Ant-Man and the Wasp – Homem-Formiga e a Vespa

 

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O filme mais família do Universo Marvel. Pelo menos, analisando as produções deste universo que eu já vi. Ant-Man and the Wasp é um filme divertidinho, com belas cenas de ação e efeitos especiais e uma narrativa que valoriza a família. Do início ao fim. Alguma surpresa? Se você já assistiu a pelo menos um filme do gênero, nenhuma. O roteiro é um bocado previsível e tem alguns “repetecos” narrativos, mas também apresenta alguns bons momentos. O mais fraco entre os filmes recentes da Marvel, mas se você é fã dos personagens ou desse gêmero, isso pouco vai importar.

A HISTÓRIA: Começa com uma narrativa feita pelo Dr. Hank Pym (Michael Douglas). Ele comenta que, às vezes, pensa na noite em que ele e a esposa, Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer) tiveram que deixar a filha. Hope Van Dyne (Evangeline Lilly) era uma criança, e viu os pais saírem mais uma vez para uma “viagem de negócios inesperada”. Hank e Janet tem pena de deixar a filha, mas eles tem uma missão a cumprir como Ant-Man e Wasp. Desta vez, eles agem para desarmar um míssil que pode ser mortífero para centenas de pessoas.

O problema é que o casal, mesmo em tamanho diminuto, não consegue chegar no local correto para desarmar o míssil. A única saída é que um deles utilize o regulador para diminuir até o nível subatômico e, desta forma, acessar o núcleo do míssil. Janet é mais rápida que Hank e entra no “mundo subatômico”, de onde ela não conseguirá sair mais. Mas quando Scott Lang (Paul Rudd) conseguiu ir e voltar desse mundo subatômico, Dr. Hank Pym volta a acreditar que pode ser possível resgatar a mulher desse local. Para isso, ele vai construir um túnel subquântico que atrairá o interesse de muitas outras pessoas.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Ant-Man and the Wasp): Eis um filme sobre o qual eu não tenho muito o que falar. Ou, melhor dizendo, eis um filme sobre o qual não precisamos falar muito. Lembro bem de ler as HQs dos Vingadores e dos Heróis Marvel. Em meio a tantos heróis interessantes, o Homem-Formiga e a Vespa apareciam sempre como uma espécie de “personagens de apoio”.

Eles nunca me chamaram muito a atenção, para ser franca. E, novamente, nesse filme dedicado a eles, eu tive a mesma impressão. Ok, eles são graciosos, bonitinhos e tem uma história de fundo focada na família e no valor dos laços familiares bacaninha, mas é só isso. Em um ano em que vimos Black Panther, fica difícil a comparação. Claro, o personagem do Pantera Negra, especialmente pela forma com que ele foi desenvolvido no cinema, se apresenta muito mais completo em termos de temas subjacentes do que Ant-Man and the Wasp.

Importante observar isso antes de assistir a essa produção. Porque Black Panther – e, antes, Logan – elevaram tanto o nível dos roteiros dos filmes da Marvel, que é preciso reajustar as expectativas para assistir a esse Ant-Man and the Wasp. Admito que eu fui para o cinema assistir a esse filme sem grandes expectativas. Fui “desarmada” e para receber bem o que viesse. Achei, assim, o filme bacaninha, com um roteiro previsível e com algumas sequências interessantes. Os atores estão bem, mas a história em si é bastante fraquinha.

Vejamos. Tudo se resume à busca do Dr. Hank e de sua filha, Hope, pela figura materna desaparecida décadas antes. Contra essa busca deles estão os interesses de um mercenário, Sonny Burch (Walton Goggins), e do FBI e da polícia – que tem o Dr. Hank e Hope como foragidos. Para ajudar pai e filha a encontrarem a esposa/mãe desaparecida, entra em cena Scott Lang/Homem-Formiga. Antigo “discípulo” do Dr. Hank, Scott se sente em dívida com eles.

Esse é o filme. Junto com essa narrativa, com dinâmica previsível, temos o lado “fofinho” da história que é a relação de Scott com a filha Cassie (Abby Ryder Fortson). A relação entre pai e filha, no núcleo do Homem-Formiga, e de pais e filha, no núcleo da Vespa, fazem desta produção algo tão família. Ah sim, e outra ameaça importante para os “heróis” vem de uma menina que sofre justamente com o que? Com a falta da família! Estou me referindo a Ava (chamada também de Ghost/Fantasma), interpretada por Hannah John-Kamen.

