Avengers: Infinity War – Vingadores: Guerra Infinita

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Tudo o que os fãs dos super heróis esperam para um filme estrelado por eles encontramos em Avengers: Infinity War. Para começar, o que há de melhor em efeitos visuais e virtuais. As imagens mais incríveis criadas por artistas com a ajuda da tecnologia vemos em cena. Depois, temos alguns dos personagens mais amados das HQs reunidos e um super vilão – possivelmente o mais temido de todos os tempos – para ser combatido. Embalando tudo isso, um roteiro recheado de cenas de ação, de algumas piadas perspicazes e de certo drama pincelado aqui e ali.

A HISTÓRIA: Uma nave de refugiados está sendo atacada. Famílias de asgardianos estão sendo mortas, e um pedido de socorro percorre o Universo. Dentro da nave, Ebony Maw (Tom Vaughn-Lawlor), um dos mais fieis seguidores e aliados de Thanos (Josh Brolin), diz para as vítimas que elas devem se alegrar, porque elas serão sacrificadas em nome do equilíbrio do Universo. Thanos, por sua vez, diz que o destino sempre chega, e exige que Loki (Tom Hiddleston) lhe entregue o cubo de Tesseract para que Thor (Chris Hemsworth) não seja morto.

Thor diz que não adianta Thanos pedir por Tessaract porque ele foi destruído em Asgard. Mas Loki mostra o cubo e entrega uma das Joias do Infinito que Thanos tanto queria. Apesar de ceder, Loki diz que eles continuarão a ver a luz do dia, e afirma que eles tem o Hulk (Mark Ruffalo). Ele ataca Thanos, mas acaba sendo vencido. Antes de Hulk ser morto, contudo, Heimdall (Idris Elba), que está caído no chão, consegue enviar o gigante verde para a Terra. Agora, Thanos tem duas Joias do Infinito. Em breve, ele seguirá atrás das outras quatro, incluindo duas que estão na Terra.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Avengers: Infinity War): Eu prometo tentar não escrever um texto gigante sobre esse filme, beleza? 😉 Como já comentei antes em algum texto aqui no blog, eu sempre fui uma grande fã de HQs. Li bastante, especialmente na adolescência. Hoje, leio mais The Walking Dead, apenas – e, eventualmente, alguma outra HQ mais antiga.

Dito isso, claro que eu já tinha visto os principais heróis da Marvel em ação antes. Dos vários filmes da grife lançados no cinema, assisti a alguns – mas a maioria, acredito, eu perdi. Dito isso, quero dizer sim que eu me lembrei de todos os personagens principais desse filme – exceto Thanos e seus aliados, dos quais eu não tinha lembrança.

Acho importante para você que, como eu, talvez não tenha assistido a todos os filmes de heróis da Marvel dos últimos 10 ou 15 anos, dar uma olhada nessa matéria do jornal O Globo. Nela, são citados os sete filmes mais importantes que você deveria assistir antes de conferir Avengers: Infinity War. O quarto e o sétimo filme da lista me parecem os mais importantes – os demais são bacanas também, mas para quem conhece bem os personagens dos quadrinhos, talvez eles não sejam tãoooo fundamentais assim.

Dito isso, comento que sim é possível assistir a Avengers: Infinity War sem ter visto aos sete filmes listados pelo O Globo ou mesmo às outras produções da Marvel que envolvem Os Vingadores e que não estão na lista. O importante mesmo é você conhecer relativamente bem os personagens, as suas personalidades e a importância de cada um naquela constelação de heróis. Fui assistir ao filme em um cinema 3D logo na primeira sessão de sábado, e qual a minha surpresa em conseguir um dos últimos ingressos para a sessão.

O cinema estava praticamente lotado – exceto pelas fileiras bem na frente, que ninguém quer. Tive sorte em consegui entrar. E gostei muito do que eu vi. Para começar, Avengers: Infinity War tem aquela pegada de uma nave no espaço sendo atacada que faz os fãs de cinema e da cultura nerd lembrarem imediatamente de Star Wars. Logo essa impressão desaparece quando vemos ao vilão Thanos, a Loki e Thor, o que nos faz “cair” rapidamente no universo da Marvel.

O começo de Avengers: Infinity War é ótimo. Com bons diálogos e uma luta bacana entre Hulk e Thanos que serve como um “cartão de visitas” do que veremos depois. Essa qualidade inicial do filme também acaba sendo um problema depois. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Isso porque você acaba esperando um filme cheio de cenas de ação, de disputas e de muita adrenalina, mas temos várias partes da história com “cenas emotivas” entre dois ou mais personagens.

Sim, há cenas de ação que todo fã espera, mas talvez em menor número do que gostaríamos. No fim das contas, a narrativa mostra Thanos, que acredita que tem como “missão” exterminar metade da vida no Universo para que o equilíbrio seja reestabelecido, em busca das cinco Joias do Infinito que lhe faltam – ele começa a narrativa já com a Joia do Poder. Se Thanos conseguir o seu objetivo, ele se tornará onipotente e poderá, com um estralar de dedos, exterminar metade da vida nos planetas Universo afora.

Sobrevivem àquela cena inicial do filme os heróis Thor e Hulk. Cada um deles parte em uma direção para buscar aliados para tentar impedir Thanos. E aí que a narrativa se fragmenta, com um núcleo na Terra liderado por Hulk, Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Peter Parker/Homem Aranha (Tom Holland) tentando proteger a Joia do Tempo que está com o Doutor Estranho, enquanto outro grupo, liderado por Thor e os Guardiões da Galáxia busca atacar Thanos em duas frentes.

Mesmo o grupo da Terra também acaba se dividindo. Depois de Doutor Estranho ser atacado por Ebony Maw e sequestrado por ele, o Homem de Ferro e o Homem Aranha conseguem embarcar na nave e seguir o vilão para tentar resgatar o Doutor Estranho, enquanto o Hulk, que ficou na Terra, entra em contato com Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans).

Quando o Visão (Paul Bettany), que tem a Joia da Mente, passa a ser o novo alvo dos aliados de Thanos, o herói e a sua companheira Wanda Maximoff/Feiticeira Escalate (Elizabeth Olsen) acabam sendo socorridos por Steve Rogers, Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie) e Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson). Enfim, isso tudo vocês sabem, vendo o filme.

