Indicados ao Oscar 2018 – Lista Completa e Avaliações

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Saudações, amigos e amigas do blog!

Hoje, diferente de anos anteriores, eu não consegui publicar aqui mais cedo a lista de todos os indicados para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Mas agora sim, vou fazer isso. Retomar a nossa tradição de publicar a lista e de comentar quem são os favoritos e os meus palpites para cada categoria.

Os indicados ao Oscar 2018 foram divulgados hoje, no dia 23 de janeiro de 2018, antes do meio-dia no horário de Brasília. Quem fez as honras da divulgação, dividida em duas partes, como ocorreu no ano passado, foram os atores Tiffany Haddish e Andy Serkis. Primeiro, a dupla de apresentadores divulgou as 11 categorias mais técnicas e, depois, as 13 categorias consideradas principais.

O anúncio dos indicados foi feito no Teatro Samuel Goldwyn, de propriedade da Academia, e transmitido ao vivo por diversos canais, inclusive os dois sites ligados à premiação e à Academia. A primeira leva de indicados foi precedida sempre por um vídeo curto de “apresentação” de cada uma das categorias técnicas.

Estrelaram esses vídeos os seguintes membros da Academia: Priyanka Chopra, Rosario Dawson, Gal Gadot, Salma Hayek, Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Molly Shannon, Rebel Wilson e Michelle Yeoh. Se você ficou curioso(a) para ver o anúncio dos indicados, deixo o vídeo com a transmissão mais abaixo. 😉

A lista de indicados em quase todas as categorias foi definida pelos respectivos pares que fazem parte da Academia. Ou seja, os membros que são editores apontaram os cinco indicados em Melhor Edição; os diretores apontaram os cinco finalistas na categoria Melhor Diretor; e assim por diante. As categorias Melhor Animação e Melhor Filme em Língua Estrangeira foram definidas por dois comitês formados por profissionais de diferentes áreas e que fazem parte da Academia. E a categoria Melhor Filme foi definida pelo voto de todos.

Passada essa fase das indicações, entre os dias 20 e 27 de fevereiro, todos os membros da Academia votam em naqueles que eles consideram os melhores em cada uma das 24 categorias do Oscar 2018. O resultado dessa votação será conhecido por todos nós no dia 4 de março na cerimônia de premiação no Dolby Theatre at Hollywood & Highland Center, em Hollywood, com transmissão para o Brasil e outros 224 países.

Feito esse preâmbulo e essa explicação sobre o que aconteceu hoje e o que irá suceder até a entrega das estatuetas douradas, vamos falar um pouco sobre o saldo dos indicados para o prêmio da Academia. Olha, foram poucas as surpresas. Praticamente todos os favoritos foram lembrados. Mas, admito, me chamou a atenção, duas grandes ausências entre os indicados.

Dois filmes considerados favoritos ficaram de fora de suas respectivas categorias. Me refiro ao filme In the Fade, do grande Fatih Akin, que foi esnobado e ficou de fora da disputa na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira; e ao documentário Fade, vencedor do Producers Guild Awards e de várias outras premiações. Os dois filmes, aliás, vinham se destacando por estarem papando boa parte dos prêmios dessa temporada e, apesar disso, foram esnobados pela Academia. Curioso, no mínimo.

Sem In the Fade na disputa, francamente, sou honesta em dizer que não me surpreenderia se o Chile papasse o prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira nesse ano. Logo mais, veremos. No mais, a grande disputa do ano parece estar entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (comentado aqui) e The Shape of Water. Ah sim, e chamou um pouco a atenção as esnobadas para Steven Spielberg e The Big Sick (que foi lembrado apenas em Roteiro Original) e o crescimento do filme Phantom Thread, do sempre interessante Paul Thomas Anderson.

Declaro, junto com esse post, aberta a temporada de “correr atrás” do máximo de filmes indicados esse ano ao Oscar. 😉 Como vocês sabem, eu já comecei essa busca – prova disso é que seis dos nove filmes indicados na categoria principal já foram comentados aqui no blog. Mas, agora, está na hora de ir colocando o “check” em cada uma das produções que ainda me faltam. Abaixo, deixo a lista de todos os indicados, conforme a divulgação da Academia, e uma breve avaliação sobre os finalistas em cada categoria.

E bons filmes para todos nós! Algo é certo: essa temporada tem uma safra bem interessante e diversificada. O público, agradece.

CONFIRA A LISTA DE TODOS OS INDICADOS AO OSCAR 2018:

Melhor Ator:

Avaliação: Essa categoria, assim como as outras envolvendo os astros e estrelas de Hollywood, não teve surpresas nesse ano. Todos esses nomes já eram esperados. Não assisti ainda ao trabalho de Denzel Washington e de Daniel Day-Lewis, mas conhecendo o histórico desses dois grandes atores e o talento de ambos, imagino que eles mereceram as suas indicações. Timothée Chalamet está em alta por causa de Call Me By Your Name e por seu trabalho como coadjuvante em Lady Bird (para esse, ele não foi indicado). Daniel Kaluuya estrela um dos grandes filmes do ano, Get Out.

Então sim, todos os que estão concorrendo tem talento e trabalho de destaque esse ano para ter justificado as suas indicações. Daniel Day-Lewis conseguiu a quinta vaga nessa categoria desbancando James Franco, de The Disaster Artist (ele foi indicado por esse papel ao Globo de Ouro, mas ficou de fora do Oscar). Faz parte. Sempre a quinta vaga pode ser conquistada por dois ou até três atores. Não falei antes de Gary Oldman porque ele está simplesmente impecável e espetacular em Darkest Hour. Ele faz o filme. É o favoritíssimo nessa categoria, até porque vem “papando tudo” nessa temporada.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Outra categoria sem surpresas. Todos os nomes acima estavam muito bem cotados. Willem Dafoe está ótimo em The Florida Project (o próximo filme que eu vou comentar aqui no blog) e, certamente, mereceu essa indicação. Woody Harrelson e Sam Rockwell fazem um excelente trabalho em Three Billboards, assim como Frances McDormand – eles são os grandes nomes do filme. Richard Jenkins, que é sempre ótimo, estava também bem cotado por The Shape of Water, e Christopher Plummer conquistou a quinta vaga.

