Song to Song – De Canção em Canção

song-to-song

Três pessoas e seus amores – especialmente, suas mulheres. O diretor Terrence Malick volta à cena com mais uma de suas narrativas diferenciadas, fragmentadas e cheias de pensamentos, palavras não ditas e muita beleza. Song to Song nos parece, mais que uma história, um compêndio de lembranças. É como se os protagonistas revisitassem as suas próprias histórias e paixões e falassem sobre tudo aquilo como pessoas um tanto “onipresentes” sobre tudo o que acontecia. Um filme muito peculiar, bem ao estilo de seu realizador.

A HISTÓRIA: Ele abre a porte devagar enquanto ela espera com o rosto perto da parede e da porta. Faye (Rooney Mara) confessa, em suas reminiscências, que houve um tempo em que sexo bom, para ela, tinha que ser violento. Faye e Cook (Michael Fassbender) se provocam sobre o chão. Faye continua comentando sobre como, para ela, era importante tentar sentir algo. E que ela decidiu experimentar tudo que podia. Por sua parte, Cook vivia a vida freneticamente. Outras pessoas aparecem em cena. Pessoas das quais vamos saber parte de suas histórias e desejos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Song to Song): Para assistir a este filme, não é preciso nenhum manual de instruções. Mas é altamente recomendado conhecer o estilo do diretor Terrence Malick. Especialmente o seu “mais recente” estilo de contar histórias de uma forma bastante fragmentada, de jeito “confessional” e mais artística do que o normal para Hollywood.

Não adianta assistir a um filme de Malick e achar que vai encontrar pela frente uma história “regular”, “mais uma” produção de um cineasta norte-americano. Esse diretor, que ficou 20 anos sem filmar depois de ter emplacado um sucesso de crítica e público, não se importa com convenções. Ele faz cinema como lhe parece melhor e de um jeito que faz sentido para ele. Em sua trajetória há filmes mais “palatáveis” e outros nem tanto. Depois de fazer o elogiado Days of Heaven, em 1978, Malick voltaria a lançar um longa apenas em 1998, The Thin Red Line.

Entre os seus filmes, The Thin Red Line pode ser considerada uma produção mais “mainstream” ou mais “facilmente digerível” pelo grande público. Mas nem sempre o diretor trabalha com este perfil de filme. Vide The Tree of Life que, quem acompanha o blog há mais tempo, sabe que me pareceu um tanto pretensioso demais. Mas Malick não se importa realmente com o que os outros acham. Ele faz os filmes da forma com que para ele faz sentido e espera que cada um trabalhe as suas histórias como lhe convir melhor.

Da minha parte – e como vocês sabem, super respeito as opiniões contrárias -, gostei mais deste Song to Song do que de The Tree of Life. Os dois filmes são um tanto pretensioso, além de “artísticos”, mas uma boa diferença entre eles é que nesta produção mais recente não temos que ver a uma longa de sequência da “origem dos tempos” que vimos em The Tree of Life. Em Song to Song o que interessa é a reflexão de três personagens sobre as suas próprias buscas pelo amor.

Sim, como eu comentei antes, novamente aqui temos a uma narrativa bem fragmentada e sem um sequência “lógica” dos fatos. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A história não é linear, ainda que, por um tempo, o espectador pode acreditar que sim. Mas conforme vamos acompanhando as diferentes reflexões dos personagens sobre as suas escolhas e trajetórias, percebemos que não. A sequência dos fatos não é apresentada conforme tudo aconteceu e sim conforme os personagens vão “revisitando” as suas próprias lembranças.

Ainda que o filme tenha três “narradores” – Faye, Cook e BV (Ryan Gosling) em algum momento comentam as suas próprias lembranças -, existe um certo protagonismo da personagem de Rooney Mara. Ela é praticamente onipresente na história. Mas há sequências em que ela não aparece e nas quais os personagens de Ryan Gosling e Michael Fassbender contam um pouco sobre outras de suas desventuras amorosas.

Song to Song não é muito óbvio sobre a narrativa “ir e vir” na linha temporal. Percebemos isso nos detalhes, como quando BV pergunta para Faye o que “eles” fizeram com a “professora”. Ora, ele está se referindo à mulher de Cook, Rhonda (Natalie Portman). Conforme a história apresentada por Malick, parece que Cook conhece Rhonda após ele ter “desistido” de Faye. A nossa protagonista, encantada por BV, acaba deixando para trás a relação intensa, um tanto “doentia” e “caótica” que ela tinha com Cook. Mas quando a secretária do ricaço DJ e músico vira amante dele, aparentemente, ele já era casado com Rhonda.

Como este filme é um grande compêndio de reminiscências de três pessoas sobre os seus amores e as suas trajetórias, não existe uma preocupação temporal na narrativa. Pense em você mesmo. Quando você começa a lembrar de seus amores e de suas escolhas, dificilmente você segue uma ordem realmente cronológica, não é mesmo? As lembranças vão e vem conforme a ordem que nós mesmos colocamos nas nossas recordações. Muitas vezes a ordem que damos vai do ponto mais importante para o que tem menos importância, mas esta graduação também vai mudando com o tempo.

O mesmo parece acontecer com este filme. E por fazer esta escolha Malick nos apresenta algo interessante e um tanto “inovador”. Poucos diretores – para não dizer que mais nenhum – teria a coragem de fazer um filme tão diferenciado. Mas esta parece ser a natureza de Malick. Então a narrativa é interessante. Ponto. Mas isso não torna o filme brilhante. Francamente, acho que a produção deixa a desejar um bocado na questão musical – eu esperava bem mais música embalando a trama – e, muitas vezes, a história abre espaço para um certo “puxa-saquismo” de estrelas da música.

Certo que o foco da história são personagens que vivem naquele ambiente. Mas tem pouco a acrescentar as “aparições” de famosos como Iggy Pop, Patti Smith ou os caras do Red Hot Chili Peppers (Flea, Anthony Kiedis e Chad Smith). É bacana vê-los interagindo com os personagens da história, mas achei um tanto “forçado” colocar Iggy Pop e Patti Smith em sequências maiores do que aparições relâmpago.

Além disso, apesar de eu agradecer de não ter uma longa e tediosa sequência sobre “a origem da vida e a evolução até hoje” ao estilo de The Tree of Life para encarar neste novo filme, achei que toda a “arte” do nosso amigo Malick carece um pouco de conteúdo. Ele ama belas imagens, assim como ama tirar interpretações “legítimas” de seus atores, incentivando eles a se “soltarem” a partir de seus personagens. Dá para perceber que os astros em cena – e a lista é admirável – também se divertem. Mas no final, o que fica para nós, espectadores de tudo isso?

Sim, quem ama belas cenas tem várias aqui para curtir. Os fãs dos astros escolhidos à dedo para esta produção também vão vê-los em grande forma. Belos, valorizados pelo diretor. Mas e aí? O que Song to Song nos diz, afinal? O roteiro retrata alguns ambientes e personagens que tem tudo a ver com o século 21. Jovens – ou não tão jovens assim, mas que gostariam de ser jovens para sempre – que gostam de viver cada dia ao máximo.

Que gostam, como bem define Faye, de experimentar. Muitas vezes eles exageram nesta experimentação porque querem sentir algo… preencher um vazio que, só tempos depois, eles vão descobrir que não será preenchido com música, raves eletrônicas, conhecendo famosos, enchendo a cara ou se drogando. O tempo ensina um bocado, assim como as experiências, é claro. Este é um filme sobre pessoas que olham para as suas próprias trajetórias e amores tentando aprender com elas. Colhemos o que plantamos e, algumas vezes, um pouco mais do que isso. Song to Song trata disso e de mais.

Achei esse filme interessante por ele tratar tão bem de pessoas que estão vivendo os nossos dias. Pessoas de carne e osso, como você e eu, a gente tendo ou não os mesmos ambientes em comum. Não importa se você se identifica com eles ou não. Temos em comum a nossa humanidade e nossa busca pelo amor – atual ou que ficou no passado. Como eles. Achei por isso Song to Song um filme bastante humano, apesar da forma dele ser tão diferenciada e, muitas vezes, esta forma roubar o protagonismo do conteúdo.

Algo que eu achei interessante nesta produção é como ela mostra que uma pessoa nunca é uma coisa só. Faye nos mostra isso de uma forma muito bem acabada. Ela vive diversos amores durante a produção. Está sempre disposta a “experimentar”. Os diferentes momentos – que eu chamo de retratos – da personagem são mostrados neste filme. Mas a junção deles nos revela o “filme” da vida da personagem. E nós também somos assim. Somos retrato (no momento) e também filme (na passagem do tempo). Não somos, assim, uma coisa só… somos múltiplos, complexos, simples e, conforme a vida passa, sabemos cada vez mais o que nos interessa e o que não.

Esta é a beleza da vida. E isso Song to Song nos apresenta. Bem no seu estilo, é claro. Mas esta mensagem está ali. Depois de Faye experimentar um bocado, ela sabe definir melhor quem ela é o que lhe interessa. O que lhe faz mais sentido. Esta é a beleza da passagem do tempo e do aprendizado. Os personagens deste filme e nós mesmos vamos aprendendo com os nossos erros e nossos acertos. Sabendo selecionar melhor o que nos faz bem e o que nos dá sentido. Faye descobre que tipo de amor lhe interessa, ainda que essa descoberta parece ter sido um tanto tardia – e as suas escolhas anteriores terem cobrado um preço grande dela através da culpa.

Estas questões renderiam outro texto, longas discussões, mas não vem ao acaso. O que importa mesmo é o que Song to Song nos apresenta histórias de amor e de vida interessantes e muito atuais. No mundo há muita fúria, caos, amor, alegria, culpa, entrega e desespero. Sentimentos e reações que são retratados nesta produção. Cook é um cara cheio de grana que gosta de mostrar o que o dinheiro pode comprar e trazer “de bom”. Mas ele não percebe a destruição que esse mesmo dinheiro e falta de freios pode causar – até que é tarde demais.

Quantas pessoas existem no mundo com este perfil? Quantas você já encontrou pela frente ou apenas ouviu falar? Cook realmente “contamina” todos que estão ao seu redor mas, tão cheio de si, não percebe como esta sua forma de vida nos 220 volts provoca estragos. Novamente temos pela frente a questão do “como as pessoas buscam preencher os seus próprios vazios”. Esta é uma questão existencial, tão ao gosto de Terrence Malick.

Para o meu gosto, desta vez, a reflexão existencial dele não é chata. Ela está cheia de amor, cenas provocantes e sensuais e muita, muita beleza. Nossos olhos agradecem, ainda que, no final, podemos pensar que seria interessante ter, além da forma e do visual, um pouco mais de “substância” na história. Mas isso tudo, evidentemente, vai depender do gosto do cliente.

Para os fãs do diretor e para as pessoas que gostam dos atores em cena, dificilmente este filme não será prazeroso. Para os demais – a maioria – ele será longo demais e “artístico” demais. Acho que eu fico no meio do caminho entre estas duas visões, pendendo um pouco para a primeira. Até porque, no fim das contas, o filme tem uma mensagem interessante. De que o amor pode sim preencher aquele vazio existencial do qual boa parte da história trata. Voltar para o simples, deixar tanta besteira de lado e focar no amor pode ser uma boa saída. Song to Song nos mostra isso.

NOTA: 8,5.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Como sempre, não gosto de ver muito sobre o filme que eu vou assistir antes de conferi-lo de perto. Sendo assim, para mim foi uma surpresa ver tantos astros nesta produção. Claro que eu já sabia que estavam neste filme Ryan Gosling, Michael Fassbender e Rooney Mara. Mas foi uma surpresa ver também Natalie Porman e Cate Blanchett, só para citar os papéis importantes. Além delas, fazem papéis menores outros nomes interessantes/importantes, como Holly Hunter, Bérénice Marlohe, Val Kilmer, Linda Emond, Lykke Li e Olivia Grace Applegate.

Isso para citar apenas os atores. Além deles, há muitos outros famosos da música. Além dos já citados anteriormente, vale citar John Lydon, Florence Welch, Big Freedia, Tegan e Sara Quin, entre outros.

Song to Song estreou em março de 2017 no Festival de Cinema South by Southwest. Até agosto ele terá participado de outros quatro festivais – incluindo os de Sydney e Melbourne.

Não encontrei informações sobre o quanto o filme custou, e os dados sobre o resultado dele nas bilheterias americanas ainda é restrito, de cerca de US$ 443 mil – resultado em 77 dias em que ele ficou em cartaz em apenas 95 cinemas. Ou seja, ele estreou em um circuito bastante fechado e ainda não se deu muito bem.

