o Oscar há muito tempo e posso dizer: não lembro a última vez em que isso aconteceu. Qualquer um dos cinco atores indicados este ano tem méritos de sobra, por suas respectivas atuações, para levar a estatueta para casa. E o mais bacana: quatro dos indicados tem os seus respectivos filmes na lista dos melhores do ano. Nada mais justo e coerente. E mesmo Bardem, que não tem Biutiful indicado entre os filmes principais, pode orgulhar-se de ter a produção entre as de Melhor Filme Estrangeiro. Mas mesmo que só tenhamos feras este ano, existe sim um franco favorito. Não apenas pelos prêmios que recebeu, mas porque ele faz um trabalho de deixar qualquer queixo cair. O franco favorito: Colin Firth. Esta é a segunda indicação consecutiva do ator inglês para o Oscar. Há quem diga que, no ano passado, ele já deveria ter vencido por seu papel em A Single Man. No lugar dele, venceu a disputa o brilhante Jeff Bridges. Mas tudo indica que, desta vez, Firth levará a melhor na disputa – que tem, novamente, Bridges. Mas não seria uma surpresa completa se Bardem, Eisenberg ou mesmo Franco levassem a estatueta. Os três tem méritos para isso. Há quem diga que Mark Wahlberg merecia estar entre os cinco. Bem, o ator teve mais méritos por ter tomado The Fighter como um projeto pessoal e ter conseguido viabilizar o filme do que, propriamente, fazer um papel inesquecível. Não, acho que ele ficou bem fora da lista. O meu favorito: Colin Firth. Novamente, a escolha foi difícil. Gostei muito do perfeccionismo e dos trejeitos perfeitamente copiados por Jesse Eisenberg. Jeff Bridges e Javier Bardem sempre merecem ser premiados. James Franco conseguiu a melhor interpretação de sua carreira em 127 Hours. Mas Colin Firth… está estonteante em The King’s Speech. Meu voto seria para ele.

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christian Bale (The Fighter), John Hawkes (Winter’s Bone), Jeremy Renner (The Town), Mark Ruffalo (The Kids Are All Right), Geoffrey Rush (The King’s Speech).

Análise: Aqui a disputa ficou mais fácil. Com isso não quero dizer que todos os atores indicados não sejam bons ou tenham méritos para estar na lista. Mas, mesmo sem ter assistido a todos os desempenhos listados, há um franco favoritismo – e com razões – para Christian Bale. Frente aos concorrentes, ele está realmente muito, muito à frente. Vi, até o momento, apenas as interpretações de Mark Ruffalo e Geoffrey Rush. Os dois estão bem, mas não fazem nada além da média. Christian Bale, mesmo que pareça um tanto repetitivo em relação a papéis que fez anteriormente, está impecável, em uma entregue digna de aplausos. O franco favorito: Christian Bale. Depois de ter sido ignorado pela Academia vários anos seguidos, especialmente em 2008, quando muitos esperavam que ele fosse indicado por The Dark Knight, parece que finalmente chegou a vez de Bale levar uma estatueta para casa. O meu favorito: Christian Bale. Dificilmente alguém vai conseguir tirar o prêmio do ator este ano. Além do mais, especialmente por sua carreira até aqui, ele merece a estatueta – merecia há alguns anos, inclusive.

MELHOR ATRIZ: Annette Bening (The Kids Are All Right), Nicole Kidman (Rabbit Hole), Jennifer Lawrence (Winter’s Bone), Natalie Portman (Black Swan), Michelle Williams (Blue Valentine).

Análise: Por aqui, algumas indicações óbvias e algumas surpresas. Annette Bening e Natalie Portman eram figuras garantidas nas indicações deste ano. Nicole Kidman estava bem cotada, mas não deixou de ser uma surpresa ver Jennifer Lawrence e Michelle Williams deixando para trás outras atrizes bem cotadas como Julianne Moore e Hilary Swan. De qualquer forma, como na categoria Melhor Filme, aqui há também algumas favoritas e, as demais, correm “por fora”. Na frente, sem dúvida, Natalie Portman seguida, com certa distância, por Annette Bening. Jennifer Lawrence, que ainda não assisti, poderia surpreender – ela vem ganhando muitos elogios por seu desempenho. Mas a Academia, ainda conservadora, deve premiar alguém com uma história um pouco mais “antiga” em Hollywood. A franca favorita: Natalie Portman. Há seis anos a atriz foi indicada por seu papel estonteante em Closer. Na época, ela perdeu a estatueta para Cate Blanchett, outra atriz incrível. Mas tudo indica que, desta vez, Portman irá vencer a veterana Annette Bening. A minha favorita: Natalie Portman. Outra vez, difícil escolher. Isso porque Annette Bening merece ganhar, também. Qualquer uma das duas vencendo, não será uma injustiça. Mas Portman se entregou de uma maneira tão contagiante e impressionante em Black Swan que eu acho que, realmente, esta é a sua hora.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Amy Adams (The Fighter), Helena Bonham Carter (The King’s Speech), Melissa Leo (The Fighter), Hailee Steinfeld (True Grit), Jacki Weaver (Animal Kingdom).

Análise: Eis aqui mais uma disputa apertada. Diferente de outras categorias, aqui é mais difícil apontar uma “franca favorita”. Claro que há alguns burburinhos que tem dominado os discursos. Por exemplo: Melissa Leo leva vantagem sobre Amy Adams. Helena Bonham Carter pode surpreender pela força que The King’s Speech tem ganhado nesta reta final – além de, claro, ter um bom desempenho. Hailee Steinfeld é a surpresa da vez – que a Academia gosta de enaltecer. E todos, absolutamente, elogiam o trabalho de Jacki Weaver. Até o momento, assisti apenas ao trabalho das três primeiras. Então vou opinar a partir disto. Ah sim, e houve uma pequena grande injustiça nesta categoria: terem deixado Mila Kunis, de Black Swan, de fora. Ela, sem dúvida, merecia estar entre as cinco – mais que Amy Adams, na minha opinião. A franca favorita: Melissa Leo. Ela levou para casa o Globo de Ouro e ainda está indicada no prêmio do Screen Actors Guild. A minha favorita: Melissa Leo. A atriz, que já havia sido indicada em 2009 por Frozen River, merece levar a estatueta para casa. Mais uma vez ela está perfeita, em uma interpretação muito realista, nesta produção. Se Mila Kunis estivesse na disputa, provavelmente eu penderia para o seu lado. ADENDO (dia 24/02): A sempre ótima Ana Maria Bahiana publicou um texto em seu blog avaliando uma série de anúncios que a Melissa Leo publicou em revistas e jornais dos Estados Unidos pedindo votos no Oscar. Concordo que essa prática de forçar a barra e pedir votos é quase um tiro no próprio pé. Hailee Steinfeld pode até sair favorecida com isso e, francamente, não será uma injustiça se a menina ganhar. Mas, ainda que ela roube a cena em True Grit, ainda sou da opinião que Melissa Leo faz um trabalho superior e ainda mais determinante para The Fighter. Meu voto, se eu tivesse um, ainda seria dela.

