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La La Land – La La Land: Cantando Estações

Hollywood ama a “fábrica de sonhos” chamada Hollywood. O cinema também ama ser cinema. Neste contexto de autorreferência, de certa nostalgia e de homenagem ao jazz é que surge La La Land, um filme perfeito para Hollywood (se) premiar. Assisti à produção no cinema, em uma das sessões de pré-estreia, e foi algo divertido. O filme é envolvente e muito bem feito. Mas é o melhor filme do ano? Para o meu gosto, não.

A HISTÓRIA: Começa com uma fila gigantesca de veículos parados no trânsito de Los Angeles. Cada veículo tem uma ou duas pessoas e cada automóvel é um pequeno mundo envolto em uma música diferente. Em um destes veículos, Sebastian (Ryan Gosling) ouve repetidas vezes a uma composição no piano. No carro da frente, Mia (Emma Stone) tenta lembrar as linhas que ela precisará falar logo mais em uma nova audição. O filme começa no Inverno.

De repente, Sebastian buzina indignado porque Mia não avançou na fila. Os dois trocam xingamentos e olhares irados, mas seguem no trânsito. Na cafeteria dentro dos estúdios Warner em que trabalha, Mia fica fascinada por uma das estrelas do estúdio, mas logo é lembrada pelo celular sobre o horário da audição. Ela vai para lá, mas não dá certo. Ainda assim, ela não desiste de seu sonho de ser atriz, e em breve vai conhecer Sebastian que também sonha, mas em ter um bar de jazz.

VOLTANDO PARA A CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a La La Land): Vou ser sincera com vocês. Eu espera muito mais de La La Land. Seja pela coleção de prêmios que ele já ostenta e por ser o favoritíssimo para o Oscar, seja pelo filme anterior que eu vi do roteirista e diretor Damien Chazelle.

O início, os primeiros minutos de La La Land, para mim já foram um tanto frustrantes. Afinal, tudo que você não espera em pleno 2017 é ver um filme “clássico” do estilo musical. Não. Você espera um filme que renove o gênero, que introduza novas ideias. E aí, logo nos primeiros minutos de La La Land, somos apresentados para uma sequência óbvia e requintada de pessoas paradas no trânsito e que resolvem sair de seus carros para cantar e fazer uma coreografia “moderna” e que mostra diversidade da Los Angeles atual. Sério? Sério mesmo? Pensei isso quando assisti à cena.

Mas daí eu pensei: “Calma, tem muito para acontecer no filme ainda. Ele pode te surpreender”. Com uma certa ironia aqui e ali e, claro, demonstrando o seu grande talento estético e de ritmo, Chazelle apresenta um filme que tem diversos acertos e que tem a assinatura do realizador. Ainda assim e apesar da exuberância, das cenas lindas e das coreografias que nos fazem lembrar dos grandes, gigantes Ginger Rogers e Fred Astaire (se você não assistiu a nenhum filme deles, vá atrás agora mesmo!), La La Land parece uma grande homenagem ao cinema e ponto.

Há um compêndio de referências de Hollywood neste filme e, principalmente, a mensagem que vale sempre correr atrás de seus sonhos. Ok, a mensagem é bacana, mas não é nada inovadora. E mesmo a forma de seguir esta linha de raciocínio não é nova. Temos grandes momentos, o filme é lindo e nos remete a grandes episódios do que já foi Hollywood, mas como a própria protagonista fala, em determinado momento, ele me parece um tanto saudosista demais.

Entendo as razões que fizeram a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood dar todos os prêmios possíveis no Globo de Ouro para La La Land. Afinal, além da mensagem de “nunca desista dos seus sonhos”, qual é o grande tema desta produção? Hollywood e a sua fábrica de sonhos. O filme mostra toda a “fauna” que gira em torno dos estúdios de cinema de Los Angeles, todas as pessoas que pensam em um dia viver da arte e o que elas fazem para chegar lá.

Em uma época em que um presidente como Donald Trump está assumindo a presidência dos Estados Unidos e em que muitos artistas e imigrantes (muitos artistas são de fora do país) se sentem “ressabiados” ou com medo do que ele poderá fazer no cargo, La La Land lembra a todos sobre a importância/necessidade da “fábrica dos sonhos” de Hollywood. Além disso, e basta ver o histórico das premiações de cinema nos Estados Unidos, o cinema adora premiar a si mesmo.

Quanto a isso não há problemas, é algo legítimo. Mas em anos anteriores filmes do mesmo gênero que La La Land, como Moulin Rouge e The Artist (comentado neste link), renovaram os musicais cada um a sua maneira. The Artista, em especial, que também fazia uma homenagem escancarada para a “fábrica de sonhos” do cinema, foi ainda mais ousado que La La Land por resgatar um tipo de filme ainda mais esquecido, o do cinema mudo.

Com tudo isso eu não quero dizer que La La Land não seja divertido, que não faça a plateia rir ou se envolver. Não, ele consegue tudo isso. Há sequências realmente lindas e sacadas idem. Ryan Gosling faz um bom trabalho, mas é Emma Stone quem surpreende. A atriz é o melhor do filme, junto com algumas sequências belíssimas da produção.

Emma Stone tem em La La Land o filme da sua vida até aqui. Ela está linda, comovente e, principalmente, esbanja muito carisma. Mais que Gosling, que mantém o seu padrão de bom intérprete, mas que já fez filmes melhores. Além da sintonia entre os dois, o filme acerta no ritmo e no visual, além da edição que já virou marca registrada de Chazelle.

O roteiro… bem, o roteiro! Ele foi escrito para as pessoas que adoram uma boa história água-com-açúcar. Mas não surpreende em momento algum. A divisão da histórias em estações não é nada nova. A linha temporal de “garota conhece rapaz, os dois antipatizam no início mas depois se apaixonam” não poderia ser mais lugar-comum.

Assim como é bastante previsível o “perrengue” que os dois passam por boa parte da produção, a insistência de ambos, uma certa desistência dela e, finalmente, o sucesso para aqueles que persistiram. Até o desfecho para o casal não é mais surpreendente, após tantos filmes em que o “mocinho e a mocinha” não terminaram juntos. Enfim, absolutamente nada de novo no roteiro de Chazelle. Claro, há uma ou outra boa sacada aqui e ali, mas isso não deveria garantir o Oscar para ninguém. É pouco.

Ainda assim, é preciso uma justificativa para a nota abaixo. Afinal, ela não é baixa. Acho que Chazelle se sai bem, por um bom período do filme, em revisitar uma série de lugares-comum de forma envolvente. Com uma boa dinâmica de câmera e de edição, ele prende a atenção dos espectadores com uma história simples, deixando o trabalho mais difícil para os intérpretes que, claro, conseguem ter uma bela sintonia.

Além de tudo que eu já comentei, talvez a parte realmente interessante de La La Land é como o filme mostra a diferença entre a vida de sonhos e a vida real. Lá pelas tantas as cobranças e as palavras duras aparecem entre os protagonistas, e eles não sabem lidar muito bem com elas. Para mim, em termos de roteiro, o melhor momento da produção é quando Mia fica desiludida com a estreia de sua peça e decide voltar por um tempo, ao menos, para a casa dos pais.

Como ela mesma reflete, nem todo mundo dá certo. E talvez eu tivesse gostado mais de La La Land se ao menos um dos dois tivesse seguido um caminho que não fosse o do sonho. Afinal, esta é a realidade. Ok, o grande público vai para o cinema para ver o sonho. E por isso, talvez, La La Land tenha dado tão certo. O filme apresenta o que o público quer, sem fazer nada ousado no caminho.

Quando a produção confronta sonho com realidade, ela ganha pontos e chega a esboçar um final interessante. Depois, na sequência durante o piano no Seb’s ele volta a ousar ao mostrar um final que não seria previsível e que até poderia ser inovador. Mas no fim das contas, sempre, Chazelle acaba optando pelo óbvio e pelo que o grande público vai entender e gostar. Com isso ele está papando todos os prêmios. Bacana para ele. Mas não necessariamente para o cinema e a sua evolução.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Tenho que dizer. Emma Stone rouba a cena. A atriz está maravilhosa em seu papel. Relembra à todas as grandes atrizes do cinema no auge de Hollywood. Dos filmes que eu assisti com ela, La La Land é o seu melhor trabalho. Ryan Gosling é lindo e gostamos de tudo que ele faz, mas acho que aqui ele está charmoso e serve de um bom par para Emma Stone, mas nada além disso. Gostei mais dele em Drive (comentado por aqui), por exemplo.

Mesmo que o filme tenha ficado aquém do que eu esperava, algo tenho que admitir: há sequências realmente incríveis na produção. Gostei, em especial, das coreografias e das cenas dos protagonistas dançando no morro após a festa em que eles se reencontram e ela pede a música I Ran; da dança no Griffith Observatory, quando bailam em um “céu de estrelas”; claro, da bela cena em que os dois atores cantam a principal música da produção, “City of Stars”; e, finalmente, gostei da sequência de “outro final” que sai da imaginação de Sebastian (ou dos dois).

A homenagem mais clara e escancarada é para o cinema e a própria Hollywood. Mas Chazelle também deixa muito clara a sua homenagem para a música, especialmente o jazz. A exemplo do que ele já tinha feito no seu filme anterior, o interessante Whiplash.

