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Selma – Selma: Uma Luta pela Igualdade

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Filme necessário e um dos melhores de 2014. Ainda bem que ele pode ganhar um pouco de visibilidade com o Oscar 2015, ainda que seja um dos menos comentados e badalados da premiação este ano. Selma, que baita filme! Há tempos eu queria assistir a uma produção decente sobre Martin Luther King Jr. e este título, finalmente, cumpre este papel. Para você que quer ouvir discursos inspiradores, sentir uma luta legítima ser desenvolvida com vigor na sua frente, mesmo que em uma obra de cinema, esta é uma ótima oportunidade. Inspirador.

A HISTÓRIA: Martin Luther King Jr. (o ótimo David Oyelowo) se prepara para um discurso de agradecimento. Mas após algumas frases, ele diz para a mulher, Coretta Scott King (Carmen Ejogo) que aquilo não está certo. Ele não se sente bem com a roupa que está usando. Sua cabeça está em outro lugar, nos homens, mulheres, jovens e crianças ainda marginalizados por serem negros. Coretta olha para o marido, eles tem um momento de paz, antes de Luther King Jr. receber o Prêmio Nobel da Paz de 1964.

Em seu discurso, Luther King fala que aceita aquela honra em nome de todos que morreram por serem negros e pelos 20 milhões de homens e mulheres negras que lutam por sua dignidade. Enquanto o discurso dele é ouvido, vemos cenas de um grupo de meninas negras descendo a escadaria de uma Igreja. Este filme conta os bastidores da luta de Luther King e dos negros pelo direito de votar.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Selma): Ah, como faz toda a diferença do mundo um ótimo roteiro conduzindo a narrativa. Paul Webb faz um trabalho excepcional com o texto de Selma, sabendo ponderar diversos elementos narrativos nesta história, o que lhe garante ritmo, paixão e muitos elementos históricos.

Para começar, impossível fazer um filme decente sobre Martin Luther King Jr. sem utilizar os seus discursos inspirados. Provavelmente ele foi um dos grandes oradores de todos os tempos. E isso sem acrescentar o famoso e histórico discurso em Washington. Não. Este filme mostra os acontecimentos após a famosa Marcha sobre Washington, quando Luther King proferiu um dos discursos mais lembrados de todos os tempos, conhecido sob o título “Eu tenho um sonho” no dia 28 de agosto de 1963.

Inclusive, no início do filme, quando Luther King é agraciado com o Nobel da Paz, o orador que o apresenta lembra que aquele homem tinha um sonho. Pois bem, Selma fala de outro acontecimento marcante não apenas na vida deste homem genial por ter sido um ferrenho defensor dos direitos humanos, da paz e de igualdade racial. Esta produção aborda as marchas de Selma até Montgomery, cidades no Alabama, durante alguns meses de 1965.

O movimento com base em Selma foi fortemente reprimido pelas forças policiais sob o comando do governador George Wallace (Tim Roth). Houve muita pancadaria e mortes, tudo com cobertura da imprensa, inclusive das TVs. Aqueles eventos foram decisivos para que a opinião pública dos Estados Unidos mudasse e ficasse a favor, pelo menos em sua maioria, da igualdade dos direitos civis.

É emocionante acompanhar o movimento daquele grupo liderado por Luther King. Mas antes, vemos um exemplo prático, com a tentativa Annie Lee Cooper (Oprah Winfrey) em se registrar no cartório eleitoral para poder votar, sobre a problemática que precisava ser combatida. A lei, a Constituição dos Estados Unidos, previa o voto dos negros. Mas Estados como o do Alabama orientavam os responsáveis por fazer o registro dos votantes a não aceitar negros. Isso é mostrado sem firulas logo no início do filme.

Outro momento inteligente da produção, visto logo nos primeiros minutos, é mostrar o desconforto de Luther King em estar tão “alinhado” para receber o Nobel, em seguida ouvir parte do discurso dele enquanto acompanhamos um grupo de meninas inocentes caminhando para a morte em mais um atentado violento contra negros. Claramente o roteirista e a diretora Ava DuVernay quiseram mostrar que apesar do Nobel e dos discursos inspirados, nem Luther King conseguia frear desta forma a violência contra os seus irmãos.

Feita esta introdução, muito bem planejada, mergulhamos na tentativa de negociação de Luther King com o presidente Lyndon B. Johnson (Tom Wilkinson) para que a questão do voto fosse respeitada no país como política clara do Estado. No diálogo, Luther King não conseguiu nada, porque Johnson preferia adiar a decisão sem um prazo para resolver o assunto como forma de se preservar politicamente. Daí começa a ação, já que Luther King resolve reforçar em Selma o movimento que pedia igualdade nas urnas.