Mas fiz questão de contar toda essa fragmentação da narrativa para comentar como a história, que é linear e parece bastante “simples” no direcionamento da narrativa, acaba ganhando em velocidade e em fragmentação ao se dividir em algumas linhas de ação. Não temos apenas a Thanos perseguindo Joia por Joia. O tempo dos heróis fica mais curto porque enquanto Thanos persegue algumas Joias, os seus comparsas atacam outras frentes para conquistar as demais.

O objetivo dos heróis, por outro lado, é tentar preservar as Joias que estão no poder de dois membros desse grupo: Doutor Estranho e Visão. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Enquanto isso, boa parte da turma dos Guardiões da Galáxia – com exceção de Groot (voz de Vin Diesel) e de Rocket (voz de Bradley Cooper), que acabam seguindo a direção de ajudar Thor a forjar um novo martelo para combater Thanos -, incluindo a “filha adotiva” do vilão, Gamora (Zoe Saldana), tentam impedir Thanos de conseguir as duas Joias que estão em outros lugares do Universo.

Como os fãs dos heróis da Marvel sempre esperam dos filmes que buscam honrar os personagens das HQs, Avengers: Infinity War tem ação, humor e suspense nas doses certas. Essa produção rende algumas boas risadas, em tiradas um tanto sarcásticas com as quais estamos acostumados. As cenas de ação são ótimas, mas talvez o filme poderia ter um pouco mais desse elemento.

A narrativa, que na maior parte do tempo se apresenta bem envolvente e ágil, tem algumas desaceleradas importantes – e, algumas vezes, elas me pareceram um tanto forçadas – para explorar o lado “sentimental” dos personagens. Sim, é bacana ver a tantos personagens importantes em cena. Também faz sentido que o roteiro de Christopher Markus e de Stephen McFeely explorasse as relações entre os personagens, mas algumas sequências entre eles me pareceram um tanto previsíveis e exageradas – especialmente as sequências entre Visão e Wanda Maximoff e entre Thanos, Gamora e Nebulosa (Karen Gillan).

Mas ok, nem sempre dá para um filme tão complexo como esse, com tantos personagens e tanta narrativa contada em diversos HQs e resumida em apenas uma produção, ser totalmente coerente ou equilibrado. O que importa, no fim das contas, é que Avengers: Infinity War atende a grande parte da expectativa dos fãs do gênero. Para começar, o filme é impecável nos efeitos especiais e visuais. Depois, para os fãs, é inegável o efeito de êxtase que uma produção com tantos astros e estrelas juntos, interpretando os seus personagens preferidos, desperta.

Também são importantes – e os pontos altos do filme – as cenas de batalha, luta e as de humor. Para arrematar tudo isso, ainda temos o final dessa produção. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Assim como um dos arcos narrativos do HQ conta, em uma das realidades possíveis – o Doutor Estranho viu pouco mais de 4 milhões de alternativas ao viajar “no tempo” -, Thanos consegue todas as Joias do Infinito e faz realmente a limpa que ele gostaria no Universo.

Não deixa de ser emocionante e até de nos arrepiar quando vemos, no final de Avengers: Infinity War, diversos heróis sumindo na nossa frente após o sucesso de Thanos. É de doer o coração ver a T’Challa/Pantera Negra (Chadwick Boseman), o Homem-Aranha, Doutor Estranho, Peter Quill/Senhor das Estrelas (Chris Pratt) e tantos outros partirem tão repentinamente. Quando o filme acaba, a plateia fica se perguntando se aquilo realmente aconteceu.

Bem, avaliando as HQs que tratam sobre esse assunto, sim, em um dos arcos narrativos Thanos conseguiu exatamente o que queria. E se metade da população do Universo foi exterminada com o estrelar de dedos dele, é de se presumir que metade – ou um pouco menos – dos heróis também passaria pelo mesmo, não é?

Ainda assim, segundo o próprio Doutor Estranho comentou ao viajar no tempo, havia uma possibilidade – entre mais de 4 milhões – dos heróis vencerem o vilão. Quem sabe essa possibilidade realmente não aconteceu em alguma realidade paralela e os heróis conseguem reverter o que sucedeu nas demais linhas narrativas?

Estou apenas fazendo uma especulação aqui. Mas mesmo que o final seja aquele mesmo, interessante ver a um filme da Marvel que não termina com os heróis se dando bem – afinal, nem sempre é isso que acontece. Uma outra possibilidade que vejo no desdobramento desse filme é que na próxima produção os Vingadores e os Guardiões da Galáxia que restaram realmente unam as forças (talvez até com a adição de outros heróis) e, ao derrotar Thanos, eles consigam “restabelecer” a vida com a Manopla do Universo e as suas Joias. Afinal, se um estralar de dedos mata metade da população do Universo, por que um novo estralar de dedos não poderia “reviver” as mesmas pessoas? A conferir, pois.

Pensando na cena que vemos após os créditos e que mostra Nick Fury (Samuel L. Jackson) também desaparecendo, mas, antes, enviando uma mensagem de Código Vermelho, podemos presumir que o alerta será respondido por alguém. Provavelmente pelos heróis que restaram – e que devem se reunir para enfrentar Thanos. Então muito mais virá pela frente ainda.

Finalizando essa crítica, comento que esse filme me agradou, mas que ele teve um impacto menor do que outra produção recente que assisti baseada em HQs: Black Panther (comentada por aqui). Se, por um lado, Avengers: Infinity War agradou pelos efeitos visuais e especiais e por fazer desfilar tantos astros e personagens legais na nossa frente, por outro lado essa quantidade de personagens torna a narrativa menos rica. Diferente de Black Panther, que teve muito mais espaço para desenvolver os personagens e suas relações.

Apesar disso, vale comentar como Avengers: Infinity War trata de um assunto que parece exagerado mas que já fez parte da nossa história no passado e que volta à tona agora, com o recrudescimento de posturas de direita extremista: o desejo de alguns de determinar quem deve viver ou morrer e de, movidos por essa ânsia, promover “limpas” e/ou genocídios de contingentes importantes em nome de um “equilíbrio” da sociedade.

Hitler, antes, defendia o extermínio de vários grupos que não eram da “raça superior”. Vários políticos, atualmente, querem fechar fronteiras para refugiados, tirar do próprio território pessoas que eles consideram “indignas” de estar no país e outros tipos de exclusão/extermínio por causa de raça ou credo.

