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Black Panther – Pantera Negra

Um filme envolvente, com um elenco incrível e com alguns questionamentos bastante relevantes para os nossos dias. Black Panther é um desses filmes baseados em personagens de HQ que nos fazem sorrir no final da projeção. Nem tanto por ser engraçado, mas por sentirmos que a experiência de ter ido no cinema valeu a pena. Bem feito, com uma história bem parecida com o original do HQ, Black Panther é um dos belos exemplos do gênero – e que não interessa apenas para os fãs das adaptações de HQ, diga-se de passagem.

A HISTÓRIA: Começa na África, na origem dos tempos, quando cinco tribos lutavam entre si. Esses confrontos resultava em muitas mortes e destruição, até que são feitas orações para a Deusa Pantera, que escolhe uma liderança que se torna o primeiro Pantera Negra. Quatro tribos aceitam essa liderança e se unem ao redor do novo líder, menos a tribo das montanhas, que se isola e que não aceita o Pantera Negra. Corta. Em 1992, em Oakland, na Califórnia, um grupo de garotos joga basquete na quadra próxima de alguns prédios.

Enquanto isso, em um apartamento, N’Jobu (Sterling K. Brown) combina os últimos detalhes do que parece ser um crime com o jovem Zuri (Denzel Whitaker). N’Jobu percebe que há algo de errado do lado de fora. Zuri tenta descobrir o que está acontecendo e ele brinca que existem duas mulheres parecidas com Grace Jones e com lanças do lado de fora da porta. Chega no local o jovem rei T’Chaka (Atandwa Kani), que pergunta para N’Jobu e Zuri se eles sabem quem está roubando e comercializando o vibranium de Wakanda. Essa busca será uma questão fundamental nessa história.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Black Panther): Eu sempre gostei de ler HQs. Desde que eu era criança e o meu pai me apresentou algumas, em casa, e, depois, o meu irmão começou a assinar um pacote de quadrinhos da Marvel. Todos os meses, recebíamos aquelas histórias em casal, e foi aí que eu comecei a gostar e conhecer os Vingadores, o Homem-Aranha, os X-Men, Conan, entre outros.

Depois, quando eu comecei a ter um dinheiro para chamar de meu, comecei a virar “rata” de sebos e passei a comprar os meus próprios HQs. Depois, com o tempo e a correria da vida “adulta”, larguei os HQs, até que há algum tempo eu resgatei um pouco esse hábito com The Walking Dead e outras leituras. Dito isso, esses tempos, busquei as origens dos Vingadores, e aí que eu me deparei com a origem também do Pantera Negra.

Apesar de gostar de HQs e de ser uma “viciada” em filmes e séries – sempre bem selecionados -, eu admito que não sou uma “fanática” por filmes baseados em histórias em quadrinhos. Dito isso, sim, fiquei na dúvida em assistir Black Panther. Mais que nada, porque eu não sabia se ele teria ou não uma grande relação com os filmes anteriores do universo Marvel – muitos dos quais eu não assisti.

Para o meu alívio, um amigo me disse que não, que esse era um filme independente dos outros e que eu poderia vê-lo sem erro. E era verdade. Black Panther apresenta a história do nosso herói, mas sem ligações com os outros personagens dos Vingadores.

A primeira característica que me chamou atenção nesse filme, além daquela interessante introdução “animada” sobre a origem dos tempos e as eternas disputas entre tribos e civilizações, foi o excelente elenco dessa produção. Realmente selecionado a dedo. Todos os atores estão bem, sem exceções, mas com especial destaque para as mulheres. Ou seja, esse filme não se destaca apenas por um ótimo elenco majoritariamente negro, mas também por ter mulheres em papéis fundamentais da produção.

Então sim, esse filme tem um papel importante de valorização de negros e mulheres que, todos nós sabemos, geralmente não tem as mesmas oportunidades ou são valorizados da mesma forma que os homens brancos. E o melhor: para contar a história do Pantera Negra, toda essa valorização não parece “forçada”, mas faz todo o sentido. Então o elenco é o primeiro ponto que chama a atenção. Depois, claro, os efeitos especiais e visuais do filme.

A história começa com uma introdução muito bem feita e com uma dinâmica interessante. Logo naquele começo, em poucos minutos, percebemos que a disputa por poder é uma questão importante para a história. E que a divisão interna entre diferentes “tribos” também é um ponto fundamental. Em seguida, já entramos na trama dos personagens centrais de Wakanda. Como pede um roteiro “clássico”, partimos de um acontecimento aparentemente sem graaaaande importância para “os tempos atuais” para, depois, conforme a história avança, entender que aquele acontecimento era um ponto crucial da trama.

(SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). E assim, primeiro vemos à cena em que os irmãos T’Chaka e N’Jobu se desentendem sobre qual era o papel do avanço obtido por Wakanda no mundo. Em contato com a realidade do “mundão”, em que negros sofrem cotidianamente com diferentes formas de violência, preconceito e marginalização, N’Jobu acreditava que o vibranium deveria ser “compartilhado” e “democratizado” no mundo como uma arma/ferramenta para justamente fazer justiça contra os oprimidos e excluídos.

