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13th – A 13ª Emenda

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Algumas pessoas não querem saber de política. Mas são decisões políticas, muitas vezes, que pioram significativamente a sociedade em que vivemos. 13th é um documentário corajoso e que tem um objetivo muito claro: demonstrar como a exploração dos negros nos Estados Unidos não parou de acontecer com o fim da escravidão. Você pode até discordar de um ou outro argumento apresentado no filme, mas algo é certo: o sistema pode sim segregar e tornar os conflitos na sociedade cada vez piores ao transformar o nosso entorno em um ambiente cada vez mais injusto. Bem construído, com uma proposta interessante, 13th é um dos grandes filmes desta temporada pré-Oscar.

A HISTÓRIA: Começa com estatísticas e uma animação que mostra como os Estados Unidos, com uma população que equivale a 5% da população mundial, tem nada menos que 25% dos presos do mundo. O comentarista político Van Jones reflete sobre isso, como um a cada quatro cidadãos do mundo estão presos na “terra da liberdade”. Em 1972, o país tinha 300 mil presos e, atualmente, tem cerca de 2,3 milhões, ou seja, os EUA têm a taxa de encarceramento do mundo.

A advogada dos direitos civis Michelle Alexander pondera que, agora, muitas pessoas no país querem reduzir o sistema carcerário, porque ele estaria muito caro e grande, mas ela afirma que estas pessoas que defendem a redução do sistema carcerário não falam sobre como o Estado deveria remediar o dano que foi feito. De acordo com a 13ª Emenda da Constituição Americana, ninguém pode ser escravo no país. Ou seja, todos são livres. Uma exceção à regra é se a pessoa é criminosa. Esta produção defende que justamente o adendo neste artigo da Constituição abriu o flanco para uma série de desvios de políticas públicas que seguiram perseguindo os negros no país.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a 13th): Você pode até discordar de algum argumento apresentado pelo filme de Ava DuVernay, mas algo não dá para negar: esta produção é muito bem construída, planejada e apresentada. Cada detalhe do filme é pensado com um propósito e ele atinge o seu propósito de provocar reflexão, debate e indignação – pelo menos na maioria das pessoas, aquelas que não tem, a priori, resistência a qualquer argumento que revele desigualdade no tratamento racial.

Sim, porque há pessoas que realmente negam o que acontece ao redor delas. Até dá para entender quando estas pessoas não vivem na realidade comum da maioria – há pessoas abastadas e que vivem em uma certa “redoma” de segurança, riqueza e miopia social. Para as demais pessoas, as que vivem batendo pé nas ruas, que conhecem a realidade como ela é, não chega realmente a ser uma surpresa saber mais sobre as chagas mal resolvidas até hoje do escravagismo norte-americano. Quer dizer, não é uma surpresa completa, mas nem por isso 13th não deixa de ser surpreendente.

De forma muito inteligente o roteiro da diretora Ava DuVernay e de Spencer Averick larga com dados impressionantes e com uma espécie de introdução dos argumentos de alguns dos mais interessantes entrevistados do filme. Como em qualquer série de TV que logo quer mostrar as suas credenciais, este filme produzido para a Netflix também apresenta nos primeiros minutos a linha dorsal de seu argumento e do seu questionamento. Logo entendemos a razão do título 13th.

Após uma introdução instigante, acompanhada de uma trilha sonora que, logo no início, vai se mostrando marcante, Ava DuVernay vai nos mostrando com diferentes recursos de que forma a imagem do negro foi construída e apresentada nos Estados Unidos. Ela retorna para as primeiras representações gráficas e as primeiras histórias que mostravam o negro como um estuprador e criminoso, quase “uma besta” que não se controlava e que queria atacar sempre os brancos, especialmente as mulheres, até chegar a um “clássico” nesta representação que foi o infame The Birth of a Nation, que no ano passado completou 100 anos e que marcou negativamente a trajetória do diretor D.W. Griffith.

Utilizando muito bem recursos gráficos, fotografias e vídeos e filmes antigos, Ava DuVernay vai narrando não apenas a representação dos negros/afro-americanos nas artes e no imaginário da população, mas também o que aconteceu com eles depois que a escravidão foi abolida. Como disse um entrevistado logo no início do filme, somos “produto de uma série de escolhas” ou de “não-escolhas” que nossos antepassados fizeram.

Por isso que eu sempre digo que é muito importante cada um de nós conhecer a nossa própria história, enquanto nação e enquanto civilização, até para sabermos como chegamos aqui e de que forma a sociedade ao nosso redor está constituída. Não dá para ignorar o passado, porque ele continua influenciando ou até mesmo ditando a nossa realidade no presente.

