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Trumbo – Lista Negra

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Quase todos os países do mundo já viveram épocas tenebrosas em suas histórias. Os Estados Unidos não é diferente. Na verdade, o mundo enquanto conjunto civilizatório já viveu diversas épocas tenebrosas e que valeriam variados filmes críticos. Trumbo trata de uma destas épocas sob uma ótica pouco mostrada pelos filmes de Hollywood: a chamada caça à bruxas dentro dos estúdios de cinema durante a Guerra Fria. Eu já tinha lido um bocado a respeito e sabia sobre a perseguição de vários nomes, mas nunca tinha visto um filme tão direto e focado neste assunto quanto este Trumbo.

A HISTÓRIA: Começa explicando que durante os anos 1930, em resposta à Grande Depressão e ao crescimento do Fascismo, milhares de americanos se filiaram ao Partido Comunista dos Estados Unidos. Depois que os Estados Unidos se aliaram à União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial, muitos mais se juntaram ao partido. O roteirista Dalton Trumbo, antigo defensor dos direitos trabalhistas, tornou-se membro do partido em 1943. Mas a Guerra Fria lançou uma nova luz de suspeita sobre os comunistas americanos. A história propriamente começa em 1947, na propriedade de Trumbo ao norte de Los Angeles. Vemos o autor trabalhando, o cenário de Hollywood naquela época e o início da caça aos comunistas em Hollywood.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Trumbo): Gosto de filmes que falam de cinema e da relação que esta arte tem com a sociedade e vice-versa. Eles não são muito frequentes, por isso é sempre um deleite quando encontramos uma boa produção que trate desta indústria. Trumbo, para ser ainda melhor, não trata de uma fase qualquer da indústria, e sim quando ela mudou para sempre.

Há diversos acertos e alguns pequenos deslizes neste filme. Primeiro, vou falar de todos os acertos – que, em número, excedem em muito as falhas da produção. Para começar, o roteirista John McNamara, baseado no livro de Bruce Cook, acerta em focar a carreira de Trumbo pouco antes dela começar a ser questionada e desmoronar. Não demora muito, assim, para o filme entrar na questão central, que foi a criação pelo Comitê de Atividades Anti-Americanas, criado em 1938, de um inquérito para investigar a Indústria Cinematográfica de Hollywood em 1947.

Ao mesmo tempo que o roteiro de McNamara acerta em ir direto ao ponto e em se debruçar no que aconteceu durante, imediatamente depois e nos anos seguintes deste processo que ficou conhecido como “caça às bruxas em Hollywood”, o filme perde um pouco de contextualização. Eis um motivo para, apesar de soberbo, brilhante e necessário, este filme não ser perfeito.

Valeria ter gasto alguns minutos a mais para explorar melhor aquelas ameaças de greve que aparecem rapidamente no início de Trumbo. Na verdade, elas foram causadas, mais que por influência dos “comunistas”, como o filme pode ter sugerido, por uma mudança de lógica em Hollywood. Na década de 1940 os grandes estúdios, até então predominantes nas decisões de Hollywood, estavam começando a ruir enquanto catalisadores da indústria. Grandes diretores e atores surgiram com poder criativo e de escolha, ditando regras e não mais repetindo as velhas fórmulas dos estúdios.

Neste cenário, naturalmente diversas categorias começavam a exigir mais. Trumbo mostra os designers de produção fazendo piquetes e greve, mas na história de Hollywood há diversos outros profissionais que fizeram isso. Uma das greves mais conhecidas foi a relativamente recente paralisação dos roteiristas de Hollywood entre o final de 2007 e o início de 2008, em uma paralisação que durou 100 dias e que afetou produções para o cinema e para a televisão – confira aqui uma matéria que fala do final desta greve.

Comentei isso apenas para deixar claro que a greve dos designers de produção e as manifestações de outras categorias na Hollywood da segunda metade dos anos 1940 tinha pouco a ver com os comunistas. Verdade que eles defendiam uma outra organização econômica e social, mas nem todos eram panfletários. E mesmo que fossem, eles não faziam isso através dos filmes e sim em sua vida particular. Trumbo, o filme, mostra isso com propriedade.

Gostei muito do roteiro de McNamara e da direção de Jay Roach. Os dois realmente focam no personagem central, o roteirista Dalton Trumbo, mas nem por isso ignoram o que acontece ao redor dele. Verdade que acho que faltou um pouco mais de contextualização histórica, como eu comentei antes. Afinal, depois da prisão e da soltura de Trumbo, passados alguns anos daquela perseguição descabida, parece um tanto inusitado para quem não acompanhou a história de Hollywood o ator Kirk Douglas (interpretado por Dean O’Gorman) bater à porta do roteirista para pedir que ele refizesse o roteiro de Spartacus.

Afinal, quando Trumbo começa, figuras como Louis B. Mayer (interpretado por Richard Portnow), um dos fundadores do estúdio MGM, é quem dita as regras da indústria. Como, anos depois, Kirk Douglas era o produtor de seu próprio filme e, junto com Stanley Kubrick, foi o grande responsável por Spartacus? Isso tem a ver com o que eu disse antes, com a ascensão de diretores como Alfred Hitchcock e de atores como Huphrey Bogart e Kirk Douglas, que ganharam mais independência, autoridade e autonomia, enquanto os estúdios perderam força.