Muitos, a exemplo de Thanos, defendem essas práticas em nome do “equilíbrio” e como solução para o crescimento da população e a diminuição dos recursos finitos da Terra. Assim, guardadas as devidas proporções de um filme de ficção e baseado em HQs, Avengers: Infinity War nos faz pensar sobre questões bastante reais e que fazem parte da nossa realidade – mesmo que não estejamos inseridos (ainda) em regimes de exceção. Mas vale o alerta – e a reflexão.

Dito isso, devo comentar que sim, Avengers: Infinity War e Black Panther são estilos de filmes bem diferentes, com propostas igualmente diferenciadas. Mas, inevitavelmente, sempre comparamos as nossas experiências com o cinema. Assim, sendo, gostei sim de Avengers: Infinity War, mas não tanto gostei de Black Panther. Dito isso, quero dizer que vale muito a pena assistir a Avengers: Infinity War em 3D e nos cinemas, é claro.

NOTA: 9,2.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Eu li a algumas histórias de Thanos. Mas não sou nenhuma especialista no super vilão e em suas peripécias envolvendo Os Vingadores e demais heróis das HQs – como o Surfista Prateado. Mas do que eu conheço e do que eu li, me parece que Avengers: Infinity War toma diversas “licenças poéticas”, digamos assim. Parece que o filme não é muuuuito fiel aos quadrinhos. E beleza os realizadores produzirem algo diferente, mas fico me perguntando se o filme ficou melhor que o original. Se tiver algum especialista por aqui que puder comentar, agradeço.

Falando em Thanos e as suas peripécias, se você, como eu, não é um(a) especialista no assunto, sugiro dar uma conferida em dois sites que ajudam a nos situar sobre esse personagem e as suas narrativas na Marvel. A primeira leitura que eu recomendo é essa, do site Universo HQ, que dá uma bela resumida no personagem e em suas aparições em gibis da Marvel. Depois, sugiro a leitura desse texto do site Aficionados que traz um bom resumo sobre as Joias do Infinito, incluindo a função de cada um delas e os seus atuais e antigos detentores. Leituras bastante recomendadas e que ajudam a rememorar e/ou conhecer alguns fatos envolvendo Thanos e as Joias.

Enquanto eu via o vilão Thanos na minha frente, era impossível para mim não lembrar de personagens da mitologia grega como Thánatos e Hades. Quem já ouviu falar deles – quem sabe em uma música da Legião Urbana – sabe que eles estão ligados à morte e à destruição. Ou seja, faz muito sentido o nome de Thanos, que acredita que tem como “missão” matar para colocar equilíbrio no Universo. Quem quer saber um pouco mais sobre Thánatos e Hades, pode encontrar uma boa introdução nesse texto da Wikipédia.

O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely é inspirado em uma série de personagens criados por alguns dos grandes gênios da história das HQs. Vale citar toda a inspiração dos roteiristas: eles se inspiraram nos quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby; no personagem do Capitão América criado por Joe Simon e Jack Kirby; no Senhor das Estrelas (Star-Lord) criado por Steve Englehart e Steve Gan; no Rocket Raccoon criado por Bill Mantlo e por Keith Giffen; no Thanos, Gamora e Drax criados por Jim Starlin; no Groot criado por Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby; e na Mantis criada por Steve Englehart e Don Heck.

Como comentei antes, um dos destaques de Avengers: Infinity War é o elenco estelar da produção. Entre os vários nomes em cena, destaco as atuações de Chris Hemsworth, de Mark Ruffalo, de Benedict Cumberbatch, de Zoe Saldana, de Josh Brolin e de Chris Pratt. Aparecem bastante na produção, mas achei que com um nível de interpretação um pouco menor, os atores Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson e Tom Holland. Eles estão bem, mas acho que se destacam menos que os anteriores.

Além deles, vale citar o bom trabalho de Scarlett Johansson, Don Cheadle, Chadwick Boseman, Karen Gillan, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Vin Diesel, Bradley Cooper, Benedict Wong e Letitia Wright. Eles aparecem um pouco menos que os atores citados anteriormente, mas fazem um bom trabalho. Estão bem no filme, mas em papéis ainda menos – quase de pontas – os atores Tom Hiddleston, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Idris Elba, Danai Gurira, Peter Dinklage, Pom Klementieff, Dave Bautista, Gwyneth Paltrow, Benicio Del Toro, Winston Duke e Florence Kasumba.

Os diretores Anthony Russo e Joe Russo fazem um belo trabalho com Avengers: Infinity War, especialmente nas cenas de ação. Pena que o roteiro não acompanhou tão bem o talento dos diretores.

Avengers: Infinity War teve a sua première em Los Angeles no dia 23 de abril de 2018. No dia 25, dois dias depois da première, o filme estreou nos cinemas de 25 países. No dia 26, estreou em outros 28 países, incluindo o Brasil. Assisti ao filme ontem, dia 28 de abril, em uma sessão praticamente lotada.

O filme deve consagrar-se com uma das grandes bilheterias de todos os tempos. Segundo o site Box Office Mojo, Avengers: Infinity War faturou, até o dia 29 de abril, US$ 250 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 380 milhões nos outros países em que o filme estreou até essa data. Ou seja, em poucos dias, ele faturou US$ 630 milhões. Se seguir nessa pegada, logo ele será um filme com faturamento bilionário. Impressionante. Quem mesmo disse que as pessoas não vão mais nos cinemas? Para determinados filmes, não faltará público e lucro.

Agora, algumas curiosidades sobre essa produção. As filmagens de Avengers: Infinity War começou em janeiro de 2017 e terminou em janeiro de 2018. Essa produção foi rodada simultaneamente ao novo filme Avengers, que dá continuidade a Infinity War mas que ainda não tem o título definido e que deverá estrear nos cinemas em 2019.

De acordo com o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, a formação dos Vingadores vai mudar substancialmente entre esse filme lançado em 2018 e o próximo que será estrelado pelo grupo de heróis. Dá para entender o porquê disso assistindo a Avengers: Infinity War. 😉 Ainda segundo Feige, Avengers: Infinity War é o ponto alto de toda a saga dos super heróis da Marvel porque esta produção seria o “resultante” de todos os filmes anteriores.

