Black Panther – Pantera Negra

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Um filme envolvente, com um elenco incrível e com alguns questionamentos bastante relevantes para os nossos dias. Black Panther é um desses filmes baseados em personagens de HQ que nos fazem sorrir no final da projeção. Nem tanto por ser engraçado, mas por sentirmos que a experiência de ter ido no cinema valeu a pena. Bem feito, com uma história bem parecida com o original do HQ, Black Panther é um dos belos exemplos do gênero – e que não interessa apenas para os fãs das adaptações de HQ, diga-se de passagem.

A HISTÓRIA: Começa na África, na origem dos tempos, quando cinco tribos lutavam entre si. Esses confrontos resultava em muitas mortes e destruição, até que são feitas orações para a Deusa Pantera, que escolhe uma liderança que se torna o primeiro Pantera Negra. Quatro tribos aceitam essa liderança e se unem ao redor do novo líder, menos a tribo das montanhas, que se isola e que não aceita o Pantera Negra. Corta. Em 1992, em Oakland, na Califórnia, um grupo de garotos joga basquete na quadra próxima de alguns prédios.

Enquanto isso, em um apartamento, N’Jobu (Sterling K. Brown) combina os últimos detalhes do que parece ser um crime com o jovem Zuri (Denzel Whitaker). N’Jobu percebe que há algo de errado do lado de fora. Zuri tenta descobrir o que está acontecendo e ele brinca que existem duas mulheres parecidas com Grace Jones e com lanças do lado de fora da porta. Chega no local o jovem rei T’Chaka (Atandwa Kani), que pergunta para N’Jobu e Zuri se eles sabem quem está roubando e comercializando o vibranium de Wakanda. Essa busca será uma questão fundamental nessa história.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Black Panther): Eu sempre gostei de ler HQs. Desde que eu era criança e o meu pai me apresentou algumas, em casa, e, depois, o meu irmão começou a assinar um pacote de quadrinhos da Marvel. Todos os meses, recebíamos aquelas histórias em casal, e foi aí que eu comecei a gostar e conhecer os Vingadores, o Homem-Aranha, os X-Men, Conan, entre outros.

Depois, quando eu comecei a ter um dinheiro para chamar de meu, comecei a virar “rata” de sebos e passei a comprar os meus próprios HQs. Depois, com o tempo e a correria da vida “adulta”, larguei os HQs, até que há algum tempo eu resgatei um pouco esse hábito com The Walking Dead e outras leituras. Dito isso, esses tempos, busquei as origens dos Vingadores, e aí que eu me deparei com a origem também do Pantera Negra.

Apesar de gostar de HQs e de ser uma “viciada” em filmes e séries – sempre bem selecionados -, eu admito que não sou uma “fanática” por filmes baseados em histórias em quadrinhos. Dito isso, sim, fiquei na dúvida em assistir Black Panther. Mais que nada, porque eu não sabia se ele teria ou não uma grande relação com os filmes anteriores do universo Marvel – muitos dos quais eu não assisti.

Para o meu alívio, um amigo me disse que não, que esse era um filme independente dos outros e que eu poderia vê-lo sem erro. E era verdade. Black Panther apresenta a história do nosso herói, mas sem ligações com os outros personagens dos Vingadores.

A primeira característica que me chamou atenção nesse filme, além daquela interessante introdução “animada” sobre a origem dos tempos e as eternas disputas entre tribos e civilizações, foi o excelente elenco dessa produção. Realmente selecionado a dedo. Todos os atores estão bem, sem exceções, mas com especial destaque para as mulheres. Ou seja, esse filme não se destaca apenas por um ótimo elenco majoritariamente negro, mas também por ter mulheres em papéis fundamentais da produção.

Então sim, esse filme tem um papel importante de valorização de negros e mulheres que, todos nós sabemos, geralmente não tem as mesmas oportunidades ou são valorizados da mesma forma que os homens brancos. E o melhor: para contar a história do Pantera Negra, toda essa valorização não parece “forçada”, mas faz todo o sentido. Então o elenco é o primeiro ponto que chama a atenção. Depois, claro, os efeitos especiais e visuais do filme.

A história começa com uma introdução muito bem feita e com uma dinâmica interessante. Logo naquele começo, em poucos minutos, percebemos que a disputa por poder é uma questão importante para a história. E que a divisão interna entre diferentes “tribos” também é um ponto fundamental. Em seguida, já entramos na trama dos personagens centrais de Wakanda. Como pede um roteiro “clássico”, partimos de um acontecimento aparentemente sem graaaaande importância para “os tempos atuais” para, depois, conforme a história avança, entender que aquele acontecimento era um ponto crucial da trama.

(SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). E assim, primeiro vemos à cena em que os irmãos T’Chaka e N’Jobu se desentendem sobre qual era o papel do avanço obtido por Wakanda no mundo. Em contato com a realidade do “mundão”, em que negros sofrem cotidianamente com diferentes formas de violência, preconceito e marginalização, N’Jobu acreditava que o vibranium deveria ser “compartilhado” e “democratizado” no mundo como uma arma/ferramenta para justamente fazer justiça contra os oprimidos e excluídos.

Black Panther mostra que, por mais boas intenções que alguém tenha, a forma como a pessoa busca o seu senso de justiça faz toda a diferença. N’Jobu tentou buscar justiça para o seu povo através de artifícios complicados – e, principalmente, enganando o seu próprio irmão. Quando o conflito entre irmãos volta à cena “reeditado” na disputa da segunda geração, ou seja, dos primos T’Challa (Chadwick Boseman) e Erik Killmonger (Michael B. Jordan), descobrimos que N’Jobu não foi levado para o julgamento do Conselho de Wakanda, mas acabou sendo morto pelo próprio irmão.

Algo interessante nesse filme é como ele questiona alguns pontos muito presentes na nossa política e geopolítica atuais. Por exemplo, quantos conflitos temos hoje em diferentes partes do mundo que parecem uma “disputa sem fim”, ao exemplo da queda de braço familiar que vemos em Black Panther? Quantos “lados” de uma história acabam adotando as mesmas práticas que dizem condenar no lado oposto de um conflito? Quantas disputas e quanta morte continua acontecendo sem que as pessoas realmente se perguntem o porquê delas estarem fazendo aquilo?

Tudo isso chamou muito a atenção nesse filme. Como Black Panther, apesar de ser um entretenimento e apesar de ter muitos elementos previsíveis, é muito mais do que isso. Os fins justificam os meios? A exploração e a violência que os negros historicamente sofreram e continuam sofrendo justifica que essa moeda seja virada e que os brancos comecem a ser igualmente explorados, violentados e exterminados? Claro que a realidade não pode continuar como está, mas qual realmente pode ser a saída para esses conflitos sem que as pessoas que buscam justiça cometam os mesmos “pecados” e/ou crimes que os algozes que elas querem combater?

Essas são questões que rendem um longo, longo debate. Também é possível chegar a mais de uma resposta para estas perguntas. Da minha parte, eu sempre vou preferir o caminho de Gandhi, que defendeu sempre a não-violência. E falo dele para não citar um exemplo ligado à religião. Porque acho que estas decisões são tomadas pela gente no dia a dia, independente de nossa fé – ou da nossa falta de fé. Em tempos em que no Brasil – e em outras partes – muita gente inteligente defende que “cidadãos de bem” (odeio esse termo, quero deixar claro) tenham o direito de se armar para “defender” os seus direitos, acho que todos nós temos que parar para pensar sobre as saídas para os nossos problemas.

Isso é algo fundamental em Black Panther, diga-se de passagem. Afinal, o rei está morto… vida longa ao rei! Mas quem será o novo rei? Quatro tribos concordam que seja o filho do rei morto, ou seja, que T’Challa assuma o poder. A quinta tribo, que sempre se manteve “independente”, busca acabar com a dinastia no poder. M’Baku (Winston Duke) segue as tradições e enfrenta T’Challa em uma disputa justa, mas perde. Tudo parece sob controle, exceto pelo problema anteriormente não resolvido do invasor, assassino e ladrão de vibranium, Ulysses Klaue (Andy Serkis).

Mas nem tudo é simples, seja em Black Panther, seja na vida real. Assim, não demora muito para T’Challa descobrir, mais uma vez, que a maior ameaça de Wakanda não são os “invasores bárbaros” ou as ameças externas, e sim a ameaça interna e a disputa em seu próprio povo. Essa questão renderia uma tese de doutorado, provavelmente. Afinal, quantas civilizações já não caíram por causa de disputas internas? O lema “dividir para conquistar” é usado, literalmente, desde os tempos do romano César. E o mais incrível é que ele continua sendo usado, e com um bocado de eficiência, até hoje. Basta ver as disputas na “arena” das redes sociais e em outros espaços urbanos do Brasil e de outros países.

Assim, apesar do roteiro de Ryan Coogler e de Joe Robert Cole, baseado nos personagens do HQ criado por Stan Lee e Jack Kirby, ser um bocado previsível e até um pouco redundante – ao menos nessa parte da “disputa interna” -, ele se mostra muito, muito atual. Eu diria até, assustadoramente atual. O primeiro “extra” desse filme, aliás, é um belo manifesto dirigido para Donald Trump e para tantas outras figuras da política que utilizam como estratégia central a política da divisão de César e de tantos outros homens com poder que vieram depois.

Agora, falando menos de política e de geopolítica e tratando mais do filme, Black Panther é uma produção envolvente, com um bom ritmo e com um elenco excepcional. Especialmente o elenco “me ganhou”. Apesar dessas qualidades, esse não é um filme perfeito. Sim, ele traz importantes conquistas para os atores e realizadores negros – assim como para as mulheres. Trata de temas mais que atuais. Mas, apesar disso, devo dizer que eu esperava que Black Panther fosse além da origem do mais recente Pantera Negra.

Sim, foi importante essa produção tratar bastante sobre os temas das divisões internas, da busca pelo poder, do uso da tecnologia e dos recursos para um bem “maior” que não apenas a riqueza de uma nação. Mas eu esperava que o filme avançasse um pouco na história, pelo menos mostrando um pouco melhor a origem do Pantera Negra – no sentido da criação e dos valores que T’Challa recebeu do pai e de seus antepassados – e também a ligação dele com os Estados Unidos.

Afinal, esse personagem foi originalmente lançado por fazer parte dos Vingadores… não seria interessante sabermos um pouco mais sobre a relação dele com o país que, depois, o faria defender interesses que não são, exatamente, os de Wakanda? Claro, teremos muitos filmes da Marvel ainda pela frente para ver o desenvolvimento deste personagem. Quem sabe, até, uma outra produção que foque no Pantera Negra e não em todos os Vingadores. Mas acho que Coogler e Cole perderam uma boa oportunidade de nos fazer “entrar” mais no personagem.

Apesar desse porém e de uma certa “repetição” de lutas e de disputas internas, Black Panther é um filme que merece ser visto. E não apenas pelos fãs da Marvel ou dos personagens de HQs. Essa produção extrapola estes círculos e se revela uma bela peça de cinema independente. Um pouco ao estilo de Logan (comentado aqui), que trata de questões que ultrapassam as HQs e que entram mais no estudo de personalidades e nas relações humanas (ou entre “raças superiores” e humanos, como é o caso do X-Men) – algo que, para os leitores mais vorazes, é o que faz as HQs serem tão interessantes, além de outros fatores.

Então, seja por vários questionamentos que essa produção sucinta, seja por valorizar talentos que nem sempre são devidamente valorizados ou seja pela história envolvente e com uma boa dinâmica que apresenta, Black Panther merece ser visto. Seja você fã ou não do gênero. Esse filme entra na seleta lista de produções baseadas em HQs que extrapolam o gênero e que conseguem aliar bem entretenimento com crítica social. Por tudo isso, acredito que o filme merece o sucesso que está tendo. Não sei se ele consegue chegar com força no Oscar 2019 – acho muito difícil -, mas seria bom vê-lo ser indicado/lembrado ao menos em algumas categorias.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Puxa, eu queria escrever pouco sobre esse filme. Mas quem disse que eu consegui? Assisti a Black Panther na semana passada, mas só hoje consegui terminar o texto que comecei no sábado. Me desculpem por não atualizar o blog na semana passada, mas a vida está extra corrida. De qualquer forma, vale lembrar que teremos a entrega do Oscar no próximo domingo. Mais uma vez, farei a cobertura da premiação por aqui. Então, aguardem e confiem. E sim, vamos correr para assistir a mais algum filme que falta da lista até lá. 😉

Como comentei na crítica de Black Panther, essa produção tem diversas qualidades. Além da história de Wakanda e do Pantera Negra ser muito, muito atual, esse filme tem o grande mérito de ter escolhido a dedo alguns dos melhores atores do mercado. Em cena, temos o prazer de ver o trabalho de nomes como Lupita Nyong’o (eu admito que eu fico arrepiada cada vez que vejo ela em cena, e isso desde 12 Years a Slave, comentado aqui), Danai Gurira, Letitia Wright, Florence Kasumba, Angela Bassett (sim, as mulheres dão um show à parte nesse filme), Chadwick Boseman, Daniel Kaluuya, Michael B. Jordan, Winston Duke, Sterling K. Brown (também fico arrepiada quando ele aparece em cena, sempre), Forest Whitaker, John Kani, Martin Freeman e Andy Serkis (que está excepcional, em um de seus melhores trabalhos na carreira).