Essa falta de contextualização atrapalha um pouco Trumbo. Senti falta também de serem citados mais nomes perseguidos naqueles tempos. Afinal, verdade que Trumbo fez parte do “The Hollywood Ten” (Os Dez de Hollywood), primeiro grupo identificado e penalizado por ser comunista e trabalhar em Hollywood, mas em junho de 1950 três ex-agentes de FBI e um produtor de televisão de direita, Vincent Harnett, publicaram o Red Channels.

Esse documento listava nada menos que 151 nomes de roteiristas, diretores e atores que passaram a integrar a lista negra do Comitê de Atividades Anti-Americanas. Conforme as pessoas eram convocadas para falar com o Comitê e preferiam ficar caladas, elas também eram listadas – cerca de 320 pessoas passaram a fazer parte desta lista que as impedia, em teoria, de trabalhar na indústria. Entre os nomes incluídos nesta relação estavam os de Leonard Bernstein, Charlie Chaplin, John Garfield, Dashiell Hammett, Lillian Hellman, Arthur Miller e Orson Welles.

Claro que eu não esperava que Trumbo listasse todos esses nomes, mas poderia ter indicado, aqui e ali, no roteiro de McNamara, alguns destes nomes conhecidos além daqueles 10 iniciais que acabaram presos. Mas esses são os únicos aspectos que me “incomodaram” um pouco neste filme, pensando neles especialmente depois que a produção terminou. Porque enquanto o filme está se desenrolando ele é apenas um grande deleite.

Trumbo acerta ao mostrar os bastidores de Hollywood e, principalmente, em focar os efeitos daquela caça às bruxas na vida dos nomes perseguidos e suas famílias. Para mim, o filme tem dois grandes recortes: o óbvio, sobre a indústria do cinema, e o menos óbvio, dos perigos da histeria coletiva e da política do medo. Especialmente o segundo tema é mais do que atual. Nos Estados Unidos, desde o ataque às Torres Gêmeas, a política do medo vive assombrando a população e a cultura do país, provocando estragos particulares e coletivos dentro e fora do país.

Falemos primeiro do recorte sobre Hollywood que o filme faz. Fiquei impressionada não apenas com a interpretação de Bryan Cranston, que está perfeito, mas também com os atores que interpretam personagens importantes daquela época e daquele círculo como Edward G. Robinson (interpretado por Michael Stuhlbarg), Hedda Hopper (a ótima Helen Mirren), John Wayne (David James Elliott), Arlen Hird (Louis C.K.), Buddy Ross (Roger Bart), Frank King (John Goodman), Hymie King (Stephen Root) e Otto Preminger (Christian Berkel). Ainda ainda o já citado Kirk Douglas e uma ponta de John F. Kennedy (Rick Kelly).

Sempre é um prazer ver tantos personagens importantes da história – especialmente de Hollywood – sendo reinterpretados e trazidos novamente “à vida”. A reconstituição de época e os “bastidores” do cinema que permeiam toda a história são interessantíssimos, especialmente para quem gosta do tema. Interessante ver as relações de poder e o jogo de interesses que permeia os diferentes estúdios e profissionais que atuam naquela área, assim como o governo e formadores de opinião – como a jornalista Hedda Hopper. Na época figuras como ela podiam destruir ou, pelo menos, abalar reputações com bastante facilidade.

Essa narrativa dos bastidores de Hollywood não é muito comum e, por isso mesmo, Trumbo se torna um filme diferenciado. No fim das contas, apesar de toda a pressão e “terrorismo” das pessoas que queriam acabar com os comunistas no país, o talento venceu. Com a ajuda inicial fundamental dos irmãos Frank King e Hymie King, Trumbo conseguiu sobreviver e, pouco a pouco, trabalhar cada vez mais – e até em demasia – para pagar as contas e dar estabilidade para a família.

E daí surge o outro aspecto interessante de Trumbo. Ao focar essencialmente em um personagem importante daquela época, o filme dirigido por Roach se aprofunda na personalidade e no cotidiano do personagem, mostrando não apenas o seu talento, mas também o seu contexto familiar e de amizades. Esta produção acerta, sem dúvida, ao fazer isso, porque daí percebemos os efeitos daninhos de uma perseguição aloprada como aquela da caça às bruxas. Vale lembrar também que aquele tipo de perseguição se espalhou pelo mundo, em diferentes países e realidades – no Brasil ela também existiu e, como diz Trumbo, vitimou não apenas a cultura, mas também tirou vida de várias pessoas.

Bueno, voltando para o filme. Ao se debruçar na história de Trumbo, vemos como aquela paranoia coletiva cobrou um preço alto das famílias, que eram hostilizadas por vizinhos e conhecidos e não podiam admitir o que os perseguidos faziam para viver. As pessoas eram condenadas pelo que elas acreditavam e pensavam e não por seus atos. Como Trumbo afirma na entrevista que o filme reproduz apenas uma parte, o tal Comitê de Atividades Anti-Americanas nunca conseguiu provar nenhuma atividade realmente daninha para o país.

