Ant-Man and the Wasp – Homem-Formiga e a Vespa

 

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O filme mais família do Universo Marvel. Pelo menos, analisando as produções deste universo que eu já vi. Ant-Man and the Wasp é um filme divertidinho, com belas cenas de ação e efeitos especiais e uma narrativa que valoriza a família. Do início ao fim. Alguma surpresa? Se você já assistiu a pelo menos um filme do gênero, nenhuma. O roteiro é um bocado previsível e tem alguns “repetecos” narrativos, mas também apresenta alguns bons momentos. O mais fraco entre os filmes recentes da Marvel, mas se você é fã dos personagens ou desse gêmero, isso pouco vai importar.

A HISTÓRIA: Começa com uma narrativa feita pelo Dr. Hank Pym (Michael Douglas). Ele comenta que, às vezes, pensa na noite em que ele e a esposa, Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer) tiveram que deixar a filha. Hope Van Dyne (Evangeline Lilly) era uma criança, e viu os pais saírem mais uma vez para uma “viagem de negócios inesperada”. Hank e Janet tem pena de deixar a filha, mas eles tem uma missão a cumprir como Ant-Man e Wasp. Desta vez, eles agem para desarmar um míssil que pode ser mortífero para centenas de pessoas.

O problema é que o casal, mesmo em tamanho diminuto, não consegue chegar no local correto para desarmar o míssil. A única saída é que um deles utilize o regulador para diminuir até o nível subatômico e, desta forma, acessar o núcleo do míssil. Janet é mais rápida que Hank e entra no “mundo subatômico”, de onde ela não conseguirá sair mais. Mas quando Scott Lang (Paul Rudd) conseguiu ir e voltar desse mundo subatômico, Dr. Hank Pym volta a acreditar que pode ser possível resgatar a mulher desse local. Para isso, ele vai construir um túnel subquântico que atrairá o interesse de muitas outras pessoas.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Ant-Man and the Wasp): Eis um filme sobre o qual eu não tenho muito o que falar. Ou, melhor dizendo, eis um filme sobre o qual não precisamos falar muito. Lembro bem de ler as HQs dos Vingadores e dos Heróis Marvel. Em meio a tantos heróis interessantes, o Homem-Formiga e a Vespa apareciam sempre como uma espécie de “personagens de apoio”.

Eles nunca me chamaram muito a atenção, para ser franca. E, novamente, nesse filme dedicado a eles, eu tive a mesma impressão. Ok, eles são graciosos, bonitinhos e tem uma história de fundo focada na família e no valor dos laços familiares bacaninha, mas é só isso. Em um ano em que vimos Black Panther, fica difícil a comparação. Claro, o personagem do Pantera Negra, especialmente pela forma com que ele foi desenvolvido no cinema, se apresenta muito mais completo em termos de temas subjacentes do que Ant-Man and the Wasp.

Importante observar isso antes de assistir a essa produção. Porque Black Panther – e, antes, Logan – elevaram tanto o nível dos roteiros dos filmes da Marvel, que é preciso reajustar as expectativas para assistir a esse Ant-Man and the Wasp. Admito que eu fui para o cinema assistir a esse filme sem grandes expectativas. Fui “desarmada” e para receber bem o que viesse. Achei, assim, o filme bacaninha, com um roteiro previsível e com algumas sequências interessantes. Os atores estão bem, mas a história em si é bastante fraquinha.

Vejamos. Tudo se resume à busca do Dr. Hank e de sua filha, Hope, pela figura materna desaparecida décadas antes. Contra essa busca deles estão os interesses de um mercenário, Sonny Burch (Walton Goggins), e do FBI e da polícia – que tem o Dr. Hank e Hope como foragidos. Para ajudar pai e filha a encontrarem a esposa/mãe desaparecida, entra em cena Scott Lang/Homem-Formiga. Antigo “discípulo” do Dr. Hank, Scott se sente em dívida com eles.