Agora, aquelas curiosidades “clássicas” sobre a produção. De acordo com o ator Ryan Gosling, eles filmaram sem roteiro. Isso fica um pouco evidente ao assistirmos à produção, não? Provavelmente os atores receberam linhas gerais sobre os seus personagens e as suas histórias e improvisaram a partir daí. Depois é que vieram as “reflexões” sobre as suas histórias – o que construiu a narrativa propriamente dita.

O ator Christian Bale teria, inicialmente, um papel com certa importância no filme. Mas, no fim das contas, ele acabou participando de apenas quatro dias de filmagens e, no final, o personagem dele foi cortado da produção porque ele se parecia muito com o de Michael Fassbender. Ou seja, seria mais um nome de peso no elenco. Além dele, iriam participar com cenas na produção mas acabaram tendo estas participações cortadas na edição final nomes como Haley Bennett, Trevante Rhodes, Boyd Holbrook, Callie Hernandez, Clifton Collins Jr. e Benicio Del Toro.

Esta produção foi rodada ao mesmo tempo que Knight of Cups, filme dirigido por Terrence Malick e lançado em 2015 – e que eu não assisti. 😉

Song to Song foi parcialmente rodado durante o Austin City Limits Festival 2012 e, por isso, apresenta alguns artistas que se apresentaram no evento naquele ano, como Arcade Fire, John Lydon e Iron and Wine.

O diretor e roteirista Terrence Malick fez uma primeira versão desta produção com oito horas de duração. Já pensaram? hehehehehe. Deste corte final o filme foi sendo reduzido até ficar com pouco mais de duas horas de duração – ufa!

Esta produção foi rodada durante 40 dias no período de dois anos. Quando as filmagens eram feitas, elas eram longas, começando pela manhã e tendo apenas uma pausa de 30 minutos para o almoço. Malick saia com os atores pela cidade, muitas vezes filmando eles dirigindo, para depois usar estas imagens na produção.

Inicialmente esta produção iria receber o título de Limitless. Depois, foi batizada de Weightless. Até que chegaram à versão definitiva de Song to Song. Segundo Malick, com este filme ele quis mostrar como a vida é feita de “uma série de momentos”, como canções que marcam a nossa trajetória. Faz sentido e é muito coerente com o que vemos na telona.

Na primeira sessão de exibição deste filme em Los Angeles, cerca de 15 pessoas deixaram o cinema antes do filme acabar. Realmente o filme não agradou a muita gente, basta ver as bilheterias…

O destaque do filme, além da direção “visceral” de Terrence Malick é, sem dúvidas, o trio de atores principais. Rooney Mara, Ryan Gosling e Michael Fassbender estão bem “soltinhos” e se saem muito bem em seus respectivos papéis. Dos três, sem dúvida alguma o destaque mesmo é Mara. Ela está excelente.

Da parte técnica do filme, como a beleza é um elemento fundamental da história, um dos principais destaques é a direção de fotografia do sempre ótimo Emmanuel Lubezki. Depois, vale citar o bom trabalho do trio Rehman Nizar Ali, Hank Corwin e Keith Fraase na edição; o design de produção de Jack Fisk; a direção de arte de Ruth De Jong; a decoração de set de David Hack; os figurinos de Jacqueline West; o trabalho dos 24 profissionais envolvidos no departamento de som; e o trabalho dos seis profissionais que trabalham com o departamento musical.

Esta produção foi rodada na cidade de Austin, no Texas; e nas cidades mexicanas de Progreso, Mérida e Izamal.

Nem sempre os filmes de Terrence Malick são realmente marcantes. Talvez esta seja uma particularidade do diretor. Os filmes dele nos despertam impressões enquanto os assistimos mas, depois, não perduram muito na memória. Acho que esta é a característica dos filmes sem roteiros marcantes. Tanto isso é verdade que, por exemplo, não lembrava de ter assistido a To The Wonder, produção de Malick após The Tree of Life. Reparei, ao encontrar a crítica do filme, que gostei mais dele do que do anterior. 🙂

Os usuários do site IMDb deram a nota 6 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 58 críticas negativas e 44 positivas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 43% e uma nota média de 5,4. Realmente os críticos parecem ter gostado pouco da produção. Curioso que os críticos aprovaram em 84% The Tree of Life. Realmente o meu gosto não bate com o deles. hehehehe

Este é um filme 100% dos Estados Unidos. Por causa disso ele entra para a lista de produções que atende a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Mais um filme artístico com a assinatura de Terrence Malick. Sim, o diretor tem um estilo próprio e esta produção é mais uma chance dele mostrar isso. Explorando a beleza dos lugares e das pessoas e um estilo de vida à la “carpe diem” nos 200 volts, Song to Song nos conta algumas histórias de amor embaladas por algo de música. Mais que som, o que vemos em cena é desejo, tesão, fúria, suavidade, e muitas, muitas reminiscências. O filme inteiro é como se alguém olhasse para trás, na própria história, e divagasse sobre o que viveu. É uma produção interessante, especialmente se você gosta do diretor e/ou dos atores. Mas vá com paciência. Porque este é um filme bem ao estilo Malick. Lento e “filosófico”, muitas vezes pretensioso e um bocado bonito.

Anúncios

Truth – Conspiração e Poder

truth2

A busca da verdade é uma premissa fundamental do jornalismo. Mas afinal, o que é a verdade? Essa questão filosófica já rendeu muitas teorias e obras. Há quem diga que não existe a verdade, apenas versões da verdade. Alguns contra-argumentam que afirmar isto é uma forma de relativizar tudo. Independente da tua própria verdade, caro leitor, Truth nos apresenta mais um roteiro baseado em uma história real sobre uma investigação jornalística em busca da verdade. Desta vez, um grupo de jornalistas experientes tenta comprovar que o presidente dos Estados Unidos mentiu. Um bom filme, com grande elenco, mas ele poderia ser melhor.

A HISTÓRIA: Começa com a narrativa de jornalistas sobre a perspectiva para a reeleição de George W. Bush. A população estava bem dividida na fase da campanha. Corta. Em Washington, em outubro de 2004, a jornalista Mary Mapes (Cate Blanchett) está tricotando na sala de espera do advogado Dick Hibey (Andrew McFarlane). Quando eles começam a conversar, existe tensão no ar e Mapes fala sobre os seus 20 anos trabalhando como jornalista, atuação que lhe rendeu dois Emmy, a denúncia dos abusos em Abu Ghraib e uma prisão por proteger as suas fontes. Mas em breve ela terá que contar com a ajuda de Hibey para se defender de um outro caso, desta vez uma denúncia feita pela equipe dela envolvendo o presidente candidato à reeleição George W. Bush.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Truth): Gosto de filmes com técnica e grande elenco. Como não gostar? Esta produção com roteiro e direção de James Vanderbilt baseada no livro de Mary Mapes apresenta logo no início estas duas qualidades. Recentemente assistimos ao premiado como Melhor Filme no Oscar 2016 Spotlight, outra história sobre uma investigação jornalística. E ainda que os dois filmes tratem dos bastidores da profissão, eles tem abordagens, qualidade e defeitos muito diferentes um do outro.

Como já falei de Spotlight neste texto, vamos nos concentrar em Truth. Como eu disse, logo nos primeiros minutos do filme somos apresentados a duas de suas principais qualidades: um grande elenco, com ótimos atores, e muita técnica. Para tornar a história sobre jornalismo e bastidores da política interessante, Vanderbilt utiliza algumas técnicas conhecidas no cinema.

Para começar, ele parte de um ponto quase perto do final da história como introdução para fisgar a atenção do espectador, colocando drama e suspense na trama, para então voltar seis meses no tempo em um longo flashback narrativo que será o núcleo deste filme. Começamos com a protagonista Mary Mapes claramente pressionada, mas ainda não sabemos de que forma. Só presumimos que ela está com um bom problema já que está procurando um ótimo advogado. Depois de demonstrar que é uma mulher forte e com opinião, ela diz que apenas fez o seu trabalho. Hibey pede para ela explicar melhor o seu trabalho como jornalista, e é assim que voltamos seis meses no tempo.

Mary Mapes é a produtora do conhecido programa 60 Minutes, um dos mais premiados e importantes programas da TV americana de todos os tempos. Ela trabalha com Dan Rather (Robert Redford), um dos nomes mais conhecidos e respeitados do jornalismo dos Estados Unidos. Quando a história volta no tempo, ela retrocede o suficiente para mostrar Mapes liderando um dos grandes furos do jornalismo dos anos 2000: a denúncia de abusos e torturas praticados por militares americanos em Abu Ghraib.

Depois deste golaço, Mary Mapes volta a focar em uma história que ela não tinha conseguido aprofundar quatro anos antes, no ano 2000. Vale ponderar, contudo, que estamos falando de abril de 2004, quando o então presidente George W. Bush estava tentando a reeleição – e as pesquisas mostravam uma disputa apertada. No ano 2000 a jornalista tinha recebido a dica de ligações entre os Bush e a família Bin Laden.

Assim como a sugestão de que Bush teria servido a Guarda Aérea Nacional do Texas por influência política e sem, de fato, servir do jeito que deveria – apenas para fugir da Guerra do Vietnã e para, claro, participar do “grupinho” de poderosos daquele tempo. No ano 2000 Mary não conseguiu comprovar estes fatos mas agora, em 2004, em plena campanha de reeleição de Bush, ela resolve voltar ao assunto.

Daí entra em cena outra técnica importante do cinema e bem utilizada por Vanderbilt: imprimir um tom de suspense e aventura na trama. Mary Mapes lista um grupo de pessoas que ela quer “convocar” para a missão de apurar este caso. Eles são apontados como se fossem agentes especiais de um filme de ação. A boa edição e a trilha sonora de Truth ajudam nesta tarefa de dar ritmo e suspense para a trama. Vanderbilt, sem dúvida, entende bem do seu ofício.

Desta forma que entram em cena outros atores importantes deste filme: Topher Grace como Mike Smith, jornalista “underground” e que claramente é contra as políticas “contaminadas” do sistema; e Elisabeth Moss como Lucy Scott, jornalista que ajuda a equipe a ir atrás das fontes que podem comprovar a história. Além deles, a esta altura, já tinham aparecidos outros dois nomes fundamentais do filme – além da protagonista, é claro: o sempre fantástico Robert Redford, um dos grandes atores de seu tempo, e Dennis Quaid como o tenente-coronel Roger Charles, um consultor para assuntos militares com grande experiência em investigações jornalísticas.

Aí está o grande elenco. As técnicas citadas, especialmente a boa edição e trilha sonora que reforçam o roteiro preocupado em uma história com ritmo, continuam até o final. Mas e a história propriamente dita? Neste ponto Truth se torna um filme interessante e também apresenta o seu principal problema. Enquanto Spotlight trata de uma longa investigação que será publicada no meio impresso, Truth aborda uma investigação bem feita, mas apressada, e que será vinculada pela TV. Essa diferença fundamental entre os meios define parte dos problemas que serão enfrentados por Mary Mapes e sua equipe.

Perguntar, perguntar e não parar de fazer perguntas é uma das premissas mais importantes do jornalismo. Mary Mapes e sua equipe acertam ao fazer as perguntas, mas erram em querer apressar as respostas. Com uma janela para divulgação da reportagem sobre as mentiras que teriam garantido a carreira militar do presidente dos Estados Unidos – um tema importante para qualquer país, mas ainda mais para os Estados Unidos, uma das nações mais poderosas do mundo e sempre envolvida nos principais conflitos mundiais – curta, Mapes e sua equipe aceitam as poucas respostas que eles conseguem como suficientes para comprovar o que eles tem certeza que é verdade.

Mas eis que surge um ponto fundamental para o jornalismo dar certo: a apuração tem que ser bem feita, bem cercada, sem furos ou fios soltos. Fazer bom jornalismo investigativo dá trabalho, e muito. Envolve tempo, energia, gente talentosa. Em Truth não faltaram energia e gente talentosa, mas faltou tempo. E por mais que Truth, importante ressaltar que inspirado no livro de Mary Mapes – ou seja, com um ponto de vista bem definido e claro -, tente mostrar o heroísmo dos jornalistas envolvidos naquela reportagem de 60 Minutes sobre a fraude de Bush, não dá para ignorar que eles colocaram no ar uma matéria sem amarrar bem as pontas.

Conforme o filme vai se desenvolvendo, percebemos a fragilidade das “provas” que os jornalistas tinham para comprovar que o presidente dos Estados Unidos tinha mentido sobre o seu heroísmo militar. Mary Mapes quer mostrar as relações de poder e de que forma os poderosos e ricos se protegem, inclusive interferindo nas Forças Armadas, mas ela não consegue fazer isso correndo. Boa parte da reportagem é baseada em documentos que são questionados pela tipografia – blogueiros dizem que os documentos que seriam dos anos 1970 tinham sido feitos bem depois e utilizando o Word – e não tem os testemunhos ou outras provas para corroborar estes documentos.