O roteiro de Chris McKenna, Erik Sommers, Paul Rudd, Andrew Barrer e Gabriel Ferrari busca, desta forma, equilibrar os elementos conhecidos das HQs para agradar a todas as faixas etárias de público. Mas vejo Ant-Man and the Wasp agradando, em especial, aos mais jovens, já que este filme abre mão das cenas mais violentas e da “complexidade” dos personagens e narrativa de Black Panther e Logan para centrar-se mais na parte “divertida” e familiar dos personagens.

O roteiro feito a 10 mãos segue uma narrativa linear e com um contínuo “rouba” e “recupera” do laboratório do Dr. Hank e da peça que faltava para o invento dele e de Hope funcionar. No fim das contas, como previsto, eles conseguem terminar com o experimento e a história tem um final feliz.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Todos conseguem se sair bem, até Scott em sua incansável quebra-de-braços com o FBI e a polícia. Mas é importante assistir ao filme até depois dos créditos, para assistir a uma cena final que nos remete a Avengers: Infinity War. A família Van Dyne desaparece após a vitória de Thanos, e aí fica a pergunta de quem irá resgatar Ant-Man do “mundo subatômico”.

Entre as qualidades de Ant-Man and the Wasp está o bom trabalho dos atores principais, os efeitos especiais e algumas sequências realmente engraçadas – ainda que estas últimas possam ser contatas nos dedos. Por incrível que pareça, a melhor sequência do filme não conta nem com Paul Rudd e nem com Evangeline Lilly em cena. Para mim, o grande momento de Ant-Man and the Wasp é quando o amigo de Scott, Luis (Michael Peña) é obrigado a toma uma injeção da verdade e acaba contando a história da amizade dele com Scott.

Luis não para de falar e volta para o momento em que os dois se conheceram. Ele conta tudo rápido até chegar ao “esconderijo” atual do amigo. Achei essa sequência genial e o ponto forte da produção. Apesar de todos do elenco estarem bem, achei que faltou um pouco de “química” entre Rudd e Lilly. Não vi neles toda aquela sintonia que esperamos de personagens que vão trabalhar como casal.

A grande surpresa da produção foi mesmo ver nomes do quilate de Michael Douglas e Michelle Pfeiffer em um filme baseado em HQ. Uma grata surpresa. No mais, nada de novo. Você verá tudo que já viu – e algumas vezes melhor – em outras produções do gênero. Mas vale assistir, é claro. Assim como valia assistir a muitos filmes da Sessão da Tarde. 😉

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Ant-Man and the Wasp é um filme “divertidinho” da Marvel. Ele não tem o humor ácido de Deadpool e nem a profundidade dos personagens de Logan, Black Panther e alguns filmes do X-Men, mas ele tem a pegada de humor e de ação que marcam os filmes da grife. Como eu disse, nada que você já não tenha visto antes. Mas até por isso vale conferi-lo.

Afinal, quem é fã das HQs e de seus personagens, sabe que nem sempre todos os personagens são relevantes. Alguns nasceram para ser protagonista, como Homem de Ferro e Wolverine, enquanto outros nasceram para ser coadjuvantes – a exemplo do Homem-Formiga e da Vespa. Mas todos, mesmo os coadjuvantes, merecem ter as suas histórias contadas, e é isso que esse Ant-Man and the Wasp nos demonstra.

Essa produção é uma bela deixa para vermos ótimos atores em cena. Tiro o meu chapéu, em especial, para Michael Douglas e Michelle Pfeiffer – ainda que ela faça quase uma ponta nesta produção. Douglas rouba a cena cada vez que aparece. Paul Rudd manda bem. Ele tem carisma e humaniza muito bem o personagem. Evangeline Lilly… tenho um problema ao vê-la em cena porque sempre me lembro de Lost – quando a atriz viveu a sua grande fase. Ela está bem em Ant-Man and the Wasp, mas acho, sinceramente, que ela não tem toda aquela química desejada com Rudd. Mas faz parte. De qualquer forma, foi bom vê-la novamente em cena.