Esse é o filme. Junto com essa narrativa, com dinâmica previsível, temos o lado “fofinho” da história que é a relação de Scott com a filha Cassie (Abby Ryder Fortson). A relação entre pai e filha, no núcleo do Homem-Formiga, e de pais e filha, no núcleo da Vespa, fazem desta produção algo tão família. Ah sim, e outra ameaça importante para os “heróis” vem de uma menina que sofre justamente com o que? Com a falta da família! Estou me referindo a Ava (chamada também de Ghost/Fantasma), interpretada por Hannah John-Kamen.

O roteiro de Chris McKenna, Erik Sommers, Paul Rudd, Andrew Barrer e Gabriel Ferrari busca, desta forma, equilibrar os elementos conhecidos das HQs para agradar a todas as faixas etárias de público. Mas vejo Ant-Man and the Wasp agradando, em especial, aos mais jovens, já que este filme abre mão das cenas mais violentas e da “complexidade” dos personagens e narrativa de Black Panther e Logan para centrar-se mais na parte “divertida” e familiar dos personagens.

O roteiro feito a 10 mãos segue uma narrativa linear e com um contínuo “rouba” e “recupera” do laboratório do Dr. Hank e da peça que faltava para o invento dele e de Hope funcionar. No fim das contas, como previsto, eles conseguem terminar com o experimento e a história tem um final feliz.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Todos conseguem se sair bem, até Scott em sua incansável quebra-de-braços com o FBI e a polícia. Mas é importante assistir ao filme até depois dos créditos, para assistir a uma cena final que nos remete a Avengers: Infinity War. A família Van Dyne desaparece após a vitória de Thanos, e aí fica a pergunta de quem irá resgatar Ant-Man do “mundo subatômico”.

Entre as qualidades de Ant-Man and the Wasp está o bom trabalho dos atores principais, os efeitos especiais e algumas sequências realmente engraçadas – ainda que estas últimas possam ser contatas nos dedos. Por incrível que pareça, a melhor sequência do filme não conta nem com Paul Rudd e nem com Evangeline Lilly em cena. Para mim, o grande momento de Ant-Man and the Wasp é quando o amigo de Scott, Luis (Michael Peña) é obrigado a toma uma injeção da verdade e acaba contando a história da amizade dele com Scott.

Luis não para de falar e volta para o momento em que os dois se conheceram. Ele conta tudo rápido até chegar ao “esconderijo” atual do amigo. Achei essa sequência genial e o ponto forte da produção. Apesar de todos do elenco estarem bem, achei que faltou um pouco de “química” entre Rudd e Lilly. Não vi neles toda aquela sintonia que esperamos de personagens que vão trabalhar como casal.

A grande surpresa da produção foi mesmo ver nomes do quilate de Michael Douglas e Michelle Pfeiffer em um filme baseado em HQ. Uma grata surpresa. No mais, nada de novo. Você verá tudo que já viu – e algumas vezes melhor – em outras produções do gênero. Mas vale assistir, é claro. Assim como valia assistir a muitos filmes da Sessão da Tarde. 😉

NOTA: 7,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Ant-Man and the Wasp é um filme “divertidinho” da Marvel. Ele não tem o humor ácido de Deadpool e nem a profundidade dos personagens de Logan, Black Panther e alguns filmes do X-Men, mas ele tem a pegada de humor e de ação que marcam os filmes da grife. Como eu disse, nada que você já não tenha visto antes. Mas até por isso vale conferi-lo.

Afinal, quem é fã das HQs e de seus personagens, sabe que nem sempre todos os personagens são relevantes. Alguns nasceram para ser protagonista, como Homem de Ferro e Wolverine, enquanto outros nasceram para ser coadjuvantes – a exemplo do Homem-Formiga e da Vespa. Mas todos, mesmo os coadjuvantes, merecem ter as suas histórias contadas, e é isso que esse Ant-Man and the Wasp nos demonstra.

Essa produção é uma bela deixa para vermos ótimos atores em cena. Tiro o meu chapéu, em especial, para Michael Douglas e Michelle Pfeiffer – ainda que ela faça quase uma ponta nesta produção. Douglas rouba a cena cada vez que aparece. Paul Rudd manda bem. Ele tem carisma e humaniza muito bem o personagem. Evangeline Lilly… tenho um problema ao vê-la em cena porque sempre me lembro de Lost – quando a atriz viveu a sua grande fase. Ela está bem em Ant-Man and the Wasp, mas acho, sinceramente, que ela não tem toda aquela química desejada com Rudd. Mas faz parte. De qualquer forma, foi bom vê-la novamente em cena.