Essa é a fragilidade do trabalho que acaba derrubando Mary e toda a equipe. E ainda que a origem dos documentos acaba não sendo totalmente desmentida, há dúvida suficiente no ar para colocar o trabalho dos jornalistas sob suspeita. Um trabalho jornalístico bem feito deve ser à prova de contradições e de refutações. Esse não é o caso da história mostrada em Truth. Quando a equipe é ainda mais pressionada para achar a origem dos documentos e pressionam a fonte do tenente-coronel Bill Burkett (o competente Stacy Keach), a história que ele conta, meio que sem pé e nem cabeça, torna tudo ainda pior.

A verdade é que faltou mais tempo para a equipe de jornalistas que apurou o assunto. O ideal é que eles tivessem seguido no caso e não tivessem colocado no ar uma reportagem sem ela estar bem amarrada. Mas a pressão por dar o assunto antes, não apenas da concorrência, mas das eleições, fizeram eles se apressarem sem o devido cuidado na apuração de um assunto tão delicado. E depois que o assunto foi ao ar, a internet e a concorrência da CBS cuidou de desmontar a apuração deles.

Uma empresa de comunicação séria teria esperado mais tempo para colocar o assunto no ar, para começar. E depois que tivesse transmitido a informação, antes de fazer uma “caça às bruxas” da própria equipe para não perder verba do governo e publicitária, essa mesma empresa teria apoiado os seus jornalistas atrás da verdade. Ora, aqui entra em cena o grande problema deste filme: mais que mostrar o que aconteceu em 2004 antes, durante e depois daquela reportagem ser colocada no ar, revelando os bastidores de interesse do jornalismo, Truth deveria, de fato, buscar a verdade. Avançar na apuração do assunto.

Quem garantiu que Mary Mapes, Dan Rather, Mike Smith e Lucy Scott não seguissem investigando o assunto? Por que ninguém mais deu a oportunidade para eles apuraram de fato o que se escondia na história de George W. Bush. Aliás, nem foi a pior história sobre ele que colocaram em cena com aquela reportagem – no trabalho encabeçado por Mapes foi explorado apenas como Bush teria sido favorecido pelos poderosos do Texas e reconhecido na Força Aérea sem ter merecido. E, aparentemente, manipulou a situação para fugir do Vietnã. Mas a possível relação dele e de sua família com a família Bin Laden nem veio à tona.

Por que nenhum outro jornalista conseguiu comprovar aquelas questões envolvendo Bush e o favorecimento dele na Força Aérea? Ninguém realmente foi atrás do tema ou simplesmente aquela história não era verdadeira? Para mim esta é uma questão fundamental de Truth e acaba não sendo respondida pelo filme. Ele se limita a apenas contar o que aconteceu naquela investigação jornalística que acabou com a carreira de dois dos grandes nomes da imprensa americana e a explorar o ponto de vista de Mary Mapes e não avança na questão.

Se o que eles contaram sobre Bush era verdade, o trabalho jornalístico deles foi eclipsado pelos interesses comerciais da CBS e os interesses políticos de Bush e companhia. Se o que eles contaram era mentira, Truth é um grande filme sobre a falta de cuidado na apuração de um assunto de relevância para a sociedade.

Neste segundo caso, poderíamos falar de arrogância por parte de Mary Mapes e Dan Rather que, depois de serem reconhecidos por diferentes trabalhos, descuidaram de seguir fazendo bem o seu trabalho ao imaginar que eles estavam “sempre certos” – importante recordar que eles tinham acabado de marcar um golaço com Abu Ghraib. Também poderíamos tratar da pressão por resultados da TV e da pressão pelo tempo deste meio cada vez mais preocupado em “furar” a concorrência.

Agora, se seguirmos a premissa de Mapes de que eles estavam falando a verdade, este filme estraçalha os interesses envolvendo uma grande corporação de mídia. O presidente da CBS News Andrew Heyward (o competente Bruce Greenwood) encarna, nesta produção, tudo o que o jornalista investigativo odeia. Ele está interessado no negócio da TV, ou seja, em seus anunciantes e, neste caso específico, na verba que vem direta ou indiretamente do governo.

Quantas empresas de mídia todos os dias e enquanto você lê este texto não decidem o que elas publicam ou veiculam levando em conta, em primeiro lugar, os seus interesses comerciais e não o interesse público? Não por acaso muitas pessoas, especialistas na área ou não, questionam a capacidade da mídia em seguir relevante para os seus públicos. Acho que não preciso desenhar para explicar melhor que os interesses públicos colocados em segundo plano, atrás dos interesses comerciais, nunca vão garantir um jornalismo melhor e mais relevante, não é mesmo?

Por outro lado, e os executivos das empresas jornalísticas podem argumentar isso, o bom jornalismo não é feito sem recursos. E por isso a área comercial tem a sua relevância e continuará tendo. Verdade, o negócio da empresa jornalística precisa ser sustentado – e apenas o público consumidor não faz isso. Mas existem limites para a relação dos interesses comerciais e da informação. Quem está à frente de um negócio como este esse não deve nunca esquecer o papel social da mídia. Truth levanta este e outros temas e, apenas por isso, ele já merece ser visto. E, a exemplo de Spotlight, levado para as salas de aula de jornalismo para ser debatido.

Finalmente, este filme levanta, perto do final, outra questão fundamental: como a inclinação política de um jornalista pode influenciar o seu trabalho. Francamente, depois de quase 20 anos de jornalismo, sou da opinião que todo jornalista é influenciado por suas crenças – sejam religiosas, políticas ou do que for. Isso não quer dizer que a apuração dele seja “falsificada” ou “deturpada” por estas crenças, mas sem dúvida alguma a escolha de alguns temas e não de outros – quando o jornalista pode fazer a reportagem que acha importante – é influenciada pelo que ele acha importante retratar no mundo.

Mais do que o que a imprensa fala, é importante observar o que ela ignora. Neste sentido, um jornalista vai sempre buscar assuntos relevantes para a sociedade que ele próprio acredita – como, então, ter um jornalismo totalmente imparcial? A apuração da verdade será sempre criteriosa – ou deveria ser -, mas as escolhas dos temas é sim influenciada pelo que o jornalista acredita. Truth também aborda este tema de forma bem interessante.

NOTA: 9.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Como jornalista, acho interessante e importante que o cinema de Hollywood tenha voltado o seu olhar para a profissão. Até para que mais pessoas que não são da minha área possam voltar a refletir sobre a importância do trabalho dos bons jornalistas. Vocês já pensaram o quanto sabemos hoje da Operação Lava-Jato, por exemplo, que jamais saberíamos se não fosse a imprensa? Aliás, será que essa e outras operações existiriam e não seriam “enterradas” o mais rapidamente possível se não fosse o trabalho da imprensa em divulgá-las?

Sem contar as investigações jornalísticas que trouxeram tantos temas relevantes à tona e contra interesses poderosos. O jornalismo é fundamental para a sociedade e, por mais que uns acreditem que ele não é “tão necessário” na época da internet, me arrisco a dizer que ele continua e sempre continuará sendo importante para as sociedades em que ele é exercido de forma livre e independente.

Truth tem alguns momentos muito bons. Gostei, em especial, de três. Esses momentos podem – e deveriam – render muitas horas de debate nas faculdades de jornalismo. O primeiro deles é quando a CBS pressiona Dan Rather a praticamente “acabar” com o tenente-coronel Bill Burkett em uma entrevista que, claramente, está para culpar Burkett e isentar o canal de TV da responsabilidade pelos documentos envolvendo Bush. O segundo é quando o mesmo Rather é obrigado pela CBS a se desculpar em rede nacional. E o terceiro e último é quando o mesmo Rather se despede como apresentador âncora da emissora. O discurso dele é de arrepiar. Momentos fortes.

Cate Blanchett e Robert Redford estão ótimos nesta produção. Não é por acaso que eles são dois dos melhores atores de suas respectivas gerações. Redford mesmo… ele não precisa dizer quase nada para fazer um grande trabalho. Muito expressivo, ele é um dos atores que mais passa credibilidade quando está em cena. Uma escolha perfeita para outro nome que é sinônimo de credibilidade, Dan Rather.

O diretor James Vanderbilt faz um grande trabalho com Truth. Ele sabe usar todos os recursos do cinema moderno para prender a atenção do espectador e dar ritmo para a história. Seus enquadramentos são precisos, com um olhar diferenciado para diversos momentos da produção. Seu trabalho ponderado e preciso também sempre evidencia o bom trabalho dos atores – afinal, como não fazer isso com um elenco tão bom? Seria um desperdício. O roteiro dele também tem diversas qualidades, mas ele erra ao não avançar além do livro de Mary Mapes. Apenas por isso a produção não é perfeita.

Da parte técnica do filme, há muitos elementos que funcionam muito bem e que ajudam Vanderbilt em seu trabalho. Para começar, ótima a edição de Richard Francis-Bruce. Muito boas também a trilha sonora de Brian Tyler, apesar dela exagerar um pouco no tom “heróico”; a direção de fotografia de Mandy Walker e os figurinos de Amanda Neale. Também ajudam a compor a época e os ambientes desta história o design de produção de Fiona Crombie; a direção de arte de Fiona Donovan; e a decoração de set de Glen W. Johnson.

Todos do elenco citados até agora fazem um belo trabalho. Estão centrados e coerentes com os seus respectivos papéis. Além deles, vale citar o trabalho de John Benjamin Hickey como Mark Wrolstad, marido de Mary Mapes; David Lyons como Josh Howard, diretor da TV que logo questiona toda a equipe; Dermot Mulroney como Lawrence Lanpher, um dos líderes da comissão contratada para investigar a reportagem liderada por Mapes; Rachael Blake como Betsy West, diretora da TV que também logo rói a corda e sugere que Mapes deixe de frequentar o local; Noni Hazlehurst como Nicki Burkett, mulher do tenente-coronel Bill Burkett e que tem uma das melhores sequências de diálogo do filme; e Philip Quast como Ben Barnes, uma peça importante da denúncia de Mapes.

Pequeno comentário antes de seguir com as últimas considerações sobre este filme: mais uma vez a tradução de um título de filme feito fora do Brasil é infeliz. Truth é um nome perfeito para esta história. Alguém deve ter achado que o título original ou apenas a tradução literal para Verdade não atrairia o grande público – tenho dúvidas sobre isso, especialmente porque o elenco desta produção é estelar. Mas Conspiração e Poder é para acabar, ou não? Poder ainda vá lá, porque o filme trata disso. Mas Conspiração? Não era para tanto. Questionaram a reportagem feita por Mapes e equipe, mas daí a considerarem eles conspiradores… ou a conspiração seria de outra parte? Juro que não entendi e achei infeliz a escolha.

Truth estreou em setembro de 2015 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme passou ainda por outros seis festivais mundo afora. Nesta trajetória o filme conquistou um prêmio e foi indicado a outros três. O único que recebeu, até agora, foi o prêmio para Cate Blanchett dado pelo Festival Internacional de Cinema de Palm Springs que reconheceu a atriz não apenas por este filme, mas também por Carol.

Não há informações sobre os custos de Truth, mas sim sobre a bilheteria do filme nos Estados Unidos até o dia 22 de fevereiro deste ano, quando o filme saiu de cartaz em seu país de origem. Entre o dia 16 de outubro de 2015 e o dia 22 de fevereiro de 2016 esta produção conseguiu pouco mais de US$ 2,5 milhões. Pouco, especialmente envolvendo o elenco estelar de Truth. Mas isso só comprova como histórias relevantes e interessantes nem sempre são vistas – geralmente não são – por um grande público. Uma pena.

Apesar da história ser totalmente ambientada nos Estados Unidos, Truth é uma coprodução dos Estados Unidos com a Austrália e teve diversas cenas rodadas em território australiano – incluindo cidades como Sydney e Penrith. Várias cenas foram rodadas também em Nova York e Los Angeles.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,8 para esta produção, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 86 textos positivos e 53 negativos para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 62% e uma nota média de 6,2. Acho que apesar dos problemas deste filme, ele merecia uma avaliação melhor.

Procurando saber um pouco mais sobre Truth lendo as notas de produção do filme, descobri o porquê de parte do filme ter sido rodada na Austrália: isso foi feito para atender a um pedido de Cate Blanchett. A atriz queria ficar mais próxima da família durante as filmagens desta produção. Faz sentido, até pela proximidade de sua personagem com a família.