Além desses atores, que sempre valem serem acompanhados, um coadjuvante que rouba a cena é Michael Peña. Para mim, ele tem algumas da principais cenas e falas da produção – como disse antes, o momento alto do filme é quando ele está em cena, e sem contracenar com nenhum dos protagonistas. Ele está muito bem.

Entre os coadjuvantes, vale citar também o bom trabalho de Walton Goggins como Sonny Burch, um dos “vilões” da produção; de Bobby Cannavale como Paxton, novo marido da ex-mulher de Scott; Judy Greer como Maggie, a ex-mulher de Scott, mulher interessante que não perde a oportunidade para marcar posição; T.I. como Dave, um dos funcionários de Luis e Scott; David Dastmalchian como Kurt, outro funcionário da dupla; Hannah John-Kamen como Ava/Ghost, a garota que busca desesperadamente para uma solução para a sua morte iminente; Abby Ryder Fortson ótima como Cassie, filha de Scott; Divian Ladwa como Uzman, o homem do “soro da verdade” e funcionário de Sonny; Laurence Fishburne como Dr. Bill Foster, ex-colega de Dr. Hank Pym e protetor de Ava; e Randall Park como Jimmy Woo, o sujeito do FBI que tenta flagrar Scott em suas “estripulias”, mas que nunca consegue pegá-lo no flagra.

Como sempre, um detalhe muito interessante é vermos Stan Lee em uma das cenas da produção – no melhor estilo das aparições Alfred Hitchcock. Desta vez, ele aparece como um motorista que acaba tendo o seu carro miniaturizado. A fala dele é divertida, brincando com os “velhos tempos”. Eu babo e tiro o meu chapéu para Stan Lee. Grande sujeito!

Entre os aspectos técnicos do filme, sem dúvida alguma o destaque vai para os efeitos especiais e visuais da produção, assim como a maquiagem. Essa é a velha magia dos filmes da Marvel – e volta a funcionar em Ant-Man and the Wasp. Além disso, vale citar a direção de fotografia de Dante Spinotti e a edição de Dan Lebental e Craig Wood; assim como a trilha sonora de Christophe Beck; o design de produção de Shepherd Frankel; a direção de arte de Rachel Block, Michael E. Goldman, Kiel Gookin, Calla Klessig, Jay Pelissier, Domenic Silvestri e Clint Wallace; a decoração de set de Gene Serdena e Christopher J. Wood; e os figurinos de Louise Frogley.

Ant-Man and the Wasp estreou no dia 25 de junho de 2018 em uma première em Los Angeles. Depois, no dia 4 de julho, o filme estreou em 12 países, incluindo Dinamarca e Espanha. No Brasil o filme estreou no dia seguinte, dia 5 de julho.

Esse é nada menos que o vigésimo filme da Marvel dentro do “Marvel Cinematic Universe”. Uau! Para uma fã antiga de quadrinhos, eu jamais poderia imaginar que a Marvel chegaria tão longe. Acho bacana, especialmente pelo incentivo que isso dá para as HQs continuarem em evidência. Leiam quadrinhos! Garanto que é algo maravilhoso! 😉

E pensando aqui, que já são 20 filmes “made in” Marvel, certamente tenho que concluir que uma boa parte deles eu não assisti. Então não posso me considerar uma “especialista” da grife – ao menos nos cinemas. Um dos filmes que eu percebi agora que eu perdi foi o Ant-Man que lançou os personagens no cinema. Puff!!

Agora, uma curiosidade sobre essa produção. Nos quadrinhos, Ghost nunca lutou contra Ant-Man. Ou seja, eis uma “licença poética” desta produção.

Esse filme é dirigido por Peyton Reed. Nem lembrei de citar o nome dele antes porque, francamente, acho que ele faz um trabalho mediano e dentro do esperado – nada além disso.

Para quem é super fã do universo Marvel e tem certinho na mente a evolução dos personagens, vale citar: Ant-Man and the Wasp é ambientado no “capítulo oito da fase três do Universo Cinematográfico Marvel”.

Esse é o segundo filme da grife Marvel que estreia em 2018 tendo o ator protagonista como um dos roteiristas. O anterior foi Deadpool 2, onde Ryan Reynolds aparece nesses créditos – como Paul Rudd em Ant-Man and the Wasp.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para Ant-Man and the Wasp, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 224 críticas positivas e 34 negativas para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 87% e uma nota média de 6,9. Por sua vez, o site Metacritic apresenta um “metascore” 70 para o filme, fruto de 38 avaliações positivas e 13 medianas. Ou seja, o filme caiu no gosto de público e de crítica.

