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Moonlight – Moonlight: Sob a Luz do Luar

Sobrevivência. Ela nem sempre é um processo simples. E sem dúvida alguma ela é menos que o necessário para qualquer pessoa. Moonlight nos revela a história de uma dura luta pela sobrevivência. O filme também nos mostra como os efeitos da ignorância e da violência podem perdurar, ainda que eles nunca sejam o suficiente para realmente mudar aquilo que uma pessoa tem como essência. Grande filme. Mais uma bela descoberta desta temporada pré-Oscar.

A HISTÓRIA: Juan (Mahershala Ali) chega com o seu carrão e estaciona na calçada. Ele pega um cigarro, coloca sobre a orelha e caminha lentamente até cumprimentar a um de seus “homens”. Ele acompanha a conversa dele com um viciado que não tem dinheiro para comprar a droga. Enquanto o vendedor e o usuário discutem, Juan fica por perto. Ele pergunta como tudo está, e o vendedor diz que tudo está tranquilo.

Juan está fazendo a sua ronda normal pelo bairro que ele controla. Quando ele começa a voltar para o carro, passam por eles alguns moleques. Little/Chiron (Alex R. Hibbert) está na frente, sendo perseguido por alguns garotos. Little acha um local no qual ele pode se proteger. Depois de algum tempo da perseguição, aparece por ali Juan, que oferece comida para o garoto. Neste momento começa uma amizade entre os dois.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso eu recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Moonlight): Que filme, meus amigos e amigas! Uma produção extremamente sincera e sensível. Que revela, entre outros pontos, como a violência pode ser determinante na vida de uma pessoa sensível e que vira alvo de babacas.

O diretor e roteirista Barry Jenkins, que trabalhou sobre uma história original de Tarell Alvin McCraney, nos apresenta aqui uma narrativa interessantíssima e muito, muito necessária. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A produção começa mergulhada na mais pura realidade, de um local em que as drogas e a violência são elementos presentes. Neste contexto, temos uma palhinha sobre a “desculpa” dos meninos em perseguir Chiron logo no início.

Quando os moleques passam correndo na frente de Juan, eles xingam Chiron de “viado”. O garoto não é forte, mas magro e frágil, e não entra no ciclo de agressões dos outros moleques. Por isso ele vira o saco de pancada dos garotos e logo é taxado de “viado”. Gostei da forma honesta com que a narrativa é construída. Aliás, diferente do favoritíssimo La La Land (comentado por aqui), Moonlight tem como um de seus destaques, justamente, o seu roteiro.

Este filme nos faz refletir por várias razões. Jenkins tem a coragem de quebrar uma série de lugares-comum e de subverter a crença comum e preconceituosa sobre comunidades marginalizadas. Logo no começo ele faz isso ao mostrar o respeito e o cuidado que o traficante Juan tem com um moleque frágil e acossado que cruza o seu caminho.

Enquanto isso, em casa, Chiron não tem nem um pouco deste cuidado. A mãe dele, Paula (Naomie Harris), conhecida no bairro por fazer programas em troca de qualquer trocado ou droga, não consegue dar o exemplo para o filho. E, mais que isso, não consegue dar o apoio ou o cuidado básico que se espera de uma mãe. Então temos, de um lado, o vendedor da “desgraça” que consegue ter sensibilidade com aquela história difícil e a mãe do garoto que é vítima da dependência de drogas – duas pontas de um mesmo problema, pois.

Bacana também como Moonlight é dividido em três atos. O primeiro mostra o protagonista na fase em que ele era conhecido como Little – entendido como “moleque”. Nesta fase, o garoto frágil considerado “esquisito” por muitos, inclusive pelo amigo Kevin (Jaden Piner), vira saco de pancadas dos valentões de sua idade e do colégio.

Cada vez mais ignorado pela mãe, que vai ficando pouco a pouco mais dependente das drogas, Little encontra algum apoio no casal Juan e Teresa (Janelle Monáe). Sem uma figura paterna em quem se espelhar, ele fica fascinado por Juan, que lhe ensina a beleza do mar e lhe conta algumas histórias, como quando ele andava descalço sob a luz do luar (o “moonlight” que dá nome ao filme).

Quando Juan encontra o garoto o esperando em casa, ele não o expulsa ou lhe dá uma bronca. Ele dedica um pouco de seu tempo para Little porque percebe que falta atenção e um pouco de carinho para o garoto. Juan e Teresa fazem isso de forma descompromissada, mostrando que nem sempre o traficante que pensamos ser pura crueldade é apenas isso. Todos tem as suas histórias, e todos deveriam poder contá-las para alguém.

Nesta fase, há uma sequência realmente preciosa – uma das melhores do filme. Ela acontece depois que Little percebe um pouco melhor a realidade que o cerca e, em uma sequência marcante na casa de Juan e Teresa, ele faz uma série de perguntas decisivas. Ele quer saber o que é um viado, se a mãe dele usa drogas e se o seu novo herói/referência, Juan, vende drogas. De arrepiar – e o ponto forte do trabalho de Mahershala Ali.