Além desses atores, que sempre valem serem acompanhados, um coadjuvante que rouba a cena é Michael Peña. Para mim, ele tem algumas da principais cenas e falas da produção – como disse antes, o momento alto do filme é quando ele está em cena, e sem contracenar com nenhum dos protagonistas. Ele está muito bem.

Entre os coadjuvantes, vale citar também o bom trabalho de Walton Goggins como Sonny Burch, um dos “vilões” da produção; de Bobby Cannavale como Paxton, novo marido da ex-mulher de Scott; Judy Greer como Maggie, a ex-mulher de Scott, mulher interessante que não perde a oportunidade para marcar posição; T.I. como Dave, um dos funcionários de Luis e Scott; David Dastmalchian como Kurt, outro funcionário da dupla; Hannah John-Kamen como Ava/Ghost, a garota que busca desesperadamente para uma solução para a sua morte iminente; Abby Ryder Fortson ótima como Cassie, filha de Scott; Divian Ladwa como Uzman, o homem do “soro da verdade” e funcionário de Sonny; Laurence Fishburne como Dr. Bill Foster, ex-colega de Dr. Hank Pym e protetor de Ava; e Randall Park como Jimmy Woo, o sujeito do FBI que tenta flagrar Scott em suas “estripulias”, mas que nunca consegue pegá-lo no flagra.

Como sempre, um detalhe muito interessante é vermos Stan Lee em uma das cenas da produção – no melhor estilo das aparições Alfred Hitchcock. Desta vez, ele aparece como um motorista que acaba tendo o seu carro miniaturizado. A fala dele é divertida, brincando com os “velhos tempos”. Eu babo e tiro o meu chapéu para Stan Lee. Grande sujeito!

Entre os aspectos técnicos do filme, sem dúvida alguma o destaque vai para os efeitos especiais e visuais da produção, assim como a maquiagem. Essa é a velha magia dos filmes da Marvel – e volta a funcionar em Ant-Man and the Wasp. Além disso, vale citar a direção de fotografia de Dante Spinotti e a edição de Dan Lebental e Craig Wood; assim como a trilha sonora de Christophe Beck; o design de produção de Shepherd Frankel; a direção de arte de Rachel Block, Michael E. Goldman, Kiel Gookin, Calla Klessig, Jay Pelissier, Domenic Silvestri e Clint Wallace; a decoração de set de Gene Serdena e Christopher J. Wood; e os figurinos de Louise Frogley.

Ant-Man and the Wasp estreou no dia 25 de junho de 2018 em uma première em Los Angeles. Depois, no dia 4 de julho, o filme estreou em 12 países, incluindo Dinamarca e Espanha. No Brasil o filme estreou no dia seguinte, dia 5 de julho.

Esse é nada menos que o vigésimo filme da Marvel dentro do “Marvel Cinematic Universe”. Uau! Para uma fã antiga de quadrinhos, eu jamais poderia imaginar que a Marvel chegaria tão longe. Acho bacana, especialmente pelo incentivo que isso dá para as HQs continuarem em evidência. Leiam quadrinhos! Garanto que é algo maravilhoso! 😉

E pensando aqui, que já são 20 filmes “made in” Marvel, certamente tenho que concluir que uma boa parte deles eu não assisti. Então não posso me considerar uma “especialista” da grife – ao menos nos cinemas. Um dos filmes que eu percebi agora que eu perdi foi o Ant-Man que lançou os personagens no cinema. Puff!!

Agora, uma curiosidade sobre essa produção. Nos quadrinhos, Ghost nunca lutou contra Ant-Man. Ou seja, eis uma “licença poética” desta produção.

Esse filme é dirigido por Peyton Reed. Nem lembrei de citar o nome dele antes porque, francamente, acho que ele faz um trabalho mediano e dentro do esperado – nada além disso.