A lista é grande, não é mesmo? Mas fiquei especialmente fascinada pelo trabalho das mulheres do elenco. Acho que esse filme segue uma linha recente de produções que valorizam – finalmente! – o talento feminino e os papéis de mulheres fortes. Não sei vocês, mas eu tive a sorte de ser educada e de ter como mãe uma mulher fenomenal, de uma sensibilidade, inteligência e fortaleza que inspiram. E sempre tive ótimos exemplos de mulheres – amigas, colegas de trabalho, entre outras – na vida, então fico muito feliz que o cinema esteja, pouco a pouco, nos presenteando com personagens de mulheres interessantes e com essas características.

Além do elenco feminino, para o qual eu bato palmas – para Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Letitia Wright, Florence Kasumba e Angela Bassett, em especial -, acho que os talentos que se destacaram nessa produção foram, na ordem de importância (não para a trama, mas de entrega para o personagem): Andy Serkis, Chadwick Boseman e Michael B. Jordan. Gosto muito do Daniel Kaluuya, do Winston Duke, do Martin Freeman, do Forest Whitaker e do Sterling K. Brown, mas acho que esses atores foram “eclipsados” um pouco pelos outros nomes e acabaram tendo personagens muito secundários na trama. Sem dúvida alguma eles tem talento de sobra e poderiam ter sido melhor aproveitados na trama.

Como sempre, e seguindo um pouco a “tradição” criada por Alfred Hitchcock, o “criador” das “criaturas” Stan Lee faz uma aparição divertida em Black Panther. Se tem um cara, a exemplo de Hitchcock, que merece ser imortalizado nos filmes é o grande Stan Lee. Figura emblemática!

Um parabéns especial também para o diretor e roteirista Ryan Coogler. Pelo nome, não exatamente liguei  o “nome à pessoa”. Mas buscando a filmografia de Coogler, vi que ele tem uma bela trajetória mesmo tendo apenas 31 anos de idade – ele completa 32 anos no dia 23 de maio. Coogler tem apenas sete títulos no currículo como diretor, sendo três desses títulos de curtas – lançados entre 2009 e 2011 -, três longas e uma série de TV.

Antes de dirigir Black Panther, Coogler fez o seu nome ser projetado com as produções Fruitvale Station e Creed. Admito que não ter assistido a Fruitvale Station é uma das falhas do meu currículo – eu queria ver o filme, mas até hoje não “sobrou” tempo para isso. Mas eu assisti a Creed, filme que comentei nesse link. Apenas pelo trabalho apresentado até agora, Coogler já demonstrou que tem uma postura e uma “pegada” bastante claras, potentes e com assinatura. Tudo indica que valerá a pena ficarmos de olho nele e seguir os seus próprios passos.

Além do ótimo elenco, que é um dos pontos fortes de Black Panther, o filme satisfaz a exigência das pessoas que gostam de ação, algumas pitadas de humor e uma boa dose de adrenalina em cenas de perseguições de carros e de disputas “mano a mano”. Junto com isso, vale ressaltar o visual da produção, especialmente nas cenas que exploraram a Wakanda “verdadeira e escondida”.

Dito isso, vale destacar diversos aspectos técnicos do filme. Começando pela ótima trilha sonora de Ludwig Göransson, e passando pela direção de fotografia de Rachel Morrison; pela edição de Debbie Berman e Michael P. Shawver; pelo design de produção de Hannah Beachler; pela direção de arte de Jason T. Clark, Joseph Hiura, Alan Hook, Alex McCarroll, Jay Pelissier e Jesse Rosenthal; pela decoração de set de Jay Hart; pelos figurinos muito interessantes de Ruth E. Carter; e chegando até o trabalho dos 59 profissionais envolvidos com o Departamento de Maquiagem; e as centenas de profissionais responsáveis pelo Departamento de Arte, os Efeitos Especiais e os Efeitos Visuais.

Esses últimos três elementos são fundamentais para satisfazer o público que curte um grande visual e todo o potencial que o cinema moderno disponibiliza para as grandes produções. Mais um belo exemplo do gênero – exceto, talvez, pela “parede” de pessoas que assistem à primeira disputa pelo trono, entre T’Challa e M’Baku… aquela parte me pareceu um tanto “mal acabada”. Mas é apenas um pequeno detalhe, que não desmerece todo o esmero com outras sequências da produção.

Black Panther estreou no dia 29 de janeiro em uma première em Los Angeles. Depois, no dia 13 de fevereiro, a produção estreou no circuito comercial do Reino Unido, de Hong Kong, da Irlanda e de Taiwan. O filme estreou no Brasil dois dias depois, no dia 15 de fevereiro.

Essa produção tem nada menos que 110 curiosidades listadas no site IMDb. Eu não vou comentar todos, mas apenas alguns dos mais interessantes da lista. O diretor Ryan Coogler comparou as minas de vibranium de Wakanda com a situação real das minas do Congo, onde o “valão mineral valioso”, utilizado na fabricação de produtos digitais, está sendo explorado.

O tipo de luta que vemos em Black Panther é inspirada nas artes marciais africanas. Coogler também citou como referência as cenas de ação de Creed e da série de filmes Kingsman.

O personagem de Black Panther foi lançado em julho de 1966, dois meses antes da fundação do Partido dos Panteras Negras, nos Estados Unidos. Muitas pessoas acharam que o personagem tinha a ver com o movimento que buscava justiça para os negros. Por isso o personagem chegou a ser rebatizado para Black Leopard. Mas como nem os leitores e nem os criadores do personagem gostaram da mudança, esse nome não durou muito.

Quem quer curtir todas as curiosidades e notas de produção desse filme, pode acessar todos os itens nessa página do site IMDb.

Achei Black Panther um tanto longo demais. Acho que aquela longa batalha entre os dois lados que apoiam T’Challa e Erik poderia ter sido menor, assim como alguns outros minutos de outras partes poderiam ter sido facilmente eliminados. Um filme durar mais do que duas horas tem que ter muito, muito argumento para isso. Acho que Black Panther poderia ser um pouco mais curto sem fazer a história perder nada de importante.

Eu não encontrei informações sobre os custos dessa produção, mas é fato que Black Panther já é um sucesso de bilheteria. Até o dia 25 de fevereiro – ou seja, em menos de duas semanas de estreia em alguns mercados -, o filme acumulou pouco mais de US$ 403,6 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e pouco mais de US$ 305,3 milhões nos outros mercados em que ele estreou. Ou seja, ultrapassou a barreira dos US$ 708,9 milhões.

Isso já coloca Black Panther como o terceiro filme que conta a origem de um super herói com a melhor bilheteria da história, segundo o site Box Office Mojo. Ele já ocupa também a quinta colocação entre os filmes do Universo Marvel com a melhor bilheteria e é a quarta maior bilheteria em uma semana de estreia. Tudo indica que ele vai seguir na trajetória ascendente e vai fazer história não apenas na proposta conceitual da produção, mas também no faturamento que vai obter.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,9 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 331 textos positivos e apenas 11 negativos para Black Panther – isso garante que o filme tenha uma aprovação de 97% e uma nota média de 8,2. Especialmente a nota do site Rotten Tomatoes está acima da média – o que prova que filmes de HQ com qualidade podem agradar não apenas ao público, mas também à crítica.

Esse filme é uma produção 100% dos Estados Unidos. Sendo assim, ele atende a uma votação feita há tempos aqui no blog e que pedia foco de várias críticas nos filmes daquele país. 😉

Black Panther não tem os efeitos visuais tão trabalhados para fazer com que seja fundamental assisti-lo em 3D, mas ele funciona bem nesse formato. Então sim, vale a pena assistir essa produção nesse formato. Mas o que eu achei fraquinho foi o “spoiler” no final de todos os créditos – aquele que os fãs do gênero já estão habituados a esperar e a assistir e que introduz o próximo filme da saga Marvel. Achei a sequência fraquinha. Eu esperava mais.

CONCLUSÃO: Um filme que faz jus ao personagem, sua história, sua cultura e seus valores. Isso é tão, mas tão importante! Afinal, quantos filmes realmente são fieis ao original? Além de ter essa preocupação e mérito, Black Panther também valoriza como poucas produções o talento dos atores negros e faz o público pensar sobre questões importantes. Quando alguns defendem com força o “nós contra eles” e as divisões, surgem obras como essa para nos lembrar que não é separados e isolados que vamos conseguir vencer os nossos problemas.

Com ótimas cenas de ação para saciar o desejo do público que curte esse estilo de filme e, ao mesmo tempo, um belo elenco, Black Panther apenas peca um pouco por não desenvolver tão bem os personagens centrais. Também senti falta do filme passar da origem do Pantera Negra e explicar um pouco mais da sua chegada aos Estados Unidos. Mas, no geral, é um belo filme, com o “coração” no lugar certo e com uma valorização importante de talentos que merecem cada vez mais espaço na indústria do cinema. Vale assistir, especialmente se você gosta do gênero.

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Star Wars: Episode VIII -The Last Jedi – Star Wars: Os Últimos Jedi

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O que realmente vale a pena ser ensinado e aprendido não pode ser encontrado em um conjunto de livros. Aprendemos com o exemplo, com a experiência e a sabedoria de quem já viveu um bocado, com suas histórias de sucesso e, principalmente, de fracasso. É o mestre Yoda que nos ensina em Star Wars Episode VIII: The Last Jedi que o fracasso é o nosso grande mestre. Que belo filme esse, aliás! Bom saber que a saga Star Wars voltou a encontrar o seu bom caminho, resgatando personagens fundamentais e nos apresentando uma nova geração interessante. A essência dos filmes originais está aqui, e avançando ainda mais na explicação da Força e do equilíbrio que é preciso ter no Universo.

A HISTÓRIA: Começa com a famosa trilha sonora que arrepia qualquer fã de Star Wars. Na sequência, os também famosos letreiros que introduzem a história explicam que a Primeira Ordem está dominando o Universo. Logo depois de dizimar a pacífica República, o Líder Supremo Snoke (Andy Serkis) mandou as suas tropas para assumir o “controle militar” da Galáxia. Apenas a General Leia Organa (Carrie Fisher) e o seu grupo de combatentes da Resistência se opõem à “crescente tirania”, acreditando que o Mestre Jedi Luke Skywalker (Mark Hamill) regressará e ajudará a reacender a luz de esperança de dias mais justos. O problema é que a Resistência foi descoberta, e enquanto a Primeira Ordem se dirige para acabar com a base dos rebeldes, um grupo de heróis organiza a fuga dos sobreviventes.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Star Wars VIII): A primeira grata surpresa desse filme: o diretor Rian Johnson não começou pelo óbvio. Digo isso porque como o filme anterior terminou com o encontro da nova heroína da saga, Rey (Daisy Ridley), com o até então “sumido” Luke Skywalker (o grande Mark Hamill), a expectativa “óbvia” dos fãs era que o novo filme começasse justamente desenvolvendo este encontro com expectativa alimentada durante o filme anterior.

Mas não. Johnson começa Star Wars Episode VIII de forma diferente. A espera pela primeira troca de palavras entre Rey e Luke acaba levando mais alguns minutos no novo filme. Antes, assistimos a algumas cenas de batalha e perseguição no Espaço, algo sempre muito celebrado pelos fãs da saga criada há exatos 40 anos – o primeiro filme, que virou Star Wars Episode IV, comentei há alguns meses aqui no blog.

Então o Episode VIII começa com a tentativa de fuga dos sobreviventes da Resistência, perseguidos pela Primeira Ordem – sistema que surgiu após a queda do Império Galáctico. Como a “fórmula” Star Wars pede – e que é seguida à risca nesta nova produção com roteiro de Johnson, baseado nos personagens criados por George Lucas -, o novo episódio da saga equilibra nas doses certas o humor, a ação, a adrenalina, o drama e a emoção.

O primeiro elemento que aparece em cena é o humor, com o piloto da Resistência Poe Dameron (Oscar Isaac) enganando o General Hux (Domhnall Gleeson), que está liderando o “cerco” contra as naves que tentam fugir. Em seguida, surge a ação, a adrenalina e a emoção, com a mobilização de parte das forças da Resistência para acabar com um encouraçado da Primeira Ordem.

Nessa operação, a Resistência registra muitas baixas e surge a primeira heroína desta produção – Paige Tico (Veronica Ngo), que se sacrifica para que a tentativa do grupo tenha êxito. O protagonismo das mulheres nesta produção, tão celebrada pelo retorno do personagem Luke Skywalker, que marcou a trilogia original da saga, chama a atenção, aliás.