Ainda que a gente saiba um pouco sobre o que aconteceu nos Estados Unidos desde a abolição da escravatura, sem dúvida alguma 13th nos apresenta vários fatos novos. E com uma visão bem clara e crítica sobre como tudo aconteceu – com a vantagem do filme ser feito agora, com os direitos humanos muito mais desenvolvido do que há 10 ou 20 anos. De forma bem argumentativa e convincente, os roteiristas vão nos apresentando os fatos históricos intercalados pela análise crítica dos entrevistados e com uma boa escolha de trilha sonora que trata sobre o preconceito e o tratamento diferenciado que os negros tem nos Estados Unidos sob o critério do governo e da lei.

Algo que perpassa o filme do início ao fim é o interesse econômico que sempre evolveu a exploração dos afro-americanos nos Estados Unidos. A escravidão era um “grande negócio” e, depois que ela se tornou insustentável do ponto de vista humanitário e do bom senso, as classes dominantes do país arranjaram um outro jeito de “lucrar” com os ex-escravos. Utilizando a exceção prevista na 13ª Emenda da Constituição, passaram a prender os negros por quase qualquer motivo – incluindo “vagabundagem”, ou seja, alguém estar caminhando na rua sem estar “fazendo nada” – para então utilizar a mão de obra deles como presidiários para obras de infraestrutura no país.

Quando a população de ex-escravos e seus descendentes se espalhou pelo país, inclusive ocupando subúrbios de grandes cidades, a prisão teve que ser disseminada para estes centros urbanos também. Pouco a pouco as polícias começaram a fazer este trabalho, muitas vezes prendendo afro-americanos por praticamente razão alguma. Em paralelo, veio a segregação racial, a lei que literalmente dizia qual era o espaço dos brancos e qual era o espaço dos negros.

A resposta para isso foi a resistência de uma parte importante dos afro-americanos com, especialmente no final dos anos 1960, nomes como Martin Luther King, os Panteras Negras e tantos outros defendendo uma resistência a este absurdo da segregação legal após o fim da escravidão. Muitas pessoas, naquela época, foram consideradas “inimigos públicos” do país. Mas pouco a pouco mais gente se juntou a causa deles e os direitos humanos começaram a ganhar corpo no país.

Conforme este movimento, que pedia direitos iguais para todos, foi ganhando voz, a repressão teve que mudar o argumento. Sob a justificativa de combater a criminalidade crescente, as leis foram ficando cada vez mais severas mas, na prática, elas claramente seguiam perseguindo os afro-americanos e os latinos e deixando boa parte dos brancos de fora. Tanto isso é verdade que basta ver a proporção de negros e de brancos no sistema carcerário americano.

Mas isso não é tudo. Como bem mostra 13th e várias reportagens que mostraram recentes levantes populares nos Estados Unidos, um dos grandes problemas é quando policiais matam negros desarmados e sob argumentos suspeitos e questionáveis. A população afro-americana, juntamente com brancos, latinos e pessoas de outras origens que se revoltam contra injustiças, passou cada vez mais a se indignar com isso, com diferentes levantes e revoltas em momentos diferentes dos EUA desde os anos 1960 – e no ano passado e neste ano também.

Se a parte histórica de 13th pode não ser tão surpreendente para muitos, já que várias pessoas conhecem o que aconteceu no país em rápidas pinceladas e com os fatos principais desde o fim da escravidão, a parte em que o filme desvela os interesses econômicos por trás de tudo isso chama a atenção. Especialmente quando o filme trata da Alec (American Legislative Exchange Council) e das empresas que faziam parte da associação e que mexeram os pauzinhos para aprovar leis que fariam, no fim das contas, com que todos eles faturassem ainda mais dinheiro. Porque ninguém deve duvidar que o “combate ao crime” serve a alguns interesses bem específicos e enche os bolsos de várias pessoas.

Para mim, além de jogar os holofotes para estas questões, me chamou muito a atenção como 13th ajuda a explicar o impasse pelo qual os Estados Unidos está neste momento. Tanto Hilary Clinton quanto Donald Trump aparecem mais jovens com declarações absurdas contra afro-americanos e, mais que isso, ambos estão imersos em interesses econômicos que ganham muito dinheiro com o sistema carcerário inflado que o país tem atualmente, com 2,3 milhões de presos em 2014.

Mais que isso, todos sabemos, Donald Trump é uma figura muito ligada à indústria armamentista. Ele jamais vai concordar em uma saída mais humana para o problema, uma saída que esteja preocupada com as causas da violência e não apenas com a repressão que não resolve nada. Porque esta é a grande questão que 13th e outras obras levantam.

Se a sociedade tivesse na valorização da vida humana um elemento fundamental, estaríamos olhando para a desigualdade social, para a diferença de oportunidades e de condições adequadas para o desenvolvimento das pessoas e em formas de resolver isso mais do que em prender pessoas e, o que 13th mostra bem, segregá-las da sociedade para o resta da vida.

