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Oscar 2018

Indicados ao Oscar 2018 – Lista Completa e Avaliações

Saudações, amigos e amigas do blog!

Hoje, diferente de anos anteriores, eu não consegui publicar aqui mais cedo a lista de todos os indicados para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Mas agora sim, vou fazer isso. Retomar a nossa tradição de publicar a lista e de comentar quem são os favoritos e os meus palpites para cada categoria.

Os indicados ao Oscar 2018 foram divulgados hoje, no dia 23 de janeiro de 2018, antes do meio-dia no horário de Brasília. Quem fez as honras da divulgação, dividida em duas partes, como ocorreu no ano passado, foram os atores Tiffany Haddish e Andy Serkis. Primeiro, a dupla de apresentadores divulgou as 11 categorias mais técnicas e, depois, as 13 categorias consideradas principais.

O anúncio dos indicados foi feito no Teatro Samuel Goldwyn, de propriedade da Academia, e transmitido ao vivo por diversos canais, inclusive os dois sites ligados à premiação e à Academia. A primeira leva de indicados foi precedida sempre por um vídeo curto de “apresentação” de cada uma das categorias técnicas.

Estrelaram esses vídeos os seguintes membros da Academia: Priyanka Chopra, Rosario Dawson, Gal Gadot, Salma Hayek, Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Molly Shannon, Rebel Wilson e Michelle Yeoh. Se você ficou curioso(a) para ver o anúncio dos indicados, deixo o vídeo com a transmissão mais abaixo. 😉

A lista de indicados em quase todas as categorias foi definida pelos respectivos pares que fazem parte da Academia. Ou seja, os membros que são editores apontaram os cinco indicados em Melhor Edição; os diretores apontaram os cinco finalistas na categoria Melhor Diretor; e assim por diante. As categorias Melhor Animação e Melhor Filme em Língua Estrangeira foram definidas por dois comitês formados por profissionais de diferentes áreas e que fazem parte da Academia. E a categoria Melhor Filme foi definida pelo voto de todos.

Passada essa fase das indicações, entre os dias 20 e 27 de fevereiro, todos os membros da Academia votam em naqueles que eles consideram os melhores em cada uma das 24 categorias do Oscar 2018. O resultado dessa votação será conhecido por todos nós no dia 4 de março na cerimônia de premiação no Dolby Theatre at Hollywood & Highland Center, em Hollywood, com transmissão para o Brasil e outros 224 países.

Feito esse preâmbulo e essa explicação sobre o que aconteceu hoje e o que irá suceder até a entrega das estatuetas douradas, vamos falar um pouco sobre o saldo dos indicados para o prêmio da Academia. Olha, foram poucas as surpresas. Praticamente todos os favoritos foram lembrados. Mas, admito, me chamou a atenção, duas grandes ausências entre os indicados.

Dois filmes considerados favoritos ficaram de fora de suas respectivas categorias. Me refiro ao filme In the Fade, do grande Fatih Akin, que foi esnobado e ficou de fora da disputa na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira; e ao documentário Fade, vencedor do Producers Guild Awards e de várias outras premiações. Os dois filmes, aliás, vinham se destacando por estarem papando boa parte dos prêmios dessa temporada e, apesar disso, foram esnobados pela Academia. Curioso, no mínimo.

Sem In the Fade na disputa, francamente, sou honesta em dizer que não me surpreenderia se o Chile papasse o prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira nesse ano. Logo mais, veremos. No mais, a grande disputa do ano parece estar entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (comentado aqui) e The Shape of Water. Ah sim, e chamou um pouco a atenção as esnobadas para Steven Spielberg e The Big Sick (que foi lembrado apenas em Roteiro Original) e o crescimento do filme Phantom Thread, do sempre interessante Paul Thomas Anderson.

Declaro, junto com esse post, aberta a temporada de “correr atrás” do máximo de filmes indicados esse ano ao Oscar. 😉 Como vocês sabem, eu já comecei essa busca – prova disso é que seis dos nove filmes indicados na categoria principal já foram comentados aqui no blog. Mas, agora, está na hora de ir colocando o “check” em cada uma das produções que ainda me faltam. Abaixo, deixo a lista de todos os indicados, conforme a divulgação da Academia, e uma breve avaliação sobre os finalistas em cada categoria.

E bons filmes para todos nós! Algo é certo: essa temporada tem uma safra bem interessante e diversificada. O público, agradece.

CONFIRA A LISTA DE TODOS OS INDICADOS AO OSCAR 2018:

Melhor Ator:

Avaliação: Essa categoria, assim como as outras envolvendo os astros e estrelas de Hollywood, não teve surpresas nesse ano. Todos esses nomes já eram esperados. Não assisti ainda ao trabalho de Denzel Washington e de Daniel Day-Lewis, mas conhecendo o histórico desses dois grandes atores e o talento de ambos, imagino que eles mereceram as suas indicações. Timothée Chalamet está em alta por causa de Call Me By Your Name e por seu trabalho como coadjuvante em Lady Bird (para esse, ele não foi indicado). Daniel Kaluuya estrela um dos grandes filmes do ano, Get Out.

Então sim, todos os que estão concorrendo tem talento e trabalho de destaque esse ano para ter justificado as suas indicações. Daniel Day-Lewis conseguiu a quinta vaga nessa categoria desbancando James Franco, de The Disaster Artist (ele foi indicado por esse papel ao Globo de Ouro, mas ficou de fora do Oscar). Faz parte. Sempre a quinta vaga pode ser conquistada por dois ou até três atores. Não falei antes de Gary Oldman porque ele está simplesmente impecável e espetacular em Darkest Hour. Ele faz o filme. É o favoritíssimo nessa categoria, até porque vem “papando tudo” nessa temporada.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Outra categoria sem surpresas. Todos os nomes acima estavam muito bem cotados. Willem Dafoe está ótimo em The Florida Project (o próximo filme que eu vou comentar aqui no blog) e, certamente, mereceu essa indicação. Woody Harrelson e Sam Rockwell fazem um excelente trabalho em Three Billboards, assim como Frances McDormand – eles são os grandes nomes do filme. Richard Jenkins, que é sempre ótimo, estava também bem cotado por The Shape of Water, e Christopher Plummer conquistou a quinta vaga.