Black Panther mostra que, por mais boas intenções que alguém tenha, a forma como a pessoa busca o seu senso de justiça faz toda a diferença. N’Jobu tentou buscar justiça para o seu povo através de artifícios complicados – e, principalmente, enganando o seu próprio irmão. Quando o conflito entre irmãos volta à cena “reeditado” na disputa da segunda geração, ou seja, dos primos T’Challa (Chadwick Boseman) e Erik Killmonger (Michael B. Jordan), descobrimos que N’Jobu não foi levado para o julgamento do Conselho de Wakanda, mas acabou sendo morto pelo próprio irmão.

Algo interessante nesse filme é como ele questiona alguns pontos muito presentes na nossa política e geopolítica atuais. Por exemplo, quantos conflitos temos hoje em diferentes partes do mundo que parecem uma “disputa sem fim”, ao exemplo da queda de braço familiar que vemos em Black Panther? Quantos “lados” de uma história acabam adotando as mesmas práticas que dizem condenar no lado oposto de um conflito? Quantas disputas e quanta morte continua acontecendo sem que as pessoas realmente se perguntem o porquê delas estarem fazendo aquilo?

Tudo isso chamou muito a atenção nesse filme. Como Black Panther, apesar de ser um entretenimento e apesar de ter muitos elementos previsíveis, é muito mais do que isso. Os fins justificam os meios? A exploração e a violência que os negros historicamente sofreram e continuam sofrendo justifica que essa moeda seja virada e que os brancos comecem a ser igualmente explorados, violentados e exterminados? Claro que a realidade não pode continuar como está, mas qual realmente pode ser a saída para esses conflitos sem que as pessoas que buscam justiça cometam os mesmos “pecados” e/ou crimes que os algozes que elas querem combater?

Essas são questões que rendem um longo, longo debate. Também é possível chegar a mais de uma resposta para estas perguntas. Da minha parte, eu sempre vou preferir o caminho de Gandhi, que defendeu sempre a não-violência. E falo dele para não citar um exemplo ligado à religião. Porque acho que estas decisões são tomadas pela gente no dia a dia, independente de nossa fé – ou da nossa falta de fé. Em tempos em que no Brasil – e em outras partes – muita gente inteligente defende que “cidadãos de bem” (odeio esse termo, quero deixar claro) tenham o direito de se armar para “defender” os seus direitos, acho que todos nós temos que parar para pensar sobre as saídas para os nossos problemas.

Isso é algo fundamental em Black Panther, diga-se de passagem. Afinal, o rei está morto… vida longa ao rei! Mas quem será o novo rei? Quatro tribos concordam que seja o filho do rei morto, ou seja, que T’Challa assuma o poder. A quinta tribo, que sempre se manteve “independente”, busca acabar com a dinastia no poder. M’Baku (Winston Duke) segue as tradições e enfrenta T’Challa em uma disputa justa, mas perde. Tudo parece sob controle, exceto pelo problema anteriormente não resolvido do invasor, assassino e ladrão de vibranium, Ulysses Klaue (Andy Serkis).

Mas nem tudo é simples, seja em Black Panther, seja na vida real. Assim, não demora muito para T’Challa descobrir, mais uma vez, que a maior ameaça de Wakanda não são os “invasores bárbaros” ou as ameças externas, e sim a ameaça interna e a disputa em seu próprio povo. Essa questão renderia uma tese de doutorado, provavelmente. Afinal, quantas civilizações já não caíram por causa de disputas internas? O lema “dividir para conquistar” é usado, literalmente, desde os tempos do romano César. E o mais incrível é que ele continua sendo usado, e com um bocado de eficiência, até hoje. Basta ver as disputas na “arena” das redes sociais e em outros espaços urbanos do Brasil e de outros países.

Assim, apesar do roteiro de Ryan Coogler e de Joe Robert Cole, baseado nos personagens do HQ criado por Stan Lee e Jack Kirby, ser um bocado previsível e até um pouco redundante – ao menos nessa parte da “disputa interna” -, ele se mostra muito, muito atual. Eu diria até, assustadoramente atual. O primeiro “extra” desse filme, aliás, é um belo manifesto dirigido para Donald Trump e para tantas outras figuras da política que utilizam como estratégia central a política da divisão de César e de tantos outros homens com poder que vieram depois.

Agora, falando menos de política e de geopolítica e tratando mais do filme, Black Panther é uma produção envolvente, com um bom ritmo e com um elenco excepcional. Especialmente o elenco “me ganhou”. Apesar dessas qualidades, esse não é um filme perfeito. Sim, ele traz importantes conquistas para os atores e realizadores negros – assim como para as mulheres. Trata de temas mais que atuais. Mas, apesar disso, devo dizer que eu esperava que Black Panther fosse além da origem do mais recente Pantera Negra.

Sim, foi importante essa produção tratar bastante sobre os temas das divisões internas, da busca pelo poder, do uso da tecnologia e dos recursos para um bem “maior” que não apenas a riqueza de uma nação. Mas eu esperava que o filme avançasse um pouco na história, pelo menos mostrando um pouco melhor a origem do Pantera Negra – no sentido da criação e dos valores que T’Challa recebeu do pai e de seus antepassados – e também a ligação dele com os Estados Unidos.

Afinal, esse personagem foi originalmente lançado por fazer parte dos Vingadores… não seria interessante sabermos um pouco mais sobre a relação dele com o país que, depois, o faria defender interesses que não são, exatamente, os de Wakanda? Claro, teremos muitos filmes da Marvel ainda pela frente para ver o desenvolvimento deste personagem. Quem sabe, até, uma outra produção que foque no Pantera Negra e não em todos os Vingadores. Mas acho que Coogler e Cole perderam uma boa oportunidade de nos fazer “entrar” mais no personagem.