Nesse filme, os atores Robert Downey Jr. e Chris Evans completam nove produções em que eles interpretam os personagens Homem de Ferro e Capitão América, respectivamente. Assim, eles empatam com Hugh Jackman, que também interpretou em nove filmes o personagem Wolverine. Mas tanto Downey Jr. quanto Evans demoraram muito menos tempo que Jackman para chegar a esse marco de nove produções interpretando o mesmo herói de HQ. Enquanto Jackman demorou 16 anos para somar esses nove filmes, Evans demorou sete anos e Downey Jr. demorou 10 anos.

Avengers: Infinity War é o primeiro filme – sem ser um documentário – totalmente filmado com câmeras IMAX.

O primeiro trailer de Avengers: Infinity War registrou 200 milhões de visualizações em 24 horas, o que estabeleceu um novo recorde para visualizações de um trailer em um único dia.

Quando eu estava no cinema, eu achei o filme um tanto longo… mas só agora eu me dei conta que Avengers: Infinity War tem 156 minutos de duração, ou seja, 2 horas e 36 minutos! Uau! No cinema, ele parece longo, mas não dá para perceber que ele tem mais de duas horas e meia. Por ter toda essa duração, Avengers: Infinity War é o filme baseado em HQs mais longo da história do cinema.

De acordo com os produtores do filme, Avengers: Infinity War está inspirado em três marcos narrativos das HQs da Marvel: The Infinity Gauntlet, The Thanos Imperative e Infinity. O enredo Civil War das HQs da Marvel, contudo, não tem nada a ver com a narrativa do filme. Que bom que esclareceram isso, porque realmente me pareceu estranho as HQs e o filme terem o mesmo nome mas não terem nada a ver uns com os outros.

Os usuários do site IMDb deram a nota 9,1 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 226 críticas positivas e 42 negativas para o filme, o que lhe garante um nível de aprovação de 84% e uma nota média de 7,5. Especialmente o público está amando essa produção – mais do que os críticos. Reação mais que compreensível dos super fãs do Universo Marvel. No site Metacritic, Avengers: Infinity War apresenta um metascore de 68. Esse indicador resume 38 críticas positivas, 13 medianas e uma negativa.

Avengers: Infinity War é uma produção 100% dos Estados Unidos. Assim, esse filme atende a uma votação feita há bastante tempo aqui no blog.

CONCLUSÃO: Todos esperavam pela estreia de Avengers: Infinity War. Os fãs de HQ “raiz”, os fãs dos filmes que estão arrasando as bilheterias a cada nova estreia e mesmo aqueles que não são tão fãs assim desse gênero. Afinal, tanto se falou dessa produção… Como filmes do gênero competentes foram lançados recentemente, ficou difícil para esse filme superar toda essa expectativa. Então sim, Avengers: Infinity War é uma bela experiência de cinema. Um show de efeitos especiais e um belo desfile de astros e estrelas. O filme também agrada por não acabar de maneira óbvia, mas está longe de ser uma produção inesquecível. Vale pelo entretenimento e pelo visual. Mas isso é tudo.

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Only Lovers Left Alive – Amantes Eternos

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Interessante como o cinema está sempre nos mostrando que é possível ser inteligente e criativo utilizando elementos já conhecidos. Ou, em outras palavras, que para entregar uma boa obra não é preciso recriar a roda. Basta fazer diferente, ainda que utilizando recursos um tanto desgastados. Only Lovers Left Alive se soma a outros filmes que conseguem exatamente isso.

Com um realizador inteligente à frente do projeto, esta produção revela estilo, uma boa dinâmica e elementos pop certeiros para cair no gosto de alguns públicos. E para você que quer saber sobre esse filmes mas não quer estragar surpresas, recomendo que não leias mais nada além do parágrafo seguinte.

A HISTÓRIA: Um céu estrelado gira lentamente. Depois, mais veloz, até que a imagem se funde em um vinil que começa a tocar. Enquanto a música toca, a câmera gira no mesmo compasso e mostra Eve (Tilda Swinton) em um quarto cercada por livros. Em outro local, o mesmo giro mostra Adam (Tom Hiddleston) deitado em um sofá com uma guitarra sobre o corpo. O fluxo segue entre uns e outros, até que Adam e Eve despertam do transe. Ele vê a chegada de Ian (Anton Yelchin), enquanto ela observa o movimento na rua. Cada um obtém o que necessita, mas não é o suficiente. A história dos dois será narrada neste filme.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Only Lovers Left Alive): O início desta produção é um tanto estranho, mas ao mesmo tempo estimulante. Evidentemente por causa da trilha sonora, mas também pela direção cuidadosamente planejada de Jim Jarmusch. Ele se preocupa no ritmo e na fluência da história, assim como em que cada elemento converse entre si. É como se as imagens tivessem que seguir sempre em um compasso lírico, como a própria música que ajuda a contar a história.

Gostei das sequências iniciais. E quando falo delas, me refiro naquelas que apresentaram os protagonistas e a primeira de várias músicas importantes da história. Jarmusch, que também assina o roteiro, logo se preocupou em nos apresentar o contexto em que vive cada personagem. Importante, especialmente para o futuro da narrativa. Mas mesmo com aquele começo promissor, admito que senti preguiça quando percebi que esta era uma história de vampiros.

Meu primeiro pensamento foi: “Ah, fala sério! Mais uma história de vampiros? Ninguém merece”. Afinal, tanto já foi falado deles. E há clássicos no cinema deste gênero muito difíceis de serem batidos. Perceber que os vampiros estavam no centro da história me tirou um pouco do ânimo. Mas esse foi um ledo engano. Isso porque uma das graças de Only Lovers Left Alive é, justamente, a forma com que o filme brinca com o gênero, seus estereótipos e “tradição”.

E daí volto para o início deste texto. Como é gratificante quando encontramos uma obra que consegue, apesar de tantos filmes anteriores terem tocado naquele tema, apresentar uma roupagem e elementos novos! Isso só comprova que o talento pode sempre tornar uma antiga história, lenda ou mesmo imaginário popular em algo refrescante e que tem uma certa levada moderna.

Claramente Jarmusch se esforçou para conseguir fazer a sua própria história definitiva sobre vampiros. E cá entre nós, eu acho que ele conseguiu. Para mim, que gosto do gênero e tenho ótimas lembranças de clássicos sobre estes personagens que gostam de sangue, Only Lovers Left Alive conseguiu a proeza de entrar na seleta lista de bons filmes do gênero. Destes que merecem ser vistos.