Os fãs da série já esperavam um certo protagonismo das personagens Rey e Leia Organa (a maravilhosa Carrie Fisher) que, no Episode VII (com crítica neste link), já tinham mostrado bastante relevância na “nova trilogia”. Mas, tudo indicava, elas teriam ainda mais importância no Episode VIII. E isso, de fato, acontece. Mas elas não são as únicas mulheres que brilham em seus papéis e que acabam sendo decisivas no filme.

A personagem de Paige Tico aparece rapidamente na produção, mas ela acaba sendo lembrada por Rose Tico (Kelly Marie Tran) durante o restante do filme. A própria Rose, assim como a Almirante Holdo (Laura Dern) e Maz Kanata (com voz de Lupita Nyong’o), além de Rey e Leia Organa, são fundamentais para os acontecimentos desta história. Então sim, o Episode VIII mostra diversas mulheres corajosas, determinadas, valentes e que são as donas de seus destinos – e que influenciam, desta forma, diversas outras pessoas.

Assim, esse novo Star Wars está afinado com o nosso tempo, uma era em que (ainda bem!) cada vez mais mulheres assumem as suas opiniões e desejos sem ter que pedir licença para ninguém. O famoso “empoderamento feminino” está presente nesta nova produção da saga Star Wars. Mas isso não é tudo que chama atenção neste filme.

Gostei muito do equilíbrio que a produção busca (e consegue alcançar) dos elementos fundamentais que comentei anteriormente, assim como apreciei muito o lado mais “filosófico” desta história – se compararmos, por exemplo, com o Episode VII – e os encontros especiais que o filme promove. A verdade é que o Episode VIII é emotivo, desde o início, por sabermos que estamos vendo, na nossa frente, ao último filme estrelado pela atriz Carrie Fisher.

Essa atriz foi – e eternamente será – importante para a saga Star Wars, e quando vemos ela em cena neste seu último filme, cada “aparição” dela se torna especial. Como no Episode VII tivemos encontros emocionantes, como o de Leia Organa com Han Solo (Harrison Ford), neste novo episódio temos o memorável encontro de Leia com o seu irmão, Luke. Pessoalmente, achei até mais marcante e tocante o encontro do Episode VIII do que o ocorrido no episódio anterior. De arrepiar, por exemplo, quando Luke diz para Leia que alguém, quando morre, realmente não desaparece – impossível não pensar na atriz nesse momento.

Aliás, algo que gostei muito nesta produção é o avanço do filme na parte “filosófica” e de princípios da saga Star Wars. Quando Rey insiste e consegue vencer a resistência de Luke em ensiná-la sobre a Força, vemos a alguns minutos preciosos sobre a interpretação do personagem sobre a essência que perpassa todas as histórias da saga. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Com uma narrativa muito bem pensada e planejada, Johnson nos mostra a essência sobre a Força que, nada mais é, que a energia que perpassa todos os seres e que busca o equilíbrio constante.

Assim, como diversas religiões – inclusive o catolicismo – ensinam, nunca teremos realmente apenas a luz e/ou o bem no Universo. Como existe a luz, existe a treva, e como existe o bem, também existe o mal. Nunca teremos apenas luz ou apenas o bem, mas o equilíbrio entre estes elementos e a escuridão e o mal. Este é o ponto. No fim das contas, Star Wars e todos os seus filmes tratam desta busca constante pelo equilíbrio e sobre os problemas que surgem quando um destes elementos – mais notadamente o mal – prevalece.

Achei muito bacana a forma com que Johnson apresenta a explicação de Luke sobre a Força e como o próprio Luke questiona a existência dos Jedi. Talvez nesta parte que alguns fãs tenham se sentido “traídos” ou tenham ficado insatisfeitos com a história. Luke diz com todas as letras que os Jedi não são os únicos detentores da Força e nem os únicos que podem utilizá-la para o bem. Ele realmente “diminui” a importância dos Jedi e questiona como a arrogância deles – ou de parte deles, para ser mais precisa – acabou provocando mais danos do que ajudando para o equilíbrio do Universo.

Os super fãs da saga podem até não ter gostado disso, mas eu achei muito positiva esta ponderação. Afinal, podemos perceber isso em várias partes… como os detentores da “verdade” acabam se perdendo na sua arrogância e, apesar de terem qualidades e muito conhecimento, acabam indo contra tudo aquilo que acreditam e provocando mais mal do que bem. Esse comentário importante de Luke, que vivenciou a Força muito bem e que viu como ela podia ser mal utilizada – como muitas religiões, diga-se de passagem -, ajuda a explicar a cena final do Episode VIII.

Na sequência final, um grupo de crianças que são escravas está animado com a passagem das pessoas da Resistência por onde elas viviam e sonham com um futuro em que elas possam ser livres. Nessa cena, fica evidente o que Luke nos disse antes. Todos têm a Força dentro de si, basta acreditarem nela e a utilizarem da melhor forma possível para atingir os seus objetivos – e, preferencialmente, causas maiores que beneficiem mais pessoas. Aquelas crianças no final simbolizam a esperança e como a Força realmente está presente em todos. O que importa é o que fazemos com ela.

Ah sim, e antes de terminar estes comentários e avaliação sobre o Episode VIII, vale citar outro encontro mais que marcante nesta produção: o que acontece entre o mestre Yoda (voz de Frank Oz) e Luke. Para mim, uma das grandes sequências do filme – assim como o encontro entre Leia e Luke e a batalha “lado a lado” de Rey e Kylo Ren (Adam Driver).

No encontro entre o mestre Yoda e Luke, o mestre mostra toda a sua sabedoria ao dizer que Luke não deve se preocupar com a destruição dos “livro sagrados” e do primeiro tempo Jedi. Porque o que importa mesmo é o que aprendemos nas nossas trajetórias e em como repassamos isso para a frente – valendo as histórias de sucesso e, especialmente, as de fracasso. Uma grande lição, e que vale para todos nós. Para mim, um dos melhores filmes da saga.

NOTA: 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu assisti a esse filme em sua versão 3D. A exemplo do Episode VII, achei que este novo filme da saga merece ser visto na versão 3D, ainda que ele não tenha realmente um grande ganho, digamos assim, nesta versão. Mas a qualidade do 3D, especialmente na profundidade de cada plano e nos detalhes de alguma cena, tornam a experiência do filme ainda mais interessante. Recomendo.

Três personagens dos filmes originais voltam com tudo nesta nova produção. Dois deles, claro, com um protagonismo maior, e o terceiro em apenas uma sequência muito marcante. Me refiro aos personagens de Luke Skywalker, Leia Organa e Mestre Yoda, nesta ordem de importância para o Episode VIII. Luke aparece um bocado, e sempre com uma interpretação marcante de Mark Hamill. O ator mostra, agora de forma amadurecida, porque gostamos tanto dele no passado. Ele está ótimo. Carrie Fisher arrepia em cada cena em que aparece pela presença marcante e pelo talento da atriz e também por aquela questão “nostálgica” e de despedida que eu comentei anteriormente. E o Mestre Yoda tem algumas das falas mais importantes da história. Então estes três personagens “clássicos” retornando neste filme fazem qualquer fã arrepiar e delirar – ao menos isso aconteceu comigo.

Outros personagens da “velha guarda” aparecem nesta produção, mas com uma presença menos importante. Vale citar o C-3PO de Anthony Daniels; o maravilhoso Chewbacca de Joonas Suotamo – eu admito que quase tive um “ataque”, no bom sentido, cada vez que o Chewbacca apareceu em cena nesse novo filme; e o R2-D2 de Jimmy Vee. Bacana ver esses personagens marcantes novamente no cinema – mesmo que em participações menores, como é o caso do C-3PO e do R2-D2.

Algo bacana nesta nova trilogia que dá sequência para a saga Star Wars é encontrar novos personagens que seguem a essência dos personagens que deram início à série nos anos 1970 e 1980. Então é bacana “reencontrar” os personagens apresentados no Episode VII e se aprofundar um pouco mais nas suas histórias e, principalmente, personalidades. Dos novos personagens, o destaque vai, sem dúvida, para a Rey interpretada por Daisy Ridley; para o Finn do ótimo John Boyega – muito bons o ator e o personagem, aliás; e para o Kylo Ren de Adam Driver. Como na trilogia original existia o duelo entre o bem e o mal entre Luke e Darth Vader, agora o mesmo duelo é vivenciado por Rey e Kylo Ren.

Além destes três personagens centrais da nova trilogia, vale destacar o bom trabalho de Oscar Isaac como Poe Dameron e de Andy Serkis como Snoke. Outros personagens relevantes neste novo episódio e que foram bem interpretados por seus atores são a Maz Kanata de Lupita Nyong’o; o General Hux de Domhnall Gleeson; a Rose Tico de Kelly Marie Tran; e a Almirante Holdo de Laura Dern. O personagem DJ, interpretado por Benicio Del Toro, também tem relevância na história, mas achei ele o mais forçado de todos e o menos interessante da turma.

Entre os coadjuvantes do Episode VIII, vale ainda comentar o bom trabalho de Gwendoline Christie como a Capitã Phasma; de Billie Lourd como a Tenente Connix; de Amanda Lawrence como a Comandante D’Acy; e de Brian Herring e Dave Chapman como BB-8 (a nova “mascote” da trilogia).

Gostei tanto da direção quanto do roteiro de Rian Johnson. Acho que o diretor americano, que tinha pouco mais de três anos de idade quando o primeiro Star Wars estreou em 1977, encarnou bem o espírito dos filmes criados por George Lucas e soube resgatar a essência da saga no Episode VIII. Antes de fazer este filme, Johnson dirigiu a outras nove produções, incluindo quatro curtas, três longas e duas séries – 1 episódio de Terriers e 3 episódios da ótima Breaking Bad. A estreia dele em longas foi com Brick, em 2005. Depois viriam os longas The Brothers Bloom (2008) e Looper (2012) – esse último comentado aqui no blog.

Claro que um filme de ficção científica tem em seus aspectos técnicos alguns de seus principais trunfos. Isso sempre foi uma característica de Star Wars e continua sendo neste novo filme da saga. Entre os aspectos técnicos desta produção, destaque para a sempre marcante trilha sonora do mestre John Williams; para a direção de fotografia de Steve Yedlin; para a edição de Bob Ducsay; para o design de produção de Rick Heinrichs; para a direção de arte que envolveu 10 profissionais; para a decoração de set de Richard Roberts; para os figurinos de Michael Kaplan; para o Departamento de Maquiagem com 36 profissionais; para o Departamento de Arte com 180 profissionais – incluindo artistas conceituais e construtores de maquetes e afins; para os Efeitos Especiais criados por 63 profissionais; e para os Efeitos Visuais criados por cerca de 600 profissionais – admito que eu me cansei de contar e parei perto dos 300 artistas, mas a lista deve ser quase o dobro disso. Números impressionantes e que mostram o tamanho gigantesco desta produção. Sem essa turma, que não ganha os holofotes de outros nomes, o Episode VIII não existiria.

Star Wars Episode VIII estreou em première em Los Angeles no dia 9 de dezembro. Depois, no dia 12, ele fez première em Londres e, no dia seguinte, estreou no Festival Internacional de Cinema de Dubai e em 17 países – incluindo o Brasil.

De acordo com o site Box Office Mojo, Star Wars: The Last Jedi já figurava, no dia 27 de dezembro, como o segundo filme com a maior bilheteria de 2017, somando US$ 445,2 milhões apenas nos Estados Unidos – ficando atrás, apenas, de Beauty and the Beast. Olhando para os restante do mundo, no acumulado do ano, Star Wars já figurava em quarto lugar no ranking de 2017, com US$ 892,1 milhões até o dia 27 – atrás de Beauty and the Beast, Fate of the Furious e Despicable Me 3. Certamente o filme vai passar a marca de US$ 1 bilhão em breve.

Star Wars Episode VIII foi filmado em quatro países: Croácia, Irlanda, Bolívia e Reino Unido. Entre as cidades em que a produção passou, vale citar Dubrovnik, na Croácia, que fez as vezes de Cidade do Canto Bright; Skellig Michael e Brow Head, na Irlanda, que fez as vezes do Planeta Ahch-To; Salar de Uyuni, na Bolívia, cenário das cenas da batalha final; e muitas e muitas cenas rodadas no Pinewood Studios, em Iver Hearth, Reino Unido.

Eu vou abrir mão, dessa vez, de citar curiosidades sobre a produção, beleza? É que apenas o site IMDb traz nada menos que 129 tópicos sobre o filme… quem estiver muito curioso(a) em fazer essa imersão nas curiosidades de Star Wars Episode VII, sugiro visitar a página específica do IMDb.

Por falar em site IMDb, vale comentar que Star Wars Episode VIII registra a nota 7,6 no site que registra a opinião do público – menos que o seu antecessor, que registra a nota 8,0. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 314 textos positivos e apenas 31 negativos para o Episode VIII, o que garante para o filme uma aprovação de 91% e uma nota média de 8,1. O nível de aprovação e a nota do Episode VIII também estão ligeiramente menores que o do Episode VII no Rotten Tomatoes. Gostei mais do Episode VIII, pelas razões que comentei, e acho que estou mais próxima dos críticos, em relação a este filme, do que do público em geral.