Um dos elementos fundamentais deste filme é mostrar não apenas a desigualdade de tratamento da polícia e da Justiça a respeito de brancos e negros, mas também como a minoria acaba sendo julgada. Esse é um dos fatos mais impressionantes que 13th nos apresenta. Diferente do que podemos imaginar no Brasil, onde as pessoas podem demorar para ser julgadas, mas costumam passar por um julgamento, nos Estados Unidos a maioria disparado é coagida a fazer um acordo com a promotoria e não ir para um julgamento. A alegação é que elas ficarão poucos anos presas se fizerem um acordo e, se não fizerem isso, serão condenadas por um período muito mais longo.

Além disso, diversos governos, inclusive e especialmente o do democrata Bill Clinton, foram endurecendo as leis que, no fim das contas, apenas aumentaram a discriminação e a segregação racial no país. Desta forma, ficou ainda mais claro para mim a razão pela qual muitas pessoas nos Estados Unidos estavam resistindo a votar em Hilary Clinton. Afinal, ela era “mais do mesmo” da política do marido dela. A alternativa para Hilary? Ainda pior. Ela se chamava Donald Trump.

Após assistir a 13th ficou ainda mais claro para mim que não é uma exclusividade do Brasil termos que votar no “menos pior”. Nestas últimas eleições os americanos tiveram que decidir entre o ruim e o péssimo. Complicado. No fim, além de apresentar argumentos muito convincentes sobre como um sistema pode funcionar não para promover a justiça e a igualdade, mas para garantir o oposto, incluindo governos, legisladores, sistema judicial e policial, 13th lança perguntas salutares sobre os passos seguintes que serão dados no país.

Como bem demonstra os roteiristas do filme e os seus entrevistados, quem está se forrando de dinheiro com o “combate” à criminalidade não vai perder o controle jamais. Conforme as pessoas vão resistindo e vão pedindo mudanças, estas corporações vão se adequando aos novos tempos e buscando novas formas de faturar muito dinheiro com a segregação racial e social.

Como a professora de Ciências Políticas da Universidade da Pensilvânia Marie Gottschalk argumenta em determinado momento do filme, o combate ao “inimigo” da sociedade pode estar migrando dos afro-americanos para os latinos e para os imigrantes de outras partes. Mas este combate vai seguir acontecendo porque ele traz lucro e “benefícios” para muita gente.

A grande questão é que deveríamos pensar em formas de incluir as pessoas e não excluí-las, maneiras de tornar as sociedades mais igualitárias de verdade e não fazer de conta que vivemos em países de oportunidades para todos. Não é assim nos Estados Unidos, 13th deixa claro, e não é assim no Brasil. Ou tomamos uma posição mais humanista e que exija mudanças para melhor a partir do sistema, incluindo leis mais adequadas e trabalhos da segurança pública da mesma forma, ou vamos cada vez mais ter conflitos sociais e problemas.

Chega de colocar o interesse econômico à frente dos direitos humanos. Esta talvez seja uma das grandes mensagens de 13th. Ainda que o filme, e de forma muito acertada, não termine com otimismo. Muito pelo contrário. Ele finaliza quase fazendo um alerta para o espectador de que o andar da carruagem está nos levando para um abismo. Documentário bem filmado, planejado e construído. Utiliza os recursos de forma adequada e tem uma direção de Ava DuVernay que explora ângulos diferentes dos entrevistados para tornar a estética da produção ainda mais interessante. 13th se destaca pelo conteúdo e também pelos detalhes, muito bem planejados e que funcionam bem para prender a atenção do espectador.

NOTA: 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Admito que não dei a nota 10 para este filme por muito pouco. Na verdade, apesar de ter achado a produção irretocável, eu só não dei a nota máxima porque achei que o filme não mexeu tanto comigo quanto poderia. Ou, em outras palavras, achei este filme marcante, elogiável, imperdível até, mas não o considerei inesquecível.

Eu não sou assinante da Netflix, mas admito que por produções como esta a empresa merece aplausos e ser cada vez mais disseminada. Produções independentes fazem falta e uma empresa como a Netflix pode consolidar-se cada vez mais por fazer apostas corajosas como esta. Neste sentido, desde já, estou um pouco na torcida para eles ganharem um Oscar, o que consagraria ainda mais a empresa e a sua proposta que foge do “mainstream” de Hollywood.

A exemplo do comentado aqui O.J.: Made in America, 13th estreou primeiro em um festival. No caso de 13th, foi no Festival de Cinema de Nova York, em setembro. Depois o filme estrearia no Festival de Cinema de Londres, no dia 6 de outubro, um dia antes dele ser lançado pela Netflix na internet. Ao ter sido lançado primeiro em festivais de cinema, 13th se credenciou para tentar uma vaga no Oscar 2017.

A exemplo de O.J.: Made in America, 13th também avançou da lista inicial de 145 filmes habilitados para concorrer na categoria Melhor Documentário do Oscar 2017 para figurar na lista de 15 filmes que seguem na disputa por uma das cinco vagas finais. Seria uma grande zebra se estes dois filmes não estiverem entre os cinco finalistas ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Agora, algumas curiosidades sobre 13th. O filme foi rodado na Estação West Oakland Amtrack, na cidade de Oakland, na Califórnia. Sem dúvida alguma uma locação interessante para as entrevistas.

