Avengers: Infinity War – Vingadores: Guerra Infinita

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Tudo o que os fãs dos super heróis esperam para um filme estrelado por eles encontramos em Avengers: Infinity War. Para começar, o que há de melhor em efeitos visuais e virtuais. As imagens mais incríveis criadas por artistas com a ajuda da tecnologia vemos em cena. Depois, temos alguns dos personagens mais amados das HQs reunidos e um super vilão – possivelmente o mais temido de todos os tempos – para ser combatido. Embalando tudo isso, um roteiro recheado de cenas de ação, de algumas piadas perspicazes e de certo drama pincelado aqui e ali.

A HISTÓRIA: Uma nave de refugiados está sendo atacada. Famílias de asgardianos estão sendo mortas, e um pedido de socorro percorre o Universo. Dentro da nave, Ebony Maw (Tom Vaughn-Lawlor), um dos mais fieis seguidores e aliados de Thanos (Josh Brolin), diz para as vítimas que elas devem se alegrar, porque elas serão sacrificadas em nome do equilíbrio do Universo. Thanos, por sua vez, diz que o destino sempre chega, e exige que Loki (Tom Hiddleston) lhe entregue o cubo de Tesseract para que Thor (Chris Hemsworth) não seja morto.

Thor diz que não adianta Thanos pedir por Tessaract porque ele foi destruído em Asgard. Mas Loki mostra o cubo e entrega uma das Joias do Infinito que Thanos tanto queria. Apesar de ceder, Loki diz que eles continuarão a ver a luz do dia, e afirma que eles tem o Hulk (Mark Ruffalo). Ele ataca Thanos, mas acaba sendo vencido. Antes de Hulk ser morto, contudo, Heimdall (Idris Elba), que está caído no chão, consegue enviar o gigante verde para a Terra. Agora, Thanos tem duas Joias do Infinito. Em breve, ele seguirá atrás das outras quatro, incluindo duas que estão na Terra.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Avengers: Infinity War): Eu prometo tentar não escrever um texto gigante sobre esse filme, beleza? 😉 Como já comentei antes em algum texto aqui no blog, eu sempre fui uma grande fã de HQs. Li bastante, especialmente na adolescência. Hoje, leio mais The Walking Dead, apenas – e, eventualmente, alguma outra HQ mais antiga.

Dito isso, claro que eu já tinha visto os principais heróis da Marvel em ação antes. Dos vários filmes da grife lançados no cinema, assisti a alguns – mas a maioria, acredito, eu perdi. Dito isso, quero dizer sim que eu me lembrei de todos os personagens principais desse filme – exceto Thanos e seus aliados, dos quais eu não tinha lembrança.

Acho importante para você que, como eu, talvez não tenha assistido a todos os filmes de heróis da Marvel dos últimos 10 ou 15 anos, dar uma olhada nessa matéria do jornal O Globo. Nela, são citados os sete filmes mais importantes que você deveria assistir antes de conferir Avengers: Infinity War. O quarto e o sétimo filme da lista me parecem os mais importantes – os demais são bacanas também, mas para quem conhece bem os personagens dos quadrinhos, talvez eles não sejam tãoooo fundamentais assim.

Dito isso, comento que sim é possível assistir a Avengers: Infinity War sem ter visto aos sete filmes listados pelo O Globo ou mesmo às outras produções da Marvel que envolvem Os Vingadores e que não estão na lista. O importante mesmo é você conhecer relativamente bem os personagens, as suas personalidades e a importância de cada um naquela constelação de heróis. Fui assistir ao filme em um cinema 3D logo na primeira sessão de sábado, e qual a minha surpresa em conseguir um dos últimos ingressos para a sessão.

O cinema estava praticamente lotado – exceto pelas fileiras bem na frente, que ninguém quer. Tive sorte em consegui entrar. E gostei muito do que eu vi. Para começar, Avengers: Infinity War tem aquela pegada de uma nave no espaço sendo atacada que faz os fãs de cinema e da cultura nerd lembrarem imediatamente de Star Wars. Logo essa impressão desaparece quando vemos ao vilão Thanos, a Loki e Thor, o que nos faz “cair” rapidamente no universo da Marvel.

O começo de Avengers: Infinity War é ótimo. Com bons diálogos e uma luta bacana entre Hulk e Thanos que serve como um “cartão de visitas” do que veremos depois. Essa qualidade inicial do filme também acaba sendo um problema depois. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Isso porque você acaba esperando um filme cheio de cenas de ação, de disputas e de muita adrenalina, mas temos várias partes da história com “cenas emotivas” entre dois ou mais personagens.

Sim, há cenas de ação que todo fã espera, mas talvez em menor número do que gostaríamos. No fim das contas, a narrativa mostra Thanos, que acredita que tem como “missão” exterminar metade da vida no Universo para que o equilíbrio seja reestabelecido, em busca das cinco Joias do Infinito que lhe faltam – ele começa a narrativa já com a Joia do Poder. Se Thanos conseguir o seu objetivo, ele se tornará onipotente e poderá, com um estralar de dedos, exterminar metade da vida nos planetas Universo afora.

Sobrevivem àquela cena inicial do filme os heróis Thor e Hulk. Cada um deles parte em uma direção para buscar aliados para tentar impedir Thanos. E aí que a narrativa se fragmenta, com um núcleo na Terra liderado por Hulk, Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Peter Parker/Homem Aranha (Tom Holland) tentando proteger a Joia do Tempo que está com o Doutor Estranho, enquanto outro grupo, liderado por Thor e os Guardiões da Galáxia busca atacar Thanos em duas frentes.

Mesmo o grupo da Terra também acaba se dividindo. Depois de Doutor Estranho ser atacado por Ebony Maw e sequestrado por ele, o Homem de Ferro e o Homem Aranha conseguem embarcar na nave e seguir o vilão para tentar resgatar o Doutor Estranho, enquanto o Hulk, que ficou na Terra, entra em contato com Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans).

Quando o Visão (Paul Bettany), que tem a Joia da Mente, passa a ser o novo alvo dos aliados de Thanos, o herói e a sua companheira Wanda Maximoff/Feiticeira Escalate (Elizabeth Olsen) acabam sendo socorridos por Steve Rogers, Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie) e Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson). Enfim, isso tudo vocês sabem, vendo o filme.

Mas fiz questão de contar toda essa fragmentação da narrativa para comentar como a história, que é linear e parece bastante “simples” no direcionamento da narrativa, acaba ganhando em velocidade e em fragmentação ao se dividir em algumas linhas de ação. Não temos apenas a Thanos perseguindo Joia por Joia. O tempo dos heróis fica mais curto porque enquanto Thanos persegue algumas Joias, os seus comparsas atacam outras frentes para conquistar as demais.

O objetivo dos heróis, por outro lado, é tentar preservar as Joias que estão no poder de dois membros desse grupo: Doutor Estranho e Visão. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Enquanto isso, boa parte da turma dos Guardiões da Galáxia – com exceção de Groot (voz de Vin Diesel) e de Rocket (voz de Bradley Cooper), que acabam seguindo a direção de ajudar Thor a forjar um novo martelo para combater Thanos -, incluindo a “filha adotiva” do vilão, Gamora (Zoe Saldana), tentam impedir Thanos de conseguir as duas Joias que estão em outros lugares do Universo.

Como os fãs dos heróis da Marvel sempre esperam dos filmes que buscam honrar os personagens das HQs, Avengers: Infinity War tem ação, humor e suspense nas doses certas. Essa produção rende algumas boas risadas, em tiradas um tanto sarcásticas com as quais estamos acostumados. As cenas de ação são ótimas, mas talvez o filme poderia ter um pouco mais desse elemento.

A narrativa, que na maior parte do tempo se apresenta bem envolvente e ágil, tem algumas desaceleradas importantes – e, algumas vezes, elas me pareceram um tanto forçadas – para explorar o lado “sentimental” dos personagens. Sim, é bacana ver a tantos personagens importantes em cena. Também faz sentido que o roteiro de Christopher Markus e de Stephen McFeely explorasse as relações entre os personagens, mas algumas sequências entre eles me pareceram um tanto previsíveis e exageradas – especialmente as sequências entre Visão e Wanda Maximoff e entre Thanos, Gamora e Nebulosa (Karen Gillan).