Para quem é super fã do universo Marvel e tem certinho na mente a evolução dos personagens, vale citar: Ant-Man and the Wasp é ambientado no “capítulo oito da fase três do Universo Cinematográfico Marvel”.

Esse é o segundo filme da grife Marvel que estreia em 2018 tendo o ator protagonista como um dos roteiristas. O anterior foi Deadpool 2, onde Ryan Reynolds aparece nesses créditos – como Paul Rudd em Ant-Man and the Wasp.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,5 para Ant-Man and the Wasp, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 224 críticas positivas e 34 negativas para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 87% e uma nota média de 6,9. Por sua vez, o site Metacritic apresenta um “metascore” 70 para o filme, fruto de 38 avaliações positivas e 13 medianas. Ou seja, o filme caiu no gosto de público e de crítica.

De acordo com o site IMDB, Ant-Man and the Wasp teria custado cerca de US$ 162 milhões – uma pequena fortuna, não? E conforme o site Box Office Mojo, o filme faturou US$ 164,6 milhões apenas nos Estados Unidos e outros US$ 188,9 milhões nos outros mercados em que o filme já estreou. Ou seja, no total, até o dia 22 de julho, o filme teria faturado cerca de US$ 353,5 milhões. Está no caminho de começar a dar lucro. E deve seguir nessa levada.

Ant-Man and the Wasp é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, esse filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Um filme bem “Sessão da Tarde”. Ant-Man and the Wasp nos entrega o básico do que é previsto para um filme de super-heróis. Ou seja, equilíbrio entre ação, drama, romance e comédia, diversas sequências ótimas de conflito e efeitos especiais, um bom grupo de atores e nada mais. A diferença desta produção para outras recentes da Marvel é que este filme foca na família e nas amizades, deixando para lá outros assuntos mais complexos – tratados em filmes como Black Panther e Avengers: Infinity War. Se você assiste a todos os filmes da Marvel, esse será apenas mais um no seu currículo. Se você está começando a ver a esse tipo de filmes, comece com algum outro – como Black Panther. Há filmes melhores do gênero. Mas para completar uma figurinha do álbum, esse filme é ok.

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The Hobbit: The Battle of the Five Armies – O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

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Francamente eu não pensava em assistir a esse filme. E vou explicar o porquê. Apesar de ter assistido à trilogia The Lord of the Rings, perdi o momento de assistir aos primeiros filmes da também trilogia The Hobbit. Pois bem, então como começar por esta terceira parte? A questão é que ganhei dois pares de ingresso para o cinema e como eu já tinha assistido ao filme A Walk Among the Tombstones (comentado aqui), a melhor opção no cinema era mesmo esse The Hobbit: The Battle of the Five Armies. E francamente? Gostei muito de ter quebrado as minhas próprias regras e de ter me jogado em uma sala escurinha com telão e som de primeira para assistir a esse filme.

A HISTÓRIA: As pessoas correm para tentar escapar, mas parece inevitável a destruição da Cidade do Lago com a aproximação e o consequente ataque do dragão Smaug (voz de Benedict Cumberbatch). Enquanto o fogo destrói grande parte das casas, Bard (Luke Evans) luta para se livrar da prisão enquanto os filhos dele fogem de barco com a ajuda de Tauriel (Evangeline Lilly). De longe, a Companhia de Anões vê a destruição que Smaug está provocando após o dragão ter sido irritado por eles. Thorin Oakenshield (Richard Armitage) fica obcecado com o ouro e a riqueza que eles recuperaram na Montanha Solitária, sem saber que em breve aquele local será atacado por todos os lados.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que continue a ler quem já assistiu a The Hobbit: The Battle of the Five Armies): Há mais de 10 anos eu não mergulhava no mundo mágico de J.R.R. Tolkien através das lentes do genial diretor Peter Jackson. Sim, como grande parte da humanidade, no início dos anos 2000, assisti à trilogia fantástica de The Lord of the Rings. Depois, acompanhei o burburinho envolvendo The Hobbit. Mas não sou uma aficionada. Então, me perdoe se você viciou em Tolkien, mas eu sou do grupo de hereges que não leu as obras originais.