Os veteranos Christopher Plummer e Richard Jenkins não precisam ser apresentados. Eles são ótimos e muitas vezes não recebem os prêmios que mereciam. Nesse ano, eles também correm totalmente por fora. Woody Harrelson e Willem Dafoe também não precisam de apresentações. Ambos conquistaram as suas vagas com belos trabalhos. Mas o favoritíssimo nessa categoria, inclusive porque ganhou o Globo de Ouro – e boa parte dos outros prêmios dessa temporada -, é Sam Rockwell. Dificilmente ele não vai levar esse prêmio. E será merecido.

Melhor Atriz:

Avaliação: Mais uma categoria repleta de gente talentosa e com a “escalação” praticamente definida com antecedência. Frances McDormand é a grande favorita, seguida a partir de uma certa distância por Saoirse Ronan e Sally Hawkins. Elas estrelam três dos filmes mais badalados e comentados do ano. Então é fácil de entender que as estrelas desses filmes sejam indicadas. Fiquei particularmente feliz por Margot Robbie ter conseguido a sua indicação – ela está simplesmente incrível em I, Tonya.

E a quinta vaga foi conquistada por ninguém mais, ninguém menos que a recordista absoluta de indicações no Oscar, a gigante e inesquecível Meryl Streep. Difícil um ano em que a atriz não é indicado ao Oscar. De 2010 para cá, ela só não foi indicada em três anos. De 1979 para cá, Meryl Streep ganhou três estatuetas do Oscar e foi indicada outras 18 vezes. Ou seja, no total, o nome dela foi citado 21 vezes em uma premiação do Oscar. Incrível. Mas, mais uma vez, ela ficará apenas entre as indicadas. Essa grande atriz conquistou a quinta vaga desse ano deixando outra veterana de fora da disputa: Judi Dench.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Nomes bem cotados nessa categoria também. Mas aqui, se compararmos as indicações do Oscar com o Screen Actors Guild Award, é onde tivemos as maiores mudanças. Allison Janney e Laurie Metcalf, as mais fortes concorrentes nessa categoria, repetiram no Oscar a indicação junto com Mary J. Blige. As outras duas atrizes conquistaram as suas indicações deixando para trás Hong Chau (Downsizing) e Holly Hunter (The Big Sick). Ainda assim, não dá para dizer, exatamente que foi uma surpresa ver as indicações de Octavia Spencer e Lesley Manville.

Especialmente Octavia Spencer estava bem cotada para essa categoria. E como o filme Phantom Thread cresceu bastante na campanha do Oscar, Lesley Manville conquistou a quinta vaga – no lugar de Hong Chau, especialmente. A atriz inglesa, que tem 10 prêmios no currículo e que recebeu, esse ano, a sua primeira indicação ao Oscar, talvez seja a única “surpresa” entre os atores e atrizes indicados. As chances dela de ganhar, são zero. A favorita é Allison Janney, mas não seria uma grande zebra se Laurie Metcalf levasse a estatueta para casa. Pessoalmente, torço por Janney.

Melhor Animação:

Avaliação: Sem surpresas nessa categoria. O que é algo bastante positivo em um ano com filmes menos interessantes “na disputa” – e que, ainda bem, ficaram de fora da lista final. Acredito que realmente os melhores do ano foram indicados. Vale uma menção especial, aqui, para a indicação do brasileiro Carlos Saldanha como diretor de Ferdinand. Esta é a segunda indicação desse “orgulho nacional” no Oscar – antes, ele concorreu por Gone Nutty. As chances dele vencer são nulas.

O favoritíssimo desse ano é o filme Coco, uma produção do estúdio Walt Disney. Dificilmente, mas muito dificilmente mesmo, esse filme não vai levar a estatueta para casa. Os produtores Lee Unkrich e Darla K. Anderson, vencedores de um Oscar por Toy Story 3, tem tudo para levarem o segundo Oscar para casa. Da minha parte, fiquei especialmente feliz pela indicação de Loving Vincent. Belo filme que mereceu muito essa indicação!

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Esses cinco filmes já eram esperados na disputa por Melhor Fotografia. Fiquei especialmente feliz pela indicação de Blade Runner 2049 – aqui e em todas as demais categorias em que o filme está concorrendo. Ainda que ele não leve nenhuma estatueta para casa, só fato dele não ter sido esnobado já me deixou bem contente. Dos três filmes da lista que eu assisti (Blade Runner 2049, Darkest Hour e Dunkirk), sou honesta em dizer que eu fico dividida entre Blade Runner 2049 e Dunkirk.

Os dois trabalhos são excepcionais, mas se eu pudesse votar, votaria em Blade Runner 2049. Eu não assisti ainda a The Shape of Water e a Mudbound, mas eu acho que a disputa está mesmo entre Blade Runner 2049 e Dunkirk. A bolsa de apostas aponta para o primeiro. Veremos se a maioria acerta. Como eu gostei muito de Blade Runner 2049, espero que o filme não saia de mãos abanando do Oscar 2018.

Melhor Figurino:

Avaliação: Essa categoria, tão interessante e tão pouco falada a cada Oscar, estava bem disputada esse ano. Tanto que dois filmes que estavam bem cotados para concorrer ao Oscar ficaram de fora da disputa: The Greatest Showman e Murder of the Orient Express. Eu não posso falar muito sobre Melhor Figurino porque eu só vi dois filmes dos cinco indicados – e dos sete bem cotados. Mas… pelo trailer que eu assisti e pelas fotografias que eu vi de The Greatest Showman, me parece que esse filme foi um tanto “injustiçado” por ficar de fora da disputa.

Como não assisti a três dos indicados, não me sinto preparada para avaliar de quem é a maior chance ainda. Nas bolsas de apostas, aparecem na liderança Phantom Thread e Beauty and the Beast. Honestamente, pelo sucesso que o filme teve no ano passado, acho que Beauty and the Beast pode levar a melhor. Algo a chamar a atenção é que a veterana Jacqueline Durran, vencedora de um Oscar por Anna Karenina, de 2012, está concorrendo duplamente nesse ano: por Beauty and the Beast e por Darkest Hour.

Melhor Diretor:

Avaliação: Três dos indicados nessa categoria eram “bolas cantadas”, mas duas vagas foram conquistadas na reta final da campanha dos estúdios pelas indicações ao Oscar. Guillermo del Toro, Christopher Nolan e Jordan Peele tinham as suas cadeiras reservadas na disputa por causa do trabalho excelente que eles fizeram em seus respectivos filmes – eu não assisti ainda a The Shape of Water, mas conheço bem o talento de del Toro para saber que ele merece qualquer indicação.