MELHOR ANIMAÇÃO: How to Train Your Dragon, The Illusionist (L’Illusionniste), Toy Story 3.

Análise: Nesta categoria não há segredo. Os três indicados eram esperados, ainda que havia um certo rumor que Tangled ou Despicable Me poderiam tirar a vaga de How to Train Your Dragon ou The Illusionist – ou, pelo menos, de um deles. Mas deu o esperado. E aqui não existe um favorito, mas aquele que, claramente, irá vencer a disputa. Até porque o filme está indicado duplamente, não apenas como Melhor Animação, mas como Melhor Filme. Infelizmente, até agora, não assisti a nenhum dos três. Mas, em breve, quero ver a Toy Story 3.

O franco favorito: Toy Story 3.

O meu favorito: Toy Story 3. Ok, ainda não posso dizer que é o meu favorito. Melhor dizer que é a minha aposta. Afinal, como eu disse, ainda não assisti a nenhum dos três. Talvez mude o meu voto depois. ADENDO (24/02): Após assistir a Toy Story 3, e mesmo sem ter assistido aos demais, reafirmo a minha opinião de que ele deve ganhar a estatueta este ano. O filme é delicioso, criativo e cumpre todas as suas promessas.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Alice in Wonderland, Harry Potter and the Deathly Hallows Part 1, Inception, The King’s Speech, True Grit.

Análise: Por aqui, um pequeno quadro da diversidade e da qualidade do cinema feito em Hollywood – como já havia ocorrido na edição do Oscar do ano passado. Há produções de estilos muito diferentes nas disputa, de filmes de época como The King’s Speech e True Grit até fantasias como Inception e Alice in Wonderland. O lobby pode dar a estatueta para títulos menos evidentes, como The King’s Speech ou True Grit. Mas, tudo indica, que os favoritos são mesmo Inception e Alice in Wonderland. E daí a disputa é acirrada. Os dois filmes tem uma direção de arte de tirar o chapéu – e digo isso sem ter assistido ao segundo, mas apenas ao ver alguns “croquis” e fotos. O franco favorito: Inception. Acredito que a produção dirigida por Christopher Nolan leva uma pequena vantagem na disputa, ainda que não seria uma surpresa se outros filmes ganhassem dela na queda de braço. O meu favorito: Inception. Ainda não assisti a todos os concorrentes. Gostei do trabalho feito em King’s Speech, mas acho que a complexidade de Inception merece mais o prêmio.

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Black Swan, Inception, The King’s Speech, The Social Network, True Grit.

Análise: Outra categoria em que a disputa está acirrada e em que aparecem filmes de estilos muito diferentes. Ainda que a fotografia de todas estas produções seja um elemento que pode ser destacado, acho que apenas The Social Network possa estar correndo um pouco por fora. Ainda que o apuro do diretor de fotografia seja mais evidente em Black Swan e True Grit. O franco favorito: Black Swan. Quer dizer, acho que não existe um franco favorito… mas como tenho que apontar um nome, joguei as fichas em Black Swan. Mas não seria uma surpresa, aqui, ver qualquer um dos outros indicados levar o prêmio. Especialmente porque esta é mais uma categoria onde o lobby conta bastante. Ou, em outras palavras, é mais uma categoria que pode ajudar a formar o “grande vencedor” da premiação, aquele filme que irá levar muitos prêmios para casa. O meu favorito: Black Swan. Ah, a direção de fotografia de Black Swan é estonteante. Perfeita. Clássica, sem mistérios, apostando no contraste da luz e das trevas. Esta “simplicidade” muito bem planejada é fundamental para a história e o trabalho do diretor de fotografia fundamental para propiciar o ritmo da produção. Por isso, para mim, esta estatueta deveria ir para Black Swan.

MELHOR FIGURINO: Alice in Wonderland, I Am Love (Io Sono L’Amore), The King’s Speech, The Tempest, True Grit.

Análise: Mais uma vez a disputa é das boas. Há filmes de época, fantasia, produção contemporânea. Das cinco indicadas, todas mulheres, duas estreantes e três profissionais premiadas em edições anteriores do Oscar. Não assisti a todos os filmes, mas pelas imagens, eu diria que tem uma certa vantagem na disputa as “oscarizadas” Colleen Atwood, por Alice in Wonderland, e Sandy Powell, por The Tempest. Correm por fora as demais.

O franco favorito: Alice in Wonderland.

O meu favorito: The Tempest. Não assisti a quatro dos filmes em disputa, mas vendo as fotos deles, achei o trabalho de Powell em The Tempest simplesmente fantástico. Inovador, ousado, bastante interessante. Mas se alguma das outras ganharem, tenho certeza, não seja injusto.

MELHOR DIRETOR: Darren Aronofsky (Black Swan), David O. Russell (The Fighter), Tom Hooper (The King’s Speech), David Fincher (The Social Network), Joel e Ethan Coen (True Grit).

Análise: Três dos cinco nomes eram uma aposta certeira e os outros dois estavam bem cotados – e ganharam força para suas indicações na reta final para o Oscar. Darren Aronofsky, David Fincher e os irmãos Coen eram indicações evidentes. Hooper ganhou impulso, junto com o seu filme, nos últimos tempos, assim como Russell. Para mim, no lugar do último, muito bem poderia ter entrado o diretor Christopher Nolan, por Inception. Ainda que eu não tenha achado o filme tudo aquilo, mas vejo que o diretor teve um trabalho muito mais complicado e digno de uma indicação do que Russell, por exemplo. Mas ok, a Academia faz destas… O franco favorito: David Fincher. Como o filme é o favorito para o Oscar, o diretor também segue a mesma direção. Além disso, cá entre nós, Fincher merece. Não apenas por esta produção, mas pela qualidade de sua filmografia até aqui. O meu favorito: Darren Aronofsky. Difícil escolher. Isso porque eu gosto muito do Fincher, do Aronofsky e dos irmãos Coen. Qualquer um deles ganhando, para mim, será bacana. Sem contar que fiquei impressionada com o trabalho do Hooper. Também acho que ele merece. Para mim, só seria injusto se a estatueta parasse nas mãos de Russell. Qualquer um dos demais é digno do prêmio. Ainda assim, tenho uma quedinha maior por Arnofsky, seguido de perto por Hooper e Fincher.

MELHOR FILME DOCUMENTÁRIO: Exit Through the Gift Shop, GasLand, Inside Job, Restrepo, Waste Land.

