A Torinói Ló – The Turin Horse – O Cavalo de Turim

Um filme que começa citando a Nietzsche não pode ser ruim, certo? Sim e não. Depende, claro, do ponto de vista. Tenho certeza que os intelectuais e alguns apreciadores do cinema vão tirar o chapéu para este A Torinói Ló. Da minha parte, achei um filme chato, longo, teoricamente artístico, mas essencialmente insuportável. Não pelo que acontece, mas pelo que deixa de acontecer.

A HISTÓRIA: Uma voz conta, sem imagens, que em Turin, no dia 3 de janeiro de 1889, Friedrich Nietzsche saiu pela porta do número 6 da Via Carlo Alberto para caminhar ou para buscar suas correspondências nos Correios. “Não muito longe, aliás, bastante longe dele, um cacheiro estava tendo problemas com o seu teimoso cavalo”, conta o narrador. Apesar de todos os esforços do cacheiro, o animal se recusava a mover-se. O dono do cavalo perdeu a paciência e começou a chicoteá-lo. Nietzsche teria surgido no meio da “multidão” e interrompe a sessão de tortura ao colocar os braços ao redor do pescoço do cavalo, para a ira do cocheiro. Levado por um vizinho para casa, ele teria ficado dois dias silencioso no sofá, até que teria dito: “Mãe, eu sou um tolo”. Segundo o narrador, Nietzsche teria vivido mais 10 anos, calmo e louco, aos cuidados da mãe e das irmãs. Mas sobre o cavalo, não se soube mais nada. A partir daí, mergulhamos na história de um cavalo castigado, seu dono e filha. Uma história silenciosa e louca, que reflete o “fim do mundo” ou, pelo menos, da “Humanidade”.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a A Torinói Ló): Eu entendo as intenções dos diretores Béla Tarr e Ágnes Hranitzky. Eles buscaram imprimir em película a falta de esperanças em uma Humanidade violenta, fria e que age de forma automática. Sem refletir, sem relacionar-se afetivamente. O fim dos tempos, neste cenário, deveria ser visto quase como uma recompensa.

Compreendo também que eles viram na crueza do neorrealismo italiano o recurso natural para contar essa história, embebida até a raiz da crítica de Nietzsche, o homenageado da produção. Tudo isso é compreensível. Mas, francamente? Não vejo muito espaço, atualmente, no cinema moderno (ou pós-moderno) para fazermos um filme tão embebido no neorrealismo italiano. Não tenho problema algum, pelo contrário, em assistir aos clássicos do gênero. Mas clássicos são clássicos. Eles ajudaram a definir uma época, surgiram para contrapor uma realidade específica. Não vejo problemas em homenagear um gênero do cinema, mas é preciso fazer algo novo e condizente com a realidade em que vivemos agora.

A Torinói Ló poderia, muito bem, ser um filme mudo. Bem, ele quase é um filme mudo – mas sem o significado e a criatividade que os filmes mudos, em sua época, tinham. Qualquer filme de Charles Chaplin, na fase do cinema mudo, é mais criativo e dinâmico que esta produção dirigida por Tarr e Hranitzky. Para mim, ficou evidente a intenção do filme em angustiar o espectador, tornar a experiência de ver a este filme tudo, menos prazerosa. Compreensível, especialmente pela crítica que a produção busca fazer. Mas serei franca mais uma vez: para um filme ser crítico e provocar angústia, ele não precisa ser interminável, sonolento, chato até o extremo. Se eu quiser passar por esta experiência, busco outras formas de tortura, e não o cinema.

Bem, mas falemos da produção. O roteiro escrito por László Krasznahorkai e Béla Tarr começa contando, apenas em narrativa em “off” (sem imagens) a história da defesa de Nietzsche de um cavalo que era fustigado pelo seu proprietário. Para a época em que vivia e, até pela ótica de muitas pessoas atualmente, aquela manifestação do filósofo já era um indicativo de que ele estava ficando louco. Mas aí aparece a pergunta fundamental: o que é a loucura? Muitas vezes uma pessoa é considerada louca apenas porque ousa pensar e agir diferente dos padrões. E o que A Torinói Ló deixa claro é que, tantas e tantas vezes, na história das nossas civilizações, os padrões sociais eram absurdos. E deveriam ser combatidos.

Depois da narrativa em “off” da atitude de Nietzsche, mergulhamos na história do cavalo que foi defendido pelo filósofo. Uma história possível, é claro. E com ela, assistimos a uma alegoria do “ocaso da Humanidade”. Pai e filha que acompanhamos são autômatas. Simbolizam, desta forma, a própria Humanidade. Afinal, quantas pessoas não “fazem todo dia tudo sempre igual”, como diria o Chico? Muitas, certamente. Agem sem pensar, sem realmente sentir os sabores, cheiros, nada. Seus corações pulsam por hábito, não por convicção.

Desta forma, acompanhamos pais e filhas, miseráveis. Mas a miséria deles está menos na ausência de móveis e de comida farta na mesa e muito mais na falta de carinho, de esperança, de emoção. Eles praticamente não trocam palavras. O único momento “verborrágico” no filme acontece quando a família “de dois” recebe a visita do vizinho Bernhard (Mihály Kormos). Ele fala sobre a destruição da “cidade” (certamente uma alegoria para “civilização”), e comenta sobre a responsabilidade “deles” (das pessoas que integravam essa civilização) na própria destruição. Aí está o tratado do filme. De que o cataclismo que assistimos não é algo “divino” (Nietzsche dizia que o homem teve que inventar Deus), mas um efeito do vício pelo julgamento, mais a cobiça e a ganância dos homens e mulheres que integram as diferentes sociedades. “Porque tudo que eles tocam, e eles tocam tudo, foi degradado”, diz o personagem.

Quem lê o resumo anterior, pode achar que o filme é inteligente, interessante. Até que a crítica é pertinente. Mas a forma de apresentá-la é excessiva. Para nos mostrar o que ele nos mostra, A Torinói Ló poderia ter 30 minutos de duração. E não duas horas e 46 minutos! Mesmo provocando um desejo irrepreensível de deixar de assistí-lo pela metade e, nos insistentes, uma vontade de dormir profunda, este filme tem algumas particularidades interessantes. Primeiro, que mesmo não “acontecendo muita coisa” no filme, o diretor nos mostra maneiras diferenciadas de “prender” a atenção e/ou variar a narrativa de forma simples. O “eles fazem tudo sempre igual” se mostra diferente com uma simples variação de câmera. Em um momento, acompanhamos a rotina da filha vestindo o pai por um ângulo. No outro dia, acompanhamos o mesmo, mas por outro ângulo. E isso, mais um ou outro detalhe, é o que fazem o filme não ser uma repetição permanente. Há uma certa variação no ar, ainda que ela seja restrita.