Eu sou fã de Paul Thomas Anderson. Gosto muito de seu estilo e trajetória. Ainda assim, preciso admitir que ele foi o nome que conquistou a quinta vaga nessa categoria, desbancando nomes fortíssimos como Steven Spielberg (por The Post) e o diretor de um dos filmes mais badalados do ano, Three Billboards, Martin McDonagh. Greta Gerwig, que escreveu e dirigiu o filme queridinho da crítica nessa temporada, Lady Bird, foi menos surpreendente ao conquistar o quarto posto. Entre os nomes na disputa, acredito que a grande rivalidade está entre Guillermo del Toro e Christopher Nolan. Um dos dois deve levar a estatueta – mesmo sem ter assistido ainda a The Shape of Water, admito que eu torço por del Toro.

Melhor Documentário:

  • Abacus: Small Enough to Jail
  • Faces Places
  • Icarus
  • Last Men in Aleppo
  • Strong Island

Avaliação: Essa categoria logo me chamou a atenção, assim como a de Melhor Filme em Língua Estrangeira. E a razão para isso é simples: ficou de fora da disputa um dos filmes favoritos do ano, Jane. Essa produção ganhou o Producers Guild Awards e vários outros prêmios da temporada. Realmente fiquei surpresa de não ver ela entre os finalistas. Jane também liderava, e com uma ampla vantagem, as bolsas de apostas.

Não assisti ainda a nenhum desses documentários. Mas pela premissa de cada filme, acho que Last Men in Aleppo e Icarus tem boas chances. Segundo as bolsas de apostas, contudo, Faces Places teria vantagem na disputa, seguido de Icarus. Essa é uma categoria sobre a qual eu prefiro opinar no futuro a curto prazo, quando eu começar a assistir aos filmes que estão na disputa.

Melhor Curta Documentário:

  • Edith+Eddie
  • Heaven Is a Traffic Jam on the 405
  • Heroin(e)
  • Knife Skills
  • Traffic Stop

Avaliação: Aqui, mais uma vez, o favorito das bolsas de apostas ficou de fora da disputa. Alone não foi indicado, mas o segundo colocado, Heroin(e), sim. Novamente, prefiro opinar sobre essa categoria depois de assistir aos concorrentes.

Melhor Edição:

Avaliação: Um dos fenômenos desse ano, Baby Driver, conseguiu a sua primeira indicação no Oscar 2018 nessa categoria. Na verdade, essa categoria é toda composta de “filmes sensação” do ano. Não necessariamente eles foram bem nas bilheterias, mas se deram bem na opinião do público e da crítica.

Da lista acima, ainda preciso conferir Baby Driver e The Shape of Water. Entre os demais, as bolsas de apostas apontam como franco favorito Dunkirk. Ainda que eu goste muito de I, Tonya e prefira esse filme, admito que Dunkirk dá um show de edição. Não seria nem um pouco injusto que ele se sangrasse o vencedor como Melhor Edição.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Essa foi outra categoria que me chamou muito a atenção por causa de uma grande ausência. Quem acompanha o blog há bastante tempo, acho que sabe que a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira é uma das minhas favoritas a cada Oscar. Esse ano, não é diferente. Alguns filmes dos quais eu tinha gostado já tinham ficado pelo caminho, e ainda que eu não tenha assistido a In the Fade, eu considerava esse o favorito. Não apenas por ele ter vencido ao Globo de Ouro e a vários outros prêmios, mas porque conheço bem o trabalho do diretor Fatih Akin.

Então sim, foi uma surpresa não ver In the Fade entre os finalistas. Por outro lado, não foi surpresa alguma ver ao chileno A Fantastic Woman – um dos meus próximos filmes a ser comentado por aqui – e ao russo Loveless na lista dos cinco indicados. Os outros dois, The Square e On Body and Soul, também se credenciaram como fortes candidatos nessa temporada por causa dos prêmios que receberam. Segundo as bolsas de apostas, A Fantastic Woman seria o favorito. Da minha parte, de quem não assistiu a todos os indicados ainda, eu diria que The Square ou On Body and Soul tem boas chances também. Essa categoria, até por In the Fade ter ficado de fora, está entre as mais difíceis de acertar nesse ano.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Categoria curiosa que, nos últimos anos, tem indicado apenas três filmes. Não é por falta de candidatos, mas porque a Academia prefere indicar apenas as “unanimidades”, digamos assim, em Maquiagem e Cabelo. Para mim, surpresa alguma nessas indicações. Realmente esses três filmes tem trabalhos excepcionais de Maquiagem e Cabelo – mas Star Wars: The Last Jedi, que nem ficou na lista dos pré-indicados, Guardians of the Galaxy Vol. 2 e outros filmes também tem. Vai entender porque outros títulos não foram indicados…

Desses três trabalhos que acabaram figurando na lista dos indicados, a escolha é difícil – especialmente entre Darkest Hour e Wonder. Os dois trabalhos de Maquiagem e Cabelo são incríveis. Mas… as bolsas de apostas apontam para uma vitória de Darkest Hour. A transformação de Gary Oldman em Winston Churchill realmente é algo impressionante e digno de um Oscar. Eu votaria, provavelmente, por Darkest Hour também.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Outros indicados de peso em uma categoria difícil que parece estar bem disputada nesse ano. Por trás dessas produções, grandes nomes da música e das trilhas sonoras no cinema. Pessoas que fizeram – e continuam fazendo – história, como os veteranos e mestres John Williams, Hans Zimmer e Alexandre Desplat.

Segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water levaria uma certa vantagem sobre Dunkirk. Se avaliarmos os prêmios entregues nessa temporada, de fato Desplat parece levar uma certa vantagem sobre Zimmer. Mas qualquer um deles vencendo, será merecido. Não assisti a Phantom Thread e The Shape of Water, então ainda não me sinto totalmente “informada” para poder opinar. Mas, entre os outros três filmes, acredito que eu ficaria com Dunkirk. A trilha sonora da produção, que muitas vezes apresenta ausência de diálogos, realmente é marcante.

Melhor Canção Original:

  • “Mighty River” (Mudbound)
  • “Mystery Of Love” (Call Me By Your Name)
  • “Remember Me” (Coco)
  • “Stand Up For Something” (Marshall)
  • “This Is Me” (The Greatest Showman)

Avaliação: A grande ausência dessa categoria foi a música “Evermore”, do filme Beauty and the Beast. No lugar dela, entrou uma outra forte candidata, “Mighty River”. Canção Original é algo complicado de julgar. O filme Detroit, por exemplo, de algumas canções originais bastante marcantes. Entre os concorrentes, assisti apenas a Call Me By Your Name. Então fica difícil julgar com propriedade.

