La La Land – La La Land: Cantando Estações


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Hollywood ama a “fábrica de sonhos” chamada Hollywood. O cinema também ama ser cinema. Neste contexto de autorreferência, de certa nostalgia e de homenagem ao jazz é que surge La La Land, um filme perfeito para Hollywood (se) premiar. Assisti à produção no cinema, em uma das sessões de pré-estreia, e foi algo divertido. O filme é envolvente e muito bem feito. Mas é o melhor filme do ano? Para o meu gosto, não.

A HISTÓRIA: Começa com uma fila gigantesca de veículos parados no trânsito de Los Angeles. Cada veículo tem uma ou duas pessoas e cada automóvel é um pequeno mundo envolto em uma música diferente. Em um destes veículos, Sebastian (Ryan Gosling) ouve repetidas vezes a uma composição no piano. No carro da frente, Mia (Emma Stone) tenta lembrar as linhas que ela precisará falar logo mais em uma nova audição. O filme começa no Inverno.

De repente, Sebastian buzina indignado porque Mia não avançou na fila. Os dois trocam xingamentos e olhares irados, mas seguem no trânsito. Na cafeteria dentro dos estúdios Warner em que trabalha, Mia fica fascinada por uma das estrelas do estúdio, mas logo é lembrada pelo celular sobre o horário da audição. Ela vai para lá, mas não dá certo. Ainda assim, ela não desiste de seu sonho de ser atriz, e em breve vai conhecer Sebastian que também sonha, mas em ter um bar de jazz.

VOLTANDO PARA A CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a La La Land): Vou ser sincera com vocês. Eu espera muito mais de La La Land. Seja pela coleção de prêmios que ele já ostenta e por ser o favoritíssimo para o Oscar, seja pelo filme anterior que eu vi do roteirista e diretor Damien Chazelle.

O início, os primeiros minutos de La La Land, para mim já foram um tanto frustrantes. Afinal, tudo que você não espera em pleno 2017 é ver um filme “clássico” do estilo musical. Não. Você espera um filme que renove o gênero, que introduza novas ideias. E aí, logo nos primeiros minutos de La La Land, somos apresentados para uma sequência óbvia e requintada de pessoas paradas no trânsito e que resolvem sair de seus carros para cantar e fazer uma coreografia “moderna” e que mostra diversidade da Los Angeles atual. Sério? Sério mesmo? Pensei isso quando assisti à cena.

Mas daí eu pensei: “Calma, tem muito para acontecer no filme ainda. Ele pode te surpreender”. Com uma certa ironia aqui e ali e, claro, demonstrando o seu grande talento estético e de ritmo, Chazelle apresenta um filme que tem diversos acertos e que tem a assinatura do realizador. Ainda assim e apesar da exuberância, das cenas lindas e das coreografias que nos fazem lembrar dos grandes, gigantes Ginger Rogers e Fred Astaire (se você não assistiu a nenhum filme deles, vá atrás agora mesmo!), La La Land parece uma grande homenagem ao cinema e ponto.

Há um compêndio de referências de Hollywood neste filme e, principalmente, a mensagem que vale sempre correr atrás de seus sonhos. Ok, a mensagem é bacana, mas não é nada inovadora. E mesmo a forma de seguir esta linha de raciocínio não é nova. Temos grandes momentos, o filme é lindo e nos remete a grandes episódios do que já foi Hollywood, mas como a própria protagonista fala, em determinado momento, ele me parece um tanto saudosista demais.

Entendo as razões que fizeram a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood dar todos os prêmios possíveis no Globo de Ouro para La La Land. Afinal, além da mensagem de “nunca desista dos seus sonhos”, qual é o grande tema desta produção? Hollywood e a sua fábrica de sonhos. O filme mostra toda a “fauna” que gira em torno dos estúdios de cinema de Los Angeles, todas as pessoas que pensam em um dia viver da arte e o que elas fazem para chegar lá.

Em uma época em que um presidente como Donald Trump está assumindo a presidência dos Estados Unidos e em que muitos artistas e imigrantes (muitos artistas são de fora do país) se sentem “ressabiados” ou com medo do que ele poderá fazer no cargo, La La Land lembra a todos sobre a importância/necessidade da “fábrica dos sonhos” de Hollywood. Além disso, e basta ver o histórico das premiações de cinema nos Estados Unidos, o cinema adora premiar a si mesmo.