Primeira parte da produção: clima inglório, sacrifício, os mais fracos (simbolizados pelo cavalo) explorados até o osso pelos mais fortes (dono do cavalo). (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Depois, ela segue mostrando que o cataclismo não iria ceder. Pelo contrário. E como as pessoas lidam com isso? Pelo que mostra o filme, fazendo o mesmo. Não mudam a sua rotina. Depois de um tempo, tentam uma saída, mas já sem chance alguma de conseguir um resultado diferente do desastre. Retornam. Escutam o pior – o que contribui para a decisão de buscar uma saída -, mas se fazem de surdos. Depois, quando agem, descobrem que o pior está acontecendo. O cavalo é o primeiro a perceber que aquela forma de vida havia terminado. Mas pai e filha continuam. Antes, recebem a visita de “bárbaros”. Pessoas que eles não entendem. A quem eles temem. Mas que podem, eles sim, encontrar uma saída – até porque acreditam que ela existe. Em seu caminho, vão encontrando e intensificando a destruição. E, no final, os protagonistas decidem seguir com a vida quase igual (exceto pelo contato com o exterior, que fica impossibilitado). Mas descobrem suas próprias limitações e que, sem esse contato com o exterior, eles não vão conseguir sobreviver.

O filme é angustiante. Sonolento. Primeiro, pela falta de ação. Depois, pela repetição do que acontece. E, finalmente, pela decadência da humanidade simbolizada pelos protagonistas. Entendo que o filme foi feito da maneira que foi justamente para provocar estes sentimentos no espectador. Mas francamente? Não acho que você precise colocar alfinetes sob as unhas de alguém para fazê-lo sentir dor. Há outras formas, mais interessantes, para fazer alguém ficar angustiado. Não recomendo, pois, A Torinói Ló para ninguém. Há muitas e muitas outras produções mais bacanas para serem assistidas.

NOTA: 3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Logo que terminei de assistir a esse filme, fiquei pensando que nota dar para ele. Provavelmente, “no calor da hora”, teria dado uma nota ainda mais baixa que este 3. Mas resolvi dar a nota acima em homenagem ao cavalo – gostei muito dele – e pela ousadia dos diretores. Afinal, é preciso ter coragem para lançar um filme como este hoje em dia, no ano 2011. Também gostei dos atores principais, ainda que eles tenham me dado sono. Eu teria aceitado melhor o que eu vi se eu estivesse em um teatro – onde, provavelmente, eu daria um cochilo, aqui e ali. Além do mais, a nota se justifica pela “dificuldade” de algumas cenas, especialmente pela intensificação da tempestade. Foi bem feito.

Os principais responsáveis pelo filme, além dos diretores já citados, são os roteiristas. Ainda que eles não tiveram muito trabalho para escrever diálogos – poucos estão espalhados pela produção -, eles são os “culpados” pela dinâmica e essência da história. O diretor Béla Tarr assina o texto junto com László Krasznahorkai. A direção de fotografia em preto e branco, esta sim, trabalhosa e que merece 15 segundos de palmas, é assinada por Fred Kelemen. E a trilha sonora, muito pontual – restrita à abertura, essencialmente, leva a assinatura de Mihály Vig.

Eis um filme fácil de conduzir… afinal, ele tem, basicamente, dois atores. Um único cenário. Por isso mesmo, vale a pena citar a dupla de protagonistas: János Derzsi interpreta ao pai de Erika Bók.

Uma curiosidade: A Torinói Ló foi rodado totalmente na cidade de Budapeste, na Hungria.

O filme de Tarr e Hranitzky estreou no Festival de Berlin em fevereiro deste ano. Depois, ele participou de outros 13 festivais e mostras. Nesta trajetória, ganhou quatro prêmios: o Urso de Prata como melhor filme segundo os jurados do Festival de Berlin e o Prêmio FIPRESCI no mesmo evento; e dois prêmios Golden Camera 300 para o diretor de fotografia Fred Kelemen no Festival Internacional de Cinema Brothers Manaki, promovido na cidade de Bitola, na Macedônia.

E outra curiosidade sobre o filme: A Torinói Ló é uma co-produção da Hungria, da França, da Alemanha, da Suíça e dos Estados Unidos.

Para a minha surpresa, A Torinói Ló registra uma ótima nota no site IMDb: 8,3. Muito, muito acima do que eu acho que o filme mereça – por mais “artístico” que ele seja, no fim das contas, ele é apenas chato e longo demais. Apesar de todas as suas intenções… mas ele funcionaria muito melhor no teatro. Mas não são apenas os usuários do site IMDb que acharam esse filme mais interessante do que eu achei. Não há muitas críticas linkadas no site Rotten Tomatoes. Mas dos textos que podem ser acessados lá, seis são positivos e dois, negativos. O que garante para a produção uma aprovação de 75% – e uma nota média de 7,6.

CONCLUSÃO: Representante da Hungria no próximo Oscar, A Torinói Ló deveria render uma estatueta dourada para cada pessoa que consegue assistí-lo até o final. Porque é dura, bastante complicada esta tarefa. A premissa do filme é interessante: mostrar a decadência da Humanidade através da exploração criativa de um fato ocorrido com Nietzsche. Mas francamente, não era preciso tanta angústia, tanta tortura para o espectador. Planos infindáveis, um estilo de cinema de extremo realismo, ao ponto de sobrarem silêncios e expectativas. Palmas para quem conseguir assistir este filme até o final e, principalmente, para aqueles que gostarem do que acabaram de ver. Da minha parte, achei esta produção excessivamente pretensiosa, cansativa. Talvez rendesse um curta. Mas jamais um longa.

PALPITES PARA O OSCAR: A Torinói Ló representa a Hungria na disputa por uma vaga no Oscar. Francamente? O filme pode agradar aos críticos e a uma parte dos espectadores. Mas não acho que ele tenha qualquer vocação para chegar entre os finalistas do Oscar. E muito menos levar a estatueta para casa. Acredito que ele ficará de fora da lista dos cinco e, consequentemente, não terá chances de ganhar o prêmio. Se isso acontecer, será uma boa revolução na premiação que, pela primeira vez em muito tempo, premiaria um filme artístico, conceitual e nada popular.

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Les Amours Imaginaires – Heartbeats – Amores Imaginários

Ah, a doce ilusão do amor… Doce, sensual, cheia de artifícios, provocante, ilusória, dolorida. Les Amours Imaginaires trata destes elementos e deixa circular, em sua medula, alguns destes contos que certas vezes inventamos para nós mesmos. Com um texto muito bem escrito, uma trilha sonora deliciosa, atores ótimos e muito estilo, este filme do diretor e roteirista Xavier Dolan revela-se um deleite. Inventivo, com um ritmo que equilibra diálogos acelerados com muitas e muitas cenas em câmera lenta, Les Amours Imaginaires chega a roçar a perfeição. Mas não atinge o lugar mais alto entre os filmes porque não vai além da reflexão irônica e cai na facilidade de algumas repetições.