Pelo histórico do Oscar, que gosta de premiar canções de filmes de animação, me parece que “Remember Me” leva uma certa vantagem. As bolsas de apostas também apontam para essa direção. Pessoalmente, gosto muito da força de “This Is Me”. Essa pode ser a melhor chance de The Greatest Showman não sair de mãos vazias do Oscar. Mais uma categoria difícil e na qual pode pintar uma certa zebra.

Melhor Filme:

Avaliação: Tive sorte nesse ano. Dos nove filmes indicados na categoria principal do Oscar, eu já assisti a seis. 😉 Falta conferir, ainda, Phantom Thread, The Post e The Shape of Water. Produções dirigidas por três diretores de quem eu gosto muito. Sobre esses filmes, que eu ainda não assisti, não tenho como comentar. Dos outros seis, posso dizer que concordo com quase todas as indicações. Apenas Darkest Hour eu acho que não é tãooo bom a o ponto de ser indicado a Melhor Filme. No lugar dele, sem dúvida alguma, eu iria preferir I, Tonya, Blade Runner 2049 (que eu já sabia que estava fora da disputa) ou mesmo The Florida Project – que será o próximo filme comentado aqui no blog.

Entre os indicados, me parece que a grande queda de braço está entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri e The Shape of Water. Dunkirk viria na terceira posição. Preciso assistir ao filme do del Toro, mas entre os indicados que eu já assisti, sem dúvida eu ficaria com Three Billboards. Em segundo lugar, com Get Out. Mas isso pode mudar depois que eu ver aos filmes de Paul Thomas Anderson, Guillermo del Toro ou Steven Spielberg. Três gênios de quem eu gosto muito. Veremos. Logo falaremos sobre essas produções e eu baterei o meu martelo definitivamente. 😉

Melhor Design de Produção:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Os cinco filmes mais cotados foram, justamente, os que conseguiram uma indicação ao Oscar. Design de Produção é algo magnífico. Não vi a dois desses filmes – Beauty and the Beast e The Shape of Water -, mas pelas imagens dos filmes que eu vi, especialmente em fotografias, concordo com as indicações. Os cinco filmes são incríveis. Mas essa é uma categoria disputada.

Acredito, por exemplo, que The Greatest Showman também mereceria ser indicado. Mas não sobrou uma vaga para ele. Entre os filmes que eu vi até agora, não tenho como não considerar Blade Runner 2049 o mais incrível. Mas… segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water seria o favorito. Tenho que ver aos dois filmes que faltam para poder realmente bater o martelo. Ah sim, depois do filme do del Toro, Blade Runner 2049 seria o segundo mais visado pelas bolsas de apostas.

Melhor Curta Animação:

  • Dear Basketball
  • Garden Party
  • Lou
  • Negative Space
  • Revolting Rhymes

Avaliação: Categoria sobre a qual eu gosto de comentar aqui no blog. Em breve, tenham certeza, farei blog posts sobre as três categorias de curtas. Mas, como ainda não assisti aos concorrentes, prefiro comentar sobre eles depois. Na bolsa de apostas, o filme que liderava, e de disparada, In a Heartbeat, ficou de fora da lista dos indicados. O segundo mais apostado é Dear Basketball.

Melhor Curta:

  • DeKalb Elementary
  • The Eleven O’Clock
  • My Nephew Emmett
  • The Silent Child
  • Watu Wote (All of Us)

Avaliação: Nessa categoria, por muito pouco as bolsas de apostas não acertaram em cheio. Apenas o curta Icebox, que era apontado na quinta posição entre os favoritos, ficou de fora, cedendo a sua vaga para My Nephew Emmett. Ainda preciso assistir a essas produções, mas segundo os apostadores, teria uma vantagem considerável na disputa o curta DeKalb Elementary.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Mais uma categoria que junta a alguns dos filmes “fenômeno” da temporada e sobre a qual os apostadores acertaram em cheio. Os cinco favoritos conseguiram, de fato, ser indicados. Mais uma categoria em que a concorrência é das boas, porque temos apenas grandes trabalhos lutando por uma estatueta dourada. Da lista, não assisti a Baby Driver e a The Shape of Water. Mas entre os que eu assisti, fico honestamente em dúvida.

As bolsas de apostas apontam para Dunkirk como o favorito, seguindo muito, mas muito atrás por Blade Runner 2049. Pessoalmente, prefiro Blade Runner 2049. Mas sou capaz de admitir, também, que o trabalho de edição de som de Dunkirk é exemplar e de tirar o chapéu. Acredito que qualquer filme que vencer nessa categoria será merecedor.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Sim, a lista em Mixagem de Som é exatamente a mesmo da lista de Edição de Som. Isso se explica pelo trabalho excepcional dos cinco filmes nesses quesitos. Os apostadores, aqui, mais uma vez, acertaram em cheio. As minhas considerações e opinião são praticamente as mesmas da categoria anterior. Acho excepcional o trabalho de mixagem de som em todos os filmes que eu assisti dessa lista, e acho que Dunkirk deve levar a estatueta para casa.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Na lista, cinco filmes que investiram pesado em efeitos visuais. Como sempre, essa é uma das categorias que eu menos acompanho a cada Oscar – especialmente porque ela é formada, geralmente, por “blockbusters” que, como os leitores fieis dessa blog sabem, não são muito a minha “praia” – ou, para dizer de outra forma, não são muito o meu foco. Entre os indicados, assisti apenas a Blade Runner 2049 e a Star Wars: The Last Jedi. Francamente? Eu acharia bacana qualquer um desses dois filmes vencer.

Mas, segundo as bolsas de apostas, o favorito nessa disputa, e com uma certa vantagem, é War for the Planet of the Apes. Realmente preciso assistir aos outros três concorrentes para poder opinar, mas tenho certeza que não será feita injustiça nessa categoria porque todos os concorrentes capricharam nos efeitos visuais.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Que legal ver um filme baseado em uma HQ ser indicado a Melhor Roteiro Adaptado. Puxa, muito legal mesmo! Eu sou uma grande fã de HQs – mas admito que, nem sempre, estou super no “barato” de ver a uma adaptação delas no cinema. Ainda assim, eu assisti a Logan e acho que o filme mereceu sim essa indicação. Bacana. Dito isso, comento também que me falta conhecimento para opinar sobre essa categoria nesse momento.