Mas ok, nem sempre dá para um filme tão complexo como esse, com tantos personagens e tanta narrativa contada em diversos HQs e resumida em apenas uma produção, ser totalmente coerente ou equilibrado. O que importa, no fim das contas, é que Avengers: Infinity War atende a grande parte da expectativa dos fãs do gênero. Para começar, o filme é impecável nos efeitos especiais e visuais. Depois, para os fãs, é inegável o efeito de êxtase que uma produção com tantos astros e estrelas juntos, interpretando os seus personagens preferidos, desperta.

Também são importantes – e os pontos altos do filme – as cenas de batalha, luta e as de humor. Para arrematar tudo isso, ainda temos o final dessa produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Assim como um dos arcos narrativos do HQ conta, em uma das realidades possíveis – o Doutor Estranho viu pouco mais de 4 milhões de alternativas ao viajar “no tempo” -, Thanos consegue todas as Joias do Infinito e faz realmente a limpa que ele gostaria no Universo.

Não deixa de ser emocionante e até de nos arrepiar quando vemos, no final de Avengers: Infinity War, diversos heróis sumindo na nossa frente após o sucesso de Thanos. É de doer o coração ver a T’Challa/Pantera Negra (Chadwick Boseman), o Homem-Aranha, Doutor Estranho, Peter Quill/Senhor das Estrelas (Chris Pratt) e tantos outros partirem tão repentinamente. Quando o filme acaba, a plateia fica se perguntando se aquilo realmente aconteceu.

Bem, avaliando as HQs que tratam sobre esse assunto, sim, em um dos arcos narrativos Thanos conseguiu exatamente o que queria. E se metade da população do Universo foi exterminada com o estrelar de dedos dele, é de se presumir que metade – ou um pouco menos – dos heróis também passaria pelo mesmo, não é?

Ainda assim, segundo o próprio Doutor Estranho comentou ao viajar no tempo, havia uma possibilidade – entre mais de 4 milhões – dos heróis vencerem o vilão. Quem sabe essa possibilidade realmente não aconteceu em alguma realidade paralela e os heróis conseguem reverter o que sucedeu nas demais linhas narrativas?

Estou apenas fazendo uma especulação aqui. Mas mesmo que o final seja aquele mesmo, interessante ver a um filme da Marvel que não termina com os heróis se dando bem – afinal, nem sempre é isso que acontece. Uma outra possibilidade que vejo no desdobramento desse filme é que na próxima produção os Vingadores e os Guardiões da Galáxia que restaram realmente unam as forças (talvez até com a adição de outros heróis) e, ao derrotar Thanos, eles consigam “restabelecer” a vida com a Manopla do Universo e as suas Joias. Afinal, se um estralar de dedos mata metade da população do Universo, por que um novo estralar de dedos não poderia “reviver” as mesmas pessoas? A conferir, pois.

Pensando na cena que vemos após os créditos e que mostra Nick Fury (Samuel L. Jackson) também desaparecendo, mas, antes, enviando uma mensagem de Código Vermelho, podemos presumir que o alerta será respondido por alguém. Provavelmente pelos heróis que restaram – e que devem se reunir para enfrentar Thanos. Então muito mais virá pela frente ainda.

Finalizando essa crítica, comento que esse filme me agradou, mas que ele teve um impacto menor do que outra produção recente que assisti baseada em HQs: Black Panther (comentada por aqui). Se, por um lado, Avengers: Infinity War agradou pelos efeitos visuais e especiais e por fazer desfilar tantos astros e personagens legais na nossa frente, por outro lado essa quantidade de personagens torna a narrativa menos rica. Diferente de Black Panther, que teve muito mais espaço para desenvolver os personagens e suas relações.

Apesar disso, vale comentar como Avengers: Infinity War trata de um assunto que parece exagerado mas que já fez parte da nossa história no passado e que volta à tona agora, com o recrudescimento de posturas de direita extremista: o desejo de alguns de determinar quem deve viver ou morrer e de, movidos por essa ânsia, promover “limpas” e/ou genocídios de contingentes importantes em nome de um “equilíbrio” da sociedade.

Hitler, antes, defendia o extermínio de vários grupos que não eram da “raça superior”. Vários políticos, atualmente, querem fechar fronteiras para refugiados, tirar do próprio território pessoas que eles consideram “indignas” de estar no país e outros tipos de exclusão/extermínio por causa de raça ou credo.

Muitos, a exemplo de Thanos, defendem essas práticas em nome do “equilíbrio” e como solução para o crescimento da população e a diminuição dos recursos finitos da Terra. Assim, guardadas as devidas proporções de um filme de ficção e baseado em HQs, Avengers: Infinity War nos faz pensar sobre questões bastante reais e que fazem parte da nossa realidade – mesmo que não estejamos inseridos (ainda) em regimes de exceção. Mas vale o alerta – e a reflexão.

Dito isso, devo comentar que sim, Avengers: Infinity War e Black Panther são estilos de filmes bem diferentes, com propostas igualmente diferenciadas. Mas, inevitavelmente, sempre comparamos as nossas experiências com o cinema. Assim, sendo, gostei sim de Avengers: Infinity War, mas não tanto gostei de Black Panther. Dito isso, quero dizer que vale muito a pena assistir a Avengers: Infinity War em 3D e nos cinemas, é claro.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu li a algumas histórias de Thanos. Mas não sou nenhuma especialista no super vilão e em suas peripécias envolvendo Os Vingadores e demais heróis das HQs – como o Surfista Prateado. Mas do que eu conheço e do que eu li, me parece que Avengers: Infinity War toma diversas “licenças poéticas”, digamos assim. Parece que o filme não é muuuuito fiel aos quadrinhos. E beleza os realizadores produzirem algo diferente, mas fico me perguntando se o filme ficou melhor que o original. Se tiver algum especialista por aqui que puder comentar, agradeço.

Falando em Thanos e as suas peripécias, se você, como eu, não é um(a) especialista no assunto, sugiro dar uma conferida em dois sites que ajudam a nos situar sobre esse personagem e as suas narrativas na Marvel. A primeira leitura que eu recomendo é essa, do site Universo HQ, que dá uma bela resumida no personagem e em suas aparições em gibis da Marvel. Depois, sugiro a leitura desse texto do site Aficionados que traz um bom resumo sobre as Joias do Infinito, incluindo a função de cada um delas e os seus atuais e antigos detentores. Leituras bastante recomendadas e que ajudam a rememorar e/ou conhecer alguns fatos envolvendo Thanos e as Joias.

Enquanto eu via o vilão Thanos na minha frente, era impossível para mim não lembrar de personagens da mitologia grega como Thánatos e Hades. Quem já ouviu falar deles – quem sabe em uma música da Legião Urbana – sabe que eles estão ligados à morte e à destruição. Ou seja, faz muito sentido o nome de Thanos, que acredita que tem como “missão” matar para colocar equilíbrio no Universo. Quem quer saber um pouco mais sobre Thánatos e Hades, pode encontrar uma boa introdução nesse texto da Wikipédia.

O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely é inspirado em uma série de personagens criados por alguns dos grandes gênios da história das HQs. Vale citar toda a inspiração dos roteiristas: eles se inspiraram nos quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby; no personagem do Capitão América criado por Joe Simon e Jack Kirby; no Senhor das Estrelas (Star-Lord) criado por Steve Englehart e Steve Gan; no Rocket Raccoon criado por Bill Mantlo e por Keith Giffen; no Thanos, Gamora e Drax criados por Jim Starlin; no Groot criado por Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby; e na Mantis criada por Steve Englehart e Don Heck.

Como comentei antes, um dos destaques de Avengers: Infinity War é o elenco estelar da produção. Entre os vários nomes em cena, destaco as atuações de Chris Hemsworth, de Mark Ruffalo, de Benedict Cumberbatch, de Zoe Saldana, de Josh Brolin e de Chris Pratt. Aparecem bastante na produção, mas achei que com um nível de interpretação um pouco menor, os atores Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson e Tom Holland. Eles estão bem, mas acho que se destacam menos que os anteriores.

Além deles, vale citar o bom trabalho de Scarlett Johansson, Don Cheadle, Chadwick Boseman, Karen Gillan, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Vin Diesel, Bradley Cooper, Benedict Wong e Letitia Wright. Eles aparecem um pouco menos que os atores citados anteriormente, mas fazem um bom trabalho. Estão bem no filme, mas em papéis ainda menos – quase de pontas – os atores Tom Hiddleston, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Idris Elba, Danai Gurira, Peter Dinklage, Pom Klementieff, Dave Bautista, Gwyneth Paltrow, Benicio Del Toro, Winston Duke e Florence Kasumba.