Análise: Mais uma vez, uma categoria em que a disputa é forte. Ainda assim, existe um certo “favoritismo” no ar. Exit Through the Gift Shop e Restrepo levam vantagem sobre os demais. Em seguida, vem correndo Waste Land. Os outros dois estariam correndo por fora. Inside Job tem o conhecido Charles Ferguson por trás das câmeras, mas o filme não tem recebido muitas indicações a prêmios. Diferente de Exit Through the Gift Shop, Restrepo e Waste Land. O segundo merece destaque por tratar de um tema que Hollywood gosta de ver em documentários: a guerra. Mas os outros dois se destacam por tratarem com originalidade temas recorrentes. Difícil apontar um favorito, mas vou fazer isso. O franco favorito: Exit Through the Gift Shop. Não assisti, infelizmente, a nenhum dos concorrentes até agora. Mas pelos prêmios que esta produção já embolsou e por ter Banksy por trás do filme, acredito que ela poderá sair com uma certa vantagem na frente dos demais. O meu favorito: Waste Land. Sim, minha escolha passa pela questão do tema e pelo filme ter sido, em parte, filmado no Brasil. Gosto do assunto e a abordagem de Lucy Walker, Angus Aynsley e do brasileiro João Jardim, parece ter sido interessante. Sem contar que a produção valoriza o trabalho do ótimo Vik Muniz e tem a trilha do sonora do igualmente fantástico Moby. Só por estas razões ele entra como o meu preferido – mesmo sem tê-lo assistido. ADENDO (24/02): Acabei não assistindo a Waste Land mas, cá entre nós, logo que assisti a Exit Through the Gift Shop, o trabalho de Banksy e Cia. me conquistou. O filme é simplesmente fantástico e inovador. Inclusive pela grande possibilidade de tratar-se de um “pseudo-documentário”. Diferente da maioria das produções do gênero lançadas até o momento e com uma deliciosa carga de crítica e ironia, sem dúvidas ele seria o meu voto – seu eu pudesse votar. Desde que assisti ao filme, estou na torcida por ele. Mas eis uma categoria em que três filmes tem séries chances de vencer. Então só esperando para ver.

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM: Killing in the Name, Poster Girl, Strangers No More, Sun Come Up, The Warriors of Qiugang.

Análise: Como comentei no Oscar anterior, eis uma categoria pouco observada nas premiações anuais da Academia. O que é uma pena – e culpa, claro, da falta de opções, seja de festivais ou do circuito comercial mesmo, em disponibilizar estas produções para o grande público. Não assisti ainda aos concorrentes, mas vale a pena comentar, rapidamente, sobre o que cada produção trata. Killing the Name é um documentário de 39 minutos que trata de um tema espinhoso: os homens-bomba muçulmanos. O diretor Jed Rothstein narra a história de perda de Ashraf Al-Khaled e sua esposa que, no dia em que se casaram, tiveram a cerimônia invadida por um homem-bomba. O homem explodiu durante a cerimônia e matou 27 pessoas das famílias do casal. De forma corajosa, Ashraf rompe o silêncio da comunidade muçulmana para falar de sua história. Poster Girl, com 38 minutos de duração, foca as lentes para a história de Robynn Murray, uma soldado do Exército que foi para a Guerra do Iraque e voltou para o seu país “sem chão”. Refém de vários tipos de remédio e “incapacitada” para ter uma vida normal, Murray serve de exemplo sobre a brutalidade de guerras que a maioria das pessoas não entende porque continuam ocorrendo. Com 40 minutos de duração, Strangers No More conta a história de uma escola para alunos “especiais” em Tel Aviv. Naquele local, crianças e jovens de 48 diferentes nacionalidades dividem as suas experiências, muitas delas traumáticas, na busca pela adaptação a um novo país, a uma nova realidade, e na compreensão dos diferentes. Sun Come Up tem 38 minutos de duração e conta a história de um grupo de refugiados na região de Papua, na Nova Guinea. O documentário acompanha o deslocamento desta pessoas, expulsas de suas terras por causa de uma guerra em Bougainville. Com 39 minutos de duração, The Warriors of Qiugang conta a impressionante história de um grupo de moradores de uma vila na China que resolvem tomar conta de uma empresa química que está poluindo o ar e a água do local. Durante cinco anos estes moradores lutaram para mudar aquela realidade e, com este gesto, modificaram a eles próprios. O franco favorito: Killing in the Name. Complicado escolher um franco favorito. Na verdade, acho que não existe um favorito. Mas três filmes talvez liderem a disputa: Killing the Name, Strangers no More e The Warriors of Qiugang. Especialmente por causa da temática de cada um deles e pela “sacada” de seus diretores. O meu favorito: Strangers No More. Difícil escolher. Fiquei bastante dividida entre os três que citei antes. Mas acho que a temática de crianças e jovens de diferentes culturas vivendo em um mesmo local e aprendendo uns com os outros me “toca” de uma maneira mais especial. Fiquei muito curiosa para assistir a este filme e aos demais. Quando eu conseguir, comento sobre cada um por aqui.

MELHOR EDIÇÃO: Black Swan, The Fighter, The King’s Speech, 127 Hours, The Social Network.

Análise: Mais uma vez, a disputa está boa. O trabalho de edição feito em cada um destes filmes é digno de aplausos. E, como pede, esta categoria, estes trabalhos foram essenciais para a qualidade final da produção. Por isso mesmo, difícil dizer quem é o favorito. Mais uma vez, esta categoria técnica pode ser definida por quem fizer um lobby melhor – ou, em outras palavras, ela pode premiar aquele filme que foi escolhido a “bola da vez” deste ano. De qualquer forma, eu acredito que Black Swan, 127 Hours e The Social Network levem uma certa vantagem sobre os outros concorrentes. Ainda que, volto a comentar, todos sejam dignos do prêmio. O franco favorito: The Social Network. Levando em conta que este filme continua sendo o favorito para as categorias principais, acredito que ele será também o preferido para este prêmio. A verdade é que esta categoria deverá acompanhar o filme escolhido como “bola da vez” – e isso poderá acontecer com The Social Network ou The King’s Speech. Além deles, não seria uma total surpresa se Black Swan ou 127 Hours vencessem. Afinal, o trabalho de edição em ambos é decisivo e magnífico. O meu favorito: Black Swan. Outra vez uma escolha complicada. Praticamente todos os concorrentes merecem ganhar. Mas eu tenho uma leve preferência pelo trabalho de Black Swan, porque acho que ele foi mais difícil de ser feito, tecnicamente, apresentando uma perfeição impressionante que aliou ritmo e cortes precisos.

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: Biutiful, Dogtooth (Kynodontas), In a Better World (Haevnen), Incendies, Outside the Law (Hors-la-loi).