A HISTÓRIA: O filme começa com uma frase de Alfred De Musset: “A única verdade é o amor para além da razão”. Em seguida, começam os “depoimentos” de pessoas que se iludiram com o amor e se entregaram completamente à história mal fadadas. Sotaques diferentes, maneiras distintas de encarar o engano, trejeitos curiosos e narrativas que fazem rir ou pensar começam a surgir na tela. Até que o estilo “documentário” abre passo para a crônica de um equívoco. Conhecemos Nicolas (Niels Schneider), um sujeito do interior que se mudou há pouco para a cidade e que, em um encontro entre amigos, se destaca pela vivacidade e beleza. Imediatamente ele desperta o interesse dos amigos Marie (Monia Chokri) e Francis (Xavier Dolan). Aí começa um jogo de flertes, de atração que vai enredando os amigos cada vez mais, fazendo-os competir até o momento em que eles enfrentam a realidade do que está acontecendo e buscam uma solução e um caminho a seguir.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Les Amours Imaginaires): Quando uma pessoa está aberta ao amor e ao romance, é fácil equivocar-se. Os sinais mais idiotas parecem significativos. Frases de duplo sentido podem ganhar justamente o significado que a imaginação (e a libido) deseja. E o mais irônico de tudo isso é que a pessoa equivocada pode viver intensamente um amor de mão única – já que o outro nem ao menos percebe o que está acontecendo.

Les Amours Imaginaires é um filme bem escrito e com muito estilo que conta algumas destas crônicas do engano. Pontuando “depoimentos” que lembram as conversas com a câmera de um documentário com a narrativa de um trio amoroso fantasioso, este filme do diretor, roteirista e ator Xavier Dolan é um deleite para os olhos. Primeiro, pelos atores, belos e carismáticos. Depois, pela escolha que Nolan faz de cada cena. Esforçados na conquista, os atores principais – especialmente os personagens de Marie e Francis – sabem escolher as suas “armas”. Se vestem e se portam muito bem. E os ângulos escolhidos pelo diretor, assim como o ritmo lento que ele imprime volta e meia para ressaltar a beleza das pessoas e dos lugares, torna as cenas ainda mais prazerosas de serem assistidas.

O mérito das belas imagens também deve ser compartilhado com a diretora de fotografia Stéphanie Anne Weber Biron, que faz um belíssimo trabalho. Cineasta autoral, Dolan responde por quase todos os outros aspectos do filme – além dos já citados, ele assina também a edição, o figurino, a direção de arte e a produção de Les Amours Imaginaires. O que apenas aumenta a sua pontuação, já que a edição e a fotografia, assim como a direção e o roteiro, são os pontos fortes do filme. Junto com a fotografia e a trilha sonora. Falando nas músicas, três dominam a produção: a fantástica (e que me fez dar pequena risadas cada vez que tocava nesta produção) Bang Bang, de Dalida; Keep the Streets Empty for Me, de Fever Ray; e Pass this On, de The Knife. Todas inseridas em momentos especiais, fazendo com que elas ganhem uma relevância interessante na produção.

Mas falemos da história… (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Não sei vocês, mas logo nos primeiros minutos eu percebi o engano de Marie e Francis. Era evidente que Nicolas era apenas um bom garoto, simpático e comprometido na missão de fazer novos amigos. Nada mais. Mas para Marie e Francis qualquer gesto, convite, sorriso de Nicolas parecia um indicativo de algo poderia rolar a qualquer momento. Mas não… pura ilusão. Quem dera que nós, quando vivemos a mesma situação que eles, em algum momento da vida – e sorte de quem nunca passou por isso -, tivéssemos a mesma visão clara das coisas. Mas daí não nos enganaríamos nunca com o amor. E acho que até esse erro é válido – não para que nunca mais tropecemos outra vez, mas para percebermos que não somos tão “inacessíveis” ao equívoco como, algumas vezes, tentamos acreditar. A ilusão amorosa que, mais cedo ou mais tarde, passa fatura e faz com que nos sintamos mal, no fundo de um poço imaginário (também), também serve para entendermos as nossas limitações. E superá-las.

Uma questão importante, e que Les Amours Imaginaires deixa muito claro, é que a pessoa tem que estar muito, mas muito propensa a encontrar um amor para que o seu equívoco seja igualmente imenso. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Marie e Francis, mesmo sem admitir – e eles jamais admitiriam, porque querem parecer sempre muito “senhores” de si mesmos – estão desesperados para viver um grande amor. E eles caem no lugar-comum que as novelas, filmes, romances das mais variadas fontes querem fazer os seus consumidores (nós) acreditar: que só existe um grande amor. E que ele será único, imenso, totalmente diferenciado dos demais. Que ele nos fará perder o chão, as estribeiras, a razão. Ok, amores assim existem. Mas eles acontecem, surgem e se consolidam sem esperarmos. O problema nasce quando esperamos e desejamos tanto que isso aconteça que, no fim das contas, inventamos um amor assim com sinais falsos. É isso o que acontece com Marie e Francis.

Ao mesmo tempo, e isso é o supra ironismo do filme, o casal de amigos vive os seus romances ordinários – que poderiam ser também grandes amores, se eles estivessem dispostos a dar valor para o comum. Mas não, eles querem o cara mais bonito do grupo. Aquele que, quando sorri, ilumina a sala, a rua, a cidade. Eles querem o “Adonis” da turma. E para que? Ele seria uma espécie de troféu? (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Aliás, no início não fica tão evidente a disputa pessoal entre Marie e Francis. Mas pouco a pouco essa queda de braço deles vai se tornando mais evidente, ao ponto do “grand finale” tornar as ações dos amigos previsíveis e ridículas. Se ele não fosse gay – mas daí eles também não disputariam uma conquista -, eu diria que eles deveriam resolver essa questão na cama. 🙂

Há uma cena específica do filme que me chamou a atenção: quando Marie não esconde o desprezo do parceiro de cama quando ele pergunta se ela pensa em atores do cinema enquanto transa com alguém. Mesmo dizendo que quando está com ela ele não faz isso, ele admite que pensa em atrizes quando está com outras pessoas.

Achei o diálogo e esta cena especialmente irônicos – como vários outros pontos da produção – porque eles revelam o contrasenso da protagonista. Enquanto ela demonstra desprezo pelo sujeito que lhe dá prazer, apenas sexual, ela está fazendo o mesmo que ele, pensando em outra pessoa enquanto eles estão envolvidos. No caso dela, no lugar de um ator, está Nicolas.

Essa cena é bastante ilustrativa por duas razões: mostra o contrasenso e a hipocrisia das pessoas que se consideram muito racionais e acima de qualquer suspeita, como é o caso de Marie e Francis, ao mesmo tempo em que registra uma das piores experiências de quem está obcecado por uma história de amor imaginária. Estar com alguém, pele com pele, e pensar no amor impossível/imaginário é o ocaso do amor. Um alarme deveria tocar toda vez que isso acontece. 🙂 E sobre o contrasenso do “super-racional”, vejo como a única solução a humildade e a autocrítica para perceber-se em uma cilada.

Pessoas inteligentes, pragmáticas, consideradas “cool” e sensíveis não estão alheias aos erros do amor. Da mesma forma como não estão vacinadas para “bicho de pé”. 🙂 Acreditar que sim é excesso de confiança. O mais engraçado, e Les Amours Imaginaires sugere isso, é que mesmo os mais racionais, exemplificados por Marie, não evitam o erro – e a repetição dele. Eles podem até perceber o rolo em que estão se metendo antes, mas não parecem ser capazes de sair da espiral ilusória.

Como tudo, inclusive no amor – real ou imaginário -, o que marca a diferença é a postura. A escolha. Cair no engano talvez seja inevitável. Mas perdurar nele é sim uma questão de escolha. Da mesma forma com que abrimos as portas e as janelas para um relacionamento, podemos escolher como e para quem deixar estas oportunidades abertas. Algumas vezes, por pressa ou excesso de determinação, “metemos a pata”, entendemos os sinais errados e, após a identificação do problema, seguimos dando murro em ponta de faca.