Esta é a estreia na direção de James Vanderbilt. Antes deste filme, ele havia feito o roteiro de outras oito produções, começando por Darkness Falls, de 2003, e passando por produções interessantes como Zodiac e por blockbusters como The Amazing Spider-Man e The Amazing Spider-Man 2.

Claro que Truth não poderia ter sido feito sem ter rendido posterior polêmica. A rede de TV CBS se recusou a passar os comerciais do filme porque argumentou que esta produção é um “desserviço” à verdade, ao público e aos jornalistas. Certo. Por sua vez, Dan Rather afirmou que Truth é uma representação muito fiel ao que aconteceu naquela época e envolvendo os fatos contados pela produção.

Ah sim, e eu já ia esquecendo de compartilhar um texto interessante na Wikipédia sobre este caso. Deram o nome de “controvérsia dos documentos Killian” – lembrando que Killian era o nome do tenente-coronel que teria questionado a colocação de Bush nos anos 1970. Vale dar uma conferida neste texto da Wikipédia e, claro, procurar mais fontes que abordem o assunto. Afinal, a verdade propriamente dita não encontramos neste Truth. 😉

CONCLUSÃO: Um filme interessante sobre uma grande reportagem que acabou mal – pelo menos para as pessoas que se envolveram no trabalho de contar aquela história. Bem narrado e, principalmente, com grandes atores, Truth nos faz refletir sobre o jornalismo e os jogos de poderes envolvendo empresas jornalísticas e o poder – leia-se políticos e principalmente o Estado. Evidentemente há muitos elementos que fazem o espectador pensar neste filme, e isso é positivo, mas Truth poderia ser ainda melhor se tivesse ido além da narrativa daqueles fatos.

Por que não avançar e tentar, de fato, comprovar se aquela teoria mostrada pelos protagonista da história era verdadeira? Faltou essa ousadia para a produção – algo que poderia ter sido feito já que se passaram alguns anos dos fatos. Apesar de desperdiçar a chance de avançar na história, este é um bom filme. Especialmente para levantar debates.

Carol

carol1

Há pessoas pelas quais somos atraídos diretamente e há pessoas que parecem nos afastar. O interesse transparente pode ser correspondido e, quando isso acontece, há quem avance e há quem opte por recuar. Essas decisões dependem de muitos fatores, inclusive do histórico e da vivência de cada indivíduo. Carol nos conta a história de uma atração forte e correspondida que avança, apesar da época não ser nada propícia para romances como o das pessoas envolvidas. Um filme com um roteiro bem construído, belas imagens e duas atrizes afinadas.

A HISTÓRIA: Grades e o barulho de trem ao fundo. Muitas pessoas saem do metrô e acompanhamos a um homem com chapéu e sobretudo cruzando uma rua com carros classudos e antigos. Ele entra em um restaurante e após falar com o barman conhecido, reconhece uma amiga que está de costas. Therese (Rooney Mara) apresenta para Jack (Trent Rowland) a sua companhia na mesa, Carol (Cate Blanchett). Jack pergunta se Therese não quer uma carona até a festa para a qual eles foram convidados. No caminho para lá, Therese observa o que acontece do lado de fora do carro, pelas ruas, e começa a se lembrar de sua história com Carol até aquela noite.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Carol): Filme bem escrito, bem dirigido, com uma reconstituição de época impecável e com duas atrizes imersas em seus papéis. Carol se revela, ainda, uma produção charmosa, provocadora e sensual. Neste tipo de filme o que interessam são os detalhes e as trocas de olhares, muitas vezes. Aqui não há pirotecnia ou grandes reviravoltas, ainda que o roteiro guarde algumas boas surpresas no caminho.

Um dos pontos altos da produção, sem dúvida, é o roteiro de Phyllis Nagy escrito a partir do romance The Price of Salt de Patricia Highsmith – lançado no Brasil com o título de Carol. Verdade que o filme utiliza aquele velho e conhecido recurso de nos mostrar uma breve sequência próxima do fim da história no início da produção para, depois, regressar na trama como uma forma de contar como todos chegaram naquela situação e qual era a verdadeira relação entre aquelas duas mulheres sentadas na mesa de um restaurante.

Ainda que este recurso seja batido, ele continua funcionando muito bem. Especialmente porque ele insere o suspense indicado para uma história ser desenrolada na sequência. (SPOILER – não leia se você ainda não assistiu ao filme). Desde o início de Carol o espectador é levado pelas mãos de Nagy e do diretor Todd Haynes para descobrir detalhes da relação daquelas duas mulheres. E não há rodeios na sequência. Logo que Therese começa a pensar em sua história com Carol, fica claro o fascínio que ela desperta na jovem vendedora de uma loja de departamentos.

Na verdade a atração é mútua e imediata. A imagem de Carol na loja de departamentos se destaca para os olhos de Therese mesmo com a grande movimentação das compras de Natal. Quando Carol olha para Therese também há atração, mas de outro tipo. E conforme a história vai se desenvolvendo com a ótima, cuidadosa e detalhista direção de Haynes, essa diferença de olhares fica ainda mais clara.

A interpretação da sempre ótima e especialmente linda neste filme Cate Blanchett transmitiu, para mim, um olhar de interesse com experiência. Ela olha para Therese com desejo, mas uma forma de desejar experiente, um pouco cansado, mas não o suficiente para não tentar um romance mais uma vez. O olhar que Rooney Mara, igualmente maravilhosa e também linda, consegue imprimir em sua Therese é diferente. Ela transmite fascínio e curiosidade constante por tudo e por todos, especialmente pela inteligência e elegância de Carol.

Não li o romance de Patricia Highsmith para ter detalhes da história ou para saber o quanto o filme é fidedigno ou justo com o original, mas esta diferença de olhar e de ótica me pareceu importante e acho que a produção de Haynes consegue expressar bem. A aproximação e a relação de Carol com Therese me fez lembrar bem daquela frase da música Realejo, de O Teatro Mágico, que diz “os dispostos se atraem”.

As duas estavam prontas para uma relação apaixonada e interessante. Therese pensou rápido ao devolver a luva que Carol tinha esquecido (propositalmente?) e esta, por sua vez, não perdeu nenhuma oportunidade de chamar Therese para encontros na sequência. Ainda que a relação das duas seja o foco principal da trama, torna a história ainda mais interessante o contexto social da época.

O filme se passa, como o romance de Highsmith, nos anos 1950 – começando em Nova York e, depois, percorrendo parte do país em uma road trip. Na época, ainda mais pessoas do que hoje se escandalizavam com o romance entre duas mulheres. Ainda mais quando uma delas era casada e tinha uma filha (o caso de Carol) e a outra tinha um namorado apaixonado e louco para casar (situação de Therese).

Para muitas mentes até hoje é difícil entender porque homens e mulheres se interessam por pessoas do mesmo sexo mesmo tendo tido relações heterossexuais “de sucesso” antes. Enfim, não entrarei nesta seara. Só quero dizer que concordo com o Papa Francisco que todas as pessoas precisam ser amadas e aceitas, independente de suas escolhas ou estilos de vida.

Mas voltando para Carol. Além da relação entre as duas personagens centrais, é muito interessante o contexto social da época. Apaixonado pela mulher, Harge Aid (Kyle Chandler) não aceita que Carol queira se divorciar. Para tentar convencê-la a não fazer isso, ele usa a filha do casal, Rindy (interpretada por Kk Heim e por Sadie Heim). Através de um advogado ele alega a “cláusula de moralidade” para ameaçar Carol de que, se ela realmente quiser o divórcio, ele ficará com a guarda completa da filha e vai proibi-la de ver a Rindy.

No início Carol se afasta por recomendação do advogado para não tornar o problema maior. Mas Harge fica sabendo do “sumiço” da quase ex-mulher e procura se vingar. Sem estragar as surpresas do filme, mas a partir daí há duas mudanças de curso na história. Diferente dos livros lançados até então sobre romances entre duas mulheres, na obra de Highsmith, pela primeira vez, a história não teve um fim trágico segundo este texto. Pelo contrário.

Coragem da autora. Mas, infelizmente, até hoje histórias como a de Carol choca muitos públicos. Menos que em 1952, quando The Price of Salt foi lançado. O que sinaliza que seguimos evoluindo na aceitação das diferenças, no respeito e no amor em relação a quem não “cumpre” todos os requisitos admitidos pela maioria. Um belo filme, pela homenagem que faz para a história original e por nos apresentar de forma tão competente os Estados Unidos nos anos 1950 e esta história de amor. Por ser tão bem conduzido, ele faz o público se envolver e torcer pelos personagens. Cinema em estado puro.

NOTA: 9,3.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Sentimento de culpa e frieza. Estes parecem ser dois comportamentos bem identificáveis entre as duas personagens centrais deste filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Em mais de uma ocasião a inexperiente Therese se sente culpada pelo sofrimento de Carol, que não consegue engolir a ação de Harge afastá-la da filha. Ela está vivendo o primeiro grande amor e sofre horrores com a separação. Quem não passou por isso? Carol, por outro lado, tem outra vivência, carregada de olhares de censura e de repúdio. Ainda que, convenhamos, ela é uma mulher corajosa para o seu tempo, procurando sempre ter opiniões firmes e mantê-las apesar das pressões dos demais. Em duas situações ela “se desfaz” de Therese, parece, com certa facilidade. Depois vamos entender que o que parece nem sempre é a realidade.

Gosto muito quando filmes de época consegue, com maestria, reproduzir um tempo antigo nos detalhes. Este é o caso de Carol. Das roupas até as casas e os automóveis (parte mais fácil), passando pela decoração interna dos ambiente e os produtos vendidos, esta produção não esqueceu de nenhum detalhe dos anos 1950. Por isso mesmo merecem aplausos o design de produção de Judy Becker, a direção de arte de Jesse Rosenthal, a decoração de set de Heather Loeffler, os figurinos de Sandy Powell e o departamento de arte com 25 profissionais. Rosenthal e Powell colecionam estatuetas douradas do Oscar e não seria de admirar que elas ganhassem  mais duas este ano.

Ainda falando da parte técnica do filme, vale destacar a comovente, emotiva e eficaz trilha sonora de Carter Burwell e a direção de fotografia de Edward Lachman. Faz um bom trabalho também o editor brasileiro Affonso Gonçalves.

Este é um filme de Cate Blanchett, em especial, mas também de Rooney Mara. Nunca vi as duas tão bonitas – acho que uma das intenções de Haynes era justamente esta. Além delas, é justo dizer que o elenco de apoio está bem. Além do já citado Kyle Chandler, que convence como o marido indignado por estar sendo deixado por Carol, estão bem Sarah Paulson como Abby Gerhard, romance anterior de Carol; John Magaro como o jornalista e amigo de Therese Dannie McElroy; e, em menor medida, porque me pareceu um tanto “sem sal”, Jake Lacy como Richard Semco, namorado de Therese.

Há diversos momentos em que o roteiro de Carol se destaca. Gostei, em especial, de dois: quando Dannie conversa com Therese sobre como as pessoas se atraem ou se distanciam e quando Carol dá um show falando que não é nenhuma mártir, mas deixando claro o que ela acha certo para a vida dela e da filha. Momentos preciosos.

Para não dizer que este filme é perfeito, achei que algumas vezes os coadjuvantes que eu citei acima, apesar de não fazerem feio, poderiam estar melhores em seus papéis. E pode parecer uma bobagem, mas para um diretor tão detalhista quanto Todd Haynes, me incomodou o pouco tempo que ele deixou o bilhete de Carol para Therese em cena. Apenas uma pausa no firme pode permitir que o espectador leia ele na íntegra. Detalhe bobo, mas que poderia ter sido percebido na hora da finalização do filme.

Carol estreou no Festival de Cinema de Cannes em maio de 2015. Depois o filme participaria, ainda, de outros 24 festivais de cinema mundo afora. Nesta trajetória o filme conquistou 28 prêmios e foi indicado a outros 128 (um número impressionante, diga-se), incluindo cinco indicações ao Globo de Ouro.

Os prêmios que o filme recebeu, até agora, foram pulverizados. Mas destaco os seguintes: três em que ele aparece como um dos melhores filmes do ano; três que recebeu como Melhor Filme; dois para Rooney Mara como Melhor Atriz (incluindo o prêmio de Cannes que ela dividiu com Emmanuelle Bercot) e dois que ela recebeu como Melhor Atriz Coadjuvante; um para Cate Blanchett como Melhor Atriz; três como Melhor Fotografia; três como Melhor Roteiro; e três como Melhor Diretor.