Apesar desse porém e de uma certa “repetição” de lutas e de disputas internas, Black Panther é um filme que merece ser visto. E não apenas pelos fãs da Marvel ou dos personagens de HQs. Essa produção extrapola estes círculos e se revela uma bela peça de cinema independente. Um pouco ao estilo de Logan (comentado aqui), que trata de questões que ultrapassam as HQs e que entram mais no estudo de personalidades e nas relações humanas (ou entre “raças superiores” e humanos, como é o caso do X-Men) – algo que, para os leitores mais vorazes, é o que faz as HQs serem tão interessantes, além de outros fatores.

Então, seja por vários questionamentos que essa produção sucinta, seja por valorizar talentos que nem sempre são devidamente valorizados ou seja pela história envolvente e com uma boa dinâmica que apresenta, Black Panther merece ser visto. Seja você fã ou não do gênero. Esse filme entra na seleta lista de produções baseadas em HQs que extrapolam o gênero e que conseguem aliar bem entretenimento com crítica social. Por tudo isso, acredito que o filme merece o sucesso que está tendo. Não sei se ele consegue chegar com força no Oscar 2019 – acho muito difícil -, mas seria bom vê-lo ser indicado/lembrado ao menos em algumas categorias.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Puxa, eu queria escrever pouco sobre esse filme. Mas quem disse que eu consegui? Assisti a Black Panther na semana passada, mas só hoje consegui terminar o texto que comecei no sábado. Me desculpem por não atualizar o blog na semana passada, mas a vida está extra corrida. De qualquer forma, vale lembrar que teremos a entrega do Oscar no próximo domingo. Mais uma vez, farei a cobertura da premiação por aqui. Então, aguardem e confiem. E sim, vamos correr para assistir a mais algum filme que falta da lista até lá. 😉

Como comentei na crítica de Black Panther, essa produção tem diversas qualidades. Além da história de Wakanda e do Pantera Negra ser muito, muito atual, esse filme tem o grande mérito de ter escolhido a dedo alguns dos melhores atores do mercado. Em cena, temos o prazer de ver o trabalho de nomes como Lupita Nyong’o (eu admito que eu fico arrepiada cada vez que vejo ela em cena, e isso desde 12 Years a Slave, comentado aqui), Danai Gurira, Letitia Wright, Florence Kasumba, Angela Bassett (sim, as mulheres dão um show à parte nesse filme), Chadwick Boseman, Daniel Kaluuya, Michael B. Jordan, Winston Duke, Sterling K. Brown (também fico arrepiada quando ele aparece em cena, sempre), Forest Whitaker, John Kani, Martin Freeman e Andy Serkis (que está excepcional, em um de seus melhores trabalhos na carreira).

A lista é grande, não é mesmo? Mas fiquei especialmente fascinada pelo trabalho das mulheres do elenco. Acho que esse filme segue uma linha recente de produções que valorizam – finalmente! – o talento feminino e os papéis de mulheres fortes. Não sei vocês, mas eu tive a sorte de ser educada e de ter como mãe uma mulher fenomenal, de uma sensibilidade, inteligência e fortaleza que inspiram. E sempre tive ótimos exemplos de mulheres – amigas, colegas de trabalho, entre outras – na vida, então fico muito feliz que o cinema esteja, pouco a pouco, nos presenteando com personagens de mulheres interessantes e com essas características.

Além do elenco feminino, para o qual eu bato palmas – para Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Letitia Wright, Florence Kasumba e Angela Bassett, em especial -, acho que os talentos que se destacaram nessa produção foram, na ordem de importância (não para a trama, mas de entrega para o personagem): Andy Serkis, Chadwick Boseman e Michael B. Jordan. Gosto muito do Daniel Kaluuya, do Winston Duke, do Martin Freeman, do Forest Whitaker e do Sterling K. Brown, mas acho que esses atores foram “eclipsados” um pouco pelos outros nomes e acabaram tendo personagens muito secundários na trama. Sem dúvida alguma eles tem talento de sobra e poderiam ter sido melhor aproveitados na trama.

Como sempre, e seguindo um pouco a “tradição” criada por Alfred Hitchcock, o “criador” das “criaturas” Stan Lee faz uma aparição divertida em Black Panther. Se tem um cara, a exemplo de Hitchcock, que merece ser imortalizado nos filmes é o grande Stan Lee. Figura emblemática!

Um parabéns especial também para o diretor e roteirista Ryan Coogler. Pelo nome, não exatamente liguei  o “nome à pessoa”. Mas buscando a filmografia de Coogler, vi que ele tem uma bela trajetória mesmo tendo apenas 31 anos de idade – ele completa 32 anos no dia 23 de maio. Coogler tem apenas sete títulos no currículo como diretor, sendo três desses títulos de curtas – lançados entre 2009 e 2011 -, três longas e uma série de TV.

Antes de dirigir Black Panther, Coogler fez o seu nome ser projetado com as produções Fruitvale Station e Creed. Admito que não ter assistido a Fruitvale Station é uma das falhas do meu currículo – eu queria ver o filme, mas até hoje não “sobrou” tempo para isso. Mas eu assisti a Creed, filme que comentei nesse link. Apenas pelo trabalho apresentado até agora, Coogler já demonstrou que tem uma postura e uma “pegada” bastante claras, potentes e com assinatura. Tudo indica que valerá a pena ficarmos de olho nele e seguir os seus próprios passos.

