Atomic Blonde – Atômica

atomic-blonde

Jogos e intrigas de espionagem e contraespionagem. Já vimos um bocado disso no cinema. Mas da forma com que isso é apresentado em Atomic Blonde… nunca! Este é um filme com uma pegada intensa, com muitas cenas de violência e de pancadaria e um arcabouço interessante de qualidades. Para começar, uma ótima direção. Depois, uma trilha sonora das melhores que eu já escutei em um filme e um elenco bastante interessante. Destaque, evidentemente, para a estrela Charlize Theron. Com Atomic Blonde ela se credenciou para seguir em uma trajetória de filmes de ação e de mulheres no comando, sem dúvidas. Belo filme.

A HISTÓRIA: Em uma gravação, o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan afirma que o Oriente e o Ocidente desconfiam um do outro. Na sequência, ele pede para que o Muro de Berlim seja derrubado. De fato, o Muro cairia em novembro de 1989. Mas este filme conta uma outra história. Relacionada sim com a guerra fria e com a disputa entre Estados Unidos, Inglaterra e Rússia, mas que corre por trás da “Cortina de Ferro”. Um homem corre desesperado por ruas e vielas. Quando ele acha que está livre, ele é violentamente atropelado. Mais de uma vez. James Gasciogne (Sam Hargrave) encara o inimigo, o russo Yuri Bakhtin (Jóhannes Haukur Jóhannesson), antes de levar o tiro fatal. O relógio que o russo pega do espião inglês passa a mover as ações que esta narrativa nos conta.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Atomic Blonde): Como é bom, de tempos em tempos, assistir a um filme com “pegada”, não é mesmo? Atomic Blonde tem muito disso. Começando pela direção de David Leitch. Esse dublê, que entende muito bem sobre as técnicas da pancadaria, e que tem um trabalho um pouco mais longo – 19 títulos – como ator, realmente está estreando na direção com este filme.

Antes, Leitch havia ajudado na direção de John Wick, mas sem que o seu nome fosse creditado, e dirigido o curta Deadpool: No Good Deed. E isso foi tudo. A direção para valer de um longa veio com este Atomic Blonde. Para mim, Leitch está mais que credenciado como diretor, especialmente de filmes de ação. Ele sabe tirar o melhor de cada cena e, principalmente, valorizar e apresentar algo fresco nas intermináveis e viscerais cenas de luta.

Diversas sequências deste tipo impressionam neste filme. Mas destaco, em especial, a sequência em que a protagonista Lorraine Broughton (Charlize Theron) encara um bando de policiais no apartamento que era de James Gasciogne, e as cenas em que ela enfrenta um bando de russos em uma missão quase suicida para proteger Spyglass (Eddie Marsan). Nós já vimos a muitas cenas de pancadaria e de luta no cinema, mas como estas sequências… é coisa rara. O experiente dublê David Leitch, agora na direção, consegue nos apresentar sequências realmente inesquecíveis. E isso não é algo simples ou fácil de se ver.

Esta é uma das grandes qualidades do filme. A direção de David Leitch e as sequências de ação que ele nos apresenta. Realmente são cenas estonteantes e que impressionam. A segunda grande qualidade de Atomic Blonde é a atriz Charlize Theron. Maravilhosa, ela está conseguindo se reinventar a cada papel, praticamente. E aqui, novamente, ela mostra porque é um dos grandes nomes da sua geração. Charlize Theron tem um desempenho impecável e irretocável. Ela apanha bastante, mas também consegue ser a “loira fatal” que um filme como este se propõe a apresentar.

Não importa se ela está em uma cena quente, falando francamente em um interrogatório ou sozinha em uma banheira cheia de gelo. Cada vez que ela aparece em cena ela nos convence de seu personagem e de seu papel. Ela está estonteante, mesmo cheia de hematomas. Enfim, mais um grande desempenho desta atriz – que, se o Oscar não fosse ainda tão careta, mereceria uma indicação por causa de Atomic Blonde. Também ajuda muito na valorização da personagem como a “femme fatale” clássica dos filmes de espionagem a direção de Leitch e os figurinos maravilhosos de Cindy Evans.