Os diretores Anthony Russo e Joe Russo fazem um belo trabalho com Avengers: Infinity War, especialmente nas cenas de ação. Pena que o roteiro não acompanhou tão bem o talento dos diretores.

Avengers: Infinity War teve a sua première em Los Angeles no dia 23 de abril de 2018. No dia 25, dois dias depois da première, o filme estreou nos cinemas de 25 países. No dia 26, estreou em outros 28 países, incluindo o Brasil. Assisti ao filme ontem, dia 28 de abril, em uma sessão praticamente lotada.

O filme deve consagrar-se com uma das grandes bilheterias de todos os tempos. Segundo o site Box Office Mojo, Avengers: Infinity War faturou, até o dia 29 de abril, US$ 250 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 380 milhões nos outros países em que o filme estreou até essa data. Ou seja, em poucos dias, ele faturou US$ 630 milhões. Se seguir nessa pegada, logo ele será um filme com faturamento bilionário. Impressionante. Quem mesmo disse que as pessoas não vão mais nos cinemas? Para determinados filmes, não faltará público e lucro.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. As filmagens de Avengers: Infinity War começou em janeiro de 2017 e terminou em janeiro de 2018. Essa produção foi rodada simultaneamente ao novo filme Avengers, que dá continuidade a Infinity War mas que ainda não tem o título definido e que deverá estrear nos cinemas em 2019.

De acordo com o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, a formação dos Vingadores vai mudar substancialmente entre esse filme lançado em 2018 e o próximo que será estrelado pelo grupo de heróis. Dá para entender o porquê disso assistindo a Avengers: Infinity War. 😉 Ainda segundo Feige, Avengers: Infinity War é o ponto alto de toda a saga dos super heróis da Marvel porque esta produção seria o “resultante” de todos os filmes anteriores.

Nesse filme, os atores Robert Downey Jr. e Chris Evans completam nove produções em que eles interpretam os personagens Homem de Ferro e Capitão América, respectivamente. Assim, eles empatam com Hugh Jackman, que também interpretou em nove filmes o personagem Wolverine. Mas tanto Downey Jr. quanto Evans demoraram muito menos tempo que Jackman para chegar a esse marco de nove produções interpretando o mesmo herói de HQ. Enquanto Jackman demorou 16 anos para somar esses nove filmes, Evans demorou sete anos e Downey Jr. demorou 10 anos.

Avengers: Infinity War é o primeiro filme – sem ser um documentário – totalmente filmado com câmeras IMAX.

O primeiro trailer de Avengers: Infinity War registrou 200 milhões de visualizações em 24 horas, o que estabeleceu um novo recorde para visualizações de um trailer em um único dia.

Quando eu estava no cinema, eu achei o filme um tanto longo… mas só agora eu me dei conta que Avengers: Infinity War tem 156 minutos de duração, ou seja, 2 horas e 36 minutos! Uau! No cinema, ele parece longo, mas não dá para perceber que ele tem mais de duas horas e meia. Por ter toda essa duração, Avengers: Infinity War é o filme baseado em HQs mais longo da história do cinema.

De acordo com os produtores do filme, Avengers: Infinity War está inspirado em três marcos narrativos das HQs da Marvel: The Infinity Gauntlet, The Thanos Imperative e Infinity. O enredo Civil War das HQs da Marvel, contudo, não tem nada a ver com a narrativa do filme. Que bom que esclareceram isso, porque realmente me pareceu estranho as HQs e o filme terem o mesmo nome mas não terem nada a ver uns com os outros.

Os usuários do site IMDb deram a nota 9,1 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 226 críticas positivas e 42 negativas para o filme, o que lhe garante um nível de aprovação de 84% e uma nota média de 7,5. Especialmente o público está amando essa produção – mais do que os críticos. Reação mais que compreensível dos super fãs do Universo Marvel. No site Metacritic, Avengers: Infinity War apresenta um metascore de 68. Esse indicador resume 38 críticas positivas, 13 medianas e uma negativa.

Avengers: Infinity War é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, esse filme atende a uma votação feita há bastante tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Todos esperavam pela estreia de Avengers: Infinity War. Os fãs de HQ “raiz”, os fãs dos filmes que estão arrasando as bilheterias a cada nova estreia e mesmo aqueles que não são tão fãs assim desse gênero. Afinal, tanto se falou dessa produção… Como filmes do gênero competentes foram lançados recentemente, ficou difícil para esse filme superar toda essa expectativa. Então sim, Avengers: Infinity War é uma bela experiência de cinema. Um show de efeitos especiais e um belo desfile de astros e estrelas. O filme também agrada por não acabar de maneira óbvia, mas está longe de ser uma produção inesquecível. Vale pelo entretenimento e pelo visual. Mas isso é tudo.

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Molly’s Game – A Grande Jogada

Um roteirista competente e que você gosta, protagonistas idem e uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Molly’s Game tinha bons predicados para me atrair para o cinema. Mas, francamente, o filme consegue alimentar mais expectativas do que realmente entregar algo de qualidade. Longo demais, arrastado demais, esse filme só acerta mesmo no seu começo. E olha lá. Eu diria que Molly’s Game acerta na edição ligeira e em algumas linhas interessantes do roteiro no início mas, depois, ele se mostra muito mais vazio, arrastado e forçado do que seria desejado.

A HISTÓRIA: Uma pessoa desce uma colina cheia de neve munida de esquis. A narradora, Molly Bloom (Jessica Chastain) comenta que uma pesquisa feita com 300 atletas perguntou para eles o que de pior pode acontecer nos esportes? As respostas foram variadas, mas uma delas apontava para ficar em 4º lugar nas Olimpíadas. Molly afirma que esta é uma história real, mas que todos os nomes, exceto o dela, foram alterados. Por motivo que logo vamos entender. A própria Molly nos conta a sua história nesse filme, começando no momento em que ela tentou se classificar para as Olimpíadas de Inverno pela equipe americana.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Molly’s Game): Eu gosto dos Jogos Olímpicos. Muito mais dos tradicionais do que das Olimpíadas de Inverno. Mas, na verdade, gosto de todos os Jogos. Por isso, achei interessante aquele começo de Molly’s Game. Até porque aquele começo tem um roteiro ágil e uma edição das cenas muito competente. Mas depois daquele começo, esse filme se revela bastante irregular.

Ok, interessante a história de uma garota que poderia ter sido uma desportista brilhante, ou uma advogada talentosa, mas que acabou cedendo para o dinheiro fácil e que caiu em uma cilada que ela mesma armou para si. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No fim das contas, apesar de tanto ir e vir na história e de uma tentativa clara do roteirista e diretor Aaron Sorkin de fazer um filme acima da média, Molly’s Game nada mais é do que uma produção sobre as escolhas que uma pessoa faz na sua vida e o resultado que estas escolhas tem na sua história.

Além disso, o filme tem algumas outras questões, como a ideia defendida pela sociedade americana de que os Estados Unidos é um país com oportunidade para todos – seja dentro ou fora da lei -; a relação entre pais e filhos e o alto nível de cobrança que os primeiros podem colocar nos segundos e os efeitos disso; assim como a ideia de que até os criminosos tem a sua “ética” e código de conduta.

Ou seja, nenhuma ideia nova sob o sol. Talvez a única parte mais interessante desse filme seja a forma com que Molly’s Game mostra como a Justiça americana – e de qualquer outro país – tenta pressionar e punir alguns criminosos “menores” para conseguir pegar os peixes maiores. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Sim, Molly Bloom cometeu um crime, mas o FBI que a investigou e o governo americano que a processou estavam mais interessados no que ela sabia, nas pessoas que participavam da jogatina, do que realmente no crime que ela cometeu.

Informação é poder. Conhecer pessoas importantes e o que elas falam e sobre o que elas tratam era o real poder de Molly e o que interessava para quem a processou. Mas ela se manteve firme e não entregou ninguém – apenas pessoas que já tinham sido entregues antes por Brad (Brian d’Arcy James). Segundo uma linha do filme, ela estava preservando o próprio nome, a única coisa lhe restou e que lhe importava.

Agora, vamos falar dos pontos que me incomodaram nesse filme. Primeiro, a história se esforçar tanto em tornar uma garota como Molly como “heroína”. Até a linha da “ética” de criminosa dela me pareceu um tanto forçada. Apesar ser levemente interessante, a história dela não é, de fato, realmente surpreendente ou reveladora. Sorkin escreveu o roteiro desse filme baseado no livro escrito por Molly Bloom. Aparentemente, ela soube valorizar muito bem a própria história. E, para o meu gosto, a história dela não é tãooo interessante assim. Há outras histórias melhores por aí.