Análise: Dos cinco finalistas nesta categoria, eu só apostava em dois: In a Better World e Biutiful. Os outros demais, pelo menos para mim, foram uma surpresa. Carancho, por exemplo, ficou de fora, o que eu achei uma bela injustiça. Mas tudo bem, muitos comentam mesmo que esta é uma das categorias mais surpreendentes e abertas a “surpresas” da premiação. Biutiful tem grandes chances ao prêmio por várias razões. Para começar, ele é dirigido pelo fantástico Alejandro González Inãrritu, um dos grandes cineastas que o Méximo já produziu. Depois, o filme tem o grande Javier Bardem como ator principal – e também candidato ao Oscar – e embolsou, até o momento quatro prêmios em outros festivais/premiações. In a Better World ou Haevnen, no original, é mais um dos grandes trabalhos da excelente diretora Susanne Bier. O filme tem roteiro de Anders Thomas Jensen, mais um dos grandes nomes do cinema do leste europeu. Tem tudo para ser brilhante (não, ainda não consegui assistir a nenhum dos dois). Além de Biutiful e Haevnen, que parecem ser os favoritos este ano, correm por fora o grego Dogtooth, o canadense Incendies e o argeliano Hors-la-loi. Dogtooth (ou Kynodantas, no original) é dirigido por Giorgos Lanthimos e acumula nove prêmios. Incendies, do premiado Denis Villenueve, é uma surpresa na premiação. Mesmo sem ter ganho nenhum prêmio até agora, foi um filme bem recebido em festivais como o de Toronto e Veneza. Finalmente, Hors-la-loi, dirigido por Rachid Bouchareb, apesar da narrativa acelerada, entrou como o azarão na disputa. O franco favorito: In a Better World (Haevnen). Eu diria que o filme de Susanne Bier leva uma certa vantagem na disputa após ter vencido a seus principais concorrentes, e mais o forte italiano Io Sono L’Amore, no Globo de Ouro. Mas não seria uma total surpresa, também, se Biutiful levasse a estatueta. O meu favorito: Haevnen. Difícil escolher, porque gosto muito do cinema o Iñarritu. Mas aprecio demais a Susanne Bier e acho que está na hora desta “nova escola” dinamarquesa levar um Oscar para casa.

MELHOR MAQUIAGEM: Barney’s Version, The Way Back, The Wolfman.

Análise: Não assisti a nenhum dos indicados, devo dizer. Mas não deixa de ser surpreendente que filmes com um trabalho menos “extensivo” de maquiagem, como parecem ser Barney’s Version e The Way Back, tenham sido indicados no lugar de Alice in the Wonderland, apenas para dar um exemplo. De qualquer forma, acho que aqui não há muito segredo sobre a produção que leva a dianteira na disputa.

O franco favorito: The Wolfman. Parece ter sido o trabalho mais complexo e difícil de fazer.

O meu favorito: The Wolfman. Apenas para seguir o óbvio, já que não assisti, ainda, a nenhum dos concorrentes.

MELHOR TRILHA SONORA: How to Train Your Dragon, Inception, The King’s Speech, 127 Hours, The Social Network.

Análise: Belas escolhas da Academia. Tirando o primeiro filme, que ainda não assisti, posso falar dos demais. Há um equilíbrio entre trilhas mais “tradicionais”, como as que escutamos em Inception e The King’s Speech, e outras mais ousadas, criativas, representadas por 127 Hours e The Social Network. Difícil escolher, mas uma vez. Por trás da trilha de How to Train Your Dragon, o trabalho do premiado John Powell. E o que dizer Hans Zimmer, compositor da trilha de Inception? Veterano de Hollywood, ele já recebeu um Oscar e foi premiado outras 49 vezes em eventos diversos. Por trás da trilha de The King’s Speech, o francês Alexandre Desplat, que foi indicado outras três vezes ao Oscar e, até agora, nunca levou uma estatueta. Com 127 Hours, reaparece em cena o criativo e premiado com um Oscar A.R. Rahman. Finalmente, assinando a trilha de The Social Network, Atticus Ross e Trent Reznor. Grandes nomes, ótimas trilhas, uma boa disputa. O franco favorito: The King’s Speech. Sei que parece absurdo, mas acho que desta vez a Academia vai se render a Desplat. Ele assina uma trilha fantástica e primordial para The King’s Speech. Mas não seria uma surpresa se Zimmer levasse por Inception, outro grande trabalho, ou mesmo se A. R. Rahman conseguisse ser premiado novamente. Ainda pode jogar a favor da dupla Reznor e Ross a velha máxima de “avalanche” de prêmios, caso The Social Network vá embolsando quase tudo para o qual foi indicado. E digo isso tranquilamente, porque eles também merecem ser premiados pelo trabalho que fizeram – ainda que, neste caso, o lobby contaria mais que a questão pura e simples do talento. O meu favorito: 127 Hours. Certo, eu admito: sou fã do A.R. Rahman. E acho, francamente, que a trilha sonora que ele bolou para 127 Hours é muito mais impactante e determinante para a história do que as demais trilhas para seus respectivos filmes. Duvido que ele seja premiado novamente, depois de ter recebido, há apenas dois anos, duas estatuetas por Slumdog Millionaire. Mas eu ia curtir muito se ele ganhasse mais esta.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Country Strong (Coming Home, de Tom Douglas, Troy Verges e Hillary Lindsey), Tangled (I See the Light, de Alan Menken e Glenn Slater), 127 Hours (If I Rise, de A.R. Rahman, Dido e Rollo Armstrong), Toy Story 3 (We Belong Together, de Randy Newman).

Análise: Das quatro canções indicadas, duas são de filmes de animação. O que era mais que esperado, já que estas produções normalmente dominam as indicações e a lista de premiados nesta categoria do Oscar. Mas este ano, quem sabe, são os outros filmes que tem mais chances de levar a estatueta. Coming Home, música do filme Country Song, assim como a canção de Tangled, já haviam sido indicadas ao Globo de Ouro. Mas ambas acabaram perdendo para uma música de Burlesque – musical que, inclusive, foi solenemente ignorado pelo Oscar deste ano. Os demais indicados ao Oscar, para surpresa de muita gente, não haviam aparecido na lista do Globo de Ouro. Fiquei feliz, cá entre nós, pela música de Rahman, Dido e Armstrong ter entrado na disputa. Assim como pela canção de Randy Newman, um veterano premiado, ter aparecido na lista. A concorrência está boa este ano. Fora a canção de 127 Hours, as demais eu não conhecia. Indo atrás delas, no Youtube, posso dizer: Coming Home é uma música bonita, mas com uma interpretação melhor do que a letra propriamente, bastante fraquinha; I See the Light é a típica música bonitinha de um filme da Disney, sem nada demais; We Belong Together, do grande Randy Newman, é uma música bonitinha também, mas com mais conteúdo e cuidado nos detalhes, sem contar uma sonoridade inventiva e interessante; e, finalmente, If I Rise é uma música com sonoridade e letra impecáveis, sem contar a bela interpretação de Dido. O franco favorito: Toy Story 3. Acredito que vão dar o prêmio para Newman, o que seria bastante justo. Além do mais, as animações levam uma certa vantagem histórica sobre os outros filmes. O meu favorito: 127 Hours. Sem dúvida, adorei a música If I Rise, não apenas pela voz de Dido, que é fantástica, mas pela sonoridade que apenas A.R. Rahman teria a sensibilidade de construir. Sem dúvida esta parceria merecia um prêmio. Mas duvido que será o Oscar.