Na segunda fase do filme, quando o protagonista já é conhecido como Chiron (interpretado aí por Ashton Sanders), pouca coisa muda para ele. Chiron continua sendo perseguido e maltratado pelos garotos de sua idade e escola. Mas é nesta fase, um pouco mais crescido, que Chiron começa a dar uma direção para a vida dele.

É neste momento em que, em uma noite de luar, Chiron se encontra com o amigo Kevin (nesta fase, Jharrel Jerome) na praia, sem querer, e os dois tem o primeiro envolvimento amoroso. No fundo, Chiron não tem certeza que é gay, mas para ele é natural e faz sentido o que ele sente por Kevin. Enquanto isso, na escola, se aproxima o momento em que ele vai levar a grande surra da sua vida até então.

Finalmente, após o protagonista parar com a sequência de violências, ele é punido pela lei e aí o filme entra em sua terceira e última fase. Chiron agora é Black (Trevante Rhodes), um cara forte e livremente inspirado em seu ídolo Juan. O mundo foi cruel com Chiron, e ele aprendeu, finalmente, a se defender. Ora, se a melhor forma de ser respeitado seria transformar-se em um traficante temido, é isso que ele faz, ele se torna um deles.

Mas o interessante de Moonlight é que, a partir do momento em que Black recebe o telefonema da mãe, internada em um local que a ajuda a ficar “limpa”, e uma ligação de Kevin, percebemos que ele não deixou de ser aquele garoto sensível do início. Como ele mesmo conta para Kevin, ele não deixou de ser quem ele é, apesar de agora também assumir a figura de um traficante musculoso, rico e respeitado.

Por tudo isso, Moonlight nos mostra como a falta de estrutura e de proteção de uma criança, que é o que acontece com Chiron, pode ajudar a definir a uma vida, mas esta simplificação da narrativa não é tudo. Black é um cara que, a exemplo de Juan, está sempre no alvo, pode virar uma vítima fatal a qualquer momento, mas apesar dele lidar com a violência o tempo inteiro, ele não deixou de ser quem ele era desde o princípio.

Sobre violência, aliás, ele conhece bem. Na infância e na adolescência ele foi vítima dela, não teve escolha. Depois, quando pode revidar, ele escolheu seguir no mesmo círculo de violência, virando a figura de um traficante que, ironicamente, ajudou ele a chegar ali – seja vendendo drogas para a mãe dele, seja lhe dando apoio quando ele mais precisava.

A realidade das drogas é muito complicada. Moonlight mostra isso de forma muito transparente. Falta educação, cuidados médicos e amparo para pessoas que vivem neste círculo do tráfico. Além disso, falta cuidado em casa para que as crianças saibam se respeitar, independente de quem ou do que elas sejam.

Todos merecem receber amor e cuidados, mas quando as pessoas não recebem valores e educação em casa para fazer escolhas certas desde o princípio, temos vítimas como Chiron espalhadas por todos os países do mundo. Por tudo isso este filme é tão necessário, e potente. Ele faz todos pensarem um pouco mais sobre esta realidade complicada que nos cerca.

Precisamos achar soluções para estes cenários, e elas passam por famílias melhor estruturadas, por educação e por mais informações para as pessoas sobre os efeitos daninhos das drogas. Não vejo outra maneira. E essa é uma responsabilidade que deveria ser de todos.

Começando pelas famílias, passando pelas escolas e pelas outras pessoas que tem contatos com pessoas que são marginalizadas. Afinal, a exemplo de Juan, todos podemos estender a mão e ajudar um pouco a quem precisa, nem que for lhes garantindo um pouco de alegria e de afeto. Grande filme, muito bem realizado, com grandes atores e um roteiro impecável.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Um dos elementos deste filme que me chamou a atenção logo no início foi a excelente trilha sonora de Nicholas Britell. Grandes escolhas para a produção, que tem músicas destacadas de forma cirúrgica aqui e ali, valorizando a história e os momentos importantes dela. Muito bacana.

Da parte técnica do filme, também gostei muito da direção de fotografia de James Laxton. Apesar destes elementos funcionarem muito bem, sem dúvida alguma é o roteiro e a direção de Barry Jenkins que tornam este filme especial. O texto é sincero, envolvente e bem direto. Tem algumas sequências surpreendentes e muito potentes, além de um aprofundamento sensível na realidade e nos sentimentos do protagonista de poucas palavras. Na direção, Jenkins procura estar sempre muito próximo dos atores de seu ótimo elenco, com uma câmera atenta e que lembra um pouco a dos documentários, muitas vezes.