Além do ótimo elenco, que é um dos pontos fortes de Black Panther, o filme satisfaz a exigência das pessoas que gostam de ação, algumas pitadas de humor e uma boa dose de adrenalina em cenas de perseguições de carros e de disputas “mano a mano”. Junto com isso, vale ressaltar o visual da produção, especialmente nas cenas que exploraram a Wakanda “verdadeira e escondida”.

Dito isso, vale destacar diversos aspectos técnicos do filme. Começando pela ótima trilha sonora de Ludwig Göransson, e passando pela direção de fotografia de Rachel Morrison; pela edição de Debbie Berman e Michael P. Shawver; pelo design de produção de Hannah Beachler; pela direção de arte de Jason T. Clark, Joseph Hiura, Alan Hook, Alex McCarroll, Jay Pelissier e Jesse Rosenthal; pela decoração de set de Jay Hart; pelos figurinos muito interessantes de Ruth E. Carter; e chegando até o trabalho dos 59 profissionais envolvidos com o Departamento de Maquiagem; e as centenas de profissionais responsáveis pelo Departamento de Arte, os Efeitos Especiais e os Efeitos Visuais.

Esses últimos três elementos são fundamentais para satisfazer o público que curte um grande visual e todo o potencial que o cinema moderno disponibiliza para as grandes produções. Mais um belo exemplo do gênero – exceto, talvez, pela “parede” de pessoas que assistem à primeira disputa pelo trono, entre T’Challa e M’Baku… aquela parte me pareceu um tanto “mal acabada”. Mas é apenas um pequeno detalhe, que não desmerece todo o esmero com outras sequências da produção.

Black Panther estreou no dia 29 de janeiro em uma première em Los Angeles. Depois, no dia 13 de fevereiro, a produção estreou no circuito comercial do Reino Unido, de Hong Kong, da Irlanda e de Taiwan. O filme estreou no Brasil dois dias depois, no dia 15 de fevereiro.

Essa produção tem nada menos que 110 curiosidades listadas no site IMDb. Eu não vou comentar todos, mas apenas alguns dos mais interessantes da lista. O diretor Ryan Coogler comparou as minas de vibranium de Wakanda com a situação real das minas do Congo, onde o “valão mineral valioso”, utilizado na fabricação de produtos digitais, está sendo explorado.

O tipo de luta que vemos em Black Panther é inspirada nas artes marciais africanas. Coogler também citou como referência as cenas de ação de Creed e da série de filmes Kingsman.

O personagem de Black Panther foi lançado em julho de 1966, dois meses antes da fundação do Partido dos Panteras Negras, nos Estados Unidos. Muitas pessoas acharam que o personagem tinha a ver com o movimento que buscava justiça para os negros. Por isso o personagem chegou a ser rebatizado para Black Leopard. Mas como nem os leitores e nem os criadores do personagem gostaram da mudança, esse nome não durou muito.

Quem quer curtir todas as curiosidades e notas de produção desse filme, pode acessar todos os itens nessa página do site IMDb.

Achei Black Panther um tanto longo demais. Acho que aquela longa batalha entre os dois lados que apoiam T’Challa e Erik poderia ter sido menor, assim como alguns outros minutos de outras partes poderiam ter sido facilmente eliminados. Um filme durar mais do que duas horas tem que ter muito, muito argumento para isso. Acho que Black Panther poderia ser um pouco mais curto sem fazer a história perder nada de importante.

Eu não encontrei informações sobre os custos dessa produção, mas é fato que Black Panther já é um sucesso de bilheteria. Até o dia 25 de fevereiro – ou seja, em menos de duas semanas de estreia em alguns mercados -, o filme acumulou pouco mais de US$ 403,6 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e pouco mais de US$ 305,3 milhões nos outros mercados em que ele estreou. Ou seja, ultrapassou a barreira dos US$ 708,9 milhões.

Isso já coloca Black Panther como o terceiro filme que conta a origem de um super herói com a melhor bilheteria da história, segundo o site Box Office Mojo. Ele já ocupa também a quinta colocação entre os filmes do Universo Marvel com a melhor bilheteria e é a quarta maior bilheteria em uma semana de estreia. Tudo indica que ele vai seguir na trajetória ascendente e vai fazer história não apenas na proposta conceitual da produção, mas também no faturamento que vai obter.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,9 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 331 textos positivos e apenas 11 negativos para Black Panther – isso garante que o filme tenha uma aprovação de 97% e uma nota média de 8,2. Especialmente a nota do site Rotten Tomatoes está acima da média – o que prova que filmes de HQ com qualidade podem agradar não apenas ao público, mas também à crítica.

Esse filme é uma produção 100% dos Estados Unidos. Sendo assim, ele atende a uma votação feita há tempos aqui no blog e que pedia foco de várias críticas nos filmes daquele país. 😉

Black Panther não tem os efeitos visuais tão trabalhados para fazer com que seja fundamental assisti-lo em 3D, mas ele funciona bem nesse formato. Então sim, vale a pena assistir essa produção nesse formato. Mas o que eu achei fraquinho foi o “spoiler” no final de todos os créditos – aquele que os fãs do gênero já estão habituados a esperar e a assistir e que introduz o próximo filme da saga Marvel. Achei a sequência fraquinha. Eu esperava mais.