O que aquela perseguição provocou foi a perda de liberdade de centenas de pessoas que, no fim das contas, foram impedidas de trabalhar. E sem trabalho, passaram por diversas agruras – algumas morreram, como diz Trumbo, vítimas dos efeitos desta perseguição. No caso do protagonista deste filme, depois que saiu da prisão Trumbo ficou obcecado por fazer exatamente aquilo que a caça às bruxas queria lhe impedir de fazer: trabalhar.

Obcecado por escrever cada vez mais, mas sem a possibilidade de assinar os próprios roteiros, Trumbo virava as noites, trabalhava praticamente o tempo inteiro e sem ter mais tempo para a família – algo que ele conseguia fazer muito bem antes de ser perseguido. O filme mostra muito bem essa mudança e a forma com que Trumbo acaba envolvendo toda a família naquela nova rotina – até que a esposa dele, Cleo (interpretada pela ótima Diane Lane), resolve dar um basta e chamar a atenção do marido sobre a forma repressora que ele adotou em casa.

Esse filme tem grandes momentos – dois que me tocaram muito foi a conversa de Cleo com o marido e as vezes em que a família dele, em casa, torceram para que ele ganhasse os dois Oscar’s que ele ganhou assinando com outros nomes duas produções premiadas pela Academia.

Todo o contexto cruel que cercou todas aquelas vidas é um verdadeiro absurdo. E é bom falar deste absurdo hoje, em 2016, porque há muitas figuras que querem voltar para aquele tempo de censura e de perseguição. É preciso recordar, lembrar, para impedir que histórias assim se repitam. Trumbo funciona muito bem neste sentido. Grande filme, mais uma das boas descobertas apresentadas pelo Oscar 2016.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Vale listar os “The Hollywood Ten”: Herbert Biberman, Lester Cole, Albert Maltz, Adrian Scott, Samuel Ornitz, Dalton Trumbo, Edward Dmytryk, Ring Lardner Jr., John Howard Lawson e Alvah Bessie. Eles foram condenados a períodos que variaram entre seis e doze meses de prisão.

O tema da caça às bruxas feita em Hollywood é fascinante. Vale buscar mais a respeito. Recomendo, para quem quiser iniciar essa pesquisa, este texto bem ilustrativo sobre o Macartismo da Planeta Educação; também este outro texto do blog Ready for My Close Up Now que não apenas traz os nomes e obras dos 10 de Hollywood, mas também os movimentos de solidariedade à eles (algo que Trumbo também ignora); vale dar uma olhada neste texto da revista Época, com outras informações curiosas sobre o período; e, mesmo escapando um pouco do tema, mas complementando ele um bocado, vale a leitura deste texto da História Viva sobre a “colaboração” ou influência direta do Exército americano no cinema até que eles se divorciaram após o Vietnã.

Trumbo não trata do tema, mas o blog Ready for My Close Up Now lembra bem que se existia o MPA (Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals), que tinha entre um de seus líderes John Wayne, também existia para contrabalancear a balança o Comitê Pela Primeira Emenda que contava com Humphrey Bogart, Lauren Bacall, John Huston, entre outras personalidades que defendiam os 10 de Hollywood. Aliás, falando em MPA, Trumbo não trata disso, mas ela foi fundada por Walt Disney – sim, meus caros! – e tinha como participantes, ainda, Gary Cooper, Barbara Stanwick, Cecil B. DeMille, Ginger Rogers, Ronald Reagan, King Vidor, entre outros.

Uma coisa, e Trumbo aborda bem isso, é alguém “dedurar” um colega para sobreviver, como alegou o ator Edward G. Robinson, interpretado com precisão e brilhantismo por Michael Stuhbarg, outra bem diferente é a delação “por prazer”, praticamente, como aquela feita por Elia Kazan – que era brilhante, mas pisou na bola ao destruir a vida de diversos colegas. Diversos nomes não precisavam ter denunciado os colegas para sobreviver.

O diretor Jay Roach acerta ao apostar no talento de Bryan Cranston e estar sempre próximo do ator, assim como dos outros personagens próximos a ele. Ele faz uma boa e competente direção, mas sem nenhuma grande “invenção”. O que é bom, porque valoriza o trabalho dos atores e o bom roteiro de John McNamara – ainda que ele tenha falhado em alguns pontos que eu já comentei, especialmente na falta de contextualização e da citação de mais nomes daquele contexto histórico.

O elenco de apoio do filme é muito competente – e chama a atenção a quantidade de estrelas. Além de Bryan Cranston, se destacam Helen Mirren, Diane Lane, Michael Stuhlbarg e Louis C.K. Mas além deles e dos outros nomes já citados, vale comentar o bom trabalho dos atores que dão vida para os filhos dos Trumbo: Toby Nichols como Chris Trumbo entre as idades de seis e 10 anos; Madison Wolfe como Niki Trumbo na idade entre oito e 11 anos; Meghan Wolfe como Mitzi Trumbo na idade entre seis e oito anos; Mitchell Zakocs como Chris Trumbo entre os 10 e os 12 anos; Mattie Liptak como Chris Trumbo entre os 13 e os 17 anos; Becca Nicole Preston como Mitzi Trumbo entre os nove e os 12 anos; John Mark Skinner como Chris Trumbo quando ele tem 29 anos; e a sempre competente Elle Fanning como Niki Trumbo na fase universitária/adulta quando ela tem uma troca mais madura com o pai.