Os veteranos Christopher Plummer e Richard Jenkins não precisam ser apresentados. Eles são ótimos e muitas vezes não recebem os prêmios que mereciam. Nesse ano, eles também correm totalmente por fora. Woody Harrelson e Willem Dafoe também não precisam de apresentações. Ambos conquistaram as suas vagas com belos trabalhos. Mas o favoritíssimo nessa categoria, inclusive porque ganhou o Globo de Ouro – e boa parte dos outros prêmios dessa temporada -, é Sam Rockwell. Dificilmente ele não vai levar esse prêmio. E será merecido.

Melhor Atriz:

Avaliação: Mais uma categoria repleta de gente talentosa e com a “escalação” praticamente definida com antecedência. Frances McDormand é a grande favorita, seguida a partir de uma certa distância por Saoirse Ronan e Sally Hawkins. Elas estrelam três dos filmes mais badalados e comentados do ano. Então é fácil de entender que as estrelas desses filmes sejam indicadas. Fiquei particularmente feliz por Margot Robbie ter conseguido a sua indicação – ela está simplesmente incrível em I, Tonya.

E a quinta vaga foi conquistada por ninguém mais, ninguém menos que a recordista absoluta de indicações no Oscar, a gigante e inesquecível Meryl Streep. Difícil um ano em que a atriz não é indicado ao Oscar. De 2010 para cá, ela só não foi indicada em três anos. De 1979 para cá, Meryl Streep ganhou três estatuetas do Oscar e foi indicada outras 18 vezes. Ou seja, no total, o nome dela foi citado 21 vezes em uma premiação do Oscar. Incrível. Mas, mais uma vez, ela ficará apenas entre as indicadas. Essa grande atriz conquistou a quinta vaga desse ano deixando outra veterana de fora da disputa: Judi Dench.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Nomes bem cotados nessa categoria também. Mas aqui, se compararmos as indicações do Oscar com o Screen Actors Guild Award, é onde tivemos as maiores mudanças. Allison Janney e Laurie Metcalf, as mais fortes concorrentes nessa categoria, repetiram no Oscar a indicação junto com Mary J. Blige. As outras duas atrizes conquistaram as suas indicações deixando para trás Hong Chau (Downsizing) e Holly Hunter (The Big Sick). Ainda assim, não dá para dizer, exatamente que foi uma surpresa ver as indicações de Octavia Spencer e Lesley Manville.

Especialmente Octavia Spencer estava bem cotada para essa categoria. E como o filme Phantom Thread cresceu bastante na campanha do Oscar, Lesley Manville conquistou a quinta vaga – no lugar de Hong Chau, especialmente. A atriz inglesa, que tem 10 prêmios no currículo e que recebeu, esse ano, a sua primeira indicação ao Oscar, talvez seja a única “surpresa” entre os atores e atrizes indicados. As chances dela de ganhar, são zero. A favorita é Allison Janney, mas não seria uma grande zebra se Laurie Metcalf levasse a estatueta para casa. Pessoalmente, torço por Janney.

Melhor Animação:

Avaliação: Sem surpresas nessa categoria. O que é algo bastante positivo em um ano com filmes menos interessantes “na disputa” – e que, ainda bem, ficaram de fora da lista final. Acredito que realmente os melhores do ano foram indicados. Vale uma menção especial, aqui, para a indicação do brasileiro Carlos Saldanha como diretor de Ferdinand. Esta é a segunda indicação desse “orgulho nacional” no Oscar – antes, ele concorreu por Gone Nutty. As chances dele vencer são nulas.

O favoritíssimo desse ano é o filme Coco, uma produção do estúdio Walt Disney. Dificilmente, mas muito dificilmente mesmo, esse filme não vai levar a estatueta para casa. Os produtores Lee Unkrich e Darla K. Anderson, vencedores de um Oscar por Toy Story 3, tem tudo para levarem o segundo Oscar para casa. Da minha parte, fiquei especialmente feliz pela indicação de Loving Vincent. Belo filme que mereceu muito essa indicação!

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Esses cinco filmes já eram esperados na disputa por Melhor Fotografia. Fiquei especialmente feliz pela indicação de Blade Runner 2049 – aqui e em todas as demais categorias em que o filme está concorrendo. Ainda que ele não leve nenhuma estatueta para casa, só fato dele não ter sido esnobado já me deixou bem contente. Dos três filmes da lista que eu assisti (Blade Runner 2049, Darkest Hour e Dunkirk), sou honesta em dizer que eu fico dividida entre Blade Runner 2049 e Dunkirk.

Os dois trabalhos são excepcionais, mas se eu pudesse votar, votaria em Blade Runner 2049. Eu não assisti ainda a The Shape of Water e a Mudbound, mas eu acho que a disputa está mesmo entre Blade Runner 2049 e Dunkirk. A bolsa de apostas aponta para o primeiro. Veremos se a maioria acerta. Como eu gostei muito de Blade Runner 2049, espero que o filme não saia de mãos abanando do Oscar 2018.

Melhor Figurino:

Avaliação: Essa categoria, tão interessante e tão pouco falada a cada Oscar, estava bem disputada esse ano. Tanto que dois filmes que estavam bem cotados para concorrer ao Oscar ficaram de fora da disputa: The Greatest Showman e Murder of the Orient Express. Eu não posso falar muito sobre Melhor Figurino porque eu só vi dois filmes dos cinco indicados – e dos sete bem cotados. Mas… pelo trailer que eu assisti e pelas fotografias que eu vi de The Greatest Showman, me parece que esse filme foi um tanto “injustiçado” por ficar de fora da disputa.