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO: Day & Night, The Gruffalo, Let’s Pollute, The Lost Thing, Madagascar – carnet de voyage.

Análise: Como de costume, mais uma vez, nesta categoria podemos ver a curtas de animação de grandes estúdios, como Day & Night, da Pixar, competindo com produções bastante alternativas, a exemplo de Madagascar. Em breve vou publicar um texto apenas sobre os curtas. De momento, assisti apenas aos trailers de três deles, no Youtube, e a duas produções na íntegra, também no site de compartilhamento de vídeos. Quem procurar a Let’s Pollute e Madagascar no Youtube, conseguirá assistí-los integralmente. Os outros devem ser acessados de outra forma – Day & Night pode ser visto como extra no DVD de Toy Story 3. Comecemos por Day & Night, da Pixar. O curta com seis minutos de duração conta o encontro do Dia com a Noite e a brincadeira que começa a surgir entre eles, cada um revelando os seus pontos fortes e belezas. Pelo trailer, parece ser um curta muito interessante e criativo e com aquela velha e boa mensagem de “cada um com suas diferenças e qualidades” no ventre. The Gruffalo é um curta de 27 minutos produzido pela BBC e que tem um grande elenco em algumas de suas vozes (entre outros, Helena Bonham Carter, Tom Wilkinson e John Hurt). Baseado em um livro infantil, o curta conta a história de um rato que atravessa uma floresta pela qual deverá enfrentar vários predadores. Pelo trailer do curta, ele parece ser bastante interessante – ainda que menos inventivo que o anterior. Let’s Pollute tem seis minutos de duração e segue a linha dos filmes educativos dos anos 1950 e 1960, satirizando o nosso modelo de “desenvolvimento” atual – baseado em uma economia poluente. O curta pode ser visto na íntegra neste link. The Lost Thing é um curta de 15 minutos que conta a história de um rapaz que, ao caminhar pela praia, encontra uma estranha criatura. Surpreso por ninguém mais dar bola para aquele ser estranho e de tamanho considerável, o garoto leva a criatura para sua casa, onde acaba não sendo bem recebida. Neste link é possível assistir ao trailer do curta. Finalmente, Madagascar, Carnet de Voyage, um curta de 11 minutos feito por um programador francês que narra, de forma muito particular, a sua experiência de viajar por Madagascar. O curta pode ser assistido na íntegra neste link. O franco favorito: Day & Night. Primeiro, o curta parece ser muito bem feito. E criativo. Depois, ele tem a força da Pixar a seu lado. Deve ganhar a estatueta por estas razões. Ainda que, nesta categoria, não seria exatamente uma surpresa se outros concorrentes, como The Gruffalo, levassem a melhor. O meu favorito: Madagascar, Carnet de Voyage. Fiquei impressionada com o estilo e a forma diferenciada de Bastien Dubois contar esta história. Muito bacana.

MELHOR CURTA-METRAGEM: The Confession, The Crush, God of Love, Na Wewe, Wish 143.

Análise: Mais uma vez, entre os filmes indicados a Melhor Curta, algumas produções com temática bastante forte. The Confession, com 26 minutos de duração, é uma produção inglesa que conta a história de um garoto de nove anos que está apavorado com a ideia de enfrentar, pela frente, a sua primeira confissão. Juntamente com o amigo Jacob, ele tenta evitar a experiência. The Crush é um curta com 15 minutos de duração que também foca as atenções para um garoto. A produção irlandesa conta a história de um menino de oito anos que, de tão obcecado por seu professor, desafia o namorado dele para um duelo. O estadunidense God of Love, de 18 minutos, conta a história de um cantor e jogador de dardos profissional que recebe uma caixa misteriosa cheia de dardos. O belga Na Wewe, com 19 minutos de duração, concentra-se em um episódio da guerra civil de Burundi pelos anos 1994. Um genecídio está colocando em lados opostos Hutus e Tutsis. O curta mostra um destes episódios envolvendo um ônibus cheio de civis. Finalmente o inglês Wish 143, com 24 minutos de duração, conta a história de um jovem, paciente de um hospital que trata doentes terminais, que tem a oportunidade de realizar um último desejo antes de morrer. O franco favorito: Na Wewe. Pelo tema da produção e pela cotação alta que ela tem no site IMDb, acredito que este curta seja o grande favorito da disputa. Mas não seria de surpreender se vencesse The Crush ou mesmo Wish 143 que, aparentemente, tem uma narrativa bastante criativa. Quer dizer, todos da lista parecem interessantes. Difícil saber o favorito sem ter assistido aos concorrentes. O meu favorito: The Crush. Gostei desta premissa bastante inusitada, de um garoto que, de tão obcecado pelo professor, resolve tirar o seu parceiro para um duelo mortal. Deve ser interessante – sem contar que ele tem uma nota ótima no IMDb também. Meu segundo voto seria para Na Wewe ou Wish 143.

MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Inception, Toy Story 3, Tron: Legacy, True Grit, Unstoppable.

Análise: Indicações bastante óbvias contrastando com uma ou duas surpresas. Inception, Tron: Legacy e Unstoppable eram indicações evidentes. Especialmente o primeiro. Toy Story 3 e True Grit entraram para reforçar, ainda mais, o peso de seus títulos. Outras produções poderiam ter entrado na disputa, como The Social Network. O franco favorito: Inception. Acredito que, pelo menos neste quesito técnico, ele leve vantagem. Ainda que não seria uma total surpresa se Unstoppable ou Tron: Legacy levassem a estatueta. Para ser franca, fora True Grit e Inception, ainda não assisti aos outros concorrentes para poder dar uma opinião certeira. O meu favorito: Inception. Dos que eu assisti, sem dúvida, é o que tem uma edição de som mais determinante para a história e, claro, com qualidade.

MELHOR MIXAGEM DE SOM: Inception, The King’s Speech, Salt, The Social Network, True Grit.