Até o momento, Star Wars: The Last Jedi ganhou um prêmio e foi indicado a outros três – acredito que o filme será indicado em uma ou mais categorias técnicas do Oscar 2018. O único prêmio que o filme recebeu, até o momento, foi o Golden Trailer de Melhor Poster Fantasia/Aventura no Golden Trailer Awards.

Este filme é uma produção 100% dos Estados Unidos. Por isso, ele entra na lista de filmes que atendem a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Eis um filme com o coração e o espírito nos lugares certos. Muito bom ver a saga Star Wars voltando aos seus grandes momentos. Este filme, mais até que o anterior da grife, nos apresenta a alguns dos elementos que fazem os fãs delirarem. Muitas batalhas no ar e algumas bem marcantes sobre a terra. Grandes personagens que voltam a se encontrar e uma nova geração que volta a formar a disputa clássica entre o Bem e o Mal, naquele jogo constante entre as forças contrárias em busca do equilíbrio. Aliás, Star Wars VIII avança um bocado sobre a explicação da Força e de como a lógica por trás da saga funciona. Além de todas as suas qualidades técnicas, que são variadas, este filme vale por alguns reencontros realmente marcantes e especiais. Para quem gosta de Star Wars, não dá para perder.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Star Wars Episode VIII tem grandes chances de fechar o ano como a maior bilheteria dos cinemas americanos. E isso com menos de um mês de tempo nos cinemas. Esse é um elemento importante que pode ajudar o filme a ser indicado a alguns Oscar’s. Acredito na indicação do filme em algumas categorias técnicas.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood inovou ao divulgar, no final de 2017, mais notícias sobre os filmes que foram, pouco a pouco, avançando na disputa por uma indicação. Até o final do ano, Star Wars seguia na disputa por uma vaga na categoria de Melhores Efeitos Visuais com outros nove títulos. Acho que o filme deve chegar na lista dos cinco indicados nessa categoria, assim como vejo chances dele ser indicado nas categorias Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.

Talvez o filme até possa emplacar indicações nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Design de Produção, mas com chances menores de emplacar indicação e de ganhar uma estatueta. Na categoria Melhor Maquiagem e Cabelo o filme já ficou de fora da disputa – a Academia divulgou sete produções que seguem na disputa por uma das vagas de finalistas, e Star Wars não está no meio. Resumindo, esse filme pode até conseguir algumas indicações, mas possivelmente sairá de mãos vazias do Oscar – talvez vencendo apenas como Melhores Efeitos Visuais, e olha lá.

Star Wars: Episode VII – The Force Awakens – Star Wars: O Despertar da Força

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O que é bom, o que nos traz ótimas lembranças, deveria ser sempre revisitado. Assim como é bom, depois de quatro décadas do início de uma das grifes mais famosas do cinema, retomar alguns personagens que foram lançados há tanto tempo. E é exatamente isso que Star Wars Episode VII: The Force Awakens faz. Alguns de vocês podem estar achando estranho eu comentar este filme agora, mas é que eu perdi de assisti-lo quando ele estreou nos cinemas. E como eu quis assistir, nesse final de ano, ao segundo filme da nova trilogia da saga, segui o conselho de um amigo e vi a este filme primeiro. Star Wars VII é realmente um deleite, especialmente para quem ainda tem a saga original (relativamente) fresca na memória.

A HISTÓRIA: Inicia com a frase clássica “Há muito tempo em uma galáxia muito, muito distante…” e a música de início da saga que marcou o cinema há exatos 40 anos. Episode VII inicia comentando que Luke Skywalker (Mark Hamill) desapareceu, e que na ausência dele, a sinistra Primeira Ordem surgiu das cinzas do Império. Esse grupo procura por Skywalker e não descansará até que o “último Jedi” seja destruído. Com o apoio da República, a General Leia Organa (Carrie Fisher) lidera a Resistência que, por sua vez, também procura por Luke. Na missão de encontrar o seu irmão, Leia envia para uma missão secreta o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac), que busca no planeta Jakku informações sobre o paradeiro de Luke.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Star Wars VII): O meu amigo, o Félix, estava certo. Eu realmente precisava assistir a esse Episode VII antes de conferir, nos cinemas, ao novo Episode VIII. Desta vez, aqui no blog, eu também fiz diferente. Assisti a este filme, comecei a escrever sobre ele, mas só terminei o texto cerca de duas semanas depois… nesse meio tempo, conferi ao Episode VIII nos cinemas e também escrevi sobre ele, começando o texto sobre o novo filme logo depois de assisti-lo e terminando o seu conteúdo apenas hoje.

Ou seja, pela primeira vez na história desse blog – ao menos pelo que eu tenho lembrança -, eu termino agora de escrever sobre um filme que foi o penúltimo que eu assisti e com uma crítica escrita posteriormente ao do blog post que eu ainda vou publicar. Eita! Espero não ter dado um nó na cabeça de alguém, mas tenho que ser sincera sobre a ordem dos fatos. Assim, assisti ao Episode VII um dia antes de ver nos cinemas ao Episode VIII, mas finalizei o texto do Episode VIII antes de terminar este texto aqui do Episode VII.

A escolha pela ordem dos fatos tem a ver com o “frescor” das lembranças na minha mente. Em casa, estou escrevendo este texto e vendo novamente ao Episode VII, enquanto que para escrever a crítica do Episode VIII eu contei apenas com as lembranças do que eu vi no cinema. Comentado isso, vamos ao que realmente interessa: as minhas impressões sobre este primeiro filme da nova trilogia da saga Star Wars.

Eu gostei do início do filme, com aquela alusão clara da nave gigante de outras naves menores saindo dela relacionadas com o filme que inaugurou a saga e que foi lançado em 1977 – revisto por mim este ano e comentado neste texto. Mas admito que algo me incomodou um pouco. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Na parte inicial do Episode VII, fiquei me perguntando: o que separa uma história que faz diversas homenagens para o filme original daquela história que parece carecer de imaginação?

Acredito que boa parte dos fãs curtiu as várias “homenagens” feitas pelo roteiro de Lawrence Kasdan, J.J. Abrams e Michael Arndt, inspirados nos personagens de George Lucas, à história original que apresentou a saga para o mundo em 1977. Digo isso pelas ótimas avaliações que esse filme recebeu e por verificar que, apesar do Episode VIII ter me parecido mais criativo e interessante, ele ter uma avaliação menos positiva que esse Episode VII. Entendo os fãs, mas eu fiquei um pouco incomodada com toda aquela “repetição” de padrões.

Nesse Episode VII temos, novamente, uma mensagem importante sendo escondida em um pequeno robô que, de forma leal, passa por diversos mal bocados até chegar a alguém de confiança que possa ajudá-lo. Mais uma vez, o vilão da história captura a um dos personagens importantes para tentar arrancar informações dele. No lugar do R2-D2, o robô da vez é o ágil BB-8 (interpretado por Brian Herring e Dave Chapman), e ao invés de um Darth Vader torturando uma Princesa Leia, temos Kylo Ren (Adam Driver) interrogando e torturando Poe Dameron.

A exemplo de Luke Skywalker, que contemplava os dois sóis no Star Wars Episode III, temos agora a nova heroína da saga, Rey (Daisy Ridley), também observando o anoitecer em sua cidade natal. Os dois personagens não foram criados por seus pais e tem curiosidade sobre as suas origens. Diversas semelhanças para um começo de história, não? Ao menos para o meu gosto, esse excesso de referências incomodou um pouco.

Mas descontado isso, devo dizer que esta história dirigida com esmero por J.J. Abrams cumpre totalmente o seu papel. Com um bom ritmo e resgatando a essência da trilogia original de George Lucas – aquela que encantou o público mundo afora nos anos 1970 e 1980 -, esse Episode VII volta a colocar a série de filmes com o selo Star Wars no caminho certo. Temos nesse Episode VII todos os elementos que encantaram as pessoas há algumas décadas.

O principal trunfo, possivelmente, destes filmes – e desse Episode VII – seja equilibrar os diversos elementos que fazem parte da vida de qualquer um de nós. Assim, nós temos drama, humor, ação, romance – ao menos sugerido – e suspense em um mesmo pacote. Um destaque deste filme, assim como do original de 1977, é a presença maior do humor e da ação na história. Esses elementos fazem com que esse Episode VII seja puro entretenimento. Um filme bem conduzido, com ritmo e que prende a atenção do público a cada segundo.

O interessante é que, ao mesmo tempo em que temos o resgate do “espírito” Star Wars nesse Episode VII e que vemos, literalmente, a personagens importantes da trilogia original voltando à tela, conferimos o protagonismo de novos personagens. São eles que trazem os elementos novos para a saga e que ajudam a renová-la, projetando um futuro interessante para Star Wars.

Os novos personagens apresentam várias semelhanças com os heróis que fizeram história na trilogia original ao mesmo tempo em que avançam na compreensão dos fãs sobre o significado da Força, dos Jedi e de tudo o mais que faz parte do universo de George Lucas. Rey resgata algumas características e valores da Princesa Leia, ao mesmo tempo em que ela se parece mais com o exemplo de mulher “empoderada” da atualidade.

O mesmo pode ser dito sobre Finn (John Boyega), personagem interessantíssimo que lembra um pouco o relutante e corajoso Han Solo da trilogia original. Poe Dameron recorda um pouco a Luke, mas apenas na parte da destreza como piloto – está claro que Poe não terá a importância de Luke para a história, não apenas pelo que vemos no Episode VII, mas especialmente pelo Episode VIII. E assim, de forma muito sutil, J.J. Abrams, George Lucas e companhia demonstram como a saga Star Wars tem muito para nos contar ainda e pode ser renovada com talento por muito tempo ainda.

As cenas de batalha aérea são o principal do filme em termos de sequências de ação neste Episode VII. Da minha parte, senti falta de mais disputas em solo, seja com sabres de luz ou não – isso eu fui ver mais apenas no Episode VIII. Os efeitos visuais e especiais, assim como o ritmo do filme, são impecáveis. Em relação à história, descontada a parte que comentei antes de um certo “excesso” de referências ao filme de 1977, gostei da forma com que o roteiro apresentou os novos personagens, resgatou o espírito dos filmes originais e promoveu reencontros importantes e emocionantes.

É muito marcante cada momento em que vemos em cena, novamente, personagens tão marcantes como Han Solo (Harrison Ford), Leia Organa (Carrie Fisher), Chewbacca (Peter Mayhew e Joonas Suotamo) e C-3PO (Anthony Daniels). Especialmente emocionante os momentos entre Han Solo e Leia Organa. O quanto não aconteceu entre os dois entre os episódios VI e VII? Espero que um dia esta história ainda seja contada. 😉

Este filme é mais concentrado na apresentação dos novos personagens e no início do embate entre a Primeira Ordem e a Resistência. É um filme também sobre a busca do herói – ou a ideia que temos dele – e sobre a busca particular de cada um sobre a sua essência e sobre o que lhe faz sentido. Alguns dos elementos fundamentais da saga original, pois, voltam à cena, mas de forma renovada e inteligente. Um filme divertido e que mostra, ao mesmo tempo, como sempre podemos escolher entre o bem e o mal. Ninguém nos leva por um caminho se não quisermos seguir aquela direção.

O novo vilão, neto de Darth Vader e filho de Han Solo e de Leia Organa, tem muitos elementos interessantes para tornar este um personagem forte na saga Star Wars. E para equilibrar com ele, que é um dos personagens centrais do “lado negro” da Força, temos personagens da estirpe de Rey, uma garota que percebe o “lado claro” da Força despertando em si neste Episode VII. Outros personagens como ela devem surgir, é claro, especialmente após o Episode VIII. Bom ver, neste dois novos episódios, como a saga Star Wars tem ainda muito gás para dar.

NOTA: 9,6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Como eu disse antes, perdi esse filme quando ele passou nos cinemas. Mas, agora, prestes a ver ao Episode VIII, consegui uma versão em 3D do Episode VII para ver em casa. Realmente é um filme fascinante, muito bonito e que utiliza bem a tecnologia 3D a seu favor.

Han Solo e Leia Organa são os dois grandes retornos/presentes desse filme. Como é bom rever personagens tão “clássicos” e carismáticos novamente em cena! Os atores Harrison Ford e Carrie Fisher estão ótimos, tão bons e carismáticos como nos filmes originais – ou até melhores, após algumas décadas de experiência. Além deles, os destaques desta produção são os atores Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver e Oscar Isaac, as novas estrelas que apresentam os personagens da nova trilogia Star Wars. Todos estão muito bem, com protagonismo de Daisy Ridley e John Boyega.

