Indicados ao Oscar 2018 – Lista Completa e Avaliações

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Saudações, amigos e amigas do blog!

Hoje, diferente de anos anteriores, eu não consegui publicar aqui mais cedo a lista de todos os indicados para a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Mas agora sim, vou fazer isso. Retomar a nossa tradição de publicar a lista e de comentar quem são os favoritos e os meus palpites para cada categoria.

Os indicados ao Oscar 2018 foram divulgados hoje, no dia 23 de janeiro de 2018, antes do meio-dia no horário de Brasília. Quem fez as honras da divulgação, dividida em duas partes, como ocorreu no ano passado, foram os atores Tiffany Haddish e Andy Serkis. Primeiro, a dupla de apresentadores divulgou as 11 categorias mais técnicas e, depois, as 13 categorias consideradas principais.

O anúncio dos indicados foi feito no Teatro Samuel Goldwyn, de propriedade da Academia, e transmitido ao vivo por diversos canais, inclusive os dois sites ligados à premiação e à Academia. A primeira leva de indicados foi precedida sempre por um vídeo curto de “apresentação” de cada uma das categorias técnicas.

Estrelaram esses vídeos os seguintes membros da Academia: Priyanka Chopra, Rosario Dawson, Gal Gadot, Salma Hayek, Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Molly Shannon, Rebel Wilson e Michelle Yeoh. Se você ficou curioso(a) para ver o anúncio dos indicados, deixo o vídeo com a transmissão mais abaixo. 😉

A lista de indicados em quase todas as categorias foi definida pelos respectivos pares que fazem parte da Academia. Ou seja, os membros que são editores apontaram os cinco indicados em Melhor Edição; os diretores apontaram os cinco finalistas na categoria Melhor Diretor; e assim por diante. As categorias Melhor Animação e Melhor Filme em Língua Estrangeira foram definidas por dois comitês formados por profissionais de diferentes áreas e que fazem parte da Academia. E a categoria Melhor Filme foi definida pelo voto de todos.

Passada essa fase das indicações, entre os dias 20 e 27 de fevereiro, todos os membros da Academia votam em naqueles que eles consideram os melhores em cada uma das 24 categorias do Oscar 2018. O resultado dessa votação será conhecido por todos nós no dia 4 de março na cerimônia de premiação no Dolby Theatre at Hollywood & Highland Center, em Hollywood, com transmissão para o Brasil e outros 224 países.

Feito esse preâmbulo e essa explicação sobre o que aconteceu hoje e o que irá suceder até a entrega das estatuetas douradas, vamos falar um pouco sobre o saldo dos indicados para o prêmio da Academia. Olha, foram poucas as surpresas. Praticamente todos os favoritos foram lembrados. Mas, admito, me chamou a atenção, duas grandes ausências entre os indicados.

Dois filmes considerados favoritos ficaram de fora de suas respectivas categorias. Me refiro ao filme In the Fade, do grande Fatih Akin, que foi esnobado e ficou de fora da disputa na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira; e ao documentário Fade, vencedor do Producers Guild Awards e de várias outras premiações. Os dois filmes, aliás, vinham se destacando por estarem papando boa parte dos prêmios dessa temporada e, apesar disso, foram esnobados pela Academia. Curioso, no mínimo.

Sem In the Fade na disputa, francamente, sou honesta em dizer que não me surpreenderia se o Chile papasse o prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira nesse ano. Logo mais, veremos. No mais, a grande disputa do ano parece estar entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (comentado aqui) e The Shape of Water. Ah sim, e chamou um pouco a atenção as esnobadas para Steven Spielberg e The Big Sick (que foi lembrado apenas em Roteiro Original) e o crescimento do filme Phantom Thread, do sempre interessante Paul Thomas Anderson.

Declaro, junto com esse post, aberta a temporada de “correr atrás” do máximo de filmes indicados esse ano ao Oscar. 😉 Como vocês sabem, eu já comecei essa busca – prova disso é que seis dos nove filmes indicados na categoria principal já foram comentados aqui no blog. Mas, agora, está na hora de ir colocando o “check” em cada uma das produções que ainda me faltam. Abaixo, deixo a lista de todos os indicados, conforme a divulgação da Academia, e uma breve avaliação sobre os finalistas em cada categoria.

E bons filmes para todos nós! Algo é certo: essa temporada tem uma safra bem interessante e diversificada. O público, agradece.

CONFIRA A LISTA DE TODOS OS INDICADOS AO OSCAR 2018:

Melhor Ator:

Avaliação: Essa categoria, assim como as outras envolvendo os astros e estrelas de Hollywood, não teve surpresas nesse ano. Todos esses nomes já eram esperados. Não assisti ainda ao trabalho de Denzel Washington e de Daniel Day-Lewis, mas conhecendo o histórico desses dois grandes atores e o talento de ambos, imagino que eles mereceram as suas indicações. Timothée Chalamet está em alta por causa de Call Me By Your Name e por seu trabalho como coadjuvante em Lady Bird (para esse, ele não foi indicado). Daniel Kaluuya estrela um dos grandes filmes do ano, Get Out.

Então sim, todos os que estão concorrendo tem talento e trabalho de destaque esse ano para ter justificado as suas indicações. Daniel Day-Lewis conseguiu a quinta vaga nessa categoria desbancando James Franco, de The Disaster Artist (ele foi indicado por esse papel ao Globo de Ouro, mas ficou de fora do Oscar). Faz parte. Sempre a quinta vaga pode ser conquistada por dois ou até três atores. Não falei antes de Gary Oldman porque ele está simplesmente impecável e espetacular em Darkest Hour. Ele faz o filme. É o favoritíssimo nessa categoria, até porque vem “papando tudo” nessa temporada.

Melhor Ator Coadjuvante:

Avaliação: Outra categoria sem surpresas. Todos os nomes acima estavam muito bem cotados. Willem Dafoe está ótimo em The Florida Project (o próximo filme que eu vou comentar aqui no blog) e, certamente, mereceu essa indicação. Woody Harrelson e Sam Rockwell fazem um excelente trabalho em Three Billboards, assim como Frances McDormand – eles são os grandes nomes do filme. Richard Jenkins, que é sempre ótimo, estava também bem cotado por The Shape of Water, e Christopher Plummer conquistou a quinta vaga.

Os veteranos Christopher Plummer e Richard Jenkins não precisam ser apresentados. Eles são ótimos e muitas vezes não recebem os prêmios que mereciam. Nesse ano, eles também correm totalmente por fora. Woody Harrelson e Willem Dafoe também não precisam de apresentações. Ambos conquistaram as suas vagas com belos trabalhos. Mas o favoritíssimo nessa categoria, inclusive porque ganhou o Globo de Ouro – e boa parte dos outros prêmios dessa temporada -, é Sam Rockwell. Dificilmente ele não vai levar esse prêmio. E será merecido.

Melhor Atriz:

Avaliação: Mais uma categoria repleta de gente talentosa e com a “escalação” praticamente definida com antecedência. Frances McDormand é a grande favorita, seguida a partir de uma certa distância por Saoirse Ronan e Sally Hawkins. Elas estrelam três dos filmes mais badalados e comentados do ano. Então é fácil de entender que as estrelas desses filmes sejam indicadas. Fiquei particularmente feliz por Margot Robbie ter conseguido a sua indicação – ela está simplesmente incrível em I, Tonya.