Este é o 26º documentário produzido pela Netflix. Impressionante o que esta empresa já fez em termos de produções próprias. E, a cada ano, ela vem acumulando cada vez mais prêmios. O que mostra que boas ideias e serviços baseados na internet podem render dinheiro e, o mais importante, uma diversidade interessante de olhares sobre fatos importantes para as nossas sociedades.

Até o momento, 13th ganhou três prêmios e foi indicada a outros cinco. Os prêmios que o filme recebeu foram de Melhor Diretor TV/streaming para Ava DuVernay, Melhor Documentário TV/streaming e Melhor Documentário Policial no Critics Choise Documentary Awards. Vale lembrar que esta mesma premiação consagrou O.J.: Made in America. Possivelmente estas duas produções vão fazer a grande queda-de-braços no Oscar 2017. Veremos. Da minha parte, e falo mais sobre isso abaixo, gostei mais de 13th do que de O.J.: Made in America. Os dois filmes são importantes, mas achei 13th mais interessante, impactante e bem feito. Além disso, ele tem uma temática muito mais atual para os Estados Unidos e para o mundo do que o “sonho americano desfeito” de O.J. Simpson.

13th é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por causa disso o filme entra na lista de críticas que atendem a uma votação feita aqui no blog há muito tempo.

Quando coloquei a tag para a diretora Ava DuVernay eu percebi que esta não foi a primeira vez que escrevi um texto em que ela era citada. Olhando para a filmografia dela, que inclui 17 títulos entre curtas, filmes para a TV, documentários, séries para a TV e filmes para o cinema, percebi que eu já assisti a outra produção dirigida por ela: Selma (comentado por aqui).

Vale recordar que a produção, de 2014, acabou sendo indicada em duas categorias do Oscar 2015 e faturou a de Melhor Canção. Grande filme. como 13th, merece ser visto. Depois de 13th, Ava fez Battle of Versailles, um filme para a TV, e agora está filmando A Wrinkle in Time, uma aventura para os cinemas com Chris Pine e Reese Witherspoon, entre outros.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para esta produção, enquanto os críticos do Rotten Tomatoes dedicaram 55 críticas positivas e duas negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 96% e uma nota média de 8,9. Ainda que as avaliações nos dois sites sejam boas e acima da média de ambos, elas estão abaixo das notas e da aprovação de O.J.: Made in America. Sem dúvida o filme sobre o astro do futebol americano parece ter um fascínio maior para o público americano do que esta produção que coloca o dedo na ferida sobre o racismo e sobre o sistema injusto dos Estados Unidos.

CONCLUSÃO: Um filme forte, objetivo e com uma argumentação poderosa. Questionar um dos pilares da sociedade americana não é para poucos, e 13th faz isso ao argumentar que o país é tudo, menos a “terra da liberdade”. Interessante a forma com que a produção destrincha os interesses econômicos e corporativos por trás da lucrativa “indústria” das prisões nos EUA. Indústria esta que, como no Brasil, sabe segregar muito bem negros de brancos e pessoas com ou sem dinheiro. Forte, bem construído e utilizando recursos interessantes como a música nos lugares certos, sem dúvida alguma é uma das boas pedidas de documentários deste ano. Merece ser visto e ser debatido, inclusive para repensarmos o que estamos fazendo no Brasil e em outras partes em termos de “segurança pública”.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Eu realmente espero que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tenha coragem de colocar 13th como um de seus finalistas na categoria Melhor Documentário. O filme tem qualidades para chegar lá, não há dúvidas. Mas todos nós sabemos que Hollywood também é uma “instituição” política, de formação de opiniões e que manda mensagens muito claras não apenas para a sociedade americana, mas mundial. Assim sendo, terá que ter coragem para dar visibilidade para um filme que questiona muitos interesses nos Estados Unidos.

Depois de ter sido muito questionada em 2016 por não ter indicado a grandes atores negros para a premiação máxima do cinema de Hollywood, o que todos esperam é que as mudanças provocadas após a gritaria geral tenham efeitos no Oscar 2017. Uma forma de demonstrar isso seria indicando 13th entre os cinco melhores documentários do ano. Veremos. Da minha parte, ainda preciso assistir a outros concorrentes que estão na lista dos 15 pré-selecionados nesta categoria, mas o que já posso comentar é que gostei muito mais deste 13th do que de O.J.: Made in America, outro dos favoritos.

Ainda que seja bem feito e que agregue algumas informações em relação ao que já sabíamos sobre O.J. Simpson, O.J.: Made in America não tem o impacto que este 13th tem. Além disso, o filme de Ava DuVernay tem algumas “sacadas” mais interessantes e foge um pouco do óbvio, especialmente ao intercalar músicas de rap no meio da narrativa. Achei também o argumento do filme mais contundente e menos disperso do que o filme de O.J. Simpson.