Além daquelas qualidades iniciais já citadas, impressiona a ironia do roteiro de Jarmusch, que brinca com três elementos fundamentais destes personagens seculares, porém com certa mortalidade: a genialidade de quem tem a possibilidade de viver por séculos e acompanhar a história se desdobrar frente aos seus olhos; a admiração da beleza que a criatividade, o talento e a inteligência dos “zumbis” (humanos mortais) pode criar; e a revolta com a falta de evolução dos “zumbis” como espécie.

Os personagens centrais desta história vivem sempre equilibrando o gosto pela beleza, pela arte, pelo gesto de apreciar o que há de mais sublime no mundo, com o tédio e a depressão (principalmente Adam) por não ver a civilização humana avançar tanto quanto poderia. E daí Jarmusch consegue, com muito rock pesado e uma direção cheia de estilo, nos fazer pensar como vampiros. E isso é magnífico!

Como você se sentiria se pudesse viver durante séculos e ver o belo e o medonho que os humanos são capazes de fazer, geração após geração? Eu provavelmente teria que ter ao meu lado um amor “eterno”, como sugere o título do filme para o mercado brasileiro, para dar uma equilibrada no meu humor. Provavelmente eu ficaria no meio termo entre Eve e Adam… ao mesmo tempo em permanente admiração pelo belo, mas também deprimida com tanto desperdício de potencial dos “zumbis”.

Sem desperdiçar recurso em nenhuma cena, Jarmusch adentra na vida deste casal de vampiros, grandes amantes da arte – ela dos livros, ele da música. De forma inteligente, ao escolher estas vertentes artísticas, o cineasta consegue destilar um roteiro com algumas referências literárias e uma trilha sonora de arrepiar – e que merece ser escutada independente do filme. Ao mesmo tempo, ele não se amarra em um filme cheio de referências demais. Pelo contrário.

O roteiro desta produção acerta na mosca em equilibrar as referências interessantes a obras de diferentes períodos e estilos com uma linguagem contemporânea nos diálogos e nas relações dos protagonistas com os demais personagens. Com esta escolha, Jarmusch consegue fazer um filme que respeita a filmografia anterior sobre vampiros – especialmente a dos melhores filmes -, avança na aproximação destes personagens com a gente, os “zumbis” espectadores desta produção, e também no exercício de imaginar como estes seres quase-eternos viveriam hoje, em pleno século XXI.

A história funciona bem, e convence. Ajuda muito também a excelente trilha sonora. Mas para não dizer que tudo é perfeito, algumas vezes o filme perde um pouco o ritmo, como quando a irmã de Eve, Ava (Mia Wasikowska) aparece em cena.

Dá para entender a intenção do realizador, de mostrar como uma geração mais nova de vampiros carece de “modos” e até de princípios. Mas ter apenas uma personagem com essa pegada e ela ser, justamente, “desmiolada”, ajuda a estigmatizar os jovens como figuras sempre sem ponderação ou valores. E sabemos que nem sempre é assim. Há todos os tipos de jovem no mercado, assim como adultos que seguem também diferentes linhas de pensamento e de ação.

Sendo assim, apesar de entender as intenções de Jarmusch com a personagem de Ava, achei um tanto pueril a toada desta personagem. O filme vinha bem até ali, mas perdeu um pouco do interesse com a chegada da garota. Por outro lado, claro, ela tem relevância na narrativa porque insere o elemento surpresa – aquele mesmo que faz você esperar que algo de ruim aconteça a qualquer momento. Por este lado, Ava é interessante. Mas não pelo estereótipo desmiolado.

De qualquer forma, e para resumir, Only Lovers Left Alive acaba surpreendendo pelo lado positivo. Chega com uma ótima direção, um roteiro que equilibra ironia e autorreferências de outras obras (de vampiros ou da arte em geral), uma trilha sonora empolgante, uma direção de fotografia bacana, edição idem e um elenco escolhido a dedo e que funciona muito bem. Por pouco, não é perfeito. Mas, sem dúvida, consegue a difícil tarefa de entrar na lista dos bons exemplares do gênero.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Sempre achei a atriz Tilda Swinton única em sua estranheza. Ela é facilmente reconhecida não importa o trabalho em que faça. Figura um bocado andrógina, ela caiu como uma luva como intérprete da personagem Eve. Aliás, não me admira se o cineasta escreveu o papel pensando na atriz. Ela é digna de inspirar uma personagem linda, forte e quase efêmera como aquela.

Por falar nos intérpretes deste filme, acredito que Only Lovers Left Alive me apresentou, pela primeira vez, todo o potencial do ator Tom Hiddleston. Ele está perfeito como Adam, par bem afinado de Swinton nesta produção. De longe, sua melhor interpretação da qual eu tenho lembrança. Os dois embalam a história e são o mais interessante do filme, sem dúvida.

Ainda que vale a pena citar o bom trabalho de Anton Yelchin como Ian, o mais próximo de amigo “zumbi” que Adam tem e uma espécie de “faz-tudo” para o protagonista; o veterano John Hurt como o interessante, ainda que em papel pequeno, Marlowe – aquele que acaba revelando a fragilidade dos vampiros; e Mia Wasikowska na personagem mais fraca da produção, Ava. A atriz está muito bem, mas é o papel dela mesmo que carece de densidade. Em papéis menores, mas que também tem o seu charme e relevância, estão Jeffrey Wright como o Dr. Watson, fornecedor do sangue para Adam; e Slimane Dazi como Bilal, o braço direito de Marlowe.

Algumas cenas são verdadeiramente belas. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Uma delas, a despedida emocionada de Bilal quando o mestre dele parte. Bacana a forma com que Eve, mesmo enlutada, se compadece da dor do “zumbi” que sofre verdadeiramente com a perda. E essa relação entre os vampiros, sábios após observar com paciência e sensibilidade única o passar do tempo, e os “zumbis” que tropeçam e acertas em seus respectivos caminhares, é o que torna o filme ainda mais interessante.