Depois, me pareceu um bocado mal desenvolvida a questão da real motivação da protagonista para ela ter feito o que fez. Em um dos raros diálogos de Jessica Chastain com Kevin Costner, que faz o pai dela, Charlie Jaffey, ele, como psicólogo, faz a filha “destrinchar” a sua história até achar as respostas para tudo que aconteceu. Possivelmente aquela é a parte mais interessante do filme, mas ela ficou restrita a um diálogo entre pai e filha. Muito pobre, a meu ver. Sorkin podia ter desenvolvido melhor a relação da protagonista do com o pai, já que este era um fator determinante. Mas não.

No lugar disso, ele gastou um grande, grande tempo mostrando as jogatinas entre ricaços e poderosos. Primeiro, em encontros orquestrado pelo chefe de Molly, Dean Keith (Jeremy Strong). Depois, nos encontros orquestrados pela própria Molly. Mesmo na segunda fase, quando ela realmente entra de cabeça no poker e passa a trabalhar com os viciados em jogo 24 horas por dia, ela não desce do salto. Está sempre bem, bonita, mesmo quando ela já está viciada em diferentes drogas. Quem realmente acredita que aquela mulher não ficou um tanto surtada tomando tantas coisas?

Esse é um dos pontos que me incomodaram em Molly’s Game. O filme acaba sendo “perfeitinho” demais. Parece que Sorkin ficou muito preocupado em render uma “homenagem” para a personagem e não quis torná-la vulnerável ou mais “humana” em momento algum. Assim, essa produção me pareceu um tanto longe da “história real” ou da vida como ela é. Outro ponto que me incomodou: o roteiro perde um longo tempo nas “negociações” e vai-não-vai entre Molly e o advogado Charlie Jaffey (Idris Elba). Realmente aquilo faz uma graaaande diferença para a história, para o filme? Acho que não.

Assim, tira um pouco daqui, explica melhor ali, simplifica acolá, Molly’s Game poderia ter, perfeitamente, 30 minutos a menos de duração. Isso teria ajudado a história e teria evitado que eu tivesse que lutar para não dormir no cinema. Olha, não cheguei a “pescar” ou a cochilar, mas que deu vontade, ah, isso deu. Filme bem mediano, para resumir. Poderia ser melhor, se fosse mais realista e desenvolvesse melhor os personagens – especialmente a relação pai e filha. Mas essa produção não faz isso, e o resultado é que ela facilmente provoca tédio e sono.

NOTA: 6,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Ah sim, antes que eu me esqueça. Esse filme trata de um outro aspecto além dos que eu citei antes. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Molly’s Game aborda muito bem todo o “submundo” da jogatina ilegal nos Estados Unidos. E que está presente em vários outros países também – incluindo o Brasil. Nestes locais, as pessoas cheias de dinheiro que não sabem como gastar as suas fortunas e precisam fazer algo para sentir emoção, se entregam em longas disputas movidas à dinheiro e adrenalina. Para alguns, não importa ganhar ou perder. Interessa fazer parte de um “clube seleto” em que eles entram apenas por estarem dispostos a gastar grandes quantidades de dinheiro.

O mundo é feito destes disparates mesmo. Enquanto aquele bando de ricaços de vários países e origens gastavam milhões de dólares sem propósito algum além de algumas horas de diversão e para saciar o seu vício por jogar, quantas pessoas estão por aí morando nas ruas, pedindo trocados nas esquinas e/ou mendigando qualquer trabalho que lhes dê o que comer? O quanto Molly ou qualquer outro que vemos em cena se importa com isso? E por que mesmo a gente deveria se importar com a história deles? Sim, não dá para ignorar que eles existem. Mas acho que tem histórias mais interessantes para conhecermos e para nos inspirarmos – até porque a história de Molly não me inspira para nada.

Molly’s Game marca a estreia de Aaron Sorkin na direção. Ele é bem conhecido como roteirista. Fez a sua carreira nessa área. Inclusive ganhou um Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2011, pelo roteiro de The Social Network (comentado por aqui). O que comentar sobre ele como diretor? Que ele não faz nada demais. Faz uma direção “básica”, digamos assim. Focada nos atores, na dinâmica entre eles e contando as suas histórias de forma pincelada aqui e ali. Mas nada que realmente surpreenda.

Gosto de várias pessoas que estão nesse elenco. Mas não acho que ninguém está realmente brilhante nesta produção. Até porque o roteiro não ajuda muito, não é mesmo? Com um roteiro mais ou menos, não tem como um grande ator fazer um trabalho realmente memorável. Assim, todos estão bem, mas nada que você não possa esquecer após uma semana de ter visto a esse filme.

Entre os atores que fazem parte deste elenco, vale comentar o bom trabalho – mas não excepcional, volto a dizer – de Jessica Chastain como Molly Bloom; Michael Cera como Player X, o jogador que realmente define o sucesso ou o fracasso como organizadora de partidas da protagonista; Jeremy Strong como Dean Keith, o sujeito sem noção que introduz Molly na vida do poker; Brian d’Arcy James como Brad, o cara que sempre perde mas que continua jogando; Bill Camp como Harlan Eustice, um cara talentoso no poker, mas que perde a cabeça quando começa a perder no jogo; Idris Elba em um papel super morno como o advogado Charlie Jaffey; Kevin Costner em quase uma ponta como Larry Bloom, pai de Molly; Chris O’Dowd como Douglas Downey; Graham Greene em uma super ponta como o juiz Foxman; Samantha Isler como a jovem Molly e Piper Howell como Molly aos sete anos de idade.

Entre os aspectos técnicos do filme, vale destacar a edição de Alan Baumgarten, Elliot Graham e Josh Schaeffer – que realmente se mostra interessante no início do filme e, depois, cai um tanto no “lugar comum”; a trilha sonora de Daniel Pemberton; a direção de fotografia de Charlotte Bruus Christensen; o design de produção de David Wasco; a direção de arte de Brandt Gordon; a decoração de set de Patricia Larman; e os figurinos de Susan Lyall.

A única parte realmente interessante de Molly’s Game é quando Kevin Costner conversa com a filha sobre o que aconteceu com ela e sobre a sua motivação para ter chegado tão fundo no poço. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No fim das contas, segundo a análise de Larry Bloom, tudo que Molly fez se explica pelo fato dela ter descoberto, ainda criança, que o pai traía a mãe dela (interpretada por Claire Rankin). Isso é interessante. Para as pessoas perceberem como algumas decisões muito equivocadas que elas podem tomar quando adultas tem, de fato, relação com decepções, traumas e descobertas ruins que elas tiveram na infância e/ou juventude. Especialmente quando o assunto está relacionado aos pais. No caso de Molly, ela se decepcionou com o pai, que deveria ser um exemplo para ela, e, como consequência, passou a encarar os outros, incluindo a sociedade, com um bocado de cinismo (e desprezo, até). E tudo porque ela não resolveu bem a questão da traição paterna. Interessante.

Molly’s Game estreou em setembro de 2017 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme participou de outros oito festivais. Nessa trajetória, o filme recebeu três prêmios e foi indicado a outros 41 – incluindo a indicação para o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Prêmio do Público como melhor filme dos EUA no Festival de Cinema de Mill Valley.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. Dizem, nos bastidores, que existe uma grande probabilidade do Player X ser, na vida real, o ator Tobey Maguire.

Molly Bloom falou para o diretor e roteirista Aaron Sorkin que gostaria que o seu papel fosse interpretado por Jessica Chastain.

No filme, o advogado de Molly aparece lendo um dos exemplares do livro lançado por ela e que conta a sua história. Na vida real, o livro de Molly não foi publicado antes do julgamento dela ter terminado.

De acordo com Molly Bloom, a maior quantia que ela viu um jogador perder em uma noite foi de US$ 100 milhões. Esse mesmo jogador recuperou esse dinheiro no dia seguinte. Agora, vocês já pensaram uma jogatina significar prejuízo de US$ 100 milhões? Algo realmente inacreditável.

A quantidade de dinheiro que o FBI apreendeu de Molly e a multa que ela teve que pagar por fazer algo ilegal foi bem maior no filme do que na vida real.