Ainda preciso assistir aos demais para dizer se 13th é o melhor do gênero no ano, mas desde já posso dizer que estou torcendo por ele em um confronto direto com O.J.: Made in America. Também é possível afirmar, desde já, que seria muito bacana para a Academia não apenas colocar 13th como um de seus filmes indicados como Melhor Documentário, mas também dar uma estatueta dourada para ele. Quem sabe, assim, o filme teria um apelo mais forte no país – apesar de Donald Trump ter vencido como presidente nas últimas eleições? Seria importante para a sociedade americana debater francamente o tema da criminalidade e do sistema penitenciário do país. O Oscar pode dar uma forcinha neste sentido.

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Selma – Selma: Uma Luta pela Igualdade

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Filme necessário e um dos melhores de 2014. Ainda bem que ele pode ganhar um pouco de visibilidade com o Oscar 2015, ainda que seja um dos menos comentados e badalados da premiação este ano. Selma, que baita filme! Há tempos eu queria assistir a uma produção decente sobre Martin Luther King Jr. e este título, finalmente, cumpre este papel. Para você que quer ouvir discursos inspiradores, sentir uma luta legítima ser desenvolvida com vigor na sua frente, mesmo que em uma obra de cinema, esta é uma ótima oportunidade. Inspirador.

A HISTÓRIA: Martin Luther King Jr. (o ótimo David Oyelowo) se prepara para um discurso de agradecimento. Mas após algumas frases, ele diz para a mulher, Coretta Scott King (Carmen Ejogo) que aquilo não está certo. Ele não se sente bem com a roupa que está usando. Sua cabeça está em outro lugar, nos homens, mulheres, jovens e crianças ainda marginalizados por serem negros. Coretta olha para o marido, eles tem um momento de paz, antes de Luther King Jr. receber o Prêmio Nobel da Paz de 1964.

Em seu discurso, Luther King fala que aceita aquela honra em nome de todos que morreram por serem negros e pelos 20 milhões de homens e mulheres negras que lutam por sua dignidade. Enquanto o discurso dele é ouvido, vemos cenas de um grupo de meninas negras descendo a escadaria de uma Igreja. Este filme conta os bastidores da luta de Luther King e dos negros pelo direito de votar.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Selma): Ah, como faz toda a diferença do mundo um ótimo roteiro conduzindo a narrativa. Paul Webb faz um trabalho excepcional com o texto de Selma, sabendo ponderar diversos elementos narrativos nesta história, o que lhe garante ritmo, paixão e muitos elementos históricos.

Para começar, impossível fazer um filme decente sobre Martin Luther King Jr. sem utilizar os seus discursos inspirados. Provavelmente ele foi um dos grandes oradores de todos os tempos. E isso sem acrescentar o famoso e histórico discurso em Washington. Não. Este filme mostra os acontecimentos após a famosa Marcha sobre Washington, quando Luther King proferiu um dos discursos mais lembrados de todos os tempos, conhecido sob o título “Eu tenho um sonho” no dia 28 de agosto de 1963.

Inclusive, no início do filme, quando Luther King é agraciado com o Nobel da Paz, o orador que o apresenta lembra que aquele homem tinha um sonho. Pois bem, Selma fala de outro acontecimento marcante não apenas na vida deste homem genial por ter sido um ferrenho defensor dos direitos humanos, da paz e de igualdade racial. Esta produção aborda as marchas de Selma até Montgomery, cidades no Alabama, durante alguns meses de 1965.

O movimento com base em Selma foi fortemente reprimido pelas forças policiais sob o comando do governador George Wallace (Tim Roth). Houve muita pancadaria e mortes, tudo com cobertura da imprensa, inclusive das TVs. Aqueles eventos foram decisivos para que a opinião pública dos Estados Unidos mudasse e ficasse a favor, pelo menos em sua maioria, da igualdade dos direitos civis.

É emocionante acompanhar o movimento daquele grupo liderado por Luther King. Mas antes, vemos um exemplo prático, com a tentativa Annie Lee Cooper (Oprah Winfrey) em se registrar no cartório eleitoral para poder votar, sobre a problemática que precisava ser combatida. A lei, a Constituição dos Estados Unidos, previa o voto dos negros. Mas Estados como o do Alabama orientavam os responsáveis por fazer o registro dos votantes a não aceitar negros. Isso é mostrado sem firulas logo no início do filme.

Outro momento inteligente da produção, visto logo nos primeiros minutos, é mostrar o desconforto de Luther King em estar tão “alinhado” para receber o Nobel, em seguida ouvir parte do discurso dele enquanto acompanhamos um grupo de meninas inocentes caminhando para a morte em mais um atentado violento contra negros. Claramente o roteirista e a diretora Ava DuVernay quiseram mostrar que apesar do Nobel e dos discursos inspirados, nem Luther King conseguia frear desta forma a violência contra os seus irmãos.