Não há informações sobre o quanto Carol teria custado, mas o site BoxOfficeMojo traz os resultados das bilheterias do filme até o dia 4 de janeiro. Até esta data Carol tinha arrecadado pouco mais de US$ 5 milhões nos Estados Unidos e pouco mais de US$ 6,3 milhões nos outros países em que ele já estreou.

Para quem gosta de saber os locais em que as produções foram rodadas, Carol foi filmado principalmente em cidades de Ohio como Cincinnati, Cheviot e Hamilton – com franca vantagem para a primeira. Algumas cenas também foram rodadas em Alexandria, no Kentucky.

Agora, algumas curiosidades sobre Carol. Rooney Mara, como é possível ver acima, está sendo bem premiada e elogiada por sua interpretação por Therese. Mas por pouco ela não ficou com o papel. Isso porque ela foi convidada para fazer Therese depois de sua performance em The Girl with the Dragon Tattoo mas, por estar muito cansada, ela acabou desistindo do convite. Mia Wasikowska entrou no lugar dela, mas acabou desistindo do papel também por causa de Crimson Peak. Foi aí que Mara voltou para o papel, especialmente depois que Haynes assinou para dirigir o filme em 2013.

Carol é uma destas produções de Hollywood que demorou muuuuito tempo para sair da gaveta. Para se ter uma ideia, Phyllis Nagy escreveu o primeiro rascunho do filme em 1996. Interessante também saber que ela foi amiga de Patricia Highsmith.

Algo que eu li agora e que fez muito sentido ao pensar em Carol: a fotografia da produção foi inspirada no trabalho dos fotógrafos Vivian Maier e Saul Leiter.

Carol foi aplaudido de pé no Festival de Cinema de Cannes durante a exibição para a imprensa internacional e também na estreia da produção no evento.

Este filme é uma coprodução dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,6 para Carol, enquanto os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 156 críticas positivas e 10 negativas para a produção – o que lhe garante uma aprovação de 94% e uma nota média de 8,6.

Difícil escolher um pôster para abrir este post. Carol tem diversos cartazes muito, muito bonitos. Algo condizente com a bela direção de fotografia deste filme.

CONCLUSÃO: Um filme acertado na reconstrução de época e com um roteiro bem construído. Carol nos apresenta algumas das qualidades essenciais de um bom filme, além de duas atrizes convincentes em seus respectivos papéis. Cate Blanchett combina com filmes de época e está mais linda do que nunca. Ao lado dela, uma Rooney Mara atenta aos detalhes. Uma bela produção que nos faz pensar sobre o amor e a liberdade de escolha das pessoas contra as convenções das sociedades e suas crenças.

PALPITES PARA O OSCAR 2016: Nem sempre um filme que chega com diversas indicações no Globo de Ouro consegue preservar esta força nas indicações ao Oscar. Apesar disto, acredito que Carol tem boas chances de aparecer em mais de uma categoria da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood – especialmente depois que a premiação passou a ter até 10 filmes indicados na categoria principal.

Alguns podem achar que Carol é um filme ordinário. Não vejo desta forma. Como eu disse no texto acima, acho que ele é muito bem construído e que tem mais qualidades do que defeitos. Por isso mesmo eu acho que ele pode ser indicado, se tiver sorte, em sete categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Figurino e Melhor Design de Produção.

Podem ficar de fora da lista de indicações Atriz Coadjuvante – se a Academia entender que Mara também teria que ser indicada a Melhor Atriz – e pode entrar na lista Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora Original.

Claro que esta lista de indicações depende de lobby dos produtores e das qualidades dos demais concorrentes – ainda faltam muitos filmes para assistir. Do que vi até agora, acho que Carol tem chances como Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz (ainda que faz falta ter assistido às demais possíveis concorrentes), Melhor Figurino e Melhor Design de Produção. A minha consideração sobre estes dois últimos ainda pode mudar dependendo dos demais filmes.

Não vejo chances de Carol ganhar como Melhor Filme. Neste sentido acho Spotlight com chances maiores. O mesmo em relação a Melhor Diretor. Ainda que Todd Haynes faça um excelente trabalho, Alejandro González Iñarritu tem grandes chances de levar mais uma estatueta dourada para casa nesta categoria.

Cate Blanchett sempre merece um Oscar, mas não sei se ela chegará a receber a estatueta desta vez. Me parece que a concorrência está forte com outras atrizes – como Alicia Vikander de The Danish Girl e Saoirse Ronan em Brooklyn. Caso Blanchett e Mara forem indicadas – algo muito, muito difícil -, vejo maiores chances para Blanchett. Ainda que não seria injusto Mara ganhar uma estatueta. É uma atriz em franca ascensão. Logo veremos.

The Hobbit: The Battle of the Five Armies – O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

thehobbitthebattle6

Francamente eu não pensava em assistir a esse filme. E vou explicar o porquê. Apesar de ter assistido à trilogia The Lord of the Rings, perdi o momento de assistir aos primeiros filmes da também trilogia The Hobbit. Pois bem, então como começar por esta terceira parte? A questão é que ganhei dois pares de ingresso para o cinema e como eu já tinha assistido ao filme A Walk Among the Tombstones (comentado aqui), a melhor opção no cinema era mesmo esse The Hobbit: The Battle of the Five Armies. E francamente? Gostei muito de ter quebrado as minhas próprias regras e de ter me jogado em uma sala escurinha com telão e som de primeira para assistir a esse filme.

A HISTÓRIA: As pessoas correm para tentar escapar, mas parece inevitável a destruição da Cidade do Lago com a aproximação e o consequente ataque do dragão Smaug (voz de Benedict Cumberbatch). Enquanto o fogo destrói grande parte das casas, Bard (Luke Evans) luta para se livrar da prisão enquanto os filhos dele fogem de barco com a ajuda de Tauriel (Evangeline Lilly). De longe, a Companhia de Anões vê a destruição que Smaug está provocando após o dragão ter sido irritado por eles. Thorin Oakenshield (Richard Armitage) fica obcecado com o ouro e a riqueza que eles recuperaram na Montanha Solitária, sem saber que em breve aquele local será atacado por todos os lados.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que continue a ler quem já assistiu a The Hobbit: The Battle of the Five Armies): Há mais de 10 anos eu não mergulhava no mundo mágico de J.R.R. Tolkien através das lentes do genial diretor Peter Jackson. Sim, como grande parte da humanidade, no início dos anos 2000, assisti à trilogia fantástica de The Lord of the Rings. Depois, acompanhei o burburinho envolvendo The Hobbit. Mas não sou uma aficionada. Então, me perdoe se você viciou em Tolkien, mas eu sou do grupo de hereges que não leu as obras originais.

Então o meu conhecimento sobre The Hobbit é que havia a saga anterior a The Lord of the Rings e que Peter Jackson havia iniciado uma nova trilogia para contar a juventude e a primeira aventura do senhor Bilbo Baggins (o sempre ótimo Martin Freeman) em 2012. Como acontece com tantos outros filmes, perdi o bonde da história quando o primeiro dos três filmes foi lançado. Então ontem, quando assisti a The Hobbit: The Battle of the Five Armies, eu só não estava perdida na história porque havia assistido a The Lord of the Rings.

E esta é a dica que eu dou para você que, como eu, não assistiu aos outros filmes da série The Hobbit: na verdade, não faz taaaaanta falta não ter assistido aos filmes anteriores. Ok, neles certamente o espectador vai encontrar muito mais detalhes sobre as personalidades e trajetórias de cada personagem. Mas a verdade é que sabendo que foi criado um grupo de anões, incentivado por Gandalf (o meste Ian McKellen) para retomar a montanha que era deles por direito, e que para cumprir este objetivo eles despertaram a ira do dragão Smaug, você já tem todos os elementos para compreender esta nova produção.

E que filme! O melhor dos efeitos especiais está ali. E para os saudosos das lindas paisagens e da narrativa interessante e cheia de lições de moral de The Lord of the Ring, é um deleite mergulhar novamente nesse universo. Gostei muito de rever a personagens fundamentais, como Gandalf, Galadriel (a divina Cate Blanchett, que rouba a cena quando aparece), Legolas (Orlando Bloom), Saruman (o mestre Christopher Lee) e Elrond (o também veterano Hugo Weaving).

Para mim, o filme vale o ingresso apenas na sequência em que tentam aniquilar Gandalf e aparece para socorrê-lo a fantástica Galadriel e seus aliados. A luta deles contra as entidades do Mal é de arrepiar. Para mim, o ponto alto do filme. Claro que também há várias cenas de ação e de batalha primorosamente feitas, mas aquele embate envolvendo gente tão poderosa e especial foi particularmente interessante.

Me desculpem a ignorância, por não conhecer o original de Tolkien, mas me parece que a articulação de Gandalf tinha, no fim das contas, um propósito que depois se veria como fundamental para enfrentar o inimigo Sauron. Ao incentivar os anões a recuperar a montanha que era a terra natal deles, além de fortalecer aquele povo, os fatos que vieram na sequência acabaram juntando humanos, anões e elfos para combater os orcs. Essa união faria diferença depois, quando na sequência de The Lord of the Ring eles teriam que se unir novamente, não é mesmo?

Uma qualidade de The Hobbit: The Battle of the Five Armies é que o filme começa mergulhado na ação e permanece nela quase o tempo todo. Mas seguindo a regra dos filmes baseados em Tolkien, também há diversos espaços na narrativa para os personagens falarem de seus sentimentos e filosofarem sobre a vida. O roteiro de Peter Jackson, Guillermo del Toro, Frank Walsh e Philippa Boyens é especialmente generoso com Gandalf e com Bilbo Baggins. Especialmente o segundo tem algumas falas muito boas.

A ação é boa, com algumas cenas de batalha que vão perdurar por muito tempo na memória. Mas acho que muitas desta cenas poderiam ser suprimidas, fazendo a história ficar um pouco mais enxuta, veloz e menos repetitiva. O filme tem duas horas e 22 minutos de duração. Facilmente poderia ter ficado com duas horas sem perdas para a história. Me incomodaram um pouco alguns exageros na narrativa. Dois momentos, em especial, me fizeram reduzir a nota para o patamar abaixo.

Primeiro, me incomodou um pouco o exagero da reviravolta do rei dos anões, Thorin Oakenshield. Ele tem uma série de “visões” de exame de consciência quase psicodélico – o segundo momento do tipo do filme, após o primeiro em que o Mal se manifesta – e voilá, vira novamente um rei honrado, que cumpre a palavra e que não escapa da luta. Certo, até este ponto até dá para ser generoso e pensar que a reviravolta poderia até ser tão repentina. Mas aí sobe a música de Howard Shore e aquele meia dúzia de anões saem para reforçar o exército da raça que está lá fora como se eles fossem a solução de todos os problemas. E é meia dúzia de anões, minha gente!

Ok, alguns vão dizer que aquele atitude de um líder serve de exemplo para a vida real, quando um grupo passa a lutar e “vestir a camisa” com muito mais afinco quando vê que o líder acredita na vitória. Certo, pode até ser que as pessoas lutem diferente quando acreditam no líder e assistem ele dando o sangue pela causa. Mas convenhamos, a diferença numérica era muito absurda para justificar tamanha reviravolta por causa de meia dúzia de anões – com o líder incluído no grupo. De qualquer forma, é isso que acontece no filme. Anões, elfos e humanos que sobreviveram até ali e em número bem menor que os orcs acabam virando o jogo.

Outro ponto que me incomodou pelo exagero – momento “ah tá bom” do filme – foi quando Legolas luta contra um dos orcs mais empedernidos e consegue com que cada peça de uma ponte de pedras esteja no lugar certo na hora certa. Quando alguma parte caia, magicamente ele conseguia se deslocar a tempo de ficar sobre uma outra peça por mais um tempo. Quem assistiu ao filme sabe do que eu estou falando. Tudo bem que o filme é de ficção, fantasia, e exagerado na essência, mas essas partes poderiam ter sido um pouquinho menos exageradas para o meu gosto.

Exceto por essas partes e por algumas cenas de batalha que eu cortaria pela repetição que elas significaram, não há o que criticar desta produção. O elenco foi muito bem escolhido, a direção é primorosa nos detalhes, a edição é veloz e o conjunto de efeitos especiais, trilha sonora, figurinos e direção de arte é de tirar o chapéu. Impecável. Sem contar que é um prazer reviver a aura de Tolkien. Fiquei com vontade de rever a trilogia The Lord of the Rings. Talvez faça isso. E, claro, fiquei ainda com mais saudade de Game of Thrones. 🙂 Agora, só em 2015.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Sempre gostei de jogos de estratégia. E como venho de uma geração que começou a pegar a evolução do computador pessoal – sou da época em que se aprendia DOS no curso de informática -, tive um deleite especial quando os vermes gigantes apareceram rapidamente no filme auxiliando os orcs. Foi inevitável não lembrar do jogo Worms. 😉 Genial!