Da parte técnica do filme, primeiro é preciso tirar o chapéu pelas ótimas escolhas na direção e no roteiro de Jim Jarmusch. Ele realmente forja cada cena com cuidado, cuidando para que os elementos conversem entre si e, desta forma, para que o filme tenha ritmo e flua como uma música bem orquestrada. Depois, fundamental a trilha sonora digna de ser colecionada de Carter Logan e Jozef van Wissem. Eu que gosto de um rock pesado, achei perfeita a escolha do repertório. E tenho certeza que os músicos, em especial, vão ficar arrepiados com os instrumentos que Adam vai colecionando.

Junto com a direção de Jarmusch, funciona muito bem a direção de fotografia de Yorick Le Saux. Ainda que ele não tenha nenhum achado que torne este o elemento forte do filme, já que as escolhas de ângulos e de ritmo de narrativa de Jarmusch é o que tornam o filme diferenciado. Para ajudá-lo nesta tarefa, vale destacar o excepcional trabalho de edição de Affonso Gonçalves. Também gostei do design de produção de Marco Bittner Rosser; da direção de arte de Anja Fromm e Anu Schwartz; e, e esse elemento é outro que se destaca sobre os outros nesta produção, os refinados e muito contemporâneos figurinos de Bina Daigeler.

Only Lovers Left Alive estreou em maio de 2013 no Festival de Cinema de Cannes. Depois, o filme participou de outros 26 festivais. Uau! Um número impressionante, sem dúvidas. Nesta trajetória, a produção abocanhou três prêmios e foi indicada a outros seis. O mais relevante, entre os recebidos, foi o Prêmio Especial do Júri para Jim Jarmusch dado no Sitges – Festival Internacional de Cinema da Catalunha.

Esta produção teria custado cerca de US$ 7 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco menos de US$ 1,86 milhão. Pouco, o que é uma pena. Mas dá para entender porque esta é a típica produção sem um grande nome no elenco – pelo menos destes óbvios, que lotam as salas independente do que façam – e que não teve a distribuição massiva de outros filmes. Mas acredito que a propaganda boca-a-boca deve fazer o filme ser mais visto e, talvez, se pagar.

Only Lovers Left Alive foi rodado em três países diferentes: Alemanha, Estados Unidos e Marrocos. As cenas no clube de rock foram feitas em Hamburgo. Também houve cenas rodadas no estúdio MMC, em Colônia; em uma mansão de Detroit (utilizada como a casa de Adam); e em Tânger, no Marrocos. Ou seja, para a história, as duas cidades mais importantes da trama, Detroit e Tânger, de fato são utilizadas pelos produtores. Isso ajuda para embarcar o espectador na história.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,4 para Only Lovers Left Alive. Uma ótima avaliação, levando em conta o padrão do site. Os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 129 textos positivos e 22 negativos para a produção, o que lhe garante 85% de aprovação e uma nota média 7,3. Números muito bons também.

CONCLUSÃO: Histórias de vampiros estão mais que batidas no cinema. Basta olhar para o histórico de produções lançadas nos últimos 100 anos para saber que muito já foi falado sobre eles. E mesmo assim, o diretor e roteirista Jim Jarmusch consegue nos entregar uma obra fresca e interessante sobre estes personagens tão “desgastados”. Isso, para mim, é a essência do cinema. Recriar o que é interessante, trazendo elementos novos para o que já pareceria batido, assim como a capacidade que outros têm de contar histórias totalmente novas.

Only Lovers Left Alive acerta na mosca na ironia, na ode à arte e ao amor, e na aposta decisiva na trilha sonora e em um estilo de direção que leva a assinatura do realizador. Divertido, instigante, renovador do gênero. Vale ser visto, especialmente se você gosta de ironias e de repensar velhos personagens que estão entranhados no imaginário popular.

War Horse – Cavalo de Guerra

O céu se parece muito, pode até que seja o mesmo de Gone with the Wind. Mas a história… quanta diferença daquela de um dos maiores clássicos do cinema! War Horse é um filme que resgata aquele céu, apesar de ser ambientado em outra época, em outra local e com um foco muito diferente. O novo filme de Steven Spielberg tem um belo visual, uma trilha sonora poderosa e uma “atuação” de um cavalo poucas vezes vista no cinema. E isso é quase tudo. Spielberg já fez filmes melhores, não há dúvidas.

A HISTÓRIA: O sol nasceu há pouco, e a câmera percorre campos verdejantes no amanhecer. A luz vai iluminando as propriedades cada vez com mais força, até que chegamos a três homens que cuidam de um cavalo, enquanto Albert Narracott (Jeremy Irvine) observa tudo ajoelhado atrás de um portão. O garoto está fascinado. Os homens acalmam a égua, que acabou de ter um cavalo. O potro se levanta. O tempo passa, ele cresce e corre com a mãe pela propriedade, sendo observado por Albert. Mais tarde, os cavalos serão vendidos, e o pai do rapaz, o veterano de guerra e agricultor Ted (Peter Mullan), pagará caro pelo potro crescido. A partir daí, o filme acompanha a amizade entre o cavalo e Albert.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já leu a War Horse): As maiores qualidades deste filme ficam evidentes logo de cara. Para começar, a trilha sonora do veterano premiado John Williams. Sem o virtuosismo do trabalho dele e sua “malemolência” em brincar com algumas cenas – especialmente quando Ted Narracott aparece -, o filme não seria o mesmo. Outro elemento fundamental é a direção de fotografia do grande parceiro de Spielberg, Janusz Kaminski. Os dois trabalham juntos desde 1993, quando Kaminski respondeu pela fotografia de Schindler’s List – um dos pontos fortes da produção vencedora de sete Oscar’s.

Não demora muito também para aparecer o terceiro elemento fundamental desta produção: o personagem do cavalo Joey. Digo o personagem porque, o cavalo, propriamente, fica difícil de identificar. Segundo as notas de produção de War Horse, foram utilizados, no total, 14 cavalos para “interpretar” a Joey. Mesmo tantos cavalos tendo aparecido em cena, o que se “destacou” na interpretação se chama Finder, e foi o mesmo que apareceu no filme Seabiscuit.