Ah, e o elenco desta produção! Nenhum ator extremamente conhecido, mas todos muito bons. Claro que o destaque são os três atores que interpretam o protagonista nas três fases de sua vida. O garoto Alex R. Hibbert, o jovem Ashton Sanders e o ator Trevante Rhodes dão um show em seus respectivos momentos na produção. Difícil destacar apenas um deles, ainda que os garotos tenham um apelo um pouco maior que Rhodes. Mas estão todos muito bem.

Além deles, claro que se destacam na produção os personagens que estão mais próximos dos protagonistas, com destaque para o momento relativamente curto que está na produção para Mahershala Jenkins, para a estonteante e sempre interessante Janelle Monáe e para a esforçada Naomie Harris.

A personagem dela, como mãe de Chiron, é a que menos desperta simpatia, por razões óbvias. Mas ela realmente está muito bem nas diferentes fases da história. De sua maneira muito torta e errática ela tenta “fazer o certo” com o filho, lhe dando teto, comida e insistindo para que ele estude. Mas isso é tudo. Todo o restante necessário para o garoto, especialmente o carinho, o amor, a atenção e o exemplo, ficam de fora.

Em um momento tocante do filme ela se arrepende e pede perdão, mas no caso do filho dela, ficou um pouco tarde para esse arrependimento ter efeito. Por isso mesmo a importância das pessoas pensarem muito bem antes de terem filhos, até para perceberem se tem ou não condições para isso. Nem todos tem.

Vários garotos perseguem o protagonista. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Mas o principal algoz dele, na fase Chiron, é o covarde Terrel (Patrick Decile) que, como muitos perseguidores, não tem coragem dele mesmo encarar a sua vítima. Ele utiliza outros garotos, sobre os quais ele exerce influência através do medo, para fazerem o “serviço”. Claro que a origem do problema está na educação que o jovem recebeu em casa, mas a escola também deveria coibir esse tipo de atitude. Quando o pior acontece e estendem a mão para Chiron, já é tarde. Evidente.

Barry Jenkins acerta ao apostar em um número reduzido de personagens. Desta forma a história pode se concentrar mais no protagonista e na relação dele com as pessoas que lhe cercam e que são importantes para ele. Isso torna a história ainda mais legítima porque sabemos que figuras tímidas e oprimidas como Chiron realmente tem, normalmente, poucas pessoas como as mais próximas.

Da parte técnica do filme, vale destacar, ainda, a edição de Joi McMillon e Nat Sanders, a maquiagem de Doniella Davy e de Gianna Sparacino, e os 18 profissionais envolvidos no departamento de câmera e elétrica. Eles são fundamentais para contar esta história como o diretor e roteirista Barry Jenkins a imaginou e idealizou.

Moonlight estreou no Festival de Cinema de Telluride em setembro de 2016. Depois, o filme participou de outros 15 festivais em vários países no período de dois meses. Em sua trajetória até agora o filme ganhou impressionantes 141 prêmios e foi indicado a outros 222.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama e para nada menos que 22 prêmios como Melhor Filme; 19 conquistas de Barry Jenkins como Melhor Diretor; 31 prêmios como Melhor Ator Coadjuvante para Mahershala Ali; quatro prêmios para Naomie Harris como Melhor Atriz Coadjuvante; 11 prêmios para o conjunto do elenco e 11 prêmios como Melhor Roteiro. Impressionante.

Alguns podem se perguntar porque eu não dei uma nota 10 para esta produção. Olha, admito que foi por causa de detalhes. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). E quais foram estes detalhes? Pois bem, acho que o filme evitou de mostrar uma certa violência necessária. Qual é ela? Para Juan e Black se tornarem os chefes do tráfico que eles se tornaram, certamente eles tiveram que se impor de alguma forma. Esta parte da história foi deixada totalmente de lado. A morte de Juan é citada, mas não é explicada. Ok que a intenção do diretor e roteirista era mostrar o lado bacana destes personagens, mas acho que ele ignorou uma parte importante da história e isso fez com que eu não desse uma nota melhor para a produção.

Não comentei antes, mas achei especialmente bonito o final. Quando Kevin e Black se reaproximam, é algo potente e muito belo, especialmente quando Kevin coloca a música para Black ouvir. Quem sabe o amor não possa dar uma nova chance para o protagonista do filme, fazendo ele escolher um caminho diferente a partir deste encontro? Afinal, agora ele é um adulto e não precisa ter mais medo do que ele sente. Cada um pode imaginar o desenrolar do fatos usando a sua imaginação.

Esta produção foi totalmente rodada na Flórida, em locais como Miami, na Liberty City e na Miramar High School, em Miramar.

Moonlight teria custado US$ 5 milhões. Ou seja, é um filme de baixo orçamento se levarmos em conta o padrão de Hollywood. Apenas nos Estados Unidos o filme fez quase Us$ 15,2 milhões nos cinemas. Ou seja, já entrou na lista de filmes que estão fechando com lucro.

Antes de filmar Moonlight, Barry Jenkins tinha apenas sete títulos no currículo como diretor, sendo cinco deles curtas-metragens, um deles um episódio de série de TV e apenas um longa, o filme Medicine for Melancholy, de 2008. Ou seja, é um diretor relativamente “iniciante” e que merece ter o seu trabalho acompanhado, certamente.