As histórias de Tolkien também me fazem lembrar dos primeiros jogos da grife World of Warcraft. Acho que só quem jogou aquelas primeiras edições sente um certo déjà vu quando assisti a The Lord of the Rings ou The Hobbit, não é mesmo? Foi com aquele game que conheci as particularidades, pontos fracos e fortes de humanos, orcs, elfos e anões. Bons tempos aqueles. 🙂

Mas voltando ao filme. Esta é uma produção que, certamente, será indicada a alguns Oscar’s em 2015. Aliás, com The Hobbit: The Battle of the Five Armies eu vou começar uma contagem regressiva para a grande premiação do cinema. Eu já estou de olho em várias produções interessantes, nos indicados aos Golden Globes e, claro, logo mais vou começar a voltar as minhas críticas para os prováveis concorrentes do Oscar 2015. Aguardem e confiem!

Aposto que esta terceira parte da trilogia de The Hobbit vai ser indicada, por baixo, para umas sete categorias do próximo Oscar. Isso apenas para falar das indicações técnicas, como Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Penteado, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Fotografia e Melhor Edição. Talvez o filme seja indicado também em Melhor Design de Produção e, dependendo de como estiver o ano a respeito de outros indicados fortes, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora. Dependendo da safra, talvez Peter Jackson seja indicado como Melhor Diretor – se bem que acho isso mais difícil. Ou seja, se o filme tiver muita sorte, poderia conseguir até 11 indicações.

Quantos destes prêmios ele pode efetivamente levar? Isso você pode conferir na seção que reestreio hoje: Palpites para o Oscar 2015, logo abaixo.

Como eu não assisti aos dois filmes anteriores da saga The Hobbit, talvez eu esteja sendo redundante ao comentar nomes que me chamaram a atenção neste filme – e que não eram conhecidos na trilogia original de The Lord of the Rings. Gostei muito de Lee Pace como Thranduil; de Evangeline Lilly – linda, super linda – como Tauriel; de Luke Evans como Bard – ainda que ele não consiga desbancar Sean Bean como Boromir; Aidan Turner ótimo, um dos destaques do filme como Kili; e Dean O’Gorman competente como Fili, parceiro de primeira ordem de Kili.

Do grupo de anões que tem relevância no filme, vale citar o bom trabalho de atores que ficam “escondidos” atrás da caracterização super bem feita dos personagens: William Kircher como Bombur; James Nesbitt como Bofur; e Stephen Hunter como Bifur.

Ah sim, também me irritou um pouco neste filme o personagem Alfrid (Ryan Gage). Tudo bem, entendo que ele tinha que ser a parte cômica do filme, para relaxar um pouco com um personagem covarde no meio de tantos bravos, mas ele acaba irritando com a escatologia forçada.

E claro que há uma grande frase/lição no filme. (SPOILER – não leia se você não assistiu a The Hobbit: The Battle of the Five Armies). Ótima a frase de Thorin para Bilbo, após sugerir que ele volte para a casa dele, na pacata cidade em que ele saiu, para plantar árvores e viver em paz: “Se mais de nós dessem mais atenção para as suas casas do que para o ouro, o mundo seria um lugar melhor”, ou algo similar… genial, não é mesmo? Bela verdade. Vi neste blog que no original a frase seria assim: “Se mais de nós dessem mais valor a comida, bebida e música do que a tesouros, o mundo seria mais alegre”.

Da parte técnica do filme, fantástica a direção de fotografia de Andrew Lesnie; a edição de Jabez Olssen – esse sim, teve milhões de caminhões de trabalho; o design de produção de Dan Hennah – trabalho impecável e inspirador; a direção de arte de Simon Bright e Andy McLaren – que merecem vários prêmios; a decoração de set de Simon Bright e de Ra Vincent; os figurinos de Bob Buck, Lesley Burkes-Harding e Ann Maskrey; o trabalho genial da equipe de 37 profissionais que faz parte do departamento de maquiagem da produção; e as mais dezenas de profissionais dos departamentos de arte, de som, de efeitos especiais e efeitos visuais. A maior equipe, aliás, é de efeitos visuais. Trabalho fantástico.

Minha gente, essas são as informações principais. Outras complementares, que tradicionalmente publico nas críticas, deixarei para acrescentar em breve. Logo mais deixo mais detalhes por aqui.

Voltando. 🙂 The Hobbit: The Battle of the Five Armies teve premier no dia 1 de dezembro em Londres. Depois, no dia 2, o filme estreou em Paris. E aí seguiu-se uma série de estreias, incluindo uma premier na Comic Con Experience no Brasil no dia 7. No circuito comercial o filme estreou mesmo no dia 10 em diversos países, chegando ao Brasil no dia 11 de dezembro.

De acordo com o site Box Office Mojo, esta produção arrecadou pouco mais de US$ 34,4 milhões apenas nos Estados Unidos. No restante dos países em que estreou mundo afora, ela teria feito outros US$ 122,2 milhões. Infelizmente não há dados seguros sobre o quanto o filme teria custado.

Agora, algumas curiosidades sobre a produção. Quando o filme teve uma premier no Comic Con de San Diego, muitos fãs acamparam no dia anterior para conseguir um bom lugar no dia em que o filme seria passado. No meio da noite, esses fãs foram acordados pelos atores Lee Pace e Andy Serkis que, durante horas, fizeram fotos e deram autógrafos para quem estava lá. Achei muito bacana essa proposta e atitude.

Os únicos atores a aparecer em todos os filmes adaptados das obras de Tolkien foram Ian McKellen e Cate Blanchett. E eles são divinos! Aqui, mais uma vez, estão perfeitos e dividem a melhor sequência da produção.

Vários atores do filme mantiveram os adereços depois que a produção terminou de ser filmada. Martin Freeman, por exemplo, ficou com a espada e com as próteses de orelha de hobbit. Será que ele vai fazer uma festinha divertida em casa? 🙂 Richard Armitage também manteve a espada que o personagem dele utilizou e Lee Pace, para não variar, também guardou a espada élfica que utilizou no filme.

No livro de Tolkien, toda a batalha dos cinco exércitos ocorre em apenas um capítulo.

De acordo com o diretor e roteirista Peter Jackson, o material extra trará 30 minutos adicionais, tornando a versão estendida desta produção a mais longa da franquia.

Daniel Radcliffe e Tobey Maguire foram considerados para o papel de Bilbo na trilogia do Hobbit, mas Peter Jackson quis que o personagem fosse de Martin Freeman. Escolha perfeita, diga-se.

A personagem de Tauriel foi criada por Jackson especialmente para a atriz Evangeline Lilly.

The Hobbit: The Battle of the Five Armies teve cenas externas rodadas na Nova Zelândia, a exemplo dos filmes da trilogia The Lord of the Rings, e as cenas de estúdio foram rodadas no tradicional Pinewood Studios, em Londres.

Interessante como inicialmente Jackson havia planejado apenas dois filmes para adaptar The Hobbit mas, depois, decidiu que seria melhor dividir a história em três produções. Fazendo isso, impossível não comparar The Lord of the Ring e The Hobbit com os filmes que George Lucas fez da história original de Star Wars. Os dois arrasaram com a primeira trilogia e tiveram que enfrentar muitas críticas e controvérsias quando lançaram a segunda trilogia – e, no caso dos dois, a segunda série de filmes remontava para um tempo narrativo anterior da primeira série. Curious.

Até o momento esta produção ganhou um prêmio e foi indicado a um outro. O prêmio que ele recebeu foi o Truly Moving Picture Award, dado pelo Heartland Film. Ele também foi indicado na categoria de Melhores Efeitos Visuais pelo Prêmio da Sociedade de Críticos de Cinema de Phoenix.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8 para esta produção. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 107 avaliações positivas e 71 negativas para The Hobbit: The Battle of the Five Armies, o que garante 61% de aprovação para o filme e uma nota média de 6,3.

CONCLUSÃO: Filme altamente indicado para quem assistiu à trilogia The Lord of the Rings. E se você, além daqueles três filmes, ainda assistiu aos dois anteriores do Hobbit… bem, não preciso usar mais que um neurônio para saber que você gostou desta última parte da nova trilogia de Peter Jackson. De fato o filme cumpre o seu papel com maestria. Há muitas cenas de luta e de batalhas, alguns personagens fundamentais para The Lord of the Rings aparecem em cena e despertam a vontade de voltar a assistir àqueles clássicos modernos. Efeitos especiais para todos os lados, aquelas paisagens magníficas com as quais já nos acostumamos, e ótimos atores. Para não dizer que é perfeito, ele poderia ter um pouco menos de duração e ter descontadas algumas sequências exageradas. Não é melhor que os filmes de The Lord of the Rings, mas é uma produção muito competente. Vale o ingresso.

PALPITES PARA O OSCAR 2015: Bem, minha gente, vou retomar essa seção com este The Hobbit: The Battle of the Five Armies porque eu acredito, realmente, que esta produção vai figurar entre as indicadas no próximo prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Como comentei logo acima, por baixo, acredito em pelo menos sete indicações deste filme. Todas técnicas. Mas há potencial para a produção chegar até umas 11 indicações – tudo vai depender da qualidade desta safra, ou seja, dos outros concorrentes em categorias não-técnicas.

Acredito que o filme tenha boas chances nas categorias Melhor Maquiagem e Penteado, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som. Talvez ele possa ser um forte concorrente em Melhor Fotografia e Melhor Edição, mas poderei falar mais a respeito quando começar a assistir a outros fortes nomes na disputa. Além destas categorias, acho difícil ele ganhar muito mais. Veremos…

ATUALIZAÇÃO (20/12): A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood já divulgou que esta produção está entre as 10 que avançaram na competição para ganhar na categoria Melhores Efeitos Visuais no Oscar 2015. Por outro lado, a Academia também divulgou a lista dos sete filmes que estão avançando na disputa na categoria Maquiagem e Cabelo no próximo Oscar e The Hobbit: The Battle of the Five Armies ficou de fora. Estão na disputa ainda The Amazing Spider-Man 2, Foxcatcher, The Grand Budapest Hotel, Guardians of the Galaxy, Maleficent, Noah e The Theory of Everything.

E o Oscar 2014 foi para… (cobertura online e todos os premiados)

86th Oscars®, Governors Ball Preview

Boa noite minha gente!

Pelo sétimo sexto ano consecutivo vou acompanhar a entrega das estatuetas douradas do Oscar com vocês.

A expectativa é boa para este ano porque a disputa está bem acirrada em diversas categorias da maior premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Tenho certeza que em algumas categorias o prêmio será decidido por poucos votos.

O canal E! Entertainment começou a transmissão do tapete vermelho ao vivo às 19h30min, no horário de Brasília, mas o clima começou a esquentar agora, perto das 21h. Uma das figuras interessantes da noite e que acaba de chegar é o ator Jared Leto, todo de branco, com uma gravata borboleta vermelha e os cabelos longos soltos. Para o repórter ele comentou que gosta de roupas antigas. Leto é o favorito da noite na categoria Melhor Ator Coadjuvante por seu trabalho em Dallas Buyers Club.

Das pessoas que já chegaram, outra que chamou a atenção pela roupa foi a atriz Lupita Nyong’o, indicada como Melhor Atriz Coadjuvante por seu trabalho em 12 Years a Slave. Ela surgiu com um vestido azul claro Prada interessantíssimo e foi bem comentada. O canal TNT também está transmitindo direto do tapete vermelho.

O ótimo ator inglês Benedict Cumberbatch, que não foi indicado a nada este ano mas que participa de quatro produções indicadas (a saber: 12 Years a Slave, August: Osage County, The Hobbit: A Desolation of Smaug e Star Trek Into Darkness), destacou o trabalho de equipe feita em 12 Years. A produção é uma das favoritas na categoria Melhor Filme. Logo veremos se ela terá força de desbancar The Wolf of Wall Street, Gravity e American Hustle.

A favorita da noite segundo muitas bolsas de apostas na categoria Melhor Atriz, Cate Blanchett, aparece belíssima. Ela comenta que achou fascinante interpretar a personagem trágica e complexa de Blue Jasmine. Linda. Vestida para brilhar com uma roupa de Giorgio Armani – sob medida para ganhar a estatueta. Acredito que apenas Sandra Bullock e Amy Adams poderiam surpreender e tirar o prêmio dela – mas meu voto, na verdade, iria para Meryl Streep.