E a quinta vaga foi conquistada por ninguém mais, ninguém menos que a recordista absoluta de indicações no Oscar, a gigante e inesquecível Meryl Streep. Difícil um ano em que a atriz não é indicado ao Oscar. De 2010 para cá, ela só não foi indicada em três anos. De 1979 para cá, Meryl Streep ganhou três estatuetas do Oscar e foi indicada outras 18 vezes. Ou seja, no total, o nome dela foi citado 21 vezes em uma premiação do Oscar. Incrível. Mas, mais uma vez, ela ficará apenas entre as indicadas. Essa grande atriz conquistou a quinta vaga desse ano deixando outra veterana de fora da disputa: Judi Dench.

Melhor Atriz Coadjuvante:

Avaliação: Nomes bem cotados nessa categoria também. Mas aqui, se compararmos as indicações do Oscar com o Screen Actors Guild Award, é onde tivemos as maiores mudanças. Allison Janney e Laurie Metcalf, as mais fortes concorrentes nessa categoria, repetiram no Oscar a indicação junto com Mary J. Blige. As outras duas atrizes conquistaram as suas indicações deixando para trás Hong Chau (Downsizing) e Holly Hunter (The Big Sick). Ainda assim, não dá para dizer, exatamente que foi uma surpresa ver as indicações de Octavia Spencer e Lesley Manville.

Especialmente Octavia Spencer estava bem cotada para essa categoria. E como o filme Phantom Thread cresceu bastante na campanha do Oscar, Lesley Manville conquistou a quinta vaga – no lugar de Hong Chau, especialmente. A atriz inglesa, que tem 10 prêmios no currículo e que recebeu, esse ano, a sua primeira indicação ao Oscar, talvez seja a única “surpresa” entre os atores e atrizes indicados. As chances dela de ganhar, são zero. A favorita é Allison Janney, mas não seria uma grande zebra se Laurie Metcalf levasse a estatueta para casa. Pessoalmente, torço por Janney.

Melhor Animação:

Avaliação: Sem surpresas nessa categoria. O que é algo bastante positivo em um ano com filmes menos interessantes “na disputa” – e que, ainda bem, ficaram de fora da lista final. Acredito que realmente os melhores do ano foram indicados. Vale uma menção especial, aqui, para a indicação do brasileiro Carlos Saldanha como diretor de Ferdinand. Esta é a segunda indicação desse “orgulho nacional” no Oscar – antes, ele concorreu por Gone Nutty. As chances dele vencer são nulas.

O favoritíssimo desse ano é o filme Coco, uma produção do estúdio Walt Disney. Dificilmente, mas muito dificilmente mesmo, esse filme não vai levar a estatueta para casa. Os produtores Lee Unkrich e Darla K. Anderson, vencedores de um Oscar por Toy Story 3, tem tudo para levarem o segundo Oscar para casa. Da minha parte, fiquei especialmente feliz pela indicação de Loving Vincent. Belo filme que mereceu muito essa indicação!

Melhor Direção de Fotografia:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Esses cinco filmes já eram esperados na disputa por Melhor Fotografia. Fiquei especialmente feliz pela indicação de Blade Runner 2049 – aqui e em todas as demais categorias em que o filme está concorrendo. Ainda que ele não leve nenhuma estatueta para casa, só fato dele não ter sido esnobado já me deixou bem contente. Dos três filmes da lista que eu assisti (Blade Runner 2049, Darkest Hour e Dunkirk), sou honesta em dizer que eu fico dividida entre Blade Runner 2049 e Dunkirk.

Os dois trabalhos são excepcionais, mas se eu pudesse votar, votaria em Blade Runner 2049. Eu não assisti ainda a The Shape of Water e a Mudbound, mas eu acho que a disputa está mesmo entre Blade Runner 2049 e Dunkirk. A bolsa de apostas aponta para o primeiro. Veremos se a maioria acerta. Como eu gostei muito de Blade Runner 2049, espero que o filme não saia de mãos abanando do Oscar 2018.

Melhor Figurino:

Avaliação: Essa categoria, tão interessante e tão pouco falada a cada Oscar, estava bem disputada esse ano. Tanto que dois filmes que estavam bem cotados para concorrer ao Oscar ficaram de fora da disputa: The Greatest Showman e Murder of the Orient Express. Eu não posso falar muito sobre Melhor Figurino porque eu só vi dois filmes dos cinco indicados – e dos sete bem cotados. Mas… pelo trailer que eu assisti e pelas fotografias que eu vi de The Greatest Showman, me parece que esse filme foi um tanto “injustiçado” por ficar de fora da disputa.

Como não assisti a três dos indicados, não me sinto preparada para avaliar de quem é a maior chance ainda. Nas bolsas de apostas, aparecem na liderança Phantom Thread e Beauty and the Beast. Honestamente, pelo sucesso que o filme teve no ano passado, acho que Beauty and the Beast pode levar a melhor. Algo a chamar a atenção é que a veterana Jacqueline Durran, vencedora de um Oscar por Anna Karenina, de 2012, está concorrendo duplamente nesse ano: por Beauty and the Beast e por Darkest Hour.

Melhor Diretor:

Avaliação: Três dos indicados nessa categoria eram “bolas cantadas”, mas duas vagas foram conquistadas na reta final da campanha dos estúdios pelas indicações ao Oscar. Guillermo del Toro, Christopher Nolan e Jordan Peele tinham as suas cadeiras reservadas na disputa por causa do trabalho excelente que eles fizeram em seus respectivos filmes – eu não assisti ainda a The Shape of Water, mas conheço bem o talento de del Toro para saber que ele merece qualquer indicação.

Eu sou fã de Paul Thomas Anderson. Gosto muito de seu estilo e trajetória. Ainda assim, preciso admitir que ele foi o nome que conquistou a quinta vaga nessa categoria, desbancando nomes fortíssimos como Steven Spielberg (por The Post) e o diretor de um dos filmes mais badalados do ano, Three Billboards, Martin McDonagh. Greta Gerwig, que escreveu e dirigiu o filme queridinho da crítica nessa temporada, Lady Bird, foi menos surpreendente ao conquistar o quarto posto. Entre os nomes na disputa, acredito que a grande rivalidade está entre Guillermo del Toro e Christopher Nolan. Um dos dois deve levar a estatueta – mesmo sem ter assistido ainda a The Shape of Water, admito que eu torço por del Toro.

Melhor Documentário:

  • Abacus: Small Enough to Jail
  • Faces Places
  • Icarus
  • Last Men in Aleppo
  • Strong Island

Avaliação: Essa categoria logo me chamou a atenção, assim como a de Melhor Filme em Língua Estrangeira. E a razão para isso é simples: ficou de fora da disputa um dos filmes favoritos do ano, Jane. Essa produção ganhou o Producers Guild Awards e vários outros prêmios da temporada. Realmente fiquei surpresa de não ver ela entre os finalistas. Jane também liderava, e com uma ampla vantagem, as bolsas de apostas.

Não assisti ainda a nenhum desses documentários. Mas pela premissa de cada filme, acho que Last Men in Aleppo e Icarus tem boas chances. Segundo as bolsas de apostas, contudo, Faces Places teria vantagem na disputa, seguido de Icarus. Essa é uma categoria sobre a qual eu prefiro opinar no futuro a curto prazo, quando eu começar a assistir aos filmes que estão na disputa.

Melhor Curta Documentário:

  • Edith+Eddie
  • Heaven Is a Traffic Jam on the 405
  • Heroin(e)
  • Knife Skills
  • Traffic Stop

Avaliação: Aqui, mais uma vez, o favorito das bolsas de apostas ficou de fora da disputa. Alone não foi indicado, mas o segundo colocado, Heroin(e), sim. Novamente, prefiro opinar sobre essa categoria depois de assistir aos concorrentes.