CONCLUSÃO: Um filme que faz jus ao personagem, sua história, sua cultura e seus valores. Isso é tão, mas tão importante! Afinal, quantos filmes realmente são fieis ao original? Além de ter essa preocupação e mérito, Black Panther também valoriza como poucas produções o talento dos atores negros e faz o público pensar sobre questões importantes. Quando alguns defendem com força o “nós contra eles” e as divisões, surgem obras como essa para nos lembrar que não é separados e isolados que vamos conseguir vencer os nossos problemas.

Com ótimas cenas de ação para saciar o desejo do público que curte esse estilo de filme e, ao mesmo tempo, um belo elenco, Black Panther apenas peca um pouco por não desenvolver tão bem os personagens centrais. Também senti falta do filme passar da origem do Pantera Negra e explicar um pouco mais da sua chegada aos Estados Unidos. Mas, no geral, é um belo filme, com o “coração” no lugar certo e com uma valorização importante de talentos que merecem cada vez mais espaço na indústria do cinema. Vale assistir, especialmente se você gosta do gênero.

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Creed – Creed: Nascido para Lutar

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Houve um tempo em que o boxe, assim como o futebol, era visto como uma alternativa de futuro para jovens pobres e sem muitas perspectivas na vida. Quando eu era criança, lembro bem de acompanhar na televisão alguns grandes nomes que se digladiavam em busca do dinheiro que eles, aparentemente, só conseguiriam em um ringue. A lenda de Rocky Balboa surgiu neste contexto. Creed aparece em cena para resgatar este espírito, assim como o legado da grife de filmes estrelados por Rocky antes que o personagem não consiga mais aparecer em novas produções.

A HISTÓRIA: Começa em Los Angeles em 1998. Um grupo de meninos é enfileirado por um agente até que o alarme soa e os guardas ficam sabendo de uma briga na ala 1. Na sala de recreação diversos jovens estão se batendo, mas em especial dois. Corta. Mary Anne (Phylicia Rashad) chega para visitar Adonis (na infância interpretado por Alex Henderson e, depois, por Michael B. Jordan) e fica sabendo que ele está em isolamento porque participou novamente de uma briga. Mary Anne vai falar com ele, perguntando a razão da briga.

O menino diz que o outro rapaz tinha falado uma bobagem sobre a mãe dele. Mary Anne conta que era a esposa do pai dele, Apollo Creed, e convida o garoto para morar com ela. Ele aceita. Corta. Adulto, Adonis se prepara em Tijuana, no México, em 2015, para entrar em mais uma luta. A partir daí, acompanhamos a trajetória dele para seguir nos ringues, o que inclui ele procurar Rocky Balboa (Sylvester Stallone) como treinador.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Creed): Serei franca. Só assisti a esse filme porque Sylvester Stallone começou a ganhar alguns dos principais prêmios como Melhor Ator Coadjuvante na temporada pré-Oscar. E como estou novamente na missão de assistir ao máximo de filmes com alguma chance na maior premiação do cinema de Hollywood, resolvi encarar Creed.

Minha expectativa, admito, não era muito boa para esse filme. Afinal, o que ele poderia apresentar de muito diferente do que já conhecemos da série de produções sobre Rocky Balboa? De fato, ele não apresenta nada novo. Não há inovação aqui. Mas sempre que uma história retoma algo que conhecemos, o importante é se ela, neste processo, respeita o espírito do original. E isso é algo que Creed faz, ainda que de forma mais inacabada que o Rocky original.

Uma ideia que perpassa toda essa produção é a do legado. Que legado Rocky Balboa e Apolo Creed deixaram? Que legado Adonis Creed quer deixar? Esse é o conceito que justifica o filme e que garante que ele tenha atratividade. Rocky Balboa veio da periferia, sem grandes perspectivas na vida, e lutou muito para ter uma oportunidade e crescer no boxe. A principal motivação dele sempre foi o amor de Adrian (Talia Shire) e, claro, a própria vontade de sobreviver e vencer os desafios – defendendo, sempre, que o maior inimigo dele era ele mesmo.

No caso de Creed, temos novamente um garoto que cresce sem perspectivas no centro das atenções. Mas diferente de Rocky, ele é adotado pela viúva traída de Apollo Creed. Sendo assim, Adonis tem uma boa educação, uma casa luxuosa – fruto das lutas do pai – e perspectivas na vida. Mas a vocação dele e o desejo de manter o legado do pai falam mais alto. Adonis aposta na carreira no boxe e, com dificuldade de ser treinado por outras pessoas, vai atrás de Rocky Balboa.

Em paralelo a essa busca de Adonis por seguir o caminho do pai que ele não chegou a conhecer – história clássica, convenhamos -, claro que é preciso existir um romance. A exemplo de Rocky e sua Adrian, Adonis encontra a jovem cantora e compositora Bianca (Tessa Thompson). A motivação principal do protagonista deste filme é mostrar que ele tem talento e que pode continuar com o legado do pai, mas Bianca entra em jogo para motivá-lo.

Até aqui, como se pode notar, nada de novo. O que é bacana na história e torna o filme interessante é ver como tudo mudou desde que Rocky estourou há 40 anos. Não apenas há um encontro de gerações em Creed, como também temos uma leitura interessante sobre a passagem do tempo. Sylvester Stallone aparece como um personagem bastante real. Ele teve um passado de glória mas, agora, vive uma vida comum e sem muita emoção.