Entre os atores coadjuvantes, vale citar o bom trabalho de Lupita Nyong’o como Maz Kanata; de Andy Serkis como o Supremo Líder Snoke; o de Domhnall Gleeson como General Hux; o de Gwendoline Christie como Capitã Phasma; e o de Ken Leung como Almirante Statura. Além deles, vale citar as participações pequenas, mas muito marcantes, de Max von Sydow como Lor San Tekka e de Mark Hamill como Luke Skywalker. J.J. Abrams sabe alimentar muito bem, aliás, a expectativa até revermos ao grande Mark Hamill em cena. A sequência final é muito marcante.

O diretor J.J. Abrams faz um belo trabalho na direção. Nada realmente inovador, mas ele segue bem a cartilha de George Lucas, de Irvin Keshner e de Richard Marquand, os diretores da trilogia original. Além do belo trabalho na direção, Episode VII se destaca, entre os aspectos técnicos, pela marcante e inesquecível trilha sonora de John Williams; pela direção de fotografia de Dan Mindel; pela edição de Maryann Brandon e de Mary Jo Markey; pelo design de produção de Rick Carter e de Darren Gilford; pela decoração de set de Lee Sandales; pelos figurinos de Michael Kaplan; e pelo trabalho decisivo e coletivo da equipe de 16 artistas responsáveis pela Direção de Arte; dos cerca de 170 profissionais envolvidos com o Departamento de Arte; dos cerca de 100 profissionais responsáveis pelos Efeitos Especiais e pelo trabalho do espantoso contingente de cerca de 1.250 profissionais envolvidos com os Efeitos Visuais desta produção.

Star Wars Episode VII estreou no dia 14 de dezembro de 2015 em uma première em Los Angeles. No dia seguinte, o filme teve première em Jakarta e, no dia 16 de dezembro, em Sydney. No Brasil, o Episode VII estreou no dia 17 de dezembro de 2015.

Vocês vão me perdoar, mas desta vez eu não vou citar curiosidades sobre esta produção. Até porque a lista é beeeeem grande. Quem quiser conferir curiosidades sobre o Episode VII, pode dar uma conferir em alguns (ou todos) dos 380 tópicos listados por aqui pelo site IMDb.

Star Wars Episode VII foi indicado em cinco categorias do Oscar, ganhou 57 prêmios e foi indicado a outros 123. O filme não ganhou nenhum Oscar, mas entre as premiações que levou para casa, destaque para a de Melhores Efeitos Visuais no Prêmio Bafta; o de Melhor Trilha Sonora para Mídia Visual para John Williams no Grammy; e o Trailer de Filme Mais Visto no YouTube em 24 horas no Guinness World Record Award.

Episode VII foi rodado na Irlanda, na Islândia, no Reino Unido, nos Emirados Árabes e nos Estados Unidos. Apesar de ser rodado em todos esses países, Star Wars The Force Awakens é uma produção 100% dos Estados Unidos – por isso o filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

De acordo com o site Box Office Mojo, Star Wars Episode VII faturou quase US$ 936,7 milhões nos Estados Unidos e pouco mais de US$ 1,13 bilhão nos outros países em que o filme estreou. Ou seja, no total, superou a marca de US$ 2 bilhões.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,0 para Star Wars Episode VII, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 350 textos positivos e apenas 28 negativos para esse filme, o que lhe garante uma aprovação de 93% e uma nota média de 8,2. Especialmente o patamar das notas chama a atenção – bem acima da média para os dois sites.

CONCLUSÃO: Um filme que coloca lado a lado ótimos personagens da trilogia anterior da saga e novos nomes que vão renovar Star Wars nesta nova fase de filmes. Como manda o figurino dos filmes Star Wars, este Episode VII tem muitas batalhas no ar e na terra, confrontos marcantes, equilíbrio entre ação, emoção e comédia e, claro, personagens interessantes. Novamente a disputa entre as forças do bem e do mal está no centro na narrativa, assim como o esperado reencontro de alguns personagens. Para os fãs, não há como não se arrepiar com algumas cenas. Para os demais mortais, este filme será, pelo menos, puro entretenimento. Sob uma ótica ou sob a outra, ele funciona muito bem. Um belo retorno da saga.

E o Oscar 2014 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

86th Oscars®, Governors Ball Preview

Boa noite minha gente!

Pelo sétimo sexto ano consecutivo vou acompanhar a entrega das estatuetas douradas do Oscar com vocês.

A expectativa é boa para este ano porque a disputa está bem acirrada em diversas categorias da maior premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Tenho certeza que em algumas categorias o prêmio será decidido por poucos votos.

O canal E! Entertainment começou a transmissão do tapete vermelho ao vivo às 19h30min, no horário de Brasília, mas o clima começou a esquentar agora, perto das 21h. Uma das figuras interessantes da noite e que acaba de chegar é o ator Jared Leto, todo de branco, com uma gravata borboleta vermelha e os cabelos longos soltos. Para o repórter ele comentou que gosta de roupas antigas. Leto é o favorito da noite na categoria Melhor Ator Coadjuvante por seu trabalho em Dallas Buyers Club.

Das pessoas que já chegaram, outra que chamou a atenção pela roupa foi a atriz Lupita Nyong’o, indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por seu trabalho em 12 Years a Slave. Ela surgiu com um vestido azul claro Prada interessantíssimo e foi bem comentada. O canal TNT também está transmitindo direto do tapete vermelho.

O ótimo ator inglês Benedict Cumberbatch, que não foi indicado a nada este ano mas que participa de quatro produções indicadas (a saber: 12 Years a Slave, August: Osage County, The Hobbit: A Desolation of Smaug e Star Trek Into Darkness), destacou o trabalho de equipe feita em 12 Years. A produção é uma das favoritas na categoria Melhor Filme. Logo veremos se ela terá força de desbancar The Wolf of Wall Street, Gravity e American Hustle.

A favorita da noite segundo muitas bolsas de apostas na categoria Melhor Atriz, Cate Blanchett, aparece belíssima. Ela comenta que achou fascinante interpretar a personagem trágica e complexa de Blue Jasmine. Linda. Vestida para brilhar com uma roupa de Giorgio Armani – sob medida para ganhar a estatueta. Acredito que apenas Sandra Bullock e Amy Adams poderiam surpreender e tirar o prêmio dela – mas meu voto, na verdade, iria para Meryl Streep.

Segundo a votação feita aqui no blog, quase 40% dos leitores aqui do blog acreditam que Gravity saíra da noite de hoje com o maior número de estatuetas da premiação. Em seguida aparecem 12 Years a Slave (com 17,5% dos votos) e Her (com 15% dos votos). Concordo com a maioria. Gravity deve sair com vários prêmios técnicos e ganhar dos demais concorrentes no número de estatuetas. Mas acho que os prêmios principais (Melhor Filme, Diretor, Atriz e Ator) serão partilhados por três ou até quatro filmes.

Outro vestido totalmente de branco a aparecer foi Matthew McConaughey. Mas a gravata borboleta dele é preta, diferente do parceiro de cena, Jared Leto, com gravata do mesmo tipo vermelha. Ele apareceu lindo ao lado da esposa, a brasileira Camila Alves, e da mãe dele. Em seguida, mostraram Jennifer Lawrence de vestido vermelho fazendo o que? Caindo, é claro. hehehehehe. Acho que esta é a atriz mais atrapalhada de Hollywood – e uma das mais talentosas de sua geração.

lupitaarrival1Na revisão feita pelos comentaristas do E! Entertainment destacaram muito Charlize Theron com um vestido preto que valorizou um belíssimo colar. De fato, a atriz é uma diva, uma das mais bonitas da noite. Elogiaram também Amy Adams em um Gucci azul – mas eu, francamente, não achei que o vestido caiu tão bem nela, ainda mais se comparada com Charlize Theron. Mas não há dúvidas, até o momento, que Lupita Nyong’o é o destaque da noite.

Comparado com outros anos, estou achando esse tapete vermelho um tanto morno. Os atores estão bem treinados. Exemplo: Chiwetel Ejiofor aparece entrevista após entrevista comentando que conhecia o autor Solomon Northup, que narrou a própria história no livro 12 Years a Slave, e que só se entregou ao projeto depois de refletir muito sobre ele. Também tenho a impressão que não há muita novidade no visual dos astros e estrelas. Veremos se a premiação consegue nos surpreender um pouco mais.

Voltando para os comentários de moda, destacaram bastante o vestido vermelho de Jennifer Lawrence, mesmo dizendo que ela foi ousada em investir nesta cor (que daria azar para quem quer ser premiado) e também o vestido preto de Julia Roberts. Anne Hathaway, que normalmente é um dos destaques nas premiações, escolheu um belíssimo Gucci para o Oscar 2014. Muito interessante o vestido preto e prateado que ela escolheu.

Faltando menos de meia hora para a premiação começar, Jonah Hill e Bradley Cooper emocionadíssimos no tapete vermelho. Os dois tem razões para comemorar, já que conseguiram ser indicados na categoria Melhor Ator Coadjuvante. No TNT, Lupita Nyong’o comenta que fez aniversário na véspera e que foi ótimo ver 12 Years a Slave ser bem premiado no Spirit Awards.

Ana Maria Bahiana, a quem admiro e sempre acompanho, comentando no Twitter que o Matthew McConaughey pulou o cordão de segurança e foi cumprimentar o público, apertando a mão de vários fãs. Mais uma razão para ele ganhar a estatueta hoje à noite. Outras mais? Além da humildade e simpatia, o ótimo trabalho em Dallas Buyers Club e a ótima fase na carreira.

Sandra Bullock está linda em um vestido azul. A atriz destacou que Gravity mudou a sua vida, tornado ela um pouco menos complexa. Na revisão das 24 horas que antecederam a festa do Oscar, o canal TNT mostrou como havia chovido horrores em Los Angeles e destacou o trabalho de centenas de pessoas na preparação do Oscar – achei curiosa, em especial, a determinação de cada assento no Dolby Theater, com cada astro e estrela identificado com um cartaz com suas respectivas fotos. Só faltava um “Wanted” no material. 🙂

Faltando menos de cinco minutos para a cerimônia começar, Kevin Spacey fala do sucesso da série House of Cards. A segunda temporada veio arrasadora. Para quem ainda não assistiu, eu recomendo. Em poucos minutos vamos saber como vai se sair a anfitrião do prêmio Ellen DeGeneres e qual será a característica do Oscar deste ano – se ele vai seguir a maioria das apostas ou trará muitas surpresas para os fãs de cinema.

Pontualmente as 22h30min no horário de Brasília começou a cerimônia do Oscar. Ellen DeGeneres foi bem aplaudida e começou brincando que os últimos dias foram muito difíceis porque estava chovendo. 🙂 Ela comenta que retornou para a premiação depois de sete anos, e que muitas coisas mudaram no período… Cate Blanchett, Meryl Streep, Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese haviam sido indicados anteriormente. 🙂 Mas ela também destaca as estreantes da noite, como June Squibb, Lupita Nyong’o e Barkhad Abdi. Começou muito bem.

DeGeneres também destacou a presença dos verdadeiros Capitão Phillips e Philomena, e brincou com a Liza Minnelli dizendo que estava presente um de seus melhores imitadores. Nada como ter uma apresentação como um ótimo texto! Isso faz toda a diferença. O Oscar acertou este ano. Mas ela não escapou da tradicional piada com Meryl Streep que foi indicada 18 vezes ao Oscar.

Em seguida, ela foi rápida tirando sarro de Jennifer Lawrence, brincando que não iria lembrar sobre o que aconteceu no ano passado… que ela caiu quando foi receber o Oscar. Comentou que não iria mostrar o vídeo relembrando a cena, mas que ela poderia relembrar isso ao pensar na queda que teve ao sair do carro na noite de hoje. hehehehe.

dallasbuyersclub5Na primeira entrega da noite, Anne Hathaway foi ao palco para apresentar os candidatos na categoria Melhor Ator Coadjuvante. O favorito, sem dúvida, é Jared Leto. Após o clipe de cada trabalho, muitas palmas da plateia. Os mais aplaudidos, me pareceu, foram Barkhad Abdi, Jonah Hill e Jared Leto. E o Oscar foi para… Jared Leto de Dallas Buyers Club!! Uhuuulll. Bacana ver este ator, que mudou tanto desde que estrelou um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, Requiem for a Dream, receber esta honraria.

No microfone, ele comentou sobre uma adolescente que foi mãe solteira e que deixou de estudar para educar bem os filhos. Ele estava homenageando a própria mãe. Um fofo! E seguiu dizendo que os sonhadores do mundo, inclusive os da Ucrânia e da Venezuela, que eles estão sendo observados e lembrados pelas pessoas naquele local. Discurso emocionado e também político. Para finalizar, dedicou o prêmio para todas as pessoas que morreram de Aids e que algum dia se sentiram injustiçadas pelo que são ou fazem. Palmas!