Da parte técnica do filme, vale destacar a ótima trilha sonora de Theodore Shapiro; a direção de fotografia de Jim Denault; a edição de Alan Baumgarten; o design de produção de Mark Ricker; a direção de arte de Lisa Marinaccio e Jesse Rosenthal; a decoração de set de Cindy Carr; e os figurinos de Daniel Orlandi. Todos eles, especialmente os últimos, são fundamentais para a ambientação da história.

Achei os irmãos King – que, na verdade, tinham o sobrenome Kozinsky – mais que admiráveis. Eles deram emprego não apenas para Trumbo, mas para vários outros nomes perseguidos pela lista negra. Vale dar uma conferida na história deles neste link da Wikipédia.

Eu nem preciso dizer que Bryan Cranston mais que mereceu a indicação como Melhor Ator no Oscar 2016, né? Grande ator. Espero que ele faça mais filmes excelentes e que logo mais ganhe, por mérito puro, uma estatueta dourada. Este ano não tinha como porque a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood já devia um Oscar há tempos para o Leonardo DiCaprio, mas eu espero, sinceramente, que a hora de Cranston chegue. Agora, falando ainda e Oscar, Helen Mirren bem que podia ter sido indicada como Melhor Atriz Coadjuvante pelo trabalho neste filme, não? Ela está tão bem que não tem como não odiar a personagem que ela está fazendo. 😉

Trumbo estreou em setembro de 2015 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme participaria, ainda, de outros sete festivais mundo afora. Nesta trajetória, até o momento, o filme recebeu dois prêmios e foi indicado a outros 31. Ele rendeu apenas o terceiro lugar como Melhor Ator para Bryan Cranston no Prêmio dos Críticos de Cinema de Iowa; o Spotlight Award no Festival Internacional de Cinema de Palm Springs para Bryan Cranston e o prêmio de Melhor Ator para Cranston no Prêmio da Associação de Críticos de Cinema Southeastern.

Algo que este filme aborda e que nunca eu vou entender: por que tantas pessoas tem medo de outras que pensam diferente e preferem combatê-las do que aceitar que elas tem o direito de pensar diferente? Isso já aconteceu muito na história da Humanidade – da Inquisição na Idade Média até a “blacklist” de Hollywood – e volta e meia alguém tenta fazer este tipo de medo e de atitude predominar. Temos que estar alertas e cada vez mais defender que todas as pessoas tenham liberdade de pensar diferente – desde que este pensamento não se materialize em crime e infrinja as leis, evidentemente. Neste segundo caso, a aplicação da lei deve ser feita. E isso é tudo.

Agora, algumas curiosidades sobre o filme: o diretor Jay Roach disse que muitas cenas de Trumbo em que o protagonista escreve sozinho na mesa ou na banheira foram improvisadas por Bryan Cranston enquanto as câmeras estavam rodando e que ele realmente estava criando frases para os roteiros que o personagem estaria escrevendo.

O ator Steve Martin comentou que quando ele era muito jovem a sua namorada e a família dela lhe apresentaram novas ideias e oportunidades intelectuais – e o pai dela era Dalton Trumbo, de quem Martin nunca tinha ouvido falar até aquele momento.

Gary Oldman foi cogitado para o papel de Trumbo. Francamente, Cranston faz um trabalho tão impressionante como o roteirista que eu não consigo imaginar mais ninguém como protagonista deste filme.

Importante observar duas “incorreções” do filme. Edward G. Robinson, na verdade, nunca delatou nenhum nome para o Comitê, como Trumbo mostra. Ele testemunhou quatro vezes, mas nunca apontou nenhum nome. Outro personagem, Arlen Hird, não existiu com este nome – ele é, na verdade, um amálgama de vários nomes de escritores que fizeram parte da lista negra. Observando a lista dos 10 de Hollywood, da qual ele teria feito parte, realmente já dá para perceber isso. Curioso não terem escolhido um outro personagem real, não é mesmo? Não vi muito a razão para isso. Também não entendi porque colocar Robinson como delator quando ele não foi – e outros sim.

Trumbo fez pouco mais de US$ 7,8 milhões nos Estados Unidos. Somando com o que a produção fez nas outras bilheterias mundo afora, ele chegou a US$ 8,2 milhões. Ainda pouco para o filme.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para esta produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 107 críticas positivas e 38 negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de 74% e uma nota média de 6,7. Fiquei curiosa para ver o documentário sobre Trumbo. Será que é melhor que o filme? Alguém viu e quer comentar? 😉

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos.