Molly’s Game é uma coprodução dos Estados Unidos, da China e do Canadá.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,6 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 195 críticas positivas e 42 negativas para o filme – o que lhe garante uma aprovação de 82% e uma nota média de 7,2. Acho que os crítico e os usuários do site IMDb realmente viram mais qualidades nessa produção do que eu. 😉

Molly’s Game tem 140 minutos de duração – ou seja, 2h20. Tranquilamente, como eu disse antes, ele poderia ter meia hora a menos. Muito longo para o meu gosto.

De acordo com o site Box Office Mojo, Molly’s Game faturou pouco mais de US$ 28,7 milhões nos Estados Unidos. Não há informações ainda sobre os outros mercados em que a produção já estreou.

Essa é a última crítica que eu publico aqui no blog antes da entrega do Oscar. Logo mais, vou começar a cobertura da premiação aqui no site. A minha expectativa é que os prêmios sejam bem espalhados. Acho que vários filmes vão levar pelo menos um ou dois Oscar’s para casa. Será bacana de ver. Muita gente sairá feliz da noite de hoje. Quem vai levar Melhor Filme? Estou entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (comentado por aqui); Dunkirk (com crítica neste link) e The Shape of Water (com crítica por aqui). Eu, francamente, votaria no primeiro. Mas não me surpreenderia se um dos outros dois desse uma de “zebra” e levasse o Oscar para casa.

CONCLUSÃO: Francamente, eu nunca indicaria Molly’s Game ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Se eu votasse e decidisse qualquer coisa na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, é claro. Filme um tanto pretensioso demais, essa produção sofre mesmo por ser longa, repetitiva e arrastada. Honestamente? Há muitos, mas muitos mesmo filmes melhores no mercado.

Só perca o seu tempo com essa produção se você tem uma “tara” especial pelo roteirista, pelo diretor ou por algum dos atores em cena. Do contrário, faça uma escolha melhor e assista a uma outra produção melhor acabada – nessa lista, incluo inclusive o fenômeno Black Panther, que segue nos cinemas e é uma pedida bem melhor.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Molly’s Game ter sido indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado já é um grande prêmio para Aaron Sorkin. Mas alguma chance do filme ganhar nessa categoria? Nenhuma. Concorrendo com Call Me By Your Name (comentado por aqui), The Disaster Artist, Logan (com crítica neste link) e Mudbound, Molly’s Game tem chance zero de levar a estatueta dourada para casa.

Para mim, o grande favorito nessa categoria é mesmo Call Me By Your Name. O filme merece levar o Oscar. Não assisti ainda a Mudbound e a The Disaster Artist, mas acho que depois de Call Me By Your Name, seria interessante ver Logan premiado – no caso do primeiro não ser, claro. Mas Molly’s Game não merece levar. Na verdade, como eu disse antes, nem merecia ter sido indicado. Mas o Oscar tem dessas coisas. Para mim, Molly’s Game foi indicado porque a Academia gosta de Sorkin. Nada mais.

Finding Dory – Procurando Dory

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Alguns personagens marcaram determinados filmes sem que eles fossem os protagonistas da produção. Em Finding Nemo isso aconteceu com a personagem Dory, que roubou a cena. Pois bem, os realizadores resolveram fazer um filme em que ela, finalmente, virou a protagonista. Finding Dory é tecnicamente muito bem feito, além de ser bonito e divertidinho, mas não achei tudo aquilo para fazer deste filme a maior bilheteria dos Estados Unidos em 2016.

A HISTÓRIA: Começa com Dory (voz de Ellen DeGeneres quando adulta e de Sloane Murray na infância) se apresentando. Ela fala o nome e, em seguida, explica que sofre de perda de memória recente. Os pais de Dory, Jenny (voz de Diane Keaton) e Charlie (voz de Eugene Levy), aplaudem a filha e explicam para ela sobre os perigos da correnteza.

Para ajudá-la a lembrar do que eles estão ensinando, eles utilizam a música para ajudar, mas sem muito sucesso. Esta é a infância de Dory antes dela se perder dos pais e acabar encontrando Marlin (voz de Albert Brooks) e Nemo (voz de Hayden Rolence), seus grandes amigos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Finding Dory): Este filme é especialmente interessante para os fãs de Finding Nemo. Afinal, é interessante descobrir mais sobre Dory e perceber, por exemplo, que ela realmente aprendeu a falar “baleiês” na infância.

Como outros filmes que tratam sobre personagens que tem alguma disfunção, Finding Dory ganha um interesse especial por mostrar que a “esquisitona” e engraçada Dory tem uma boa razão para ser “atrapalhada” daquele jeito. Como a personagem aprrece comentando logo nos primeiros minutos deste filme, ela tem uma disfunção na memória que faz com que ela não lembre do que aconteceu no curto prazo.

Os roteiristas Andrew Stanton e Victoria Strouse, que contaram com o apoio de Bob Peterson e Angus MacLane, acertam ao apostar em uma história linear que começa com a introdução sobre a infância da protagonista, a sua saga por diversos anos tentando encontrar o caminho para casa e, nesta tentativa, o seu encontro com Marlin. Após eles “esbarrarem” na água e Dory ajudar o peixe na saga por resgatar Nemo, aventura vista no filme anterior da grife, logo pulamos um ano no tempo.

Em uma bela manhã, ao ser levada por uma correnteza durante uma aula do Mr. Ray (Bob Peterson), Dory lembra da família e do nome do local onde eles podem estar: Joia do Morro Bay, na Califórnia. Inicialmente Marlin resiste à cruzar novamente o oceano para ajudar Dory, mas ele acaba cedendo por dever de retribuir o favor que foi feito por ela antes.

E assim começa a nova aventura dos personagens. As cenas da equipe envolvida no filme dirigido por Andrew Stanton e Angus MacLane são um verdadeiro deleite e muito bem planejadas para o 3D. As cenas são um esplendor e devem agradar em cheio as crianças, especialmente as mais jovens.

Afinal, tantas cores, texturas e detalhes são mesmo de encher os olhos. Até consigo imaginar os mais jovens com a boca aberta e fascinados por tudo que eles vem. Os personagens, um tanto “infantis”, também ajuda neste processo de identificação das crianças.

Agora, pensando no público adulto, Finding Dory não é tão interessante quanto outros exemplares do gênero. Claro, existe ao menos um personagem mais “complexo” e interessante na produção, que é o polvo Hank (voz de Ed O’Neill).

Ele é o personagem mais complexo, capaz de várias artimanhas para conseguir sair do centro de reabilitação do Instituto de Vida Marinha e ir para um local em que ele não correrá riscos, o aquário de Cleveland. Diferente do mar, onde ele acredita que terá trabalho para sobreviver – no aquário ele terá “vida mansa”.

Bailey acaba sendo um dos grandes parceiros de Dory para achar os seus pais. O filme se resume à procura da personagem, agora alçada à posição de protagonista. Os momentos mais engraçados da produção envolvem o personagem de Bailey, além da sacada da “Sigourney Weaver” com voz gravada logo no início do filme e que a “inocente” Dory acredita que poderá ajudá-la.

Finding Dory tem menos “mensagens” e “moral da história” que Zootopia. O filme é focado, basicamente, na aventura de Dory e de seus amigos para que todos fiquem juntos. As mensagens bacaninhas da história residem na valorização da família que temos quando nascemos, especialmente nossos pais, e da família que “conquistamos” na vida, que são os nossos amigos. Dory ensina que nem uma e nem outra é mais importante, porque ambas ajudam a nos definir e nos enchem de alegria.

A outra mensagem do filme tem a ver com a valorização de cada vida e indivíduo. Em determinado momento Nemo ensina para o pai que Dory lhes inspira, e em um dos melhores diálogos do filme Marlin explica para Dory como a coragem dela, assim como a sua generosidade e desprendimento por ajudar sempre um amigo ou alguém que precisa, faz diferença para a vida deles.

Essa mensagem é bem bacana porque alguns se apressam em classificar as pessoas como “bobas”, “tolas” ou com nomes piores, como poderia acontecer com Dory que, ao ter falta de memória de fatos recentes, podia ser considerada mais frágil mas que, apesar disso, tinha muitas qualidades.

Desta forma muito singela Finding Dory nos mostra que todos tem o seu valor e as suas qualidades, mesmo que elas não sejam padrão ou perceptíveis para todo mundo. São mensagens bacanas para difundir, especialmente para as crianças – quem sabe, assim, teremos menos bullyng e mais aceitação nas escolas e na vida adulta?