Saber onde buscar e, principalmente, entender que não é em outra pessoa que vamos encontrar o que nos falta, faz toda a diferença. Há pressões sociais, da idade, dos hormônios, das expectativas surgidas de várias partes para que nos lancemos. Mas algumas vezes o que pode marcar a diferença é fazer ouvidos “surdos” para todo esse vozerio e escutar um som muitas vezes abafado, interior. Ter paciência, distanciar-se e escutar o que nos importa. Preencher os vazios com o que importa e que não precisa de nenhuma “alma gêmea”, como nos vendem todos os manuais da “felicidade”. O amor é fundamental. Mas o real, que pode ser vivido de diferentes maneiras e com distintas pessoas. O imaginário serve apenas para experiências pessoais ruins e para fazer-se bom cinema.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Xavier Dolan é um fenômeno. Aos 22 anos, o filho do ator Manuel Tadros contabiliza sete filmes, três curtas e três séries de TV no currículo como intérprete. Em 2009, ele estreou na direção e como roteirista com o elogiado J’ai Tué Ma Mère. A segunda tacada dele autoral é este divertido Les Amours Imaginaires. Para o próximo ano, está previsto o seu terceiro trabalho como roteirista e diretor, Laurence Anyways. Dolan é um nome a ser acompanhado, pois.

Alguns dos “depoimentos” que aparecem no filme se mostram mais interessantes que outros. Gostei, em especial, do texto e do desempenho da primeira atriz que aparece em cena, magra e com óculos, Anne-Élisabeth Bossé. Ela é maravilhosamente descontrolada e obcecada por seu “amado”, Jean-Marc. Irônica, um tanto surtada, ela demonstra como uma pessoa “séria e inteligente” pode ficar descontrolada por causa de um amor – ou seria apenas obsessão? Gostei também do segundo garoto, interpretado por Olivier Morin, que introduz o tema da Escala Kinsey sobre a sexualidade. Nunca é demais citar o pesquisador polêmico.

Um dos trechos dos “depoimentos” me pareceu especialmente interessante. Aquele dito pela personagem de Magalie Lépine Blondeau. Ela narra o fim de seu relacionamento e fala, lá pelas tantas: “… Estava acabado. Claro que, no começo, não queríamos admitir porque nos sentíamos mal, entende? A mudança, o transporte, todas essas coisas. Isso é jogar muita grana fora. Ao mesmo tempo, ‘meu homem está ganhando bem, agora ele pode ir se danar’. É como se nós estivéssemos… e quando digo ‘nós’, falo por mim. Eu… para mim, eu era apaixonada pelo tipo de amor que tivemos. (…) Isso não existe. O que se ama é o conceito. Você ama mais o conceito do que a ele. É a distância que você ama, mas, quando não há mais distância, quando não há mais oceano para atravessar, e o que há para atravessar é um corredor, enfim… está acabado agora”. E eis um dos pontos fundamentais… muitas vezes, não amamos ou estamos obcecados por uma determinada pessoa, mas pelo conceito de uma certa história de amor. Que, muitas vezes, para completar, é apenas imaginada.

Todos os atores que aparecem nesta produção fazem um grande trabalho, mas babei, em especial, no trio de protagonistas. Além de ótimo e inspirado diretor/roteirista, Dolan faz um grande trabalho como ator. Mas o destaque, sem dúvida, vai para Monia Chokri. Ela dá um show!

Les Amours Imaginaires custou, aproximadamente, 600 mil dólares canadenses (cerca de R$ 1,04 milhão). O filme não conseguiu emplacar nas bilheterias de seu país de origem, o que sempre é ruim. Segundo o site IMDb, a produção acumulou pouco mais de 411 mil dólares canadenses nos cinemas. Nos Estados Unidos, onde Dolan é conhecido quase que apenas nos circuitos alternativos, o filme teve um desempenho pífio: acumulou pouco menos de US$ 63 mil. Nada, comparado com qualquer filme mediano made in USA. Mas o fato dele ter ficado restrito a, no máximo, seis cinemas, ajuda a explicar esse resultado. Uma pena o filme ter sido ignorado desta maneira.

A estreia de Les Amours Imaginaires ocorreu no Festival de Cannes em maio de 2010. Depois de participar do evento, ele percorreu ainda 30 festivais e mostras pelo mundo. Um número impressionante e que torna a produção de Nolan uma espécime legítima de “filme de festival”.

Nesta trajetória, Les Amours Imaginaires ganhou três prêmios e foi indicado a outros oito. Entre os que levou para casa, estão os prêmios Regards Jeunes do Festival de Cannes; o de melhor fotografia no Festival Internacional de Cinema de Hamptons; e um prêmio especial no festival canadense Jutra por ter sido o filme do país melhor sucedido fora de Quebec.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,9 para a produção. Achei uma nota muito baixa, mesmo para os padrões exigentes de quem está inscrito e vota no site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram um pouco mais generosos: dedicaram 48 críticas positivas e 18 negativas para Les Amours Imaginaires – o que lhe garantiu uma aprovação de 73% (e uma nota média de 6,9).

Um dos críticos linkados no Rotten Tomatoes que escreveu um texto negativo para o filme de Dolan foi Steven Rea, do Philadelphia Inquirer. Na parte conclusiva de sua crítica, Rea disse que, “infelizmente, apesar de que Heartbeats seja muito bonito de se ver, ele não mostra muita coisa acontecendo, afinal”. Tenho que concordar com ele. Esse certo “vazio” narrativo – ou uma certa previsibilidade da história, apesar do visual surpreendente e interessante – me impede de dar a nota máxima para a produção. Apesar de muito bem acabado e interessante, este filme carece de um pouco de conteúdo, apesar das aparências. Rea segue escrevendo que, para preencher as relações melancólicas do trio de protagonistas, o diretor utiliza depoimentos ao estilo de documentário. Mesmo criticando Les Amours Imaginaires, Rea afirma que Dolan é um talento que merece ser assistido – e que promete melhorar conforme for amadurecendo.

O crítico Wesley Morris, do Boston Globe, foi um pouco mais generoso em seu texto. Ele comenta que o filme de Dolan “transforma” uma premissa “slim – dois rapazes, uma garota e uma cidade – em um desfile de passeios slow-motion e olhares saudosos”. No momento mais decisivo de seu texto, Morris afirma que o “ardor” de Les Amours Imaginaires “não está na perseguição de Marie ou Francis por Nicholas (ou na perseguição de Nicholas por eles) mas no frescor desta perseguição feita pela filmagem de Dolan. Estas situações conhecidas parecem novas para ele. Enfim, o trágico e incrível sobre a atração é como ela faz uma lavagem cerebral para que seja possível acreditar que ela é tudo que existe”. Tenho que concordar com ele. Les Amours Imaginaires é um filme que funciona porque o olhar de Dolan lança vivacidade e inovação em uma história conhecida. Eis seu mérito principal.