Feita esta introdução, muito bem planejada, mergulhamos na tentativa de negociação de Luther King com o presidente Lyndon B. Johnson (Tom Wilkinson) para que a questão do voto fosse respeitada no país como política clara do Estado. No diálogo, Luther King não conseguiu nada, porque Johnson preferia adiar a decisão sem um prazo para resolver o assunto como forma de se preservar politicamente. Daí começa a ação, já que Luther King resolve reforçar em Selma o movimento que pedia igualdade nas urnas.

A partir daí, o filme não alivia. Ele mostra as articulações para a primeira manifestação em Selma e a forte repressão policial. As cenas de brutalidade policial são desconcertantes. Depois seguem outros atos e a primeira morte, do jovem Jimmie Lee Jackson (Keith Stanfield), morto friamente com um tiro por um policial após ele, a mãe, Viola Lee Jackson (Charity Jordan) e o avô, Cage Lee (Henry G. Sanders) serem perseguidos e covardemente agredidos.

As cenas são impactantes e muito bem filmadas por Ava DuVernay. O interessante do roteiro é que ele foca sempre Luther King, mostrando as reflexões dele, as angústias e a preocupação com as pessoas que poderiam se ferir. Para ajudar, há o texto fantástico e irretocável dos discursos dele, que motivaram as pessoas na época e dificilmente não mexem com quem assiste ao filme hoje em dia. Aliado a isso, ajuda na narrativa os registros feitos pelo FBI na época, quando Luther King e as demais pessoas ao redor dele eram monitoradas e vigiadas.

Os registros do FBI, em especial, dão um toque muito interessante para o filme. Revelam um hábito antigo daquele país de monitorar as pessoas que eles consideravam relevantes para o sistema, especialmente se apresentavam “algum risco”. Especialmente interessante, ainda na parte inicial do filme, um diálogo entre o presidente Lyndon B. Johnson e o chefe do FBI J. Edgar Hoover (Dylan Baker). Inicialmente Hoover sugere que o “problema” Luther King poderia ser resolvido facilmente dando um “fim” na ameaça.

Como Johnson resiste a ideia de eliminar Luther King, a sugestão seguinte de Hoover é de desestabilizar o líder negro ao dinamitar o casamento dele com Coretta que, segundo o FBI, já estaria balançado – e de fato estava. Apesar das ameaças que recebia e da ausência do marido, assim como o risco eminente de morte dele, Coretta se manteve firme ao lado de Luther King. Este apoio é bem mostrado e valorizado no filme.

Com bem explica este texto da Wikipédia, as marchas saindo de Selma foram três. Antes da primeira, houve aquela caminhada pelas ruas de Selma de noite e que acabou sendo conhecido como “domingo sangrento”. Foi quando ocorreu a morte de Jimmie Lee Jackson, em fevereiro de 1965.

A primeira marcha propriamente dita, como bem retrata o filme, ocorrida no início de março, não contou com Martin Luther King Jr. e terminou no confronto na ponte Edmund Pettus. As redes de TV transmitiram o ataque policial e lançaram um movimento de apoio a Marcha de Selma.

A segunda tentativa de fazer o mesmo trajeto teve um apelo muito maior, inclusive com apoio de muitos brancos. Pessoas de diversas parte do país, incluindo Luther King, viajaram até Selma para fazer o mesmo trajeto novamente. Nesta segunda tentativa, eles caminharam até parte do trajeto e retrocederam. No filme, está certo o retrato de muitas pessoas surpresas com a decisão. Mas o roteirista quis sugerir que Luther King deu a ordem para voltar porque teria tido uma “inspiração divina”. Ele até pode ter tido uma, mas ele também tinha uma razão prática.

Antes da marcha acontecer o juiz Frank Minis Johnson (Martin Sheen) havia proibido a manifestação pacífica antes que outras audiências sobre a causa fossem feitas. Luther King já havia avisado aos companheiros que o apoiavam de que eles iriam retroceder. Mas a grande massa realmente não sabia disso previamente, por isso muitos ficaram confusos e perdidos. Mas todos acabaram seguindo o líder Luther King.

Após aquele evento, contudo, quatro membros da Ku-Klux-Kland atacaram três ministros brancos que haviam ido até Selma para apoiar o movimento. Um deles, James Reeb (Jeremy Strong), foi o mais agredido e morreu. Claro que o filme encurta as duas mortes – nenhuma das vítimas morreu na hora, mas após serem atendidas nos hospitais. Essa informação, contudo, não faz falta para a narrativa.

O filme acerta ao mostrar como o presidente Lyndon Johnson chama o governador George Wallace para conversar, mas este se mostra irredutível e não aceita dar espaço para as manifestações e mudar as regras em seu Estado. Depois da morte do manifestante branco, a opinião pública cai de pau no assunto e Johnson de fato encaminha um projeto de lei no Congresso que, depois, se tornaria a Lei dos Direitos ao Voto.