Essa minha “mea culpa” é porque eu assisti apenas a Logan e a Call Me By Your Name da lista aí acima. Tenho que ver aos outros filmes para poder opinar. Entre os dois que eu vi, sem dúvidas o meu voto iria para Call Me By Your Name, uma adaptação muito bem feita e comovente de uma obra que me parece ser complicada de adaptar. Nas bolsas de apostas, o filme dirigido por Luca Guadagnino, com roteiro de James Ivory e com o brasileiro Rodrigo Teixeira entre os produtores é apontado, também, como o favorito nessa categoria. Honestamente? Estou torcendo por ele (até prova em contrário). Ah sim, e as bolsas de apostas acertaram em cheio na lista dos cinco indicados. Sem surpresas, portanto.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Gosto muito das duas categorias de roteiros no Oscar. Afinal, para mim, um grande filme deve ter um grande roteiro como base. Sempre. Mesmo comentando isso, devo dizer que eu tenho uma certa “predileção” por essa categoria, a de Melhor Roteiro Original. Nela que, geralmente, encontramos os filmes mais interessantes a cada ano. Novamente, em 2018, isso não é diferente.

Eu não assisti, ainda, a The Shape of Water e a The Big Sick, mas sei do “burburinho” que os dois filmes causaram por causa dos seus roteiros. Gostei muito também do roteiro de I, Tonya, mas entendo que tendo apenas cinco vagas, não dá para entrar todos os filmes bons dessa temporada. Entre as produções que eu assisti, acho que o meu voto iria para Get Out pelo ineditismo da história e pelas ótimas sacadas do diretor e roteirista Jordan Peele. Mas, para ser franca, eu não acharia injusto Three Billboards também levar o título – afinal, o roteiro do filme é ótimo também. Escolha difícil. Nas bolsas de apostas, Lady Bird é o favorito, seguido de Get Out. Bueno, gosto é gosto, mas eu não gostaria de ver Lady Bird vencedor nessa categoria.

 

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I, Tonya – Eu, Tonya

O sonho americano não é permitido para todos. Sim, os Estados Unidos são terra de grandes oportunidades, de empreendedorismo, de trabalho e para alguém desenvolver os seus talentos. Mas I, Tonya demonstra que isso não é igualmente válido para todas as pessoas e os seus sonhos. Da minha parte, como uma aficionada por Olimpíadas, esse filme me tocou especialmente. Estamos acostumados a ver aos atletas de elite dando o seu melhor para conquistar uma medalha e um pódio, mas nem sonhamos pelo que eles passaram antes de chegar ali. Um filme interessante sob vários pontos de vista e com pelo menos duas interpretações dignas de uma indicação no Oscar.

A HISTÓRIA: Começa afirmando que o filme é baseado “em entrevistas livres de ironia, extremamente contraditórias e totalmente verídicas com Tonya Harding e Jeff Gillooly”. A primeira a aparecer em cena é Tonya (Margot Robbie), ex-patinadora olímpica que aparece fumando em sua cozinha. Depois, vemos a Jeff (Sebastian Stan), ex-marido de Tonya, em outro ambiente e se queixando que o microfone estava muito próximo.

A terceira figura importante em cena é Lavona Harding (Allison Janney), mãe de Tonya, que fala com um pássaro em seu ombro na sala de casa e comum tubo de oxigênio ao lado. Ela brinca que o pássaro é o seu sexto marido – e o melhor de todos. Esses e outros personagens vão contar a história de Tonya Harding, a primeira atleta americana a fazer o Triple Axel em uma pista de patinação no gelo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a I, Tonya): Todos os anos, desde que eu era criança, eu tenho a tradição de assistir à premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Ou seja, ao Oscar. Em alguns anos eu também assisti ao Globo de Ouro, mas sem tanta frequência. Esse ano, assisti a premiação dada pela associação dos jornalistas estrangeiros de Hollywood. E entre os filmes que eu vi serem apresentados, o que eu tive mais interesse de assistir logo foi esse I, Tonya.

Eu gostei da “pegada” da produção. Me pareceu um filme bastante direto e cheio de nuances, e foi exatamente isso que eu encontrei ao assistir a essa produção. Que filme interessante! Guardada as devidas proporções, ele me fez lembrar de Blue Velvet e de American Beauty, outros filmes que trataram com um bocado de ironia e um certo tom cínico o tão conclamado e “vendável” conceito de “sonho americano” ou de sociedade com “oportunidades para todos.

Voltar a falar sobre isso não é algo simples, especialmente na segunda década dos anos 2000, quando, aparentemente, cada vez mais pessoas se preocupam com as suas próprias vidas ou com dizer como os outros deveriam ser e menos com garantir que todos possam ser o que realmente desejam. I, Tonya é um filme muito interessante porque ele vai fundo na loucura dessa filosofia dos Estados Unidos. A busca constante por ser “a melhor”, a alta competitividade, a falta de justiça nas avaliações em algumas esferas da sociedade dependendo da sua classe social e uma série de abusos que uma mulher passava – e continua passando – na sociedade estão nessa produção.

Ou seja, antes de mais nada, I, Tonya é um filme corajoso. Ele trata de uma série de questões muito atuais e que merecem ser debatidas. Como fã extrema dos Jogos Olímpicos, esse filme me atraiu simplesmente pelo fato de contar a história de uma patinadora artística que chegou a competir duas vezes nas Olimpíadas de Inverno.

Como eu acompanho mais as Olimpíadas tradicionais e não as de Inverno, sou sincera em dizer que o nome de Tonya Harding não me trouxe lembranças imediatas. Mas quando, no final do filme, mostram algumas cenas da Tonya Harding original patinando quando ainda era jovem, tive uma leve lembrança sobre assistir, possivelmente nos anos 1990, algumas imagens da atleta quando saíram as notícias do envolvimento (ou não) dela no ataque à colega e rival de competições Nancy Kerrigan (interpretada por Caitlin Carver no filme).

Dito isso, imagino como esse filme significará algo diferente do que para mim para quem realmente conheceu a história de Tonya Harding e acompanhou a sua carreira nos anos 1980 e 1990. Como eu não era uma profunda conhecedora desta história quando ela aconteceu, me darei o direito de avaliar apenas o filme, tudo bem? Achei as escolhas do roteirista Steven Rogers e do diretor Craig Gillespie muito interessantes.