CONCLUSÃO: Filme extraordinário e que conta um momento muito importante da história não apenas dos Estados Unidos, mas do mundo. Afinal, enquanto artistas eram perseguidos naquele país, tínhamos situação parecida no Brasil quando por aqui tivemos ditadura militar, e em tantos outros países em fases um pouco anteriores ou posteriores. Bem narrado, com um ator de primeiríssima linha como protagonista e um belo elenco de apoio nos outros papéis, Trumbo é um destes filmes inevitáveis para quem gosta de cinema.

Quem dera que mais filmes se debruçassem não apenas nas relações e bastidores da Sétima Arte, mas que também falassem de épocas tenebrosas da nossa história coletiva. O filme acerta no ritmo e na crítica, assim como na imersão na história pessoal e profissional do protagonista. Por pouco ele não é perfeito. Senti falta da produção citar mais nomes importantes de Hollywood que foram perseguidos naquela época, assim como explicar um pouco melhor a mudança do “sistema” da indústria, que deixou naqueles anos de ser dominada por grandes estúdios para passar a ser muito mais autoral.

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Inside Out – Divertida Mente

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Logo depois de nascer, começamos a sentir. Há um choque importante de realidade quando saímos da barriga da nossa mãe. Depois daquele instante e durante a vida inteira, até o último minuto, vamos sentir. Especialmente os sentimentos primários, mas também outros que vão se tornando complexos – ou seriam apenas os primários mais “amadurecidos”? Não importa. É sobre sentimentos e sobre o passar do tempo que Inside Out trata. Algo surpreendente para um desenho animado, não é mesmo? Mas esse filme é genial justamente por isso, por tratar de forma tão divertida questões tão fundamentais e ao mesmo tempo complexas.

A HISTÓRIA: Começa com uma declaração: “Você já olhou para uma pessoa e pensou o que se passava na cabeça dela?”. Ela diz que sabe, pelo menos na cabeça da Riley (voz de Kaitlyn Dias). Vemos a imagem da pequena Riley, pouco depois de ter nascido, abrindo os olhos pela primeira vez e vendo aos pais dela. Daí surge a Alegria/Joy (voz de Amy Poehler), que vê tudo maravilhada e aperta um botão no cérebro da menina. Ao fazer isso, Riley sorri e surge a primeira memória feliz da menina.

A Alegria fala do momento incrível, em que existia apenas ela e Riley. Até que surge a Tristeza/Sadness (voz de Phyllis Smith). Conforme a menina foi tendo experiências e crescendo, a “sala de comando” no cérebro recebeu outros personagens: o Medo/Fear (voz de Bill Hader), a Raiva/Anger (voz de Lewis Black) e o Nojo/Disgust (voz de Mindy Kaling). Esse filme conta sobre a relação deles e de Riley conforme o tempo vai passando.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Inside Out): Quando esse filme estreou nos cinemas acompanhei, com aquela distância saudável, o burburinho das pessoas sobre como ele seria genial. Ainda assim, perdi o momento de assisti-lo no cinema. Agora, como ele virou o favorito para ganhar o Oscar de Melhor Filme de Animação, resolvi conferir o filme. E fiquei deliciada com o que eu vi.

Admito que achei brilhante o começo do filme. A forma com que o roteiro de Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley, baseado na história original de Docter e de Ronnie Del Carmen, contam a relação entre os sentimentos essenciais e as interações entre as “pessoas reais” da família de Riley. Simplesmente fascinante não apenas a relação entre os sentimentos e a forma com que eles se manifestam nos personagens, mas também a forma com que o filme trata o tempo.

Achei lindo e achei brilhante. A narrativa é incrível, pelo menos até que a Alegria e a Tristeza mergulham em uma aventura dentro do cérebro após abandonarem a “sala de comando” atrás das memórias fundamentais (ou memórias-base) da protagonista. Fascinante como os diretores Pete Docter e Ronnie Del Carmen contam essa história, equilibrando os conceitos das emoções e da relação delas com o indivíduo, a memória, o sonho e tudo o mais que compõe essa complexa realidade da nossa mente.

Muito criativa a forma com que Inside Out trata não apenas a forma com que reagimos às situações conforme estamos “dominados” e/ou com certas emoções no comando, mas também como as memórias marcantes para a gente acabam se transformando em nossas “ilhas” da personalidade. No caso da protagonista desta animação os fatos que aconteceram em sua vida até os 11 anos a levaram a ter ilhas da família, do hockey, da honestidade e da amizade.

Essas ilhas são os elementos fundamentais para qualquer um de nós. São os elementos que achamos importantes e que são alimentados durante a nossa vida. Mas conforme os sentimentos influenciam nas nossas memórias mais importantes e nestas “ilhas de personalidade”, tudo pode mudar. O que era visto como algo sólido e permanente pode mudar e desmoronar.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Em certo momento, quando a Raiva, o Medo e o Nojo ficam perplexos com o sumiço da Alegria e da Tristeza, Riley fica sem reação, como que perplexa. Depois, em outra situação, a sala de comando vai perdendo a capacidade de influenciar a menina porque ela está começando a “não sentir nada”. Quantas vezes, especialmente quando ficamos mais velhos, tem situações que parecem nos fazer “não sentir nada”? Nestas horas os elementos importantes da nossa personalidade parecem mesmo desligados.