Melhor Edição:

Avaliação: Um dos fenômenos desse ano, Baby Driver, conseguiu a sua primeira indicação no Oscar 2018 nessa categoria. Na verdade, essa categoria é toda composta de “filmes sensação” do ano. Não necessariamente eles foram bem nas bilheterias, mas se deram bem na opinião do público e da crítica.

Da lista acima, ainda preciso conferir Baby Driver e The Shape of Water. Entre os demais, as bolsas de apostas apontam como franco favorito Dunkirk. Ainda que eu goste muito de I, Tonya e prefira esse filme, admito que Dunkirk dá um show de edição. Não seria nem um pouco injusto que ele se sangrasse o vencedor como Melhor Edição.

Melhor Filme em Língua Estrangeira:

Avaliação: Essa foi outra categoria que me chamou muito a atenção por causa de uma grande ausência. Quem acompanha o blog há bastante tempo, acho que sabe que a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira é uma das minhas favoritas a cada Oscar. Esse ano, não é diferente. Alguns filmes dos quais eu tinha gostado já tinham ficado pelo caminho, e ainda que eu não tenha assistido a In the Fade, eu considerava esse o favorito. Não apenas por ele ter vencido ao Globo de Ouro e a vários outros prêmios, mas porque conheço bem o trabalho do diretor Fatih Akin.

Então sim, foi uma surpresa não ver In the Fade entre os finalistas. Por outro lado, não foi surpresa alguma ver ao chileno A Fantastic Woman – um dos meus próximos filmes a ser comentado por aqui – e ao russo Loveless na lista dos cinco indicados. Os outros dois, The Square e On Body and Soul, também se credenciaram como fortes candidatos nessa temporada por causa dos prêmios que receberam. Segundo as bolsas de apostas, A Fantastic Woman seria o favorito. Da minha parte, de quem não assistiu a todos os indicados ainda, eu diria que The Square ou On Body and Soul tem boas chances também. Essa categoria, até por In the Fade ter ficado de fora, está entre as mais difíceis de acertar nesse ano.

Melhor Maquiagem e Cabelo:

Avaliação: Categoria curiosa que, nos últimos anos, tem indicado apenas três filmes. Não é por falta de candidatos, mas porque a Academia prefere indicar apenas as “unanimidades”, digamos assim, em Maquiagem e Cabelo. Para mim, surpresa alguma nessas indicações. Realmente esses três filmes tem trabalhos excepcionais de Maquiagem e Cabelo – mas Star Wars: The Last Jedi, que nem ficou na lista dos pré-indicados, Guardians of the Galaxy Vol. 2 e outros filmes também tem. Vai entender porque outros títulos não foram indicados…

Desses três trabalhos que acabaram figurando na lista dos indicados, a escolha é difícil – especialmente entre Darkest Hour e Wonder. Os dois trabalhos de Maquiagem e Cabelo são incríveis. Mas… as bolsas de apostas apontam para uma vitória de Darkest Hour. A transformação de Gary Oldman em Winston Churchill realmente é algo impressionante e digno de um Oscar. Eu votaria, provavelmente, por Darkest Hour também.

Melhor Trilha Sonora:

Avaliação: Outros indicados de peso em uma categoria difícil que parece estar bem disputada nesse ano. Por trás dessas produções, grandes nomes da música e das trilhas sonoras no cinema. Pessoas que fizeram – e continuam fazendo – história, como os veteranos e mestres John Williams, Hans Zimmer e Alexandre Desplat.

Segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water levaria uma certa vantagem sobre Dunkirk. Se avaliarmos os prêmios entregues nessa temporada, de fato Desplat parece levar uma certa vantagem sobre Zimmer. Mas qualquer um deles vencendo, será merecido. Não assisti a Phantom Thread e The Shape of Water, então ainda não me sinto totalmente “informada” para poder opinar. Mas, entre os outros três filmes, acredito que eu ficaria com Dunkirk. A trilha sonora da produção, que muitas vezes apresenta ausência de diálogos, realmente é marcante.

Melhor Canção Original:

  • “Mighty River” (Mudbound)
  • “Mystery Of Love” (Call Me By Your Name)
  • “Remember Me” (Coco)
  • “Stand Up For Something” (Marshall)
  • “This Is Me” (The Greatest Showman)

Avaliação: A grande ausência dessa categoria foi a música “Evermore”, do filme Beauty and the Beast. No lugar dela, entrou uma outra forte candidata, “Mighty River”. Canção Original é algo complicado de julgar. O filme Detroit, por exemplo, de algumas canções originais bastante marcantes. Entre os concorrentes, assisti apenas a Call Me By Your Name. Então fica difícil julgar com propriedade.

Pelo histórico do Oscar, que gosta de premiar canções de filmes de animação, me parece que “Remember Me” leva uma certa vantagem. As bolsas de apostas também apontam para essa direção. Pessoalmente, gosto muito da força de “This Is Me”. Essa pode ser a melhor chance de The Greatest Showman não sair de mãos vazias do Oscar. Mais uma categoria difícil e na qual pode pintar uma certa zebra.

Melhor Filme:

Avaliação: Tive sorte nesse ano. Dos nove filmes indicados na categoria principal do Oscar, eu já assisti a seis. 😉 Falta conferir, ainda, Phantom Thread, The Post e The Shape of Water. Produções dirigidas por três diretores de quem eu gosto muito. Sobre esses filmes, que eu ainda não assisti, não tenho como comentar. Dos outros seis, posso dizer que concordo com quase todas as indicações. Apenas Darkest Hour eu acho que não é tãooo bom a o ponto de ser indicado a Melhor Filme. No lugar dele, sem dúvida alguma, eu iria preferir I, Tonya, Blade Runner 2049 (que eu já sabia que estava fora da disputa) ou mesmo The Florida Project – que será o próximo filme comentado aqui no blog.

Entre os indicados, me parece que a grande queda de braço está entre Three Billboards Outside Ebbing, Missouri e The Shape of Water. Dunkirk viria na terceira posição. Preciso assistir ao filme do del Toro, mas entre os indicados que eu já assisti, sem dúvida eu ficaria com Three Billboards. Em segundo lugar, com Get Out. Mas isso pode mudar depois que eu ver aos filmes de Paul Thomas Anderson, Guillermo del Toro ou Steven Spielberg. Três gênios de quem eu gosto muito. Veremos. Logo falaremos sobre essas produções e eu baterei o meu martelo definitivamente. 😉

Melhor Design de Produção:

Avaliação: Aqui as bolsas de apostas acertaram em cheio. Os cinco filmes mais cotados foram, justamente, os que conseguiram uma indicação ao Oscar. Design de Produção é algo magnífico. Não vi a dois desses filmes – Beauty and the Beast e The Shape of Water -, mas pelas imagens dos filmes que eu vi, especialmente em fotografias, concordo com as indicações. Os cinco filmes são incríveis. Mas essa é uma categoria disputada.

Acredito, por exemplo, que The Greatest Showman também mereceria ser indicado. Mas não sobrou uma vaga para ele. Entre os filmes que eu vi até agora, não tenho como não considerar Blade Runner 2049 o mais incrível. Mas… segundo as bolsas de apostas, The Shape of Water seria o favorito. Tenho que ver aos dois filmes que faltam para poder realmente bater o martelo. Ah sim, depois do filme do del Toro, Blade Runner 2049 seria o segundo mais visado pelas bolsas de apostas.

Melhor Curta Animação:

  • Dear Basketball
  • Garden Party
  • Lou
  • Negative Space
  • Revolting Rhymes

Avaliação: Categoria sobre a qual eu gosto de comentar aqui no blog. Em breve, tenham certeza, farei blog posts sobre as três categorias de curtas. Mas, como ainda não assisti aos concorrentes, prefiro comentar sobre eles depois. Na bolsa de apostas, o filme que liderava, e de disparada, In a Heartbeat, ficou de fora da lista dos indicados. O segundo mais apostado é Dear Basketball.