Análise: Aqui sim a disputa ficou mais divertida. Difícil escolher algum dos indicados. Na verdade, mais fácil tirar um deles: True Grit, para mim, corre por fora na disputa. São fortes concorrentes The Social Network e Inception, acompanhados de perto por The King’s Speech e Salt. Difícil, bem difícil escolher apenas um. Isso porque o trabalho de equalização, captação, efeitos e demais processos que fazem parte da mixagem de som foram muito bem feitos em todos os concorrentes. O franco favorito: Inception. Acredito que o filme possa ganhar pelos detalhes. Mas não seria uma surpresa se ele perdesse para The Social Network, por exemplo. O meu favorito: The King’s Speech. Outra vez, um trabalho cuidadoso e que acaba sendo fundamental para a produção. Mas eu não ficaria chateada se outro vencesse – como The Social Network, por exemplo.

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS: Alice in Wonderland, Harry Potter and the Deathly Hallows Part 1, Hereafter, Inception, Iron Man 2.

Análise: Interessante que apenas um dos cinco indicados não foi um arrasa-quarteirão. Para não dizer que o filme do Clint Eastwood foi solenemente ignorado, ele recebeu esta indicaçãozinha por efeitos especiais. Mas não deve levar. Afinal, ele concorre com grandes produções que apostaram algumas de suas principais fichas, justamente, neste recurso. A escolha será difícil, para os votantes, e acredito que o ganhador vencerá por uma vantagem pequena.

O franco favorito: Inception. Acho complicado apontar um favorito, já que me parece que correm, um tanto que “parelhos”, Alice in Wonderland e Inception. Pouco atrás, viriam Iron Man 2 e Harry Potter. Digo isso podendo errar redondamente já que, até o momento, assisti apenas a Inception.

O meu favorito: Inception. E nem poderia ser diferente, não é? Talvez, depois que eu assistir aos demais, eu possa mudar de ideia. Mas, até o momento, acho que os efeitos estonteantes de Inception merecem sim levar um Oscar para casa.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: 127 Hours, The Social Network, Toy Story 3, True Grit, Winter’s Bone.

Análise: Este ano as duas categorias de melhor roteiro estão disputadíssimas. A ponto de algumas produções consideradas favoritas, antes dos indicados serem anunciados, terem ficado de fora. Não assisti a Toy Story 3 e Winter’s Bone. E ainda que o texto de True Grit seja um de seus pontos fortes, vejo que a grande concorrência esteja entre The Social Network e 127 Hours. O primeiro, é fantástico e corajoso. O segundo, muito difícil de ser adaptado – e feito de forma bacana e criativa. Ainda assim, acho que não teremos muita surpresa nesta categoria.

O franco favorito: The Social Network. Não adianta. Aaron Sorkin deve levar a estatueta para casa. E com todos os méritos, é importante dizer. Mas caso ocorresse uma surpresa por aqui e a estatueta fosse parar nas mãos de Danny Boye e Simon Beaufoy pelo difícil trabalho com 127 Hours, seria algo bastante justo também.

O meu favorito: The Social Network. Apesar dos pesares, de que o filme não é tão bom, perfeito como poderia, a verdade é que este é um grande roteiro. Um texto ousado, veloz, que amarra bem as histórias e segura a verborragia como algo interessante e convidativo. Sorkin merece levar.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Another Year, The Fighter, Inception, The Kids Are All Right, The King’s Speech.

Análise: Mais um exemplo de como Hollywood está atenta ao talento e aceita a diversidade. Na lista, alguns dos melhores filmes do ano. Ainda que, cá entre nós, eu preferia Black Swan no lugar de The Fighter ou mesmo de Inception. Mas ok, as indicações do Oscar nem sempre são perfeitas. Fiquei feliz pelo fato de The Kids Are All Right ter sido reconhecido, assim como fiquei curiosa para assistir a Another Year – afinal, a produção não teve mais nenhuma indicação a não ser esta. De qualquer forma, aqui a disputa está clara: entre The King’s Speech e Inception.

O franco favorito: The King’s Speech. O roteiro de David Seidler é maravilhoso. Cada linha foi bem escrita, a exemplo do texto de The Social Network. Se o Oscar for justo, estes dois filmes, considerados por muitos os melhores do ano passado, receberão as suas respectivas estatuetas por roteiros.

O meu favorito: The King’s Speech. Sem dúvidas. O filme é muito mais original do que Inception, por exemplo, e marca a obstinação de seu roteirista. Se ele não vencer, que pelo menos The Kids Are All Right surpreenda.

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The King’s Speech – O Discurso do Rei

Os bastidores de um dos discursos mais emocionantes e importantes da história. O que seria de um rei se ele fosse mudo? The King’s Speech conta a fascinante, surpreendente e interessante história da chegada do Rei George VI ao poder. Mais que isso, a sua luta em conseguir comunicar-se com as pessoas e, através de suas palavras, inspirar uma nação. Este é um destes filmes que surpreende pelo ineditismo da história, pela condução feita pelo diretor, pelas interpretações e pelo cuidado que todos os envolvidos na produção tiveram com os detalhes. Não por acaso o filme vem colecionando prêmios e é um dos grandes cotados para o Oscar deste ano. Ele enfrenta o até há pouco considerado imbatível The Social Network. Provavelmente ele continua sendo o Davi da história. Mas quem sabe, mais uma vez, o mais forte da história não poderá sair perdendo para o mais fraco? Ainda que, cá entre nós, The King’s Speech ter a força da Weinstein Company como distribuidora do filme nos Estados Unidos não o transforma, exatamente, em um concorrente fraco. Pelo contrário.

A HISTÓRIA: Começa em 1925, quando o Rei George V era responsável por um território que equivalia a um quarto do mundo. Naquele ano, o Rei pediu a seu segundo filho, o Duque de York, para que ele fizesse o discurso de encerramento da tradicional Exibição do Império, em Wembley, Londres. Equipamentos à postos, uma multidão à espera do discurso, e o Duque de York (Colin Firth) repassa, silenciosamente, as palavras que deverá falar para este grande público em seguida. Ao seu lado, Elizabeth (Helena Bonham Carter) tenta acalmar o marido. Após uma extensa preparação do locutor, o Duque aparece em cena e, gaguejando, consegue falar apenas algumas palavras. O desastre comprova o que todos já sabiam: um dos herdeiros do Rei não consegue comunicar-se com as pessoas fora do ambiente privado e familiar. Cansado de procurar soluções para o seu problema, o Duque de York ordena que a mulher pare de buscar alternativas. Mas ela encontra uma pessoa que poderá ajudá-lo: Lionel Logue (Geoffrey Rush), um civil com um método nada ortodoxo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a The King’s Speech): Poucas vezes a intimidade de um rei e de sua família foi tão maravilhosamente desnudada quanto nesta produção. O Rei não está morto, viva o Rei! Mas o que acontece com o seu substituto, quando ele não consegue comunicar-se com as pessoas de forma adequada? O discurso pausado do Rei George VI, o primeiro depois que a Inglaterra entrou em guerra contra a Alemanha, parecia ser justificado pela gravidade daquele momento. Mas não. The King’s Speech revela os bastidores daquele discurso e, principalmente, desnuda a intimidade da realeza inglesa antes daquele episódio.