A mulher dele morreu. O filho, sentindo o peso do nome do pai, mora longe. Rocky se afastou do boxe e só volta a pisar em uma academia e em um ringue depois que Adonis pede a sua ajuda. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Quando descobre que tem um câncer, ele não faz muita questão de tentar lutar para sobreviver. Afinal, ele não tem mais a pessoa que ele amava perto. Como ele diz em uma parte importante do filme – sequência na qual ele se sai muito bem -, enquanto a vida dele seguiu em frente, ele ficou para trás.

Mas todos sabemos que este não é o Rocky Balboa. Quem lembra da trajetória dele sabe que normalmente acontecia o mesmo: quando Rocky enfrentava os seus principais desafios ele primeiro apanhava, levava bastante na cabeça, para só depois começar a revidar quando ninguém mais imaginava que isso seria possível. Pois bem, em Creed acontece o mesmo. Rocky passa a experiência que Adonis precisa e o filho de Apollo incentiva Rocky a seguir lutando, a não desistir.

Esse encontro de gerações é bacana. Mérito do bom roteiro de Ryan Coogler e de Aaron Covington, desenvolvido a partir da história imaginada por Coogler e sobre alguns dos personagens criados por Stallone há 40 anos. Ainda que o filme não tenha nada de inovador e nem reinvente o gênero, ele lança um novo frescor para a história de Rocky e Apollo, dando uma sobrevida para o legado dos dois. Também é bacana ver elementos da cultura (incluindo a música e a tecnologia) contemporânea nesta história.

As relações humanas evoluíram neste tempo e isso é mostrado no filme. Um exemplo é a personagem de Bianca, muito mais independente, liberada e direta do que a Adrian de décadas atrás. Ainda que a mulher que deixou Rocky apaixonado também tivesse opinião e caráter, ela não tinha uma presença tão marcante quanto a garota que deixou Adonis encantado.

Boa a sacada dos roteiristas de resgatar um filho bastardo do ídolo Apollo Creed para trazer à tona, novamente, valores daquela relação construída entre Rocky e Apollo. Afinal, um ringue não é terreno apenas de rivalidade, mas também de respeito – prova disso são os dois primeiros Rocky. Aliás, a exemplo do filme de 1976, em Creed o protagonista também perde a luta, mas não a honra. Bacana esse resgate e esta mensagem.

Algo que evoluiu neste tempo todo também foi a direção e os efeitos especiais que propiciam, hoje, lutas muito mais convincentes e realistas do que antigamente. Basta olhar algumas das imagens dos filmes anteriores do Rocky, especialmente do primeiro, para ver como a gravação destas cenas evoluiu. No primeiro Rocky dava para perceber que os pugilistas nem se tocavam. Agora o realismo é bem outro.

Como pede a regra de um filme que apela para o emocional como este Creed, a história tem altos e baixos e cresce especialmente no final. Na reta final da luta decisiva de Creed, quando ele diz o que lhe motiva – ele quer demonstrar que ele não foi um erro -, é o auge da produção. Pode emocionar quem estiver mais suscetível. No fim das contas, se este é um filme sobre legado e uma homenagem ao personagem de Rocky e a tudo o que ele representa, Creed mostrou ao que veio. Dá conta do recado, apesar de ser muito, extremamente previsível. Ainda assim, para quem cresceu vendo Rocky, vale o ingresso.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Fiquei imaginando, agora, como a leitura de Creed para quem não cresceu vendo aos filmes do Rocky deve ser diferente da leitura daqueles que passaram por esta experiência. Sem dúvida o olhar será bem diferente. Como ficou evidente na crítica acima, faço parte do grupo que assistiu aos filmes do personagem criado por Sylvester Stallone. Comecei a vê-los nos anos 1980, quando a série de filmes já estava lá pelo quarto – o primeiro, como dito antes, era de 1976; o segundo foi lançado em 1979; o terceiro em 1982 e o quarto, em 1985. O quinto viria em 1990. Assisti aos primeiros quando eles já não eram novidade. O último, Rocky Balboa, de 2006, não vi. Mas deve ser uma experiência ainda mais interessante para quem assistiu a todos ver este Creed.

O filme dirigido, roteirizado e com argumento original de Ryan Coogler segue a premissa dos filmes originais com Rocky Balboa. Nesta história estrelada por Michael B. Jordan há um garoto que quer lutar até o final porque tem algo a provar, há uma garota que o motiva e um técnico que lhe inspira e lhe dá as coordenadas para avançar. No caminho dele há adversários para vencer e ganhar experiência antes do confronto final com um lutador quase imbatível. Esta é a premissa básica e que segue sendo válida em Creed.

Revendo algumas cenas dos filmes anteriores de Rocky algo eu notei de diferente neste Creed: ele tem a linguagem de filmagem das lutas de boxe e das outras modalidades de luta atual e poupa o espectador de um embate que parece não ter fim. A edição joga um papel mais importante desta vez. Há produções do Rocky de antigamente, especialmente no quarto filme, em que parece que a luta final não vai terminar nunca. Chega a ser angustiante.

Falando na história que procede esta produção, acho que vale resgatar algumas sequências de filmes anteriores do Rocky. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Por exemplo, achei importante ver ao final de Rocky I (que pode ser acessado aqui), quando Rocky perde para Apollo, e o final de Rocky II, quando o personagem de Stallone ganha a duras penas de seu principal adversário (confira aqui).