Para começar, esse filme faz uma junção interessante dos aspectos de um documentário com um filme biográfico. Assim, temos os atores interpretando as pessoas retratadas inclusive na reprodução dos depoimentos que elas deram para equipes de filmagens diversos anos antes. Interessante o trabalho de Gillespie ao mesclar esses “depoimentos” dados pelos personagens com sequências em que ele buscou reproduzir fatos que aconteceram com eles – e o mais interessante, segundo as diferentes óticas dos retratados.

Assim, esse filme, apesar de ter uma narrativa linear, não tem uma interpretação única. Os personagens e as suas histórias são bastante controversos e também contraditórios. Especialmente as óticas de Tonya e de Jeff divergem um bocado. A maioria das vezes, sobre as agressões que ela sofreu e sobre a violência vivida no casamento. Também existe um bocado de divergência entre as visões de Tonya e da mãe, Lavona. Claramente a relação entre elas era de abuso da mãe contra filha, mas sob a ótica de Lavona, ela apenas fez o que era necessário para tornar a sua filha uma “estrela”.

A história, por si só, é cheia de controvérsia. Ponto esse muito bem explorado pelo roteiro de Rogers. Como fã das Olimpíadas, esse filme me fez refletir ainda mais sobre como aqueles grandes atletas despertam uma imensa admiração ao mesmo tempo em que as pessoas que os admiram não sabem, na verdade, nada sobre eles. Sim, sabemos que eles se sacrificaram, e muito, para chegarem até lá. Para serem considerados atletas de elite. Mas não temos uma verdadeira ideia de todos os sacrifícios e da realidade pela qual eles passaram até uma medalha, um quarto ou oitavo lugar – estas dois últimas foram as posições em que Tonya ficou nas Olimpíadas de Inverno nas quais ela competiu.

I, Tonya revela de forma muito interessante como a vida foi dura para a protagonista. No início, ela amava patinar. Depois, ela seguiu fazendo isso por pressão da mãe e porque a patinação acabou sendo a única coisa que ela sabia fazer – e claro, ela ainda gostava disso, apesar dos pesares. Depois da introdução inicial da história que eu comentei acima, o filme retorna 40 anos no tempo e mostra o início da trajetória de Tonya, então com quatro anos de idade, na patinação.

A partir daí, vemos a garota “crescendo” sob os nossos olhos. Mas o tempo passa rápido entre a fase da infância, pré-adolescência e adolescência. Os anos que realmente interessam para a história foram aqueles em que Tonya começou a se destacar nas competições nacionais e a época que antecedeu o seu grande feito, que foi realizar o dificílimo Triple Axel no Campeonato Nacional dos EUA em 1991. Ou seja, a parte da história protagonizada pela excelente Margot Robbie – para mim, esta é a sua melhor interpretação até agora – começa nos anos 1980 e avança até a década de 1990.

Nos anos 1990, além de se tornar um destaque nacional e mundial por ter feito um Triple Axel, Tonya Harding se tornou uma figura conhecida por estar envolvida em um gesto extremo e absurdo. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). O então ex-marido/marido dela – a relação deles era de “ficar junto e separar” a cada estação, praticamente – e um amigo com toda a pinta de maluco, chamado Shawn (Paul Walter Hauser) estiveram por trás de um ataque contra outra competidora forte dos Estados Unidos, Nancy Kerrigan.

Após o ataque, claro que as suspeitas recaíram sobre Tonya. Afinal, o quanto ela sabia sobre o plano maluco do ataque à Nancy? Ela teria planejado aquilo junto com Jeff e Shawn? Qual foi o papel de cada um deles nessa trama desastrada e desastrosa? I, Tonya não responde a todas essas perguntas, apenas expõe as diferentes versões dos personagens sobre o mesmo fato. Verdade que isso nos deixa um pouco frustrados. Afinal, quem está falando a verdade e quem está apenas tentando salvar o próprio rabo?

Ao mesmo tempo que a falta de uma resposta conclusiva pode deixara o espectador um pouco frustrado, essa falta de resposta também mostra algo que é fato na vida: a verdade é feita de muitos pontos de vista. Fatos são fatos, mas a versão dos fatos são múltiplas. Quanto antes percebermos e aceitarmos isso, melhor para a nossa visão crítica e sanidade mental. 😉 Então esse filme tem a coragem de não nos dar respostas simples ou mesmo fechar a questão, mas apenas nos apresentar diversas óticas sobre o tal “incidente” que foi decisivo na vida de Tonya e dos demais – mas, principalmente, na vida dela.

Existem duas formas de encarar o que aconteceu: assumindo que Tonya era totalmente inocente e que realmente tudo o que ela topou fazer foi escrever ameaças para a rival das pistas de patinação; ou aceitar que ela estava de acordo com (ou mesmo ajudou a idealizar) o ataque. Não importa em qual “verdade” você acredite. Em qualquer uma destas versões Tonya concordou em usar uma estratégia equivocada e que extrapolou em muito o espírito esportivo de uma competição justa em condições similares para os competidores.

Fazer terrorismo psicológico ou promover um ataque físico contra a rival nas pistas de patinação só mostra em que nível Tonya levou a sua ânsia competitiva. E aí está a parte brilhante desse filme. Verdade que Tonya foi produto de uma realidade de abusos físicos e psicológicos praticados contra a mãe e o preconceito que ela sofreu dos juízes do esporte para o qual se dedicou a vida inteira, mas esses aspectos são, no fim das contas, fruto de que tipo de cultura? Esse é o ponto central dos questionamentos de I, Tonya.

Uma cultura em que é vendida a ideia de que o “o sol é para todos” desde que você se esforce ao máximo para isso mas que, na prática, não coloca essa filosofia na prática para todos – vide os negros, muitas mulheres e pessoas de classe média baixa dos Estados Unidos -, abre espaço para insatisfeitos e para extremistas que resolvem adotar práticas equivocadas para chegar aonde querem. Muitas pessoas vão seguir a linha do “fim justificam os meios”, e vão fazer de tudo para atingir o tal sucesso valorizado pela cultura da sua sociedade.

Isso é o que vemos em I, Tonya. Em certo momento, a protagonista comenta como ela está sendo amada – após o feito do Triple Axel. Depois, ela admite que com a mesma facilidade com que começou a ser amada, ela começou a ser odiada pelas pessoas. E é essa a sociedade daquele anos 1990 e, principalmente, destes anos 2017, 2018 e afins. As redes sociais potencializam essa “modernidade líquida” (vide Zygmunt Bauman) em que muitas pessoas flutuam, rapidamente, entre um extremo e outro.