Na sequência, surge Jim Carrey. Ele brinca sobre como deve ser difícil a tarefa de ser sempre indicado, e comenta que está feliz porque um de seus heróis, Bruce Dern, foi lembrado no Oscar deste ano. Na plateia, Bono Vox e o U2, banda que vai se apresentar na noite. Carrey estava ali para apresentar um vídeo com os heróis de filmes de animação.

Kerry Washington apareceu em seguida, gravidíssima, para chamar o rapper Pharrell Williams para apresentar a canção Happy, presente no filme Despicable Me 2. Essa foi a primeira apresentação musical da noite, e ela foi aplaudida por boa parte da plateia de pé. Agora, cá entre nós, achei a participação de Jim Carrey um tanto que dispensável. Seria o primeiro “enche linguiça” da noite?

thegreatgatsby7A bela Naomi Watts surge após os comerciais ao lado de Samuel L. Jackson para apresentar os indicados na categoria Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Catherine Martin por The Great Gatsby. Ela homenageou o marido, Baz Luhrmann por ele ser um visiónario. Em seguida, os atores apresentaram apresentaram os indicados em Melhor Maquiagem e Penteado. E a estatueta foi para… Dallas Buyers Club. Matthew McConaughey e a esposa bateram palmas de pé. As premiadas agradeceram McCounaughey e Leto por eles terem deixado elas modificarem eles e fazerem o trabalho dos sonhos, além de dedicar a estatueta para as vítimas da Aids.

Na sequência, Harrison Ford apresentou três dos indicados a Melhor Filme da noite. Na sequência: American Hustle, Dallas Buyers Club e The Wolf of Wall Street. Destes três, gostei mais dos últimos dois. Até o momento, quem se saiu bem foi Dallas Buyers Club.

O ator Channing Tatum veio em seguida para apresentar os universitários que ganharam o concurso de curtas promovido pela Academia. Bacana eles darem esse espaço para os novos realizadores – afinal, eles são o futuro do cinema dos Estados Unidos.

Após a propaganda, Kim Novak e Matthew McConaughey aparecem para apresentar os candidatos na categoria Melhor Curta de Animação. E o Oscar foi para… Mr. Hublot. Bacana. Vi imagens da produção e achei elas muito interessantes. Acho que vale ir atrás. Laurent Witz e Alexandre Espigares subiram ao palco para agradecer pela estatueta que, segundo um deles, é um sonho americano. Ele estavam muito, muito nervosos. Bacana ver gente que luta tanto ser premiada. Cool.

Na sequência, McCounaguey e Kovak apresentaram os candidatos a Melhor Animação. E o Oscar foi para… Frozen. Bacana ver uma diretora subir ao palco: Jennifer Lee, que fez este filme da Disney junto com Chris Buck. Discurso rápido e bacaninha.

A duplamente premiada com estatuetas do Oscar Sally Field surgiu após uma rápida brincadeira de Ellen DeGeneres para apresentar um vídeo sobre os heróis do “dia-a-dia”. No vídeo, entre outros, filmes como Milk, Erin Brockovich, Captain Phillips, Ali, Schindler’s List, Argo, Norma Rae, Philadelphia, Ben-Hur, 12 Years a Slave, Dallas Buyers Club e Lawrence of Arabia.

Emma Watson surge com Joseph Gordon-Levitt para apresentar a categoria Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… Gravity. Prêmio esperadíssimo e muito cantado. O trabalho feito nesta produção é impecável, de fato. Um dos pontos fortes do filme – se não o maior, junto com edição de som.

No palco, surge o galã Zac Efron para apresentar a próxima atração musical da noite: Karen O canta The Moon Song, do belíssimo filme Her. Esta produção, sem dúvida, a minha favorita deste ano – mas, como ocorreu em outros anos, a minha escolha não tem chances reais na categoria principal. Bela e sensível apresentação de Karen O.

Depois dos comerciais, Kate Hudson e Jason Sudeikis apresentam Melhor Curta de Ficção. E o Oscar foi para… Helium. Bacana ver gente apaixonada falar de cinema. Depois, entregaram o Oscar de Melhor Curta Documentário, que foi para… The Lady in Number 6: Music Saved My Life. O curta conta a história de uma sobrevivente do Holocausto que, infelizmente, faleceu uma semana antes do Oscar ser entregue com 110 anos. Os realizadores disseram que a personagem real que os inspirou lhes ajudou a terem mais esperança. Bacana.

20feetfromstardom1Depois de uma piada um tanto sem grança sobre fome e pedir uma pizza de Ellen DeGeneres, subiu ao palco o ator Bradley Cooper. Ele apresentou os indicados na categoria Melhor Documentário. Ele disse que os concorrentes deste ano talvez fossem dos melhores dos últimos anos. Concordo com ele. Este ano está ótimo. E o Oscar foi para… 20 Feet from Stardom. Uau! Ele era um dos mais cotados nas bolsas de apostas. Belo filme, um resgate interessante sobre a história das backing vocals. Mas cá entre nós, acho outras produções melhores… Dirty Wars e The Square merecem ser vistas. Nos agradecimentos, Darlene Love, uma das cantoras destacadas no filme, deu um pequeno show e foi bem aplaudida depois.

Kevin Spacey surgiu na sequência brincando que estava feliz por estar ali, ao invés de em Washington – por causa de House of Cards. Ele comentou os prêmios especiais e honorários deste ano e apresentou um vídeo sobre eles: Steve Martin, Angela Lansbury, Piero Tosi e Angelina Jolie. Grandes nomes, que contribuíram de diferentes formas para o cinema e a sociedade. Legal.

lagrandebelezza2Depois do intervalo, Ewan McGregor e Viola Davis apresentaram os indicados na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. Ela me surpreendeu pela magreza. Este ano, alguns filmes muito bons. E o Oscar foi para… La Grande Bellezza. Era o favorito segundo a bolsa de apostas. Torcia por ele, ainda que eu estivesse dividida entre este filme, Jagten e The Broken Circle Breakdown. Para quem não assistiu a todos eles, recomendo fortemente assisti-los. O diretor Paolo Sorrentino agradeceu a seus ídolos. Entre outros, Diego Maradona.

Na sequência, o diretor e roteirista Tyler Perry apresenta outros três indicados a Melhor Filme deste ano: Gravity, Her e Nebraska. Brad Pitt surge para chamar a terceira apresentação musical da noite: U2 com a música Ordinary Love do filme Mandela: Long Walk to Freedom. Apresentação gostosa, como tdas que Bono e Cia. costumam fazer. A banda foi bem aplaudida pela plateia, com Jared Leto e quase todos os outros aplaudindo eles de pé.

Na volta dos comerciais, Ellen DeGeneres com nova roupa, desta vez toda de branco, em uma das melhores tiradas da noite: ela chama Meryl Streep e mais uma pancada de atores para bater um “selfie coletivo” e bater recorde de retweets. Na sequência, subiram ao palco Michael B. Jordan e Kristen Bell para homenagear os premiados nas categorias científica e técnica – que fazem parte do Oscar, mas que sempre são vistas em uma lembrança de resumo de vídeo.

Charlize Theron e Chris Hemsworth, sem dúvida o casal mais bonito de apresentadores até então, vieram em seguida para apresentar os indicados na categoria Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Gravity. Esperadíssimo. Um dos prêmios mais cantados da noite. Na sequência, os indicados em Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… Gravity. Merecido, ainda que o trabalho feito em All Is Lost também merecia uma estatueta – seria interessante um raríssimo empate, neste caso.

E agora, a reta final da premiação com as principais categorias se acumulando. Christoph Waltz apresentou as cinco indicadas desta noite na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. E o Oscar foi para… Lupita Nyong’o de 12 Years a Slave. Que bacana! Premio merecidíssimo, porque ela está absurdamente perfeita em 12 Years a Slave. O nome mais falado da noite no quesito moda também se firma como vencedora da premiação.

E a primeira palavra dela: Yes! Em seguida, ela agradece a Academia, mas lembra que tanta felicidade na vida dela significa infelicidade na vida de tantas outras pessoas – mais um discurso consciente. Ela agradeceu ainda o diretor Steve McQueen e os colegas de cena, Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender. O discurso dela, o ponto alto da noite até agora, emocionando muita gente da plateia – de Brad Pitt até Kevin Spacey. Senti cheiro de Melhor Filme indo para 12 Years a Slave…

Na volta do intervalo, a sequência da piada sobre o povo que passa fome durante a apresentação do Oscar. Ellen DeGeneres recebe um entregador de pizza que distribuiu pedaços para vários astros e estrelas – de Meryl Streep e Julia Roberts até Harrison Ford e Jared Leto. Baita sacada, destas para entrar na história da premiação.

GRAVITYNa sequência, a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, apresentou o projeto do Museu do Cinema que eles pretendem inaugurar até o final de 2017. Projeto de sonho. Amy Adams e Bill Murray surgiram, então, para apresentar os concorrentes na categoria Melhor Fotografia. E o Oscar foi para… Gravity. Mais um prêmio técnico que esta produção leva, como era previsto. Ainda que nesta categoria ele poderia ter perdido para outros títulos, especialmente Nebraska e The Grandmaster. Emmanuel Lubezki agradeu ao mestre Alfonso Cuarón, para a equipe e, em especial, para Sandra Bullock.

Depois, vieram os indicados em Melhor Edição. E o Oscar foi para… Gravity. Sem dúvida um excelente trabalho de Mark Sanger e Alfonso Cuarón, ainda que esta categoria estava bem disputada este ano. Algo me diz que Cuarón vai receber, ainda, outro Oscar nesta noite, desta vez como Melhor Diretor. Logo saberemos… Em edição outros fortes concorrentes eram American Hustle e Captain Phillips.

Na sequência, Whoopi Goldberg faz uma homenagem para The Wizard of Oz, filme de 1939. No palco, Pink canta enquanto cenas projetam momentos marcantes da produção. Bela lembrança e muito bem executada pela cantora que estava em um vestido vermelho decotado e cintilante – bem ao gosto dos sapatinhos de Judy Garland. Ela também foi aplaudida de pé – a plateia está animada hoje.

Na volta do intervalo, Ellen DeGeneres vestida de fada madrinha. Jennifer Garner e Benedict Cumberbatch apresentam a categoria Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… The Great Gatsby. Catherine Martin e Karen Murphy subiram ao palco para receber o prêmio. Depois, Chris Evans surgiu para apresentar um vídeo que relembrou grandes personagens do cinema.

Outro comercial e, na sequência, a homenagem aos falecidos no último ano. Para começar, James Gandolfino, seguido de vários nomes, entre outros Carmen Zapata, Hal Needham, Richard Shepherd, Jim Kelly, Les Blank, Paul Walker, Elmore Leonard, Eduardo Coutinho, Peter O’Toole, Richard Griffiths, Roger Ebert, Shirley Temple Clark, Joan Fontaine, Juanita Moore, Harold Ramis, Eleanor Parker, Ray Dolby, Julie Harris, Maximilian Schell, Gilbert Taylor, Esther Williams, chegando até Philip Seymour Hoffman.

Grandes perdas. E bacana, muito bacana terem incluído o grande Eduardo Coutinho entre os lembrados. Bette Midler fechou a homenagem cantando. E muito, aos 69 anos, com voz e aparência de tirar o chapéu. A plateia bateu palmas de pé, mais uma vez. Justo, muito justo.

Na volta do intervalo, Ellen DeGeneres novamente de preto. Ela brinca que eles estão batendo recorde no Twitter – e Meryl Streep se emociona com a cena. Goldie Hawn apresenta os últimos três indicados a Melhor Filme: Philomena, Captain Phillips e 12 Years a Slave. Destes, sem dúvida o único com chances reais é o filme de Steve McQueen.

John Travolta surge com a música de Pulp Fiction – antes, Harrison Ford apareceu com a trilha de Indiana Jones – para apresentar a última música concorrente da noite: Let It Go, do filme Frozen, apresentada por Idina Menzel. Ainda que bem vestida, para mim foi a atração mais entediante do Oscar. Alguém tem que baixar a adrenalina, não é mesmo? 🙂 Ela me pareceu um tanto alterada… fiquei com medo dela ter um troço no final, mas a plateia levantou novamente. Ai, ai…

Na sequência, Jamie Foxx e Jessica Biel apresentaram os concorrentes da categoria Trilha Sonora Original. Antes, Foxx fez várias gracinhas. E o Oscar foi para… Steven Price por Gravity. Esta categoria estava recheada de excelentes trabalhos. Mais uma vez eu teria ficado em dúvida se daria o Oscar para Gravity ou Her. E daí veio a estatueta para Melhor Canção Original. E ele foi para… Let It Go, de Frozen. Aaaaahhhh, que pena que o U2 não levou essa!