Como não assisti a três dos indicados, não me sinto preparada para avaliar de quem é a maior chance ainda. Nas bolsas de apostas, aparecem na liderança Phantom Thread e Beauty and the Beast. Honestamente, pelo sucesso que o filme teve no ano passado, acho que Beauty and the Beast pode levar a melhor. Algo a chamar a atenção é que a veterana Jacqueline Durran, vencedora de um Oscar por Anna Karenina, de 2012, está concorrendo duplamente nesse ano: por Beauty and the Beast e por Darkest Hour.

Melhor Diretor:

Avaliação: Três dos indicados nessa categoria eram “bolas cantadas”, mas duas vagas foram conquistadas na reta final da campanha dos estúdios pelas indicações ao Oscar. Guillermo del Toro, Christopher Nolan e Jordan Peele tinham as suas cadeiras reservadas na disputa por causa do trabalho excelente que eles fizeram em seus respectivos filmes – eu não assisti ainda a The Shape of Water, mas conheço bem o talento de del Toro para saber que ele merece qualquer indicação.

Eu sou fã de Paul Thomas Anderson. Gosto muito de seu estilo e trajetória. Ainda assim, preciso admitir que ele foi o nome que conquistou a quinta vaga nessa categoria, desbancando nomes fortíssimos como Steven Spielberg (por The Post) e o diretor de um dos filmes mais badalados do ano, Three Billboards, Martin McDonagh. Greta Gerwig, que escreveu e dirigiu o filme queridinho da crítica nessa temporada, Lady Bird, foi menos surpreendente ao conquistar o quarto posto. Entre os nomes na disputa, acredito que a grande rivalidade está entre Guillermo del Toro e Christopher Nolan. Um dos dois deve levar a estatueta – mesmo sem ter assistido ainda a The Shape of Water, admito que eu torço por del Toro.

Melhor Documentário:

  • Abacus: Small Enough to Jail
  • Faces Places
  • Icarus
  • Last Men in Aleppo
  • Strong Island

Avaliação: Essa categoria logo me chamou a atenção, assim como a de Melhor Filme em Língua Estrangeira. E a razão para isso é simples: ficou de fora da disputa um dos filmes favoritos do ano, Jane. Essa produção ganhou o Producers Guild Awards e vários outros prêmios da temporada. Realmente fiquei surpresa de não ver ela entre os finalistas. Jane também liderava, e com uma ampla vantagem, as bolsas de apostas.

Não assisti ainda a nenhum desses documentários. Mas pela premissa de cada filme, acho que Last Men in Aleppo e Icarus tem boas chances. Segundo as bolsas de apostas, contudo, Faces Places teria vantagem na disputa, seguido de Icarus. Essa é uma categoria sobre a qual eu prefiro opinar no futuro a curto prazo, quando eu começar a assistir aos filmes que estão na disputa.

Melhor Curta Documentário:

  • Edith+Eddie
  • Heaven Is a Traffic Jam on the 405
  • Heroin(e)
  • Knife Skills
  • Traffic Stop

Avaliação: Aqui, mais uma vez, o favorito das bolsas de apostas ficou de fora da disputa. Alone não foi indicado, mas o segundo colocado, Heroin(e), sim. Novamente, prefiro opinar sobre essa categoria depois de assistir aos concorrentes.

Melhor Edição:

Avaliação: Um dos fenômenos desse ano, Baby Driver, conseguiu a sua primeira indicação no Oscar 2018 nessa categoria. Na verdade, essa categoria é toda composta de “filmes sensação” do ano. Não necessariamente eles foram bem nas bilheterias, mas se deram bem na opinião do público e da crítica.

Da lista acima, ainda preciso conferir Baby Driver e The Shape of Water. Entre os demais, as bolsas de apostas apontam como franco favorito Dunkirk. Ainda que eu goste muito de I, Tonya e prefira esse filme, admito que Dunkirk dá um show de edição. Não seria nem um pouco injusto que ele se sangrasse o vencedor como Melhor Edição.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Essa foi outra categoria que me chamou muito a atenção por causa de uma grande ausência. Quem acompanha o blog há bastante tempo, acho que sabe que a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira é uma das minhas favoritas a cada Oscar. Esse ano, não é diferente. Alguns filmes dos quais eu tinha gostado já tinham ficado pelo caminho, e ainda que eu não tenha assistido a In the Fade, eu considerava esse o favorito. Não apenas por ele ter vencido ao Globo de Ouro e a vários outros prêmios, mas porque conheço bem o trabalho do diretor Fatih Akin.

Então sim, foi uma surpresa não ver In the Fade entre os finalistas. Por outro lado, não foi surpresa alguma ver ao chileno A Fantastic Woman – um dos meus próximos filmes a ser comentado por aqui – e ao russo Loveless na lista dos cinco indicados. Os outros dois, The Square e On Body and Soul, também se credenciaram como fortes candidatos nessa temporada por causa dos prêmios que receberam. Segundo as bolsas de apostas, A Fantastic Woman seria o favorito. Da minha parte, de quem não assistiu a todos os indicados ainda, eu diria que The Square ou On Body and Soul tem boas chances também. Essa categoria, até por In the Fade ter ficado de fora, está entre as mais difíceis de acertar nesse ano.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Categoria curiosa que, nos últimos anos, tem indicado apenas três filmes. Não é por falta de candidatos, mas porque a Academia prefere indicar apenas as “unanimidades”, digamos assim, em Maquiagem e Cabelo. Para mim, surpresa alguma nessas indicações. Realmente esses três filmes tem trabalhos excepcionais de Maquiagem e Cabelo – mas Star Wars: The Last Jedi, que nem ficou na lista dos pré-indicados, Guardians of the Galaxy Vol. 2 e outros filmes também tem. Vai entender porque outros títulos não foram indicados…

Desses três trabalhos que acabaram figurando na lista dos indicados, a escolha é difícil – especialmente entre Darkest Hour e Wonder. Os dois trabalhos de Maquiagem e Cabelo são incríveis. Mas… as bolsas de apostas apontam para uma vitória de Darkest Hour. A transformação de Gary Oldman em Winston Churchill realmente é algo impressionante e digno de um Oscar. Eu votaria, provavelmente, por Darkest Hour também.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Outros indicados de peso em uma categoria difícil que parece estar bem disputada nesse ano. Por trás dessas produções, grandes nomes da música e das trilhas sonoras no cinema. Pessoas que fizeram – e continuam fazendo – história, como os veteranos e mestres John Williams, Hans Zimmer e Alexandre Desplat.

Segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water levaria uma certa vantagem sobre Dunkirk. Se avaliarmos os prêmios entregues nessa temporada, de fato Desplat parece levar uma certa vantagem sobre Zimmer. Mas qualquer um deles vencendo, será merecido. Não assisti a Phantom Thread e The Shape of Water, então ainda não me sinto totalmente “informada” para poder opinar. Mas, entre os outros três filmes, acredito que eu ficaria com Dunkirk. A trilha sonora da produção, que muitas vezes apresenta ausência de diálogos, realmente é marcante.

Melhor Canção Original:

  • “Mighty River” (Mudbound)
  • “Mystery Of Love” (Call Me By Your Name)
  • “Remember Me” (Coco)
  • “Stand Up For Something” (Marshall)
  • “This Is Me” (The Greatest Showman)

Avaliação: A grande ausência dessa categoria foi a música “Evermore”, do filme Beauty and the Beast. No lugar dela, entrou uma outra forte candidata, “Mighty River”. Canção Original é algo complicado de julgar. O filme Detroit, por exemplo, de algumas canções originais bastante marcantes. Entre os concorrentes, assisti apenas a Call Me By Your Name. Então fica difícil julgar com propriedade.

Pelo histórico do Oscar, que gosta de premiar canções de filmes de animação, me parece que “Remember Me” leva uma certa vantagem. As bolsas de apostas também apontam para essa direção. Pessoalmente, gosto muito da força de “This Is Me”. Essa pode ser a melhor chance de The Greatest Showman não sair de mãos vazias do Oscar. Mais uma categoria difícil e na qual pode pintar uma certa zebra.

Melhor Filme:

Avaliação: Tive sorte nesse ano. Dos nove filmes indicados na categoria principal do Oscar, eu já assisti a seis. 😉 Falta conferir, ainda, Phantom Thread, The Post e The Shape of Water. Produções dirigidas por três diretores de quem eu gosto muito. Sobre esses filmes, que eu ainda não assisti, não tenho como comentar. Dos outros seis, posso dizer que concordo com quase todas as indicações. Apenas Darkest Hour eu acho que não é tãooo bom a o ponto de ser indicado a Melhor Filme. No lugar dele, sem dúvida alguma, eu iria preferir I, Tonya, Blade Runner 2049 (que eu já sabia que estava fora da disputa) ou mesmo The Florida Project – que será o próximo filme comentado aqui no blog.

Entre os indicados, me parece que a grande queda de braço está entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri e The Shape of Water. Dunkirk viria na terceira posição. Preciso assistir ao filme do del Toro, mas entre os indicados que eu já assisti, sem dúvida eu ficaria com Three Billboards. Em segundo lugar, com Get Out. Mas isso pode mudar depois que eu ver aos filmes de Paul Thomas Anderson, Guillermo del Toro ou Steven Spielberg. Três gênios de quem eu gosto muito. Veremos. Logo falaremos sobre essas produções e eu baterei o meu martelo definitivamente. 😉

Melhor Design de Produção:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Os cinco filmes mais cotados foram, justamente, os que conseguiram uma indicação ao Oscar. Design de Produção é algo magnífico. Não vi a dois desses filmes – Beauty and the Beast e The Shape of Water -, mas pelas imagens dos filmes que eu vi, especialmente em fotografias, concordo com as indicações. Os cinco filmes são incríveis. Mas essa é uma categoria disputada.

Acredito, por exemplo, que The Greatest Showman também mereceria ser indicado. Mas não sobrou uma vaga para ele. Entre os filmes que eu vi até agora, não tenho como não considerar Blade Runner 2049 o mais incrível. Mas… segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water seria o favorito. Tenho que ver aos dois filmes que faltam para poder realmente bater o martelo. Ah sim, depois do filme do del Toro, Blade Runner 2049 seria o segundo mais visado pelas bolsas de apostas.

Melhor Curta Animação:

  • Dear Basketball
  • Garden Party
  • Lou
  • Negative Space
  • Revolting Rhymes

Avaliação: Categoria sobre a qual eu gosto de comentar aqui no blog. Em breve, tenham certeza, farei blog posts sobre as três categorias de curtas. Mas, como ainda não assisti aos concorrentes, prefiro comentar sobre eles depois. Na bolsa de apostas, o filme que liderava, e de disparada, In a Heartbeat, ficou de fora da lista dos indicados. O segundo mais apostado é Dear Basketball.

Melhor Curta:

  • DeKalb Elementary
  • The Eleven O’Clock
  • My Nephew Emmett
  • The Silent Child
  • Watu Wote (All of Us)

Avaliação: Nessa categoria, por muito pouco as bolsas de apostas não acertaram em cheio. Apenas o curta Icebox, que era apontado na quinta posição entre os favoritos, ficou de fora, cedendo a sua vaga para My Nephew Emmett. Ainda preciso assistir a essas produções, mas segundo os apostadores, teria uma vantagem considerável na disputa o curta DeKalb Elementary.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Mais uma categoria que junta a alguns dos filmes “fenômeno” da temporada e sobre a qual os apostadores acertaram em cheio. Os cinco favoritos conseguiram, de fato, ser indicados. Mais uma categoria em que a concorrência é das boas, porque temos apenas grandes trabalhos lutando por uma estatueta dourada. Da lista, não assisti a Baby Driver e a The Shape of Water. Mas entre os que eu assisti, fico honestamente em dúvida.