Efeito das sociedades individualistas em que as pessoas pensam sempre em si mesmas antes de desenvolverem a capacidade de olhar para o outro de forma mais generosa e compreensiva. E é isso que vemos em I, Tonya. Além disso, observamos uma cultura de opressão e de violência doméstica. Tonya, que foi educada por uma mãe castradora e que abusava da filha através de violência física e emocional, acaba procurando no primeiro idiota que aparece pela frente a fuga daquela realidade.

E o que aconteceu? (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). O que acontece com muitas e muitas histórias reais nos Estados Unidos, no Brasil e em tantos outros países. Tonya procurou fugir dos abusos da mãe de forma tão desesperada que encontrou um abusador igual ou pior do que ela. Tonya seguiu apanhando e sendo mal tratada de todas as formas possíveis pelo marido do qual ela parecia ter uma grande dificuldade de se livrar. E por que ela tinha toda essa dificuldade? Em certo momento a própria Tonya afirma que tudo que ela queria era ser amada.

Certamente. Especialmente vindo de um lar desfeito e cheio de abusos por parte da mãe, tudo o que ela queria era ser amada. E qualquer migalha de amor lhe fazia justificar ficar perto de um espancador e abusador como Jeff. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Depois de perder tudo que era importante para ela, ou seja, a carreira na patinação artística, Tonya finalmente conseguiu se livrar realmente do marido e partiu para reiniciar a própria vida de uma outra forma.

Existe um momento no filme, mais no início da produção, em que Tonya afirma que ela acredita que as pessoas vem nela uma pessoa normal. Vinda de uma realidade difícil, cheia de problemas e de controvérsias, como acontece com tantas e tantas pessoas. Esse filme encanta por isso. Por trazer a história de uma pessoa real que foi do Céu ao Inferno em pouco tempo e que ajuda a explicar um bocado da cultura dos Estados Unidos – e de outras latitudes mundo afora.

Um filme realmente interessante, e que só não ganha uma nota maior do que a que eu vou dar abaixo porque eu estou naquela onda de ser “mais exigente” com as minhas avaliações. Mas saibam que esse patamar de nota já coloca o filme na categoria de “muito, muito bom” e próximo de “excelente” – depois desses níveis ainda vem as categorias “excepcional” e “imperdível”. 😉

NOTA: 9,4.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Olha, eu vou dizer para vocês. A minha expectativa de que eu veria interpretações excepcionais de Margot Robbie e de Allison Janney realmente se realizaram. Para mim, as duas atrizes estão excelentes. A exemplo do Globo de Ouro, eu vejo ambas sendo indicadas ao Oscar. Sei que elas terão pela frente o super badalado e “queridinho” dos críticos Lady Bird (comentado por aqui), com Saoirse Ronan e Laurie Metcalf liderando as respectivas bolsas de apostas. Mas, para o meu gosto, achei as interpretações de Robbie e de Janney mais potentes e dignas de prêmio do que os belos trabalhos de Ronan e Metcalf.

De fato, a disputa é difícil. Mas acho que mais até na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante do que na categoria de Melhor Atriz. Gosto de Saoirse Ronan, antes que alguém me questione que tenho alguma “bronca” pessoal contra ela. Mas comparando as interpretações de Ronan em Lady Bird e de Margot Robbie em I, Tonya, sem dúvida alguma o meu voto iria para Robbie. Agora, entre Allison Janney e Laurie Metcalf, acho que existe praticamente um empate técnico. Vejo como sendo uma escolha justa tanto uma quanto a outra ganhar a estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

As duas atrizes se destacam por suas interpretações em I, Tonya. Para mim, elas roubam a cena toda vez em que aparecem. Mas, além delas, vale citar o bom trabalho dos seguintes atores: Sebastian Stan como o marido agressor da protagonista, Jeff Gillooly; Julianne Nicholson muito bem como Diane Rawlinson, primeira treinadora de Tonya; Paul Walter Hauser como Shawn, amigo de Jeff e que se considerava o “guarda-costas” de Tonya; Bobby Cannavale como Martin Maddox, jornalista que acompanhou a carreira de Tonya e as polêmicas envolvendo ela; Bojana Novakovic como Dody Teachman, treinadora de Tonya quando ela fez o primeiro Triple Axel; Caitlin Carver como Nancy Kerrigan; a encantadora Maizie Smith como Tonya aos quatro anos de idade; Mckenna Grace como Tonya entre os oito e os 12 anos de idade; Ricky Russert como Shane Stant, o agressor de Nancy; e Anthony Reynolds como Derrick Smith, o motorista do atentado contra Nancy.

Como acontece com muitos filmes que são baseados em histórias reais e/ou com períodos que realmente aconteceram na História, logo após assistir I, Tonya, fui atrás de mais informações sobre Tonya Harding. Foi aí que eu encontrei muuuuito material sobre ela na internet. Para os curiosos a respeito, há desde vídeos como esse, publicado no YouTube, que mostra quando ela fez o Triple Axel pela primeira vez, em 1991, no Campeonato Nacional dos EUA; até reportagens como esta da ABC que tratam sobre o que aconteceu com Tonya desde que ela fez o seu grande feito. Enfim, há um grande material sobre ela na internet. Basta pesquisar para você encontrar muuuita coisa e tirar as suas dúvidas.

Vendo aos dois links que eu mencionei, assim como outros materiais, percebi melhor que I, Tonya, apesar de mostrar diferentes depoimentos e pontos de vista, acaba tendo muito o tom da perspectiva de Tonya sobre os fatos. O que é uma escolha bacana também, porque assim o filme acaba defendendo a visão da mulher que passou por um bocado – e que, ainda que tenha sido corrompida pela ideia de sucesso, pagou todo os preços por suas escolhas. As boas e as ruins.

Para quem ficou curioso(a) para saber mais sobre o Triple Axel, encontrei esse artigo na Wikipédia (em inglês) que trata sobre este salto e suas características. Vale a leitura.

Uma curiosidade sobre esta produção. Em certo momento, no início do filme, Jeff Gillooly comenta que, aos 27 anos de idade, ele era a “pessoa mais odiada da América, talvez do mundo”. Interessante como I, Tonya revela esta outra faceta dos americanos. Como eles acreditam que realmente o que eles fazem se tornam algo marcante não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo. Realmente eles tem uma perspectiva sobre a realidade muito particular – para dizer o mínimo.