Um acerto do filme, assim como de outras produções recentes, é de apostar as fichas em poucos personagens. A história de La La Land gira em torno de Mia e de Sebastian, e isso é bom, especialmente porque se trata de uma “história de amor”. Mas há outros atores ótimos que fazem papéis menores – alguns, praticamente pontas. Me chamou a atenção, em especial, a fina ironia do papel de J.K. Simmons como Bill, o dono do restaurante que obrigada Sebastian a tocar apenas músicas natalinas – nada mais contrastante e irônico com o papel dele em Whiplash.

Além dele, há outros atores que merecem ser citados: Rosemarie DeWitt como Laura, irmão de Sebastian; Callie Hernandes como Tracy, Jessica Rothe como Alexis e Sonoya Mizuno como Caitlin, as três amigas com quem Mia divide um apartamento na parte inicial da produção; Claudine Claudio como Karen, chefe de Mia na cafeteria; Olivia Hamilton em uma super ponta como Bree, a mulher que não quer comer glúten; Finn Wittrock como Greg, o namorado de Mia na parte inicial do filme; John Legend em um papel até com certa relevância como Keith, amigo de Sebastian e que “abre a cabeça” dele sobre o “novo” jazz; e, claro, Tom Everett Scott como David, a “surpresa” no final da produção.

Tecnicamente falando, La La Land é muito, muito bem feito. Mas a história, convenhamos, é meio “bobinha”. Ou simplificada ao máximo para agradar ao grande público. Para mim, ficou faltando. Da parte técnica do filme, contudo, inevitável elogiar o excelente trabalho do diretor de fotografia Linus Sandgren, do editor Tom Cross e da trilha sonora de Justin Hurwitz. São, sem dúvida, os pontos altos da produção, assim como Emma Stone.

Outros aspectos que merecem elogios: o design de produção de David Wasco; a direção de arte de Austin Gorg; a decoração de set de Sandy Reynolds-Wasco; os figurinos de Mary Zophres; o departamento de maquiagem com 15 profissionais afiados; os 29 profissionais envolvidos com o departamento de arte; e, claro, os 64 profissionais envolvidos no departamento musical, um elemento fundamental para a produção.

La La Land estreou no Festival de Cinema de Veneza no final de agosto de 2016. Depois, o filme passou por outros 19 festivais e eventos. Um caminho interessante para um filme tão comercial e de Hollywood. Nesta trajetória o filme ganhou impressionantes 132 prêmios e foi indicado a outros 183. Entre os prêmios que recebeu estão sete Globos de Ouro.

Como a produção mesmo sugere, La La Land foi totalmente rodado na Califórnia, especialmente em Los Angeles, em locais como o Santa Monica Blvd (bar Seb’s), EstWest Studios, Magnolia Blvd (local do “Van Beek Tapas and Tunes”), nos estúdios da Warner Bros., no Beverly Boulevard (quando Mia deixa os amigos no restaurante e sai andando pela rua), no Rialto Theatre (que faz as vezes de cinema Rialto), no Hermosa Beach Pier (na praia Hermosa, quando Sebastian começa a cantar “City of Stars” sozinho ainda), Griffith Observatory e Watts Towers – pontos turísticos de Los Angeles, entre outros pontos da cidade que abriga os estúdios de cinema de Hollywood.

Em certo momento do filme, Sebastian pergunta quem é o “Bogart” de Mia, em uma clara alusão ao filme Casablanca – veja se ainda não assistiu. Ora, a própria história de La La Land, que deixa no ar algo do gênero “sempre teremos Paris”, mas sem que eles tenham tido, faz uma clara alusão ao filme com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

Além disso, claro, La La Land tem muitas e muitas referências a outros filmes, sendo as mais evidentes as alusões à Singin’ in the Rain, The Bad Wagon, Top Hat, An American in Paris, The Umbrellas of Cherbourg, Swing Time, The Young Girls of Rochefort, e a homenagem com direito a trecho e tudo de Rebel Without a Cause. Com isso, o filme acaba sendo ainda mais nostálgico, porque faz as pessoas que já assistiram aos clássicos a ter ainda mais saudade deles. 😉

La La Land é um filme que não custou muito, especialmente se levarmos em conta a complexidade dos detalhes da produção. O filme teria custado cerca de US$ 30 milhões. Apenas nos Estados Unidos ele fez quase US$ 63,7 milhões e, nos outros países em que já estreou, outros US$ 34,7 milhões. No total, até agora, fez cerca de US$ 98,4 milhões. Com toda a visibilidade do Globo de Ouro e, logo mais, das indicações ao Oscar, certamente este filme vai obter um belo lucro.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Outra Emma, a Watson, recusou o papel de Mia por causa dos conflitos de agenda que La La Land acabou tendo com Beaty and the Beast, dirigido por Bill Condon. Por sua vez, Ryan Gosling recusou o papel de Beast no filme de Condon porque preferiu o filme de Chazelle. Está claro quem acertou na escolha, não?

Segundo o compositor Justin Hurwitz, todas as músicas tocadas no piano no filme foram gravadas primeiramente pelo pianista Randy Kerber na fase de pré-produção de La La Land e, depois, o ator Ryan Gosling passou duas horas por dia, durante seis dias de cada semana, tendo aulas de piano para saber as músicas de cor. Quando as filmagens começaram, Gosling foi capaz de tocar todas as músicas sem que fosse necessário usar um “dublê” de mãos ou efeitos especiais intercalando com um pianista.

Uma das cenas de audição em que o diretor de elenco interrompe o desempenho de Mia para atender a um telefonema é inspirado em um dos testes que Ryan Gosling fez em sua carreira.

John Legend, que é cantor e pianista, teve que aprender a tocar guitarra para fazer o seu papel em La La Land.

Inicialmente, Miles Teller, estrela de Whiplash, foi cotado para fazer o papel de Sebastian. Mas, depois, ele acabou sendo substituído por Ryan Gosling.

La La Land foi rodado ao longo de oito semanas durante o Verão de 2015.

Esta produção teria uma forte ligação com a vida real de Emma Stone, porque a exemplo da personagem de Mia, Emma Stone também deixou a escola e se mudou para Los Angeles aos 15 anos de idade para tentar a carreira de atriz.

Emma Stone dá um show não apenas de interpretação, mas também cantando. E ela cantou “ao vivo” no filme, quando Chazelle começou a gravar a cena em que ela interpreta a canção “Audition (The Fools Who Dream)”, perto do filme. Que é linda, aliás. O diretor e o compositor Justin Hurwitz decidiram que ela iria escolher o momento em que ela pararia de falar os seus diálogos e começar a cantar e, por isso, não fizeram uma gravação prévia da música. Foi feito na hora.

Como comentei antes, La La Land levou nada menos que sete prêmios no Globo de Ouro 2017. É um recorde para a premiação – nenhum filme levou tantos prêmios em uma única edição do prêmio – e significou algo impressionante como o filme ganhar nas sete categorias em que concorreu. Ele foi premiado como Melhor Filme – Musical ou Comédia, Melhor Ator – Musical ou Comédia para Ryan Gosling, Melhor Atriz – Musical ou Comédia para Emma Stone, Melhor Diretor para Damien Chazelle, Melhor Roteiro para Damien Chazelle, Melhor Canção Original para “City of Stars” (composta por Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul) e Melhor Trilha Sonora para Justin Hurwitz.

A produção venceu outros 125 prêmios além destes sete do Globo de Ouro. Desta lista imensa, destaque para os 19 prêmios que La La Land recebeu como Melhor Filme e que foram dados por associações de críticos, para 19 prêmios como Melhor Diretor para Damien Chazelle, para 19 prêmios como Melhor Fotografia, para sete prêmios como Melhor Edição e para 14 prêmios como Melhor Trilha Sonora. Além disso, Emma Stone ganhou seis prêmios como Melhor Atriz.

La La Land é o quarto filme no currículo do diretor Damien Chazelle. Antes ele fez Guy and Madeline on a Park Bench, sua estreia na direção em 2009; o curta Whiplash, em 2013, e o longa Whiplash, filme que deu visibilidade para ele, em 2014 (e que foi comentado por aqui). O próximo filme dirigido por ele e atualmente em fase de pré-produção é First Man, que será estrelado por Ryan Gosling e que contará a história do astronauta Neil Armstrong. Ou seja, tem grande potencial de ser outro sucesso.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,8 para La La Land, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 258 críticas positivas e 20 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,7. Para mim estas avaliações são sintomáticas. A nota alta no IMDb revela o gosto do grande público, enquanto o nível de aprovação dos críticos demonstra que sob uma análise mais criteriosa o filme não é tão brilhante assim.

Este é um filme 100% dos Estados Unidos. Assim sendo, ele entra para a lista de produções que atende a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Quando eu vi La La Land ganhando tudo no Globo de Ouro eu pensei: “É preciso ter coragem para fazer um musical hoje em dia”. E a expectativa era assistir ao filme no cinema e me deliciar com ele. De fato, é um filme divertido. Bem conduzido, bem feito, um espetáculo para os olhos. E só. Ele não inova o gênero, não surpreende, não é inesquecível.

Apenas para ficar nas comparações óbvias, ele é menos inovador que Mouling Rouge ou The Artist. Foi e será muito premiado não porque mereça, mas porque Hollywood precisa, neste momento mais do que nunca, se autoafirmar. Dá para entender, mas nem por isso o resultado é justo. Há filmes melhores nesta temporada. Boa parte deles não será premiada, e isso faz parte do jogo da indústria cinematográfica.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: La La Land tem tudo para ser o filme mais indicado deste ano na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e, possivelmente, sair da noite do Oscar como o filme mais premiado. Mas, ainda que ele tenha papado tudo no Globo de Ouro, é preciso lembrar que há algumas diferenças entre as duas premiações mais visíveis de Hollywood.