Agora, algumas curiosidades sobre Moonlight. Quando Juan ensina Little a nadar, o ator Mahershala Ali realmente está ensinando o jovem Alex R. Hibbert a nadar, porque o garoto não sabia fazer isso até então.

Em uma entrevista, o diretor Barry Jenkins disse que os três atores que interpretam a Chiron não se conheceram durante as filmagens. Essa foi uma determinação do diretor, que queria que cada um deles construísse a sua própria versão do protagonista. A mesma tática foi usada com os atores que interpretam a Kevin. Aliás, não comentei antes, mas todos estes atores que interpretam a Kevin são ótimos – a citar, Jaden Piner, Jharrel Jerome e André Holland, respectivamente aos nove, 16 e na fase adulta.

Em algumas premiações o filme foi reconhecido como tendo o melhor roteiro original, enquanto em outros ele foi reconhecido como roteiro adaptado. Nas notas de produção eu entendi a razão disso. O roteiro original de Barry Jenkins é inspirado na peça que não foi produzida “In Moonlight Black Boys Look Blue” de MacArthur Fellow Tarell Alvin McCraney. Ou seja, o filme teve um material original no qual ele se inspirou mas, ao mesmo tempo, não é uma adaptação, até porque o original não chegou ao mercado. Pode ser, assim, classificado tanto de uma forma quanto de outra, dependendo do entendimento da premiação.

Moonlight foi rodado em apenas 25 dias entre outubro e novembro de 2015. A atriz Naomie Harris filmou toda a sua participação na história em apenas três dias, em um intervalo da divulgação de Spectre.

A exemplo do personagem de Chiron, o diretor Barry Jenkins também tinha uma mãe que era viciada.

Cerca de 80% da produção foi rodada em Liberty City, bairro de Miami que é considerada uma das áreas mais atingidas pela pobreza nos Estados Unidos. Inicialmente, a produção do filme ficou um pouco apreensiva por gravar no bairro, com receio pela segurança da equipe, mas tudo melhorou quando foi espalhado pelo bairro que o diretor Barry Jenkins, a exemplo de Tarell Alvin McCraney, era originário do bairro. A partir daí a comunidade acolheu e recebeu muito bem a equipe do filme.

A inspiração para a estrutura narrativa de Moonlight veio do diretor Hsiao-Hsien Hou em Zui Hao de Shi Guang, de 2005.

Moonlight marca a estreia de Alex R. Hibbert nos cinemas.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,4 para a produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 193 críticas positivas e apenas três negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota média 8. Especialmente o nível de avaliação dos críticos surpreende e coloca o filme em um patamar muito difícil de ser batido no Rotten Tomatoes.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso esse filme entra para a lista de produções que atende a uma votação feita aqui no blog há tempos atrás.

CONCLUSÃO: Um filme potente e muito duro. Assim como a realidade de muita gente. Moonlight revela como o acosso de um jovem frágil e que não é protegido por quem ele deveria ser no momento mais importante pode resultar em cicatrizes duradouras. Apesar de ser muito duro, Moonlight também tem uma mensagem muito bonita e importante. De que não importa o que façam contra a gente, se mantivermos o nosso coração protegido, podemos seguir a vida respeitando quem somos apesar de tudo.

Em uma época em que ainda existe muita ignorância e perseguição de homossexuais, Moonlight faz pensar sobre a violência que é praticada contra aqueles que não entendemos. Afinal, para que tanta agressão? Por que para alguns é tão difícil respeitar o que é diferente de si mesmos? Filme sensível, forte e muito interessante. Das boas descobertas do ano.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Não tenho dúvidas de que Moonlight vai chegar bem na premiação da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Os indicados para a premiação deste ano vão sair na próxima terça-feira, e acredita que Moonlight tem boas chances de ser indicado em seis categorias.

Ele deve ser indicado a Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original, e tem boas chances de emplacar em Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Trilha Sonora. De todas estas categorias, vejo que as melhores chances do filme são mesmo em Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original, ainda que será uma dura tarefa da produção vencer ao favorito La La Land na categoria principal da premiação.

Da minha parte, sei que Moonlight é menos “vistoso” e tecnicamente mais “simples” que La La Land. Mas se vamos falar de história, do trabalho do elenco, de roteiro e da importância do que é contado, Moonlight é mais filme que La La Land. O musical é mais um de seu gênero. Bem feito, mas apenas isso. Moonlight não, ele trata de temas fundamentais e apresenta eles com muita força, tornando o filme um dos melhores entre os que entraram em temas tão áridos antes.

Preciso ainda assistir a Manchester by the Sea e a outras produções cotadas para o Oscar, mas até o momento eu acharia mais interessante e justo Moonlight ou mesmo Fences levar o prêmio de Melhor Filme do que La La Land. Mesmo achando isso, tenho quase certeza que a Academia vai preferir o musical, por tudo que ele representa para a indústria do cinema. Mas o meu voto, sem dúvida, iria para Moonlight.