CONCLUSÃO: Esse filme deverá despertar o amor e a ira/impaciência de gregos e troianos. Os primeiros, que já se equivocaram verdadeiramente e com apetite no amor alguma vez na vida, darão risadas, vão entender cada uma das piadas e ironias finas de Les Amours Imaginaires. Os segundos, muito racionais, acharão as histórias retratadas pelo filme coisa de “gente tonta”, não encontrarão sentido no filme, porque tem a “certeza” que jamais se iludiriam com sinais inexistentes de interesse por parte de outra pessoa. Paciência. Como eu estou com os gregos e já me equivoquei no amor, fantasiando sinais que não existiam – e dando importância demais para palavras ditas sem pensar -, assisti a este filme me deliciando. Independente se você é grego ou troiano, recomendo que assista a esse filme sem grandes pretensões, sabendo que ele é uma crônica das histórias de muitas pessoas – e lembre que nem sempre o cinema precisa representar a sua história; então faça um esforço para conhecer a de outras pessoas (isso sempre faz bem e amplia horizontes). Bem dirigido, com uma escolha cuidadosa de ângulos de câmera e ritmo para a história, Les Amours Imaginaires consegue um belo equilíbrio entre um ótimo texto e imagens preciosas, com muito estilo. Ele só não é perfeito porque acaba excedendo nas sequências de câmera lenta e não ultrapassa a fronteira de uma crônica divertida dos enganos amorosos – faltou aquela cereja do bolo. Mas nada que tire a graça do filme, que vale a pena ser visto.

The Eye – O Olho do Mal

Hollywood parece não ter se cansado de “inspirar-se” (para alguns, simplesmente copiar) a criatividade sombria dos filmes de terror japoneses. Desde que The Ring marcou época em 2002, tirando do quase anonimato o diretor Gore Verbinski, em uma refilmagem do japonês Ringu, a lista de histórias de terror adaptadas nos Estados Unidos não parou de crescer. Até Walter Salles chegou a Hollywood em um projeto assim: Dark Water, de 2005, com Jennifer Connelly, uma refilmagem do filme Honogurai Mizu no Soko Kara de Hideo Nakata (o mesmo diretor de Ringu). Pois The Eye é mais um exemplo do quanto Hollywood anda necesitando da criatividade nipônica. O filme estrelado por Jessica Alba é uma versão repaginada do original, Jian Gui, de 2002, dirigido por Oxide Pang Chun e Danny Pang em um produção de Hong Kong e Singapura. Achei a refilmagem fraca, um bocado de “mais do mesmo”. Talvez se eu não tivesse assistido mais nenhum filme do gênero… mas tendo visto vários outros, inclusive os citados anteriormente, me pareceu um esforço despropositado para ganhar uns trocados garantidos – afinal, os fãs do gênero assistem de tudo, não importa se é algo ruim ou não.

A HISTÓRIA: Sydney Wells (Jessica Alba) é uma música virtuosista que ficou cega quando tinha 5 anos de idade. Ela se acostumou a viver sem a visão, aguçando os demais sentidos. Vive sozinha e tem uma vida independente, até que recebe um transplante de córneas por iniciativa da irmã, Helen Wells (Parker Posey). Durante a sua recuperação da cirurgia, Sydney começa a ver imagens estranhas e irreais. Segundo o médico Paul Faulkner (Alessandro Nivola) ela está passando por uma fase de resistência psicológica, mas até o científico passa a duvidar deste diagnóstico quando Sydney se envolve em estranhos acontecimentos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que não siga lendo quem ainda não assistiu a The Eye): Ok, o filme tem alguma ironia dispersa aqui e ali, o que me fez até dar uma relaxada. Por exemplo, na hora em que o médico pergunta a sua paciente de forma irônica se ela está vendo “pessoas mortas”, em uma clara referência a frase que virou o cartão-de-visitas de The Sixth Sense. Mas fora essa “piadinha”, o filme é um amontoado de situações-comum e frases mais que esperadas em filmes do gênero.

Jessica Alba está bem, ainda que me irrite um pouco a sua preocupação em estar sempre “piscando” para demonstrar um naturalismo maior da personagem que “acabou de fazer um transplante de córneas”. Os demais atores também estão ok, em nenhum papel que realmente vá mais do que o estágio médio de profundidade. Ok, ninguém espera personagens mais trabalhados em filmes assim – exceto por Dark Water e alguns outros, talvez. O que se espera são sustos dos bons e efeitos idem.

Bem, os sustos também são poucos… pelo menos se você já assistiu mais de 10 filmes do gênero, não é pego de maneira tão fácil por figuras distorcidas que se jogam na frente da câmera. Também algo que me irrita um pouco em filmes do gênero: porque diabos os tais fantasmas não verbalizam o que eles querem? Ficam nesse jogo mudo de sustos até que o “perseguido” perceba o que eles querem. Ai, não tenho tanta paciência não com os fantasmas. 🙂

Talvez alguém ache o filme interessante como passatempo, mas eu não achei nem isso. Fraco, realmente. Fiquei curiosa para ver o original, que talvez seja mais ousado na direção, pelo menos. Aliás, a dupla David Moreau e Xavier Palud fizeram, na minha opinião, um filme bem modesto… poderiam ter se arriscado mais na direção.

No mais, sei que os fãs do terror vão me jogar pedras, mas é inevitável perguntar: (SPOILER – não leia se não viu o filme ainda) se todo o propósito de Ana Christina Martinez (Fernanda Romero) era mesmo que Sydney impedisse a morte de várias pessoas, o que teria acontecido se ela conseguisse as informações da sua doadora só um dia depois? Ou várias horas depois? Ok, ok, eu sei que os roteiros de filmes assim não devem ter lógica, necessariamente, mas sei lá… custa ter um pouco mais de sentido? Enfim… quero deixar claro que não foi nem a falta de lógica que me incomodou, mas que os sustos foram poucos e fracos. E o final… mais artificial impossível.

NOTA: 4,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Algo que o filme me incomodou um pouco: essa mensagem de que algum órgão transplantado pode carregar uma certa “memória celular” da pessoa anterior… Fiquei pensando até que ponto isso não pode afetar doações. Procurei informações a respeito (recomendo este texto e este outro para começar) e parece realmente que existiram casos de pessoas que relataram fatos que só poderiam ter vindo como “herança” da pessoa de quem elas receberam determinado órgão – normalmente coração ou pulmão. Mas existe muita divergência entre os cientistas sobre isso. E, claro está, não ocorreria algo assim como se vê no filme, com um transplante de córneas e uma série de “visões” que a pessoa passaria a ter. De qualquer forma, é um tema interessante – ainda que perigoso porque é cercado por mais dúvidas que certezas.

O filme foi bem nas bilheterias… até o dia 6 de abril ele tinha arrecadado pouco mais de US$ 31,3 milhões apenas nos Estados Unidos. Nada mal. E a cifra também comprova que Hollywood pode continuar fazendo refilmagens do tipo que sempre terá uma boa bilheteria para os filmes – especialmente se tiver alguém como Jessica Alba na frente do elenco.

Falando da atriz, além dela e das pessoas já citadas, faz parte do grupo de atores em cena Rade Serbedzija como o maestro Simon McCullough; a veterana Rachel Ticotin como Rosa Martinez, mãe de Ana Christina; e Obba Babatundé como o médico Dr. Haskins.