Melhor Curta:

  • DeKalb Elementary
  • The Eleven O’Clock
  • My Nephew Emmett
  • The Silent Child
  • Watu Wote (All of Us)

Avaliação: Nessa categoria, por muito pouco as bolsas de apostas não acertaram em cheio. Apenas o curta Icebox, que era apontado na quinta posição entre os favoritos, ficou de fora, cedendo a sua vaga para My Nephew Emmett. Ainda preciso assistir a essas produções, mas segundo os apostadores, teria uma vantagem considerável na disputa o curta DeKalb Elementary.

Melhor Edição de Som:

Avaliação: Mais uma categoria que junta a alguns dos filmes “fenômeno” da temporada e sobre a qual os apostadores acertaram em cheio. Os cinco favoritos conseguiram, de fato, ser indicados. Mais uma categoria em que a concorrência é das boas, porque temos apenas grandes trabalhos lutando por uma estatueta dourada. Da lista, não assisti a Baby Driver e a The Shape of Water. Mas entre os que eu assisti, fico honestamente em dúvida.

As bolsas de apostas apontam para Dunkirk como o favorito, seguindo muito, mas muito atrás por Blade Runner 2049. Pessoalmente, prefiro Blade Runner 2049. Mas sou capaz de admitir, também, que o trabalho de edição de som de Dunkirk é exemplar e de tirar o chapéu. Acredito que qualquer filme que vencer nessa categoria será merecedor.

Melhor Mixagem de Som:

Avaliação: Sim, a lista em Mixagem de Som é exatamente a mesmo da lista de Edição de Som. Isso se explica pelo trabalho excepcional dos cinco filmes nesses quesitos. Os apostadores, aqui, mais uma vez, acertaram em cheio. As minhas considerações e opinião são praticamente as mesmas da categoria anterior. Acho excepcional o trabalho de mixagem de som em todos os filmes que eu assisti dessa lista, e acho que Dunkirk deve levar a estatueta para casa.

Melhores Efeitos Visuais:

Avaliação: Na lista, cinco filmes que investiram pesado em efeitos visuais. Como sempre, essa é uma das categorias que eu menos acompanho a cada Oscar – especialmente porque ela é formada, geralmente, por “blockbusters” que, como os leitores fieis dessa blog sabem, não são muito a minha “praia” – ou, para dizer de outra forma, não são muito o meu foco. Entre os indicados, assisti apenas a Blade Runner 2049 e a Star Wars: The Last Jedi. Francamente? Eu acharia bacana qualquer um desses dois filmes vencer.

Mas, segundo as bolsas de apostas, o favorito nessa disputa, e com uma certa vantagem, é War for the Planet of the Apes. Realmente preciso assistir aos outros três concorrentes para poder opinar, mas tenho certeza que não será feita injustiça nessa categoria porque todos os concorrentes capricharam nos efeitos visuais.

Melhor Roteiro Adaptado:

Avaliação: Que legal ver um filme baseado em uma HQ ser indicado a Melhor Roteiro Adaptado. Puxa, muito legal mesmo! Eu sou uma grande fã de HQs – mas admito que, nem sempre, estou super no “barato” de ver a uma adaptação delas no cinema. Ainda assim, eu assisti a Logan e acho que o filme mereceu sim essa indicação. Bacana. Dito isso, comento também que me falta conhecimento para opinar sobre essa categoria nesse momento.

Essa minha “mea culpa” é porque eu assisti apenas a Logan e a Call Me By Your Name da lista aí acima. Tenho que ver aos outros filmes para poder opinar. Entre os dois que eu vi, sem dúvidas o meu voto iria para Call Me By Your Name, uma adaptação muito bem feita e comovente de uma obra que me parece ser complicada de adaptar. Nas bolsas de apostas, o filme dirigido por Luca Guadagnino, com roteiro de James Ivory e com o brasileiro Rodrigo Teixeira entre os produtores é apontado, também, como o favorito nessa categoria. Honestamente? Estou torcendo por ele (até prova em contrário). Ah sim, e as bolsas de apostas acertaram em cheio na lista dos cinco indicados. Sem surpresas, portanto.

Melhor Roteiro Original:

Avaliação: Gosto muito das duas categorias de roteiros no Oscar. Afinal, para mim, um grande filme deve ter um grande roteiro como base. Sempre. Mesmo comentando isso, devo dizer que eu tenho uma certa “predileção” por essa categoria, a de Melhor Roteiro Original. Nela que, geralmente, encontramos os filmes mais interessantes a cada ano. Novamente, em 2018, isso não é diferente.

Eu não assisti, ainda, a The Shape of Water e a The Big Sick, mas sei do “burburinho” que os dois filmes causaram por causa dos seus roteiros. Gostei muito também do roteiro de I, Tonya, mas entendo que tendo apenas cinco vagas, não dá para entrar todos os filmes bons dessa temporada. Entre as produções que eu assisti, acho que o meu voto iria para Get Out pelo ineditismo da história e pelas ótimas sacadas do diretor e roteirista Jordan Peele. Mas, para ser franca, eu não acharia injusto Three Billboards também levar o título – afinal, o roteiro do filme é ótimo também. Escolha difícil. Nas bolsas de apostas, Lady Bird é o favorito, seguido de Get Out. Bueno, gosto é gosto, mas eu não gostaria de ver Lady Bird vencedor nessa categoria.

 

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Blade Runner 2049

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Um futuro bastante sombrio. Em todos os sentidos. Um mundo pós-catástrofe em que uma nova geração de replicantes é ainda mais obediente e facilmente “escravizada”. Grande parte da Humanidade não vive mais na Terra, e quem ficou para trás vive buscando manter o status quo e a separação entre humanos e não-humanos. Blade Runner 2049 avança na história do clássico original e faz um grande favor para todos nós, fãs de cinema: avança preservando a essência do original e agregando novas e interessantes informações. É um alívio e ao mesmo tempo um deleite ver uma “continuação” de um clássico que não nos decepciona. Pelo contrário. Baita filme. Gigante mesmo.

A HISTÓRIA: Começa com uma grande introdução. Nela, sabemos que após o colapso mundial de 2020, surgiu uma nova geração de replicantes. Estes novos modelos são muito mais “obedientes” que os anteriores. A corporação Wallace assume a frente da nova tecnologia e consegue, com os novos modelos, colocar fim na fome mundial, entre outras conquistas. Os modelos antigos de replicantes, agora, são caçados pelos novos que, a exemplo dos caçadores da geração anterior, também são chamados de Blade Runner’s. Corta. Um olho ocupa toda a tela. Em seguida, um veículo se desloca no céu sobre campos gigantes. Estamos na Califórnia em 1949. E começamos a assistir a mais uma caçada.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes deste filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Blade Runner 2049): Antes de mais nada, deixa eu dizer: que filme fantástico! Como é bom assistir à sequência de um grande filme que consegue, com toda a dificuldade que esta tarefa significa, manter o grande nível. Isso não é nada fácil, e a história do cinema está aí para nos comprovar. Normalmente um grande filme, quando ganha uma sequência, tem o seu legado jogado por terra. Para a nossa sorte, dos amantes do cinema, não é isso que acontece com Blade Runner.