As grandes diferenças estão em dois pontos fundamentais: quem vota em cada uma destas premiações e o fato do Globo de Ouro dividir os principais prêmios entre Drama e Musical ou Comédia. O perfil de quem vota no Globo de Ouro costuma ser mais “liberal” do que os votantes da Academia, sem contar que as visões sobre o cinema nem sempre coincidem entre quem comenta sobre os filmes (a imprensa, o Globo de Ouro) e as pessoas que fazem a indústria acontecer (votantes da Academia).

Além disso, musicais e comédias que acabam sendo valorizados no Globo de Ouro podem ser praticamente esnobados no Oscar porque, fora a categoria Melhor Filme, que abriga até 10 indicados, nas demais categorias podem concorrer até cinco filmes. Nem sempre há comédias ou musicais com qualidades para chegar até lá.

Mas, claro, La La Land é uma outra história. Não apenas pelas premiações no Globo de Ouro, mas pelas demais premiações e pelo sucesso nos cinemas. Então, calculo por baixo, La La Land deve ser indicado a pelo menos 11 categorias, podendo chegar a 13. As que eu acho que ele deve disputar são: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original, Melhor Design de Produção e Melhor Figurino. Se quiserem “arrasar com o filme”, podem ainda indica-lo a Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.

Destes prêmios, quais ele deve levar para casa? Me parece quase certo que o filme vai emplacar em Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original, tendo grandes chances também em Melhor Diretor, Melhor Edição e Melhor Atriz. Se ele for papando quase todos os prêmios, deve levar também Melhor Filme. Assim, teria, pelo menos, sete estatuetas.

Da minha parte, para o meu gosto, ele não merecia levar o prêmio principal. Preciso ainda assistir a Moonlight e Manchester by the Sea, além de outros fortes concorrentes. Mas, só por ter assistido a Fences (comentado por aqui), posso dizer que eu acho o filme estrelado por Denzel Washington e Viola Davis mais merecedor do Oscar de Melhor Filme. Certo que Fences não chega nem perto da exuberância visual de La La Land, mas acho as interpretações e o roteiro do filme melhor. Enfim, são gostos… Veremos qual será o da Academia neste ano.

PEQUENO AVISO: Meus caros leitores aqui do blog, eu vou seguir com as publicações normais até o Oscar 2017, para seguir uma tradição aqui do blog. Mas passada a premiação, se eu não tiver conseguido uma boa adesão na campanha de apoio ao blog, eu vou dedicar mais tempo para outras atividades que me deem retorno financeiro e vou tornar as atualizações aqui mais escassas ou bem mais sucintas. Se você quer ajudar o blog a continuar como ele está agora ou até a ampliar a frequência de publicações, sugiro o apoio a este projeto:

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Zootopia

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Há muito os filmes de animação são feitos mais para adultos do que para crianças. Não que elas não se divirtam. Os principais estúdios cuidam bem de fazer atrações que tem diferentes camadas de interpretação e de leitura e, claro, os filmes de animação também agradam às crianças. Mas são os adultos os que realmente se esbaldam e que, muitas vezes, conseguem tirar a “moral da história” de maneira mais completa. Zootopia não foge desta regra. Mas diferente de outros filmes de animação dos últimos anos, mais que fazer pensar, ele diverte. E faz isso muito, muito bem.

A HISTÓRIA: Começa com uma presa fugindo de um predador. Por milhares de anos, conta a narrativa, o medo, a traição e o desejo por sangue dominaram a relação entre os animais. Crianças em uma apresentação de teatro falam desta realidade que acabava em morte, mas que agora tudo é diferente. Cada animal pode ser o que quiser, independente se é presa ou predador.

A protagonista da peça é Judy Hopps (voz de Ginnifer Goodwin) que diz, para o desespero dos pais e para a piada da cidade, que um dia será uma policial. Mesmos os pais dizendo para ela que uma coelha nunca foi uma policial, ela coloca esta meta na cabeça e consegue se formar na academia, indo trabalhar na Zootopia, “cidade grande” em que os animais são, de fato, o que eles quiserem.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Zootopia): Minha melhor escolha, e ela foi um tanto “incidental”, foi fechar 2016 assistindo a um filme de animação. Poucas produções são tão divertidas quanto estas. E acertei ao escolher Zootopia, que é diversão pura.

Comento que foi um tanto “sem querer” assistir a Zootopia porque a ideia inicial era assistir a Toni Erdmann, um dos filmes mais citados como possível vencedor da categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2017. Mas surgiram algum problemas e eu tive que mudar de planos. E aí surgiu a oportunidade de assistir a Zootopia em 3D. Melhor, impossível.

A verdade era que eu estava precisando de um filme como Zootopia para fechar 2016 e para abrir 2017 com alegrias e boas energias. Como normalmente acontece com os filmes de animação, Zootopia é diversão pura. Além de ter algumas mensagens muito bacanas.

Quem acompanha o blog sabe que muitas vezes eu deixo os filmes de animação por último na lista para o Oscar. Com isso, acabo perdendo algumas grandes produções no caminho. Mas no final de 2016 eu resolvi fazer um pouco diferente. Afinal, precisamos inovar sempre e é importante começar a renovar conceitos e práticas.

Então resolvi ir atrás de alguns dos maiores sucessos de 2016 que eu não assisti. Zootopia foi a sétima maior bilheteria de 2016 nos Estados Unidos. Apenas por isso e pelo fato do filme ser um dos grandes cotados ao Oscar de Melhor Animação, se justificava logo tentar assisti-lo. Fiz isso no dia 31 de dezembro e foi um grande presente.

A primeira e forte mensagem de Zootopia é que vale a pena ir atrás dos seus sonhos, mesmo que os seus pais e amigos não acreditem em você ou tenham medo por você, vale ir atrás do que você acha certo. Como outras produções de Hollywood recentes, mas filmes normais e não de animação, Zootopia tem uma protagonista feminina (no caso, uma fêmea) que mostra não apenas a força da “mulher”, mas também surfa a onda da valorização do feminino que as nossas sociedades estão vivendo.

Zootopia nasce, assim, acertando tanto pela protagonista feminina/fêmea quanto pela mensagem da quebra de paradigmas e da busca de nossos sonhos. A mensagem seguinte do filme é mostrar que as pessoas não devem ser classificadas e se contentarem com o que o resto do mundo espera delas. Isso fica claro com as reflexões sobre “presas e predadores”. Mensagem que está desde o início e até o final da produção.

Não por acaso o roteiro de Jared Bush e Phil Johnson, baseado na história criada pela dupla e por Byron Howard, Rich Moore, Jim Reardon, Josie Trinidad e Jennifer Lee, coloca em evidência a amizade entre a “presa potencial” Judy Hopps, a primeira mamífero a se tornar uma policial no mundo dos bichos, e o “predador potencial” Nick Wilde (voz de Jason Bateman), uma raposa astuta que vive de dar golpes.

O primeiro contato entre eles é perfeito. Em seu primeiro dia como policial, a protagonista Judy é colocada na função de “guarda de trânsito” e está sedenta por fazer algo diferente. Por ter ação. Alertada pelos pais Bonnie (voz de Bonnie Hunt) e Stu Hopps (voz de Don Lake) para que tenha cuidado, especialmente com raposas, ela tem a curiosidade logo despertada pelo suspeito Nick.

Depois de ajudá-lo a comprar um picolé gigante para o seu “filho”, Judy segue o rastro do vigarista até perceber o golpe que ele dá para faturar muito dinheiro. De forma inteligente, o roteiro mostra como ali nasce uma amizade que será fundamental para Judy e para a história que o espectador vai acompanhar.

Além de belas mensagens, Zootopia se destaca não apenas pela qualidade de sua arte e da animação empregada na produção, mas principalmente pela aposta diferenciada em uma história policial. Como acontece em filmes clássicos do gênero, Zootopia acaba tendo muitos elementos de suspense, investigação e de ação pura e dura. Como é possível apenas em filmes de animação, a história é conduzida por animais, o que garante a diversão, certamente, do público infantil – inclusive dos mais jovens.

Aí está o que eu comentava lá no início. Se o roteiro, as tiradas e os diálogos de Zootopia vão agradar em cheio aos adultos, com algumas “pitadas” de realismo que apenas um adulto vai entender, por outro lado as escolhas da animação caem como uma luva para o público infantil. Os personagens desta produção são encantadores e, o que é uma qualidade importante do filme, muito bem desenvolvidos pelos roteiristas.

Desta forma, acompanhamos a saga de Judy na realização de seu sonho. Como a vida de um adulto pressupõe, esta busca é cheia de dias bons e ruins, de frustração e de alegrias. Neste sentido, muitos adultos se sentirão representados. As crianças devem adorar a fofura dos personagens e ficarem presas com as cenas de aventura e de ação.

Quando começa a trabalhar como policial, 15 anos depois de comentar em uma peça de escola que este era o seu sonho, Judy faz parte de um programa da prefeitura de Zootopia para a “inclusão de mamíferos” no DPZ (Departamento Policial de Zootopia). O caso mais urgente que o departamento tem que solucionar é o desaparecimento de 14 cidadãos.