PEQUENO AVISO: Meus caros leitores aqui do blog, eu vou seguir com as publicações normais até o Oscar 2017, para seguir uma tradição aqui do blog. Mas passada a premiação, se eu não tiver conseguido uma boa adesão na campanha de apoio ao blog, eu vou dedicar mais tempo para outras atividades que me deem retorno financeiro e vou tornar as atualizações aqui mais escassas ou bem mais sucintas. Se você quer ajudar o blog a continuar como ele está agora ou até a ampliar a frequência de publicações, sugiro o apoio a este projeto:

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Selma – Selma: Uma Luta pela Igualdade

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Filme necessário e um dos melhores de 2014. Ainda bem que ele pode ganhar um pouco de visibilidade com o Oscar 2015, ainda que seja um dos menos comentados e badalados da premiação este ano. Selma, que baita filme! Há tempos eu queria assistir a uma produção decente sobre Martin Luther King Jr. e este título, finalmente, cumpre este papel. Para você que quer ouvir discursos inspiradores, sentir uma luta legítima ser desenvolvida com vigor na sua frente, mesmo que em uma obra de cinema, esta é uma ótima oportunidade. Inspirador.

A HISTÓRIA: Martin Luther King Jr. (o ótimo David Oyelowo) se prepara para um discurso de agradecimento. Mas após algumas frases, ele diz para a mulher, Coretta Scott King (Carmen Ejogo) que aquilo não está certo. Ele não se sente bem com a roupa que está usando. Sua cabeça está em outro lugar, nos homens, mulheres, jovens e crianças ainda marginalizados por serem negros. Coretta olha para o marido, eles tem um momento de paz, antes de Luther King Jr. receber o Prêmio Nobel da Paz de 1964.

Em seu discurso, Luther King fala que aceita aquela honra em nome de todos que morreram por serem negros e pelos 20 milhões de homens e mulheres negras que lutam por sua dignidade. Enquanto o discurso dele é ouvido, vemos cenas de um grupo de meninas negras descendo a escadaria de uma Igreja. Este filme conta os bastidores da luta de Luther King e dos negros pelo direito de votar.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Selma): Ah, como faz toda a diferença do mundo um ótimo roteiro conduzindo a narrativa. Paul Webb faz um trabalho excepcional com o texto de Selma, sabendo ponderar diversos elementos narrativos nesta história, o que lhe garante ritmo, paixão e muitos elementos históricos.

Para começar, impossível fazer um filme decente sobre Martin Luther King Jr. sem utilizar os seus discursos inspirados. Provavelmente ele foi um dos grandes oradores de todos os tempos. E isso sem acrescentar o famoso e histórico discurso em Washington. Não. Este filme mostra os acontecimentos após a famosa Marcha sobre Washington, quando Luther King proferiu um dos discursos mais lembrados de todos os tempos, conhecido sob o título “Eu tenho um sonho” no dia 28 de agosto de 1963.

Inclusive, no início do filme, quando Luther King é agraciado com o Nobel da Paz, o orador que o apresenta lembra que aquele homem tinha um sonho. Pois bem, Selma fala de outro acontecimento marcante não apenas na vida deste homem genial por ter sido um ferrenho defensor dos direitos humanos, da paz e de igualdade racial. Esta produção aborda as marchas de Selma até Montgomery, cidades no Alabama, durante alguns meses de 1965.

O movimento com base em Selma foi fortemente reprimido pelas forças policiais sob o comando do governador George Wallace (Tim Roth). Houve muita pancadaria e mortes, tudo com cobertura da imprensa, inclusive das TVs. Aqueles eventos foram decisivos para que a opinião pública dos Estados Unidos mudasse e ficasse a favor, pelo menos em sua maioria, da igualdade dos direitos civis.

É emocionante acompanhar o movimento daquele grupo liderado por Luther King. Mas antes, vemos um exemplo prático, com a tentativa Annie Lee Cooper (Oprah Winfrey) em se registrar no cartório eleitoral para poder votar, sobre a problemática que precisava ser combatida. A lei, a Constituição dos Estados Unidos, previa o voto dos negros. Mas Estados como o do Alabama orientavam os responsáveis por fazer o registro dos votantes a não aceitar negros. Isso é mostrado sem firulas logo no início do filme.

Outro momento inteligente da produção, visto logo nos primeiros minutos, é mostrar o desconforto de Luther King em estar tão “alinhado” para receber o Nobel, em seguida ouvir parte do discurso dele enquanto acompanhamos um grupo de meninas inocentes caminhando para a morte em mais um atentado violento contra negros. Claramente o roteirista e a diretora Ava DuVernay quiseram mostrar que apesar do Nobel e dos discursos inspirados, nem Luther King conseguia frear desta forma a violência contra os seus irmãos.