Devo dizer que é difícil ir no cinema e assistir a Blade Runner 2049 e não ficar arrepiado e/ou emocionado. Não, eu não cheguei a chorar. Mas sim, por dentro, fiquei muito emocionada. Porque, ainda que faz um tempo que eu assistir ao Blade Runner de 1982, algumas das cenas marcantes daquele filme – e a essência da sua história – continuam bem vivas na minha memória. Então eu vi a este novo filme, brilhantemente conduzido por Denis Villeneuve, entendendo todos os paralelos e toda a homenagem que o diretor fez para o original. E, ainda assim, apesar de todas as referências que o diretor faz para a produção de Ridley Scott (outro gênio do cinema), Villeneuve também consegue deixar a sua marca.

Amigos e amigas, isso não é nada fácil. Tão difícil quanto manter o grande nível de um clássico é você homenageá-lo na medida certa e conseguir, também, deixar o seu próprio estilo na nova obra. E isso é o que esse grande diretor Villeneuve consegue com Blade Runner 2049. Bem, como vocês podem ver, realmente eu gostei muito do filme. hahahahahaha. Porque estou primeiro me derretendo em elogios e nas sensações que eu tive ao assistir a este filme antes de falar propriamente do que eu vi na telona de um cinema praticamente lotado.

Então, após rasgar bastante a seda para Blade Runner 2049, vamos falar sobre a produção. Afinal, é para isso que estamos, não é mesmo? 😉 Primeiro de tudo, achei brilhante a introdução e o cartão-de-visitas do filme. Logo percebemos toda a proposta visual do novo Blade Runner – proposta esta que foi fundamental na primeira produção e que é tão importante quanto nesta nova. O futuro que temos pela frente, exatamente 30 anos depois do que se passa no primeiro filme – que é ambientado em 2019 -, é um futuro pós-apocalíptico.

Ou seja, ainda que moderno, com muitas luzes e publicidades “invasivas” nas grandes cidades, este futuro é ainda mais sombrio e desolado que o que vimos anteriormente. E faz sentido, convenhamos. Qualquer história pós-apocalíptica costuma mostrar os lugares que sucumbiram na mesma medida em que apresenta parte de cidades “reconstruídas”/reordenadas. Então a parte visual de Blade Runner 2049, algo fundamental para a história, é apresentada com muita coerência e de forma muito, muito interessante.

O diretor Villeneuve, juntamente com o grande diretor de fotografia Roger Deakins, mostram toda a sua experiência neste grande desafio de apresentar um filme que busque ser tão marcante quanto o original de Ridley Scott. E, volto a dizer, para a nossa sorte, eles conseguem. O visual de Blade Runner 2049 é fantástico. Convence pelos detalhes e evita o exagero. O que vemos em cena é coerente com a história, com o tempo que passou e com os fatos que aconteceram nos 30 anos que separam uma narrativa da outra.

Mas, como vocês sabem, e eu repito isso um bocado por aqui no blog, tão importante quanto as qualidades técnicas de um filme – e, na verdade, mais importante que isso – é o roteiro da produção. Então vamos falar sobre a história de Blade Runner 2049. Os roteiristas Hampton Fancher e Michael Green, que trabalharam sobre uma história de Hampton Fancher, inspirado nos personagens de Philip K. Dick, foram “tradicionalistas”. Ou seja, eles não fugiram do óbvio – e, ainda assim, conseguiram nos apresentar uma produção bastante instigante e cheia de grandes momentos.

Por que eu digo que eles não fugiram do óbvio? Porque esta nova produção segue um bocado a fórmula do Blade Runner de 1982. Novamente nós temos um policial como protagonista. E a investigação que ele empreende é o que vai determinar o ritmo da história. Mas para filmes como este, agradecemos o caminho tradicional. Porque ele funciona muito, muito bem. Então, mais uma vez, nós temos um policial – desta vez o policial K interpretado por Ryan Gosling – que se depara com uma série de informações inesperadas quando ele vai cumprir mais uma missão normal.

Como o filme explica de forma sucinta naquela introdução que eu comentei acima, o policial K, que faz parte da nova geração de replicantes, tem como uma de suas missões “caçar” e eliminar/aposentar os modelos antigos de replicantes, os “revolucionários” (e por isso “falhos”) Nexus 8. O filme começa quando K vai executar uma destas missões. Ele encontra, em uma fazenda de proteínas, o “renegado” Sapper Morton (Dave Bautista), que sobreviveu à guerra travada em Calantha (um outro planeta em que replicantes guerreiam contra replicantes).

Sapper sabe que não vai sobreviver ao confronto com K, mas ele resiste o quanto pode. E, naquele momento, temos a primeira “pílula” de filosofia da produção – como bem manda o figurino de Blade Runner. Sapper comenta que K está matando os seus semelhantes porque ele acredita que só pode fazer aquilo. E ele só acredita no que lhe ordenam porque ele nunca viu a um milagre. Esta é uma ótima introdução. Porque, evidentemente, o que o filme nos propõe é a, justamente, nos falar deste milagre.

Blade Runner 2049, assim, nos apresenta logo de cara a sua essência. Ele é sim uma evolução do clássico Blade Runner. Uma continuação. Os fatos que vemos agora estão totalmente ligados – e são dependentes – do filme anterior. Então, meus caros, nem preciso dizer que é essencial você ter visto o primeiro filme para realmente entender o que se passa neste segundo filme, não é mesmo?

A impressão que eu tive no cinema, onde algumas pessoas saíram antes do fim do filme – seja de forma definitiva, seja volta e meia para comprar pipoca e afins – é que nem todos tiveram o cuidado de saber onde estavam “se metendo”. Ora, você não deveria ir no cinema sem ao menos saber que a produção que você vai assistir é uma continuidade de outra, não é verdade? Quanto desperdício de tempo e de entendimento… Certamente aquelas pessoas poderiam estar se deliciando com o filme tanto quanto eu – mas não. Enfim. Minha recomendação é que você realmente assistia a continuações depois de ter assistido à primeira (ou segunda, ou terceira, etc.) parte e que antecedem o que você está vendo.

Dito isso, voltemos para Blade Runner 2049. Algo que eu achei brilhante no filme é que Villeneuve não cede à ânsia da geração “filmes de HQ” e não acelera com a história. Muito pelo contrário. A exemplo do Blade Runner original, Villeneuve apresenta a sua nova história com um ritmo cadenciado e preciso, sem pressa e sem exageros. Tudo é apresentado com esmero, com cuidado, em uma narrativa que lembra mais os filmes europeus do que a profusão de efeitos especiais da era “Hollywood-HQs”. Francamente? Não poderia ser diferente.

Caso Villeneuve tivesse exagerado na dose dos efeitos especiais e apresentado uma narrativa acelerada, não teríamos algumas das melhores qualidades do Blade Runner original – e da sua “segunda parte”. Então o roteiro de Fancher e de Green e a condução segura de Villeneuve preservam o essencial do primeiro filme, que é focar em uma boa construção de um protagonista carismático e abrir frente para alguns questionamentos filosóficos. Verdade que o Blade Runner original era mais filosófico sobre a essência do que é ser humano e do que é “verdade”, sobre o que foi criado e o que foi gerado, mas neste novo filme temos novamente estas questões pela frente.

Então, a exemplo da produção de 1982, novamente é um policial – um Blade Runner – que nos conduz pela história. No original, Deckard (interpretado por Harrison Ford naquela primeira produção e agora) tem a missão de caçar um grupo de replicantes rebeldes e eliminá-los. Nesta sua busca, ele questiona a separação entre humanos e replicantes – que não são androides, como bem explica este vídeo do Sr. Elegante – e a própria sociedade em que esta divisão é baseada.