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Este novo filme com Dory, Marlin e Nemo acerta ao não apostar em muitos personagens. Além dos três personagens já conhecidos pelo filme Finding Nemo, temos os pais de Dory, quase o tempo todo ressurgindo nas memórias de Dory que vão voltando aos poucos, e uma meia dúzia de personagens mais importantes do Instituto de Vida Marinha.

Entre os personagens principais, sem dúvida alguma os destaques são os atores que “dão vida” para Dory e para Marlin, respectivamente Ellen DeGeneres e Albert Brooks. Entre os personagens secundários, o destaque principal é Ed O’Neill como Hank. Merecem aplausos também Kaitlin Olson como a baleia Destiny, amiga de infância de Dory, e Ty Burrell como o tubarão Bailey, que ajuda Dory a se localizar.

Em papéis menores e mais “maduros”, que merecem ser mencionados, estão Idris Elba e Dominic West como as focas-marinhas Fluke e Rudder, respectivamente, que ajudam Marlin e Nemo a procurar Dory e, depois, perto do final, também dão uma forcinha para a missão libertadora da protagonista. Grandes nomes envolvidos na produção e que, certamente, ajudaram a atrair atenção do público para o filme.

Da parte técnica do filme, destaque para a trilha sonora de Thomas Newman, para a edição de Alex Geddes e, claro, para o ótimo trabalho da equipe de 54 profissionais envolvidos no departamento de animação. Foi fundamental para o resultado final da produção também o trabalho de Steve Pilcher no design de produção; de Bert Berry e Don Shank na direção de arte; de Jeremy Lasky na direção de fotografia; dos seis profissionais envolvidos com o departamento de arte e dos 59 profissionais responsáveis pelos efeitos visuais da produção.

Finding Dory foi lançado 13 anos depois de Finding Nemo, produção de 2003 dirigida por Andrew Stanton e Lee Unkrich que ganhou 47 prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Animação em 2004. Faz tempo que eu assisti ao filme, mas a impressão que eu tenho é que o original foi melhor que a sequência focada em Dory.

A première de Finding Dory foi feita em Los Angeles em junho de 2016. Na trajetória do filme até o final do ano estiveram três festivais de cinema. Até o momento, Finding Dory ganhou dois prêmios e foi indicado a outros 26. A produção foi reconhecida como Choice Summer Movie e Choice Summer Movie Star Female para Ellen DeGeneres no Teen Choice Awards. Por outro lado, a produção foi esquecida pelo Globo de Ouro. Sinal de que ela pode chegar um tanto enfraquecida no Oscar 2017.

Finding Dory teria custado cerca de US$ 200 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, quase US$ 486,3 milhões. Nos outros países em que o filme estreou ele faturou praticamente outros US$ 541,5 milhões. No total, pouco mais de US$ 1 bilhão. Ou seja, mesmo custando caro, ele conseguiu ter um bom lucro, além de surpreender por ter terminado 2016 como o filme com a maior bilheteria dos Estados Unidos.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção: o personagem de Hank tem apenas sete tentáculos porque os animadores perceberam que eles não conseguiam fazer o personagem com oito membros. Desta forma, a solução foi justificar a ausência de um tentáculo no roteiro.

Esta é para os aficionados pelos filmes da Pixar: a placa do caminhão, CALA113, faz referência à sala de Cal Arts onde muitos dos profissionais do estúdio trabalharam, de sigla A113, e que aparece em todos os filmes da Pixar.

Alguns personagens de outros filmes da Pixar podem ser vistos entre os visitantes do Instituto de Biologia Marinha, como as crianças das creches de Toy Story 3, alguns adultos e adolescentes vistos em Inside Out, e alguns dos pacientes do dentista de Finding Nemo.

Além de ser a maior bilheteria de 2016 nos Estados Unidos, Finding Dory também se consagrou como o filme de animação com a maior bilheteria da história do país, desbancando desta posição Shrek 2, de 2004.

Interessante uma ponderação dos realizadores de Finding Dory. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Esta produção conta a história de Dory procurando os seus pais mas, em última análise, ela está procurando a si mesma, à sua própria identidade – por isso o título de “Finding Dory” seria justificado. Não deixa de ser verdade. Sempre que procuramos as nossas origens estamos procurando mais sobre nós mesmos.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso Finding Dory passa a fazer parte da lista de produções que atende a um votação feita aqui no blog há algum tempo.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para esta produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 250 críticas positivas e 16 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 94% e uma nota média de 7,6. Apesar das notas e do nível de aprovação dos dois sites estarem acima da média para as duas fontes de informação, eles estão abaixo das avaliações de Zootopia.

CONCLUSÃO: Um filme bacaninha, mas nada além disso. Sem dúvida fez diferença eu ter assistido a Zootopia um dia antes de Finding Dory. Como os dois são concorrentes diretos no Oscar 2017, impossível não compará-los. E aí posso dizer sem medo: Zootopia é melhor. Finding Dory vale para um público mais infantil e, sem dúvida, para os super fãs de Finding Nemo. Como eu não faço parte de nenhum destes públicos, achei o filme bacaninha, mas apenas mediano. De qualquer forma, ele é divertido, ainda que fique muito atrás também neste quesito de Zootopia.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Será bem difícil a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ignorar no Oscar 2017 a maior bilheteria de 2016. Provavelmente Finding Dory será indicado – algo que não aconteceu no Globo de Ouro. Até porque os jornalistas responsáveis pelas indicações e pelos premiados tem uma preocupação muito menor com o “mainstream” do que os votantes da Academia.

Assim, pela força das bilheterias de Finding Dory, ele deve chegar à lista dos cinco finalistas na categoria Melhor Animação. Mas sejamos francos: ele não tem as qualidades e a força de Zootopia para levar o prêmio. Seria uma injustiça se ocorresse o contrário. A única maneira de Finding Dory vencer nesta disputa direta com Zootopia seria o lobby e a força do dinheiro contarem mais alto. Espero que isso não aconteça.

Ainda é cedo para dizer que Zootopia é o favorito, porque falta assistir aos outros concorrentes, mas após conferir Finding Dory eu posso dizer com tranquilidade que Zootopia leva vantagem neste confronto direto. E com sobras, ao menos para o meu gosto.

Zootopia

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Há muito os filmes de animação são feitos mais para adultos do que para crianças. Não que elas não se divirtam. Os principais estúdios cuidam bem de fazer atrações que tem diferentes camadas de interpretação e de leitura e, claro, os filmes de animação também agradam às crianças. Mas são os adultos os que realmente se esbaldam e que, muitas vezes, conseguem tirar a “moral da história” de maneira mais completa. Zootopia não foge desta regra. Mas diferente de outros filmes de animação dos últimos anos, mais que fazer pensar, ele diverte. E faz isso muito, muito bem.

A HISTÓRIA: Começa com uma presa fugindo de um predador. Por milhares de anos, conta a narrativa, o medo, a traição e o desejo por sangue dominaram a relação entre os animais. Crianças em uma apresentação de teatro falam desta realidade que acabava em morte, mas que agora tudo é diferente. Cada animal pode ser o que quiser, independente se é presa ou predador.

A protagonista da peça é Judy Hopps (voz de Ginnifer Goodwin) que diz, para o desespero dos pais e para a piada da cidade, que um dia será uma policial. Mesmos os pais dizendo para ela que uma coelha nunca foi uma policial, ela coloca esta meta na cabeça e consegue se formar na academia, indo trabalhar na Zootopia, “cidade grande” em que os animais são, de fato, o que eles quiserem.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Zootopia): Minha melhor escolha, e ela foi um tanto “incidental”, foi fechar 2016 assistindo a um filme de animação. Poucas produções são tão divertidas quanto estas. E acertei ao escolher Zootopia, que é diversão pura.

Comento que foi um tanto “sem querer” assistir a Zootopia porque a ideia inicial era assistir a Toni Erdmann, um dos filmes mais citados como possível vencedor da categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2017. Mas surgiram algum problemas e eu tive que mudar de planos. E aí surgiu a oportunidade de assistir a Zootopia em 3D. Melhor, impossível.

A verdade era que eu estava precisando de um filme como Zootopia para fechar 2016 e para abrir 2017 com alegrias e boas energias. Como normalmente acontece com os filmes de animação, Zootopia é diversão pura. Além de ter algumas mensagens muito bacanas.

Quem acompanha o blog sabe que muitas vezes eu deixo os filmes de animação por último na lista para o Oscar. Com isso, acabo perdendo algumas grandes produções no caminho. Mas no final de 2016 eu resolvi fazer um pouco diferente. Afinal, precisamos inovar sempre e é importante começar a renovar conceitos e práticas.