Contrariando a vontade do chefe Bogo (voz de Idris Elba), que gostaria de deixar Judy em um papel secundário no DPZ, a nova recruta acaba tendo a sorte de ser escalada para resolver a um dos desaparecimentos, o da doninha Emmitt Otterton.

Ela tem esta sorte depois que a esposa de Emmit, a senhora Otterton (voz de Octavia Spencer) invade a sala do chefe Bogo e, na sequência, a vice-prefeita Bellwether (voz de Jenny Slate) faz o mesmo. Pressionado, o chefe Bogo dá 48 horas para Judy resolver o caso. Aí começa a parte mais envolvente da produção, com Judy mostrando muita sagacidade para resolver o caso e, de quebra, solucionar todos os demais desaparecimentos.

Neste momento, qualquer um poderia presumir que o filme terminaria ali. Mas aí está uma das grandes sacadas da produção. Ela não termina com o “caso policial” sendo resolvido, mas prossegue para mostrar que o preconceito e que a mania da sociedade em “classificar” as pessoas/bichos é algo injusto e irreal. Ninguém “nasce” com uma sina e deve ser o que os outros esperam. Todos tem a capacidade de se recriarem e de buscarem fazer o melhor.

Muito bonito, neste sentido, e também surpreendente, a história por trás do “malandro” Nick. O roteiro nos faz desconfiar dele, assim como Judy, até que ele conta para ela a razão que o fez caminhar na trilha da malandragem. Quando criança, enquanto Judy sonhava em ser uma policial, Nick sonhava em ser um escoteiro. Até que ele é “sacaneado” por uma turma de escoteiros e sofre preconceito feroz.

A reação dele, diferente de Judy, que sofreu na pele a gozação e o preconceito mas não foi vencida por eles, foi fazer exatamente o que a “sociedade” esperava dele. Eis aí uma grande mensagem para todos nós. Não apenas que não devemos ser injustos e classificar as pessoas, colocá-las em uma caixinha e esperar que elas ajam como a maioria deseja, mas que também precisamos conhecer a história das pessoas antes de julgá-las. E isso vale para todos.

A sociedade muitas vezes é injusta, não é inclusiva. E isso faz algumas pessoas desviarem do caminho que elas inicialmente desejavam e ir para uma direção equivocada que outros as impeliram a seguir. Para finalizar a produção, Judy aprende que ela mesma errou, pede desculpas, tenta corrigir o seu erro e, mais que isso, nos dá a mensagem de que vale a pena lutar para fazer deste um mundo melhor.

Francamente, não consigo imaginar mensagens mais poderosas e propícias para os nossos dias do que estas. Especialmente em uma fase em que vários países estão trilhando o caminho da estigmatização e da “classificação” das pessoas entre “nós e eles”, entre pessoas “da terra” e “estrangeiros”, as mensagens de Zootopia se revelam ainda mais importantes.

Com uma história envolvente e muito, muito bem conduzida pelos diretores Byron Howard, Rich Moore e Jared Bush, Zootopia tem alguns momentos hilários e inesquecíveis. Eu ri para valer com aquela sequência no “Detran”. Quem já dependeu de um Detran sabe o quanto a impaciência é um elemento importante naquele cenário. Então colocar “bichos preguiça” como atendentes foi uma sacada genial. Para mim, o momento mais engraçado da produção de longe.

Vale a pena assistir a esta produção na versão 3D. Este foi, aliás, o grande achado do cinema nos últimos anos. Realmente é encantador e um grande diferencial ver os filmes com esta tecnologia que torna as histórias ainda mais interessantes e envolventes. O filme ganha em beleza e em diversão.

Apesar de ter achado Zootopia ótimo, vejo que a produção acaba exagerando um pouco na “releitura” de estereótipos de filmes policiais. Ele poderia ter inovado um pouco mais, neste sentido, do que apenas buscado ironizar velhos ícones – como o “Poderoso Chefão”, entre outros.

Também achei que apesar de ter temáticas muito atuais e debates necessários, ser envolvente e divertido, Zootopia não me emocionou como outras produções recentes que venceram ou concorreram ao Oscar, como Inside Out (comentado aqui) e Mary and Max (com crítica neste link). Estes filmes tinham temáticas mais “densas” e humanas, por assim dizer. Menos divertidos, mas mais “existencialistas”. Para mim, foram mais marcantes que Zootopia, ainda que este último tenha sido mais divertido e, sem dúvida alguma, um entretenimento mais envolvente.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Tem um aspecto de Zootopia que eu não comentei antes. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Além da produção não terminar quando os desaparecimentos são esclarecidos, dando espaço para que o público reflita ainda mais sobre como pessoas boas erram e sobre como os estereótipos estão equivocados, achei interessante como a escolha dos roteiristas nos levam a mais uma reflexão sobre “a vida como ela é”.

Seguindo a linha de “os fins justificam os meios”, Bellwether utilizou pessoas inocentes para resolver a própria frustração. Mesmo usando o argumento de querer “empoderar” a maioria dos mamíferos, colocados em segundo plano pela minoria dos predadores, no fundo Bellwether estava buscando poder e o controle da sociedade. Bem ao estilo “a vida como ela é”, em que vemos bandidos e corruptos justificando os seus crimes pelo “bem da maioria” e da busca de “igualdade social” quando, no fundo, eles estão querendo poder e riqueza para si e nada mais.

Poucas vezes eu vi tantos nomes envolvidos na concepção da história de um filme. Imagino que cada um dos sete envolvidos nesta parte da produção tenha contribuído com alguma ideia importante para o filme, ou com algum personagem central, mas o roteiro é assinado mesmo por dois dos nomes da lista: Jared Bush e Phil Johnston. Bush também é um dos três nomes envolvidos na direção do filme. Sem dúvida alguma, um dos principais responsáveis pelo seu sucesso.

Os atores que dão as vozes para Judy e Nick, Ginnifer Goodwin e Jason Bateman, fazem um excelente trabalho. Mas a verdade é que todos os atores envolvidos no projeto estão muito bem. Eu destacaria, além dos dois já citados, Idris Elba, Jenny Slate, o ótimo J.K. Simmons como o prefeito Lionheart, Alan Tudyk em uma super ponta como o bandido Duke Weaselton, Nate Torrence com o divertido policial Clawhauser (recepcionista do DPZ), Shakira como a artista Gazelle, Raymond S. Persi como o divertido bicho preguiça amigo de Nick chamado Flash, e Maurice LaMarche dando um toque muito especial em seu Mr. Big.

Em um filme como este, com muitas cenas de ação, é fundamental a trilha sonora envolvente de Michael Giacchino e a edição da dupla Jeremy Milton e Fabienne Rawley. Muito bem feitos e planejados o design de produção de Dan Cooper e David Goetz e a direção de arte de Matthias Lechner. E, claro, fundamental e de tirar o chapéu o trabalho dos 159 profissionais envolvidos no Departamento de Animação e para os 31 profissionais que atuaram no Departamento de Arte de Zootopia. Muito importante também o trabalho dos 34 profissionais envolvidos no Departamento de Som e dos 105 profissionais envolvidos nos Efeitos Visuais do filme.

Zootopia é, para mim, mais um clássico da Disney. O filme segue dois elementos-chave dos filmes do estúdio. Primeiro, o lado “bonitinho” de uma animação “fofinha” que deve agradar em cheia às crianças. Depois, as mensagens bacanas que o filme apresenta – afinal, para a Disney, um filme de animação nunca foi apenas diversão, mas também um canal para passar mensagens positivas e para fazer pensar nas escolhas que fazemos e na sociedade que vivemos e para a qual também contribuímos. Este é mais um filme que segue esta tradição da Disney.

Esta produção estreou no dia 11 de fevereiro de 2016 na Dinamarca e, no dia seguinte, na Espanha. Depois o filme foi chegando nos outros mercados e participando, inclusive, de três festivais e eventos de cinema. Em sua trajetória até agora, Zootopia colecionou 16 prêmios e foi indicado a outros 39, incluindo a indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação.

Entre os prêmios que recebeu, destaque por ele ter sido reconhecido 13 vezes como a Melhor Animação do ano segundo associações de críticos como as de Toronto, de St. Louis, de Nova York e de Phoenix, entre outras, além deste prêmio conferido pelo Hollywood Film Awards. Vale destacar também que Zootopia é a única animação na lista dos 10 melhores filmes do ano segundo o AFI Awards. Ou seja, o filme sai bem cotado para o Globo de Ouro e para o Oscar.

Zootopia teria custado cerca de US$ 150 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, cerca de US$ 341,3 milhões – a sétima maior bilheteria de 2016. Nos outros países em que o filme estreou ele fez outros US$ 682,5 milhões. No total, portanto, Zootopia teria superado a barreira do US$ 1 bilhão. Nada mal, hein? Mais um grande sucesso da Disney, pois.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Inicialmente Zootopia tinha a raposa Nick como protagonista. Mas o público-teste da produção disse que não conseguia se conectar com o personagem, por isso a história foi modificada para que Judy fosse a protagonista – sem dúvida alguma um grande acerto dos realizadores.

O roteirista Jared Bush assumiu a função de codiretor do filme quando os produtores resolveram mudar o protagonismo da história de Nick para Judy em novembro de 2014.

