Ocean’s Eight – Ocean’s 8 – Oito Mulheres e um Segredo


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Sim, você já viu essa história antes. Não há novidade por aqui. Mas algo que não é tão comum de se ver é um elenco estelar e talentoso de atrizes desse naipe reunido em uma mesma produção. Assim, Ocean’s Eight se garante pelo seu elenco. Sem dúvida o ponto alto da produção. Mas não o único, como manda a cartilha da “grife” iniciada com Ocean’s Eleven – no já distante ano de 2001. Os figurinos, a edição ágil, a direção de fotografia e a direção também são pontos de destaque. O roteiro… bem, é mais do mesmo do gênero – e com menos criatividade que outros que o precederam.

A HISTÓRIA: Em um presídio, Debbie Ocean (Sandra Bullock) é entrevistada antes de ter direito a sair em condicional. Ela admite que teve um irmão criminoso e que parte da sua família também aderiu à vida de crimes. Mas ela garante que não é assim, que apenas errou ao se apaixonar pela pessoa errada. Ela parece se emocionar, e diz que saindo da prisão, tudo que ela quer é uma vida normal. Mas essa “vida normal” para ela não é nada comum. Durante o tempo que ficou presa, tudo que ela fez foi planejar um roubo ousado. Para colocar ele em pé, ela procura grandes parceiras, começando por Lou (Cate Blanchett).

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes desse filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Ocean’s Eight): Ufa amigos e amigas! Finalmente coloco, com esta crítica, os meus comentários atrasados em dia! Assisti a Ocean’s Eight ainda em junho, mas como saí de férias por 15 dias e tive uns dias de correria pré e pós férias, estou conseguindo falar dele só agora. Depois desta crítica, bóra lá voltar ao cinema e retomar algumas pesquisas aqui para o blog. Bóra correr atrás porque já começamos o segundo semestre do ano!

Então, como eu disse antes, Ocean’s Eight é um filme divertido, com um grande elenco e bom ritmo. É puro entretenimento. Você se diverte, especialmente, com a entrega das atrizes e com as “embaixadinhas” e a troca de passes que elas fazem. Todas sabem dominar a bola muito bem, e entregam o que a audiência espera – viram que aproveite o último dia da Copa 2018 para usar umas “tiradas” futebolísticas, não é mesmo?

Mas a história em si, é bastante previsível. O roteiro de Gary Ross e Olivia Milch, que trabalharam sobre uma história de Ross e com base nos personagens criados por George Clayton Johnson e Jack Golden Russell, segue totalmente a cartilha dos outros filmes da grife. Ou seja, temos a uma protagonista – mulher, desta vez – que planeja um roubo incrível e que, para conseguir executá-lo, conta com vários outros especialistas – todas mulheres, nesse caso.

Então o início, o meio e o fim de Ocean’s Eight não fogem da cartilha e do que é previsto. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Mesmo a “surpresinha” no final, o roubo dentro do roubo, não é exatamente uma graaande surpresa. Isso já foi utilizado antes. O que surpreende sempre, nestes filmes com “crimes perfeitos”, é como a segurança de eventos/locais que deveriam ser quase impossíveis de serem ultrapassados podem falhar tanto.

No caso deste filme especificamente, parece um tanto difícil de engolir a trapalhada dos seguranças que acompanham Daphne Kluger (Anne Hathaway) e tudo que se segue após o sumiço e o “encontro” da joia mega valiosa. Ok, a edição ajuda, assim como o carisma das atrizes, mas é um tanto difícil de engolir todo aquele desenrolar envolvendo esse colar especificamente. Mas ok, ninguém quer ser muito exigente em um filme assim – até porque sabemos qual é a sua “pegada”.

Também achei um tanto “forçada” a aparição de Daphne no KG das mulheres e como todas aceitaram com tanta facilidade dividir a fortuna incluindo ela também. A pequena vingança particular de Debbie Ocean contra o ex, Claude Becker (Richard Armitage) também pareceu uma saída um tanto preguiçosa – afinal, praticamente elemento nenhum corroborava aquela teoria. Mas beleza, vamos acreditar que Debbie e Cia. são realmente geniais e conseguiram enganar a todo mundo.

Como este é um filme de puro entretenimento, o importante é nos focarmos menos na história – que, de fato, é fraquinha por ser previsível e com uns “exageros” para que tudo se encaixe e dê certo apesar de parte da história ser bastante improvável – e mais nos outros elementos que compõem uma produção do gênero. Assim, o elenco faz um ótimo trabalho; temos uma ótima e envolvente direção e edição; uma bela direção de fotografia e trilha sonora. Tudo isso junto nos entrega um filme tecnicamente bem acabado e que passa “rápido”.

Um outro ponto interessante e que não pode ser ignorado é que vivemos uma era de valorização crescente do talento feminino. Nesse cenário, Ocean’s Eight coloca em primeiro plano papéis que há tempos atrás eram masculinos. Hoje, mulheres estão cada vez mais filmes de ação como líderes da narrativa. E isso é muito bacana e interessante. Afinal, muitas vezes, elas tem um traquejo e uma sensualidade que não vemos nos homens.

Com isso, não defendo que todos os filmes de ação devam ser protagonizados por mulheres. Não, não! Mas quem sabe pode ser interessante termos mais um tipo de equilíbrio entre filmes estrelados por homens e mulheres nesse gênero? Isso pode ser bastante enriquecedor para o cinema – e fazer sentido para o público, cada vez mais preocupado com a questão da igualdade entre os gêneros.