Quanto a isso não há problemas, é algo legítimo. Mas em anos anteriores filmes do mesmo gênero que La La Land, como Moulin Rouge e The Artist (comentado neste link), renovaram os musicais cada um a sua maneira. The Artista, em especial, que também fazia uma homenagem escancarada para a “fábrica de sonhos” do cinema, foi ainda mais ousado que La La Land por resgatar um tipo de filme ainda mais esquecido, o do cinema mudo.

Com tudo isso eu não quero dizer que La La Land não seja divertido, que não faça a plateia rir ou se envolver. Não, ele consegue tudo isso. Há sequências realmente lindas e sacadas idem. Ryan Gosling faz um bom trabalho, mas é Emma Stone quem surpreende. A atriz é o melhor do filme, junto com algumas sequências belíssimas da produção.

Emma Stone tem em La La Land o filme da sua vida até aqui. Ela está linda, comovente e, principalmente, esbanja muito carisma. Mais que Gosling, que mantém o seu padrão de bom intérprete, mas que já fez filmes melhores. Além da sintonia entre os dois, o filme acerta no ritmo e no visual, além da edição que já virou marca registrada de Chazelle.

O roteiro… bem, o roteiro! Ele foi escrito para as pessoas que adoram uma boa história água-com-açúcar. Mas não surpreende em momento algum. A divisão da histórias em estações não é nada nova. A linha temporal de “garota conhece rapaz, os dois antipatizam no início mas depois se apaixonam” não poderia ser mais lugar-comum.

Assim como é bastante previsível o “perrengue” que os dois passam por boa parte da produção, a insistência de ambos, uma certa desistência dela e, finalmente, o sucesso para aqueles que persistiram. Até o desfecho para o casal não é mais surpreendente, após tantos filmes em que o “mocinho e a mocinha” não terminaram juntos. Enfim, absolutamente nada de novo no roteiro de Chazelle. Claro, há uma ou outra boa sacada aqui e ali, mas isso não deveria garantir o Oscar para ninguém. É pouco.

Ainda assim, é preciso uma justificativa para a nota abaixo. Afinal, ela não é baixa. Acho que Chazelle se sai bem, por um bom período do filme, em revisitar uma série de lugares-comum de forma envolvente. Com uma boa dinâmica de câmera e de edição, ele prende a atenção dos espectadores com uma história simples, deixando o trabalho mais difícil para os intérpretes que, claro, conseguem ter uma bela sintonia.

Além de tudo que eu já comentei, talvez a parte realmente interessante de La La Land é como o filme mostra a diferença entre a vida de sonhos e a vida real. Lá pelas tantas as cobranças e as palavras duras aparecem entre os protagonistas, e eles não sabem lidar muito bem com elas. Para mim, em termos de roteiro, o melhor momento da produção é quando Mia fica desiludida com a estreia de sua peça e decide voltar por um tempo, ao menos, para a casa dos pais.

Como ela mesma reflete, nem todo mundo dá certo. E talvez eu tivesse gostado mais de La La Land se ao menos um dos dois tivesse seguido um caminho que não fosse o do sonho. Afinal, esta é a realidade. Ok, o grande público vai para o cinema para ver o sonho. E por isso, talvez, La La Land tenha dado tão certo. O filme apresenta o que o público quer, sem fazer nada ousado no caminho.

Quando a produção confronta sonho com realidade, ela ganha pontos e chega a esboçar um final interessante. Depois, na sequência durante o piano no Seb’s ele volta a ousar ao mostrar um final que não seria previsível e que até poderia ser inovador. Mas no fim das contas, sempre, Chazelle acaba optando pelo óbvio e pelo que o grande público vai entender e gostar. Com isso ele está papando todos os prêmios. Bacana para ele. Mas não necessariamente para o cinema e a sua evolução.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Tenho que dizer. Emma Stone rouba a cena. A atriz está maravilhosa em seu papel. Relembra à todas as grandes atrizes do cinema no auge de Hollywood. Dos filmes que eu assisti com ela, La La Land é o seu melhor trabalho. Ryan Gosling é lindo e gostamos de tudo que ele faz, mas acho que aqui ele está charmoso e serve de um bom par para Emma Stone, mas nada além disso. Gostei mais dele em Drive (comentado por aqui), por exemplo.