A partir daí, o filme não alivia. Ele mostra as articulações para a primeira manifestação em Selma e a forte repressão policial. As cenas de brutalidade policial são desconcertantes. Depois seguem outros atos e a primeira morte, do jovem Jimmie Lee Jackson (Keith Stanfield), morto friamente com um tiro por um policial após ele, a mãe, Viola Lee Jackson (Charity Jordan) e o avô, Cage Lee (Henry G. Sanders) serem perseguidos e covardemente agredidos.

As cenas são impactantes e muito bem filmadas por Ava DuVernay. O interessante do roteiro é que ele foca sempre Luther King, mostrando as reflexões dele, as angústias e a preocupação com as pessoas que poderiam se ferir. Para ajudar, há o texto fantástico e irretocável dos discursos dele, que motivaram as pessoas na época e dificilmente não mexem com quem assiste ao filme hoje em dia. Aliado a isso, ajuda na narrativa os registros feitos pelo FBI na época, quando Luther King e as demais pessoas ao redor dele eram monitoradas e vigiadas.

Os registros do FBI, em especial, dão um toque muito interessante para o filme. Revelam um hábito antigo daquele país de monitorar as pessoas que eles consideravam relevantes para o sistema, especialmente se apresentavam “algum risco”. Especialmente interessante, ainda na parte inicial do filme, um diálogo entre o presidente Lyndon B. Johnson e o chefe do FBI J. Edgar Hoover (Dylan Baker). Inicialmente Hoover sugere que o “problema” Luther King poderia ser resolvido facilmente dando um “fim” na ameaça.

Como Johnson resiste a ideia de eliminar Luther King, a sugestão seguinte de Hoover é de desestabilizar o líder negro ao dinamitar o casamento dele com Coretta que, segundo o FBI, já estaria balançado – e de fato estava. Apesar das ameaças que recebia e da ausência do marido, assim como o risco eminente de morte dele, Coretta se manteve firme ao lado de Luther King. Este apoio é bem mostrado e valorizado no filme.

Com bem explica este texto da Wikipédia, as marchas saindo de Selma foram três. Antes da primeira, houve aquela caminhada pelas ruas de Selma de noite e que acabou sendo conhecido como “domingo sangrento”. Foi quando ocorreu a morte de Jimmie Lee Jackson, em fevereiro de 1965.

A primeira marcha propriamente dita, como bem retrata o filme, ocorrida no início de março, não contou com Martin Luther King Jr. e terminou no confronto na ponte Edmund Pettus. As redes de TV transmitiram o ataque policial e lançaram um movimento de apoio a Marcha de Selma.

A segunda tentativa de fazer o mesmo trajeto teve um apelo muito maior, inclusive com apoio de muitos brancos. Pessoas de diversas parte do país, incluindo Luther King, viajaram até Selma para fazer o mesmo trajeto novamente. Nesta segunda tentativa, eles caminharam até parte do trajeto e retrocederam. No filme, está certo o retrato de muitas pessoas surpresas com a decisão. Mas o roteirista quis sugerir que Luther King deu a ordem para voltar porque teria tido uma “inspiração divina”. Ele até pode ter tido uma, mas ele também tinha uma razão prática.

Antes da marcha acontecer o juiz Frank Minis Johnson (Martin Sheen) havia proibido a manifestação pacífica antes que outras audiências sobre a causa fossem feitas. Luther King já havia avisado aos companheiros que o apoiavam de que eles iriam retroceder. Mas a grande massa realmente não sabia disso previamente, por isso muitos ficaram confusos e perdidos. Mas todos acabaram seguindo o líder Luther King.

Após aquele evento, contudo, quatro membros da Ku-Klux-Kland atacaram três ministros brancos que haviam ido até Selma para apoiar o movimento. Um deles, James Reeb (Jeremy Strong), foi o mais agredido e morreu. Claro que o filme encurta as duas mortes – nenhuma das vítimas morreu na hora, mas após serem atendidas nos hospitais. Essa informação, contudo, não faz falta para a narrativa.

O filme acerta ao mostrar como o presidente Lyndon Johnson chama o governador George Wallace para conversar, mas este se mostra irredutível e não aceita dar espaço para as manifestações e mudar as regras em seu Estado. Depois da morte do manifestante branco, a opinião pública cai de pau no assunto e Johnson de fato encaminha um projeto de lei no Congresso que, depois, se tornaria a Lei dos Direitos ao Voto.