Então o meu conhecimento sobre The Hobbit é que havia a saga anterior a The Lord of the Rings e que Peter Jackson havia iniciado uma nova trilogia para contar a juventude e a primeira aventura do senhor Bilbo Baggins (o sempre ótimo Martin Freeman) em 2012. Como acontece com tantos outros filmes, perdi o bonde da história quando o primeiro dos três filmes foi lançado. Então ontem, quando assisti a The Hobbit: The Battle of the Five Armies, eu só não estava perdida na história porque havia assistido a The Lord of the Rings.

E esta é a dica que eu dou para você que, como eu, não assistiu aos outros filmes da série The Hobbit: na verdade, não faz taaaaanta falta não ter assistido aos filmes anteriores. Ok, neles certamente o espectador vai encontrar muito mais detalhes sobre as personalidades e trajetórias de cada personagem. Mas a verdade é que sabendo que foi criado um grupo de anões, incentivado por Gandalf (o meste Ian McKellen) para retomar a montanha que era deles por direito, e que para cumprir este objetivo eles despertaram a ira do dragão Smaug, você já tem todos os elementos para compreender esta nova produção.

E que filme! O melhor dos efeitos especiais está ali. E para os saudosos das lindas paisagens e da narrativa interessante e cheia de lições de moral de The Lord of the Ring, é um deleite mergulhar novamente nesse universo. Gostei muito de rever a personagens fundamentais, como Gandalf, Galadriel (a divina Cate Blanchett, que rouba a cena quando aparece), Legolas (Orlando Bloom), Saruman (o mestre Christopher Lee) e Elrond (o também veterano Hugo Weaving).

Para mim, o filme vale o ingresso apenas na sequência em que tentam aniquilar Gandalf e aparece para socorrê-lo a fantástica Galadriel e seus aliados. A luta deles contra as entidades do Mal é de arrepiar. Para mim, o ponto alto do filme. Claro que também há várias cenas de ação e de batalha primorosamente feitas, mas aquele embate envolvendo gente tão poderosa e especial foi particularmente interessante.

Me desculpem a ignorância, por não conhecer o original de Tolkien, mas me parece que a articulação de Gandalf tinha, no fim das contas, um propósito que depois se veria como fundamental para enfrentar o inimigo Sauron. Ao incentivar os anões a recuperar a montanha que era a terra natal deles, além de fortalecer aquele povo, os fatos que vieram na sequência acabaram juntando humanos, anões e elfos para combater os orcs. Essa união faria diferença depois, quando na sequência de The Lord of the Ring eles teriam que se unir novamente, não é mesmo?

Uma qualidade de The Hobbit: The Battle of the Five Armies é que o filme começa mergulhado na ação e permanece nela quase o tempo todo. Mas seguindo a regra dos filmes baseados em Tolkien, também há diversos espaços na narrativa para os personagens falarem de seus sentimentos e filosofarem sobre a vida. O roteiro de Peter Jackson, Guillermo del Toro, Frank Walsh e Philippa Boyens é especialmente generoso com Gandalf e com Bilbo Baggins. Especialmente o segundo tem algumas falas muito boas.

A ação é boa, com algumas cenas de batalha que vão perdurar por muito tempo na memória. Mas acho que muitas desta cenas poderiam ser suprimidas, fazendo a história ficar um pouco mais enxuta, veloz e menos repetitiva. O filme tem duas horas e 22 minutos de duração. Facilmente poderia ter ficado com duas horas sem perdas para a história. Me incomodaram um pouco alguns exageros na narrativa. Dois momentos, em especial, me fizeram reduzir a nota para o patamar abaixo.

Primeiro, me incomodou um pouco o exagero da reviravolta do rei dos anões, Thorin Oakenshield. Ele tem uma série de “visões” de exame de consciência quase psicodélico – o segundo momento do tipo do filme, após o primeiro em que o Mal se manifesta – e voilá, vira novamente um rei honrado, que cumpre a palavra e que não escapa da luta. Certo, até este ponto até dá para ser generoso e pensar que a reviravolta poderia até ser tão repentina. Mas aí sobe a música de Howard Shore e aquele meia dúzia de anões saem para reforçar o exército da raça que está lá fora como se eles fossem a solução de todos os problemas. E é meia dúzia de anões, minha gente!

