Francisco, El Padre Jorge – Papa Francisco, Conquistando Corações


Um Papa amado por multidões e respeitado por pessoas de diferentes religiões. Francisco, El Padre Jorge conta um pouco da história do Papa Francisco, que é o líder máximo da Igreja Católica desde 2013. O filme tem uma boa narrativa, um roteiro que vai e volta no tempo algumas vezes e que procura aproximar a narradora da história e o espectador do Sumo Pontífice. O único problema da produção é que ela apresenta poucas novidades. Quem é católico e que buscou saber ao menos um pouco além do básico sobre o Papa Francisco, não será surpreendido.

A HISTÓRIA: Cenas de Buenos Aires. O dia está nascendo e ouvimos a uma música típica da Argentina. O ano é 2013, e a jornalista Ana (Silvia Abascal) chama a filha Eva (Naia Guz Sanchez) para a responsabilidade que elas tem na cidade. A menina quer ir para o zoológico, mas a mãe dela explica que antes da diversão vem o dever. Ana e Eva embarcam na excursão para turistas que apresenta a Buenos Aires do padre Jorge Mario Bergoglio, nomeado o 266º Papa da Igreja Católica em março daquele ano. Nesta história descobrimos um pouco sobre ele e também sobre a relação da jornalista Ana com o padre Jorge Bergoglio.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Francisco, El Padre Jorge): O Papa Francisco conseguiu encantar católicos e pessoas de diferentes religiões desde o início de seu pontificado. Mas também foi alvo de vários ataques e de algumas polêmicas. Esta produção dirigida pelo espanhol radicado na Argentina Beda Docampo Feijóo ajuda a explicar um pouco da trajetória do primeiro padre latino-americano a se tornar Papa e das razões que fazem ele ser combatido por algumas correntes da própria Igreja.

O roteiro escrito por Beda Docampo Feijóo com colaboração de César Gómez Copello e tendo o livro de Elisabeta Pique como fonte é bastante franco sobre a trajetória de Bergoglio na Argentina e algumas de suas principais bandeiras antes e depois de se tornar Papa. Com trajetória ligada à periferia e com defesa franca dos pobres, Bergoglio denunciava a corrupção e a hipocrisia em Buenos Aires. No fundo, denunciava estas práticas em qualquer parte.

Chama a atenção no filme a parte em que ele conta a trajetória de Jorge antes dele se tornar padre. Para mim, esta foi a parte mais “nova” da produção. Eu não sabia, por exemplo, que a avó dele tinha sido uma fonte de inspiração do jovem quando ele estava para decidir o que faria da vida. Foi ela que lhe presentou com um livro sobre São Francisco de Assis – santo que, sem dúvida, foi e é uma grande influência para o pontífice.

Interessante os trechos do filme em que vemos a um jovem Bergoglio cercado da família e de amigos e que foi capaz de ficar encantado por uma garota que, como ele, amava a literatura. Desde jovem, o atual Papa Francisco era um devorador de livros. Este conhecimento dele, assim como a forma com que ele mergulhava na interação com as pessoas comuns e de todos os tipos, fez com que ele se tornasse muito, muito humano. Capaz de consolar, de interagir com qualquer pessoa de qualquer idade, de escutar e de citar ótimas referências – inclusive literárias.

A trajetória de Jorge Bergoglio fez com que ele entendesse o Evangelho e o exemplo de Jesus Cristo como grandes exemplos de amor e de inclusão. Perto de se aposentar, ele acabou se tornando Papa, algo que ele não desejava, realmente. Mas ele aceitou, porque sabe que Deus escreve certo por linhas tortas e que a vontade dele deve sempre se curvar frente à vontade de Deus. Algo interessante neste filme também são os “bastidores” do Conclave. Para mim, também uma parte diferenciada da produção.

Interessante como Jorge Bergoglio “bateu na trave” quando da eleição do alemão Joseph Aloisius Ratzinger, que se tornou o Papa Bento XVI. Diferente do que os vaticanistas pregavam, não era exatamente uma surpresa o “independente” e um tanto “revolucionário” Bergoglio ser eleito Papa. Ainda que a corrente progressista da Igreja tenha vencido na eleição dele, a corrente mais conservadora não dormiu no ponto e tem se posicionado contra algumas declarações do Papa Francisco.