O filme conseguiu a nota 5,3 dos usuários do site IMDb. Os críticos que tem textos publicados no Rotten Tomatoes dedicaram 59 textos negativos e 16 positivos para o filme.

Curioso que o filme acumulou dois prêmios até agora: melhor cartaz de filme de terror no Golden Trailer Awards; e melhor atriz de filmes de terror para Jessica Alba no Teen Choice Awards.

Para não dizer que Jessica Alba não se esforçou para o papel, conta a lenda que ela se preparou com aulas de violino por seis meses, além de ter recebido aulas básicas de braile – só não vi muito o que isso fez diferença no filme, mas tudo bem. 🙂

O filme foi rodado em Los Angeles – sequencia inicial; em Vancouver, no Canadá; e em duas cidades do Novo México: Albuquerque e Isleta Pueblo.

CONCLUSÃO: Mais uma refilmagem de um filme de terror nipônico, esta produção acaba por não mostrar nada de novo – nem na direção e nem nos sustos. Acaba se mostrando fraco para os fãs do gênero que já estão acostumados com outras histórias similares. Ainda assim, não deixa de ser curioso o “mote” do filme, ou seja, a ainda não esclarecida questão da “memória celular” que passaria de doador para receptor de transplantes. Para quem gosta do gênero, talvez seja um passatempo. Para os que não são muito fãs, será um filme um tanto chatinho.

SUGESTÃO DE LEITORES: Mais um filme comentado anteriormente por um dos bons leitores deste blog. The Eye foi comentado por Elizeu há vários meses… aqui está o comentário, meu bom Elizeu. Finalmente assisti ao filme. Jessica Alba está bem, realmente, mas achei que ela não fez nada assim… “excepcional”. Talvez para uma tarde chuvosa e sem nada melhor para ver, ele valha a pena. hehehehehehehe. Mas quero ver você aqui comentando sobre o filme também. Fiquei curiosa mesmo é para ver o original. Um abraço para ti e para os demais leitores que sugerem filmes por aqui – prometo continuar assistindo o que vocês indicam dentro do possível. 🙂

Before the Devil Knows You’re Dead – Antes Que o Diabo Saiba que Você está Morto

Tem pessoas que fazem escolhas realmente estúpidas. Ignoram hierarquias, laços familiares, responsabilidades e resolver optar por um golpe arriscado para se dar bem. O problema é quando o plano dá errado e cada passo seguinte piora a situação. O primeiro atrativo de Before the Devil Knows You’re Dead (site oficial em francês, não sei exatamente o porquê) para mim foi realmente o elenco. Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Marisa Tomei e Albert Finney nos papéis principais, além de outros atores impressionantes como coadjuvantes, atraem qualquer um(a). Depois fui notar o nome do diretor: Sidney Lumet, um mago do cinema que já foi capaz, em sua carreira, de fazer filmes excelentes tanto quanto filmes medíocres. Mas o que mais me impressionou, quando o filme terminou, foi realmente o roteiro, irônico, mordaz e potente.

A HISTÓRIA: Andy Hanson (Philip Seymour Hoffman) tem um raro dia de plenitude com a mulher, Gina (Marisa Tomei) na introdução do filme. São os 30 minutos de “Paraíso” antes que o nome desta produção apareça e nos apresente a sequencia de desastres nas vidas da família Hanson. Ambicioso e farto da vida que está levando – com altos custos e um tanto de desonestidade – Andy propõe ao seu irmão menor, Hank (Ethan Hawke), que eles assaltem uma joalheria. Segundo ele, o resultado do roubo vai garantir aos dois o fim de seus problemas com dinheiro. O problema é que o assalto dá errado e tudo passa a piorar com o passar dos dias.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que a maior parte do texto à seguir conta trechos fundamentais do filme, estragando todas as surpresas do roteiro, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Before the Devil Knows You’re Dead): Existem várias histórias fragmentadas no cinema. Ou seja: a técnica não é novidade. Ainda assim, Before the Devil surpreende pela inteligência dos cortes temporais. Eles não cansam – como talvez ocorra em Vantage Point. Cada corte atua para estimular a curiosidade, surpreender e fazer com que a história entre de maneira mais contundente na vida de cada um dos personagens principais.

Realmente o roteiro, para mim, é o grande astro do filme. Detalhe: ele marca a estréia de Kelly Masterson nos cinemas. Durante sete anos Masterson tentou que seu roteiro virasse filme, sem sucesso, até que Sidney Lumet aceitou o desafio. Acertando na mosca. Aliás, Lumet volta a fazer um grande filme, depois de dirigir histórias dispensáveis como Gloria e Night Falls in Manhattan. Outro acerto do filme foi a escolha dos atores, cada um competetíssimo em seus papéis.

Mas voltemos a falar da história (SPOILER – não recomendo que você continue a ler se ainda não assistiu ao filme). O filme não faz rodeios para mostrar o momento crucial do filme: o assalto à relojoaria mal-sucedido. Ainda assim, cada minuto que passa vai nos revelando o tamanho do desastre. Andy, ambicioso, consumista e mal resolvido com sua família tem a infeliz idéia de assaltar a joalheria de seus pais. Manipulador, ele consegue enredar o irmão mais novo no assalto, deixando para ele o pior do plano: a ação propriamente dita. Hank, o “preferido” do patriarca da família, Charles (o estupendo Albert Finney), acaba não tendo coragem de executar o plano e chama a Bobby (Brian F. O’Byrne) para entrar na loja e assaltá-la.

O que ninguém esperava (SPOILER – não recomendo que você continue lendo se não viu o filme) é que Nanette (Rosemary Harris, também ótima), mãe de Andy, Hank e Katherine (Arija Bareikis) estaria naquela manhã de sábado substituindo a vendedora da relojoaria. O atrapalhado Bobby acaba levando um tiro durante o assalto e revida. E a partir daí, com a morte de Bobby e Nanette, surge em cena chantagens, culpas e mais violência. Uma história de desespero por dinheiro e de situações familiares nunca resolvidas que poderia acontecer em qualquer lugar. Ainda assim, da maneira com que ela é contada e, principalmente, devido as interpretações afinadíssimas dos atores, Before the Devil é tudo, menos um filme banal.

Achei especialmente potentes as interpretações dos três atores principais, pai e filhos. Além delas, destaco Michael Shannon como Dex, o irmão da viúva Chris Lasorda (Aleksa Palladino) e Rosemary Harris como Nanette. Também estão no filme, mas em papéis menores, Sarah Livingston (como Danielle, filha de Hank) e Blaine Horton (como Justin, traficante frequentado por Andy).

Tecnicamente o filme está bem acabado, tanto na direção de fotografia de Ron Fortunato quanto na trilha sonora de Carter Burwell. Falando em trilha sonora, é especialmente irônico o momento em que Hank e Bobby estão no carro esperando o momento em que o segundo deve entrar na relojoaria. A “preparação do personagem” de Bobby é uma das poucas tiradas cômicas do filme – junto com aquelas do traficante frequentado por Andy. No geral, Before the Devil se mostra denso. Realmente de mexer com o brio de qualquer um a busca pela verdade de Charles Hanson.