Uma outra qualidade marcante desta produção e que arrebatou o meu coração foi a trilha sonora cheia de rock e de intensidade. A trilha sonora desta produção, pipocada aqui e ali, é de Tyler Bates. Mas o que realmente aquece a alma de alguém que gosta de rock como eu é a seleção musical que contempla, entre outros, New Order, David Bowie, Public Enemy, George Michael, After the Fire, The Clash, Siouxsie and the Banshees, Depeche Mode, Queen e David Bowie, entre outros – a lista completa da trilha sonora vocês podem encontrar por aqui.

Outra qualidade importante do filme é que ele tem um bom ritmo e uma ótima pegada. Em poucos momentos temos uma “baixa” na adrenalina. Ainda assim, devo comentar, esta produção acaba sendo um tanto “repetitiva”. Afinal, nós temos uma premissa que fica clara logo no início: um espião russo conseguiu, matando um espião inglês, um relógio em que estão listados todos os espiões ingleses e americanos na ativa. Essas informações sigilosas, se caírem nas mãos erradas, colocam em risco toda a espionagem destas grandes potências.

Conhecida por suas habilidades apuradas, a espiã inglesa Lorraine Broughton é convocada para recuperar esta lista e, se possível, identificar o agente duplo que está criando muitas dores de cabeça para os ingleses ao trabalhar na surdina para os russos. O roteiro de Kurt Johnstad, baseado nos quadrinhos The Coldest City da dupla Antony Johnston e Sam Hart, é envolvente, mas acaba não conseguindo evitar um certo desenvolvimento previsível para a história. Verdade que a direção visceral e atenta aos detalhes de David Leitch consegue dar um ritmo veloz para a produção de tal maneira que quase não conseguimos parar para pensar nisso, em como a história vai por caminhos previsíveis.

Ainda que boa parte do roteiro já é esperado – como aquele velho jogo de “gato e rato” entre Lorraine, o espião inglês David Percival (James McAvoy) e os russos -, as reviravoltas que a história dá, especialmente na reta final, é o que torna o filme realmente interessante. Digamos que o final, que muitas vezes atrapalha algumas produções, no caso de Atomic Blonde, redime o filme de suas partes mais “previsíveis”. (SPOILER – não leia os próximos parágrafos se você ainda não assistiu ao filme).

Sim, é verdade que era um bocado previsível aquela permanente desconfiança entre os diferentes espiões que aparecem em cena. Os russos, claro, eram sempre os “inimigos” em comum. Depois, tínhamos três espiões que ficavam, aparentemente, o tempo todo se “medindo” e desconfiados uns com os outros: Lorraine, David e a francesa Delphine Lasalle (Sofia Boutella). Mas, especialmente para o que interessava nesta história, que era descobrir o “agente duplo”, era um tanto óbvio que esta descoberta estaria entre Lorraine ou David – ou, para não ir muito longe, e ainda ser plausível, alguns dos “figurões” da espionagem inglesa ou americana, como era o caso de Emmett Kurzfeld (John Goodman), Eric Gray (Toby Jones), os dois que interrogam Lorraine sobre o que aconteceu em Berlim, e o Chefe C (James Faulkner), que acompanha tudo por perto.

O interessante do roteiro é que a desconfiança sobre se Lorraine e David eram o agente duplo, permanece quase até o final. Ficamos com a “pulga atrás da orelha” também porque, segundo o que o roteiro de Johnstad sugere, grande parte do filme é narrado por Lorraine. Como ela está sendo interrogada após os fatos de Berlim e ficamos sabendo do que aconteceu lá a partir do depoimento dela, parte do que vemos poderia ser mentira, certo? Mas não. O filme não chega a este requinte.

Ainda assim, é interessante o “twist” final. Aparentemente Lorraine mente para Emmett, Eric e C dizendo que o agente duplo era David quando, na verdade, ela era esse agente duplo. Bem na reta final, quando ela se encontra com o chefão russo, Aleksander Bremovych (Roland Moller), parece que temos a confirmação de tudo isso. Mas aí ele decide matá-la, e descobrimos que David encontrou no tal relógio a informação que Lorraine não era uma agente dupla, mas tripla. 😉 Assumindo uma identidade inglesa, ela fornecia (e colhia) informações estratégicas para os russos mas, no fim das contas, trabalhava mesmo para os americanos. Essa reviravolta final foi especialmente bacana.