Para fechar o resgate histórico, Luther King e diversas outras pessoas lideraram a terceira e última marcha de Selma até Montgomery, esta sim pacífica e que terminou com o discurso Stars from Freedom do líder negro. Linda toda a sequência final que, inclusive, resgatou cenas verídicas da época. Para finalizar, como é feito com muitos filmes baseados em fatos reais, ficamos sabendo sobre o que aconteceu com alguns dos principais personagens desta produção depois que o discurso de Luther King termina.

Haveria mais uma morte relacionada ao movimento, desta vez de uma mulher branca, e outros fatos ocorreriam na vida daquelas pessoas retratadas no filme. Luther King sobreviveu aos conflitos e à perseguição em Selma, mas ele seria morto, três anos depois, em Memphis. Este filme é uma homenagem muito justa a ele, um homem admirável.

Bem conduzido, bem escrito e com ótimos atores envolvidos no projeto – inclusive em papéis bem secundários -, Selma é um filme marcante e necessário, como comentei lá encima. Para mim, ele foi mais envolvente e impactante que o premiado 12 Years a Slave, que ganhou três Oscar’s, incluindo o de Melhor Filme, em 2014.

Verdade que 12 Years a Slave trazia uma história menos conhecida à tona mas, ainda assim, Selma me pareceu mais interessante especialmente pelos discursos de Luther King. Pena que dois anos seguidos de filmes sobre igualdade e justiça para os negros não emplaca na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Uma pena.

Mas antes de finalizar, queria citar uma parte que me tocou especialmente neste filme. Perto do final, e com a iminência de que Luther King poderia ser morto a qualquer momento – o que tornaria a situação ainda mais complicada -, o emissário do presidente dos Estados Unidos, John Doar (Alessandro Nivola), sugere para que o líder do movimento negro se preserve e não se exponha mais na última marcha.

Luther King, com uma lucidez absurda, comenta que ele não é diferente dos demais, que ele também quer viver muito e ser feliz. Ele diz que poderia se focar no que ele queria, mas que não faria isso porque ele deveria fazer o que Deus queria. Impressionante quando uma pessoa percebe que tem um propósito maior e que ela pode fazer a diferença, mesmo que isso significar a sua morte. Existe exemplo maior de bravura e de honra? Não foi daquela vez que ele morreu, mas ao seguir lutando pelos direitos das pessoas, mais tarde, o fim trágico chegaria.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Impressionante como todos os atores estão bem neste filme. O destaque, evidentemente, é o protagonista. David Oyelowo encarna Martin Luther King Jr. e passa muita emoção, seriedade e compromisso com a causa que o líder negro defendia. Ele emociona, juntamente com o roteiro perfeito de Paul Webb. A diretora Ava DuVernay acerta também na escolha de cada ângulo e das dinâmicas com os atores.

O elenco de Selma está recheado de presenças ilustres, inclusive e especialmente em papéis bem secundários. No elenco principal, dos atores que aparecem mais, há nomes menos conhecidos do grande público, como Carmen Ejogo como Coretta Scott King, mulher de Martin Luther King Jr.; André Holland como Andrew Young e Colman Domingo como Ralph Abernathy, os dois braços direitos do protagonista. Fazem parte do grupo que acompanha Luther King os atores Ruben Santiago-Hudson como Bayard Rustin; Omar J. Dorsey como James Orange; Common como James Bevel; E. Roger Mitchell como Frederick Reese; e Wendell Pierce como o reverendo Hosea Williams.

Entre os moradores de Selma que acabam sendo importantes para o movimento, inclusive por alguns se tornarem vítimas dos absurdos policiais, destaque para Keith Stanfield como Jimmie Lee Jackson; Henry G. Sanders como Cager Lee; Charity Jordan como Viola Lee Jackson; Stephan James como John Lewis e Trai Byers como James Forman, dois estudantes que lideram o movimento negro em Selma e que divergem em diversos pontos das ações nas cidades. Em uma ponta também merece menção Nigel Thatch como Malcolm X.

Comentado os nomes menos conhecidos, vamos aos famosos que entraram no filme para fazer papéis pequenos. Começo com Oprah Winfrey, também produtora do filme, como Annie Lee Cooper, que diversas vezes tinha tentado, em vão, fazer um registro como eleitora e que, no primeiro ato público em Selma, é agredida por policiais. Tom Wilkinson está ótimo como o presidente Lyndonn B. Johnson, assim como Tim Roth que, mesmo aparecendo menos que Wilkinson, tem pelo menos uma cena inesquecível de diálogo com o veterano ator inglês.

Giovanni Ribisi interpreta a Lee White, braço direito do presidente; Dylan Baker se sai bem em um papel pequeno como J. Edgar Hoover, do FBI; Jeremy Strong também faz uma boa participação como James Reeb, primeira vítima branca do movimento; Alessandro Nivola aparece para intermediar as negociações entre o presidente de Luther King; Cuba Gooding Jr. como Fred Gray; e Martin Sheen faz uma super ponta – inclusive não creditada – como o juiz Frank Johnson.