Mesmo que o filme tenha ficado aquém do que eu esperava, algo tenho que admitir: há sequências realmente incríveis na produção. Gostei, em especial, das coreografias e das cenas dos protagonistas dançando no morro após a festa em que eles se reencontram e ela pede a música I Ran; da dança no Griffith Observatory, quando bailam em um “céu de estrelas”; claro, da bela cena em que os dois atores cantam a principal música da produção, “City of Stars”; e, finalmente, gostei da sequência de “outro final” que sai da imaginação de Sebastian (ou dos dois).

A homenagem mais clara e escancarada é para o cinema e a própria Hollywood. Mas Chazelle também deixa muito clara a sua homenagem para a música, especialmente o jazz. A exemplo do que ele já tinha feito no seu filme anterior, o interessante Whiplash.

Um acerto do filme, assim como de outras produções recentes, é de apostar as fichas em poucos personagens. A história de La La Land gira em torno de Mia e de Sebastian, e isso é bom, especialmente porque se trata de uma “história de amor”. Mas há outros atores ótimos que fazem papéis menores – alguns, praticamente pontas. Me chamou a atenção, em especial, a fina ironia do papel de J.K. Simmons como Bill, o dono do restaurante que obrigada Sebastian a tocar apenas músicas natalinas – nada mais contrastante e irônico com o papel dele em Whiplash.

Além dele, há outros atores que merecem ser citados: Rosemarie DeWitt como Laura, irmão de Sebastian; Callie Hernandes como Tracy, Jessica Rothe como Alexis e Sonoya Mizuno como Caitlin, as três amigas com quem Mia divide um apartamento na parte inicial da produção; Claudine Claudio como Karen, chefe de Mia na cafeteria; Olivia Hamilton em uma super ponta como Bree, a mulher que não quer comer glúten; Finn Wittrock como Greg, o namorado de Mia na parte inicial do filme; John Legend em um papel até com certa relevância como Keith, amigo de Sebastian e que “abre a cabeça” dele sobre o “novo” jazz; e, claro, Tom Everett Scott como David, a “surpresa” no final da produção.

Tecnicamente falando, La La Land é muito, muito bem feito. Mas a história, convenhamos, é meio “bobinha”. Ou simplificada ao máximo para agradar ao grande público. Para mim, ficou faltando. Da parte técnica do filme, contudo, inevitável elogiar o excelente trabalho do diretor de fotografia Linus Sandgren, do editor Tom Cross e da trilha sonora de Justin Hurwitz. São, sem dúvida, os pontos altos da produção, assim como Emma Stone.

Outros aspectos que merecem elogios: o design de produção de David Wasco; a direção de arte de Austin Gorg; a decoração de set de Sandy Reynolds-Wasco; os figurinos de Mary Zophres; o departamento de maquiagem com 15 profissionais afiados; os 29 profissionais envolvidos com o departamento de arte; e, claro, os 64 profissionais envolvidos no departamento musical, um elemento fundamental para a produção.

La La Land estreou no Festival de Cinema de Veneza no final de agosto de 2016. Depois, o filme passou por outros 19 festivais e eventos. Um caminho interessante para um filme tão comercial e de Hollywood. Nesta trajetória o filme ganhou impressionantes 132 prêmios e foi indicado a outros 183. Entre os prêmios que recebeu estão sete Globos de Ouro.

Como a produção mesmo sugere, La La Land foi totalmente rodado na Califórnia, especialmente em Los Angeles, em locais como o Santa Monica Blvd (bar Seb’s), EstWest Studios, Magnolia Blvd (local do “Van Beek Tapas and Tunes”), nos estúdios da Warner Bros., no Beverly Boulevard (quando Mia deixa os amigos no restaurante e sai andando pela rua), no Rialto Theatre (que faz as vezes de cinema Rialto), no Hermosa Beach Pier (na praia Hermosa, quando Sebastian começa a cantar “City of Stars” sozinho ainda), Griffith Observatory e Watts Towers – pontos turísticos de Los Angeles, entre outros pontos da cidade que abriga os estúdios de cinema de Hollywood.