Feita esta introdução, muito bem planejada, mergulhamos na tentativa de negociação de Luther King com o presidente Lyndon B. Johnson (Tom Wilkinson) para que a questão do voto fosse respeitada no país como política clara do Estado. No diálogo, Luther King não conseguiu nada, porque Johnson preferia adiar a decisão sem um prazo para resolver o assunto como forma de se preservar politicamente. Daí começa a ação, já que Luther King resolve reforçar em Selma o movimento que pedia igualdade nas urnas.

A partir daí, o filme não alivia. Ele mostra as articulações para a primeira manifestação em Selma e a forte repressão policial. As cenas de brutalidade policial são desconcertantes. Depois seguem outros atos e a primeira morte, do jovem Jimmie Lee Jackson (Keith Stanfield), morto friamente com um tiro por um policial após ele, a mãe, Viola Lee Jackson (Charity Jordan) e o avô, Cage Lee (Henry G. Sanders) serem perseguidos e covardemente agredidos.

As cenas são impactantes e muito bem filmadas por Ava DuVernay. O interessante do roteiro é que ele foca sempre Luther King, mostrando as reflexões dele, as angústias e a preocupação com as pessoas que poderiam se ferir. Para ajudar, há o texto fantástico e irretocável dos discursos dele, que motivaram as pessoas na época e dificilmente não mexem com quem assiste ao filme hoje em dia. Aliado a isso, ajuda na narrativa os registros feitos pelo FBI na época, quando Luther King e as demais pessoas ao redor dele eram monitoradas e vigiadas.

Os registros do FBI, em especial, dão um toque muito interessante para o filme. Revelam um hábito antigo daquele país de monitorar as pessoas que eles consideravam relevantes para o sistema, especialmente se apresentavam “algum risco”. Especialmente interessante, ainda na parte inicial do filme, um diálogo entre o presidente Lyndon B. Johnson e o chefe do FBI J. Edgar Hoover (Dylan Baker). Inicialmente Hoover sugere que o “problema” Luther King poderia ser resolvido facilmente dando um “fim” na ameaça.

Como Johnson resiste a ideia de eliminar Luther King, a sugestão seguinte de Hoover é de desestabilizar o líder negro ao dinamitar o casamento dele com Coretta que, segundo o FBI, já estaria balançado – e de fato estava. Apesar das ameaças que recebia e da ausência do marido, assim como o risco eminente de morte dele, Coretta se manteve firme ao lado de Luther King. Este apoio é bem mostrado e valorizado no filme.

Com bem explica este texto da Wikipédia, as marchas saindo de Selma foram três. Antes da primeira, houve aquela caminhada pelas ruas de Selma de noite e que acabou sendo conhecido como “domingo sangrento”. Foi quando ocorreu a morte de Jimmie Lee Jackson, em fevereiro de 1965.

A primeira marcha propriamente dita, como bem retrata o filme, ocorrida no início de março, não contou com Martin Luther King Jr. e terminou no confronto na ponte Edmund Pettus. As redes de TV transmitiram o ataque policial e lançaram um movimento de apoio a Marcha de Selma.

A segunda tentativa de fazer o mesmo trajeto teve um apelo muito maior, inclusive com apoio de muitos brancos. Pessoas de diversas parte do país, incluindo Luther King, viajaram até Selma para fazer o mesmo trajeto novamente. Nesta segunda tentativa, eles caminharam até parte do trajeto e retrocederam. No filme, está certo o retrato de muitas pessoas surpresas com a decisão. Mas o roteirista quis sugerir que Luther King deu a ordem para voltar porque teria tido uma “inspiração divina”. Ele até pode ter tido uma, mas ele também tinha uma razão prática.

Antes da marcha acontecer o juiz Frank Minis Johnson (Martin Sheen) havia proibido a manifestação pacífica antes que outras audiências sobre a causa fossem feitas. Luther King já havia avisado aos companheiros que o apoiavam de que eles iriam retroceder. Mas a grande massa realmente não sabia disso previamente, por isso muitos ficaram confusos e perdidos. Mas todos acabaram seguindo o líder Luther King.

Após aquele evento, contudo, quatro membros da Ku-Klux-Kland atacaram três ministros brancos que haviam ido até Selma para apoiar o movimento. Um deles, James Reeb (Jeremy Strong), foi o mais agredido e morreu. Claro que o filme encurta as duas mortes – nenhuma das vítimas morreu na hora, mas após serem atendidas nos hospitais. Essa informação, contudo, não faz falta para a narrativa.

O filme acerta ao mostrar como o presidente Lyndon Johnson chama o governador George Wallace para conversar, mas este se mostra irredutível e não aceita dar espaço para as manifestações e mudar as regras em seu Estado. Depois da morte do manifestante branco, a opinião pública cai de pau no assunto e Johnson de fato encaminha um projeto de lei no Congresso que, depois, se tornaria a Lei dos Direitos ao Voto.