De acordo com o site IMDB, Ant-Man and the Wasp teria custado cerca de US$ 162 milhões – uma pequena fortuna, não? E conforme o site Box Office Mojo, o filme faturou US$ 164,6 milhões apenas nos Estados Unidos e outros US$ 188,9 milhões nos outros mercados em que o filme já estreou. Ou seja, no total, até o dia 22 de julho, o filme teria faturado cerca de US$ 353,5 milhões. Está no caminho de começar a dar lucro. E deve seguir nessa levada.

Ant-Man and the Wasp é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, esse filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Um filme bem “Sessão da Tarde”. Ant-Man and the Wasp nos entrega o básico do que é previsto para um filme de super-heróis. Ou seja, equilíbrio entre ação, drama, romance e comédia, diversas sequências ótimas de conflito e efeitos especiais, um bom grupo de atores e nada mais. A diferença desta produção para outras recentes da Marvel é que este filme foca na família e nas amizades, deixando para lá outros assuntos mais complexos – tratados em filmes como Black Panther e Avengers: Infinity War. Se você assiste a todos os filmes da Marvel, esse será apenas mais um no seu currículo. Se você está começando a ver a esse tipo de filmes, comece com algum outro – como Black Panther. Há filmes melhores do gênero. Mas para completar uma figurinha do álbum, esse filme é ok.

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Tomb Raider – Tomb Raider: A Origem

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Alguns filmes não conseguem fugir do óbvio. E pela proposta que eles têm, isso é meio que previsto. Esse é o caso de Tomb Raider, o novo filme sobre a personagem conhecida dos games e que retoma a origem de Lara Croft. Como um filme com esse perfil não terá exageros e “cenas impossíveis”? Como alguém que conhece a história da personagem não sentirá que está vendo, muitas vezes, trechos dos games na sua frente? Sim, Tom Raider é óbvio. Mas nem por isso ele deixa de ser um bom entretenimento.

A HISTÓRIA: Dia 17 de maio de 2009. Lord Richard Croft (Dominic West) conta a história de Himiko, uma “divindade” do Japão que ficou conhecida por usar magia negra e por matar exércitos com apenas um toque. Ela provocou muita desgraça, até que o seu próprio Exército a levou para uma ilha no Mar do Diabo para que ela fosse aprisionada lá. Mas Croft está obcecado em encontrá-la, e apenas lamenta ter que deixar a sua Lara para trás. Fim da animação que introduziu a lenda.

Em um ringue, Lara (Alicia Vikander) está dando o melhor de sim em um treinamento feroz. No fim, ela acaba sendo vencida. Falando com uma amiga, que diz que ela foi derrotada – ou massacrada -, Lara responde que não foi nada disso. O treinador lembra ela que ela está devendo, e que ninguém treina se não pagar. Saindo dali, Lara vai trabalhar como entregadora. Em uma entrega, fica sabendo de uma corrida de bikes. Como “lebre”, se ela escapar da perseguição, vai ganhar um dinheiro que lhe faz falta. Depois de se acidentar, ela é levada pela polícia, onde Ana Miller (Kristin Scott Thomas) lhe encontra. Em breve, a discussão sobre o pai de Lara a levará para locais distantes.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Tomb Raider): Inicialmente, esse filme não teria muitos atrativos para me chamar a atenção. Mas, entre os filmes que estavam em cartaz na semana passada, esse me pareceu o segundo mais atrativo – o primeiro foi o recentemente comentado por aqui Aus Dem Nichts. Depois, veio Tomb Raider.

Eu conheço e já joguei alguma das aventuras da senhorita Lara Croft. Então sim, conheço a personagem na sua versão original, dos games. Depois, assisti ao primeiro – e possivelmente ao segundo, mas não tenho certeza – filme da personagem estrelado por Angelina Jolie. Então sim, a história de Croft não é uma novidade para mim.

Esse filme, acredito, pode ser analisado sob duas óticas distintas: de pessoas com eu, que já conhecem a história da personagem tanto nos games quanto nos filmes anteriores; e a de pessoas que não tem esse conhecimento. Para o primeiro grupo, o filme é de uma obviedade gritante. Sim, não há nada realmente novo em cena.