As bolsas de apostas apontam para Dunkirk como o favorito, seguindo muito, mas muito atrás por Blade Runner 2049. Pessoalmente, prefiro Blade Runner 2049. Mas sou capaz de admitir, também, que o trabalho de edição de som de Dunkirk é exemplar e de tirar o chapéu. Acredito que qualquer filme que vencer nessa categoria será merecedor.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Sim, a lista em Mixagem de Som é exatamente a mesmo da lista de Edição de Som. Isso se explica pelo trabalho excepcional dos cinco filmes nesses quesitos. Os apostadores, aqui, mais uma vez, acertaram em cheio. As minhas considerações e opinião são praticamente as mesmas da categoria anterior. Acho excepcional o trabalho de mixagem de som em todos os filmes que eu assisti dessa lista, e acho que Dunkirk deve levar a estatueta para casa.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Na lista, cinco filmes que investiram pesado em efeitos visuais. Como sempre, essa é uma das categorias que eu menos acompanho a cada Oscar – especialmente porque ela é formada, geralmente, por “blockbusters” que, como os leitores fieis dessa blog sabem, não são muito a minha “praia” – ou, para dizer de outra forma, não são muito o meu foco. Entre os indicados, assisti apenas a Blade Runner 2049 e a Star Wars: The Last Jedi. Francamente? Eu acharia bacana qualquer um desses dois filmes vencer.

Mas, segundo as bolsas de apostas, o favorito nessa disputa, e com uma certa vantagem, é War for the Planet of the Apes. Realmente preciso assistir aos outros três concorrentes para poder opinar, mas tenho certeza que não será feita injustiça nessa categoria porque todos os concorrentes capricharam nos efeitos visuais.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Que legal ver um filme baseado em uma HQ ser indicado a Melhor Roteiro Adaptado. Puxa, muito legal mesmo! Eu sou uma grande fã de HQs – mas admito que, nem sempre, estou super no “barato” de ver a uma adaptação delas no cinema. Ainda assim, eu assisti a Logan e acho que o filme mereceu sim essa indicação. Bacana. Dito isso, comento também que me falta conhecimento para opinar sobre essa categoria nesse momento.

Essa minha “mea culpa” é porque eu assisti apenas a Logan e a Call Me By Your Name da lista aí acima. Tenho que ver aos outros filmes para poder opinar. Entre os dois que eu vi, sem dúvidas o meu voto iria para Call Me By Your Name, uma adaptação muito bem feita e comovente de uma obra que me parece ser complicada de adaptar. Nas bolsas de apostas, o filme dirigido por Luca Guadagnino, com roteiro de James Ivory e com o brasileiro Rodrigo Teixeira entre os produtores é apontado, também, como o favorito nessa categoria. Honestamente? Estou torcendo por ele (até prova em contrário). Ah sim, e as bolsas de apostas acertaram em cheio na lista dos cinco indicados. Sem surpresas, portanto.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Gosto muito das duas categorias de roteiros no Oscar. Afinal, para mim, um grande filme deve ter um grande roteiro como base. Sempre. Mesmo comentando isso, devo dizer que eu tenho uma certa “predileção” por essa categoria, a de Melhor Roteiro Original. Nela que, geralmente, encontramos os filmes mais interessantes a cada ano. Novamente, em 2018, isso não é diferente.

Eu não assisti, ainda, a The Shape of Water e a The Big Sick, mas sei do “burburinho” que os dois filmes causaram por causa dos seus roteiros. Gostei muito também do roteiro de I, Tonya, mas entendo que tendo apenas cinco vagas, não dá para entrar todos os filmes bons dessa temporada. Entre as produções que eu assisti, acho que o meu voto iria para Get Out pelo ineditismo da história e pelas ótimas sacadas do diretor e roteirista Jordan Peele. Mas, para ser franca, eu não acharia injusto Three Billboards também levar o título – afinal, o roteiro do filme é ótimo também. Escolha difícil. Nas bolsas de apostas, Lady Bird é o favorito, seguido de Get Out. Bueno, gosto é gosto, mas eu não gostaria de ver Lady Bird vencedor nessa categoria.

 

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Lady Bird – Lady Bird: É Hora de Voar

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O final da adolescência é uma fase de autodescobertas e de muitas escolhas. É quando começamos a perceber melhor o que nos faz sentido, o que não faz, porque somos como somos e para onde queremos ir. Lady Bird trata dessa fase, das descobertas, de uma certa revolta e da aceitação pela qual passa uma adolescente. É um bom filme, mas sou franca em dizer que eu esperava mais. Primeiro, porque muitos apontam esse filme como um candidato sério a algumas indicações do Oscar e, inclusive, como possível vencedor em uma ou mais categoria. E, depois, pelas indicações que ele recebeu no Globo de Ouro e por ter sido premiado nesse domingo. A verdade é que a expectativa, que era considerável, não se realizou totalmente.

A HISTÓRIA: Começa com uma frase de Joan Didion: “Qualquer um que fale sobre o hedonismo da Califórnia nunca passou um Natal em Sacramento”. Em uma cama, Marion McPherson (Laurie Metcalf) está deitada ao lado da filha, Christine “Lady Bird” (Saoirse Ronan). Elas estão deixando uma cama de hotel, mas Marion faz questão de fazer a cama. A filha diz que ela não precisa fazer aquilo, mas Marion diz que é sempre bom fazer as coisas bem feitas. A mãe pergunta se a filha está pronta para voltar para casa, e Lady Bird diz que sim. Na volta para casa, de carro, mãe e filha ouvem o final de As Vinhas da Ira, de John Steinbeck. Mas a paz entre mãe e filha logo vai terminar, quando uma simples discussão sobre ligar o rádio termina com um desfecho surpreendente.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Lady Bird): Algumas pessoas não estão satisfeitas com o lugar de onde elas vieram. E nem com a vida que elas tem. Elas sonham em viver em um lugar distante, onde podem “voltar a ser feliz”. A grande questão é que, geralmente, esta idealização de um local diferente não passa disso mesmo, de uma idealização. Com pouco fundo prático ou ligado à realidade.

Lady Bird nos fala um pouco sobre isso. Sobre a vida que uma pessoa leva, sobre as suas expectativas e desejos, assim como trata da autodescoberta e das relações familiares e com a rede de amigos que nos cerca. Essa produção é bastante honesta e “moderniza” alguns filmes sobre adolescentes que já vimos antes, mas realmente Lady Bird é um filme brilhante?