Para fechar o resgate histórico, Luther King e diversas outras pessoas lideraram a terceira e última marcha de Selma até Montgomery, esta sim pacífica e que terminou com o discurso Stars from Freedom do líder negro. Linda toda a sequência final que, inclusive, resgatou cenas verídicas da época. Para finalizar, como é feito com muitos filmes baseados em fatos reais, ficamos sabendo sobre o que aconteceu com alguns dos principais personagens desta produção depois que o discurso de Luther King termina.

Haveria mais uma morte relacionada ao movimento, desta vez de uma mulher branca, e outros fatos ocorreriam na vida daquelas pessoas retratadas no filme. Luther King sobreviveu aos conflitos e à perseguição em Selma, mas ele seria morto, três anos depois, em Memphis. Este filme é uma homenagem muito justa a ele, um homem admirável.

Bem conduzido, bem escrito e com ótimos atores envolvidos no projeto – inclusive em papéis bem secundários -, Selma é um filme marcante e necessário, como comentei lá encima. Para mim, ele foi mais envolvente e impactante que o premiado 12 Years a Slave, que ganhou três Oscar’s, incluindo o de Melhor Filme, em 2014.

Verdade que 12 Years a Slave trazia uma história menos conhecida à tona mas, ainda assim, Selma me pareceu mais interessante especialmente pelos discursos de Luther King. Pena que dois anos seguidos de filmes sobre igualdade e justiça para os negros não emplaca na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Uma pena.

Mas antes de finalizar, queria citar uma parte que me tocou especialmente neste filme. Perto do final, e com a iminência de que Luther King poderia ser morto a qualquer momento – o que tornaria a situação ainda mais complicada -, o emissário do presidente dos Estados Unidos, John Doar (Alessandro Nivola), sugere para que o líder do movimento negro se preserve e não se exponha mais na última marcha.

Luther King, com uma lucidez absurda, comenta que ele não é diferente dos demais, que ele também quer viver muito e ser feliz. Ele diz que poderia se focar no que ele queria, mas que não faria isso porque ele deveria fazer o que Deus queria. Impressionante quando uma pessoa percebe que tem um propósito maior e que ela pode fazer a diferença, mesmo que isso significar a sua morte. Existe exemplo maior de bravura e de honra? Não foi daquela vez que ele morreu, mas ao seguir lutando pelos direitos das pessoas, mais tarde, o fim trágico chegaria.

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Impressionante como todos os atores estão bem neste filme. O destaque, evidentemente, é o protagonista. David Oyelowo encarna Martin Luther King Jr. e passa muita emoção, seriedade e compromisso com a causa que o líder negro defendia. Ele emociona, juntamente com o roteiro perfeito de Paul Webb. A diretora Ava DuVernay acerta também na escolha de cada ângulo e das dinâmicas com os atores.

O elenco de Selma está recheado de presenças ilustres, inclusive e especialmente em papéis bem secundários. No elenco principal, dos atores que aparecem mais, há nomes menos conhecidos do grande público, como Carmen Ejogo como Coretta Scott King, mulher de Martin Luther King Jr.; André Holland como Andrew Young e Colman Domingo como Ralph Abernathy, os dois braços direitos do protagonista. Fazem parte do grupo que acompanha Luther King os atores Ruben Santiago-Hudson como Bayard Rustin; Omar J. Dorsey como James Orange; Common como James Bevel; E. Roger Mitchell como Frederick Reese; e Wendell Pierce como o reverendo Hosea Williams.

Entre os moradores de Selma que acabam sendo importantes para o movimento, inclusive por alguns se tornarem vítimas dos absurdos policiais, destaque para Keith Stanfield como Jimmie Lee Jackson; Henry G. Sanders como Cager Lee; Charity Jordan como Viola Lee Jackson; Stephan James como John Lewis e Trai Byers como James Forman, dois estudantes que lideram o movimento negro em Selma e que divergem em diversos pontos das ações nas cidades. Em uma ponta também merece menção Nigel Thatch como Malcolm X.

Comentado os nomes menos conhecidos, vamos aos famosos que entraram no filme para fazer papéis pequenos. Começo com Oprah Winfrey, também produtora do filme, como Annie Lee Cooper, que diversas vezes tinha tentado, em vão, fazer um registro como eleitora e que, no primeiro ato público em Selma, é agredida por policiais. Tom Wilkinson está ótimo como o presidente Lyndonn B. Johnson, assim como Tim Roth que, mesmo aparecendo menos que Wilkinson, tem pelo menos uma cena inesquecível de diálogo com o veterano ator inglês.

Giovanni Ribisi interpreta a Lee White, braço direito do presidente; Dylan Baker se sai bem em um papel pequeno como J. Edgar Hoover, do FBI; Jeremy Strong também faz uma boa participação como James Reeb, primeira vítima branca do movimento; Alessandro Nivola aparece para intermediar as negociações entre o presidente de Luther King; Cuba Gooding Jr. como Fred Gray; e Martin Sheen faz uma super ponta – inclusive não creditada – como o juiz Frank Johnson.