Ok, alguns vão dizer que aquele atitude de um líder serve de exemplo para a vida real, quando um grupo passa a lutar e “vestir a camisa” com muito mais afinco quando vê que o líder acredita na vitória. Certo, pode até ser que as pessoas lutem diferente quando acreditam no líder e assistem ele dando o sangue pela causa. Mas convenhamos, a diferença numérica era muito absurda para justificar tamanha reviravolta por causa de meia dúzia de anões – com o líder incluído no grupo. De qualquer forma, é isso que acontece no filme. Anões, elfos e humanos que sobreviveram até ali e em número bem menor que os orcs acabam virando o jogo.

Outro ponto que me incomodou pelo exagero – momento “ah tá bom” do filme – foi quando Legolas luta contra um dos orcs mais empedernidos e consegue com que cada peça de uma ponte de pedras esteja no lugar certo na hora certa. Quando alguma parte caia, magicamente ele conseguia se deslocar a tempo de ficar sobre uma outra peça por mais um tempo. Quem assistiu ao filme sabe do que eu estou falando. Tudo bem que o filme é de ficção, fantasia, e exagerado na essência, mas essas partes poderiam ter sido um pouquinho menos exageradas para o meu gosto.

Exceto por essas partes e por algumas cenas de batalha que eu cortaria pela repetição que elas significaram, não há o que criticar desta produção. O elenco foi muito bem escolhido, a direção é primorosa nos detalhes, a edição é veloz e o conjunto de efeitos especiais, trilha sonora, figurinos e direção de arte é de tirar o chapéu. Impecável. Sem contar que é um prazer reviver a aura de Tolkien. Fiquei com vontade de rever a trilogia The Lord of the Rings. Talvez faça isso. E, claro, fiquei ainda com mais saudade de Game of Thrones. 🙂 Agora, só em 2015.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Sempre gostei de jogos de estratégia. E como venho de uma geração que começou a pegar a evolução do computador pessoal – sou da época em que se aprendia DOS no curso de informática -, tive um deleite especial quando os vermes gigantes apareceram rapidamente no filme auxiliando os orcs. Foi inevitável não lembrar do jogo Worms. 😉 Genial!

As histórias de Tolkien também me fazem lembrar dos primeiros jogos da grife World of Warcraft. Acho que só quem jogou aquelas primeiras edições sente um certo déjà vu quando assisti a The Lord of the Rings ou The Hobbit, não é mesmo? Foi com aquele game que conheci as particularidades, pontos fracos e fortes de humanos, orcs, elfos e anões. Bons tempos aqueles. 🙂

Mas voltando ao filme. Esta é uma produção que, certamente, será indicada a alguns Oscar’s em 2015. Aliás, com The Hobbit: The Battle of the Five Armies eu vou começar uma contagem regressiva para a grande premiação do cinema. Eu já estou de olho em várias produções interessantes, nos indicados aos Golden Globes e, claro, logo mais vou começar a voltar as minhas críticas para os prováveis concorrentes do Oscar 2015. Aguardem e confiem!

Aposto que esta terceira parte da trilogia de The Hobbit vai ser indicada, por baixo, para umas sete categorias do próximo Oscar. Isso apenas para falar das indicações técnicas, como Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Penteado, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Fotografia e Melhor Edição. Talvez o filme seja indicado também em Melhor Design de Produção e, dependendo de como estiver o ano a respeito de outros indicados fortes, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora. Dependendo da safra, talvez Peter Jackson seja indicado como Melhor Diretor – se bem que acho isso mais difícil. Ou seja, se o filme tiver muita sorte, poderia conseguir até 11 indicações.

Quantos destes prêmios ele pode efetivamente levar? Isso você pode conferir na seção que reestreio hoje: Palpites para o Oscar 2015, logo abaixo.

Como eu não assisti aos dois filmes anteriores da saga The Hobbit, talvez eu esteja sendo redundante ao comentar nomes que me chamaram a atenção neste filme – e que não eram conhecidos na trilogia original de The Lord of the Rings. Gostei muito de Lee Pace como Thranduil; de Evangeline Lilly – linda, super linda – como Tauriel; de Luke Evans como Bard – ainda que ele não consiga desbancar Sean Bean como Boromir; Aidan Turner ótimo, um dos destaques do filme como Kili; e Dean O’Gorman competente como Fili, parceiro de primeira ordem de Kili.