Vale também dar uma conferida no que acontece em Rocky IV para entender várias referências feitas em Creed. Neste filme é possível ver quando Apollo Creed é trucidado pelo russo Ivan Drago (neste link) e quando Rocky vai a desforra contra o “inimigo” russo (neste vídeo). Lembrando que o quarto filme da série Rocky foi lançado em 1985, quando Estados Unidos e União Soviética ainda viviam os anos da Guerra Fria.

A trilha sonora de Creed é bem interessante, com algumas composições que tornam o filme contemporâneo. Mas quem acompanhou a história de Rocky fica especialmente arrepiado com as releituras que são feitas da música que virou um dos grandes clássicos do cinema. Pessoalmente eu me arrepiei com o final do filme em que a música aparece na trilha sonora.

Ryan Coogler acerta na homenagem que faz para Rocky. E este era o momento, já que não sabemos por quanto tempo mais teremos Stallone atuando. A direção dele é competente, tem ritmo e utiliza referências que o público atual está acostumado – especialmente as lutas se parecem com o que podemos ver nos canais de TV à cabo. Faz sentido. O único pecado de Coogler é que ele exagera um pouco na mão, a meu ver, na simplicidade do personagem principal. Ele teve uma formação boa e, ainda assim, 40 anos depois, se parece com o simplório Rocky Balboa do princípio da saga. Não era necessário ter um protagonista tão simplista. Também achei exagerada a cena em que Adonis “ressuscita” no ringue após lembrar do pai. Outra sequência desnecessária por ser pouco crível. Para contrabalancear, há várias cenas bem legítimas no filme – especialmente grande parte das sequências com Stallone.

Michael B. Jordan se esforça no papel de Adonis Creed, mas não achei a interpretação dele inesquecível. Sylvester Stallone, por outro lado, é a surpresa do filme. Ele realmente dá legitimidade para a história e chega a emocionar em alguns momentos. Está muito bem. Entre os coadjuvantes, Tessa Thompson e Phylicia Rashad estão bem em seus respectivos papéis como Bianca e Mary Anne Creed. Tony Bellew também convence como “Pretty” Ricky Conlan. Em papéis menores e menos “marcantes” estão Gabe Rosado como Leo “The Lion” Sporino e Ritchie Coster como Pete Sporino, respectivamente filho e pai treinador que viram os primeiros alvos do promissor pugilista Adonis.

Da parte técnica do filme, além da competente direção de Coogler, merecem menção o ótimo trabalho de edição da dupla Claudia Castello e Michael P. Shawver; a trilha sonora coerente e interessante de Ludwig Göransson; e a direção de fotografia de Maryse Alberti. Também funcionam bem a direção de arte de Danny Brown e Jesse Rosenthal; o design de produção de Hannah Beachler; a decoração de set de Amanda Caroll; a maquiagem feita por nove profissionais; e os figurinos de Antoinette Messam e Emma Potter. Uma boa equipe selecionada a dedo.

Creed estreou no dia 25 de novembro no Canadá e nos Estados Unidos. Depois ele iria estreando, gradativamente, nos outros mercados – fazendo uma pré-estreia no Brasil na Comic Con Experience.

Esta produção teria custado US$ 35 milhões e faturado até ontem, dia 3 de fevereiro, pouco mais de US$ 108,7 milhões apenas nos Estados Unidos. Nos outros mercados em que a produção já estreou ela faturou outros US$ 51,9 milhões. Ou seja, o filme tem um apelo todo especial nos Estados Unidos, terra de Stallone e de seu personagem Rocky. Dá para entender a comoção do público toda vez que Stallone ganha um prêmio por causa deste trabalho. No somatório das bilheterias, Creed superou a marca de US$ 160,6 milhões. Ou seja, deu lucro.

Até o momento Creed acumula 26 prêmios e 49 indicações – incluindo uma indicação ao Oscar para Sylvester Stallone como Melhor Ator Coadjuvante. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante para Sylvester Stallone; para o National Board of Review como Melhor Ator Coadjuvante para Stallone; e para outros 10 prêmios de Melhor Ator Coadjuvante para o ator que criou Rocky. O filme também recebeu prêmios pelo elenco de negros, com destaque para prêmios para Michael B. Jordan e Tessa Thompson, e prêmios para o diretor Ryan Coogler.

Creed foi filmado em diferentes locações nos Estados Unidos e no Reino Unido. A produção foi rodada em Liverpool, Philadelphia, Chester, Las Vegas e em Londres.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Durante o treinamento de Adonis, há uma cena em que ele usa uma camiseta que diz “Por que eu quero lutar? Porque eu não posso cantar e dançar…”. Esta é uma frase que Rocky diz para Adrian na sequência em que eles estão patinando no gelo no primeiro Rocky.

Este é o primeiro filme da série Rocky que não tem roteiro escrito por Sylvester Stallone.

Quando Creed foi lançado Stallone tinha a mesma idade que Burgess Meredith quando o primeiro Rocky foi lançado. Curiosidade e coincidência interessantes.

Sylvester Stallone disse em uma entrevista no Morning Call que ele quer seguir interpretando Rocky nos próximos filmes sobre Adonis Creed.

Este é o filme mais longo da série com o personagem Rocky.