Pois bem, em Blade Runner 2049 várias questões similares são apresentadas. Para começar, um tema que me pareceu “gritar” no filme é o perigo de uma grande corporação como a Wallace dominar a sociedade. Assunto fundamental, eu diria, não apenas para o nosso tempo, mas para a possibilidade de futuro que temos. Hoje, cada vez mais grandes corporações se juntam/se compram e viram conglomerados gigantes que ameaçam “dominar o mundo”. E isso é algo muito presente em Blade Runner 2049.

A questão do papel de cada um – humanos e replicantes – também é novamente colocada em cena. Realmente uma civilização pode se sentir feliz e com a “consciência tranquila” sabendo que está novamente escravizando milhões de seres? Em Blade Runner 2049, a exemplo de Blade Runner, aparentemente está “tudo bem” porque os replicantes, no fim das contas, “não são humanos”. Então, como eles foram “criados” e não foram “gerados”, eles podem ser usados e descartados. Mas é isso mesmo?

Interessante que Blade Runner 2049, ao mesmo tempo que preserva a essência do clássico de 1982, também subverte uma questão importante da produção de Scott. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). No Blade Ranner de 1982 – na versão final do diretor, atenção! -, descobrimos que Deckard é um replicante apenas no final. Até então, segundo a história, eramos levados a crer que ele era humano – e, por isso, estava “tranquilo” em caçar o que era diferente dele. No final, contudo, temos aquela reviravolta brilhante do roteiro de Hampton Fancher e de David Webb Peoples.

Pois bem, vejam que genial… em Blade Runner 2049 nós temos claro que o protagonista é um replicante desde o início. Não há dúvidas quanto a isso – percebam, ele acaba sendo o “inverso” do Deckard de Blade Runner, quando acreditamos que o protagonista é humano desde o princípio. Conforme Blade Runner 2049 se desenrola, contudo, tudo parece nos levar a crer que o replicante K não foi criado e sim gerado. Mas como ele é filho de dois replicantes – Deckard e Rachael (interpretada, no original, por Sean Young), o que ele ser gerado e não criado o torna?

Brilhante, não? Afinal, o que torna os replicantes diferentes dos humanos, na essência, é que eles são criados. Como aquele vídeo do Sr. Elegante bem nos lembra, os replicantes não são androides e não são clones. Ou seja, eles tem pele, carne, osso e órgãos como um humano. A diferença deles para nós é que eles são incapazes de sentir – ao menos era isso que acreditava e o que o Blade Runner de 1982 questiona – e que eles são criados e não gerados. Mas aí surge o Blade Runner 2049 com o seu “milagre”: um replicante que foi gerado.

Novamente, pois, temos o questionamento sobre uma civilização que é construída sobre a separação de duas espécies e sobre a supremacia de uma sobre a outra. Consequentemente, claro, temos o debate sobre a humanidade querendo fazer o papel de Deus. A partir do momento que avançamos tanto o nosso conhecimento científico ao ponto de podermos criar seres inteligentes e capazes até de sentir, o que fazemos com tudo isso? Viramos um Deus que escraviza e que subjuga ou um Deus que acolhe e que dá oportunidades para todos?

Os questionamentos do Blade Runner de 1982 seguem atuais e ganham novas perspectivas com o filme Blade Runner 2049. A escravidão é um dos fatos mais lamentáveis da história da humanidade. Mas esses filmes futuristas mostram que pouco aprendemos com o passado. Não importa se estamos falando de semelhantes ou de diferentes, já deveríamos ter aprendido que não podemos subjugar ninguém. Sobre estas questões, assim como o que nos faz humanos, é sobre o que os dois Blade Runner tratam.

A exemplo da produção de 1982, o novo filme também trata de uma investigação policial que, no fundo, é uma desculpa para uma jornada de autoconhecimento. O protagonista deste novo filme, muito bem interpretado por Ryan Gosling – que já é um dos grandes nomes de sua geração -, novamente acaba se descobrindo em um processo de saber quem ele é de verdade. E as respostas que ele alcança – incluindo aí uma bela reviravolta na história – são maravilhosas. Afinal, o que é uma lembrança de verdade? Afinal, o que é sentir de verdade? Todas estas questões filosóficas são levantadas pelo filme – e respondidas com esmero.

Todos nós somos “programados” a sentir e a pensar. Podemos ser “programados” a sentir ódio ou amor. Um replicante também, segundo os dois Blade Runner, pode ser programado a sentir estas e outras coisas – como nós, diga-se. Então o que nos diferenciaria, de verdade? Em Blade Runner 2049 uma pergunta fundamental que K faz é se as lembranças que ele tem de infância são reais ou foram criadas. E é assim que ela acaba conhecendo a Dra. Ana Stelline (Carla Juri) – a grande “surpresa” da produção.

Sim, a memória que ele tem da infância é real. (SPOILER – aviso aos navegantes… bem, você já sabe). Nós nos emocionamos quando algo é real. A Dra. Ana se emociona ao ver a memória de K, e ele afirma que sabe que aquilo é real. O que vamos descobrir depois é que aquela memória é real, mas não é dele. Mas na reta final da produção, K se questiona – e ele não precisa verbalizar isso – se era real o que ele sentia por Joi (Ana de Armas) e o que, afinal, é real para ele. Sim, o sentimento dele por Joi era real, assim como é real a neve que ele sente cair sobre o seu corpo no final.

Então, se os replicantes sentem/vivem da mesma forma com que os humanos, que direito esta segunda civilização tem de subjugar a primeira? Estas são questões levantadas pelos dois filmes e que continuam atuais, muito atuais. Também achei importantíssima a forma com que Blade Runner 2049 questiona uma sociedade em que uma grande corporação manda mais do que as autoridades – com bastante facilidade Luv (Sylvia Hoeks) mata quem estiver pela frente, seja humano, seja replicante. Daí nos perguntamos: em que tipo de sociedade com grandes corporações vigiando a quase tudo e todos nós mesmos estamos nos metendo?

Além de tudo isso, este filme sabe valorizar muito bem a construção da narrativa. Sabemos por onde a história vai e, mesmo assim, o roteiro nos reserva algumas surpresas interessantes. Também é importante que Blade Runner 2049 sabe valorizar muito bem o “grande encontro” tão esperado entre K e Deckard. Esse encontro demora para acontecer, e isso é positivo.

Quando finalmente chegamos no “face to face”, é quase impossível não se emocionar. É maravilhoso! Além disso, o filme sabe render muitas homenagens bacanas. Primeiramente, para o próprio Blade Runner de Scott. E, depois, para vários elementos da cultura humana que marcaram época e que são devidamente reverenciados neste filme – como Elvis e Frank Sinatra, entre outros.

Enfim, não importa sob que ótica olhemos para este filme. Se analisamos a sua história e a forma com que ela está ligada de forma umbilical com o Blade Runner de 1982; ou se analisamos a construção visual, a direção detalhista e dinâmica de Villeneuve; a construção dos personagens e da narrativa; o gostinho de “quero mais” e a expectativa que o filme deixa para uma continuação… enfim, qualquer aspecto do filme, tanto técnico quanto narrativo, funciona com perfeição.