A vantagem de War Horse é que ele apresenta logo as suas “armas”. Porque o restante do filme é bastante óbvio e sem surpresas. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Afinal, alguém duvidou, por um segundo que fosse, que Joey não reencontraria Albert? E que o cavalo não participaria de pelo menos uma cena espetacular, no melhor estilo de Dances with Wolves? Aliás, vocês lembram daquela cena emblemática da cavalgada? A diferença é que, desta vez, o que assistimos é um cavalo solitário, desesperado, que tenta simbolizar toda a necessidade de sobrevivência selvagem plasmada em cada centímetro das trincheiras e campos de batalha da guerra que for. Aquela cena é de “cortar o coração”, claro, porque o espectador vê aquele desespero e sabe que o animal está sofrendo. A brutalidade da cena, mais uma vez, simboliza o absurdo da própria guerra.

O curioso é que, como ocorre na vida real, os inimigos se comovem e se unem por causa de um animal. Vocês já viram como as pessoas se solidarizam e unem as forças quando é para defender um animal machucado ou abandonado? Impressiona. Com isso, não estou criticando a ação. Pelo contrário, acho válida. Mas só gostaria de ver a mesma convicção e paixão para defender a causa dos animais feridos e abandonados para agarrar outras causas igualmente válidas. Só acho irônico quando encontro pessoas tão apaixonadas pela causa dos animais, mas incapazes de estender a mal para uma outra pessoa, ou mesmo de ter paciência com o pai, a mãe, ou algum parente mais velho e que já não tem mais a mesma memória, ou a mesma saúde de outrora. Mas bueno, não é sobre isso que fala o filme, então voltemos a ele…

Sabemos que o reencontro vai acontecer. A surpresa fica com o que vai rechear o filme entre uma situação – a da venda de Joey no início da guerra – e a outra (o prometido reencontro). A maioria das situações são previsíveis, o que torna o roteiro de Lee Hall e Richard Curtis um tanto fraco – abaixo da força necessária para realmente criar tensão ou interesse permanente no espectador.

Baseado no livro de Michael Morpurgo, o roteiro busca mostrar as várias “facetas” de uma guerra. Enfoca o front do conflito (na primeira sequência, do ataque inglês aos alemães, quando os cavalos são utilizados como montaria), os “bastidores” da guerra (do lado alemão, com os cavalos sendo utilizados para puxar armamentos pesados) e nos “arredores” da luta armada (no descanso que os animais tem ao serem cuidados por uma garotinha órfã).

Estes momentos diferentes do filme tentam ampliar o drama humano da guerra. Mostram diferenças de tratamento e de postura. War Horse deixa claro que os vilões são os alemães, que parecem ser insensíveis e encarar os cavalos apenas como peças descartáveis. Os ingleses, por outro lado, parecem ter apego aos bichos – ainda que o “sensível” capitão Nicholls (Tom Hiddleston) e o “mais durão” major Jamie Stewart (Benedict Cumberbatch, protagonista da ótima série inglesa Sherlock) utilizem os cavalos em uma disputa juvenil, para ver quem pode mais. Os únicos mais “sensatos” parecem ser os franceses Emilie (Celine Buckens), que encontra e cuida dos cavalos, e o avó dela (Niels Arestrup).

A história começa e se desenvolve, por quase metade do filme, em terras inglesas antes da 1ª Guerra Mundial eclodir. Naquele cenário e ambiente, o espectador é apresentado a um tema que foi importante naquele clássico que eu citei lá no início, Gone with the Wind: a desigualdade social.

Spielber explora, nesta primeira parte do filme, as dificuldades vividas pela família Narracott, permanentemente ameaçada de ter que deixar as terras alugadas do rico Lyons (David Thewlis). Nesta primeira parte, a mãe do protagonista, Rose (a ótima Emily Watson), tenta mostrar para o filho que o pai dele não é apenas um bêbado, mas também um homem honrado que voltou atormentado da guerra da África. O filho acaba aprendendo a lição, mas muito tempo mais tarde, quando vive na própria pele as dificuldades e absurdos de uma guerra.

A outra metade do filme é ambientada em terrenos de conflito, no embate entre ingleses e alemães na França, entre 1914 e 1918. Daí surge aquela preocupação do roteiro em mostrar diversas facetas da guerra. Pena que nenhuma das facetas mostrada desperte uma grande novidade, interesse ou emocione. Apenas o trecho com Emilie parece um pouco mais interessante, por causa do carisma da atriz Celine Buckens e do ator Niels Arestrup.

E ainda que o filme mostre alguns momentos “difíceis”, como a morte dos irmãos, os ataques questionáveis de ingleses e alemães, a brutalidade e ineficácia do avanço de algumas tropas e, principalmente, a crueldade com os cavalos, tudo parece “bonito” demais. Cenas muito plásticas, bem conduzidas, e pouco eficazes no sentido de revoltar pela brutalidade das situações. Apenas as sequências com os cavalos me pareceram na medida certa.

Depois do filme perder a força com o “recheio” narrativo, voltamos para um “grand finale”, muito bem dirigido e bonito pela direção de fotografia. Os atores fazem um bom trabalho, mas o destaque fica, realmente, com os cavalos. A nota abaixo é uma homenagem a eles, muito mais que uma avaliação justa para a produção.

NOTA: 8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: War Horse e Hugo são as duas mega produções que conseguiram um espaço na lista dos nove indicados ao Oscar de Melhor Filme este ano. Hugo é superior a War Horse, não apenas porque Martin Scorsese conseguiu inovar, pensando um filme que explorasse muito bem os efeitos 3D do cinema atual, mas também porque Spielberg não saiu do tradicional. Nada que ele apresenta aqui já não foi apresentado por ele mesmo em filmes anteriores ou por outros cineastas. Tanto é verdade que Spielberg não foi lembrado na categoria Melhor Diretor, mas Scorsese sim.

Todos os atores deste filme fazem um bom trabalho. Destaque para Jeremy Irvine, que está muito bem como o protagonista. Ele consegue expressar a emoção, a inocência e a maturidade do personagem de forma convincente. Depois, os veteranos Peter Mullan e Emily Watson fazem uma boa dobradinha. Niels Arestrup se destaca, mesmo em um papel relativamente pequeno, assim como a garota Celine Buckens, bastante carismática.

Além deles e dos demais citados, vale comentar o trabalho de coadjuvantes como Toby Kebbell, o soldado que encontra Joey; David Kross como Gunther, o irmão mais velho de Michael (Leonard Carow) e que resolve fugir com os cavalos; e Matt Milne como Andrew Easton, amigo de Albert.