O primeiro grande acerto do diretor Tom Hooper foi o de buscar os ângulos mais sugestivos para cada cena. Assim como Orson Welles ensinou no clássico dos clássicos Citizen Kane, Hooper utiliza a câmera para mostrar profundidade de sentimentos, isolamento do personagem principal, seus sentimentos de pequenez e mesmo a “plasticidade” de momentos um tanto hilários como os preparativos de um discurso. Hooper acerta na técnica, transformando um filme que poderia ter uma narrativa simples, linear, em um apanhado de cenas bem estruturadas e planejadas para despertar nos espectadores o devido sentimento de compaixão com o protagonista.

Se o diretor acerta na escolha de cada cena, sempre privilegiando o desempenho do elenco e os detalhes de suas interpretações, o que dizer do roteiro de David Seidler? Simplesmente brilhante. O autor consegue, com precisão, equilibrar o drama com o humor, com uma certa carga de suspense e de intriga na história. Os bastidores da realeza são desnudados com precisão e talento. Mas mais que isso, Seidler consegue tornar todos os personagens reais. Ou, em outras palavras, traça as suas personalidades como são as personalidade de todas as pessoas: ambíguas, incertas, capazes de gestos de nobreza, de egoísmo, de dúvida e de coragem.

O protagonista desta história, interpretado de maneira soberba por Colin Firth, claramente não sabe o seu “papel no mundo”. Ele parece estar em permanente dúvida ou conflito com duas de suas facetas: do garoto que sempre foi desprezado e caçoado pela gagueira na própria família, carente de afeto e alvo de maus tratos de pessoas subalternas; e do homem que sabe de seu potencial, conhece a responsabilidade de um líder e sabe que é a melhor opção da família na sucessão do patriarca. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Especialmente interessante como Lionel Logue e nós, espectadores desta história, percebemos esta dualidade do personagem principal e, mais que isso, por trás do temor do protagonista em falhar, percebemos uma convicção e ambição inconfundíveis. Firth é brilhante em mostrar fragilidade e firmeza ao mesmo tempo, assim como o roteirista em escrever as suas linhas com precisão – nada sobra nesta história.

Algo fundamental no cinema é a criação de uma aura de empatia entre o espectador e o personagem que se vê na tela. Em alguns casos, esta empatia não é criada em relação ao protagonista. Mas no caso deste filme, ainda que outros personagens também possam despertar este sentimento, sem dúvida o foco está no personagem de Colin Firth. Ele é o centro da história. Tanto que a câmera está preocupada, a todo momento, em narrar os acontecimentos por sua ótica – ou, quando isso não é possível, ela se ocupa em registrar os detalhes de seus gestos e reações.

Além de um roteiro equilibrado e inteligente, The King’s Speech consegue, como poucos filmes anteriores conseguiram, nos transportar para o ambiente anterior à Segunda Guerra Mundial com naturalidade. Há cenas que mostram as ruas de Londres, alguns costumes daquela época – perto ou longe da realeza. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Há momentos de humor simples e outros de fina ironia. Como quando o Duque de York assiste a um pequeno trecho do discurso de Hitler e percebe que a comunicação é um elemento fundamental para qualquer governo, atividade profissional ou sociedade. E ele, justamente ele, um dos grandes contrapontos à loucura de Hitler, com aquela dificuldade gigante em conseguir falar para o público.

Além de desnudar as relações conflituosas da família real inglesa, The King’s Speech trata de um tema fundamental: a comunicação como elemento fundamental para as sociedades – especialmente as modernas. Mais do que nunca, citando o Chacrinha, quem não se comunica, se estrumbica. E houve momentos na história – e ainda os há – em que isto foi e é especialmente verdadeiro. Aqui temos a narrativa curiosa e saborosa de um destes momentos. Um grande filme, pelo conjunto da obra e pelo diferencial de alguns aspectos, como as interpretações fantásticas do trio de atores principal, a trilha sonora saborosa, a direção mais que precisa e sugestiva e um roteiro que insere novos elementos em um gênero já conhecido. E depois dizem que não é mais possível criar, apenas copiar, na arte. Aqui, mais um exemplo de que é possível sim trazer novidades para terrenos já conhecidos.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eis aqui mais um exemplo de como um grande filme não precisa custar uma barbaridade. Mesmo com todo o cuidado com vestuário, cenários, objetos, carros e demais elementos utilizados para transportar o espectador para as duas e três primeiras décadas do século passado, The King’s Speech custou aproximadamente US$ 15 milhões. Pouco, comparado com outros filmes produzidos no ano passado – alguns deles concorrentes desta produção no Oscar. Com o burburinho causado pelas 12 indicações do filme para o Oscar e com os elogios e prêmios que ele vinha recebendo antes destas indicações, The King’s Speech está acumulando lucro. Até o dia 30 de janeiro ele havia alcançado pouco mais de US$ 72,1 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. Desde já, um sucesso comercial.

Falando em premiações, até o momento, The King’s Speech ganhou 16 prêmios e recebeu outras 73 indicações. Um numero impressionante, devo dizer. Além disso, esta foi a produção que mais recebeu indicações no Oscar. Dos 16 prêmios que recebeu até o momento, 10 foram para o ator Colin Firth. Por isso mesmo ele é o grande favorito para receber o Oscar de Melhor Ator. Outros prêmios importantes conquistados pela produção foram o de Melhor Filme entregue pela Sociedade dos Críticos de Cinema de Phoenix; o de Melhor Ator Coadjuvante para Geoffrey Rush pela Associação de Críticos de Cinema de Central Ohio; e os de Melhor Filme Britânico Independente, Melhor Roteiro, Melhor Ator Coadjuvante (Rush) e Melhor Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter) no British Independent Film Awards. Entre os prêmios que recebeu, é importante citar, Colin Firth levou o Globo de Ouro como Melhor Ator – Drama.

The King’s Speech estrou no dia 6 de setembro no Festival de Cinema de Telluride. Depois, passou por outros oito festivais – nenhum de grande importância, com exceção dos festivais de Toronto e de Londres. A produção estreou no circuito comercial dos Estados Unidos apenas no final de dezembro.

Além dos atores principais já citados, todos perfeitos em suas interpretações, vale a pena mencionar o trabalho de Derek Jacobi como o Arcebispo Cosmo Lang; de Jennifer Ehle como a esposa de Lionel, Myrtle Logue; de Freya Wilson como a Princesa Elizabeth e de Ramona Marquez como a Princesa Margaret; de Michael Gambon como o Rei George V; de Guy Pearce como o Rei Edward VIII; de Claire Bloom como a Rainha Mary; e de Timothy Spall como Winston Churchill.