Eu vi muita gente falando sobre esta produção. Muitos citando ela como uma forte candidata ao Oscar. Como sempre, evitei de ler críticas sobre o filme antes de assisti-lo, mas foi impossível ignorar a ótima aprovação da crítica sobre Lady Bird e como o filme está bem nas “bolsas de apostas” do Oscar. Por isso, devo admitir, assisti ao segundo filme dirigido pela atriz Greta Gerwig com muita expectativa.

Estava esperando uma interpretação irretocável de Saoirse Ronan e um roteiro igualmente inesquecível. E ainda que a atriz esteja muito bem, eu não acho que ela teve um desempenho para ganhar muitos prêmios – especialmente se pensarmos na safra deste ano e em outros desempenhos de atrizes protagonistas. Mas ok, resolveram fazer de Lady Bird o “filme da vez”, e isso acontece de tempos em tempos em Hollywood. Alguns críticos e formadores de opinião resolveram amar esta produção e ela virou um fenômeno.

Sim, Lady Bird tem os seus méritos. Para começar, como eu disse antes, ele ajuda a explicar a juventude do início dos anos 2000 que está na fase de se formar no ensino médio e que tem várias dúvidas sobre o que fazer da vida na faculdade. A busca pela própria identidade, que passa pelas relações familiares, de amigos, os encontros e desencontros da escola e a expectativa da “primeira vez” fazem parte deste contexto e são abordados nesse filme.

Como pano de fundo, vemos a questão social de uma cidade comum americana no início dos anos 2000, quando o pai de uma família perde o emprego e a esposa dele deve dobrar o turno de trabalho para conseguir sustentar a família. Lady Bird tem muitas críticas para fazer contra a mãe, que realmente tem dificuldades de demonstrar carinho e de expressar para a filha o que sente, mas ela também não percebe o quanto a mãe se esforça para manter todos unidos, a casa funcionando e, apesar das dificuldades, ainda ajudar as pessoas.

Desta forma, o roteiro escrito por Gerwig pode fazer muitos adolescentes pensarem de forma um pouco mais ampla – e menos egoísta. Sim, é verdade que Marion muitas vezes é dura demais com Lady Bird. Mas, no fim das contas, o que Marion quer é dar responsabilidade e ensinar valores que ela considera importante para a filha. É verdade que, às vezes, no processo, ela pode fazer mais mal do que bem para Lady Bird – especialmente quando diz para a garota que ela não vai conseguir passar nas faculdades que ela quer ir.

Olhando de forma ligeira para isso, podemos pensar que Marion tem a necessidade de sempre estar “diminuindo” a filha. Como uma forma de compensar as próprias frustrações. Mas uma outra forma de olhar para isso é observar como Marion não quer, no fundo, que a filha vá para longe dela. Apesar de não saber demonstrar os seus sentimentos e de não ser carinhosa, Marion ama a filha da mesma forma com que ama Miguel (Jordan Rodrigues), o filho mais velho.

Algo interessante desse filme é que ele mostra com bastante franqueza a realidade dos jovens americanos de 15 anos atrás. A protagonista, que alimenta o sonho de sair da cidade natal, da qual ela não gosta, para lançar-se em uma cidade maior, passa por experiências marcantes do último ano do ensino médio do qual os americanos gostam tanto de falar.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Assim, ela acaba se lançando em uma aula de teatro, onde se apaixona pelo jovem Danny O’Neill (Lucas Hedges). Ela vai se frustrar com ele ao descobrir que o garoto é gay. Na sequência, ela se lança na direção de outro jovem, o “artístico” e “descolado” Kyle Scheible (Timothée Chalamet). Como aconteceu antes com Danny, que frustrou as expectativas da jovem, Kyle também a decepciona. E tudo passa – percebemos isso realmente com a passagem do tempo – pelas expectativas que ela nutria sobre uma “primeira vez especial” e sobre romances perfeitos.

Lady Bird mostra, desta forma, os primeiros contatos da protagonista com a frustração e com a realização de um grande desejo – materializado no fato dela conseguir passar em uma universidade que ela queria e, especialmente, sair da cidade natal. Mas quando ela finalmente atinge este “plano ideal”, ela percebe que sair de casa não era realmente o problema. O que ela precisava era começar a olhar para a vida de forma mais franca, sem filtros e distorções. Reconhecer melhor de onde ela vinha e o que formava a sua própria identidade.

Esse é sempre um processo interessante. Lady Bird trata de forma interessante estas questões, ainda que grande parte da história gire em torno das “estripulias” de uma adolescente meio revoltada, meio sonhadora. Sim, os personagens são bem desenvolvidos e há uma ou outra sequência interessante no filme. Mas, no geral, achei ele bastante previsível, um tanto cheio de lugares-comum e de ideias requentadas. Verdade que eu estava esperando um grande filme pela frente, e talvez por causa da minha grande expectativa eu tenha achado ele um tanto frustrante.

Não quero colocar a culpa em outras fontes, mas talvez por ter visto a filmes tão bons nessa safra pré-Oscar – especialmente as produções habilitadas para concorrer na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira -, eu tenha esperado mais de uma produção considerada forte concorrente no ano. Para o meu gosto, produções de outros países que eu citei recentemente aqui no blog, como First They Killed My Father, The Divine Order, Loveless e On Body and Soul tiveram um impacto maior e um frescor de novidade muito maior do que Lady Bird.

Enfim, gosto é gosto. Por isso vou respeitar a todas as pessoas que discordarem de mim. Mas para os meus critérios de avaliação, Lady Bird é um filme com pouca criatividade e inovação. Fora a cena do carro, que está na parte inicial da produção, o restante desse filme não tem realmente um grande impacto ou surpresa. Sim, um filme não precisa ter isso para ser bom. Mas mesmo a parte “filosófica” e que faz pensar em Lady Bird me parece um tanto rasa.