Segundo a votação feita aqui no blog, quase 40% dos leitores aqui do blog acreditam que Gravity saíra da noite de hoje com o maior número de estatuetas da premiação. Em seguida aparecem 12 Years a Slave (com 17,5% dos votos) e Her (com 15% dos votos). Concordo com a maioria. Gravity deve sair com vários prêmios técnicos e ganhar dos demais concorrentes no número de estatuetas. Mas acho que os prêmios principais (Melhor Filme, Diretor, Atriz e Ator) serão partilhados por três ou até quatro filmes.

Outro vestido totalmente de branco a aparecer foi Matthew McConaughey. Mas a gravata borboleta dele é preta, diferente do parceiro de cena, Jared Leto, com gravata do mesmo tipo vermelha. Ele apareceu lindo ao lado da esposa, a brasileira Camila Alves, e da mãe dele. Em seguida, mostraram Jennifer Lawrence de vestido vermelho fazendo o que? Caindo, é claro. hehehehehe. Acho que esta é a atriz mais atrapalhada de Hollywood – e uma das mais talentosas de sua geração.

lupitaarrival1Na revisão feita pelos comentaristas do E! Entertainment destacaram muito Charlize Theron com um vestido preto que valorizou um belíssimo colar. De fato, a atriz é uma diva, uma das mais bonitas da noite. Elogiaram também Amy Adams em um Gucci azul – mas eu, francamente, não achei que o vestido caiu tão bem nela, ainda mais se comparada com Charlize Theron. Mas não há dúvidas, até o momento, que Lupita Nyong’o é o destaque da noite.

Comparado com outros anos, estou achando esse tapete vermelho um tanto morno. Os atores estão bem treinados. Exemplo: Chiwetel Ejiofor aparece entrevista após entrevista comentando que conhecia o autor Solomon Northup, que narrou a própria história no livro 12 Years a Slave, e que só se entregou ao projeto depois de refletir muito sobre ele. Também tenho a impressão que não há muita novidade no visual dos astros e estrelas. Veremos se a premiação consegue nos surpreender um pouco mais.

Voltando para os comentários de moda, destacaram bastante o vestido vermelho de Jennifer Lawrence, mesmo dizendo que ela foi ousada em investir nesta cor (que daria azar para quem quer ser premiado) e também o vestido preto de Julia Roberts. Anne Hathaway, que normalmente é um dos destaques nas premiações, escolheu um belíssimo Gucci para o Oscar 2014. Muito interessante o vestido preto e prateado que ela escolheu.

Faltando menos de meia hora para a premiação começar, Jonah Hill e Bradley Cooper emocionadíssimos no tapete vermelho. Os dois tem razões para comemorar, já que conseguiram ser indicados na categoria Melhor Ator Coadjuvante. No TNT, Lupita Nyong’o comenta que fez aniversário na véspera e que foi ótimo ver 12 Years a Slave ser bem premiado no Spirit Awards.

Ana Maria Bahiana, a quem admiro e sempre acompanho, comentando no Twitter que o Matthew McConaughey pulou o cordão de segurança e foi cumprimentar o público, apertando a mão de vários fãs. Mais uma razão para ele ganhar a estatueta hoje à noite. Outras mais? Além da humildade e simpatia, o ótimo trabalho em Dallas Buyers Club e a ótima fase na carreira.

Sandra Bullock está linda em um vestido azul. A atriz destacou que Gravity mudou a sua vida, tornado ela um pouco menos complexa. Na revisão das 24 horas que antecederam a festa do Oscar, o canal TNT mostrou como havia chovido horrores em Los Angeles e destacou o trabalho de centenas de pessoas na preparação do Oscar – achei curiosa, em especial, a determinação de cada assento no Dolby Theater, com cada astro e estrela identificado com um cartaz com suas respectivas fotos. Só faltava um “Wanted” no material. 🙂

Faltando menos de cinco minutos para a cerimônia começar, Kevin Spacey fala do sucesso da série House of Cards. A segunda temporada veio arrasadora. Para quem ainda não assistiu, eu recomendo. Em poucos minutos vamos saber como vai se sair a anfitrião do prêmio Ellen DeGeneres e qual será a característica do Oscar deste ano – se ele vai seguir a maioria das apostas ou trará muitas surpresas para os fãs de cinema.

Pontualmente as 22h30min no horário de Brasília começou a cerimônia do Oscar. Ellen DeGeneres foi bem aplaudida e começou brincando que os últimos dias foram muito difíceis porque estava chovendo. 🙂 Ela comenta que retornou para a premiação depois de sete anos, e que muitas coisas mudaram no período… Cate Blanchett, Meryl Streep, Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese haviam sido indicados anteriormente. 🙂 Mas ela também destaca as estreantes da noite, como June Squibb, Lupita Nyong’o e Barkhad Abdi. Começou muito bem.

DeGeneres também destacou a presença dos verdadeiros Capitão Phillips e Philomena, e brincou com a Liza Minnelli dizendo que estava presente um de seus melhores imitadores. Nada como ter uma apresentação como um ótimo texto! Isso faz toda a diferença. O Oscar acertou este ano. Mas ela não escapou da tradicional piada com Meryl Streep que foi indicada 18 vezes ao Oscar.

Em seguida, ela foi rápida tirando sarro de Jennifer Lawrence, brincando que não iria lembrar sobre o que aconteceu no ano passado… que ela caiu quando foi receber o Oscar. Comentou que não iria mostrar o vídeo relembrando a cena, mas que ela poderia relembrar isso ao pensar na queda que teve ao sair do carro na noite de hoje. hehehehe.

dallasbuyersclub5Na primeira entrega da noite, Anne Hathaway foi ao palco para apresentar os candidatos na categoria Melhor Ator Coadjuvante. O favorito, sem dúvida, é Jared Leto. Após o clipe de cada trabalho, muitas palmas da plateia. Os mais aplaudidos, me pareceu, foram Barkhad Abdi, Jonah Hill e Jared Leto. E o Oscar foi para… Jared Leto de Dallas Buyers Club!! Uhuuulll. Bacana ver este ator, que mudou tanto desde que estrelou um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, Requiem for a Dream, receber esta honraria.

No microfone, ele comentou sobre uma adolescente que foi mãe solteira e que deixou de estudar para educar bem os filhos. Ele estava homenageando a própria mãe. Um fofo! E seguiu dizendo que os sonhadores do mundo, inclusive os da Ucrânia e da Venezuela, que eles estão sendo observados e lembrados pelas pessoas naquele local. Discurso emocionado e também político. Para finalizar, dedicou o prêmio para todas as pessoas que morreram de Aids e que algum dia se sentiram injustiçadas pelo que são ou fazem. Palmas!

Na sequência, surge Jim Carrey. Ele brinca sobre como deve ser difícil a tarefa de ser sempre indicado, e comenta que está feliz porque um de seus heróis, Bruce Dern, foi lembrado no Oscar deste ano. Na plateia, Bono Vox e o U2, banda que vai se apresentar na noite. Carrey estava ali para apresentar um vídeo com os heróis de filmes de animação.

Kerry Washington apareceu em seguida, gravidíssima, para chamar o rapper Pharrell Williams para apresentar a canção Happy, presente no filme Despicable Me 2. Essa foi a primeira apresentação musical da noite, e ela foi aplaudida por boa parte da plateia de pé. Agora, cá entre nós, achei a participação de Jim Carrey um tanto que dispensável. Seria o primeiro “enche linguiça” da noite?

thegreatgatsby7A bela Naomi Watts surge após os comerciais ao lado de Samuel L. Jackson para apresentar os indicados na categoria Melhor Figurino. E o Oscar foi para… Catherine Martin por The Great Gatsby. Ela homenageou o marido, Baz Luhrmann por ele ser um visiónario. Em seguida, os atores apresentaram apresentaram os indicados em Melhor Maquiagem e Penteado. E a estatueta foi para… Dallas Buyers Club. Matthew McConaughey e a esposa bateram palmas de pé. As premiadas agradeceram McCounaughey e Leto por eles terem deixado elas modificarem eles e fazerem o trabalho dos sonhos, além de dedicar a estatueta para as vítimas da Aids.

Na sequência, Harrison Ford apresentou três dos indicados a Melhor Filme da noite. Na sequência: American Hustle, Dallas Buyers Club e The Wolf of Wall Street. Destes três, gostei mais dos últimos dois. Até o momento, quem se saiu bem foi Dallas Buyers Club.

O ator Channing Tatum veio em seguida para apresentar os universitários que ganharam o concurso de curtas promovido pela Academia. Bacana eles darem esse espaço para os novos realizadores – afinal, eles são o futuro do cinema dos Estados Unidos.

Após a propaganda, Kim Novak e Matthew McConaughey aparecem para apresentar os candidatos na categoria Melhor Curta de Animação. E o Oscar foi para… Mr. Hublot. Bacana. Vi imagens da produção e achei elas muito interessantes. Acho que vale ir atrás. Laurent Witz e Alexandre Espigares subiram ao palco para agradecer pela estatueta que, segundo um deles, é um sonho americano. Ele estavam muito, muito nervosos. Bacana ver gente que luta tanto ser premiada. Cool.

Na sequência, McCounaguey e Kovak apresentaram os candidatos a Melhor Animação. E o Oscar foi para… Frozen. Bacana ver uma diretora subir ao palco: Jennifer Lee, que fez este filme da Disney junto com Chris Buck. Discurso rápido e bacaninha.

A duplamente premiada com estatuetas do Oscar Sally Field surgiu após uma rápida brincadeira de Ellen DeGeneres para apresentar um vídeo sobre os heróis do “dia-a-dia”. No vídeo, entre outros, filmes como Milk, Erin Brockovich, Captain Phillips, Ali, Schindler’s List, Argo, Norma Rae, Philadelphia, Ben-Hur, 12 Years a Slave, Dallas Buyers Club e Lawrence of Arabia.

Emma Watson surge com Joseph Gordon-Levitt para apresentar a categoria Melhores Efeitos Visuais. E o Oscar foi para… Gravity. Prêmio esperadíssimo e muito cantado. O trabalho feito nesta produção é impecável, de fato. Um dos pontos fortes do filme – se não o maior, junto com edição de som.

No palco, surge o galã Zac Efron para apresentar a próxima atração musical da noite: Karen O canta The Moon Song, do belíssimo filme Her. Esta produção, sem dúvida, a minha favorita deste ano – mas, como ocorreu em outros anos, a minha escolha não tem chances reais na categoria principal. Bela e sensível apresentação de Karen O.

Depois dos comerciais, Kate Hudson e Jason Sudeikis apresentam Melhor Curta de Ficção. E o Oscar foi para… Helium. Bacana ver gente apaixonada falar de cinema. Depois, entregaram o Oscar de Melhor Curta Documentário, que foi para… The Lady in Number 6: Music Saved My Life. O curta conta a história de uma sobrevivente do Holocausto que, infelizmente, faleceu uma semana antes do Oscar ser entregue com 110 anos. Os realizadores disseram que a personagem real que os inspirou lhes ajudou a terem mais esperança. Bacana.

20feetfromstardom1Depois de uma piada um tanto sem grança sobre fome e pedir uma pizza de Ellen DeGeneres, subiu ao palco o ator Bradley Cooper. Ele apresentou os indicados na categoria Melhor Documentário. Ele disse que os concorrentes deste ano talvez fossem dos melhores dos últimos anos. Concordo com ele. Este ano está ótimo. E o Oscar foi para… 20 Feet from Stardom. Uau! Ele era um dos mais cotados nas bolsas de apostas. Belo filme, um resgate interessante sobre a história das backing vocals. Mas cá entre nós, acho outras produções melhores… Dirty Wars e The Square merecem ser vistas. Nos agradecimentos, Darlene Love, uma das cantoras destacadas no filme, deu um pequeno show e foi bem aplaudida depois.

Kevin Spacey surgiu na sequência brincando que estava feliz por estar ali, ao invés de em Washington – por causa de House of Cards. Ele comentou os prêmios especiais e honorários deste ano e apresentou um vídeo sobre eles: Steve Martin, Angela Lansbury, Piero Tosi e Angelina Jolie. Grandes nomes, que contribuíram de diferentes formas para o cinema e a sociedade. Legal.

lagrandebelezza2Depois do intervalo, Ewan McGregor e Viola Davis apresentaram os indicados na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. Ela me surpreendeu pela magreza. Este ano, alguns filmes muito bons. E o Oscar foi para… La Grande Bellezza. Era o favorito segundo a bolsa de apostas. Torcia por ele, ainda que eu estivesse dividida entre este filme, Jagten e The Broken Circle Breakdown. Para quem não assistiu a todos eles, recomendo fortemente assisti-los. O diretor Paolo Sorrentino agradeceu a seus ídolos. Entre outros, Diego Maradona.