Para fechar o resgate histórico, Luther King e diversas outras pessoas lideraram a terceira e última marcha de Selma até Montgomery, esta sim pacífica e que terminou com o discurso Stars from Freedom do líder negro. Linda toda a sequência final que, inclusive, resgatou cenas verídicas da época. Para finalizar, como é feito com muitos filmes baseados em fatos reais, ficamos sabendo sobre o que aconteceu com alguns dos principais personagens desta produção depois que o discurso de Luther King termina.

Haveria mais uma morte relacionada ao movimento, desta vez de uma mulher branca, e outros fatos ocorreriam na vida daquelas pessoas retratadas no filme. Luther King sobreviveu aos conflitos e à perseguição em Selma, mas ele seria morto, três anos depois, em Memphis. Este filme é uma homenagem muito justa a ele, um homem admirável.

Bem conduzido, bem escrito e com ótimos atores envolvidos no projeto – inclusive em papéis bem secundários -, Selma é um filme marcante e necessário, como comentei lá encima. Para mim, ele foi mais envolvente e impactante que o premiado 12 Years a Slave, que ganhou três Oscar’s, incluindo o de Melhor Filme, em 2014.

Verdade que 12 Years a Slave trazia uma história menos conhecida à tona mas, ainda assim, Selma me pareceu mais interessante especialmente pelos discursos de Luther King. Pena que dois anos seguidos de filmes sobre igualdade e justiça para os negros não emplaca na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Uma pena.

Mas antes de finalizar, queria citar uma parte que me tocou especialmente neste filme. Perto do final, e com a iminência de que Luther King poderia ser morto a qualquer momento – o que tornaria a situação ainda mais complicada -, o emissário do presidente dos Estados Unidos, John Doar (Alessandro Nivola), sugere para que o líder do movimento negro se preserve e não se exponha mais na última marcha.

Luther King, com uma lucidez absurda, comenta que ele não é diferente dos demais, que ele também quer viver muito e ser feliz. Ele diz que poderia se focar no que ele queria, mas que não faria isso porque ele deveria fazer o que Deus queria. Impressionante quando uma pessoa percebe que tem um propósito maior e que ela pode fazer a diferença, mesmo que isso significar a sua morte. Existe exemplo maior de bravura e de honra? Não foi daquela vez que ele morreu, mas ao seguir lutando pelos direitos das pessoas, mais tarde, o fim trágico chegaria.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Impressionante como todos os atores estão bem neste filme. O destaque, evidentemente, é o protagonista. David Oyelowo encarna Martin Luther King Jr. e passa muita emoção, seriedade e compromisso com a causa que o líder negro defendia. Ele emociona, juntamente com o roteiro perfeito de Paul Webb. A diretora Ava DuVernay acerta também na escolha de cada ângulo e das dinâmicas com os atores.

O elenco de Selma está recheado de presenças ilustres, inclusive e especialmente em papéis bem secundários. No elenco principal, dos atores que aparecem mais, há nomes menos conhecidos do grande público, como Carmen Ejogo como Coretta Scott King, mulher de Martin Luther King Jr.; André Holland como Andrew Young e Colman Domingo como Ralph Abernathy, os dois braços direitos do protagonista. Fazem parte do grupo que acompanha Luther King os atores Ruben Santiago-Hudson como Bayard Rustin; Omar J. Dorsey como James Orange; Common como James Bevel; E. Roger Mitchell como Frederick Reese; e Wendell Pierce como o reverendo Hosea Williams.

Entre os moradores de Selma que acabam sendo importantes para o movimento, inclusive por alguns se tornarem vítimas dos absurdos policiais, destaque para Keith Stanfield como Jimmie Lee Jackson; Henry G. Sanders como Cager Lee; Charity Jordan como Viola Lee Jackson; Stephan James como John Lewis e Trai Byers como James Forman, dois estudantes que lideram o movimento negro em Selma e que divergem em diversos pontos das ações nas cidades. Em uma ponta também merece menção Nigel Thatch como Malcolm X.

Comentado os nomes menos conhecidos, vamos aos famosos que entraram no filme para fazer papéis pequenos. Começo com Oprah Winfrey, também produtora do filme, como Annie Lee Cooper, que diversas vezes tinha tentado, em vão, fazer um registro como eleitora e que, no primeiro ato público em Selma, é agredida por policiais. Tom Wilkinson está ótimo como o presidente Lyndonn B. Johnson, assim como Tim Roth que, mesmo aparecendo menos que Wilkinson, tem pelo menos uma cena inesquecível de diálogo com o veterano ator inglês.

Giovanni Ribisi interpreta a Lee White, braço direito do presidente; Dylan Baker se sai bem em um papel pequeno como J. Edgar Hoover, do FBI; Jeremy Strong também faz uma boa participação como James Reeb, primeira vítima branca do movimento; Alessandro Nivola aparece para intermediar as negociações entre o presidente de Luther King; Cuba Gooding Jr. como Fred Gray; e Martin Sheen faz uma super ponta – inclusive não creditada – como o juiz Frank Johnson.