Da parte técnica do filme, destaque para a ótima direção de fotografia de Bradford Young; para a edição de Spencer Averick; para a direção de arte de Kim Jennings; para os figurinos de Ruth E. Carter; e para a trilha sonora, incluindo a excelente canção Glory, interpretada por John Legend e Common.

Selma estreou no Festival AFI em novembro de 2014. Em fevereiro ele está confirmado para o Festival Internacional de Cinema de Berlim. Até o momento, o filme ganhou 27 prêmios e foi indicado a outros 71, incluindo dois Oscar’s. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Canção para Glory, composta por John Legend e Common; e para o prêmio Freedom of Expression Award entregue pela National Board of Review.

Esta produção foi totalmente rodada nos Estados de Georgia e Alabama, nos Estados Unidos. Foram rodadas cenas em cidades como Selma, Montgomery, Marietta, Conyers e Atalanta.

Agora, a seção de curiosidades sobre esta produção. Antes de Ava DuVernay assumir o projeto, Lee Daniels estava escalado como diretor. David Oyelowo lutou durante sete anos para conseguir o papel principal, porque Daniels inicialmente achou que ele não seria o melhor nome para interpretar Luther King. Mas DuVernay apostou nele.

Tim Roth cresceu durante a era de luta dos direitos civis nos Estados Unidos. Ele disse que lembra do governador George Wallace, guardando na memória que ele ficava espantado com as besteiras que saia da boca do político, que ele considerava um “monstro” – e a quem, ironicamente, ele interpretaria agora.

Entre os diretores interessados no roteiro de Selma estavam Steven Spielberg, Stephen Frears, Paul Higgs, Spike Lee e Michael Mann, além do já citado Lee Daniels.

O esquecimento do Oscar de indicar Ava DuVernay como Melhor Diretora e David Oyelowo como Melhor Ator provocou protesto de cinéfilos e pessoas dos bastidores de Hollywood. Os esquecimentos foram creditados à falta de diversidade racial em Hollywood e ao fato do estúdio Paramount não ter conseguido enviar cópias do filme a tempo para todos os membros da Academia conferirem o filme.

Ainda que não tenha recebido o crédito como coautora do roteiro, a diretora Ava DuVerney afirmou que fez alterações em 90% do texto de Paul Webb, incluindo ter dado uma nova versão para os discursos de Luther King – isso foi necessário porque outro estúdio tem os direitos dos originais.

Selma teria custado cerca de US$ 20 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 39,5 milhões. Ainda falta muito para ele começar a dar lucro.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para Selma. Uma avaliação boa mas que, na minha opinião, poderia ter sido melhor. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 157 críticas positivas e apenas duas negativas para a produção, o que lhe garante aprovação de 99% e uma nota média de 8,7.

Selma é uma coprodução dos Estados Unidos com o Reino Unido.

CONCLUSÃO: Um dos homens mais fantásticos de todos os tempos, Martin Luther King, em um momento decisivo não apenas de sua trajetória mas, e principalmente, dos Estados Unidos. Se em Lincoln assistimos a um homem corajoso mudando parte da história, aqui vemos a outro liderando um movimento fundamental para consolidar aquela mudança. Interessante assistir a Selma em 2015, ano em que um negro segue como presidente dos Estados Unidos e batalha para tornar aquele país ainda mais justo. Filme envolvente do início ao fim, com um ótimo roteiro, direção e um ator liderando todo o processo para quem precisamos tirar o chapéu. Vale muito o ingresso.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Indicado apenas em duas categorias, sendo apenas uma realmente relevante, infelizmente as chances de Selma são praticamente zero no Oscar. Quer dizer, ela pode até levar em Melhor Canção. Mas quem realmente se importa com esta categoria? As pessoas que vencem, evidentemente, e quem tem o nome lembrado em uma indicação. Mas é só.

Selma também concorre como Melhor Filme. Mas por ele ter sido indicado apenas a esta categoria e a Melhor Canção, chances zero para o filme. Uma pena. Acho que ele deveria estar competindo lado a lado com Boyhood e The Imitation Game. Para mim, os melhores filmes da lista até o momento.