Esta produção está cheia de referências a outros filmes da Disney, especialmente à Frozen, e a elementos da tecnologia, como Apple e AT&T. Também há referências à Breaking Bad – quando Doug, no laboratório improvisado em um trem, fala que “Walter e Jesse estão aqui”, por exemplo. Estes eram os nomes dos protagonistas do ótimo seriado de TV.

O esquema de design e de cores das placas de Zootopia são uma clara homenagem às placas da Flórida – Estado em que está um dos parques Walt Disney World.

Esta produção também tem homenagens para Star Wars e Avatar.

Jared Bush pode ser duplamente indicado no Oscar 2017. Ele é também um dos roteiristas de Moana, filme cotado para estar entre os finalistas da premiação. Zootopia é o primeiro filme em que ele trabalha como codiretor.

O trio de diretores de Zootopia nunca ganhou um Oscar – Byron Howard e Rich Moore já foram indicados a uma estatueta dourada, respectivamente por Bolt e Wreck-It Ralph, mas eles perderam o prêmio para Wall-E e Brave.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso o filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita aqui no blog há bastante tempo.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,1 para esta produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 235 críticas positivas e cinco negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota média de 8,1. A avaliação de público e de crítico são muito boas, acima das médias dos dois sites, sinal que o filme teve sucesso não apenas financeiro, mas de crítica também.

Como hoje é o primeiro dia de 2017, nada melhor que publicar um texto aqui no blog sobre uma realidade “utópica”, não é mesmo? Ainda que o ambiente de Zootopia seja feito de animais, certamente nos identificamos com os personagens. Vale também tentarmos fazer das nossas sociedades ambientes mais “utópicos” se isso significar ambientes melhores. Um Feliz 2017 para todos vocês, meus queridos e queridas leitores. Que este seja um ano de muitas realizações e alegrias para vocês e os seus! E que este seja um ano de muitos e muitos filmes bons pra gente!

CONCLUSÃO: Mais que filosofia, o que você encontra em Zootopia é diversão. Diferente de tantas outras produções de animação que invadiram o cinema nos últimos anos, este filme aposta no estilo policial, levando para a animação o que temos de melhor neste estilo de produção.

Há suspense, mistério e muita ação em Zootopia, assim como algumas mensagens importantes sobre amizade, buscar o nosso sonho e fazer um mundo melhor e, o que é mais bacana, romper estereótipos. Muito bacana. Se você, como eu, demorou para assistir a este filme, está na hora de ir atrás. Vale a experiência, sem dúvidas.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Zootopia faz parte da lista de 27 produções que estão habilitadas a uma das cinco vagas no Oscar 2017 de Melhor Animação. A sétima maior bilheteria do ano dificilmente ficará fora desta lista. Ainda não assisti aos outros filmes bem cotados nesta categoria, mas acho sim que Zootopia tem tudo para chegar lá.

Bem feito, criativo, com personagens bem desenvolvidos e uma história envolvente e que ousa em levar uma produção “policial” para a animação, Zootopia encanta crianças, jovens e adultos por motivos diferentes. Apenas por isso ele tem um diferencial importante. Diferente de outras produções que ganharam um Oscar ou que foram finalistas a uma estatueta em anos recentes, Zootopia foi pensado para todos os públicos.

Para resumir, acho que o filme aparecerá na lista dos cinco finalistas ao Oscar. Ganhar… bem, para falar melhor sobre as chances de Zootopia eu preciso antes assistir aos seus concorrentes. Da minha parte, acho que filmes que venceram em anos anteriores me emocionaram e interessaram mais. Então vou esperar se algum ainda me encanta acima desta produção. Veremos…

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Whiplash – Whiplash: Em Busca da Perfeição

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Ninguém vai ser bom, na atividade que for, se sempre for elogiado e adulado. Isso é fato. Alguém só consegue ser diferenciado se for cobrado, empurrado para ser melhor e, ele(a) próprio(a), preferencialmente, ser um(a) grande crítico(a) de si mesmo(a). Whiplash discorre sobre este tema, faz pensar sobre a educação caótica que temos no Brasil, mas também leva a lição ao extremo. Um filme delicioso tanto pela trilha sonora quanto pelo roteiro, mas que exagera um pouco em certa dose. Ainda assim, é ótimo de ser visto porque acerta no elenco e na narrativa, além de fazer pensar. Tudo o que desejamos em um bom filme.

A HISTÓRIA: Som de bateria. Cada vez mais forte e mais rápido. Quando o som para, vemos a Andrew (Miles Teller) no fundo de um corredor, sentado na frente de uma bateria. O resto é silêncio. Aluno de primeiro ano de uma das melhores escolas de música dos Estados Unidos, Andrew está treinando até tarde. Ele recomeça, e a câmera vai se aproximando. Ele está concentrado, por isso demora para perceber a aproximação do ídolo e professor mais admirado/temido da escola, Fletcher (J.K. Simmons). O garoto pede desculpa, mas Fletcher quer saber o seu nome. Ele se apresenta, e acaba tocando para Fletcher escutar. Ali apenas começa a relação conturbada dos dois.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Whiplash): Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que sou louca por música. Minha outra paixão junto com o cinema. Bem, também sou louca por boas leituras. Mas replicando a frase de Nietzsche, “sem música a vida não faria sentido”. Já tive a sanidade preservada inúmeras vezes graças à música.

Dito isso, é uma satisfação encontrar pela frente um filme como Whiplash, porque esta produção dá o devido protagonismo para a música. Ainda que ela seja apenas uma desculpa para o argumento principal desta história: a importância de cobrar eficiência máxima de quem quer aprender ou se aperfeiçoar em algo. Ninguém é ou será grande se não for muito exigido. Isto é fato, e bem explorado nesta história envolvente com roteiro e direção de Damien Chazelle.

O realizador não perde tempo. Ele logo nos apresenta o som que vai embalar o filme, o protagonista e o alvo que ele quer agradar a qualquer preço. Não há tempo a perder. Afinal, precisamos entrar fundo nas ambições de Andrew e no preço que ele está disposto a pagar para ser grande. Com diálogos precisos e diretos, Whiplash vai logo no cerne da questão: qual é o limite das exigências para impulsionar alguém a ser bom? E até que ponto esta cobrança é benéfica ou apenas a manifestação de um sadismo de alguém que está em posição de ensinar e orientar quem está aprendendo?

Estas são questões pertinentes e atemporais. E ao optar por enfocar a música e o jazz, Chazelle consegue fazer o roteiro de Whiplash ganhar em ritmo e em interesse. Afinal, além da história que está se desenrolando na nossa frente ser interessante, temos boa música para embalar os minutos que vão passando. Fórmula quase perfeita.

Interessante Chazelle tocar neste assunto da educação e da orientação de talentos em um mundo com tantas disparidades na condução destes temas. Enquanto em alguns lugares a cobrança de ótimos resultados é constante, em outros o descaso com a qualidade da educação é endêmico. Infelizmente estamos no segundo caso. Bravos professores e professoras seguem se dedicando em ensinar, mas muitas vezes tem as expectativas de um bom ensino frustradas quando se veem obrigados(as) a passar gente sem condições de aprendizado para dar o passo seguinte.

Mais cedo ou mais tarde estas pessoas sem preparo são selecionadas no mercado de trabalho. Isso tende a ser verdade. Mas e aí o que vai acontecer com elas? Não será tarde demais para consertar erros na condução da educação destas pessoas que deveriam ter sido revistos antes? Estes assuntos me preocupam há tempos. Pessoalmente, tive uma educação boa. Mas tenho a convicção que o ensino dos meus pais foi mais completo e que, se eu tivesse filhos, e eles estivessem em escola pública, a educação deles seria bem pior que a minha.

Claro que nem tudo depende dos mestres e das escolas. Os pais precisam fazer o seu papel. Mas ninguém substitui ninguém. O protagonista de Whiplash sabe disso. Ele admira e ama o pai, mas o caminho que ele escolheu para si é diferente. E ele decide que será grande e que, para chegar lá, precisa aprender com os melhores. Mais que isso, com o melhor: o músico e mestre Fletcher.

Interessante o filme tratar deste assunto, da aspiração de um jovem em ser um dos melhores do mundo, em uma era em que todos parecem querer ser os melhores. O problema é que, e a maioria destas pessoas vai descobrir isso apenas com o tempo, poucos tem talento para se tornarem referência em uma área. Quanto mais em tornar-se lenda, a exemplo dos nomes citados na produção – como Charlie Parker, conhecido como Bird.

É preciso muito esforço, suor e algumas vezes sangue mas, e isso é inquestionável, um talento fora do comum. Bacana o filme mostrar e equilibrar isto. Afinal, Andrew faz a sua parte, se esforça muito além do razoável, mas o roteirista dá a entender que, mesmo assim, ele será apenas muito bom. Não excepcional. De qualquer forma, perto do fim, fica evidente que ele arranca admiração do ídolo, Fletcher. E para o rapaz, isso já é mais que o suficiente.

Levantar este tema, mostrar o quanto é dura a vida atrás da excelência em uma era em que todos querem ser ótimos, mas poucos conseguem ultrapassar a fronteira de serem bons, é um dos grandes méritos de Whiplash. Bem filmado, com um roteiro envolvente e atores interessados em se entregarem em seus respectivos papéis, este filme só peca por algumas escolhas um tanto pueris. Vejamos.