Também fiquei impressionada em como as pessoas podem fazer escolhas erradas e serem estúpidas. Como Hank, o “bandido/mocinho” do filme, teoricamente fantoche do irmão, que resolve envolverse justamente com a “carente” mulher dele. Tem pessoas que realmente parece que não tem a noção do perigo.

NOTA: 9,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Até o momento Before the Devil ganhou sete prêmios e foi indicado a outros 12. Entre os que abocanhou estão os de “melhor elenco” conferidos pela Sociedade de Críticos de Cinema de Boston, pelo Prêmio Gotham (especializado no cinema independente) e pelo Satellite Awards. Realmente, o elenco é de matar. Curioso também que ele ganhou o prêmio de “melhor pôster independente” no Golden Trailer Awards. Ok que o pôster é bacana, mas não achei tuuuuuuuuuuudo aquilo. (Aliás, o cartaz que estou divulgando aqui não é o oficial mesmo… este do blog é a versão alemã, mas o original você, caro leitor, pode conferir em duas versões no link para fotos dos filmes que tenho no lado direito e que lhe levará ao meu albúm do Flickr).

Os usuários do site IMDb conferiram a nota 7,5 para o filme. Por sua parte, o Rotten Tomatoes publica 130 críticas positivas e 17 negativas para Before the Devil.

O filme realmente tem toda a “pinta” para virar cult. Quer dizer, menos para as pessoas que não tem muito senso de humor ou ironia, afinal, se trata de uma história densa sobre uma família nada próxima e com um bocado de violência no meio.

De bilheteria ele foi mal – comparando com outros filmes menos interessantes de Hollywood: conseguiu pouco mais de US$ 7 milhões até o dia 9 de março nos Estados Unidos. Detalhe: ele teria custado algo em torno de US$ 18 milhões. Ou seja: aos olhos dos executivos de cinema ele foi mal, um verdadeiro fracasso. O que eu acho curioso (e uma pena), porque ele tem um elenco realmente potente e, como atrativo, alguns prêmios no currículo.

Achei interessante esta entrevista (está em inglês) com o roteirista. Foi aí que descobri que ele estudou Teologia (será por isso a sua “brincadeira” com o Paraíso e o Diabo?) e que trabalhou como produtor e escritor de peças teatrais antes de escrever seu primeiro roteiro para os cinemas. Curioso que ele comenta que o livro Reservation Road, que inspirou o filme de mesmo nome, lhe inspirou para escrever Before the Devil. Acho que especialmente sobre as questões de crise moral que os dois filmes trazem, além da gradativa profundidade que eles vão dando para as personalidades dos envolvidos nas respectivas situações trágicas. Curioso também que ele considera o seu filme mais existencial do que niilista – concordo com ele.

E uma piadinha sem graça: e pensar que tudo aconteceu por causa do Rio de Janeiro, não é mesmo? Afinal, Andy acreditava que viajar novamente para o Rio seria a solução para os seus problemas – especialmente com a mulher. Doce ilusão. Falando nisso, gostei também da “piada” com referência ao filme Blame It on Rio (Feitiço do Rio), uma produção de 1984 estrelada por Michael Caine e Joseph Bologna – e que conta com uma participação de Demi Moore.

CONCLUSÃO: Um filme ácido sobre as escolhas estúpidas que as pessoas podem fazer nas suas vidas e todas as consequências que podem resultar de passos equivocados. Denso, Before the Devil consegue gradativamente ir surpreendendo na mesma medida em que se mostra um quadro mais profundo das fraquezas que cercam cada pessoa de uma família. Tem um pouco de violência, humor ácido e não apresenta nenhuma mensagem de “redenção”. É interessante especialmente pelos atores – todos ótimos -, pela direção e pelo roteiro.

SUGESTÃO DE LEITORES: Este filme foi indicado pelo cinéfilo participante deste blog Osmar – que antes já tinha indicado o ótimo Into the Wild. Demorei muito para assistí-lo, verdade? 🙂 Mas eu sei que você me perdoa! Agora vou ver se continuo seguindo a lista de demais indicações e também sigo meu próprio instinto na busca de filmes interessantes para comentar por aqui. Obrigada, Osmar, e apareça!!!

Sleuth – Um Jogo de Vida ou Morte

Tem filmes que estão na minha “pequena-gigantesca” lista para serem vistos há muitos e muitos meses. Sleuth (que no Brasil recebeu o nome de Um Jogo de Vida ou Morte) é um destes. Atrativo número 1: a dupla de atores inglesas que faz um legítimo e intenso duelo de personalidades e dúbias intenções do primeiro ao último minuto do filme. Atrativo número 2: direção de Kenneth Branagh, que para mim sempre foi – e continua sendo – um dos melhores atores/diretores de sua geração. Além disso, o filme tinha sido indicado por aqui também – logo comento mais sobre isso no final deste texto. Mas acabei vendo outros na frente, até hoje. Agora, finalmente, posso comentar em detalhes sobre esta refilmagem com pontos muito positivos e alguma “estranheza”. Ah, e antes de mais nada, um aviso aos navegantes: o filme é bom, realmente, mas está centrado apenas nos dois atores principais… por isto acho que ele não deve ser visto por pessoas que “necessitam” de muita ação ou de várias histórias para não dormir durante o tempo de projeção, já que ele realmente tem um ritmo um tanto “lento”. 🙂

A HISTÓRIA: O escritor bestseller Andrew (Michael Caine) recebe a “visita” do ator Milo (Jude Law). Pouco a pouco, durante a conversa, vamos descobrindo que os dois homens aparentemente sem elos em comum, na verdade, são marido e amante, respectivamente, de uma mesma mulher. Na verdade, a razão da visita de Milo é conseguir o divórcio para a mulher que diz amar. Andrew resiste a dar o divórcio e convida o “inimigo” a entrar em um plano de roubo de jóias valiosíssimas que tem em casa. Segundo Andrew, com este plano Milo ganha dinheiro suficiente para sustentar os caprichos da mulher que ele conhece bem; enquanto ele próprio ganha uma fortuna da empresa de seguros que tem contratada. Quando Milo aceita a proposta, o jogo entre os dois está apenas começando.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta trechos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Sleuth): O cartaz do filme já sugere um “duelo” entre os protagonistas… mas a verdade é que o filme me surpreendeu um pouco pelo fato de que se trata apenas disto, de um duelo entre os dois. Com isto não quero dizer que o filme seja menos interessante, não. Até porque Michael Caine e Jude Law dão um show de interpretação – muito mais o primeiro que o segundo, na minha opinião, porque Jude Law acaba caindo em alguns trejeitos bem estereotipados lá pelas tantas.

Bem, mas o que eu quero mesmo fazer é um pequeno alerta, como o que está no início deste texto, para os espectadores que tem uma certa necessidade de assistir filmes com uma determinada velocidade e/ou diversidade de histórias e atuações. Como disse um pouco lá em cima, Sleuth é um filme de dois atores. E ponto. E como a história toda se passa na casa do escritor, ele também não é um filme com muito “movimento”. Na verdade, se trata de um longo jogo de xadrez entre os dois homens em cena. Isso significa qualidade de atuações, claro. E também um importante acerto em questões técnicas como a direção de fotografia (fantástica, na verdade) e a direção de arte.