Inicialmente Sylvester Stallone não queria saber de Creed. Ele estava satisfeito com Rocky Balboa, o último filme da série, e acho que eles não deveriam resgatar o personagem. No fim das contas ele acabou sendo convencido por Ryan Coogler. Que irônico, não? Por pouco Stallone não boicota o filme que lhe daria a redenção como ator. Ele já ganhou diversos prêmios importantes e agora corre o risco de levar o primeiro Oscar da carreira.

Quando Creed estava em pré-produção o filho mais velho de Stallone, Sage Stallone, morreu vítima de um ataque cardíaco. O ator disse que quase entrou em colapso, mas o diretor Ryan Coogler convenceu Stallone a encarar o filme como se ele fosse uma homenagem para o filho – afinal, a história de Creed tem, claramente, uma relação de pai e filho entre Adonis e Rocky. Embora ele tenha ficado resistente no início, no Globo de Ouro Stallone comentou que o filme ajudou ele a superar a perda de Sage.

Ryan Coogler, que cresceu assistindo aos filmes de Rocky com a família, queria fazer uma história bem pessoal a exemplo do que ele tinha feito antes com Fruitvale Station. O fato dele ter construído a história utilizando a base dos fãs e a cultura pop foi um bônus.

Tessa Thompson é música na vida real. Ela compôs três músicas que fazem parte da trilha sonora de Creed: Grip, Breathe e Shed You.

O diretor Ryan Coogler estreou no cinema em 2009 com o curta Locks. Ele faria ainda dois outros curtas antes de estrear em longas com Fruitvale Station. Creed é o segundo longa do currículo do diretor que foi confirmado como o responsável por Black Panther, produção aguardada para 2018.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para Creed. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 210 críticas positivas e 14 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 94% e uma nota média de 7,8. Minha avaliação ficou bem próxima deles desta vez. 😉

Esta é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso o filme atende a uma votação aqui no blog que pedia produções deste país.

CONCLUSÃO: Não há nada de novo em Creed. Se você já assistiu ao primeiro Rocky e, talvez, a alguns dos filmes da grife que vieram na sequência, não será nada surpreendido por este novo filme. Mas justamente isso que é importante. Creed claramente não quer reinventar a roda, apenas lembrar a sensação que tivemos ao ver bons filmes do gênero. Apesar da história ser manjada e do espectador já saber o que esperar pela frente, Creed faz um resgate importante e eficaz de alguns dos preceitos da grife que fez a fama de Sylvester Stallone.

De fato ficamos com a ideia do legado em mente. Nada mais justo, assim, que Stallone ser, pela primeira vez na vida, tão premiado por causa de um filme. O passar do tempo faz bem para algumas histórias e pessoas. E isso parece ter acontecido com o legado de Rocky Balboa e com o desempenho mais humano e frágil de Stallone. No fim das contas, até que não será um crime se o ator ganhar um Oscar como coadjuvante. 😉

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Neste ano o senhor Sylvester Stallone completa 70 anos no dia 6 de julho. Como presente de aniversário antecipado ele pode receber uma estatueta dourada da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood no próximo dia 28 de fevereiro. Quando ele ganhou o Globo de Ouro por seu papel em Creed, achei que ele ganhar o Oscar poderia ser uma grande injustiça. Mas não.

Admito que Sylvester Stallone está bem em seu papel e que francamente pode ganhar o Oscar sem que isso seja uma injustiça. Também seria interessante ver ele ganhando a estatueta dourada pelo filme que abriria a grife Rocky Balboa 40 anos depois – Rocky é de 1976. No ano seguinte, 1977, Stallone concorreu duas vezes ao Oscar, como Melhor Ator e como Melhor Roteiro Original – era dele o roteiro de Rocky. Não ganhou nenhuma das estatuetas, mas pode levar a primeira em 2016.

Um dos fatores que explica Stallone com chances reais de ganhar o Oscar é que este é um ano fraco na categoria Melhor Ator Coadjuvante no Oscar. Com isso não quero dizer que Mark Rylance (de Bridge of Spies, comentado aqui), Christian Bale (de The Big Short, com crítica neste link), Mark Ruffalo (de Spotlight, com texto aqui) e Tom Hardy (de The Revenant, com crítica neste link) não sejam bons atores. Pelo contrário. Eles são muito bons, na maior parte das vezes – com exceção de Hardy que, para mim, é um Mel Gibson copiado, com a mesma cara de louco papel após papel.

Mesmo os outros quatro atores que competem com Stallone sendo bons e competentes, no fundo ninguém faz um trabalho arrebatador. Para o meu gosto, Bale e Ruffalo estão bem e até mereciam uma estatueta. Assim como Rylance. Mas nenhum deles está soberbo, irretocável, com um trabalho acima de qualquer suspeita. E daí temos Stallone em uma de suas interpretações mais legítima e humana.

Neste contexto, não seria absurdo ver o ator ganhar o Oscar. Na verdade, até eu torço por ele. Afinal, dificilmente ele terá outra chance como essa para ganhar um Oscar. E mesmo ele não sendo, exatamente, um bom ator, ele é um das figuras que ajudaram a fazer o cinema – especialmente o de ação. Por que não reconhecer o legado que ele deixou no cinema enquanto ele ainda está vivo? Acho digno e acho bacana. Francamente, não vou me surpreender se ele realmente levar o prêmio este ano.