Para começar, Andrew parece um garoto mimado que mal saiu da casca do ovo. Ele segue fazendo programas de um adolescente, como assistir a filmes com o pai, ao mesmo tempo que pensa em ser um músico excepcional e que vai entrar na História por seu virtuosismo. Hummm… me pareceu um pouco frágil esta construção do personagem. Acredito que um garoto com um pouco mais de experiência teria convencido melhor como um sujeito disposto a tudo pelo estrelato, ou um jovem inexperiente teria convencido mais se tivesse titubeado repetidas vezes e fraquejado em mais momentos da história.

Além disso, fica difícil de acreditar que outros alunos, inclusive naquela insana sequência da troca constante de três bateristas, não teriam enfrentado Fletcher em algum momento. Por mais que ele fosse excelente e todos quisessem agradá-lo, o nível de cobrança dele passou dos limites em mais de uma ocasião e renderia facilmente tanto confronto direto quanto indireto através de processos ou queixas. Ignorar isso para dar ritmo ao filme é uma escolha que funcionou, mas que também incomoda.

Para finalizar, difícil acreditar também em outros dois trechos do filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para começar, é preciso muito boa vontade para acreditar que Andrew conseguiria se levantar e correr até o local da apresentação depois do acidente de carro que ele sofre em Dunellen. E que ele teria esta como preocupação principal e não ir para um hospital. Mas ok, vamos seguir a linha de raciocínio de desejo insano de aprovação do rapaz vendida pelo diretor e roteirista.

Agora, tão ou mais difícil de acreditar no gesto de Andrew, é pensar que Fletcher aceitaria um sujeito ensanguentando e que poderia desmaiar a qualquer tempo na posição de baterista em uma apresentação importante. Some-se a isso a história bonitinha mas sem grande finalidade prática entre Andrew e Nicole (Melissa Benoist) e a parte final do filme, quando fica evidente que Andrew está caindo em uma cilada, e temos os elementos que enfraquecem um pouco o potencial do filme. Pequenos pecados, mas que não comprometem a essência desta obra.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Não lembro de ter visto Miles Teller em ação antes. Gostei do trabalho deste ator que parece ser mais novo, mas que está prestes a completar 28 anos no dia 20 de fevereiro – dois dias antes da entrega do Oscar 2015. Natural da Pennsylvania, nos Estados Unidos, Teller tem apenas 10 anos de carreira.

Ele estreou no curta Moonlighters em 2004, fez outros dois curtas e só estreou em um trabalho maior com a série de TV The Unusuals em 2009. O primeiro longa-metragem dele para o cinema foi Rabbit Hole, de 2010. Mas este ano ele deve bombar, estrelando cinco filmes – após um 2014 bastante produtivo também, quando ele apareceu em quatro produções.

Ainda que Teller esteja ótimo em Whiplash, ao ponto dele merecer ser acompanhado daqui por diante, J.K. Simmons quase sempre rouba a cena. Aliás, eis entre os dois a parceria perfeita, com desempenhos muito dinâmicos e equilibrados. Natural de Detroit, no Michigan, Simmons completou 60 anos no dia 9 de janeiro e chega a sua primeira indicação a um Oscar tendo 147 filmes, curtas e séries de TV no currículo – sendo que seis destes trabalhos ainda sairão do forno. Um ator que já fez praticamente de tudo e que, volta e meia, mostra como é bom.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,7 para Whiplash. Uma ótima avaliação levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 224 textos positivos e apenas 11 negativos para o filme, o que lhe rendeu uma aprovação de 95% e uma nota média de 8,6. Avaliações muito boas também.

Caros leitores, corri para escrever este texto. Deixei vários pontos para serem comentados em outro momento. O mais breve que eu conseguir. Até logo.

Beleza. Vamos voltar a Whiplash. Ainda que este filme seja baseado na velha premissa de duelo entre dois atores, sendo um pupilo e outro o mestre, alguns intérpretes também ganham certa relevância pela parte que eles ganham na história. Paul Reiser interpreta Jim Neimann, pai de Andrew e uma figura na qual ele se apoia sempre que necessário – ele também reforça a imagem de “garotão” do filho; Melissa Benoist faz as vezes de Nicole, uma garota que ainda está descobrindo o que quer fazer da vida, o que contrasta com as convicções artísticas de Andrew; Nate Lang se sai muito bem como Carl Tanner, o melhor concorrente do protagonista para a posição de baterista; e Austin Stowell é o outro concorrente para a posição, o mais novato Ryan. Esses são os atores principais que giram em torno de Teller e Simmons, mas ainda há aparições de atores veteranos em papéis ainda menores, como Chris Mulkey como o tio Frank.

Da parte técnica do filme, menção especial para a trilha sonora fantástica de Justin Hurwitz, para a direção de fotografia precisa de Sharone Meir e para a excepcional edição de Tom Cross. Especialmente o primeiro e o terceiro itens são fundamentais para a qualidade de Whiplash. A equipe de 18 profissionais envolvida com o departamento de som também é fundamental para o filme.

Whiplash estreou em janeiro de 2014 no Festival de Cinema de Sundance. Em maio ele chegaria no Festival de Cinema de Cannes. Depois, o filme participaria ainda de outros 37 festivais por diferentes países mundo afora. Nesta trajetória o filme conquistou 54 prêmios e foi indicado a outros 78, incluindo a indicação em cinco categorias do Oscar 2015.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Melhor Ator Coadjuvante para J.K. Simmons no Globo de Ouro 2015; para dois prêmios no Festival de Sundance, incluindo o de Melhor Filme Drama segundo os jurados e outro para Damien Chazelle dado pelo público; para o de Melhor Novo Diretor para Damien Chazelle no Festival Internacional de Cinema de Valladolid; e para os dois prêmios recebidos no Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara, um para Damien Chazelle, outro para J.K. Simmons.

Por falar em Chazelle, vale comentar que este diretor nascido na cidade de Providence, em Rhode Island, nos Estados Unidos, tem apenas 20 anos de idade – completados no último dia 19 de janeiro. Ele tem apenas três trabalhos no currículo, estreando em 2009 na direção como Guy and Madeline on a Park Bench. Em 2013 ele apresentaria o curta Whiplash que, em 2014, daria origem ao longa Whiplash. Por isso mesmo, apesar de ser uma obra original, Whiplash é considerado um roteiro de “adaptação” já que foi precedido por um curta com a mesma premissa. Diretor e roteirista muito promissor e que vale ser acompanhado, com certeza.

Whiplash foi rodado nas cidades de Santa Clarita e Los Angeles, ambas na Califórnia, e também em Nova York.

Esta produção teria custado cerca de US$ 3,3 milhões. Ou seja, um filme de baixíssimo orçamento para os padrões dos Estados Unidos. Apenas no país de origem o filme arrecadou pouco mais de US$ 8,6 milhões. Bilheteria baixa, mas que tende a aumentar após as indicações ao Oscar e com o filme chegando aos cinemas de outros países.

Para finalizar, algumas curiosidades sobre esta produção 100% dos Estados Unidos – por isso ela entra na lista de filmes sugeridos por votações aqui no blog. Whiplash foi rodada em 19 dias.

Nas cenas mais intensas na bateria, o diretor não gritava a palavra “corta!” para que o ator Miles Teller pudesse dar tudo que gostaria até o esgotamento.

Nem tudo são flores nos bastidores de um filme. Os atores se entregam e, algumas vezes, se machucam. J.K. Simmons fraturou duas costelas na cena em que Miles Teller o ataca.

Damien Chazelle não tinha conseguido recursos para fazer Whiplash, por isso ele acabou transformando a história em um curta e apresentando o resultado no Festival de Sundance em 2013. Ele ganhou com a produção o Prêmio do Júri de Melhor Curta e, com o dinheiro que recebeu, conseguiu fazer o tão sonhado longa com a história.

Miles Teller toca bateria desde os 15 anos. Algumas cenas em que vemos o sangue dele em baquetas, no filme, são reais. Ele foi até o extremo com o papel. O ator realmente tocou a bateria em todas as cenas. Isso que eu chamo de achar o intérprete perfeito para um papel. Simmons, que também tocou piano, mas no passado, teve que relembrar o instrumento para poder tocá-lo no filme.

Mesmo tendo tocado bateria desde os 15 anos, Teller teve aulas adicionais do instrumento durante quatro horas por dia, por três dias na semana, para preparar-se para protagonizar Whiplash.

CONCLUSÃO: O incentivo à mediocridade é sempre mais danoso que o exagero na cobrança. Disso não tenho dúvidas. O Brasil, por exemplo, está sofrendo com esta política de aprovar a todos nas escolas públicas, independente se as pessoas tem conhecimento o suficiente para ir para a fase seguinte. Este filme trata sobre a busca da genialidade, que é artigo para poucos, e desmistifica que estes gênios chegam lá com um toque de vara de condão.

Esqueçam isso. Só chega ao topo quem luta e se dedica muito, quem tem obstinação por ser o melhor. Neste sentido, Whiplash acerta o alvo com esmero. Bem conduzido, com ótimos atores e bem dirigido, o filme só peca em algumas escolhas do protagonista difíceis de acreditar, assim como com certo exagero no antagonista. Descontados estes detalhes, é um belo filme. Um tanto pueril em alguns momentos, mas que se esforça em passar uma mensagem.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Whiplash é mais um filme interessante que chegou até o Oscar deste ano com um bom número de indicações. Diferenciada e de baixo orçamento, esta produção confirma que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood sabe sim se renovar – e vem fazendo isso desde 2010. Apesar de ter muitos méritos, acredito que esta produção saia do próximo Oscar com apenas uma estatueta.