O que podemos ver, com esse Ocean’s Eight, é que ótimas atrizes sim podem dedicar o seu talento para filmes mais descompromissados e que tem um propósito bastante específico. Filmes de ação, policiais e cheios de trama sempre são bem-vindos para “refrescar” o cinema – e dar uma pausa nas produções mais sérias e filosóficas.

Essa produção tem várias qualidades que fazem a experiência valer a pena. Só talvez poderia ter tido um roteiro um pouco mais inovador – as referências à grife foram bacanas, mas a história poderia ter tido alguns temperos e/ou surpresas mais interessantes ou convincentes.

NOTA: 7,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Como comentei antes, assisti a esse filme há cerca de um mês. Por isso me perdoem por não lembrar de todos os detalhes, mas apenas do essencial. Desconfio que o roteiro de Ocean’s Eight teve outros pontos frágeis que eu não lembrei agora, mas tentei passar o que me marcou mais desta produção. A partir de agora, prometo, pretendo escrever as próximas críticas mais próximas da minha experiência de ter visto aos filmes. 😉

Como disse antes e repito, o elenco desta filme é o seu ponto forte. Mulheres poderosas, talentosas, carismáticas e que todos tem interesse de ver na telona. O grande destaque vai para Sandra Bullock, Cate Blanchett e Sarah Paulson. Para mim, elas estão acima da média nesse filme – e as suas personagens, melhor exploradas pelos roteiristas, ajudam nisso. Sem contar os talentos das três, que realmente brilham em cena. Depois, em papéis ligeiramente menores, estão muito bem também Helena Bonham Carter, Rihanna, Mindy Kaling e Awkwafina. Destas quatro, gostei especialmente de Mindy Kaling e de Awkwafina. Para mim, elas tem personagens mais interessantes (e engraçadas).

A lista citada acima é apenas o “núcleo duro” da produção. A equipe formada pela personagem de Sandra Bullock para viabilizar o seu plano do grande roubo. Mas, além destas atrizes, vale ainda comentar o trabalho de Anne Hathaway, outra atriz com destaque na trama, assim como o papel um pouco mais relevante de Richard Armitage, e as quase “pontas” de outros nomes, como Elliott Gould, Dakota Fanning, Damian Young e Dana Ivey. Vários outros famosos aparecem apenas de relance, no tal baile de gala, mas sem nenhuma fala, nem considero interessante citá-los aqui.

Entre os aspectos técnicos do filme, vale comentar a boa direção de Gary Ross. Ele segue a cartilha de Steven Soderbergh, mas não apresenta nada inovador. Ainda assim, faz um bom trabalho orquestrando todos os talentos em volta do filme. Também vale destacar a competente direção de fotografia de Eigil Bryld; a trilha sonora de Daniel Pemberton; a ótima edição de Juliette Welfling; os figurinos superinteressantes de Sarah Edwards; o design de produção de Alex DiGerlando; a decoração de set de Rena DeAngelo; e a direção de arte de Henry Dunn, Kim Jennings e Chris Shriver.

Ocean’s Eight foi exibido no dia 5 de junho em uma première em Nova York. Dois dias depois, o filme estreou em oito países – incluindo o Brasil. Até o momento, esta produção participou de apenas um festival, o Biografilm Festival, na Itália. Apesar de ter participado apenas deste festival, o filme ganhou dois prêmios e foi indicado a um terceiro no Golden Trailer Awards. Os prêmios que ele recebeu são o de Melhor Spot de Comédia para a TV e Melhor Teaser Poster.

Agora, vale citar algumas curiosidades sobre esta produção. Ocean’s Eight começa da mesma forma que Ocean’s Eleven, o filme que inaugurou a grife de produções dirigidas por Steven Soderbergh e estreladas, entre outros, por George Clooney. A exemplo do filme de 2001, no filme estrelado por mulheres uma Ocean – a personagem de Sandra Bullock é a irmã do personagem de Clooney – é questionada sobre o que ela fará após sair da prisão. O mesmo é feito com o Ocean interpretado por Clooney no filme de 2001.

Existe uma outra referência escancarada para a produção de 2001. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Na cena final de Ocean’s Eight, a personagem de Sandra Bullock aparece na frente do túmulo do irmão vestindo um smoking preto e uma gravata borboleta aberta – a mesma roupa usada pelo irmão dela, Danny, na saída da prisão em Ocean’s Eleven.

Os usuários do site IMDb deram a nota 6,4 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 171 críticas positivas e 84 negativas para esta produção – o que lhe garante uma aprovação de 67%.

Ocean’s Eight teria custado cerca de US$ 70 milhões, segundo o site Box Office Mojo, e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 132,2 milhões. Nos outros países em que o filme estreou, ele faturou outros US$ 119,2 milhões. Ou seja, no total, faturou cerca de US$ 251,4 milhões – conseguiu, pelo visto, pagar os custos e ainda dar algum lucro para os produtores.

Este filme é uma produção 100% dos Estados Unidos – por isso o filme entra para a lista de produções que atendem a uma votação feita há tempos aqui no blog.

CONCLUSÃO: Elas são poderosas e são talentosas. E desfilam os seus carismas e talentos na nossa frente. Ocean’s Eight tem no “girl power” de um elenco escolhido à dedo o seu melhor trunfo. Esse filme, evidentemente, é puro entretenimento. Não dá para esperar muito dele e nem levar a história muito a sério. Comentado isso, é preciso dizer que Ocean’s Eight tem também uma ótima edição, trilha sonora e figurinos. Aqui e ali, ele também tem boas tiradas e algumas risadas. Para um dia qualquer no cinema, ele é diversão garantida. Sem você exigir muito da história, é claro.

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