Em certo momento do filme, Sebastian pergunta quem é o “Bogart” de Mia, em uma clara alusão ao filme Casablanca – veja se ainda não assistiu. Ora, a própria história de La La Land, que deixa no ar algo do gênero “sempre teremos Paris”, mas sem que eles tenham tido, faz uma clara alusão ao filme com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

Além disso, claro, La La Land tem muitas e muitas referências a outros filmes, sendo as mais evidentes as alusões à Singin’ in the Rain, The Bad Wagon, Top Hat, An American in Paris, The Umbrellas of Cherbourg, Swing Time, The Young Girls of Rochefort, e a homenagem com direito a trecho e tudo de Rebel Without a Cause. Com isso, o filme acaba sendo ainda mais nostálgico, porque faz as pessoas que já assistiram aos clássicos a ter ainda mais saudade deles. 😉

La La Land é um filme que não custou muito, especialmente se levarmos em conta a complexidade dos detalhes da produção. O filme teria custado cerca de US$ 30 milhões. Apenas nos Estados Unidos ele fez quase US$ 63,7 milhões e, nos outros países em que já estreou, outros US$ 34,7 milhões. No total, até agora, fez cerca de US$ 98,4 milhões. Com toda a visibilidade do Globo de Ouro e, logo mais, das indicações ao Oscar, certamente este filme vai obter um belo lucro.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Outra Emma, a Watson, recusou o papel de Mia por causa dos conflitos de agenda que La La Land acabou tendo com Beaty and the Beast, dirigido por Bill Condon. Por sua vez, Ryan Gosling recusou o papel de Beast no filme de Condon porque preferiu o filme de Chazelle. Está claro quem acertou na escolha, não?

Segundo o compositor Justin Hurwitz, todas as músicas tocadas no piano no filme foram gravadas primeiramente pelo pianista Randy Kerber na fase de pré-produção de La La Land e, depois, o ator Ryan Gosling passou duas horas por dia, durante seis dias de cada semana, tendo aulas de piano para saber as músicas de cor. Quando as filmagens começaram, Gosling foi capaz de tocar todas as músicas sem que fosse necessário usar um “dublê” de mãos ou efeitos especiais intercalando com um pianista.

Uma das cenas de audição em que o diretor de elenco interrompe o desempenho de Mia para atender a um telefonema é inspirado em um dos testes que Ryan Gosling fez em sua carreira.

John Legend, que é cantor e pianista, teve que aprender a tocar guitarra para fazer o seu papel em La La Land.

Inicialmente, Miles Teller, estrela de Whiplash, foi cotado para fazer o papel de Sebastian. Mas, depois, ele acabou sendo substituído por Ryan Gosling.

La La Land foi rodado ao longo de oito semanas durante o Verão de 2015.

Esta produção teria uma forte ligação com a vida real de Emma Stone, porque a exemplo da personagem de Mia, Emma Stone também deixou a escola e se mudou para Los Angeles aos 15 anos de idade para tentar a carreira de atriz.

Emma Stone dá um show não apenas de interpretação, mas também cantando. E ela cantou “ao vivo” no filme, quando Chazelle começou a gravar a cena em que ela interpreta a canção “Audition (The Fools Who Dream)”, perto do filme. Que é linda, aliás. O diretor e o compositor Justin Hurwitz decidiram que ela iria escolher o momento em que ela pararia de falar os seus diálogos e começar a cantar e, por isso, não fizeram uma gravação prévia da música. Foi feito na hora.

Como comentei antes, La La Land levou nada menos que sete prêmios no Globo de Ouro 2017. É um recorde para a premiação – nenhum filme levou tantos prêmios em uma única edição do prêmio – e significou algo impressionante como o filme ganhar nas sete categorias em que concorreu. Ele foi premiado como Melhor Filme – Musical ou Comédia, Melhor Ator – Musical ou Comédia para Ryan Gosling, Melhor Atriz – Musical ou Comédia para Emma Stone, Melhor Diretor para Damien Chazelle, Melhor Roteiro para Damien Chazelle, Melhor Canção Original para “City of Stars” (composta por Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul) e Melhor Trilha Sonora para Justin Hurwitz.

A produção venceu outros 125 prêmios além destes sete do Globo de Ouro. Desta lista imensa, destaque para os 19 prêmios que La La Land recebeu como Melhor Filme e que foram dados por associações de críticos, para 19 prêmios como Melhor Diretor para Damien Chazelle, para 19 prêmios como Melhor Fotografia, para sete prêmios como Melhor Edição e para 14 prêmios como Melhor Trilha Sonora. Além disso, Emma Stone ganhou seis prêmios como Melhor Atriz.