Whiplash está indicado nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante para J.K. Simmons, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Mixagem de Som. Vou começar pela categoria principal. Não vejo chances de Whiplash ganhar como Melhor Filme.

Comparando com os outros finalistas, ele não supera Boyhood, Selma ou The Imitation Game. Além disso, certamente ele não é o preferido entre os votantes críticos que viram em Birdman um tapa importante na cara do mainstream. Whiplash corre totalmente por fora nesta categoria.

Em Melhor Roteiro Adaptado, ele até tem alguma chance. Meu voto iria para The Imitation Game, e acho que o favorito seja The Theory of Everything. Mas nesta categoria não seria totalmente zebra Whiplash levar – afinal, a adaptação é realmente perfeita. A grande chance está com J.K. Simmons em Melhor Ator Coadjuvante. Dos filmes que vi até agora, apenas Ethan Hawke poderia tirar a estatueta do ator veterano.

Na categoria Melhor Mixagem de Som, o ano está com grandes concorrentes. Whiplash pode ganhar, mas para isso terá que derrubar o excelente trabalho feito nesta categoria em American Sniper, Unbroken e, acredito, apesar de ainda não ter visto o filme, em Interstellar.

Para fechar a conta, o filme corre por fora também em Melhor Edição. Mas não seria uma zebra se ele levasse a estatueta, já que a edição desta produção é impecável. Meu palpite, contudo, é que Boyhood ou The Grand Budapest Hotel levam vantagem nesta disputa. A estatueta deve ficar com um deles. Assim sendo, Whiplash pode até levar três estatuetas, mas a maior chance é mesmo de Melhor Ator Coadjuvante.

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The Music Never Stopped – A Música Nunca Parou

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O choque de gerações e os problemas nas expectativas que pais tem sobre filhos e vice-versa sempre vão render pano pra manga. Ou, no caso do cinema, ótimos filmes. The Music Never Stopped entra na lista de produções que trata sobre os desentendimentos entre pais e filhos e a chance de redenção que todos nós temos na vida, esta experiência rica e generosa pela qual todos nós passamos. Um filme envolvente e que emociona. Sem grandes nomes na telona, mas com alguns atores que normalmente vemos como coadjuvantes tendo, aqui, a chance de brilhar.

A HISTÓRIA: Aparece o título do filme e quando surge a informação de que ele é baseado em uma história real, ouvimos uma canção. Junto com ela, e cada vez mais alto, o toque de um telefone daqueles antigos. O ano é 1986, e vemos uma casa de classe média, pintada de branco, com uma parede cheia de fotos de família. Sentado ouvindo música e com um cigarro encostado queimando, Henry Sawyer (J.K. Simmons) está imerso em lembranças. A mulher dele, Helen (Cara Seymour) chega em casa e pergunta se ele não está escutando o telefone. Quando ela atende a ligação, fica sabendo que o filho deles, Gabriel (Lou Taylor Pucci) foi encontrado e está no hospital. Depois de passar por uma cirurgia para a retirada de um tumor no cérebro, Gabriel vai precisar de todo o apoio familiar para ter alguma melhora.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a The Music Never Stopped): Resolvi sair um pouco da série de filmes com olhar de avaliação para o Oscar 2014 para falar deste filme que eu vejo há tempos sendo previsto para estrear nos cinemas brasileiros. E acho que esta é a produção que mais vezes eu vi ter a data divulgada e depois alterada. De qualquer forma, tive a oportunidade de assistir a The Music Never Stopped e não desperdicei esta chance. E foi um grande acerto.

Esta produção de 2011 dirigida por Jim Kohlberg é destes filmes dos quais não vamos ouvir falar tão facilmente. Primeiro, porque ele não foi badalado nos principais festivais e nem tem um elenco estelar. Sendo uma produção de orçamento modesto e sem grandes “trunfos”, The Music Never Stopped só pode ser descoberta de duas formas: meio que por acidente ou por indicação de alguém que assistiu e gostou.

Pois bem, se você, como eu, acredita que a vida só tem realmente sentido por causa das relações humanas e da música, então este filme lhe cairá como uma luva. 🙂 The Music Never Stopped me surpreendeu positivamente pela forma interessante com que a história vai sendo apresentada. Não há nenhuma reviravolta no roteiro de Gwyn Lurie e Gary Marks inspirado no ensaio The Last Hippie, publicado no livro An Anthropologist on Mars, de Oliver Sacks. Ainda que a história tenha uma constante volta no tempo, no passado dos Sawyer, não é difícil acompanhar a narrativa que segue, por mais incoerente que o dito anterior possa parecer, uma lógica linear.

Sim, porque até as lembranças dos personagens são vividas no presente. Enquanto eles lembram momentos marcantes embalados por boa música, acompanhamos estas memórias vivenciadas no presente dos personagens. Então, no fim das contas, tudo é presente. E é assim também a nossa vida, não é mesmo?

Nosso momento atual guarda muitas lembranças do passado, que algumas vezes rememoramos sem, contudo, abandonar o tempo atual. Outras vezes nos projetamos no futuro, ao sonhar o que queremos – mas esta projeção não está presente em The Music Never Stopped, que apenas vai e vem entre o presente e o passado.

Além de jogar muito bem com a memória afetiva musical dos personagens, especialmente de pai e filho, The Music Never Stopped é uma apresentação interessante daquela geração que sofreu um choque violento. Afinal, quem não sabe dos desafios vividos pelos pais que viram seus filhos indo para o Vietnã ou se rebelando contra aquela guerra? Claro que esta vivência foi especialmente forte nos Estados Unidos. Mas a verdade é que o choque de gerações, nos anos 1960 e 1970 – e até hoje, mas acredito que em medida diferente -, atingiu praticamente todas as sociedades ocidentais.

Os pais dos “filhos da contracultura” viviam preocupados em prover a família. Para isso, dedicavam grande parte de seu tempo trabalhando. Quando estavam em casa, tinham uma boa relação com os filhos quando eles eram crianças. Mas quando eles cresciam, e começavam a discordar e pensar por sua própria conta, os conflitos e a falta de comunicação prevaleciam. Pois bem, este é o cenário de The Music Never Stopped.

O herdeiro dos Sawyer acaba saindo de casa, após mais uma discussão enfurecida com o pai, e não retorna mais. Isso presumimos logo no início, mas vamos saber os detalhes muito tempo depois. E o restante do roteiro repete a história real que tantos nós conhecemos – seja presenciado os fatos, seja escutando alguém nos falar dos antepassados (nossos ou de amigos).

No início, as perspectivas não são boas para a recuperação de Gabriel. Mas sabemos que este filme não teria sido feito se a história dele não tivesse surpreendido médicos e família. Pois bem, como mandaria o figurino, na fase inicial, após a cirurgia e o estado quase catatônico do filho, Henry reage sem muita convicção de algo poderá mudar. Na verdade, ele tenta seguir a rotina – ir e voltar do trabalho e deixar a “questão do filho” para a esposa cuidar.

Mas daí que Henry é demitido. O que ele faz? Ganha um pirulito quem respondeu que ele fica em casa, meio deprimido. Henry não se mexe porque a esposa continua cumprindo o seu “dever” que é, claro, cuidar de Gabriel. Mas Helen toma uma destas atitudes que fazem as mulheres serem corajosas como são: consegue um emprego e pressiona Henry para que ele se dedique mais a Gabriel. E daí tudo muda.

Com o amor e a dedicação que apenas os pais, mesmo os durões, são capazes, Henry busca informações sobre como o filho pode evoluir e conseguir se recuperar da melhor forma possível. Assim, ele chega até a professora universitária e musicoterapeuta Diane Daley (Julia Ormond), que fazia pesquisas sobre o uso da música para recuperar a memória e trazer para a “realidade” pessoas que tinham passado por algum problema grave na mente.

A partir daí, mergulhamos em muitos estilos de música, do clássico até os sucessos pré e pós os anos 1950. Afinal, Gabriel nasceu em 1951. Foi apresentado a todo tipo de música de sua época e anterior a ele pelo grande apreço que o pai tinha por música. E depois, fez a sua própria história com os clássicos dos anos 1960 e 1970. As histórias dos personagens e suas memórias, que passamos a conhecer com o desenrolar do roteiro, são embaladas por músicas de Bing Crosby, Peggy Lee, Count Basie, The Tulips, The Beatles, The Grateful Dead, Buffalo Springfield, Bob Dylan, The Rolling Stones, entre outros.

Quando Henry faz a pesquisa de artigos na biblioteca da cidade e descobre o nome de Diane Daley, começa o processo de redenção do pai de família que não soube dialogar com o filho em 1968, quando o garoto tinha 17 anos, e que fica 18 anos sem vê-lo. Mas como todo processo de descoberta e autodescoberta, Henry não aceita tudo facilmente. Como a esposa dele, Helen, diz lá pelas tantas, ele é um “cabeça-dura”. E seria muito fantasioso esperar que tudo mudasse automaticamente.

Pouco a pouco Henry investe em Gabriel. E vai se surpreendendo no caminho. E eis uma das lições de The Music Never Stopped: o quanto podemos aprender uns com os outros, independente se somos pais, filhos, marido ou mulher, amigos, inimigos… Basta sair do próprio “habitat”, daquele lugar seguro que se chama “mundo das próprias certezas”, para perceber o quanto podemos aprender com o diferente. E neste processo, conhecer um pouco mais sobre nós mesmos, sobre o que gostamos ou não, sobre o que devemos valorizar ou “deixar para lá”.