Por um bom tempo eu fiquei tentada a dar uma nota 10 para este filme. Mas aí fiquei analisando um pouco melhor, e achei alguns pequenos defeitos na produção – nada que lhe tire os méritos, mas algo que talvez me impeça de dar um 10 para ela. Além do filme ficar um pouco arrastado e previsível naquele jogo de gato-e-rato de Lorraine com David, achei que o roteiro perdeu a chance de tornar o mistério mais interessante ao focar em poucos personagens. Também não vi muito sentido em ter ficado em Berlim apenas um espião do lado ocidental importante – David. Não parece muito lógico isso – especialmente porque a cidade estava apinhada de russos ainda.

Além disso, acho que a personagem de Delphine foi um tanto desnecessária naquele contexto. Verdade que a atriz é boa e ela dá uma “apimentada” na estadia de Lorraine em Berlim, mas para a história ela pouco serve de ponto de intriga ou de dúvida sobre “quem é o agente duplo”. Lembrando que o agente duplo era inglês – e ela, francesa. Então sim, acho que faltou incluir mais um ou dois espiões franceses e/ou americanos na história para que o roteiro ficasse melhor e para que tivéssemos mais dúvidas do que iria acontecer.

Mas fora isso, este filme é perfeito em seu estilo e na forma com que a história se desenrola. As cenas de ação, de luta e de perseguição são impecáveis, uma verdadeira aula de direção, de interpretação e de edição. Um filme envolvente, com uma trilha sonora magnífica e com bastante pegada e adrenalina. Apenas para o roteiro faltou pouco para ser perfeito. Mas nada que estrague a experiência e o prazer de ver uma Charlize Theron arrasadora.

NOTA: 9,8.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Charlize Theron combina, definitivamente, com o papel de estrela de filmes de ação. A atriz tem talento, já demonstrado em filme com diversos perfis, mas tem fibra, carisma e entrega suficiente para estrelar, especificamente, filmes como Atomic Blonde. Gostei muito do papel dela e acredito que, pelo estilo do filme, poderemos ter alguma continuação no futuro. Seria interessante.

Ainda que eu tenha um ou dois poréns com o roteiro deste filme – como já comentei antes -, acho que a história acerta ao se ambientar nos bastidores de um acontecimento histórico importante, como foi a Queda do Muro do Berlim. Apesar de bem documentado, aquele fato realmente dá margem para alguns filmes como este, que tem um certo tom de “teoria da conspiração”. 😉

Atomic Blonde estreou em março de 2017 no Festival de Cinema South by Southwest. Depois, o filme participou do Festival Internacional de Cinema Fantasia, no Canadá, em julho; e no Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, em agosto.

Em sua trajetória, o filme ganhou três prêmios e foi indicado a outros quatro. Os prêmios que ele recebeu foram todos entregues pelo Golden Trailer Awards: Best Summer 2017 Blockbuster, Best Motion/Title Graphics e Melhor Edição de Som.

Atomic Blonde teria custado US$ 30 milhões e faturado, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 51 milhões. Nos outros mercados em que o filme já estreou ele fez outros US$ 43 milhões. Ou seja, no total, pouco mais de US$ 94 milhões – está no lucro, pois. Merecido!

Agora, aquelas curiosidades bacanas sobre o filme. Durante as filmagens de Atomic Blonde a atriz Charlize Theron rachou dois dentes. Para fazer o papel da protagonista, Theron contou com oito treinadores que a ajudaram a dar conta do recado de um papel tão vigoroso e com desempenho físico tão intenso.

Antes das filmagens desta produção começarem, o ator James McAvoy quebrou a mão no set de Split (comentado por aqui). Daí que ele teve que aguentar todas as cenas de ação de Atomic Blonde com a mão ferida.