Enfim, por tudo isso, achei esse filme abaixo das minhas expectativas. E só dou a nota abaixo para ele porque eu admito que ele faz um bom trabalho em dialogar com pais e filhos de uma geração mais nova – exatamente essa que nasceu nos anos 2000. Para eles, possivelmente, esse filme terá um efeito maior – até porque a maioria desses pais e filhos não assistiu a tantos filmes até o momento para perceber o quanto Lady Bird repete fórmulas. A contribuição desse filme para essa nova geração, a mensagem positiva da produção para o entendimento entre as pessoas diferentes de uma família, a aceitação de um indivíduo sobre as suas origens e as belas atuações que vemos em Lady Bird é o que me fazem dar a nota abaixo.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Alguém mais observador e que aparece com frequência aqui no blog deve ter notado que eu dei notas mais baixas do que o meu “normal” aqui nas últimas duas críticas. A verdade é que o comentário de um leitor aqui no blog, feito há pouco tempo, me fez repensar nas notas que eu ando conferindo para os filmes. E ainda que cada um tenha o seu critério de avaliação e de “pontuação”, e que esse critério deve ser respeitado, admito que o comentário me fez pensar que eu talvez andasse “muito generosa”.

Comentado isso, afirmo que a partir de agora eu tentarei ser mais “dura” e criteriosa com as notas altas. Realmente darei a nota máxima ou uma nota bastante alta para os filmes que me arrebatarem, que eu achar que são “imperdíveis”. Para os demais, tentarei ser um pouco mais justa na avaliação – especialmente na pontuação.

Sob esta ótica, provavelmente 50% das notas do blog deveriam ser rebaixadas. Mas vou pedir perdão para vocês porque eu não farei isso. Por pura falta de tempo. Se eu não tenho tido tempo nem de responder aos recados de vocês, quanto mais para rever com justiça todas as minhas avaliações aqui no blog. Conto com a generosidade dos leitores para entenderem notas possivelmente mais altas que eu dei anteriormente para filmes que não mereciam avaliação tão boa. A partir de agora, prometo, tentarei ser mais justa e criteriosa. 😉

Voltando a falar sobre Lady Bird, pois. Acho que um dos fatores que me fez não gostar taaanto assim desta produção – ao menos gostei menos do que a maioria dos críticos – foi o fato de que o nome dela me remeteu a outro filme. E, este sim, que eu achei muito mais potente e interessante. Me refiro a Lady Macbeth, produção que eu considero uma das melhores que eu vi em 2017. Enquanto, para o meu gosto, Lady Macbeth se mostra um filme potente e surpreendente, como eu comentei antes por aqui Lady Bird me pareceu um tanto requentado demais, com pouca novidade para mostrar.

Sem dúvida alguma o nome forte desta produção é o de Saoirse Ronan. A atriz soube encarnar muito bem o papel da protagonista. Realmente acreditamos que ela é uma adolescente cheia de questionamentos e com uma certa “crise de identidade”. A atriz não se parece em nada com outros papéis que já desempenhou. Além dela, os destaques desta produção são Laurie Metcalf, que interpreta a mãe da protagonista, Marion; Tracy Letts em uma interpretação sensível como Larry, pai de Lady Bird; Lucas Hedges mais uma vez fazendo um belo trabalho, desta vez como Danny; e Beanie Feldstein como Julie Steffans, melhor amiga da protagonista. Estas são as pessoas que realmente brilham em cena e convencem.

Além deles, outros atores também fazem um bom trabalho, ainda que com menos destaque. Vale citar, neste grupo, Timothée Chalamet como Kyle, segundo “affair” de Lady Bird; Lois Smith como a Irmã Sarah Joan, que é bastante compreensiva com as suas alunas na escola católica; Stephen Henderson como o Padre Leviatch, coordenador do teatro e que sofre com uma certa “crise” na vida; Odeya Rush como Jenna Walton, a garota popular do colégio de quem Lady Bird se aproxima lá pelas tantas; Jordan Rodrigues como Miguel, irmão mais velho da protagonista; Marielle Scott como Shelly Yuhan, namorada de Miguel e que acaba sendo “adotada”/abrigada pelos McPherson; Jake McDorman como Mr. Bruno, um dos professores “gatos” da escola; e Daniel Zovatto como Jonah Ruiz, namorado de Jenna.

Gostei da direção segura de Greta Gerwig. Ela faz um trabalho sempre próximo dos atores e parece, por ser uma atriz bastante experiente, deixá-los bastante à vontade para que eles consigam exprimir tudo que ela deseja para os personagens que criou. O roteiro dela é bom, mas poderia ser melhor. Ela opta por uma narrativa linear, por uma cena na parte inicial de impacto, para “chocar” um pouco o espectador, mas depois acaba se rendendo a uma narrativa um tanto previsível. Desenvolve bem os personagens centrais, ainda que o filme sendo totalmente contado sob a ótica de Lady Bird acaba limitando um pouco a narrativa. Neste sentido, gostei mais, por exemplo, da narrativa fragmenta e com múltiplos olhares de Wonder.

Entre os aspectos técnicos do filme, vale comentar a direção de fotografia “naturalista” de Sam Levy; a edição precisa de Nick Houy; os figurinos de April Napier; o design de produção de Chris Jones; a decoração de set de Traci Spadorcia; e a trilha sonora praticamente ausente de Jon Brion.

Lady Bird estreou no dia 1º de setembro no Festival de Cinema de Telluride. Depois, o filme participou de uma maratona de 17 festivais, um na sequência do outro. Nessa trajetória, o filme ganhou 55 prêmios e foi indicado a outros 126. Realmente são números impressionantes. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Filme – Musical ou Comédia e para Melhor Atriz em Musical e Comédia para Saoirse Ronan.

O filme também apareceu na lista dos 10 melhores filmes do ano segundo o Prêmio AFI; a atriz Laurie Metcalf ganhou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante 20 vezes; a atriz Saoirse Ronan venceu como Melhor Atriz oito vezes – sem contar o Globo de Ouro; Greta Gerwig recebeu três prêmios como Melhor Diretora; o filme ganhou cinco vezes o prêmio de Melhor Roteiro; e a produção foi reconhecida como Melhor Filme em quatro ocasiões  (descontado, novamente, o Globo de Ouro). Uma bela coleção de prêmios, não é mesmo?