Do grupo de anões que tem relevância no filme, vale citar o bom trabalho de atores que ficam “escondidos” atrás da caracterização super bem feita dos personagens: William Kircher como Bombur; James Nesbitt como Bofur; e Stephen Hunter como Bifur.

Ah sim, também me irritou um pouco neste filme o personagem Alfrid (Ryan Gage). Tudo bem, entendo que ele tinha que ser a parte cômica do filme, para relaxar um pouco com um personagem covarde no meio de tantos bravos, mas ele acaba irritando com a escatologia forçada.

E claro que há uma grande frase/lição no filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu a The Hobbit: The Battle of the Five Armies). Ótima a frase de Thorin para Bilbo, após sugerir que ele volte para a casa dele, na pacata cidade em que ele saiu, para plantar árvores e viver em paz: “Se mais de nós dessem mais atenção para as suas casas do que para o ouro, o mundo seria um lugar melhor”, ou algo similar… genial, não é mesmo? Bela verdade. Vi neste blog que no original a frase seria assim: “Se mais de nós dessem mais valor a comida, bebida e música do que a tesouros, o mundo seria mais alegre”.

Da parte técnica do filme, fantástica a direção de fotografia de Andrew Lesnie; a edição de Jabez Olssen – esse sim, teve milhões de caminhões de trabalho; o design de produção de Dan Hennah – trabalho impecável e inspirador; a direção de arte de Simon Bright e Andy McLaren – que merecem vários prêmios; a decoração de set de Simon Bright e de Ra Vincent; os figurinos de Bob Buck, Lesley Burkes-Harding e Ann Maskrey; o trabalho genial da equipe de 37 profissionais que faz parte do departamento de maquiagem da produção; e as mais dezenas de profissionais dos departamentos de arte, de som, de efeitos especiais e efeitos visuais. A maior equipe, aliás, é de efeitos visuais. Trabalho fantástico.

Minha gente, essas são as informações principais. Outras complementares, que tradicionalmente publico nas críticas, deixarei para acrescentar em breve. Logo mais deixo mais detalhes por aqui.

Voltando. 🙂 The Hobbit: The Battle of the Five Armies teve premier no dia 1 de dezembro em Londres. Depois, no dia 2, o filme estreou em Paris. E aí seguiu-se uma série de estreias, incluindo uma premier na Comic Con Experience no Brasil no dia 7. No circuito comercial o filme estreou mesmo no dia 10 em diversos países, chegando ao Brasil no dia 11 de dezembro.

De acordo com o site Box Office Mojo, esta produção arrecadou pouco mais de US$ 34,4 milhões apenas nos Estados Unidos. No restante dos países em que estreou mundo afora, ela teria feito outros US$ 122,2 milhões. Infelizmente não há dados seguros sobre o quanto o filme teria custado.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Quando o filme teve uma premier no Comic Con de San Diego, muitos fãs acamparam no dia anterior para conseguir um bom lugar no dia em que o filme seria passado. No meio da noite, esses fãs foram acordados pelos atores Lee Pace e Andy Serkis que, durante horas, fizeram fotos e deram autógrafos para quem estava lá. Achei muito bacana essa proposta e atitude.

Os únicos atores a aparecer em todos os filmes adaptados das obras de Tolkien foram Ian McKellen e Cate Blanchett. E eles são divinos! Aqui, mais uma vez, estão perfeitos e dividem a melhor sequência da produção.

Vários atores do filme mantiveram os adereços depois que a produção terminou de ser filmada. Martin Freeman, por exemplo, ficou com a espada e com as próteses de orelha de hobbit. Será que ele vai fazer uma festinha divertida em casa? 🙂 Richard Armitage também manteve a espada que o personagem dele utilizou e Lee Pace, para não variar, também guardou a espada élfica que utilizou no filme.

No livro de Tolkien, toda a batalha dos cinco exércitos ocorre em apenas um capítulo.