Ainda que a cena de luta no apartamento de Gasciogne parece ter sido toda rodada na sequência, sem interrupção – a cena inteira dura 10 minutos -, na verdade aquela sequência é fruto de uma edição perfeita de quase 40 filmagens que foram feitas separadamente. A maior parte do trabalho, e não apenas nesta sequência, teve que contar com o apoio de efeitos especiais para “preencher” pequenos furos nas sequências.

Interessante que a atriz Charlize Theron, além de estrela desta produção, é uma das produtoras do filme. Segundo as notas sobre a produção, a atriz passou mais de cinco anos trabalhando para fazer este projeto sair do papel. Bacana!

Entre os atores desta produção, o destaque é realmente Charlize Theron. Ela está perfeita em um papel difícil – tanto pelo vigor físico e pelas ótimas cenas de ação quanto por todas a sequências em que os detalhes do gestual e da sua expressão são determinantes. Além dela, vale destacar o bom trabalho de alguns coadjuvantes, como Eddie Marsan como Spyglass; John Goodman como Emmett Kurzfeld; Toby Jones como Eric Gray; Roland Moller como Aleksander Bremovych; Bill Skarsgard como Merkel, alemão que ajuda a protagonista em momentos decisivos; e Til Schweiger em uma ponta interessante como o relojoeiro onde fatos cruciais aconteceram.

Outro nome importante da produção, James McAvoy está bem, mas nada além do já esperado do ator. Também valem ser citados, por fazerem um bom trabalho, mas nada perto de ser um grande destaque, os atores James Faulkner como C; Sofia Boutella como Delphine Lasalle; Sam Hargrave em uma micro ponta como James Gasciogne; e Jóhannes Haukur Jóhannesson também em uma micro ponta como Yuri Bakhtin.

Entre os aspectos técnicos do filme, sem dúvida alguma os elogios principais vão para a direção de David Leitch. Ele fez um trabalho excelente, especialmente nas cenas de ação – em outras partes, ele não se mostra tão original mas, ainda assim, sabe “beber” das melhores fontes. Então ele está de parabéns. Além dele, vale destacar a ótima direção de fotografia de Jonathan Sela; a maravilhosa e marcante trilha sonora de Tyler Bates; a edição muito difícil, cuidadosa e exemplar de Elísabet Ronaldsdóttir; o trabalho excelente do departamento de maquiagem com 11 profissionais; o competente efeitos especiais com 14 profissionais; e os efeitos visuais fundamentais que movimentaram 74 profissionais.

Além de tudo isso, vale citar o design de produção de David Scheunemann; a direção de arte de Zsuzsa Kismarty-Lechner, de Tibor Lázár e de Wolfgang Metschan; a decoração de set de Zsuzsa Mihalek e de Mark Rosinski; e os figurinos maravilhosos e já citados antes de Cindy Evans.

Para quem gosta de saber onde os filmes foram rodados, Atomic Blonde teve cenas gravadas na cidade de Budapeste, na Hungria; em Berlim, na Alemanha; em Londres, no Reino Unido; e no Studio Babelsberg, na cidade de Potsdam, na Alemanha. Entre os pontos turísticos de Berlim que aparecem na produção estão o Gedächtniskirche e a Breitscheidplatz.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,1 para esta produção, enquanto que os críticos que tem os seus textos linkados no Rotten Tomatoes dedicaram 180 críticas positivas e 61 negativas para esta produção, o que lhe garante uma aprovação de 75% e uma nota média de 6,4. Bem, como vocês viram, eu gostei mais do filme do que esta maioria. 😉

Este filme é uma coprodução da Alemanha, da Suécia e dos Estados Unidos. Como algumas votações feitas aqui no blog há tempos pediram filmes da Alemanha e dos Estados Unidos, esta crítica acaba fazendo parte da lista de filmes que atendem a pedidos aqui no blog. Fica o registro, pois.