Na sequência, o diretor e roteirista Tyler Perry apresenta outros três indicados a Melhor Filme deste ano: Gravity, Her e Nebraska. Brad Pitt surge para chamar a terceira apresentação musical da noite: U2 com a música Ordinary Love do filme Mandela: Long Walk to Freedom. Apresentação gostosa, como tdas que Bono e Cia. costumam fazer. A banda foi bem aplaudida pela plateia, com Jared Leto e quase todos os outros aplaudindo eles de pé.

Na volta dos comerciais, Ellen DeGeneres com nova roupa, desta vez toda de branco, em uma das melhores tiradas da noite: ela chama Meryl Streep e mais uma pancada de atores para bater um “selfie coletivo” e bater recorde de retweets. Na sequência, subiram ao palco Michael B. Jordan e Kristen Bell para homenagear os premiados nas categorias científica e técnica – que fazem parte do Oscar, mas que sempre são vistas em uma lembrança de resumo de vídeo.

Charlize Theron e Chris Hemsworth, sem dúvida o casal mais bonito de apresentadores até então, vieram em seguida para apresentar os indicados na categoria Melhor Mixagem de Som. E o Oscar foi para… Gravity. Esperadíssimo. Um dos prêmios mais cantados da noite. Na sequência, os indicados em Melhor Edição de Som. E o Oscar foi para… Gravity. Merecido, ainda que o trabalho feito em All Is Lost também merecia uma estatueta – seria interessante um raríssimo empate, neste caso.

E agora, a reta final da premiação com as principais categorias se acumulando. Christoph Waltz apresentou as cinco indicadas desta noite na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. E o Oscar foi para… Lupita Nyong’o de 12 Years a Slave. Que bacana! Premio merecidíssimo, porque ela está absurdamente perfeita em 12 Years a Slave. O nome mais falado da noite no quesito moda também se firma como vencedora da premiação.

E a primeira palavra dela: Yes! Em seguida, ela agradece a Academia, mas lembra que tanta felicidade na vida dela significa infelicidade na vida de tantas outras pessoas – mais um discurso consciente. Ela agradeceu ainda o diretor Steve McQueen e os colegas de cena, Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender. O discurso dela, o ponto alto da noite até agora, emocionando muita gente da plateia – de Brad Pitt até Kevin Spacey. Senti cheiro de Melhor Filme indo para 12 Years a Slave…

Na volta do intervalo, a sequência da piada sobre o povo que passa fome durante a apresentação do Oscar. Ellen DeGeneres recebe um entregador de pizza que distribuiu pedaços para vários astros e estrelas – de Meryl Streep e Julia Roberts até Harrison Ford e Jared Leto. Baita sacada, destas para entrar na história da premiação.

GRAVITYNa sequência, a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, apresentou o projeto do Museu do Cinema que eles pretendem inaugurar até o final de 2017. Projeto de sonho. Amy Adams e Bill Murray surgiram, então, para apresentar os concorrentes na categoria Melhor Fotografia. E o Oscar foi para… Gravity. Mais um prêmio técnico que esta produção leva, como era previsto. Ainda que nesta categoria ele poderia ter perdido para outros títulos, especialmente Nebraska e The Grandmaster. Emmanuel Lubezki agradeu ao mestre Alfonso Cuarón, para a equipe e, em especial, para Sandra Bullock.

Depois, vieram os indicados em Melhor Edição. E o Oscar foi para… Gravity. Sem dúvida um excelente trabalho de Mark Sanger e Alfonso Cuarón, ainda que esta categoria estava bem disputada este ano. Algo me diz que Cuarón vai receber, ainda, outro Oscar nesta noite, desta vez como Melhor Diretor. Logo saberemos… Em edição outros fortes concorrentes eram American Hustle e Captain Phillips.

Na sequência, Whoopi Goldberg faz uma homenagem para The Wizard of Oz, filme de 1939. No palco, Pink canta enquanto cenas projetam momentos marcantes da produção. Bela lembrança e muito bem executada pela cantora que estava em um vestido vermelho decotado e cintilante – bem ao gosto dos sapatinhos de Judy Garland. Ela também foi aplaudida de pé – a plateia está animada hoje.

Na volta do intervalo, Ellen DeGeneres vestida de fada madrinha. Jennifer Garner e Benedict Cumberbatch apresentam a categoria Melhor Design de Produção. E o Oscar foi para… The Great Gatsby. Catherine Martin e Karen Murphy subiram ao palco para receber o prêmio. Depois, Chris Evans surgiu para apresentar um vídeo que relembrou grandes personagens do cinema.

Outro comercial e, na sequência, a homenagem aos falecidos no último ano. Para começar, James Gandolfino, seguido de vários nomes, entre outros Carmen Zapata, Hal Needham, Richard Shepherd, Jim Kelly, Les Blank, Paul Walker, Elmore Leonard, Eduardo Coutinho, Peter O’Toole, Richard Griffiths, Roger Ebert, Shirley Temple Clark, Joan Fontaine, Juanita Moore, Harold Ramis, Eleanor Parker, Ray Dolby, Julie Harris, Maximilian Schell, Gilbert Taylor, Esther Williams, chegando até Philip Seymour Hoffman.

Grandes perdas. E bacana, muito bacana terem incluído o grande Eduardo Coutinho entre os lembrados. Bette Midler fechou a homenagem cantando. E muito, aos 69 anos, com voz e aparência de tirar o chapéu. A plateia bateu palmas de pé, mais uma vez. Justo, muito justo.

Na volta do intervalo, Ellen DeGeneres novamente de preto. Ela brinca que eles estão batendo recorde no Twitter – e Meryl Streep se emociona com a cena. Goldie Hawn apresenta os últimos três indicados a Melhor Filme: Philomena, Captain Phillips e 12 Years a Slave. Destes, sem dúvida o único com chances reais é o filme de Steve McQueen.

John Travolta surge com a música de Pulp Fiction – antes, Harrison Ford apareceu com a trilha de Indiana Jones – para apresentar a última música concorrente da noite: Let It Go, do filme Frozen, apresentada por Idina Menzel. Ainda que bem vestida, para mim foi a atração mais entediante do Oscar. Alguém tem que baixar a adrenalina, não é mesmo? 🙂 Ela me pareceu um tanto alterada… fiquei com medo dela ter um troço no final, mas a plateia levantou novamente. Ai, ai…

Na sequência, Jamie Foxx e Jessica Biel apresentaram os concorrentes da categoria Trilha Sonora Original. Antes, Foxx fez várias gracinhas. E o Oscar foi para… Steven Price por Gravity. Esta categoria estava recheada de excelentes trabalhos. Mais uma vez eu teria ficado em dúvida se daria o Oscar para Gravity ou Her. E daí veio a estatueta para Melhor Canção Original. E ele foi para… Let It Go, de Frozen. Aaaaahhhh, que pena que o U2 não levou essa!

Na volta do intervalo, Ellen DeGeneres passa o chapéu entre os astros para pagar a pizza. A apresentadora embolsa o dinheiro dado por Kevin Spacey e o bastão labial de Lupita. Depois surgem Penélope Cruz e Robert De Niro para apresentarem os indicados na categoria Melhor Roteiro Adaptado. E o Oscar foi para… John Ridley, de 12 Years a Slave. Muito bacana! Mais um sinal de que o filme tem grandes chances de ganhar como Melhor Filme.

her7Depois, o esperado Melhor Roteiro Original. Minha torcida total para Her. E o Oscar foi para… Spike Jonze por Her. Yeesssss. Ufa! Salvou a noite para mim. 🙂 Baita texto o dele. E Jonze foi aplaudido de pé. Ele brinca que tem 42 segundos para falar, por isso ele corre para agradecer aos amigos e familiares. Grande figura e muito merecido!

Depois de mais um intervalo – perdi a conta de quantos tivemos! -, sobem ao palco Angelina Jolie e Sidney Poitier. Os dois, aplaudidíssimos. Jolie começou a fala dela agradecendo ao grande Poitier – antes, ela andou muito devagar para acompanhá-lo. Ele respirou fundo para conseguir seguir com a fala. Os dois apresentaram os indicados na categoria Melhor Diretor.

Emocionante ouvir o Poitier pedindo para os realizadores seguirem com o ótimo trabalho. E o Oscar foi para… Alfonso Cuarón, de Gravity. Grande diretor, e que fez um trabalho exemplar em Gravity. Ainda assim, admito que eu estava torcendo também por Scorsese. Cuarón repete as palavras de Sandra Bullock e diz que o filme foi uma experiência transformadora. Ele dividiu o prêmio com o filho e co-roteirista e com Sandra Bullock. Citou também George Clooney e várias outras pessoas que ajudaram o filme a sair – bacana ele citar Guillermo del Toro.

Na volta seguinte, DeGeneres brinca com Matthew McConaughey sobre ele ter perdido tudo dançando. E sobe ao palco Daniel Day-Lewis para apresentar as indicadas na categoria Melhor Atriz. E o Oscar foi para… Cate Blanchett, de Blue Jasmine. Estatueta cantadíssima, mas ainda assim tinha gente – inclusive eu – esperando por uma possível zebra. Ela subiu ao palco e foi aplaudida de pé. Diz que foi uma honra especial receber o prêmio da mão de Day-Lewis. Generosa, ela cita todas as demais candidatas. Agora, mais que antes, admito que ela mereceu o prêmio – especialmente pela postura que ela teve e tem. E o mais bacana de tudo, ela citar no final a Companhia de Teatro de Sydney. Muito legal!

Caminhando mais firme desta vez, Jennifer Lawrence aparece no palco para apresentar os cinco indicados na categoria Melhor Ator. E o Oscar foi para… Matthew McConaughey, de Dallas Buyers Club. Uau! Que maravilha! Esse ator está na melhor fase da vida. Era o momento de ganhar a estatueta. Foi bem aplaudido e começou agradecendo os votantes da Academia. Em seguida, agradeceu o diretor de Dallas Buyers Club, Jared Leto e Jennifer Garner.

Ele disse que precisa de três coisas todos os dias. Agradeceu a Deus, que dá todas as oportunidades da vida dele, e que a gratidão é recíproca. Depois, falou da família, que é quem ele busca sempre, e citou especialmente a mãe e a esposa. E finalmente ele fala do herói dele, que ele busca sempre, e este herói é ele no futuro. Comentou que ele vai semrpe buscar este herói, ainda que ele nunca se torne um. Discurso interessante e corajoso. Sem ser McConaughey, acho que o Leonardo DiCaprio merecia o prêmio.

DF-02238.CR2Finalizando a noite, Will Smith relembrou os nove indicados deste ano como Melhor Filme. E o Oscar foi para… 12 Years a Slave. Dei o favorito. Sem zebras este ano. Muita celebração na plateia. Brad Pitt foi o primeiro a falar, como produtor do filme. Ele iniciou dizendo que foi um privilégio ter trabalhado no filme, e chamou Steve McQueen para discursar. O diretor agradeceu a Academia e seguiu uma lista de nomes, muitos que foram fundamentais para o filme ser concretizado. Ao agradecer a mãe, mostraram ela no fundo da sala – apesar de estar lá, ela teve a chance de ver o filme levando a estatueta e pulando muito no palco.

E assim se foi mais um Oscar. Neste ano, sem surpresas. Todos os favoritos levaram a sua estatueta. E algumas produções bem indicadas, como American Hustle e The Wolf of Wall Street, saíram de mãos vazias. Francamente? Gostei do resultado final. Claro que gostaria de ver The Wolf com algum Oscar, mas também não dá para dizer que foram feitas injustiças.

Grande vencedor da noite: Gravity com sete estatuetas. Tiveram destaque também 12 Years a Slave, com três estatuetas, e Dallas Buyers Club com três Oscar’s. Para quem não assistiu a premiação, a TNT reexibe a entrega do Oscar nesta segunda-feira, dia 3 de março, pouco depois das 11h. E agora é esperar pela premiação do próximo ano, com a garantia de que ele nos trará muitos filmes bons, a exemplo deste ano. Abraços e até lá!

ADENDO (04/03): Pessoal, para quem não leu o post com as apostas, quando foram divulgados todos os indicados deste ano no Oscar, facilito aqui o link. Mais que ver o que eu acertei ou errei – até porque, na época, faltava ver muitos filmes ainda, o que fui fazendo aos poucos -, acho interessante dar uma olhada por lá porque ali as críticas de todos os filmes que eu assisti até agora estão facilitadas com links nos respectivos nomes. Boa leitura!