Da parte técnica do filme, destaque para a ótima direção de fotografia de Bradford Young; para a edição de Spencer Averick; para a direção de arte de Kim Jennings; para os figurinos de Ruth E. Carter; e para a trilha sonora, incluindo a excelente canção Glory, interpretada por John Legend e Common.

Selma estreou no Festival AFI em novembro de 2014. Em fevereiro ele está confirmado para o Festival Internacional de Cinema de Berlim. Até o momento, o filme ganhou 27 prêmios e foi indicado a outros 71, incluindo dois Oscar’s. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Canção para Glory, composta por John Legend e Common; e para o prêmio Freedom of Expression Award entregue pela National Board of Review.

Esta produção foi totalmente rodada nos Estados de Georgia e Alabama, nos Estados Unidos. Foram rodadas cenas em cidades como Selma, Montgomery, Marietta, Conyers e Atalanta.

Agora, a seção de curiosidades sobre esta produção. Antes de Ava DuVernay assumir o projeto, Lee Daniels estava escalado como diretor. David Oyelowo lutou durante sete anos para conseguir o papel principal, porque Daniels inicialmente achou que ele não seria o melhor nome para interpretar Luther King. Mas DuVernay apostou nele.

Tim Roth cresceu durante a era de luta dos direitos civis nos Estados Unidos. Ele disse que lembra do governador George Wallace, guardando na memória que ele ficava espantado com as besteiras que saia da boca do político, que ele considerava um “monstro” – e a quem, ironicamente, ele interpretaria agora.

Entre os diretores interessados no roteiro de Selma estavam Steven Spielberg, Stephen Frears, Paul Higgs, Spike Lee e Michael Mann, além do já citado Lee Daniels.

O esquecimento do Oscar de indicar Ava DuVernay como Melhor Diretora e David Oyelowo como Melhor Ator provocou protesto de cinéfilos e pessoas dos bastidores de Hollywood. Os esquecimentos foram creditados à falta de diversidade racial em Hollywood e ao fato do estúdio Paramount não ter conseguido enviar cópias do filme a tempo para todos os membros da Academia conferirem o filme.

Ainda que não tenha recebido o crédito como coautora do roteiro, a diretora Ava DuVerney afirmou que fez alterações em 90% do texto de Paul Webb, incluindo ter dado uma nova versão para os discursos de Luther King – isso foi necessário porque outro estúdio tem os direitos dos originais.

Selma teria custado cerca de US$ 20 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 39,5 milhões. Ainda falta muito para ele começar a dar lucro.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para Selma. Uma avaliação boa mas que, na minha opinião, poderia ter sido melhor. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 157 críticas positivas e apenas duas negativas para a produção, o que lhe garante aprovação de 99% e uma nota média de 8,7.

Selma é uma coprodução dos Estados Unidos com o Reino Unido.

CONCLUSÃO: Um dos homens mais fantásticos de todos os tempos, Martin Luther King, em um momento decisivo não apenas de sua trajetória mas, e principalmente, dos Estados Unidos. Se em Lincoln assistimos a um homem corajoso mudando parte da história, aqui vemos a outro liderando um movimento fundamental para consolidar aquela mudança. Interessante assistir a Selma em 2015, ano em que um negro segue como presidente dos Estados Unidos e batalha para tornar aquele país ainda mais justo. Filme envolvente do início ao fim, com um ótimo roteiro, direção e um ator liderando todo o processo para quem precisamos tirar o chapéu. Vale muito o ingresso.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Indicado apenas em duas categorias, sendo apenas uma realmente relevante, infelizmente as chances de Selma são praticamente zero no Oscar. Quer dizer, ela pode até levar em Melhor Canção. Mas quem realmente se importa com esta categoria? As pessoas que vencem, evidentemente, e quem tem o nome lembrado em uma indicação. Mas é só.

Selma também concorre como Melhor Filme. Mas por ele ter sido indicado apenas a esta categoria e a Melhor Canção, chances zero para o filme. Uma pena. Acho que ele deveria estar competindo lado a lado com Boyhood e The Imitation Game. Para mim, os melhores filmes da lista até o momento.

Da minha parte, meu voto ficaria ainda para Boyhood, mas Selma seria a minha segunda escolha. E não ficaria chateada se ele ganhasse. Depois viria The Imitation Game. E todos os demais… bem, acho inferiores. Assim de simples. Só falta Whiplash para fechar esta minha avaliação. Veremos se ele muda algo. 🙂

Mas para resumir a avaliação sobre Selma, infelizmente o filme corre totalmente por fora. Acho que ele deveria ter sido lembrado em pelo menos outras duas categorias: Melhor Roteiro Original e Melhor Ator para o brilhante David Oyelowo. Não foi desta vez. Lástima.