CONCLUSÃO: Honestamente? Achei este um dos melhores filmes de espionagem de todos os tempos. Pode parecer exagero, mas eu colocaria ele no Top 10 do gênero. Com uma direção muito bem feita, com uma protagonista com desempenho impecável, recheado de muita ação, violência e uma boa carga de humor, embalado por uma trilha sonora impecável e maravilhosa, Atomic Blonde é um filme envolvente e interessante. Só não é perfeito por um ou dois detalhes do roteiro. A história também acaba “cansando” um pouco por ser um tanto “repetitiva” e rasa, mas as reviravoltas do roteiro compensam um pouco estas pequenas falhas. Se você gosta de filmes de espionagem e não se importa (ou até gosta) de pancaria, este é o seu filme.

Anúncios

Under Sandet – Land of Mine – Terra de Minas

undersandet1

Se há um capítulo da história da Humanidade que foi muito e bem retratado pelo cinema é o da Segunda Guerra Mundial. Nós já vimos dezenas de filmes sobre o assunto, e quase todos com abordagens muito diferentes entre si. Mas aquele período parece não ter fim, rendendo até hoje novas produções a cada ano. Novamente temos com este Under Sandet um filme impactante sobre aquele período. E eu diria mais que impactante: angustiante. Diferente de tantas outras produções que são ambientadas no “calor” da guerra, este filme tem uma abordagem interessante de um episódio pós-guerra. Impossível ficar impassível com esta produção.

A HISTÓRIA: Começa na Dinamarca, em maio de 1945. Após o fim dos cinco anos de ocupação nazista no país. Sentado em um jipe, o sargento Carl Rasmussen (Roland Moller) observa a marcha de soldados derrotados. Ele acelera o veículos e examina a fila até que, depois de um bom tempo, freia e retorna até encarar um soldado e pedir para que ele pare. Ele fica indignado porque o alemã está levando uma bandeira da Dinamarca com ele. Rasmussen agride o soldado e um outro alemão que vai tentar ajudá-lo e manda eles irem embora porque aquele país é dele. Depois, ele segue para uma praia onde delimita um espaço. É ali que ele vai trabalhar com um grupo de alemães para limpar o local de bombas enterradas.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Under Sandet): Achei esse filme impressionante. Pela crueza da história e pela sinceridade na abordagem. O Brasil não viveu uma invasão como a nazista por cinco anos. Tivemos outro tipo de invasões, é verdade. Mas nada naquele nível de crueldade. Então dá para entender, logo no início do filme, a reação do protagonista. Ele certamente, por ter se tornado um sargento, deve ter visto muita barbárie e ter ele mesmo protagonizado muitas cenas complicadas durante a guerra.

Agora, após a vitória dos aliados contra os nazistas, todos estão aliviados e felizes por terem o seu país de volta. O filme começa com parte dos alemães sendo enviados de volta para casa. Mas uma outra parte dos derrotados vai ficar na Dinamarca. A missão deles é uma das mais arriscadas e angustiantes que alguém poderia imaginar: limpar a costa da Dinamarca das 2,2 milhões de minas que foram colocadas pelos nazistas.

O roteiro do diretor Martin Zandvliet é uma aula de como planejar um filme. Cada minuto é pensado com inteligência e sem economizar a tensão ou a emoção. E sem cair no lugar-comum ou nos recursos simplistas de outros filmes. Depois daquela cena forte do início, vemos um grupo de jovens em um jipe. Alguns parecem serenos, outros estão visivelmente com medo do que pode acontecer na sequência. Mas eles se apoiam, e esta é uma característica que aparece entre colegas de armas no filme inteiro.

Depois do início com o protagonista, quando vemos plasmado o desejo dos dinamarqueses de verem pelas costas os inimigos recentemente vencidos, e de termos um primeiro olhar para o grupo que dividirá a parte central da produção com o sargento Carl Rasmussen, entramos na questão crucial da história. O tenente Ebbe Jensen (Mikkel Boe Folsgaard) explica para um grupo grande de jovens alemães que eles não vão encontrar simpatia alguma na Dinamarca, mas que eles estão ali com um único propósito: limpar a costa do país desarmando 2,2 milhões de minas deixadas pelos nazistas.