Então resolvi ir atrás de alguns dos maiores sucessos de 2016 que eu não assisti. Zootopia foi a sétima maior bilheteria de 2016 nos Estados Unidos. Apenas por isso e pelo fato do filme ser um dos grandes cotados ao Oscar de Melhor Animação, se justificava logo tentar assisti-lo. Fiz isso no dia 31 de dezembro e foi um grande presente.

A primeira e forte mensagem de Zootopia é que vale a pena ir atrás dos seus sonhos, mesmo que os seus pais e amigos não acreditem em você ou tenham medo por você, vale ir atrás do que você acha certo. Como outras produções de Hollywood recentes, mas filmes normais e não de animação, Zootopia tem uma protagonista feminina (no caso, uma fêmea) que mostra não apenas a força da “mulher”, mas também surfa a onda da valorização do feminino que as nossas sociedades estão vivendo.

Zootopia nasce, assim, acertando tanto pela protagonista feminina/fêmea quanto pela mensagem da quebra de paradigmas e da busca de nossos sonhos. A mensagem seguinte do filme é mostrar que as pessoas não devem ser classificadas e se contentarem com o que o resto do mundo espera delas. Isso fica claro com as reflexões sobre “presas e predadores”. Mensagem que está desde o início e até o final da produção.

Não por acaso o roteiro de Jared Bush e Phil Johnson, baseado na história criada pela dupla e por Byron Howard, Rich Moore, Jim Reardon, Josie Trinidad e Jennifer Lee, coloca em evidência a amizade entre a “presa potencial” Judy Hopps, a primeira mamífero a se tornar uma policial no mundo dos bichos, e o “predador potencial” Nick Wilde (voz de Jason Bateman), uma raposa astuta que vive de dar golpes.

O primeiro contato entre eles é perfeito. Em seu primeiro dia como policial, a protagonista Judy é colocada na função de “guarda de trânsito” e está sedenta por fazer algo diferente. Por ter ação. Alertada pelos pais Bonnie (voz de Bonnie Hunt) e Stu Hopps (voz de Don Lake) para que tenha cuidado, especialmente com raposas, ela tem a curiosidade logo despertada pelo suspeito Nick.

Depois de ajudá-lo a comprar um picolé gigante para o seu “filho”, Judy segue o rastro do vigarista até perceber o golpe que ele dá para faturar muito dinheiro. De forma inteligente, o roteiro mostra como ali nasce uma amizade que será fundamental para Judy e para a história que o espectador vai acompanhar.

Além de belas mensagens, Zootopia se destaca não apenas pela qualidade de sua arte e da animação empregada na produção, mas principalmente pela aposta diferenciada em uma história policial. Como acontece em filmes clássicos do gênero, Zootopia acaba tendo muitos elementos de suspense, investigação e de ação pura e dura. Como é possível apenas em filmes de animação, a história é conduzida por animais, o que garante a diversão, certamente, do público infantil – inclusive dos mais jovens.

Aí está o que eu comentava lá no início. Se o roteiro, as tiradas e os diálogos de Zootopia vão agradar em cheio aos adultos, com algumas “pitadas” de realismo que apenas um adulto vai entender, por outro lado as escolhas da animação caem como uma luva para o público infantil. Os personagens desta produção são encantadores e, o que é uma qualidade importante do filme, muito bem desenvolvidos pelos roteiristas.

Desta forma, acompanhamos a saga de Judy na realização de seu sonho. Como a vida de um adulto pressupõe, esta busca é cheia de dias bons e ruins, de frustração e de alegrias. Neste sentido, muitos adultos se sentirão representados. As crianças devem adorar a fofura dos personagens e ficarem presas com as cenas de aventura e de ação.

Quando começa a trabalhar como policial, 15 anos depois de comentar em uma peça de escola que este era o seu sonho, Judy faz parte de um programa da prefeitura de Zootopia para a “inclusão de mamíferos” no DPZ (Departamento Policial de Zootopia). O caso mais urgente que o departamento tem que solucionar é o desaparecimento de 14 cidadãos.

Contrariando a vontade do chefe Bogo (voz de Idris Elba), que gostaria de deixar Judy em um papel secundário no DPZ, a nova recruta acaba tendo a sorte de ser escalada para resolver a um dos desaparecimentos, o da doninha Emmitt Otterton.

Ela tem esta sorte depois que a esposa de Emmit, a senhora Otterton (voz de Octavia Spencer) invade a sala do chefe Bogo e, na sequência, a vice-prefeita Bellwether (voz de Jenny Slate) faz o mesmo. Pressionado, o chefe Bogo dá 48 horas para Judy resolver o caso. Aí começa a parte mais envolvente da produção, com Judy mostrando muita sagacidade para resolver o caso e, de quebra, solucionar todos os demais desaparecimentos.

Neste momento, qualquer um poderia presumir que o filme terminaria ali. Mas aí está uma das grandes sacadas da produção. Ela não termina com o “caso policial” sendo resolvido, mas prossegue para mostrar que o preconceito e que a mania da sociedade em “classificar” as pessoas/bichos é algo injusto e irreal. Ninguém “nasce” com uma sina e deve ser o que os outros esperam. Todos tem a capacidade de se recriarem e de buscarem fazer o melhor.

Muito bonito, neste sentido, e também surpreendente, a história por trás do “malandro” Nick. O roteiro nos faz desconfiar dele, assim como Judy, até que ele conta para ela a razão que o fez caminhar na trilha da malandragem. Quando criança, enquanto Judy sonhava em ser uma policial, Nick sonhava em ser um escoteiro. Até que ele é “sacaneado” por uma turma de escoteiros e sofre preconceito feroz.

A reação dele, diferente de Judy, que sofreu na pele a gozação e o preconceito mas não foi vencida por eles, foi fazer exatamente o que a “sociedade” esperava dele. Eis aí uma grande mensagem para todos nós. Não apenas que não devemos ser injustos e classificar as pessoas, colocá-las em uma caixinha e esperar que elas ajam como a maioria deseja, mas que também precisamos conhecer a história das pessoas antes de julgá-las. E isso vale para todos.

A sociedade muitas vezes é injusta, não é inclusiva. E isso faz algumas pessoas desviarem do caminho que elas inicialmente desejavam e ir para uma direção equivocada que outros as impeliram a seguir. Para finalizar a produção, Judy aprende que ela mesma errou, pede desculpas, tenta corrigir o seu erro e, mais que isso, nos dá a mensagem de que vale a pena lutar para fazer deste um mundo melhor.

Francamente, não consigo imaginar mensagens mais poderosas e propícias para os nossos dias do que estas. Especialmente em uma fase em que vários países estão trilhando o caminho da estigmatização e da “classificação” das pessoas entre “nós e eles”, entre pessoas “da terra” e “estrangeiros”, as mensagens de Zootopia se revelam ainda mais importantes.

Com uma história envolvente e muito, muito bem conduzida pelos diretores Byron Howard, Rich Moore e Jared Bush, Zootopia tem alguns momentos hilários e inesquecíveis. Eu ri para valer com aquela sequência no “Detran”. Quem já dependeu de um Detran sabe o quanto a impaciência é um elemento importante naquele cenário. Então colocar “bichos preguiça” como atendentes foi uma sacada genial. Para mim, o momento mais engraçado da produção de longe.

Vale a pena assistir a esta produção na versão 3D. Este foi, aliás, o grande achado do cinema nos últimos anos. Realmente é encantador e um grande diferencial ver os filmes com esta tecnologia que torna as histórias ainda mais interessantes e envolventes. O filme ganha em beleza e em diversão.

Apesar de ter achado Zootopia ótimo, vejo que a produção acaba exagerando um pouco na “releitura” de estereótipos de filmes policiais. Ele poderia ter inovado um pouco mais, neste sentido, do que apenas buscado ironizar velhos ícones – como o “Poderoso Chefão”, entre outros.

Também achei que apesar de ter temáticas muito atuais e debates necessários, ser envolvente e divertido, Zootopia não me emocionou como outras produções recentes que venceram ou concorreram ao Oscar, como Inside Out (comentado aqui) e Mary and Max (com crítica neste link). Estes filmes tinham temáticas mais “densas” e humanas, por assim dizer. Menos divertidos, mas mais “existencialistas”. Para mim, foram mais marcantes que Zootopia, ainda que este último tenha sido mais divertido e, sem dúvida alguma, um entretenimento mais envolvente.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Tem um aspecto de Zootopia que eu não comentei antes. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Além da produção não terminar quando os desaparecimentos são esclarecidos, dando espaço para que o público reflita ainda mais sobre como pessoas boas erram e sobre como os estereótipos estão equivocados, achei interessante como a escolha dos roteiristas nos levam a mais uma reflexão sobre “a vida como ela é”.