De acordo com o diretor e roteirista Peter Jackson, o material extra trará 30 minutos adicionais, tornando a versão estendida desta produção a mais longa da franquia.

Daniel Radcliffe e Tobey Maguire foram considerados para o papel de Bilbo na trilogia do Hobbit, mas Peter Jackson quis que o personagem fosse de Martin Freeman. Escolha perfeita, diga-se.

A personagem de Tauriel foi criada por Jackson especialmente para a atriz Evangeline Lilly.

The Hobbit: The Battle of the Five Armies teve cenas externas rodadas na Nova Zelândia, a exemplo dos filmes da trilogia The Lord of the Rings, e as cenas de estúdio foram rodadas no tradicional Pinewood Studios, em Londres.

Interessante como inicialmente Jackson havia planejado apenas dois filmes para adaptar The Hobbit mas, depois, decidiu que seria melhor dividir a história em três produções. Fazendo isso, impossível não comparar The Lord of the Ring e The Hobbit com os filmes que George Lucas fez da história original de Star Wars. Os dois arrasaram com a primeira trilogia e tiveram que enfrentar muitas críticas e controvérsias quando lançaram a segunda trilogia – e, no caso dos dois, a segunda série de filmes remontava para um tempo narrativo anterior da primeira série. Curious.

Até o momento esta produção ganhou um prêmio e foi indicado a um outro. O prêmio que ele recebeu foi o Truly Moving Picture Award, dado pelo Heartland Film. Ele também foi indicado na categoria de Melhores Efeitos Visuais pelo Prêmio da Sociedade de Críticos de Cinema de Phoenix.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para esta produção. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 107 avaliações positivas e 71 negativas para The Hobbit: The Battle of the Five Armies, o que garante 61% de aprovação para o filme e uma nota média de 6,3.

CONCLUSÃO: Filme altamente indicado para quem assistiu à trilogia The Lord of the Rings. E se você, além daqueles três filmes, ainda assistiu aos dois anteriores do Hobbit… bem, não preciso usar mais que um neurônio para saber que você gostou desta última parte da nova trilogia de Peter Jackson. De fato o filme cumpre o seu papel com maestria. Há muitas cenas de luta e de batalhas, alguns personagens fundamentais para The Lord of the Rings aparecem em cena e despertam a vontade de voltar a assistir àqueles clássicos modernos. Efeitos especiais para todos os lados, aquelas paisagens magníficas com as quais já nos acostumamos, e ótimos atores. Para não dizer que é perfeito, ele poderia ter um pouco menos de duração e ter descontadas algumas sequências exageradas. Não é melhor que os filmes de The Lord of the Rings, mas é uma produção muito competente. Vale o ingresso.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Bem, minha gente, vou retomar essa seção com este The Hobbit: The Battle of the Five Armies porque eu acredito, realmente, que esta produção vai figurar entre as indicadas no próximo prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Como comentei logo acima, por baixo, acredito em pelo menos sete indicações deste filme. Todas técnicas. Mas há potencial para a produção chegar até umas 11 indicações – tudo vai depender da qualidade desta safra, ou seja, dos outros concorrentes em categorias não-técnicas.

Acredito que o filme tenha boas chances nas categorias Melhor Maquiagem e Penteado, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som. Talvez ele possa ser um forte concorrente em Melhor Fotografia e Melhor Edição, mas poderei falar mais a respeito quando começar a assistir a outros fortes nomes na disputa. Além destas categorias, acho difícil ele ganhar muito mais. Veremos…

ATUALIZAÇÃO (20/12): A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood já divulgou que esta produção está entre as 10 que avançaram na competição para ganhar na categoria Melhores Efeitos Visuais no Oscar 2015. Por outro lado, a Academia também divulgou a lista dos sete filmes que estão avançando na disputa na categoria Maquiagem e Cabelo no próximo Oscar e The Hobbit: The Battle of the Five Armies ficou de fora. Estão na disputa ainda The Amazing Spider-Man 2, Foxcatcher, The Grand Budapest Hotel, Guardians of the Galaxy, Maleficent, Noah e The Theory of Everything.