Segundo o próprio Jensen, essa concentração de minas é maior do que a deixada em todos os outros países da Europa. Alguém, segundo ele, imaginou a invasão dos aliados contra os nazistas naquele litoral – e errou, evidentemente. O treinamento dado por Jensen para aquele grupo, com poucos alemães tendo conhecimento sobre uma mina ou como desarmá-la, já é uma prévia da angústia que teremos durante o filme. O trabalho deles é altamente arriscado, com risco de explosão iminente, e o desprezo com que eles são tratados só aumenta ainda mais a crueldade da situação.

Uma parte daquele grupo – 14 jovens soldados alemães, para ser exata – acaba sendo enviada para o sargento Carl Rasmussen. A rotina deles é de passar grande parte do dia se arrastando na areia, cavucando ela até encontrar uma bomba e cuidar ao máximo para não acioná-la e ir para os ares com o aparato. As bombas perto da água são mais fáceis de desarmar, mas as que estão enterradas são bem mais complicadas – especialmente quando tem alguma “armadilha” prevista.

O risco de explosões e de morrer a qualquer momento não é o único problema daquele grupo de prisioneiros. Em pouco tempo eles deixam de receber as rações de comida e o risco de sofrerem um acidente se torna ainda maior. Martin Zandvliet conta essa história muito bem, com muito realismo e sem aliviar na dureza dos acontecimentos até perto do final.

(SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). A câmera está sempre próxima do elenco, mostrando em detalhes não apenas as reações dos atores mas também a ação perigosa em que eles estão envolvidos. Ainda que tenhamos um jovem explodindo na parte de treinamento, sem dúvida alguma tem um impacto muito maior quando vemos o primeiro dos 14 jovens sendo vítima de uma explosão na praia. Não apenas porque vimos que Wilhem Hahn (Leon Seidel) é um dos mais sensíveis do grupo, mas também porque ele sofre o acidente após passar por muita fome. Diferente de outros, que vão “desaparecer” com a explosão, ele também sobrevive, em um primeiro momento. O que torna a angústia de quem assiste ainda maior.

Enfim, não há momento fácil nesta produção. A expectativa da morte é uma constante. Ainda assim, muitos daqueles jovens alemães tentam se manter e segurar com a esperança de, após o trabalho feito, eles conseguirem voltar para casa. Entendemos a ótica dos dinamarqueses, mas o protagonista também mostra como, passada a resistência ao “inimigo”, o olhar começa a mudar para enxergá-los como humanos, como garotos que eles são.

A responsabilidade de Rasmussen é fazer com que aquele grupo de jovens alemães desarme 45 mil minas de uma praia na qual ele esteve antes delimitando zonas com tipos de bombas devidamente identificadas. Não é difícil o espectador colocar-se no lugar daqueles jovens que, se tudo der certo, vão trabalhar dia após dia e acabar a tarefa perigosa após três meses. Quando a comida para de ser enviada para o grupo, inicialmente Rasmussen diz para Sebastian Schumann (Louis Hofmann), prisioneiro que acaba mantendo mais contato com o sargento, que os alemães não são prioridade para receber comida.

Mas quando o primeiro garoto explode, o próprio Rasmussen cuida de pegar alimentos na base mais próxima. Esta é a primeira ação dele com duplo sentido: primeiro, claro, ele está preocupado em cumprir a sua missão e, para isso, ele sabe, aquele grupo não pode morrer de fome ou, sem comida, em explosões; depois, ali ele começa a ter uma visão diferente dos “inimigos”. Como eu disse antes, pouco a pouco, no convívio com aqueles jovens, especialmente nas conversas com Schumann, ele percebe como são todos iguais.

Para mim, é realmente a aproximação com Schumann que faz Rasmussen dar uma certa “amolecida”. Relativa porque, e isso é um acerto do diretor, ele não passa a ver os jovens como amigos, ou como filhos, mas apenas começa a ser um pouco menos cruel com eles. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Ainda assim, e isso eu achei um acerto do diretor e roteirista, ele reage muito mal quando o cachorro dele é morto por uma mina que foi esquecida. Mas ao se aproximar de Schumann, Rasmussen parece ver nele – e nos outros garotos por tabela – um possível filho. Tipo um filho que ele não teve – ou que perdeu, já que não sabemos nada sobre a sua vida.