Na volta do intervalo, Ellen DeGeneres passa o chapéu entre os astros para pagar a pizza. A apresentadora embolsa o dinheiro dado por Kevin Spacey e o bastão labial de Lupita. Depois surgem Penélope Cruz e Robert De Niro para apresentarem os indicados na categoria Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… John Ridley, de 12 Years a Slave. Muito bacana! Mais um sinal de que o filme tem grandes chances de ganhar como Melhor Filme.

her7Depois, o esperado Melhor Roteiro Original. Minha torcida total para Her. E o Oscar foi para… Spike Jonze por Her. Yeesssss. Ufa! Salvou a noite para mim. 🙂 Baita texto o dele. E Jonze foi aplaudido de pé. Ele brinca que tem 42 segundos para falar, por isso ele corre para agradecer aos amigos e familiares. Grande figura e muito merecido!

Depois de mais um intervalo – perdi a conta de quantos tivemos! -, sobem ao palco Angelina Jolie e Sidney Poitier. Os dois, aplaudidíssimos. Jolie começou a fala dela agradecendo ao grande Poitier – antes, ela andou muito devagar para acompanhá-lo. Ele respirou fundo para conseguir seguir com a fala. Os dois apresentaram os indicados na categoria Melhor Diretor.

Emocionante ouvir o Poitier pedindo para os realizadores seguirem com o ótimo trabalho. E o Oscar foi para… Alfonso Cuarón, de Gravity. Grande diretor, e que fez um trabalho exemplar em Gravity. Ainda assim, admito que eu estava torcendo também por Scorsese. Cuarón repete as palavras de Sandra Bullock e diz que o filme foi uma experiência transformadora. Ele dividiu o prêmio com o filho e co-roteirista e com Sandra Bullock. Citou também George Clooney e várias outras pessoas que ajudaram o filme a sair – bacana ele citar Guillermo del Toro.

Na volta seguinte, DeGeneres brinca com Matthew McConaughey sobre ele ter perdido tudo dançando. E sobe ao palco Daniel Day-Lewis para apresentar as indicadas na categoria Melhor Atriz. E o Oscar foi para… Cate Blanchett, de Blue Jasmine. Estatueta cantadíssima, mas ainda assim tinha gente – inclusive eu – esperando por uma possível zebra. Ela subiu ao palco e foi aplaudida de pé. Diz que foi uma honra especial receber o prêmio da mão de Day-Lewis. Generosa, ela cita todas as demais candidatas. Agora, mais que antes, admito que ela mereceu o prêmio – especialmente pela postura que ela teve e tem. E o mais bacana de tudo, ela citar no final a Companhia de Teatro de Sydney. Muito legal!

Caminhando mais firme desta vez, Jennifer Lawrence aparece no palco para apresentar os cinco indicados na categoria Melhor Ator. E o Oscar foi para… Matthew McConaughey, de Dallas Buyers Club. Uau! Que maravilha! Esse ator está na melhor fase da vida. Era o momento de ganhar a estatueta. Foi bem aplaudido e começou agradecendo os votantes da Academia. Em seguida, agradeceu o diretor de Dallas Buyers Club, Jared Leto e Jennifer Garner.

Ele disse que precisa de três coisas todos os dias. Agradeceu a Deus, que dá todas as oportunidades da vida dele, e que a gratidão é recíproca. Depois, falou da família, que é quem ele busca sempre, e citou especialmente a mãe e a esposa. E finalmente ele fala do herói dele, que ele busca sempre, e este herói é ele no futuro. Comentou que ele vai semrpe buscar este herói, ainda que ele nunca se torne um. Discurso interessante e corajoso. Sem ser McConaughey, acho que o Leonardo DiCaprio merecia o prêmio.

DF-02238.CR2Finalizando a noite, Will Smith relembrou os nove indicados deste ano como Melhor Filme. E o Oscar foi para… 12 Years a Slave. Dei o favorito. Sem zebras este ano. Muita celebração na plateia. Brad Pitt foi o primeiro a falar, como produtor do filme. Ele iniciou dizendo que foi um privilégio ter trabalhado no filme, e chamou Steve McQueen para discursar. O diretor agradeceu a Academia e seguiu uma lista de nomes, muitos que foram fundamentais para o filme ser concretizado. Ao agradecer a mãe, mostraram ela no fundo da sala – apesar de estar lá, ela teve a chance de ver o filme levando a estatueta e pulando muito no palco.

E assim se foi mais um Oscar. Neste ano, sem surpresas. Todos os favoritos levaram a sua estatueta. E algumas produções bem indicadas, como American Hustle e The Wolf of Wall Street, saíram de mãos vazias. Francamente? Gostei do resultado final. Claro que gostaria de ver The Wolf com algum Oscar, mas também não dá para dizer que foram feitas injustiças.

Grande vencedor da noite: Gravity com sete estatuetas. Tiveram destaque também 12 Years a Slave, com três estatuetas, e Dallas Buyers Club com três Oscar’s. Para quem não assistiu a premiação, a TNT reexibe a entrega do Oscar nesta segunda-feira, dia 3 de março, pouco depois das 11h. E agora é esperar pela premiação do próximo ano, com a garantia de que ele nos trará muitos filmes bons, a exemplo deste ano. Abraços e até lá!

ADENDO (04/03): Pessoal, para quem não leu o post com as apostas, quando foram divulgados todos os indicados deste ano no Oscar, facilito aqui o link. Mais que ver o que eu acertei ou errei – até porque, na época, faltava ver muitos filmes ainda, o que fui fazendo aos poucos -, acho interessante dar uma olhada por lá porque ali as críticas de todos os filmes que eu assisti até agora estão facilitadas com links nos respectivos nomes. Boa leitura!

12 Years a Slave – 12 Anos de Escravidão

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A pior chaga da história recente das civilizações ganhou um filme que pode ser considerado definitivo. 12 Years a Slave foi feito para não deixar dúvidas de que a escravidão foi um absurdo na trajetória humana. Há quem tenha classificado ele como “The Passion of the Christ da escravidão”. Há sentido na comparação, mas 12 Years a Slave consegue ser um pouco mais “suave” que a produção dirigida por Mel Gibson que está completando uma década este ano. Ainda assim, não se engane: este é um filme forte e que mexe com o espectador.

A HISTÓRIA: Um grupo de homens negros está parado, de pé, como em uma fotografia antiga. Eles olham fixo para um senhor branco que lhes ensina o “jogo do corte” da cana de açúcar. Em seguida, os homens começam a trabalhar e seguem a instrução de fazerem isso ao som de uma canção. Um destes homens, Platt (Chiwetel Ejiofor) é observado pelo dono daquelas terras, o juiz Turner (Bryan Batt). Mais tarde, ao comer, Platt pensa em separar algumas frutas escuras do prato para transformá-las em tinta.

Ele fabrica o próprio “lápis” e tenta escrever, sem sucesso. À noite, todos os negros são colocados para dormir no chão, encostados uns nos outros. Platt acaba ajudando uma mulher a ter certo prazer em meio ao drama e à dor. Mas logo ele volta no tempo e lembra da mulher, Anne (Kelsey Scott) e dos filhos Margaret (Quvenzhané Wallis) e Alonzo (Cameron Zeigler) que ele foi obrigado a deixar.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes de 12 Years a Slave, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu ao filme): A expectativa era grande para este filme. Por mais que eu não goste de saber quase nada sobre uma produção que ainda não assisti, foi impossível não ouvir algo do grande burburinho sobre 12 Years a Slave. Primeiro, foi a ótima Ana Maria Bahiana a divulgar, muitos meses antes das bolsas de apostas para o Oscar ganharem força, que este filme era o melhor de 2013. E depois vieram as listas para o Oscar, e 12 Years a Slave sempre entre os mais cotados.

Sendo assim, impossível não começar a assistir ao novo filme de Steve McQueen sem esperar ver a uma grande produção. Como vocês sabem (eu já falei sobre isso aqui antes algumas vezes), toda grande expectativa é difícil de ser plenamente satisfeita. Por isso mesmo, e por mais que fiquem evidente várias qualidades deste filme logo no início, foi difícil achá-lo tão formidável quanto as críticas por aí tem comentado.

Voltemos um pouco nesta avaliação, antes da conclusão sobre o filme. Algo que eu achei interessante no trabalho do roteirista John Ridley, que trabalhou sobre o original de Solomon Northup – o romance Twelve Years a Slave – foi que ele evitou a forma de narrativa clássica. Ou seja, jogou em diferentes momentos com o vai e vem da história, mesclando “tempo presente” com a explicação sobre o que aconteceu com o personagem principal e as reminiscências que ele tinha sobre a própria história. O recurso não exatamente novo, mas funciona bem ao dar uma quebra importante no filme – evitando que ele se tornasse “maçante”.

Mas se por um lado o vai-e-vem do roteiro imprime dinâmica para 12 Years a Slave, ele também exige atenção redobrada da audiência. Afinal, não é a tarefa mais simples do mundo lembrar de personagens secundários como Parker (Rob Steinberg), por exemplo. E o detalhe é que personagens como ele acabam tendo uma relevância inusitada. (SPOILER – não leia a partir daqui se você ainda não assistiu ao filme). Para quem não conseguiu ligar o “nome à pessoa”, Parker é o dono da loja onde Solomon vai com a mulher e os filhos comprar mercadorias com uma certa frequência – o suficiente para a família ser tratada com respeito e simpatia. Esse mesmo Parker será o homem que irá atrás de Solomon quando ele é tratado como Platt na fazenda de Edwin Epps (o sempre ótimo Michael Fassbender).

Além do roteiro bem construído e que dá o espaço exato para cenas de pura crueldade – a mais angustiante, para mim, foi a do enforcamento de Solomon praticado pelo covarde John Tibeats (Paul Dano) -, algo que me chamou a atenção logo nos primeiros minutos do filme foi o estilo de direção de Steve McQueen. O diretor, que merecidamente deve ser indicado ao Oscar, escolheu a forma mais realista de contar esta história. Não é por acaso, mas bastante emblemática, a cena inicial, com um grupo de negros em pé, de olhos fixos, olhando para um capataz – imagem que lembra uma fotografia antiga.

Assim, a câmera do diretor desliza entre as folhas da plantação de cana-de-açúcar, foca nas pás do barco que leva os escravos de maneira opressiva, acompanha cada tortura e crueldade infligida aos negros da mesma forma com que revela o modo de vida dos brancos senhoriais. McQueen tem um propósito muito claro na cabeça e sabe concretizá-lo sem pestanejar. Ele quer contar a história verdadeira de Solomon Northup seguindo o ponto de vista deste artista negro que foi sequestrado e vendido como escravo, ficando nesta condição por tempo suficiente para não ver o crescimento do casal de filhos.

O efeito é marcante. Impossível não ver a cenas como a já citada e extremamente angustiante sequência do quase enforcamento do protagonista, assim como à pancadaria que Solomon sofre quando é “transformado” em Platt ou às chibatadas sádicas contra Patsey (a revelação excelente Lupita Nyong’o) sem nos sentirmos também feridos.

Se não fisicamente, porque nunca teremos a noção exata da dor física e moral de toda aquela injustiça, mas pelo menos na alma. McQueen e equipe conseguem o propósito de não apenas revisitar um capítulo da história dos Estados Unidos nunca explorado de forma realista, mas também de trazer toda aquela dor e absurdo à tona de forma com que o espectador descubra em si uma empatia necessária e urgente.

Li em alguma parte, como eu disse lá no início, uma comparação de 12 Years a Slave com The Passion of the Christ. De fato, em algumas cenas, especialmente nas mais fortes do filme de McQueen, temos a sensação de que o nível de crueldade não pode ser maior – sensação similar ao assistir à releitura que Gibson fez da sempre lembrada história do calvário de Cristo. Mesmo que haja paralelo, contudo, 12 Years a Slave não apresenta tantos closes de feridas e flagelos impostos injustamente quanto The Passion of the Christ – ainda assim, há quem diga que parte da Academia resiste a premiar o filme porque ele seria cruel demais.

Além do estilo do diretor, algo muito marcante em 12 Years a Slave, me chamou muito a atenção no filme a trilha sonora de Hans Zimmer. Em diversos momentos a música ajuda a contar a história, tornando ainda mais angustiante e repressivo o momento vivido pelo espectador. Um trabalho interessante e que não é muito comum no cinema – onde, na maior parte do tempo, a trilha sonora ajuda a contar a história, mas não se torna uma de suas protagonistas. Mais um excepcional trabalho deste veterano do cinema, Hans Zimmer.

Após comentar os elementos que mais me chamaram a atenção, devo dizer que 12 Years a Slave é, desde já, o filme mais marcante do qual tenho lembrança sobre o tema da escravidão. Desde Gone with the Wind os escravos são mostrados no cinema norte-americano, em diferentes produções, como uma classe necessária para o progresso do país e que foi tratada com “benevolência” pelos patrões. Sabemos que isso é uma grande balela. Quem nunca ouviu falar nos navios negreiros, no trabalho forçado e no estupro sem fim pelo que passaram os escravos que tente acreditar em uma mentira como esta.