Da minha parte, meu voto ficaria ainda para Boyhood, mas Selma seria a minha segunda escolha. E não ficaria chateada se ele ganhasse. Depois viria The Imitation Game. E todos os demais… bem, acho inferiores. Assim de simples. Só falta Whiplash para fechar esta minha avaliação. Veremos se ele muda algo. 🙂

Mas para resumir a avaliação sobre Selma, infelizmente o filme corre totalmente por fora. Acho que ele deveria ter sido lembrado em pelo menos outras duas categorias: Melhor Roteiro Original e Melhor Ator para o brilhante David Oyelowo. Não foi desta vez. Lástima.

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Contraband – Contrabando

Um garoto faz uma grande bobagem. Se mete em algo que não conhece e se dá mal. Na sequência, ele é cobrado por isso. Para sua sorte, ele tem na família um especialista no assunto. Ok, já conhecemos essa história. E nem por isso Contraband não apresenta, com honestidade e sem enrolação, o que o espectador quer ver em um filme de ação. De quebra, o serviço se torna um pouco mais complicado, e a história não economiza em ameaças e alguma pancadaria.

A HISTÓRIA: Noite. Um barco desliza pelas águas, e um helicóptero faz o mesmo pelos ares. Enquanto o helicóptero se aproxima do barco, duas lanchas ajudam a fechar o cerco. A luz do helicóptero ilumina a cabine onde está Andy (Caleb Landry Jones), e ele sai correndo. Acorda Walter (Jason Mitchell) no caminho para livrar-se das drogas. Mesmo com o alerta da polícia para não se mexer, Andy consegue jogar a bolsa com a mercadoria nas águas. Enquanto isso, em uma festa de casamento, Chris Farraday (Mark Wahlberg) faz um brinde em homenagem aos recém-casados. Na festa, Chris ouve comentários sobre o tempo em que era um mestre no contrabando, e recebe uma proposta para voltar ao ramo. Ele resiste à ideia, porque agora tem mulher e dois filhos pequenos. O problema é que Andy é o irmão mais novo de sua esposa, Kate (Kate Beckinsale) e, mesmo sem querer, Chris acaba tendo que ajudá-lo a sair de uma dívida.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Contraband): O roteiro não é nenhum primor em originalidade. Mas isso não torna Contraband, exatamente, previsível. Aquela premissa básica, citada no início deste post, de fato é conhecida. Mas o desenvolvimento da trama, especialmente as saídas criativas do protagonista para os problemas que vão surgindo e o pouco tempo para solucioná-los, torna a produção envolvente.

Eis um filme de ação clássico. Há a pressão da família envolvida, e a necessidade de um proteger o outro para sobreviver, assim como as forças contrárias a isso. Também faz parte do enredo corrupção, redes internacionais de contrabando e criminalidade, traições, perseguições e alguma pancadaria.

Pouco antes de Contraband chegar na metade, ele já nos apresenta algo elementar em qualquer filme com elementos fortes de suspense: sabemos de algo que o protagonista não sabe. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Neste caso, que o melhor amigo dele, Sebastian Abney (Ben Foster), é o maior interessado em que Chris não apenas resolva o problema de Andy, mas que ele também viaje trazendo uma encomenda de drogas – o que ele, por princípios e para não ter a vida mais complicada, caso seja necessário, se recusa a fazer. Abney é o sujeito que manda no “vilão conhecido”, Tim Briggs (Giovanni Ribisi). Colocar o espectador nesta “posição privilegiada”, de saber disto, enquanto Chris não tem esta informação, serve apenas para tornar o filme mais tenso.

O diretor Baltasar Kormákur faz um belo trabalho. Ele conduz bem a história, especialmente nas cenas de ação inteligente. Porque há perseguições e brigas, mas o elemento principal de Contraband são as saídas criativas do protagonista, comparado com Houdini, ilusionista conhecido mundialmente por enganar a todos e por não revelar os seus segredos. Conhecer os métodos de Chris é um dos atrativos da história.

O roteiro de Aaron Guzikowski acerta na dosagem da ação com as histórias pessoais dos personagens. Afinal, há intriga, disputa, ciúme, fidelidade e traição em jogo. E isso torna o filme mais completo e denso, não apenas uma simples história de ação. Interessante que Contraband é uma refilmagem do islandês Reykjavík Rotterdam, e que o ator principal desta produção, Baltasar Kormákur, foi justamente o diretor da produção hollywoodiana. Os responsáveis pelo roteiro da produção islandesa foram Arnaldur Indrioason e Óskar Jónasson, citados nos créditos de Contraband.

Ainda que o roteiro de Contraband seja competente ao traçar as cenas de ação, ele tem alguns probleminhas que acabam atrapalhando ao filme. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Por exemplo, por mais que o protagonista seja conhecido como o “Houdini do contrabando”, algumas saídas dele acabam sendo mais interessantes pela falta de tempo para solucionar os problemas do que pela genialidade das soluções. Mas o que incomoda, realmente, é a parte final da produção. Como a tensão é resolvida de forma simples e um tanto difícil de engolir – especificamente o resgate de Kate.