Enquanto a música embala a lembrança de pai e filho, Henry tem a oportunidade de saber mais sobre Gabriel. Deixar para o passado a lembrança do menino que acertava as “charadas” quando era levado para a escola, para saber um pouco mais sobre o que pensava e sentia aquele indivíduo que ele ajudou a colocar no mundo. Com a ajuda das músicas, Gabriel volta a ter um pouco de autonomia e a ter a capacidade de vivenciar de forma consciente um pouco do presente. Uma evolução científica para Diane Daley, que acaba sendo fundamental no processo.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Achei especialmente interessante a forma com que Henry assume o caso do filho como uma espécie de “missão”. Pelo menos no início. Além de encontrar a Diane, ele se desfaz de todos os discos, para os quais nutria tanto apreço, para trocá-los por títulos que ele nunca havia ouvido falar e os quais ele presumia que fossem do agrado do filho. Muito interessante este desapego de Henry, que se esforça para compreender Gabriel pela primeira vez na vida – de verdade. No fim, e isso é uma das partes brilhantes desta história, Henry acaba enxergando o mundo sob a ótica do filho – ao qual ele não compreendia até então.

Para Henry e Gabriel, assim como para mim e para qualquer pessoa que veja a música como elemento fundamental da vida, nada melhor do que imergir nas canções que apaixonam a outra pessoa para, também, nos apaixonarmos ainda mais. Tanto pela pessoa pela qual queremos saber mais, quanto pela vida e por nós mesmos. Porque a música permite isso. Conhecermos mais sobre o outro, sobre nós, a respeito do tempo da música e além.

O desfecho, pelo “andar da carruagem” da história, acaba sendo previsível. Ainda assim, nos emociona. E antes dele, me emocionou muito a sequência em que Celia (Mía Maestro) presenteia Gabriel. Cheia de significados aquela cena. Muito bonita, e uma grande sacada a forma singela com que a cena é revelada pelo diretor que faz um grande trabalho ao deixar a história ganhar protagonismo – sem grandes “invenções” no estilo de filmar.

No fim das contas, e The Music Never Stopped deixa isso muito claro, o que importa é o amor que dedicamos uns para os outros. A música, neste processo contínuo de aprendizado que temos na vida, serve como a nossa particular trilha sonora. Por ser tão potente e eficaz em carregar sentimentos e sensações, a música é capaz de verdadeiros milagres. Bom ver a mais uma história que trata disto com simplicidade e boas intenções.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: A experiência deste filme foi significante para mim desde os primeiros minutos. Aquele barulho do telefone tocando alto e ninguém atendendo mexeu comigo. Me irritou. E me lembrou do tempo em que eu morava com os meus pais e que não aguentava ficar ouvindo o telefone tocando muito tempo. Por isso mesmo, não importa o que eu estivesse fazendo, normalmente corria para atender logo. Depois, conforme a história ia transcorrendo, várias outras lembranças familiares vieram à tona. Filmes… nada melhor para fazer a gente viajar em uma nova história e nas antigas também.

Os atores que vemos em tela são conhecidos. J.K. Simmons é um veterano do cinema. O ator tem nada menos que 136 trabalhos no currículo, incluindo longas, curtas, séries e filmes feitos para a TV, e até vozes para personagens de jogos de videogame. Para vocês terem uma ideia de como ele trabalha, neste momento há quatro filmes com ele em pós-produção e dois sendo rodados. Claro que ele tem tantos trabalhos no currículo porque, normalmente, faz pontas ou papéis secundários. Curioso que a carreira dele começou em 1986 em um filme para a TV. Ou seja, foram 136 trabalhos em 27 anos – uma média de cinco trabalhos por ano.

Junto com ele, outro rosto conhecido que aparece nos primeiros minutos de filme é o da atriz inglesa Cara Seymour. Diferente de J.K. Simmons, ela não tem tantos trabalhos no currículo. Segundo o site IMDb, ela participou de “apenas” 29 filmes, curtas, séries e filmes feitos para a TV até o momento. Ainda assim, a exemplo do colega de cena, Cara também é mais conhecida pelos papéis secundários. Mas neste filme, ela é a protagonista, junto com Simmons e o talentoso e jovem ator Lou Taylor Pucci. Para mim, aliás, Pucci foi a grande “novidade” de The Music Never Stopped.

Procurando saber um pouco mais sobre Pucci, observei que ele já acumula, em 11 anos de carreira, 30 trabalhos (entre longas, curtas, séries e filmes para a TV) e cinco prêmios como ator. Não lembro de tê-lo visto antes, mas notei que ele estreou com o filme Personal Velocity: Three Portraits, de 2002, e que ficou mais conhecido pelos trabalhos Thumbsucker (de 2005) e The Story of Luke (de 2012). Acho que o rapaz, de 28 anos, merece ser acompanhado. Se ele tiver as chances certas, pode estourar em breve.

Outra figura de destaque neste filme e que, a exemplo de J.K. Simmons e Cara Seymour você já deve ter visto antes, é a sempre encantadora Julia Ormond. Fazia tempo que eu não via um trabalho desta atriz inglesa. Ela está muito bem, ainda que tenha um papel menor em The Music Never Stopped. Além dela, vale citar o trabalho dos coadjuvantes Tammy Blanchard como Tamara; e Scott Adsit como o Dr. Biscow, que cuida de Gabriel.

O ponto forte de The Music Never Stopped, sem dúvida alguma, é o roteiro da dupla Gwyn Lurie e Gary Marks. Eles transportam muito bem para o cinema a história de Gabriel Sawyer. O diretor Jim Kohlberg estreia com esta produção, e faz um bom trabalho na direção, ainda que ele não tenha nenhuma grande “inventividade” – segue a fórmula tradicional, focando na interpretação dos atores e com uma dinâmica tranquila na condução das câmeras. A direção de fotografia remete a um “filme envelhecido” durante todo o tempo, escolha do diretor Stephen Kazmierski.

Da parte técnica do filme, vale destacar ainda o bom trabalho do editor Keith Reamer e a excelente trilha sonora de Paul Cantelon. Sem as músicas que ele escolheu meticulosamente, sem dúvida este filme não teria o encanto e a veracidade que tem. Impecável! Se você quiser saber todas as músicas que fazem parte deste filme, pode consultar esta lista divulgada pelo site IMDb.

Agora, algo que eu achei estranho é que tentei encontrar mais informações sobre a “história real” de Gabriel Sawyer e da pesquisadora Dianne Daley e não tive sucesso. Se alguém souber algo e puder contribuir por aqui, agradeço.

The Music Never Stopped estreou no Festival de Sundance em janeiro de 2011. Depois, em outubro daquele ano, o filme participaria do Festival de Cinema de Hamburgo. E só. Aí acabou a carreira de festivais desta produção. Nesta trajetória, ele foi indicado a apenas um prêmio, o de Melhor Roteiro Adaptado no Chlotrudis Awards. Mas ele acabou perdendo o prêmio para The Descendants, que naquele ano abocanhou uma enxurrada de prêmios – e que tem um comentário sobre ele aqui.

Esta produção teria custado cerca de US$ 4 milhões e faturado pouco mais de US$ 258 mil (sim, mil e não milhões) nas bilheterias dos Estados Unidos. Ajuda a explicar o fracasso o fato de The Music Never Stopped ter chegado a poucos cinemas – 33 foi o recorde. Ainda assim, o desempenho desta produção foi muito ruim. Uma pena.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,4 para The Music Never Stopped. Uma avaliação muito boa, levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem o seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram bem mais comedidos na avaliação, dedicando 32 textos positivos e 17 negativos para o filme – o que lhe garante uma aprovação de 65% e uma nota média de 6,4.

Esta é uma produção 100% Estados Unidos. Sendo assim, ela se soma à lista de filmes daquele país que eu venho comentando por aqui desde que vocês votaram nos EUA para uma série de críticas do blog.

CONCLUSÃO: Certamente muitos de vocês não vão concordar com a nota que eu dei para esta produção. Mas vocês sabem, tão bem quanto eu, que o cinema é uma experiência muito pessoal. Particular. E eu tenho um fraco determinante – e quem me acompanha aqui no blog já sabe disso – quando vejo filmes que falam sobre o poder da música. E sobre temas envolvendo as famílias também. Pois The Music Never Stopped é um deleite na forma com que torna a música um assunto fundamental da história. E está lá, para nos emocionar, uma profunda busca de redenção de um pai clássico, destes que trabalha a vida inteira para dar conforto para a própria família e que não consegue conhecer ao próprio filho profundamente. Mas sempre é possível recomeçar.

The Music Never Stopped fala disso de forma bacana, leve, e mesmo que o final seja previsível, ele não deixa de emocionar. Para mim, soou como uma produção perfeita. Inicialmente, eu havia dado um 10 para o filme, mas acabei ajustando ao nota ao perceber que lhe falta um pouco mais de ousadia na direção ou mesmo na interpretação dos atores. Tudo está muito bem, mas frente a outros filmes que levaram 10 aqui no blog recentemente, seria injusto dar a mesma avaliação para este filme – ainda que ele tenha falado tão diretamente à minha alma.