O que temos, então, para destacar da produção? A competência nos efeitos especiais, o começo da história realmente bem feito e os ótimos atores em cena – com destaque especial para Alicia Vikander, uma Lara Croft bem mais interessante que Angelina Jolie. Gostei da pegada inicial da produção, em especial. O roteiro de Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons e a direção de Roar Uthaug rejuvenesceram a personagem.

Assim, especialmente a Lara Croft que vemos em cena no início da história, parece conversar muito bem com os jovens da atualidade. Ela procura fazer o seu “caminho por sua própria conta”, trabalha como entregadora, participa de um “racha” de bikes, treina em uma academia e tem todos os predicados para ser uma jovem mulher com opinião forte e a clareza do que deseja ou não para si. Ou seja, o perfil de garota tão em alta nos nossos dias.

Por isso, aquele começo de Tomb Raider me pareceu bastante interessante. Especialmente a direção ágil e atenta aos detalhes de Uthaug. Depois, o filme mergulha um pouco demais no estilo Indiana Jones. Em vários momentos eu me senti assistindo a um filme estrelado por Harrison Ford no papel do arqueologista mais famoso do cinema. Além disso, claro, há cenas de ação “absurdas”, mas que são bastante típicas da personagem nos games.

Agora, o filme também pode ser assistido sob aquela segunda ótica, de quem não está familiarizado com a personagem. Para esse grupo, Tomb Raider é um filme atraente, movimentado, que apresenta algumas ideias já conhecidas de “aventura com requintes de arqueologia” e, principalmente, a velha busca da autoafirmação e das “pazes” com os pais – nesse caso, com o pai, porque nunca ouvimos falar da mãe de Lara Croft.

Então sim, assistimos a uma velha fórmula da menina que busca a admiração do pai – que, não por acaso, é uma figura ausente mas que vive no imaginário da “eterna criança” como alguém sempre marcante. Essa busca de Lara pela figura paterna, é um dos motes principais da história. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No fim, ela encontra algumas respostas para as perguntas que tem, conhece um pouco mais de suas origens para, em seguida, e de forma muito rápida, ela logo romper o cordão umbilical.

Existe uma razão para isso acontecer. A personagem precisa ter aquela ausência do pai como uma motivação para os passos seguintes, assim como o compromisso de manter e preservar o legado do pai ausente. Tomb Raider foca na origem da personagem ao mesmo tempo que deixa claro que esta é apenas a primeira das muitas aventuras de Lara Croft.

O filme também apresenta uma “organização secreta” e que está espalhada por diversas partes do mundo. Ou seja, o típico elemento de “teoria da conspiração” que será importante para essa história despertar certo interesse no futuro. Tomb Raider, assim, cumpre bem o seu papel, seja por apresentar bem a personagem e as suas motivações originais como “aventureira”, seja por preservar boa parte da essência dos games.

Pena que Robertson-Dworet, Siddons e Uthaug tenham optado apenas por caminhos seguros e por referências que já conhecemos bem. Desta forma, eles tornaram Tomb Raider um filme seguro mas, ao mesmo tempo, nada ousado. Eles poderiam ter inovado mais, seja na forma, seja no conteúdo, para nos surpreender. Mas não.

Nada do que vemos em cena nos surpreende de fato. Apenas, talvez, a confirmação de algo que já suspeitávamos: que Alicia Vikander tem muito mais a ver com o papel do que outras atrizes que poderiam ter encarnado Lara Croft. Esse, ao menos, foi um belo acerto. Agora, é esperar os próximos filmes da grife para saber se alguém nos apresentará ao menos algo além do óbvio ou se seguiremos tendo “mais do mesmo” pela frente.

NOTA: 7,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Pelas características desta produção, um elemento que Tomb Raider deveria ter de destaque são os efeitos especiais e visuais. E, de fato, o filme atende bem as expectativas nesses quesitos. Como em praticamente todos os outros quesitos desta produção, os profissionais envolvidos nesses aspectos fazem um bom trabalho, mas nada além do esperado – e nada próximo de algo excepcional. Assisti ao filme na versão 3D e, como tantas outras produções recentes nesse formato, Tomb Raider não aproveita ao máximo esse recurso. Ou seja, você não perderá grande coisa se assistir ao filme em 2D mesmo.