La La Land é o quarto filme no currículo do diretor Damien Chazelle. Antes ele fez Guy and Madeline on a Park Bench, sua estreia na direção em 2009; o curta Whiplash, em 2013, e o longa Whiplash, filme que deu visibilidade para ele, em 2014 (e que foi comentado por aqui). O próximo filme dirigido por ele e atualmente em fase de pré-produção é First Man, que será estrelado por Ryan Gosling e que contará a história do astronauta Neil Armstrong. Ou seja, tem grande potencial de ser outro sucesso.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,8 para La La Land, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 258 críticas positivas e 20 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,7. Para mim estas avaliações são sintomáticas. A nota alta no IMDb revela o gosto do grande público, enquanto o nível de aprovação dos críticos demonstra que sob uma análise mais criteriosa o filme não é tão brilhante assim.

Este é um filme 100% dos Estados Unidos. Assim sendo, ele entra para a lista de produções que atende a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Quando eu vi La La Land ganhando tudo no Globo de Ouro eu pensei: “É preciso ter coragem para fazer um musical hoje em dia”. E a expectativa era assistir ao filme no cinema e me deliciar com ele. De fato, é um filme divertido. Bem conduzido, bem feito, um espetáculo para os olhos. E só. Ele não inova o gênero, não surpreende, não é inesquecível.

Apenas para ficar nas comparações óbvias, ele é menos inovador que Mouling Rouge ou The Artist. Foi e será muito premiado não porque mereça, mas porque Hollywood precisa, neste momento mais do que nunca, se autoafirmar. Dá para entender, mas nem por isso o resultado é justo. Há filmes melhores nesta temporada. Boa parte deles não será premiada, e isso faz parte do jogo da indústria cinematográfica.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: La La Land tem tudo para ser o filme mais indicado deste ano na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e, possivelmente, sair da noite do Oscar como o filme mais premiado. Mas, ainda que ele tenha papado tudo no Globo de Ouro, é preciso lembrar que há algumas diferenças entre as duas premiações mais visíveis de Hollywood.

As grandes diferenças estão em dois pontos fundamentais: quem vota em cada uma destas premiações e o fato do Globo de Ouro dividir os principais prêmios entre Drama e Musical ou Comédia. O perfil de quem vota no Globo de Ouro costuma ser mais “liberal” do que os votantes da Academia, sem contar que as visões sobre o cinema nem sempre coincidem entre quem comenta sobre os filmes (a imprensa, o Globo de Ouro) e as pessoas que fazem a indústria acontecer (votantes da Academia).

Além disso, musicais e comédias que acabam sendo valorizados no Globo de Ouro podem ser praticamente esnobados no Oscar porque, fora a categoria Melhor Filme, que abriga até 10 indicados, nas demais categorias podem concorrer até cinco filmes. Nem sempre há comédias ou musicais com qualidades para chegar até lá.

Mas, claro, La La Land é uma outra história. Não apenas pelas premiações no Globo de Ouro, mas pelas demais premiações e pelo sucesso nos cinemas. Então, calculo por baixo, La La Land deve ser indicado a pelo menos 11 categorias, podendo chegar a 13. As que eu acho que ele deve disputar são: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original, Melhor Design de Produção e Melhor Figurino. Se quiserem “arrasar com o filme”, podem ainda indica-lo a Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.

Destes prêmios, quais ele deve levar para casa? Me parece quase certo que o filme vai emplacar em Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original, tendo grandes chances também em Melhor Diretor, Melhor Edição e Melhor Atriz. Se ele for papando quase todos os prêmios, deve levar também Melhor Filme. Assim, teria, pelo menos, sete estatuetas.

Da minha parte, para o meu gosto, ele não merecia levar o prêmio principal. Preciso ainda assistir a Moonlight e Manchester by the Sea, além de outros fortes concorrentes. Mas, só por ter assistido a Fences (comentado por aqui), posso dizer que eu acho o filme estrelado por Denzel Washington e Viola Davis mais merecedor do Oscar de Melhor Filme. Certo que Fences não chega nem perto da exuberância visual de La La Land, mas acho as interpretações e o roteiro do filme melhor. Enfim, são gostos… Veremos qual será o da Academia neste ano.

PEQUENO AVISO: Meus caros leitores aqui do blog, eu vou seguir com as publicações normais até o Oscar 2017, para seguir uma tradição aqui do blog. Mas passada a premiação, se eu não tiver conseguido uma boa adesão na campanha de apoio ao blog, eu vou dedicar mais tempo para outras atividades que me deem retorno financeiro e vou tornar as atualizações aqui mais escassas ou bem mais sucintas. Se você quer ajudar o blog a continuar como ele está agora ou até a ampliar a frequência de publicações, sugiro o apoio a este projeto:

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