Os atores tem desempenhos diferentes em Contraband. Mark Wahlberg está bem, assim como Ben Foster, mas Kate Beckinsale tem um desempenho sofrível. Fora a sequência em que ela apanha na saída da loja, nas demais ela parece ter as emoções neutralizadas. Não absorve a tensão de uma mãe de família em situação tão extrema – na qual estão em risco o irmão, os filhos e o marido.

Mas se há elementos que não funcionam muito bem em Contraband, algo se destaca do início ao fim da produção: a trilha sonora de Clinton Shorter. Eletrizante, pop e pesada em alguns momentos, a trilha revela-se fundamental para dar ritmo ao filme. Belo trabalho.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: As cidades em que se passa a história deste filme acabam sendo personagens de Contraband. New Orleans, que ficou conhecida pela devastação do furacão Katrina, e a Cidade do Panamá, serviram de cenário para a história. Cada uma delas, com suas características, influenciam nas escolhas dos personagens. Um acerto do roteiro, que não torna o ambiente como algo secundário, mas importante para o desenvolvimento da trama.

Da parte técnica do filme, merecem ser destacados, além da trilha sonora, a edição de Elísabet Ronaldsdóttir e a direção de fotografia bem feita de Barry Ackroyd, que consegue manter a tensão nas cenas noturnas sem fazer a qualidade das imagens cair.

Do elenco, vale citar o bom trabalho de Lukas Haas como Danny Raymer, braço direito de Chris durante a operação; Lucky Johnson como Tarik, e Ólafur Darri Ólafsson como Olaf, ambos integrantes do grupo de contrabandistas; J.K. Simmons como o chefe do navio; e Diego Luna como o “maluqueiro” criminoso Gonzalo.

Contraband estreou no dia 12 de janeiro em mercados de pouco peso para a bilheteria mundial, como o Cazaquistão, a Rússia e Cingapura. No dia seguinte ele chegou aos Estados Unidos, Canadá, Bulgária e Paquistão.

O filme, que teria custado aproximadamente US$ 25 milhões, arrecadou pouco menos de US$ 66,5 milhões nos Estados Unidos até o dia 11 de março. Um bom resultado, especialmente porque a crítica não gostou da produção. O interessante é que, logo na estreia, Contraband conseguiu US$ 28,5 milhões nas bilheterias norte-americanas. Ou seja, o filme conseguiu se pagar nos primeiros dias. O que revela a força dos filmes de ação – e do elenco que encabeça esta produção.

Contraband marca a estreia do islandês Baltasar Kormákur como diretor em Hollywood. O primeiro filme dirigido por ele foi 101 Reykjavík, lançado no ano 2000, e que contou com recursos de cinco países europeus. Depois, ele dirigiu a outros cinco longas. O mais conhecido deles foi A Little Trip to Heaven, produção islandesa com co-produção dos Estados Unidos e estrelado por Forest Whitaker, Jeremy Renner, Julia Stiles e Peter Coyote.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,5 para Contraband. Nota baixa, mas melhor que a dada pelos críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes. Eles dedicaram 77 críticas positivas e 73 negativas para o filme, o que lhe garantiu uma aprovação de 51% e uma nota média de 5,4.

Não assisti ainda a Reykjavík Rotterdam, mas fiquei com vontade de conferir o original por trás de Contraband. Especialmente pelo fato dele ter uma nota melhor no IMDb: 6,8. E também porque as produções originais tendem a ser melhores, não é mesmo?

CONCLUSÃO: Um filme de ação que fala sobre o inevitável caminho que a dívida no caminho do crime deve percorrer. Ainda que conheçamos a lógica deste caminho, sempre podem ocorrer imprevistos. Contraband segue o padrão de filmes do gênero até um ponto, mas também inova. A principal vantagem do filme, talvez, seja o trabalho do diretor, que não deixa fios soltos. Os diálogos convencem, não parecem ter saído de um manual de roteiristas. E o elenco masculino está muito bem, só Kate Beckinsale que tem muitos altos e baixos. Para quem gosta de filmes mais “realistas”, talvez a generosidade com o protagonista decepcione um pouco. Mas ele também sabe justificar o apelido de Houdini – famoso ilusionista capaz de escapar dos desafios mais complicados. Contraband pode não ser inesquecível, mas cumpre o seu papel de entretenimento. Para um filme do gênero, tão habituado a fórmulas, não é pouco.