O roteiro e os diálogos de I, Tonya são dois dos pontos altos do filme. O linguajar da maioria dos personagens não é polido, até porque eles vieram de realidades um tanto quanto agrestes. O filme vai direto ao ponto e faz pensar. Um exemplo do diálogo interessante dessa produção está no momento em que Tonya comenta sobre “os juízes frígidos” que buscam a versão antiquada de como uma mulher deveria ser. De fato, se existiu – ou ainda existe – preconceito sobre como deve se comportar uma mulher para ser valorizada em um esporte cheio de regras não ditas como a patinação artística, o problema está nas associações e nos juízes que julgam e não nas atletas que não se “encaixam” em um perfil distante do que se espera do esporte e da meritocracia tão promulgada e tão pouco praticada.

Uma das qualidades mais marcantes desse filme, além das interpretações de Margot Robbie e de Allison Janney, é a excelente trilha sonora de Peter Nashel. Uma verdadeira viagem no tempo, emocional e marcante ao mesmo tempo. Muito boa também a direção de Craig Gillespie, que dá uma aula de escolhas acertadas em cada sequência do filme; o roteiro bem escrito, com narrativa envolvente e cheia de recursos de Steven Rogers; e a expressiva e interessante direção de fotografia de Nicolas Karakatsanis – ele é fundamental para marcar os tempos desta produção.

Sério. Ouçam a trilha sonora. Ela é fantástica! Um verdadeiro deleite para quem viveu os anos 1980 e 1990. 😉

Além desses elementos técnicos, vale comentar o bom trabalho de Jennifer Johnson nos figurinos; de Tatiana S. Riegel na edição; de Jade Healy no design de produção; de Andi Crumbley na direção de arte; de Adam Willis na decoração de set; e dos 13 profissionais envolvidos no departamento de maquiagem.

O diretor Craig Gillespie tem 10 títulos no currículo. A história dele na direção começou em 2007 com Mr. Woodcock. No mesmo ano, ele dirigiu a Lars and the Real Girl. Ele ganhou prêmios por comerciais que dirigiu e por filmes como Lars and the Real Girl, Millon Dollar Arm e The Finest Hours. Mas I, Tonya, que eu me lembrei, é o primeiro filme dele que eu assisto. Acho que ele pode apresentar coisas interessantes daqui para a frente. A conferir.

I, Tonya estreou em setembro no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Depois, o filme participou, ainda, de outros 11 festivais em diferentes países. Em sua trajetória até o momento, I, Tonya ganhou 23 prêmios e foi indicado a outros 72. Entre os prêmios que recebeu, destaque para o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em Filme para Allison Janney; para 5 prêmios de Melhor Atriz para Margot Robbie; para 14 prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante para Allison Janney – sem contar o Globo de Ouro; para o prêmio de Melhor Elenco do Ano no Hollywood Film Awards; e para o prêmio de Melhor Narrativa no Key West Film Festival.

Agora, algumas curiosidades sobre esse filme. A atriz Margot Robbie fez parte de uma liga amadora de patinação quando era mais jovem, mas treinou mais seriamente para fazer o papel de Tonya com a coreógrafa Sarah Kawahara – que treinou, na vida real, Nancy Kerrigan. Ainda assim, claro, a sequência do Triple Axel não foi feita por ela. Para reproduzir esse difícil salto, o diretor utilizou cenas filmadas com Margot e complementada por computação gráfica.

A atriz Margot Robbie é apenas cinco centímetros mais alta que Tonya Harding.

O crítico de cinema, ator, diretor e escritor Caillou Pettis colocou I, Tonya como o terceiro filme, de uma lista de 20, que ele mais gostou de 2017.

Tonya Harding gostou da produção I, Tonya, mas disse que tem dois aspectos que o filme mostra e que ela disse que não são reais. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Para começar, ela disse que não xinga a cada 10 segundos como a personagem que a retrata na produção. Depois, ela disse que não chegou a confrontar o júri de uma das competições, chegando a xingá-los, como I, Tonya mostra. No mais, ela achou o filme excelente.

De acordo com o site Box Office Mojo, I, Tonya faturou pouco mais de US$ 7,6 milhões nos Estados Unidos. Uma bilheteria ainda pequena. Não encontrei informações sobre os custos da produção, mas me parece que falta arrecadação maior nas bilheterias para ele começar a dar lucro.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,7 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 174 textos positivos e 21 negativos para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 89% e uma nota média de 7,9. Especialmente o nível das notas dos dois sites está muito bom, acima do padrão das duas páginas.

Esse filme é uma produção 100% dos Estados Unidos, por isso I, Tonya passa a figurar em uma lista de filmes que atendem a uma votação feita há algum tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Um filme sem papas na língua e que procura revelar todos os aspectos da vida de uma atleta americana que se tornou famosa não apenas pelos seus feitos no esporte, mas também por aparecer nas páginas policiais. Misturando ficção com o tom de documentário, I, Tonya apresenta uma história interessante que revela muito sobre as limitações do tão conclamado “sonho americano”. Até hoje existem “esportes de elite” e distinção entre posições na sociedade que alguns insistem em preservar. Este filme também trata sobre os diferentes abusos que uma mulher pode passar durante a vida e como ela pode superá-los. O roteiro é bem escrito e direto, e o filme tem uma direção bem conduzida e ótimas interpretações dos atores principais. Mais uma produção que merece ser vista nesta safra do Oscar 2018.

PALPITES PARA O OSCAR 2018: Sigo aqui no desafio de assistir ao máximo de filmes com chances de ganhar um Oscar nesse ano. Missão divertida essa, eu admito. 😉 I, Tonya pode ser indicado em mais de uma categoria. Mas ainda é difícil de acertar na mosca sobre as chances desse filme ou de qualquer outro. Mas vou falar sobre o que as bolsas de apostas e os especialistas nas premiações dos EUA nos apontam.

As maiores chances de I, Tonya no Oscar 2018 estão nas indicações nas categorias de Melhor Atriz para Margot Robbie e de Melhor Atriz Coadjuvante para Allison Janney. Seria uma surpresa se as duas atrizes não forem indicadas. O filme também pode emplacar indicações nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Figurino, Melhor Edição e Melhor Maquiagem e Cabelo.

Mas em quais destas categorias I, Tonya realmente tem chances? Acredito que em Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Maquiagem e Cabelo. Ainda preciso ver a alguns filmes que estão bem cotados no Oscar, mas entre Saoirse Ronan e Margot Robbie, acho que a segunda merece mais a estatueta. Para resumir, vejo esse filme sendo indicado em três ou quatro categorias e ganhando uma ou duas – mas podendo também sair de mãos abanando. Logo mais, nós saberemos. 😉