Seguindo a linha de “os fins justificam os meios”, Bellwether utilizou pessoas inocentes para resolver a própria frustração. Mesmo usando o argumento de querer “empoderar” a maioria dos mamíferos, colocados em segundo plano pela minoria dos predadores, no fundo Bellwether estava buscando poder e o controle da sociedade. Bem ao estilo “a vida como ela é”, em que vemos bandidos e corruptos justificando os seus crimes pelo “bem da maioria” e da busca de “igualdade social” quando, no fundo, eles estão querendo poder e riqueza para si e nada mais.

Poucas vezes eu vi tantos nomes envolvidos na concepção da história de um filme. Imagino que cada um dos sete envolvidos nesta parte da produção tenha contribuído com alguma ideia importante para o filme, ou com algum personagem central, mas o roteiro é assinado mesmo por dois dos nomes da lista: Jared Bush e Phil Johnston. Bush também é um dos três nomes envolvidos na direção do filme. Sem dúvida alguma, um dos principais responsáveis pelo seu sucesso.

Os atores que dão as vozes para Judy e Nick, Ginnifer Goodwin e Jason Bateman, fazem um excelente trabalho. Mas a verdade é que todos os atores envolvidos no projeto estão muito bem. Eu destacaria, além dos dois já citados, Idris Elba, Jenny Slate, o ótimo J.K. Simmons como o prefeito Lionheart, Alan Tudyk em uma super ponta como o bandido Duke Weaselton, Nate Torrence com o divertido policial Clawhauser (recepcionista do DPZ), Shakira como a artista Gazelle, Raymond S. Persi como o divertido bicho preguiça amigo de Nick chamado Flash, e Maurice LaMarche dando um toque muito especial em seu Mr. Big.

Em um filme como este, com muitas cenas de ação, é fundamental a trilha sonora envolvente de Michael Giacchino e a edição da dupla Jeremy Milton e Fabienne Rawley. Muito bem feitos e planejados o design de produção de Dan Cooper e David Goetz e a direção de arte de Matthias Lechner. E, claro, fundamental e de tirar o chapéu o trabalho dos 159 profissionais envolvidos no Departamento de Animação e para os 31 profissionais que atuaram no Departamento de Arte de Zootopia. Muito importante também o trabalho dos 34 profissionais envolvidos no Departamento de Som e dos 105 profissionais envolvidos nos Efeitos Visuais do filme.

Zootopia é, para mim, mais um clássico da Disney. O filme segue dois elementos-chave dos filmes do estúdio. Primeiro, o lado “bonitinho” de uma animação “fofinha” que deve agradar em cheia às crianças. Depois, as mensagens bacanas que o filme apresenta – afinal, para a Disney, um filme de animação nunca foi apenas diversão, mas também um canal para passar mensagens positivas e para fazer pensar nas escolhas que fazemos e na sociedade que vivemos e para a qual também contribuímos. Este é mais um filme que segue esta tradição da Disney.

Esta produção estreou no dia 11 de fevereiro de 2016 na Dinamarca e, no dia seguinte, na Espanha. Depois o filme foi chegando nos outros mercados e participando, inclusive, de três festivais e eventos de cinema. Em sua trajetória até agora, Zootopia colecionou 16 prêmios e foi indicado a outros 39, incluindo a indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação.

Entre os prêmios que recebeu, destaque por ele ter sido reconhecido 13 vezes como a Melhor Animação do ano segundo associações de críticos como as de Toronto, de St. Louis, de Nova York e de Phoenix, entre outras, além deste prêmio conferido pelo Hollywood Film Awards. Vale destacar também que Zootopia é a única animação na lista dos 10 melhores filmes do ano segundo o AFI Awards. Ou seja, o filme sai bem cotado para o Globo de Ouro e para o Oscar.

Zootopia teria custado cerca de US$ 150 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, cerca de US$ 341,3 milhões – a sétima maior bilheteria de 2016. Nos outros países em que o filme estreou ele fez outros US$ 682,5 milhões. No total, portanto, Zootopia teria superado a barreira do US$ 1 bilhão. Nada mal, hein? Mais um grande sucesso da Disney, pois.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Inicialmente Zootopia tinha a raposa Nick como protagonista. Mas o público-teste da produção disse que não conseguia se conectar com o personagem, por isso a história foi modificada para que Judy fosse a protagonista – sem dúvida alguma um grande acerto dos realizadores.

O roteirista Jared Bush assumiu a função de codiretor do filme quando os produtores resolveram mudar o protagonismo da história de Nick para Judy em novembro de 2014.

Esta produção está cheia de referências a outros filmes da Disney, especialmente à Frozen, e a elementos da tecnologia, como Apple e AT&T. Também há referências à Breaking Bad – quando Doug, no laboratório improvisado em um trem, fala que “Walter e Jesse estão aqui”, por exemplo. Estes eram os nomes dos protagonistas do ótimo seriado de TV.

O esquema de design e de cores das placas de Zootopia são uma clara homenagem às placas da Flórida – Estado em que está um dos parques Walt Disney World.

Esta produção também tem homenagens para Star Wars e Avatar.

Jared Bush pode ser duplamente indicado no Oscar 2017. Ele é também um dos roteiristas de Moana, filme cotado para estar entre os finalistas da premiação. Zootopia é o primeiro filme em que ele trabalha como codiretor.

O trio de diretores de Zootopia nunca ganhou um Oscar – Byron Howard e Rich Moore já foram indicados a uma estatueta dourada, respectivamente por Bolt e Wreck-It Ralph, mas eles perderam o prêmio para Wall-E e Brave.

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso o filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita aqui no blog há bastante tempo.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,1 para esta produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 235 críticas positivas e cinco negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 98% e uma nota média de 8,1. A avaliação de público e de crítico são muito boas, acima das médias dos dois sites, sinal que o filme teve sucesso não apenas financeiro, mas de crítica também.

Como hoje é o primeiro dia de 2017, nada melhor que publicar um texto aqui no blog sobre uma realidade “utópica”, não é mesmo? Ainda que o ambiente de Zootopia seja feito de animais, certamente nos identificamos com os personagens. Vale também tentarmos fazer das nossas sociedades ambientes mais “utópicos” se isso significar ambientes melhores. Um Feliz 2017 para todos vocês, meus queridos e queridas leitores. Que este seja um ano de muitas realizações e alegrias para vocês e os seus! E que este seja um ano de muitos e muitos filmes bons pra gente!

CONCLUSÃO: Mais que filosofia, o que você encontra em Zootopia é diversão. Diferente de tantas outras produções de animação que invadiram o cinema nos últimos anos, este filme aposta no estilo policial, levando para a animação o que temos de melhor neste estilo de produção.

Há suspense, mistério e muita ação em Zootopia, assim como algumas mensagens importantes sobre amizade, buscar o nosso sonho e fazer um mundo melhor e, o que é mais bacana, romper estereótipos. Muito bacana. Se você, como eu, demorou para assistir a este filme, está na hora de ir atrás. Vale a experiência, sem dúvidas.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: Zootopia faz parte da lista de 27 produções que estão habilitadas a uma das cinco vagas no Oscar 2017 de Melhor Animação. A sétima maior bilheteria do ano dificilmente ficará fora desta lista. Ainda não assisti aos outros filmes bem cotados nesta categoria, mas acho sim que Zootopia tem tudo para chegar lá.

Bem feito, criativo, com personagens bem desenvolvidos e uma história envolvente e que ousa em levar uma produção “policial” para a animação, Zootopia encanta crianças, jovens e adultos por motivos diferentes. Apenas por isso ele tem um diferencial importante. Diferente de outras produções que ganharam um Oscar ou que foram finalistas a uma estatueta em anos recentes, Zootopia foi pensado para todos os públicos.

Para resumir, acho que o filme aparecerá na lista dos cinco finalistas ao Oscar. Ganhar… bem, para falar melhor sobre as chances de Zootopia eu preciso antes assistir aos seus concorrentes. Da minha parte, acho que filmes que venceram em anos anteriores me emocionaram e interessaram mais. Então vou esperar se algum ainda me encanta acima desta produção. Veremos…