Na parte técnica, além da direção impecável de Tom Hooper, me impressionou a trilha sonora de Alexandre Desplat. Nem muito rebuscada, nem muito ousada. Apenas, precisa. E envolvente. Depois, a direção de fotografia ajustada de Danny Cohen. E, claro, por ser um filme de época, todos os elementos que compõe uma produção assim ajustados e funcionando em sincronia, do figurino de Jenny Beavan até o design de produção de Eve Stewart, a direção de arte de Netty Chapman e decoração de set de Judy Farr.

Uma curiosidade sobre a produção: o ator Derek Jacobi interpretou, em 1976, um governante com problemas na fala na minissérie I, Claudius. Ele também interpretou a Alan Turing, um homem que era gago e que teve um papel importante pelo lado dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial em uma peça da Broadway e em um filme.

Outro dado interessante: o roteirista, David Seidler, sofreu por ser gago quando era criança. Adulto, ao ouvir o discurso em tom “infantil” do Rei George VI, ele percebeu que aquele era um efeito da fala de um homem gago. Seidler então escreveu para a Rainha pedindo permissão para escrever um roteiro sobre a história do Rei. A Rainha pediu que ele não fizesse isso enquanto ela estivesse viva, porque as memórias que ele citaria ainda eram muito dolorosas. Ele respeito este pedido.

Em várias ocasiões, durante a história, Lionel proíbe o Rei de fumar. De fato, naquela época, o consumo de cigarro foi às alturas como “solução” para o estresse dos tempos pós e pré-guerra. Mesmo com todos os alertas, o Rei George VI continuo fumando e morreu, vítima de um câncer de pulmão, em fevereiro de 1952. Sua filha, Elizabeth II, só assumiria o poder no ano seguinte.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,5 para The King’s Speech. Uma nota boa, para a média do site, mas ainda um pouco baixa para o meu gosto. Os críticos que tem seus textos linkados no site Rotten Tomatoes foram mais generosos: dedicaram 178 críticas positivas e apenas nove negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 95% dos críticos e uma nota média de 8,6.

Agora, minha opinião sobre o elenco: ainda que todos estejam muito bem, Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter lembram a eles mesmos em outras interpretações ou, o que é o mesmo, eles parecem continuar interpretando alguns de seus personagens anteriores. Mas isso não acontece com Colin Firth. Ele consegue aqui um desempenho inédito, diferenciado. Por isso mesmo merece os prêmios que tem recebido e, caso eu votasse, teria o meu voto no Oscar. 🙂

Hoje, com mais tempo, fui colocar os links nos nomes que aparecem nesta crítica e fui me informar um pouco mais sobre o Rei George VI e os burburinhos e comentários sobre o filme. Encontrei neste link, com matéria da BBC, um interessante relato sobre o dia da morte do Rei, em 1952, que deixou todo o Reino Unido chocado. Bastante interessante.

Encontrei também uma matéria que dizia que a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, teria assistido ao filme e gostado do retrato que foi feito de seu pai. Ela teria classificado a história como “muito próxima da realidade” e se divertido com as cenas mais descontraídas. A Rainha teria achado o filme “tocante e agradável”.

Nesta matéria da Veja, uma campanha nos bastidores do Oscar que poderá selar o fracasso do filme na disputa. Estaria circulando um e-mail entre os votantes da Academia que ressalta os documentos e os rumores de que George VI e seu irmão, Edward VIII, seriam antisemitas e, até um certo ponto, simpatizantes de Hitler. Se estes argumentos pegarem, em um ambiente em que existem muitos judeus, certamente o filme será prejudicado.

CONCLUSÃO: Emoção, disputas, formalidades, quebra de decoro, bastidores do poder. The King’s Speech nos transporta para a Inglaterra nos anos que precederam a Segunda Guerra Mundial para desvelar parte da intimidade da família real inglesa e para nos fazer refletir sobre o poder e a importância da comunicação. Equilibrando drama, comédia, grandes interpretações, um roteiro e uma direção que trabalham em permanente busca pelo caráter humano e simbólico dos fatos, The King’s Speech serve de exemplo de como o cinema está sempre em um processo de reinvenção. Utilizando cuidados estéticos conhecidos desde o clássico Citizen Kane, mas com o cuidado de popularizar a história ao despertar a empatia do espectador com a vida do protagonista, este filme cumpre o seu papel com esmero. Desvela os problemas e disputas de uma família tradicional e poderosa, tornando claros os bastidores do poder e o papel figurativo que compete aos reis a partir do século 20. Ainda assim, mesmo sem poder de decisão, estes personagens reais inspiram os seus povos e criam fascínio pelo mundo. Neste filme, ganhamos uma lupa para acompanhar, em detalhes, as fraquezas, a coragem e a bravura de alguns de seus integrantes. Um filme saboroso e bem acabado em cada elemento. Merecedor dos prêmios e indicações que tem recebido. Sim, o Rei está nu. E a desmistificação dele é o que torna esta produção tão interessante.

PALPITE PARA O OSCAR 2011: A mais badalada e principal premiação de Hollywood leva em conta a qualidade e os méritos dos nomes que estão disputando suas estatuetas. Mas, como ocorre sempre com uma premiação da indústria, conta muito para o resultado o bom e velho lobby. Nem sempre, com isso, ganha o melhor. Mas, tenham certeza, também não vence o pior.

Não deixa de ser bastante sugestivo e significativo o fato de The King’s Speech liderar a lista de filmes que disputam o Oscar deste ano com 12 indicações. Tenham certeza que ele chegou a este número, na frente dos rivais True Grit, The Social Network e Inception, por seus méritos e por uma bela campanha de “conquista dos jurados” feita pela experiente Weinstein Company.

Francamente, difícil calcular as chances reais desta produção. Ela pode surpreender ganhando como Melhor Filme de The Social Network. Teremos indicações se isso vai acontecer ou não conforme a produção for ganhando nas categorias “secundárias”. De qualquer forma, um Oscar é praticamente certo: o de Melhor Ator para Colin Firth. Este ano, será quase inevitável o ator sair da premiação com uma estatueta.

Além dele, vejo que a produção tem chances nas categorias principais, de Melhor Filme até Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Não vejo que os atores coadjuvantes, ainda que eles estejam ótimos, tenham muitas chances este ano – porque há concorrentes melhores na disputa. O filme poderia vencer ainda em categorias técnicas, como Melhor Trilha Sonora para Alexandre Desplat; Direção de Arte para Eve Stewart e Judy Farr e Melhor Figurino para Jenny Beavan.

Mas, como ocorreu em outras ocasiões, o filme mais indicado da noite pode sair da premiação com apenas uma ou duas estatuetas. Agora, eu apostaria apenas em Melhor Ator. Ainda que, como comentei há pouco, ele possa surpreender embolsando até sete prêmios. Logo mais, saberemos.