Quando eu sai do cinema, fiquei pensando sobre que nota eu daria para a produção – depois de ficar um tanto “perplexa” e “maravilhada” com o que eu tinha visto. Pensei, pensei muito, e me questionei se não seria um “exagero” dar a nota máxima para Blade Runner 2049. Afinal, este filme é uma continuação de um dos grandes clássicos de todos os tempos. Mas daí refleti sobre tudo que eu comentei acima, de como este novo filme faz jus e homenageia de maneira perfeita o anterior… de como ele continua bem a história. Pensei em todas as qualidades citadas e conclui: sim, ele merece a nota abaixo. Com louvor. Dificilmente eu assisti a um filme mais de uma vez. Mas acho que vou colocar Blade Runner 2049 nesta seleta lista. 😉

NOTA: 10.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Esse é um filme que, facilmente, rende um texto gigantesco. Como vocês viram acima. 😉 E isso porque eu nem vou esgotar o assunto de Blade Runner 2049 aqui neste texto. Decidi apenas focar nos pontos principais – do contrário, realmente este texto ficaria gigante demais. E, sou franca, tenho me policiado um pouco nisso. Não quero me estender demais…

Esta semana a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgou a lista de 92 países que estão concorrendo a uma vaga na disputa pelo Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira da premiação que será entregue em 2018. Ou seja, já comecei a ir atrás destas produções para começar, logo mais, a sequência de críticas aqui no blog com vistas ao Oscar 2018. Mas aí que veio a surpresa de assistir a Blade Runner 2049… e, claro, é ainda cedo para fazer apostas para o próximo Oscar, mas eu desconfio que este filme será lembrado.

Sendo assim, meus caros, começo com este maravilhoso Blade Runner 2049 a seção “Oscar 2018” aqui do blog. 😉 Estamos muito longe ainda da premiação da Academia. Então não dá para saber quais são todos os favoritos e se Blade Runner 2049 terá fôlego de chegar com força até o Oscar. Mas, da minha parte, acho sim que seria uma grande falha da Academia se eles não indicassem este filme em algumas categorias. Para começar, pelas óbvias, técnicas. Acho que Blade Runner 2049 tem boas chances de concorrer como Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Design de Produção, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Diretor e, quem sabe, podendo concorrer até 10 produções, como Melhor Filme. Ou seja, não seria difícil o filme receber a partir de seis ou oito indicações – podendo superar este número.

Tudo vai depender do lobby que será feito para esta produção e sobre a capacidade de Blade Runner 2049 chegar com força no próximo Oscar. Poderiam rolar algumas indicações para elenco? Certamente. A conferir.

Bem, sobre as qualidades técnicas do filme, já dei uma prévia acima ao citar as categorias para as quais esta produção pode se credenciar no Oscar. Para começar, a direção de fotografia de Roger Deakins é algo espetacular. Ele faz um trabalho primoroso, assim como Denis Villeneuve ao valorizar cada elemento que ele tinha em cena. Assisti Blade Runner 2049 em um cinema 3D. Este recurso foi bem usado, ainda que ele apareça mais para ajudar na profundidade das cenas e de forma pontual em alguns detalhes – mas não é algo realmente exuberante. A parte bela fica realmente com a construção visual da produção. Ou seja, precisamos tirar o chapéu para Deakins e para o design de produção de Dennis Gassner. Brilhante o trabalho dos dois.

Desta parte técnica e visual do filme, vale ainda comentar o ótimo trabalho de David Doran, Bence Erdelyi, Lydia Fry, Paul Inglis, Tibor Lázár, Gergely Rieger, Stefan Speth e Zsolt Tarnok na direção de arte; o de Alessandra Querzola com a decoração de set; o de Renée April nos figurinos; o trabalho dos 109 profissionais do departamento de arte; os 38 profissionais envolvidos nos efeitos especiais; e o trabalho excepcional do impressionante número de 381 profissionais responsáveis pelos efeitos visuais da produção.

Um outro aspecto que eu achei maravilhoso no filme é a trilha sonora marcante de Benjamin Wallfisch e de Hans Zimmer. Francamente? Acho que ela também poderia ser indicada ao Oscar. Ainda que eu acho que, por ser mais “experimental” e quase cirúrgica, a trilha sonora de Blade Runner 2049 tenha uma certa “dificuldade” de cair no gosto da Academia ao ponto de ser indicada. Mas não seria surpreendente se o fosse.

Este filme é todo feito com esmero. Dá para perceber isso. Cada aspecto visual foi bem pensado e planejado, assim como cada elemento que compõe a produção – da trilha sonora até a escolha do elenco feita à dedo. Também é muito bacana ver que Hampton Fancher, responsável pelo ousado roteiro da primeira produção, voltou a assumir este papel de liderança neste novo filme. Importante.

Harrison Ford é Harrison Ford. Ele é um dos atores mais carismáticos e com uma trajetória das mais incríveis da história do cinema. Mas, guardadas as devidas proporções, Ryan Gosling consegue ser tão carismático quanto Ford ao protagonizar, como este grande ator, um Blade Runner. Villeneuve, claro, ajuda muito Gosling neste processo – assim como Scott ajudou, na sua época, Ford. Enfim, quem assistiu ao clássico não sofre muito com um novo protagonista. Muito pelo contrário. Gosling consegue com louvor despertar um real interesse pelo seu personagem.

Este filme tem alguns belos atores em seu elenco. Claro que a história orbita totalmente ao redor do personagem de Gosling. Ele é o protagonista e a pessoa que dita a narrativa. Mas outros atores também fazem um belo trabalho sempre que aparecem em cena. Neste sentido, claro, impossível não elogiar o excelente trabalho de Harrison Ford – que aparece menos do que gostaríamos, mas está maravilhoso. Tem uma presença maior e estão muito bem a ótima Robin Wright como a chefe de polícia Joshi; Ana de Armas encantadora como Joi, namorada virtual de K; Sylvia Hoeks como a vilã perfeita como Luv; Jared Leto enigmático como o mega empresário Niander Wallace; e Mackenzie Davis ótima como Mariette, uma garota de programa que se revela mais do que isso no final.

Além destes atores, que tem uma relevância maior na história, vale citar o trabalho dos coadjuvantes Dave Bautista como Sapper Morton; Lennie James (conhecido por The Walking Dead) como Mister Cotton, explorador de crianças no orfanato; Barkhad Abdi como Doc Badger, contrabandista que ajuda o protagonista a identificar a origem do cavalo de madeira; Tómas Lemarquis que recebe K e o ajuda no início da investigação sobre a “replicante que foi mãe”; Edward James Olmos novamente como Gaff; e Hiam Abbass como Freysa.

Honestamente, eu espero que surja uma sequência de Blade Runner 2049 logo. Afinal, esta nova produção terminou com um gostinho de quero mais e levantando uma lebre super interessante de ser explorada em um novo filme. Torço para que a dupla Fancher e Villeneuve voltem a trabalhar juntas… e logo. 😉

Por falar no Villeneuve. Este diretor canadense tem 16 produções no currículo, entre curtas e longas e, para mim, é um dos diretores mais interessantes do mercado atualmente. Eu não assisti a todos os filmes dele, mas gostei de tudo que eu vi até agora. Aqui no blog eu tenho comentados, de Villeneuve, os filmes Prisoners, Enemy e Arrival. Todos acima, bem acima da média. E agora ele nos entrega este brilhante Blade Runner 2049… realmente precisamos ficar de olho em Villeneuve e no que ele nos apresenta.

Vou aproveitar que acabo de falar do diretor para começar a minha lista de curiosidades sobre esta produção com um comentário de Villeneuve. Ele falou sobre a enorme pressão que ele estava sentindo para fazer Blade Runner 2049: “Eu sei que cada fã (do filme original) vai entrar no cinema com bastão de beisebol. Estou ciente disso, e respeito isso. Estou bem com isso porque isso é arte. E a arte é um risco, e eu tenho que correr riscos. Este será o maior risco da minha vida, mas eu estou bem com isso. Para mim, é muito emocionante… é tão inspirador! Estou muito inspirado. Sonho em fazer ficção científica desde os 10 anos de idade e eu disse ‘não’ para muitas sequências (de filmes). Mas eu não podia dizer ‘não’ para Blade Runner 2049. Eu amo demais o filme e então eu disse ‘Tudo bem, vou fazer este filme e dar tudo de mim ao fazê-lo”. Como não admirá-lo?