Eu gosto muito de Greta Gerwig como atriz. Mas pelo burburinho que ela está provocando com Lady Bird, desconfio que ela vai “se jogar” mais na função de diretora e roteirista. Importante ponderar, contudo, que Lady Bird não é a sua estreia na direção. Ela debutou em 2008 com o filme Nights and Weekends, escrito e estrelado por ela. Mas sim, Lady Bird é apenas o seu segundo filme como realizadora. Agora sim, provocando efeito.

Agora, algumas curiosidades sobre esta produção. As atrizes Saoirse Ronan e Greta Gerwig se conheceram no Festival de Cinema de Toronto de 2015, quando Saoirse estava promovendo Brooklyn e Greta estava divulgando Maggie’s Plan. Saoirse leu o roteiro de Lady Bird e imediatamente se sentiu conectada com a protagonista. As duas então discutiram o roteiro no quarto de hotel de Saoirse, quando Greta disse que tinha achado a sua “Lady Bird”.

De acordo com Gerwig, a primeira versão do roteiro desse filme tinha 350 páginas. Se o filme tivesse sido rodado a partir desse original, ele teria seis horas de duração.

Lady Bird quebrou o recorde de críticas positivas de Toy Story 2. A animação registrou 163 comentários positivos no site Rotten Tomatoes antes de registrar a primeira crítica negativa. Lady Bird registrou 196 críticas positivas antes de aparecer o primeiro comentário negativo. Mesmo não tendo mais 100% de críticas positivas, ele registra esse percentual de aprovação entre os “melhores críticos” do site. Algo impressionante e que ajuda a explicar o “burburinho” pro trás desse filme.

Interessante como a diretora e roteirista faz algumas “homenagens” com esse filme. Christine, o nome de batismo de Lady Bird, era o nome da mãe de Greta Gerwig. Além disso, a mãe da protagonista da história, trabalha como enfermeira, mesma profissão da mãe da diretora.

Este foi o último filme feito pela atriz Lois Smith.

A história ocorre entre os anos de 2002 e 2003.

Como a história desse filme sugere, Lady Bird foi realmente rodado nas cidades de Sacramento, na Califórnia; South Pasadena e Los Angeles, no mesmo Estado; e em Nova York – onde a protagonista começa a amadurecer.

De acordo com o site Box Office Mojo, Lady Bird fez US$ 34,1 milhões apenas nas bilheterias dos Estados Unidos. Um resultado muito bom para um filme com “tintas” de independente.

Assistindo a esse filme, não tive como não lembrar da canção clássica da Legião Urbana. “(…) você me diz que seus pais não te entendem/ mas você não entende seus pais/ você culpa seus pais por isso, isso é absurdo/ são crianças como você/ o que você vai ser quando você crescer?”. Sim, mesmo os “revoltados” sempre percebem, mais cedo ou mais tarde, que tudo que eles gostariam eram do amor, do afeto e da “aceitação” dos seus pais. Mas todos nós somos falhos, e cada um tenta dar o melhor de sim. O quanto antes percebemos isso, melhor.

Lady Bird é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso esse filme entra na lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

Os usuários do site IMDb deram a nota 8,1 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 214 críticas positivas e apenas uma negativa para o filme – o que lhe garante a impressionante aprovação de 99% e a nota média tão impressionante quanto, para os padrões do site, de 8,8.

CONCLUSÃO: Um filme sobre o processo de amadurecimento e de autodescoberta sobre o qual todos passam. Lady Bird é focado na protagonista que se autodenominou desta forma. Um filme com uma boa pegada humana, sensível, sobre as origens de uma pessoa e a aceitação dela sobre as suas origens, assim como os seus desejos de mudar. Mas, francamente? Apesar de ter uma boa pegada e belas interpretações, especialmente de Saoirse Ronan, Lady Bird não nos apresenta nenhuma ideia nova.

Quem já assistiu a um bocado de filmes viu, antes, outras produções com essa mesma proposta. Se você for sem expectativa alguma ver a essa produção, talvez ache ela melhor. Como eu esperava algo muito bom, achei Lady Bird apenas mediano. Sim, há bons diálogos e personagens bem desenvolvidas, mas não vi nada assim de tão fantástico nessa produção. Para mim, a experiência foi um tanto frustrante. Mas espero que para você que me lê, sinceramente, ela seja melhor.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Então, minha gente, esse filme realmente caiu no gosto da crítica. Só não sei até que ponto ele caiu no gosto dos votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Mas, pelo andar da carruagem e avaliando não apenas os prêmios que o filme já recebeu mas as bolsas de apostas para o Oscar 2018, tudo indica que Lady Bird será bem indicado na premiação deste ano.

Não será uma surpresa se essa produção concorrer nas categoria de Melhor Filme, Melhor Diretora (Greta Gerwig), Melhor Atriz (Saoirse Ronan), Melhor Atriz Coadjuvante (Laurie Metcalf) e Melhor Roteiro Original. Ou seja, tudo indica que Lady Bird será indicado a cinco estatueta. Quantas ele deve ganhar? As chances maiores, me parece, são para Laurie Metcalf como Melhor Atriz Coadjuvante. O filme também será páreo duro e tem boas chances em Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz para Saoirse Ronan. Isso, ao menos, avaliando a opinião dos críticos e bolsas de apostas.

Da minha parte, pelo meu gosto pessoal, eu não daria o prêmio de Melhor Roteiro Original. Eu preciso ver a outros filmes que estão forte na disputa pelos prêmios, como The Shape of Water; The Post; Three Billboards Outside Ebbing, Missouri; Call Me By Your Name; The Florida Project; Darkest Hour; All the Money in the World e I, Tonya, mas desde já eu acredito que eu não votaria em Saoirse ou Laurie para ganhar as suas respectivas estatuetas. Mas, como eu não voto no Oscar, 😉 vejamos o que virá por aí.