Entre os aspectos técnicos dessa produção, vale então destacar os efeitos especiais que envolveram nove profissionais; a lista gigantesca que – chuto – deve ter contado com mais de 300 profissionais responsáveis pelos efeitos visuais de Tomb Raider. Sem esses efeitos, certamente não teríamos um filme frente aos nossos olhos – grande parte da produção depende dos efeitos visuais e especiais.

Além desses elementos, vale destacar a direção de fotografia de George Richmond; a edição de Stuart Baird, Tom Harrison-Read e Michael Tronick; a trilha sonora de Junkie XL; o design de produção de Gary Freeman; a direção de arte de Tom Brown, Anthony Caron-Delion, Claire Fleming, Simon Lamont, Tamara Marini, Tom Still e Alessandro TRoso; e os figurinos de Colleen Atwood e Timothy A. Wonsik; e a decoração de set de Raffaella Giovannetti e Maria Labuschagne.

Do elenco, o nome a destacar é realmente da atriz Alicia Vikander. Ela cai como uma luva para a personagem. Ela tem o estilo, o físico e a atitude perfeita para viver Lara Croft. Está muito bem em cena. Além dela, os destaques, pela importância dos personagens na história, são Dominic West como Lord Richard Croft, pai de Lara; Walton Goggins como Mathias Vogel, o chefe da missão escalada para encontrar a tumba de Himiko; Daniel Wu como Lu Ren, o piloto da embarcação que leva Lara para o seu desejado destino – e que acaba virando também o braço direito dela nessa missão; e Kristin Scott Thomas como uma esquisita Ana Miller, tipo de “gerentona” dos negócios do pai Croft.

Além deles, o veterano Derek Jacobi faz uma ponta como Mr. Yaffe, advogado da família Croft. Também vale citar a participação de Maisy De Freitas como a Lara Croft aos 7 anos de idade e de Emily Carey como a Lara aos 14 anos.

Tomb Raider estreou em première no dia 2 de março de 2018 em Berlim. No Brasil, assim como em grande parte do mundo, o filme estreou no dia 15 de março.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. Tomb Raider é baseado na “reinicialização” da saga de Lara Croft feita nos jogos e lançada em 2013.

A atriz Alicia Vikander fez um grande esforço físico nessa produção porque ela queria que a sua interpretação fosse a mais realista possível da personagem. Entre outros detalhes, ela realmente estrela todas as cenas de ação e que exigem esforço físico. A atriz também era fã da história de Lara Croft nos games.

Especialmente a crítica não gostou muito de Tomb Raider. Os usuários do site IMDb deram a nota 6,9 para esta produção. O que, para os padrões do site, não está ruim. Mas os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 110 críticas positivas e 110 negativas para o filme, o que lhe garante uma aprovação de apenas 50% e uma nota média de 5,4. Os dois critérios são bastante baixos.

O site Metacritic, por sua vez, apresenta o “metascore” de 48 para Tomb Raider, utilizando 53 críticas para chegar nessa média. O “user score” do site está um pouco melhor, registrando 6,7 de média.

De acordo com o site Box Office Mojo, Tomb Raider teria custado cerca de US$ 94 milhões e faturado, nas bilheterias dos Estados Unidos, pouco mais de US$ 41,7 milhões até o dia 16 de março. Nos outros mercados em que o filme já estreou, ele teria feito outros US$ 170 milhões. Ou seja, até o momento, teria faturado cerca de US$ 211,7 milhões. Está conseguindo pagar as contas, tanto de produção quanto de distribuição, mas não está conseguindo aquele resultado maravilhoso que os realizadores idealizaram, certamente.

Tomb Raider é uma coprodução do Reino Unido com os Estados Unidos.

CONCLUSÃO: A história do surgimento da aventureira Lara Croft contada com alguns requintes de “modernidade”. Nesse filme, você não vai encontrar nada de original. Encontrará a essência da personagem, a sua origem, e lembrará, se tiver “bagagem” para isso, bastante dos filmes de Indiana Jones.

Se você conhece os games da personagem, também se sentirá em um deles, algumas vezes. No mais, tudo aquilo que já esperamos de um filme do gênero, mas com uma atriz que combina muito mais com o papel do que a anterior que encarnou o personagem. Um bom entretenimento, que só poderia ter aproveitado melhor o 3D para ficar um pouco melhor.