A primeira escolha de Villeneuve para o personagem de Wallace foi David Bowie. Mas o artista faleceu antes do início das filmagens. Realmente teria sido incrível Bowie como Wallace…

A cena que dá início para a produção, do confronto de K com Sapper Morton, é uma filmagem praticamente exata de uma sequência escrita e com storyboard feito para o Blade Runner original mas que nunca foi rodada.

Inicialmente, Villeneuve resistiu à ideia de fazer uma sequência para Blade Runner porque ele achou que poderia “estragar” a visão que as pessoas tinham do original. Mas quando ele leu o roteiro que, segundo Villeneuve e Harrison Ford, foi um dos melhores que eles já leram, o diretor resolveu embarcar no projeto. Antes mesmo do diretor aceitar o desafio, Harrison Ford já tinha se comprometido com o filme – assim como Ridley Scott, que é um dos produtores executivos da produção.

Existem três curtas planejados para “preencher” a lacuna temporal entre o primeiro Blade Runner e o segundo filme, Blade Runner 2049. O primeiro curta, comentado neste post, é Black Out 2022 – aliás, interessante ver aquele link porque ele traz uma cronologia importante dos fatos entre 2019 e 2049. O segundo curta, 2036: Nexus Dawn, e o terceiro, 2048: Nowhere to Run, completam a trilogia com fatos importantes da história. O primeiro dos curtas é dirigido por Shinichirô Watanabe, e o segundo e o terceiro, por Luke Scott.

O papel do novo Blade Runner, K, foi escrito tendo o ator Ryan Gosling em mente. E ele foi sempre a primeira e única opção do diretor Villeneuve.

Blade Runner teve várias versões. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Apenas na última lançada é que fica claro que Deckard é um replicante. Nas demais, a dúvida sobre ele ser humano ou um replicante fica no ar – e depende de cada espectador chegar a uma resposta. O diretor Denis Villeneuve disse que ele tentou deixar esta questão sobre Deckard no ar também no novo filme. “Eu amo o mistério. Adoro sombras. Adoro dúvidas. Gostaria apenas de dizer para os fãs que cuidamos deste mistério”, comentou o diretor.

Falando nas diferentes versões de Blade Runner, Villeneuve disse que ele sempre foi marcado pela primeira versão – aquela da qual Ridley Scott não gosta – e, depois, ficou impressionado também com o “Final Cut” (a versão final de Scott). Então ele desenvolveu o seu próprio filme se inspirando nestas duas versões de Blade Runner.

Para fazer o papel do cego Niander Wallace, o ator Jared Leto utilizou lentes de contato opacas que, de fato, faziam com que ele não enxergasse nada.

Agora, uma curiosidade pessoal sobre esta produção. Eu fui para o cinema crente que Blade Runner 2049 tinha poucos minutos além de duas horas. Vi mal a duração… e por mais que eu achei a produção um pouco longa, enquanto estava no cinema – não parei para ver a hora em momento algum -, eu não senti que o filme tem realmente as 2h43 que ele tem. Curioso, não? Sim, enquanto estamos assistindo a esta produção, achamos ela um pouco longa… mas, ela acaba passando mais rápida do que o tempo que ela realmente tem.

Faço uma pausa aqui para publicar esta crítica e depois volto para mais curiosidades sobre a produção… 😉

Voltando… 😉 Olhem que curioso… Joi sugere para K, que pode estar descobrindo uma nova origem para si mesmo, o nome de Joe. Joe vem de Joseph. O personagem Josef K é o protagonista de um dos romances de Kafka, onde este protagonista é acusado de um crime. Mas nunca fica claro, exatamente, qual seria este crime que ele teria cometido. Essa pode ser uma metáfora para a própria vida do K de Blade Runner 2049. Afinal, ele tem toda a sua existência questionada e não sabe muito bem como isso acontece.

A data escrita no cavalo, e uma peça importante da história, 6.10.21, marca quatro anos no futuro em relação à data de estreia de Blade Runner 2049 – que teve a estreia mundial em 6 do 10 de 2017. 😉

Ridley Scott pensou em, inicialmente, dirigir Blade Runner 2049. Mas como Alien: Covenant acabou ocupando grande tempo do diretor e simultaneamente, Scott resolveu atuar apenas como produtor executivo e consultor criativo do novo Blade Runner.

Falando sobre uma possível continuação deste filme, achei uma declaração interessante de Ridley Scott. Segundo o diretor do primeiro Blade Runner e produtor deste segundo filme, Harrison Ford vai retomar mais uma vez o personagem de Deckard. “Conversamos por um longo tempo sobre como poderia ser esta continuação, e surgiu uma história de três atos muito forte. Tudo faz sentido em como estas histórias se relacionam com a primeira”, comentou. Ou seja, provavelmente teremos ainda uma terceira parte – e Blade Runner seria, assim, uma trilogia. Estou na expectativa já. 😉

Blade Runner 2049 estreou no dia 4 de outubro no Festival de Cinema de Zurique e em dois países, a França e a Bélgica. No Brasil e em outros países ele estreou no dia 5 de outubro e, nos Estados Unidos, apenas no dia 6.

Esta produção foi rodada em diferentes locais da Hungria e teve algumas cenas rodadas na Espanha e na Islândia – estes dois últimos países foram utilizados apenas para cenas aéreas.

Um dos filmes mais aguardados do ano, Blade Runner 2049 também pode fazer uma bela trajetória de prêmios. Para começar a sua coleção, ele já abocanhou dois: Melhor Teaser no Golden Trailer Awards e “Most Anticipated of 2017” segundo o Indiewire Critic’s Poll.

Esta é uma coprodução dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Canadá.

Blade Runner 2049 recebeu a nota 8,6 dos usuários do site IMDb – uma nota excepcional para os padrões do site, devo dizer – e ganhou 212 críticas positivas e 27 negativas segundo os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes. Esse nível de aprovação acaba sendo de 89% no Rotten Tomatoes, com uma nota média de 8,2.

Não tenho dúvidas que Blade Runner 2049 será uma das maiores bilheterias do ano. Dá para sentirmos isso com o resultado do filme no seu final de semana de estreia: ele entrou em cartaz no dia 6 de outubro nos Estados Unidos e faturou, até o domingo, dia 8, US$ 31,52 milhões. Nos outros mercados em que o filme estreou ele fez outros US$ 50,2 milhões. Ou seja, em poucos dias, faturou US$ 81,7 milhões. O custo de Blade Runner foi de US$ 150 milhões. Ou seja, pelo andar da carruagem, facilmente ele vai obter um belo lucro. Sem contar que esta produção tem grandes chances de levar as pessoas para uma segunda vez no cinema – será o meu caso. Então a trajetória dele será de belo lucro por semanas.

CONCLUSÃO: Blade Runner, o original, marcou época, inspirou vários outros filmes e se tornou um dos grandes filmes do gênero. Como outras produções, pensar em um filme que seja a continuidade de algo tão bom sempre dá medo. Mas aí vem o diretor Denis Villeneuve, um dos grandes de sua geração, e nos apresenta algo coerente, interessante, marcante. Claro, não é revolucionário como o original. E, cá entre nós, para este gênero, acho improvável que algo revolucionário ainda surja. Mas um filme não precisa ser revolucionário para ser ótimo. E este é o caso de Blade Runner 2049. Agora, para você saber exatamente tudo que este filme agrega, importante ter visto o primeiro Blade Runner. Esta continuação está à altura do original, mas com alguns elementos que fazem os fãs delirarem. Um grande deleite. Marcante e, para mim, inesquecível.