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The Rum Diary – Diário de Um Jornalista Bêbado

Diz a lenda que todo jornalista que se preze tem que ser bom de copo. Em outras palavras, deve beber bem – ou fumar, pelo menos, porque algum vício básico o jornalista deve ter. The Rum Diary resgata esta lenda e se aprofunda nela através da história do jornalista Paul Kemp, interpretado por Johnny Depp. Quem acompanha a carreira do ator verá muitos pontos em comum entre The Rum Diary e o ótimo Fear and Loathing in Las Vegas, de 1998, dirigido por Terry Gilliam. Algo explica essa lembrança evidente: The Rum Diary é inspirado no livro de Hunter S. Thompson, o mesmo autor da obra que inspirou Gilliam. O problema deste novo filme de Depp é que ele não é melhor que o filme de Gilliam. Só mesmo os jornalistas para se identificarem com esta produção e achá-la (talvez) interessante acima da média.

A HISTÓRIA: Um avião de acrobacias vermelho percorre o céu de Porto Rico, em 1960. Ele carrega uma faixa que dá as boas vindas para a Union Carbide. O jornalista Paul Kemp (Johnny Depp) acorda com o barulho do avião no hotel em que está hospedado, recebe o café da manhã e sai para falar com o editor chefe do jornal San Juan Star, Edward J. Lotterman (Richard Jenkins). Mesmo não causando uma boa impressão, Kemp é contratado. Sua primeira missão é escrever o horóscopo diário do jornal. Pouco a pouco, ele vai adentrando na realidade de Porto Rico, mesmo sem falar espanhol, e é convocado pelo consultor de relações públicas Hal Sanderson (Aaron Eckhart), a emprestar o seu talento literário para um projeto de convencimento social de grupos imobiliários poderosos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Rum Diary): Não tenho dúvidas que este filme afetará os seus distintos públicos de maneiras muito diferentes. Terá um impacto para os jornalistas, especialmente os da “velha guarda”. E terá um efeito muito mais suave para os que não vivem os prazeres e agruras desta profissão.

The Rum Diary, como o nome sugere, mostra a rotina de pessoas habituadas a beber muito. De entornar copos e copos – de cerveja e, principalmente, de rum. Afinal, estamos falando de Porto Rico, um país que é considerado um “Estado livre associado”, ou seja, não é totalmente independente e nem mesmo uma parte integral dos Estados Unidos (em outras palavras, não é um dos estados dos EUA).

A história conta que Porto Rico foi conquistado pela Espanha em 1493. Em 1898, o país foi cedido para os Estados Unidos. Cem anos depois, um referendo decidiu que Porto Rico seguiria no meio do caminho entre ser independente e fazer parte integralmente dos Estados Unidos. Desde 1917, quem nasce no país é considerado cidadão estadunidense. Mas pelo fato de Porto Rico não fazer parte da União de estados do país, seus cidadãos não podem votar para presidente, mas podem ajudar a eleger os vencedores das eleições primárias. Confuso, não?

Pois The Rum Diary mostra esta confusão entre uma identidade própria de Porto Rico e sua forte dependencia dos Estados Unidos – ao ponto do país ser visto como um reduto de férias para os aposentados da classe média dos EUA.

Predomina no país, segundo este texto, uma forte presença bélica estadunidense – com sete bases militares, no total. E, desde os anos 1960, muitas empresas multinacionais começaram a investir no país estabelecendo indústrias farmacêuticas, de eletrônicos, têxteis, petroquímicas e, recentemente, de biotecnologia. Em paralelo a estes investimentos, intensificaram-se as apostas no mercado imobiliário.

Neste cenário que se desenvolve a história de The Rum Diary. Além de abordar a rotina de um grupo de jornalistas – mais precisamente, de um trio -, que adora beber e observar o cotidiano para contá-lo nas páginas de um jornal, o filme trata da dependência de Porto Rico em relação aos Estados Unidos, e de como os interesses financeiros ditam as regras de um ambiente em que predomina a desigualdade social, a falta de oportunidades e de recursos próprios de um país.

Os jornalistas vão gostar e aplaudir alguns diálogos, especialmente entre os personagens de Kemp e Lotterman. A ironia relacionada com a profissão começa com o editor chefe do jornal colocando a nova promessa da empresa para escrever o horóscopo diário. Depois, Lotterman diz que está procurando alguém com entusiasmo, com energia, “sangue novo” que aporte qualidade para o jornal.

O problema é que ele não está interessado em quem faça isso com faro jornalístico. Porque o que importa, de verdade, é que a pessoa escreva apenas o lado “agradável” de Porto Rico, ressaltando temas que sejam de interesse do estadunidense médio, que sonha em gastar o dinheiro que economizou a vida toda para desfrutar uma pequena parte da realidade vivenciada por pessoas que tiveram êxito e sucesso.