Há muitos momentos grandes nesse filme. Como quando vemos as emoções da mãe (com voz de Diane Lane) e do pai (voz de Kyle MacLachlan) de Riley. Esse momento, em especial, me fez pensar. Como vocês devem ter notado, normalmente na cabeça de Riley quem está no centro da mesa de comando e tenta influenciar aos demais é a Alegria. No caso da mãe da menina quem faz esse papel é a Tristeza e, no caso do pai da protagonista, a Raiva. Isso não quer dizer que eles façam tudo, mas fica evidente a figura central de cada uma destas emoções para cada um dos personagens.

Ora, isso faz pensar. Quando somos crianças e até uma certa parte da nossa vida parece mesmo que a Alegria está no comando. Quando deixamos que outros sentimentos tomem o protagonismo da nossa vida? Quando a Raiva, a Tristeza ou o Nojo assumem o centro da mesa de comando e passam a influenciar aos demais? Pessoalmente eu fiquei pensando qual destes sentimentos primários estão no centro da sala de comando do meu cérebro. Parece bobagem, mas não é. 😉 E você, que sentimento está no comando do teu dia a dia?

Os filmes de animação são, em sua essência, entretenimento. Por isso mesmo é de aplaudir um filme do gênero que permita reflexões como essa. Maravilhoso. Outro requinte interessante deste filme é mostrar como as emoções tem, elas próprias, características de identidade muito definidas. Há várias cenas engraçadas no filme por causa disso, mas destaco, em especial, aquela em que a Tristeza está tão triste que ela não quer nem caminhar e a Alegria começa a puxá-la pela perna. hahahahahaha. Muito bom!

Enfim, esse filme tem diferentes sequências geniais, muito criativas e inteligentes. Mas para não dizer que o filme é perfeito, acho que ele perde muito o ritmo naquela sequência quase interminável da Alegria e da Tristeza tentando voltar para a sala de comando. O filme, que talvez estivesse “filosófico” demais para o gosto do grande público que os produtores queriam alcançar, acaba apostando muitas fichas no estilo aventura/ação para entreter o público. Daí entra em cena o antigo amigo imaginário de Riley, o personagem Bing Bong (com voz de Richard Kind).

Claro que a imersão dentro do cérebro da protagonista rende momentos interessante, como o ambiente do pensamento abstrato e a Terra da Imaginação. Mas há diversas sequências que poderiam ter sido resumidas e o caminho de retorno das duas emoções básicas para a sala de comando também poderia ter sido um pouco acelerado. No lugar daqueles caminhos quase intermináveis com Bing Bong, a Alegria e a Tristeza, poderíamos ter acompanhado mais da vida real de Riley com as suas emoções restritas.

Dá para entender a escolha dos produtores, mas acho que algumas sequências realmente não ajudaram tanto o ritmo da história quanto outras poderiam ter feito em seu lugar. Por outro lado, algumas sequências com Bing Bong servem para ajudar a dar “a moral da história”. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Por exemplo, quando o personagem está lamentando que jogaram fora o foguete que ele queria usar para levar Riley até o espaço e a Tristeza chega para consolá-lo. Neste momento a Alegria começa a perceber que a Tristeza pode ter uma função importante.

Ainda que as emoções acreditem que para Riley ser feliz ela precisa da Alegria, a verdade é que todos os sentimentos tem a sua importância. Muitas vezes é uma reação provocada pela Raiva, pelo Medo, pela Tristeza ou pelo Nojo que pode levar não apenas à sobrevivência da pessoa, mas também abrir espaço para a Alegria. Neste sentido, interessante também com os sentimentos dos adultos, aparentemente, amadureceram junto com eles. A análise se tornou mais complexa, assim como os comandos que eles tem à disposição.

Finalmente, é engraçado ver como os sentimentos de Riley acreditam que o pior já passou quando ela supera a mudança de cidade e todos os desafios que surgem a partir daí – novos amigos, escola diferente, falta inicial de hockey, pais muito ocupados e um pouco ausentes, etc. Quando tudo é superado, eles pensam: “Ela tem 12 anos, o que mais pode acontecer?”. Os sentimentos não sabem, assim como Riley, que os acontecimentos complexos mal começaram. Mas a forma com que esse filme tratou o assunto é apaixonante e de tirar o chapéu.

NOTA: 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Achei esse filme divertido, sensível e inteligente na mesma medida. Ele tem um olhar bacana sobre a vida, as relações, nossas escolhas e sentimentos. Inside Out é uma forma bacana e lúdica de encarar o cérebro e o que acontece ali dentro. Uma bela sacada dos dos diretores e criadores da história original Pete Docter e Ronnie Del Carmen. Uma história realmente original.

Da parte técnica do filme, sem dúvida tem destaque o trabalho de edição de Kevin Nolting, o design de produção de Ralph Eggleston, o departamento de arte de Kevin Dart, os efeitos visuais criados por 48 profissionais e, claro, a essência do filme que é o trabalho do departamento de animação com o número impressionante de 269 profissionais envolvidos. Uau!