Da parte técnica do filme, destaque para a ótima direção de fotografia de Bradford Young; para a edição de Spencer Averick; para a direção de arte de Kim Jennings; para os figurinos de Ruth E. Carter; e para a trilha sonora, incluindo a excelente canção Glory, interpretada por John Legend e Common.

Selma estreou no Festival AFI em novembro de 2014. Em fevereiro ele está confirmado para o Festival Internacional de Cinema de Berlim. Até o momento, o filme ganhou 27 prêmios e foi indicado a outros 71, incluindo dois Oscar’s. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Canção para Glory, composta por John Legend e Common; e para o prêmio Freedom of Expression Award entregue pela National Board of Review.

Esta produção foi totalmente rodada nos Estados de Georgia e Alabama, nos Estados Unidos. Foram rodadas cenas em cidades como Selma, Montgomery, Marietta, Conyers e Atalanta.

Agora, a seção de curiosidades sobre esta produção. Antes de Ava DuVernay assumir o projeto, Lee Daniels estava escalado como diretor. David Oyelowo lutou durante sete anos para conseguir o papel principal, porque Daniels inicialmente achou que ele não seria o melhor nome para interpretar Luther King. Mas DuVernay apostou nele.

Tim Roth cresceu durante a era de luta dos direitos civis nos Estados Unidos. Ele disse que lembra do governador George Wallace, guardando na memória que ele ficava espantado com as besteiras que saia da boca do político, que ele considerava um “monstro” – e a quem, ironicamente, ele interpretaria agora.

Entre os diretores interessados no roteiro de Selma estavam Steven Spielberg, Stephen Frears, Paul Higgs, Spike Lee e Michael Mann, além do já citado Lee Daniels.

O esquecimento do Oscar de indicar Ava DuVernay como Melhor Diretora e David Oyelowo como Melhor Ator provocou protesto de cinéfilos e pessoas dos bastidores de Hollywood. Os esquecimentos foram creditados à falta de diversidade racial em Hollywood e ao fato do estúdio Paramount não ter conseguido enviar cópias do filme a tempo para todos os membros da Academia conferirem o filme.

Ainda que não tenha recebido o crédito como coautora do roteiro, a diretora Ava DuVerney afirmou que fez alterações em 90% do texto de Paul Webb, incluindo ter dado uma nova versão para os discursos de Luther King – isso foi necessário porque outro estúdio tem os direitos dos originais.

Selma teria custado cerca de US$ 20 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 39,5 milhões. Ainda falta muito para ele começar a dar lucro.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para Selma. Uma avaliação boa mas que, na minha opinião, poderia ter sido melhor. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 157 críticas positivas e apenas duas negativas para a produção, o que lhe garante aprovação de 99% e uma nota média de 8,7.

Selma é uma coprodução dos Estados Unidos com o Reino Unido.

CONCLUSÃO: Um dos homens mais fantásticos de todos os tempos, Martin Luther King, em um momento decisivo não apenas de sua trajetória mas, e principalmente, dos Estados Unidos. Se em Lincoln assistimos a um homem corajoso mudando parte da história, aqui vemos a outro liderando um movimento fundamental para consolidar aquela mudança. Interessante assistir a Selma em 2015, ano em que um negro segue como presidente dos Estados Unidos e batalha para tornar aquele país ainda mais justo. Filme envolvente do início ao fim, com um ótimo roteiro, direção e um ator liderando todo o processo para quem precisamos tirar o chapéu. Vale muito o ingresso.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Indicado apenas em duas categorias, sendo apenas uma realmente relevante, infelizmente as chances de Selma são praticamente zero no Oscar. Quer dizer, ela pode até levar em Melhor Canção. Mas quem realmente se importa com esta categoria? As pessoas que vencem, evidentemente, e quem tem o nome lembrado em uma indicação. Mas é só.

Selma também concorre como Melhor Filme. Mas por ele ter sido indicado apenas a esta categoria e a Melhor Canção, chances zero para o filme. Uma pena. Acho que ele deveria estar competindo lado a lado com Boyhood e The Imitation Game. Para mim, os melhores filmes da lista até o momento.

Da minha parte, meu voto ficaria ainda para Boyhood, mas Selma seria a minha segunda escolha. E não ficaria chateada se ele ganhasse. Depois viria The Imitation Game. E todos os demais… bem, acho inferiores. Assim de simples. Só falta Whiplash para fechar esta minha avaliação. Veremos se ele muda algo. 🙂

Mas para resumir a avaliação sobre Selma, infelizmente o filme corre totalmente por fora. Acho que ele deveria ter sido lembrado em pelo menos outras duas categorias: Melhor Roteiro Original e Melhor Ator para o brilhante David Oyelowo. Não foi desta vez. Lástima.