A parte irritante da produção, além dela lembrar demais a Fear and Loathing in Las Vegas, é a forma com que o protagonista é “fisgado” por Chenault (Amber Heard). Muito previsível e recorrente aquela forma de apresentação da personagem e de fascínio em relação a ela. Sabemos em que lugar aquilo vai dar, desde o princípio. E a falta de novidades neste filme é o seu principal problema.

NOTA: 7,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Brigas de galo, bebida com altíssimo teor alcóolico, dinheiro comprando praias que deveriam ser públicas, ilhas que são de domínio militar sendo negociadas por baixo dos panos com grandes corporações imobiliárias. The Rum Diary toda em temas diversos, mas nada que torne a história realmente fascinante. Jornalistas bêbados e o carisma de Johnny Depp parecem ser o grande chamariz da produção. Nada inovador.

As paisagens, quando elas são exploradas, são lindas. E contrastam, propositalmente, com a sujeira e a decadência das casas, rinhas de galo, bairros e ruas da periferia da cidade enfocada.

A trilha sonora é uma das qualidades desta produção. Um trabalho excelente, diversificado e envolvente de Christopher Young.

O diretor e roteirista Bruce Robinson faz um bom trabalho, inspirado no livro de Hunter S. Thompson. O escritor e jornalista ficou conhecido pela obra Medo e Delírio em Las Vegas. Ele segue o estilo de jornalismo gonzo, no qual não existe separação entre autor e personagem, ficção e não-ficção. Uma prova disso é que Hunter mudou-se para Porto Rico em 1960, tal qual o personagem de The Rum Diary. A diferença é que ele foi para lá para trabalhar em uma revista esportiva. Mais informações sobre ele neste link.

Mas Robinson acerta mais na direção do que no texto, que acaba sendo bem previsível e que não ultrapassa o grau de “curioso”. Mantendo a câmera normalmente próxima do protagonista e dos demais personagens, ele produz um filme muito dependente do trabalho dos atores, que estão bem, mas não fazem nada excepcional, e desperdiça a oportunidade de focar mais o ambiente e suas distintas matizes.

Outros da equipe técnica que fazem um bom trabalho: o diretor de fotografia Dariusz Wolski, a editora Carol Littleton, o designer de produção Chris Seagers e a figurinista Colleen Atwood.

Do elenco, além de Johnny Depp, que aparece como um eco dele próprio do filme de Terry Gilliam, merecem destaque Aaron Eckhart, o sedutor e enigmático Sanderson; Michael Rispoli como o fotógrafo Bob Sala, que vira o melhor amigo do protagonista; Richard Jenkins, dando um show como Lotterman; Giovanni Ribisi como o sempre “over” Moberg e Bill Smitrovich como Art Zimburger, ex-fuzileiro naval e contato de Sanderson para fazer um grande empreendimento imobiliário.

The Rum Diary estrou em outubro de 2011 em uma premiere em Los Angeles. Uma semana depois, o filme entrou em cartaz na Rússia e nos festivais Gent, na Bélgica, e Austin, nos EUA.

Esta produção, rodada nas cidades de San Juan e Vega Baja, em Porto Rico, não custou barato: US$ 45 milhões. E arrecadou, até agora, muito pouco, cerca de US$ 13,1 milhões nos Estados Unidos.

Mesmo faltando originalidade para o filme, ele tem elementos para virar “cult” em algumas rodas – especialmente de jornalistas. Mesmo sem fazer muito sucesso entre a crítica, ele conseguiu um prêmio até o momento: o de trabalho excepcional de Amber Heard conferido pelo Hollywood Film Festival.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,3 para o filme. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram ainda mais duros com a produção, dedicando exatas 77 críticas negativas e 77 positivas para The Rum Diary – o que lhe garante uma aprovação de 50% e uma nota média de 5,6.

CONCLUSÃO: Os jornalistas vão gostar. Especialmente os mais velhos, que tem as suas próprias histórias de bebedeiras para contar. Mas os jovens da profissão, que não fazem mais o perfil de jornalistas beberrões ou fumantes, vão dar menos importância para The Rum Diary, assim como a maioria do público. Esta é uma produção interessante, que mostra como os desejso de quem tem dinheiro predominam em diversas realidades – especialmente em países menos desenvolvidos. Também trata dos bastidores de um jornal, e de parte da realidade de Porto Rico nos anos 1960. Tem um bom resgate de época, e atuações condizentes, mas lembra demais ao filme de Terry Gilliam – e é mais fraco que o original também estrelado por Johnny Depp. Vale como passatempo, mas não é indispensável.