Achei a trilha sonora de Michael Giacchino boa, mas nada muito além do normal. Nada que mereça ser destacado. De qualquer forma, ao menos para mim, foi bom ver um filme de animação que não tivesse algum “momento para a música emocionante que será cantada por algum personagem principal”. Essa tem sido praticamente a regra dos filmes do gênero e gostei por Inside Out não ter utilizado este recurso. Só para variar. Isso é bom.

Inside Out estreou no Festival de Cinema de Cannes em maio de 2015 e, depois, ele passaria ainda por outros cinco festivais e um fórum de cinema. Nesta trajetória o filme recebeu 51 prêmios e foi indicado a outros 84, incluindo indicações em duas categorias do Oscar 2016. Entre os prêmios que recebeu destaque para o Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação; para o prêmio de Melhor Filme de Animação e por ter aparecido na lista dos Filmes Top do ano segundo a National Board of Review; e outros 33 prêmios como Melhor Filme de Animação. Ele também foi escolhido como um dos 10 melhores filmes do ano pelo Prêmio AFI.

Esta produção teria custado US$ 175 milhões, aproximadamente, e faturado, apenas nos cinemas dos Estados Unidos, pouco mais de US$ 356,5 milhões até dezembro de 2015. Nos outros mercados em que o filme estreou ele fez outros US$ 500,35 milhões. No total, até o momento, o filme teria feito US$ 856,8 milhões. Nada mal, hein? Sem dúvida alguma ele deu lucro e fez a alegria dos produtores. 😉 Um grande sucesso de público e de crítica, pois.

Ainda que tenha sido coproduzido pela Disney, este filme foi totalmente feito nos Estúdios de Animação da Pixar na Califórnia.

Agora, algumas curiosidades sobre o filme. Os roteiristas consideraram até 27 emoções diferentes mas, no final das contas, resolveram ficar com cinco para tornar a produção menos complicada. Algumas das principais emoções que acabaram sendo cortadas incluíam Surpresa, Orgulho e Confiança.

Segundo Pete Docter cada emoção foi baseada em uma forma. Alegria foi inspirada na forma de uma estrela, a Tristeza em uma lágrima, a Raiva em um tijolo de fogo, o Medo em um nervo exposto e o Nojo no brócolis. Ainda que o diretor jura que gosta bastante de brócolis. 😉

Psicólogos e outros especialistas foram consultados para que o roteiro do filme pudesse ser feito o mais próximo possível da realidade científica. Um exemplo disso é que realmente se acredita que as memórias de curto prazo feitas durante o dia são convertidas em memórias de longo prazo à noite, durante o sono, o que acontece no filme a respeito de Riley.

Inside Out recebeu uma ovação com oito minutos de aplausos na estreia no Festival de Cinema de Cannes.

O desenhista de produção Ralph Eggleston trabalhou durante cinco anos e meio neste filme. Foi o tempo mais longo que ele dedicou para uma produção – ele considerou também o processo mais difícil de sua carreira.

A inspiração de Pete Docter para Inside Out veio da própria observação dele do crescimento turbulento de sua filha. Inicialmente ele e Ronnie Del Carmen pensaram na Alegria se unindo com o Medo naquela viagem pelo interior do cérebro, mas depois que Docter fez uma caminhada e teve alguns pensamentos tristes, temendo perder o emprego e os amigos, ele percebeu que a Alegria deveria caminhar com a Tristeza para perceber que estaria tudo bem se algumas vezes a Tristeza tomasse conta das situações. Bacana.

O namorado imaginário de Riley está baseado na boy band britânica One Direction – segundo Pete Docter a filha dele, que inspirou a protagonista, era fã da banda.

Na versão norte-americana do filme – que foi a que eu acabei assistindo – o pai de Riley está pensando em cenas de uma partida de hockey, enquanto na versão do filme para o mercado internacional ele está pensando em uma partida de futebol. Um tema que volta e meia aparece no filme é a ojeriza de Riley por brócolis. Pois bem, na versão japonesa da produção ela não suporta pimentas verdes.

Na versão hebraica do filme o personagem de Bing Bong aponta para as letras de Perigo na entrada da sala do Pensamento Abstrato movendo o dedo da direita para a esquerda que é a forma com que o hebraico é escrito.

Em uma cena da Dream Productions, estúdio que produz os sonhos da protagonista, a diretora pede para que seja colocado o “filtro de distorção da realidade”. Para quem assistiu a Steve Jobs (comentado aqui) ou leu o livro homônimo sabe que esta é uma referência a Steve Jobs que, por um bom tempo, foi fundamental para a Pixar.

Aquela cena do jantar, em que a mãe de Riley tenta chamar a atenção do marido veio da própria experiência pessoal de Pete Docter.

Originalmente Riley teria um cachorro e um irmão mais novo, mas depois os realizadores decidiram retirar os dois de cena para dar mais destaque para a protagonista e para ela parecer mais vulnerável.

A cena em que os dois guardas do subconsciente ficam discutindo de quem é o chapéu um do outro é uma referência para a troca de chapéu entre os personagens de Vladimir e Estragon na peça Esperando Godot de Samuel Beckett.