O filme apenas toca neste tema. A preocupação de Francisco, El Padre Jorge certamente não era polemizar ou adentrar realmente nos bastidores da Igreja Católica, formada por diferentes correntes. A produção deseja mais ser uma introdução sobre a história por trás do atual Papa, esboçando através de um roteiro cheio de idas e vindas no tempo e no espaço, um rápido painel sobre as influências e a trajetória que ele fez antes de assumir a liderança da Igreja Católica.

Para muitos católicos bem informados que conhecem um pouco mais do que o básico sobre o Papa Francisco, este filme será bastante previsível. Para os que são bem informados, mas que não leram o livro de Elisabetta Pique ou outras obras sobre Jorge Bergoglio, talvez parte da produção apresente elementos novos. Eu me enquadro neste segundo grupo. Acho o filme bem feito, com uma proposta bastante clara e que deve agradar, especialmente, as pessoas que sabem pouco sobre o Papa.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: O diretor espanhol Beda Docampo Feijóo nasceu apenas na cidade galega de Pontevedra, na Espanha. Quando ele tinha um ano de idade, a sua família se mudou para Buenos Aires. Foi lá que ele fez a carreira como diretor e roteirista, tendo 14 títulos no currículo pela primeira função e 20 na segunda. O filme mais conhecido dele é El Marido Perfecto, de 1993, estrelado por Tim Roth.

O roteiro de Francisco, El Padre Jorge é um bocado fragmentado, mas bem escrito. Tanto que o espectador não fica perdido na história. A produção tem um ritmo bom e não deixa o interesse do público cair, mesmo entre aqueles que já conhecem boa parte da história narrada. eu só não achei a produção melhor porque ela poderia ter um pouco mais de “tempero” e de detalhes menos conhecidos da vida do biografado.

O elenco está bem, ainda que eu tenha sentido falta de um ator que se “enquadrasse” mais no perfil do Papa Francisco. Darío Grandinetti é um grande ator, com bastante experiência, mas é impossível vê-lo na telona e não ficar pensando que outros atores poderiam ter se enquadrado mais no perfil do Papa. Mas, descontada a diferença grande física e de idade, dá para acreditar no trabalho de Grandinetti. Do elenco, o destaque acaba sendo Silvia Abascal, que interpreta uma Ana bastante verossímil e humana.

Do elenco, vale ainda elogiar o bom trabalho de Lucas Armas Estevarena, que interpreta Jorge Bergoglio quando ele tinha 13 anos; para Gabriel Gallicchio, que interpreta o jovem Bergoglio; Mariano Bertolini como o padre Pepe; Rubén Darío Figueredo como Ernesto, padre que deixou o sacerdócio e que contou para a protagonista sobre a defesa que Bergoglio fez de padres durante a ditadura no país; para María Ibarreta, que interpreta Patricia, mãe de Ana; e para Leonor Manso, que interpreta a avó de Bergoglio, Rosa.

Da parte técnica do filme, gostei da direção de fotografia de Kiko de la Rica, que valoriza muito bem a cidade de Buenos Aires, em especial, mas também Roma e Madri; a edição bem feita de Cristina Pastor; e os figurinos de Natacha Fernández e Marcela Vilariño.

Francisco, El Padre Jorge foi indicado a três prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Argentina em 2015, mas não recebeu nenhum deles.

Os usuários do site IMDb deram a nota 5,8 para esta produção. O site Rotten Tomatoes não tem críticas para o filme.

Este filme é uma coprodução da Espanha, da Argentina e da Itália.

Faz umas duas semanas que eu assisti a este filme no cinema. Agora eu quero me lançar neste fim de semana novamente em uma sala escura para ver a novos filmes e comentá-los por aqui. Aguardem e confiem. 😉

CONCLUSÃO: O Papa Francisco tem uma jornada que é coerente com o que ele acredita ser o centro do Evangelho. Pelo seu forte contato com o povo e os menos favorecidos, desde quando ele morava em Buenos Aires, é que os católicos tem um pontífice que acredita na inclusão e no amor ao próximo e à Deus acima de tudo. Ele defende o amor entre todos, como Jesus ensinou há mais de 2 mil anos. Francisco – El Padre Jorge nos mostra parte da formação, do contexto familiar e da caminhada dele até que ele se tornasse Papa. É um filme bem feito, mas que acrescenta pouco para quem já conhece a história do Papa Francisco. A parte boa é que a essência da sua história está na produção e pode servir como introdução para os menos informados.

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