Mesmo que o filme seja bastante previsível, algo temos que admitir: War Horse é uma bela reconstituição de época. Um trabalho ótimo e que movimentou milhares de figurantes. Na parte técnica do filme, e que lhe garantiu a qualidade que ele tem de reconstituição de época estão os ótimos trabalhos de Rick Carter no design de produção; a direção de arte da equipe de Andrew Ackland-Snow; a decoração de set de Lee Sandales e os figurinos de Joanna Johnston.

Esta nova produção de Spielberg foi exibida pela primeira vez em uma premiere em Nova York no dia 4 de dezembro. No dia 25 do mesmo mês ela entrou em cartaz nos cinemas dos Estados Unidos e do Canadá. Até o momento, o filme não participou de nenhum festival.

Ainda assim, War Horse ganhou cinco prêmios e foi indicado a outros 33, além de concorrer este ano a seis Oscar’s. Entre os prêmios que ganhou, destaque para o de filme do ano no AFI Awards; e os de melhor fotografia segundo a escolha da crítica do prêmio da Broadcast Film Critics Association e o Satellite Awards.

War Horse, pelas características da produção comentadas anteriormente, custou uma pequena fortuna: US$ 66 milhões. Apenas nos Estados Unidos o filme arrecadou, até 19 de fevereiro, pouco mais de US$ 78,7 milhões. No restante do mundo, a bilheteria somada até 21 de fevereiro chegou perto de US$ 133,5 milhões. Somadas, as bilheterias ultrapassam os US$ 200 milhões. Nada mal. E a garantia de que o filme pode ser considerado um sucesso – ainda que nenhum “arrasa-quarteirão”.

E uma curiosidade sobre o filme: ele foi totalmente rodado na Inglaterra. Mas especificamente em Devon, Surrey, Wiltshire e Bedfordshire. Foram rodadas cenas também no estúdio Twickenham, em Middlesex.

Esta produção foi baseada nos dois livros com nome similar publicados no Reino Unido em 1982 e de autoria de Michael Morpurgo, escritor de literatura infantil que recebeu, em 1999, o título M.B.E. (membro da Ordem do Império Britânico, em uma tradução livre).

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,2 para esta produção. Nada mal, levando em conta que eles costumam ser bastante rígidos nas avaliações. Os críticos que tem seus textos linkados no Rotten Tomatoes foram um pouco mais generosos, dedicaram 150 críticas positivas e 46 negativas para a produção, o que lhe garante uma aprovação de 77% e uma nota média de 7.

Há um detalhe na produção que não faz diferença para a história mas que, mesmo assim, me incomodou um bocado: todos falarem inglês. Não seria muito mais lógico os alemães, quando falam entre si, falarem alemão e os franceses o francês? Claro que Spielberg preferiu simplificar as coisas e deixar todo mundo falando inglês para cair “melhor” no gosto do público que mais lhe interessava, o norte-americano. Ainda assim, achei uma falha.

O ator Jeremy Irvine, que antes deste filme só tinha trabalhado como ator na série Life Bites, estreada em 2009, vai começar a aparecer mais para o grande público. Depois de War Horse, ele atuou em Now Is Good, pronto mas ainda inédito; Great Expectations, em pós-produção, e The Railway Man, em fase de pré-produção.

Se existesse um Oscar para o cavalo mais sofredor do cinema, teríamos uma disputa boa entre os animais de War Horse e A Torinói Ló, filme húngaro que contou com recursos também da França, Alemanhã, Suíça e Estados Unidos. Eu votaria no de War Horse. 🙂

CONCLUSÃO: Steven Spielberg começou a carreira inovando e, entre os anos 1974 e 1998, ficou conhecido por destilar algumas obras-primas do cinema moderno. Mas de lá para cá, o diretor parece ter perdido aquela força inicial. War Horse, seu último filme, mostra isto. Ao invés de inovar, de ajudar o cinema a reinventar-se, Spielberg repete fórmulas para fazer um filme comovente, mas que não passa disso. Ele não apresenta novas ideias na forma e nem no conteúdo. Praticamente qualquer diretor mediano poderia chegar ao mesmo resultado. O filme trata de amizade, de aprendizado, de reconhecimento dos valores que importam, da mesma forma com que aborda a miséria e o preço alto exigido por uma guerra – neste caso, a 1ª Guerra Mundial. Mas poderia ser qualquer guerra… O melhor da produção é o cavalo “protagonista”, a trilha sonora e a direção de fotografia. Mas nada que faça alguém perder o sono ou sonhar além da conta. Algo básico. Muito distante dos melhores tempos de Spielberg.

PALPITE PARA O OSCAR 2012: War Horse está concorrendo em seis categorias nesta edição da maior premiação de Hollywood. Ele disputa como Melhor Filme, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som.

Como Melhor Filme ele não tem chances. Seria uma grande zebra ele levar a melhor frente a The Artist, Hugo ou The Descendants. Em Direção de Fotografia ele já tem alguma chance. Ainda que a disputa este ano seja acirrada… Kaminski terá que desbancar Emmanuel Lubezki, de The Tree of Life; Robert Richardson, de Hugo; e Guillaume Schiffman de The Artist. Difícil acertar nesta categoria, mas acho que Kaminski pode levar a melhor.

Em Melhor Direção de Arte a briga também será boa, especialmente porque estão no páreo The Artist, Hugo e Midnight in Paris. Outra vez difícil apontar o ganhador, mas acho que Midnight in Paris pode levar. Em Melhor Trilha Sonora, outra vez trabalhos excepcionais, de feras e veteranos. No páreo, junto com War Horse, estão The Artist e Hugo. Aqui eu votaria em The Artist.

Para fechar, as categorias de som. Em Edição de Som, vejo a vida de War Horse bastante difícil, porque ele concorre com Drive, Hugo, Transformers: Dark of the Moon e The Girl with the Dragon Tattoo. Destes, acredito que tenham mais chances Hugo, Drive e Transformers, nesta ordem. Em Mixagem de Som, outra batalha forte, com quase todos os indicados anteriores, exceto por The Artist, que sai de cena para deixar espaço para Moneyball. Difícil dizer o vencedor, mas talvez seja Hugo.

Se os palpites confirmarem, War Horse pode ganhar apenas o Oscar de Melhor Fotografia. Ou sair da premiação de mãos abanando – o que também não seria uma surpresa. Especialmente porque ele foi indicado em duas categorias do Globo de Ouro e não levou em nenhuma delas.