Existem uns quadrinhos britânicos chamados The Beano e que são publicados desde os anos 1960 que tem os The Numskulls como personagens que vivem dentro de “pessoas reais” e que comandam tanto as funções emocionais quanto mecânicas destas pessoas. Depois que Inside Out foi lançado saiu uma HQ em que os The Numskulls assistem e criticam o filme dentro da pessoa em que eles estão.

Este é o terceiro filme de Pete Docter para a Pixar. Ele dirigiu, antes, Monsters, Inc., de 2001, e Up, de 2009 (com crítica neste link). Por outro lado, Inside Out marca a estreia na direção de Ronnie Del Carmen.

O filme teria o mesmo conceito da produção feita para a TV Herman’s Head, de 1991.

No início as memórias de Riley tem apenas uma cor, porque em cada uma predomina apenas uma emoção. Depois, perto do final, essas memórias tem cores misturadas, o que revela a maturidade nos sentimentos dela e a passagem da protagonista da infância para a adolescência. Interessante. Não tinha pensado sobre isso até ler esse comentário dos produtores.

O diretor Pete Docter coleciona nada menos que sete indicações ao Oscar e uma estatueta dourada por Up, produção dirigida por ele e que ganhou como Melhor Filme de Animação em 2010. Além dos três longas dirigidos por ele e já citados, ele tem no currículo como diretor os curtas Winter (1988), Palm Springs (1989), Next Door (1990), o curta em vídeo Mike’s New Car (2002) e o segmento do Oscar sobre o filme Up lançado em 2010. No roteiro ele tem como um dos criadores das histórias originais de Toy Story, Toy Story 2, Wall-E e de Toy Story 4 (este último em pré-produção). Ele também assinou o roteiro do curta Party Central. Um sujeito brilhante.

O filipino Ronnie Del Carmen estreou nos longas com este filme. Antes ele dirigiu dois episódios da série de TV Freakazoid! e o curta em vídeo Dug’s Special Mission.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,3 para Inside Out, uma bela avaliação levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 296 críticas positivas e cinco críticas negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota média 9 – uma avaliação impressionante, especialmente se levarmos em conta a quantidade de críticas que este filme recebeu.

Inside Out é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso ela entra na lista dos filmes que atendem a uma votação aqui no blog que pedia críticas de produções daquele país.

CONCLUSÃO: Um filme brilhante no início e que depois dá uma desacelerada na condução da trama importante. No lugar de dar mais espaço para o enredo um tanto psicológico, um tanto filosófico, a Disney e a Pixar resolveram ceder para o “gosto” do público mais geral e colocar um bocado de “aventura” e de ação na trama. O filme não estraga quando entramos nas diferentes partes do cérebro mas, claramente, ele perde força. Ainda assim, fiquei fascinada pelo roteiro.

Além de instigante, ele realmente faz rir em alguns momentos e também faz pensar. O que mais você pode querer de um filme de animação? Uma grande e grata surpresa, apesar de já ter ouvido todo o burburinho elogioso causado pelo filme quando ele estreou. Não ser contaminada pelos elogios e conseguir realmente apreciar o filme só demonstra a qualidade de Inside Out.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Ele é o franco favorito para levar a estatueta de Melhor Filme de Animação nesta premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Por isso mesmo preferi assistir a ele antes do que ao filme O Menino e o Mundo, primeiro longa de animação brasileiro a concorrer a um Oscar. Além de concorrer como Melhor Filme de Animação, Inside Out também concorre na categoria de Melhor Roteiro Original.

Quis assistir ao favorito Inside Out para, quando assistir na sequência ao brasileiro, eu poder avaliar com mais propriedade cada um deles. Até o momento, assisti apenas a Inside Out e a Shaun the Sheep Movie (comentado aqui) entre os concorrentes. E não tenho dúvida em dizer que o filme dirigido por Pete Docter e Ronnie Del Carmen merece ganhar. Não que Shaun the Sheep Movie não seja bom e divertido, mas sem dúvida alguma Inside Out tem como diferencial uma história realmente instigante e inovadora.

Bem dirigido e bem escrito ele só peca, para o meu gosto, no momento em que decide apostar mais na ação do que em aprofundar a história que ele vinha contando. Não é perfeito, mas chega perto. Realmente, com tantas qualidades e ainda com dois grandes estúdios por trás – Disney e Pixar -, sem contar o grande capital envolvido, vejo muita dificuldade para o independente O Menino e o Mundo ganhar a batalha com Inside Out. Ainda preciso ver ao filme brasileiro mas, desde já, me parece que se Inside Out levar a estatueta não terá sido injusto. Belo filme.

Esta produção também concorre, como comentei acima, em Melhor Roteiro Original. Não assisti ainda a Ex Machina e Straight Outta Compton, que também concorrem nesta categoria, mas vi a Spotlight (comentado aqui) e a Bridge of Spies (com crítica neste link). Esse último, para mim, não tem chance nenhuma. Para o meu gosto, ainda que o roteiro de Inside Out seja bacana e original, ele não ganha na disputa com Spotlight. Até porque acho que Spotlight corre um sério risco de ganhar como Melhor Filme e, sem dúvida, como Melhor Roteiro Original. Acho que Inside Out corre um pouco por fora nesta categoria.