No Brasil, para a nossa “sorte”, não tivemos uma segregação racial formal como nos Estados Unidos, onde até hoje muitos brancos do Sul do país acreditam que os negros são inferiores. Talvez por isso mesmo 12 Years a Slave tenha outra repercussão na América do Norte. Não que por aqui o filme não tenha valor. Nada disso. Mas lá, tenho certeza, ele tem outro tipo de discussão e de repercussão. O que resta saber é se o país e a Academia, que faz parte da indústria cultural que dita e revisa valores no país e para o mundo, estão preparados para aceitar a reflexão com maturidade e valorizando a coragem de McQueen.

Em mais de um século de cinema, é difícil um filme ser lançado e rapidamente tornar-se um marco em determinado tema. 12 Years a Slave conseguiu isso em relação ao tema da escravidão. Além dos pontos já citados, é preciso destacar o excelente trabalho do elenco escolhido de forma precisa. Chiwetel Ejiofor de fato está ótimo como Solomon Nothup, o músico talentoso que vivia com a família em Saratoga, cidade que faz parte do condado de Nova York, e que tem a vida mudada em 1841. Depois que a família viaja para fora da cidade, ele aceita o convite dos “artistas” Brown (Scoot McNairy) e Hamilton (Taran Killam) para ganhar um bom dinheiro em apresentações com um circo em Washington.

Enganado pela dupla, Solomon acaba sendo sequestrado e transformado no escravo Platt. Não demora nada para que ele seja espancado e “ensinado” a sobreviver. Desta forma, Solomon abandona a própria identidade e aprende a ser subjugado. É comprado primeiro por Ford (o também sempre competente Benedict Cumberbatch, estrela da ótima série Sherlock) que, apesar de ser um homem íntegro e culto, não é capaz de romper a lógica da exploração humana. Na fazenda de Ford, Platt/Solomon logo mostra ser um homem diferenciado, com diversas habilidades – o que desperta a inveja do cruel Tibeats, o chefe carpinteiro da propriedade e considerado um dos “mestres” da fazenda.

Mesmo incapaz de dar ouvidos a Platt, Ford tem a dignidade de agir para salvar a vida do homem que, mesmo sem admitir, ele passou a admirar. Desta forma que Solomon acaba parando nas mãos de Epps, considerado um dos mais cruéis donos de escravos da região. Na ótima interpretação de Michael Fassbender conhecemos um pouco mais a cara do “homem senhorial” dos Estados Unidos no século 19. Fraco para a bebida, sádico e racista, ele maltratava homens e mulheres de diferentes formas, tendo a esposa interpretada por Sarah Paulson (muito bem no papel também) não apenas como cúmplice, mas como artífice também de crueldades.

Além de trabalhar duro cortando madeira e construindo edificações com ela, Platt/Solomon foi explorado na colheita de algodão e de cana-de-açúcar. Encontrou em Ford e no juiz Turner interlocutores um pouco mais atentos, que foram capazes de ver talento naquele homem subjugado. Mas nenhum deles foi capaz de ouvi-lo ou mudar em algo o “status quo” do absurdo da época. No fim das contas, o protagonista teve a sorte de ter o caminho cruzado por Bass (Brad Pitt em uma ponta importante), um estrangeiro que via a escravidão como ela deveria sempre ter sido encarada: como um verdadeiro absurdo. Com a interferência de Bass conseguimos conhecer esta história.

Um filme bem conduzido e que não me arrebatou por pouco. Talvez porque fosse bastante previsível o que viria no final, ou porque para nós, brasileiros, esta história seja menos reveladora do que para os norte-americanos. Não sei exatamente a razão, mas o que posso dizer é que aguardo um filme que me impressione mais e que esteja cotado para o próximo Oscar. Algum azarão que provavelmente não vai ganhar nada, mas que me apresente mais elementos surpreendentes do que este 12 Years a Slave.

NOTA: 9,8 9,6.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Filme bem acabado nos detalhes, 12 Years a Slave transporta o espectador para os Estados Unidos de 173 anos atrás. Contribui de forma fundamental para isto o figurino Patricia Norris, o design de produção de Adam Stockhausen, a direção de arte de David Stein e a decoração de set de Alice Baker. Todos trabalharam bem e em prol da história.

Além destes profissionais, merecem menção o trabalho do diretor de fotografia Sean Bobbitt, que usa as tradicionais cores cálidas para dar um tom de “envelhecido” para a produção; a maquiagem feita por 18 profissionais, incluindo os “cabeças” da equipe Ma Kalaadevi Ananda e Adruitha Lee – importante especialmente nas cenas pós-torturas; e a edição precisa de Joe Walker.

Interessante como o ator Brad Pitt se envolveu neste projeto. Ele não é um dos atores com maior espaço no filme, mas o personagem dele teve um papel fundamental na trama. Além disso, o ator entrou como um dos produtores de 12 Years a Slave – junto com o diretor Steve McQueen e outros nomes.

Falando em Brad Pitt, achei curioso que ele e o ator Michael Fassbender tiveram profissionais de maquiagem individuais e próprios – respectivamente Rena Grady e Nana Fischer.

12 Years a Slave tem vários atores interessantes em papéis secundários e menores. Alguns exemplos são Chris Chalk como Clemens, um dos negros que viaja de navio com Solomon e que lhe dá algumas “dicas” de sobrevivência; Paul Giamatti como Freeman, o negociante de negros que não se importa sobre a origem deles – porque está apenas preocupado em faturar; Liza J. Bennett como a esposa de Ford; J.D. Evermore como Chapin, capataz da fazenda de Ford e que acaba impedindo a morte de Solomon; Alfre Woodard como a Madame Shaw, uma ex-escrava que virou “madame” e que ajuda Patsey; e Garret Dillahunt como Armsby, o ex-capataz que caiu em desgraça ao virar alcoólatra e que trai a confiança do protagonista.

Esta produção estreou em agosto de 2013 no Festival de Cinema de Telluride. Depois, o filme participaria ainda de outros 13 festivais. De lá para cá, 12 Years a Slave ganhou o número impressionante de 87 prêmios e foi indicado a outros 106 – incluindo sete indicações ao Globo de Ouro.

Nas bilheterias dos Estados Unidos o filme conseguiu, até o momento, pouco mais de US$ 38 milhões. Não é uma cifra desprezível – até porque o custo da produção não teria sido muito alto -, mas está bem abaixo do desempenho do principal concorrente da produção no Oscar, Gravity, que teria conseguido pouco mais de US$ 251 milhões apenas na terra do Tio Sam.

12 Years a Slave foi totalmente rodado no estado da Louisiana, nos Estados Unidos, um dos territórios que deram um “jeito de burlar os direitos dos escravos libertados (após a proibição da escravidão em 1865), mantendo restrições legais, os chamados black codes” segundo este texto elucidativo sobre a questão nos EUA. Não deixa de ser irônico que o filme tenha sido rodado em um dos territórios mais resistentes ao fim da escravidão.

O livro de memórias de Solomon Northup que serviu de base para o roteiro de 12 Years a Slave tinha rendido uma outra produção anteriormente. Em 1984 foi lançado American Playhouse: Solomon Northup’s Odyssey, um filme produzido para a TV com direção de Gordon Parks, estrelado por Avery Brooks e que foi lançado em vídeo em 1985 com o título Half Slave, Half Free.

E agora, uma curiosidade sobre a produção: ela marca a estreia no cinema de Lupita Nyong’o. Incrível! Espero que a interpretação da atriz, marcante neste filme, lhe renda uma indicação ao Oscar.

Entre os prêmios que 12 Years a Slave já recebeu, destaque para o de Filme do Ano pelo AFI Awards; o de Melhor Filme no Gotham Awards; o Prêmio de Atriz Revelação para Lupita Nyong’o no Festival Internacional de Cinema de Palm Springs; o de Melhor Trilha Sonora e a Menção Especial de Filme no Festival de Cinema de Estocolmo; o Prêmio de Escolha do Público para Steve McQueen no Festival Internacional de Cinema de Toronto; e por figurar na lista Top Ten Films de 2013 da National Board of Review. Além destes prêmios, 12 Years a Slave foi considera o Melhor Filme do ano por nada menos que 10 associações de críticos dos EUA. Este último número torna ele o favorito a ganhar o Globo de Ouro como Melhor Filme – Drama. Logo veremos…

Falando em Globo de Ouro, enquanto 12 Years a Slave tem sete indicações, Gravity conseguiu quatro. Entre os dois, sem dúvidas, prefiro o filme de McQueen.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,6 para 12 Years a Slave. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 205 textos positivos e apenas oito negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 96% e uma nota média de 9. Estes últimos números tornam o filme quase uma unanimidade.

12 Years a Slave é uma coprodução dos Estados Unidos e do Reino Unido.

CONCLUSÃO: 12 Years a Slave não deixa espaço para dúvidas. Entre a casa grande e a senzala não havia espaço para bondade ou condescendência. A escravidão foi uma época obscura da história. Pela primeira vez um filme feito nos Estados Unidos deixa para trás de forma tão contundente o estigma de “bom patrão” para tratar da relação de brancos com negros. A exemplo do que Mel Gibson fez antes sobre a reta final na vida de Jesus, 12 Years a Slave conta uma história dura e que foi estrategicamente esquecida até agora. Um belo resgate de uma história que dói na pele de qualquer pessoa, independente da cor que ela tenha.

Dirigido com maestria, com uma trilha sonora há tempos não vista e interpretações muito convincentes, 12 Years a Slave é uma experiência de cinema e de revisão histórica interessante. Prende o espectador, ainda que não nos conte tanta novidade assim – pelo menos nós, brasileiros, aprendemos nas escolas há tempos que a escravidão era cercada de violência e não de simpatia entre “proprietário e mercadoria”.

Para o meu gosto, apesar de funcionar muito bem, 12 Years a Slave não chegou a me arrebatar. Mas faltou pouco. De qualquer forma, o trabalho de Steve McQueen e equipe cumpre o seu papel com eficácia e paixão, tendo um peso importante, em especial, para o cinema feito nos Estados Unidos.

PALPITES PARA O OSCAR 2014: Todas as bolsas de apostas apontam 12 Years a Slave como um dos principais favoritos em indicações e prêmios na próxima festa do cinema dos Estados Unidos. E dá para entender tal fascínio pela produção. Primeiro, ela de fato é muito competente. Tem uma escalação muito boa de atores e uma história que não deixa o espectador relaxar. Depois, este filme tem grande relevância para o cinema feito nos EUA, que insistia em contar “histórias da carochina” sobre o tempo da escravidão. Sem contar que ainda existe muita gente naquele país que até hoje não entende porque houve a abolição da escravatura…

Sob essa ótica de importância história e agente desmistificador nos Estados Unidos – e em outras partes do mundo -, não há dúvida que 12 Years a Slave merece os holofotes que teve até agora e que terá com uma possível enxurrada de indicações ao Oscar. Além disso, esta produção resgata uma história impressionante de maneira bem direta, sem firulas e com bastante realismo. Estes predicados devem fazer a produção ter uma queda-de-braço importante com Gravity e outros filmes que eu ainda não vi, mas que estão bem cotados para a maior premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Para mim, não seria nenhuma surpresa se 12 Years a Slave recebesse algo em torno de 12 indicações. E isso não apenas para combinar com o título do filme. 🙂 O fato é que vejo reais chances dele ser indicado para Melhor Filme, Melhor Diretor (Steve McQueen), Melhor Ator (Chiwetel Ejiofor), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora, Melhor Design de Produção, Melhor Edição, Melhor Atriz Coadjuvante (Lupita Nyong’o), Melhor Edição de Som, Melhor Maquiagem e Cabelo, Melhor Fotografia e Melhor Ator Coadjuvante (Michael Fassbender).

Agora, a pergunta que não quer calar é: quantos prêmios 12 Years a Slave poderá levar? Bem, esta questão já é mais difícil de responder. Tudo vai depender, basicamente, de uma escolha dos integrantes da Academia sobre qual título eles vão querer colocar no Olimpo do cinema este ano: Gravity e seu apuro técnico com história fraca e desenrolar previsível ou 12 Years a Slave com sua história marcante mas com final também em certo ponto previsto.

O fato é que os principais concorrentes deste ano não surpreendem pelos seus respectivos desfechos, mas sim pela convicção de seus realizadores em levar ao extremo diferentes preocupações de estilo. Gravity prima pela técnica, por tornar a experiência de ver um filme algo marcante com tudo que a tecnologia permite atualmente. 12 Years a Slave busca a história, o envolvimento humano e a revisão de um capítulo tenebroso da humanidade, apostando na interpretação dos atores. Os dois filmes tem em comum, aliás, elogios para os protagonistas.

Da minha parte, prefiro sem dúvida alguma a 12 Years a Slave. Mas ainda estou esperando por um filme que me deixe de queixo caído, entre os principais “concorrentes” deste ano no Oscar – a exemplo do que Black Swan fez comigo no Oscar de 2011. Há vários outros filmes para assistir ainda. Mas tudo indica que 12 Years a Slave vai receber muitas indicações. A dúvida que fica é se ele será capaz de vencer ao lobby de Gravity.