Na verdade, o filme realmente lembra uma peça de teatro. Algo que, olhando para o histórico de Kenneth Branagh, se pode dizer que é sua especialidade – junto com Shakespeare. Mas, por mais paradóxico que isso possa parecer, notei também que Sleuth se distancia da linguagem teatral tão peculiar no trabalho de Banagh. Explico: ainda que toda a história se desenvolva com poucos atores (dois, neste caso) e num único cenário – ainda que dividido em mais de um “espaço cênico” -, ou seja, características comuns no teatro, o filme se torna interessante justamente por utilizar técnicas específicas do cinema. Entre elas, o “exagero” de closes, os cortes abruptos entre os distintos personagens e, para minha surpresa, uma certa “câmera ausente” (parada em um lugar, sem necessariamente acompanhar os atores) que outros diretores estão habituados a usar, mas que é algo novo para Branagh. Resumindo: o filme parece uma peça de teatro, por um lado, mas escancara as qualidades do cinema, por outro.

Feitos estes comentários, vamos ao que interessa: a história e como ela se desenrola. Desde o princípio você sabe que algo de errado está acontecendo. Ou melhor: que algo de MUITO errado vai acontecer. Os diálogos inicialmente sem sentido vão ganhando cada vez mais lógica e tudo leva a crer que não ocorrerá o melhor em cena. Até aí, tudo bem. Eu diria que até o fim do “primeiro ato” da história, do jogo entre os personagens, tudo vai bem. Mas a partir daí… (SPOILER – recomendo que você não continue lendo se não assistiu o filme ainda). Quando entra em cena o tal investigador falando de um jeito super estranho e sem que aparecesse o seu rosto direito (pelo menos no início dos diálogos), logo pensei: “É ele”. Na verdade a tal “surpresa” não foi tão surpreendente. Para mim, o filme perde pontos ao tentar sempre fabricar “reviravoltas” impactantes sem que elas, contudo, se tornem efetivas.

O melhor da história é realmente a constante troca de papéis entre os dois de quem manipula e quem acaba sendo manipulado. Ainda que, no fundo, sempre ficou claro quem era o “forte” da história. O duelo é interessante mas, para mim, longo e previsível demais. Os dois primeiros “atos” foram bastante fáceis de prever… o último, talvez, um pouco menos. Ainda assim, a história não causou o impacto que eu achei que causaria – talvez porque o filme tinha sido indicado por dois leitores deste blog antes e eu, para variar, fui esperando um pouco mais do que deveria esperar.

No fim das contas, o filme vale a pena. Tem ótima direção, troca de diálogos bem interessantes – ainda que algumas exageradamente nonsense -, uma direção de fotografia exemplar de Haris Zambarloukos, um trabalho igualmente poderoso de direção de arte de Celia Bobak, e uma trilha sonora cuidadosamente selecionada (e clássica) para dar o tom exato do “drama” feita por Patrick Doyle.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Sei que a nota que eu dei vai desagradar várias pessoas que gostaram muito do filme, mas realmente ele não conseguiu tirar de mim uma impressão melhor. O filme é bom, mas não é excelente. Não faço nenhuma questão de filmes que fujam do padrão dele, ou seja, que tenham mais atores ou mais cenários. Tanto que sou fanática por Rope (Festim Diabólico) e por Dial M for Murder (Disque M para Matar), duas obras-primas de Alfred Hitchcock – ambos ambientados em um único cenário. Mas o problema de Sleuth é que ele não me convence de todo com seus personagens. Primeiro que eu não acho que Milo seria tão “inocente” a ponto de cair nos “contos” seguidos de Andrew. E depois que eu acho que o filme perde um bocado de força ao buscar tantas reviravoltas na história. O problema do roteirista que tenta isso é quando ele não consegue surpreender – o que se passa com Sleuth.

Mas ok, o filme realmente vale pelas interpretações e por tudo o mais. Sem contar a direção realmente interessante de Branagh, que abusa de planos não muito usuais – seja nas “alturas”, como na sequencia inicial, ou depois em planos abaixo da cintura, durante vários momentos do filme – para contar a história. Bacana. Também gostei da sintonia entre o diretor e a edição de Neil Farrell para valorizar as interpretações de Caine e Law, abusando de closes que relembram os “grandes duelos” do gênero faroeste – guardando as devidas proporções, claro.

Como comentei no início, Sleuth é uma refilmagem. O filme original, homônimo, é de 1972 e foi dirigido por Joseph L. Mankiewicz. Aliás, foi o último filme do diretor. Naquela época, o roteiro foi assinado por Anthony Shaffer, o autor do livro que rendeu a adaptação cinematográfica. Para falar a verdade, fiquei curiosa para ver o filme original – para saber o quanto a história pode ser diferente deste segundo. O curioso é que no filme de 1972 Michael Caine interpretou Milo Tindle. O personagem de Andrew Wyke foi assumido pelo astro Laurence Olivier. Como comentei, não assisti ao filme, mas já notei que ele tem algo de diferente: entra em cena, com papéis importantes, uma dupla de detetives então interpretados por Alec Cawthorne e John Matthews. Realmente diferente da versão de 2007.

No site IMDb o filme não foi muito bem, ganhou apenas a nota 6,4 por parte dos usuários. Enquanto isso, o site Rotten Tomatoes oferece 40 críticas positivas e 72 negativas para o filme. E uma curiosidade: o Sleuth original, de 1972, tem uma nota melhor no IMDb… ostenta por ali um 8,2. Um motivo a mais para vê-lo um dia.

Achei curioso também que o filme foi indicado até o momento a apenas três prêmios. Destes, ganhou um: o de menção especial para o diretor Kenneth Branagh no Festival de Veneza do ano passado.

Nas bilheterias o filme foi mal… conseguiu nos Estados Unidos pouco mais de US$ 342,8 mil. Na Inglaterra, ficou quase no mesmo: passou um pouco das 315,7 mil libras esterlinas.

Fui atrás de mais informação sobre o autor Anthony Shaffer e descobri, por exemplo, que ele era irmão gêmeo do conhecido autor teatral e escritor Peter Schaffer e que escreveu, além de Sleuth, os roteiros de Frenzy (Frenesi), de Alfred Hitchcock, e de The Wicker Man (O Homem de Palha, dirigida por Robin Hardy). Fiquei com vontade de assistir o segundo.

CONCLUSÃO: Um filme interessante pelo duelo de atuações, pela direção que explora algumas das melhores qualidades do cinema e por detalhes técnicos. Por outro lado, o roteiro deixa a desejar. Nem tanto pelos diálogos, mas pela ânsia de provocar reviravoltas difíceis de acreditar/surpreender.

SUGESTÃO DE LEITORES: Esse filme foi indicado há vários e vários meses atrás pelo Breno (cadê você? desistiu deste blog?) e, mais recentemente, pelo Rogerio. Espero que os dois venham aqui comentar o quanto concordam ou discordam de mim… acho que vão mais discordar que concordar, não? hehehehehehehe. Quero críticas dos dois e também dizer que estou sempre levando em conta as recomendações – ainda que ultimamente esteja demorando para escrever sobre os filmes… 🙂