Aliás, essa é uma escolha interessante de Zandvliet. Com pinceladas aqui e ali, ele acaba contando um pouco da história de parte dos jovens alemães prisioneiros, mas o mesmo não pode ser dito sobre os militares dinamarqueses. Observamos como eles agem e que atitude eles tem frente aos inimigos, mas não sabemos nada sobre as suas vidas. Ainda que o grupo de alemães se apresente para Rasmussen, poucos acabam tendo uma relevância maior na história. Essa também é uma escolha acertada. Porque ao focar em uma pequena parte daquele grupo, o diretor e roteirista consegue explorar melhor as relações entre eles.

Como comentei antes, Zandvliet tem uma direção precisa. Ele sabe equilibrar o foco na atuação dos personagens ao mesmo tempo que valoriza os detalhes das cenas quando elas pedem este detalhamento, abrir o foco quando a intenção é valorizar a passagem e, na cena do desespero de Ernst Lessner (Emil Belton) na praia, ele deixa a segurança de uma câmera estática para adotar uma câmera na mão que mostra correria e confusão, ajudando a transportar o espectador para o estado emocional do garoto em procura do irmão Werner (Oskar Belton).

Under Sandet se destaca, desta forma, pela excelente direção e pelo roteiro inteligente de Martin Zandvliet. Ele sabe usar todos os recursos a seu favor. Também são pontos fortes da produção o ótimo elenco, escolhido à dedo e com atuações que ganham o espectador pelo olhar e pelos detalhes, em muitos momentos. Há pontos altos da história, como a emocionante cena entre Rasmussen e Schumann após a morte de Werner. Sem dúvida alguma, um dos grandes momentos do filme. Também é impactante a cena do resgate de Elisabeth (Zoe Zandvliet) na praia.

Com belíssimas imagens e uma trilha sonora perfeita, Under Sandet tem na história, na direção, na atuação do elenco e nos detalhes técnicos alguns de seus pontos fortes. Mas para não dizer que o filme é perfeito, teve um pequeno detalhe que me incomodou um pouco porque me pareceu exagerado.

(SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Após a morte de Werner e da conversa com Schumann, Rasmussen não apenas vai pegar mais comida para o grupo às escondidas, mas também libera os rapazes para um dia de “lazer”. Até aí, tudo bem. Não chega a ser absurdo Rasmussen pensar em um dia de “folga” para aliviar um pouco a tensão do grupo. Afinal, ele precisava deles. O que me incomodou não foi o “dia de folga”, e sim o sargento se juntar ao grupo na diversão. Naquele momento eu acho que ele foi de 0 a 100 sem nos convencer exatamente que ele seria capaz disso. Uma coisa é pensar no que seria necessário para o grupo continuar trabalhando, outra muito diferente seria sair do estágio anterior em que ele estava e, de um dia para o outro, se tornar amigo dos prisioneiros.

Estrategicamente falando, tal atitude do sargento era, inclusive, perigosa. Afinal, como “amigo” do grupo ele poderia se tornar displicente com alguma fuga ou com alguma rebelião. E, certamente, seria penalizado por isso. Difícil acreitar que um militar que ascendeu até o posto de sargento teria tal atitude. Esse seria o único “porém” da produção. O único ponto da história que não me convenceu. Por isso mesmo o filme, apesar de ser muito bem construído e realizado, não tira a nota máxima.

Quanto ao final propriamente dito, achei muito coerente. Tem a ver tanto com o desenrolar da história quanto com o caráter do protagonista. Acima de tudo, Rasmussen era um sujeito honrado, alguém que acreditava na força da palavra, do que foi prometido. Apesar daquele pequeno deslize no roteiro que eu comentei, este filme merece, sem dúvida, ser assistido e ter uma trajetória de ainda mais êxito.

Ele mostra com muita propriedade como a “razão” pode ceder espaço para a compaixão, e que há esperança quando isso acontece. Uma mensagem importante em um momento como este, quando começa a crescer, pelo mundo, novamente a lógica de “nós” contra “eles”. Também achei importante ele mostrar que não apenas os alemães foram os “vilões” da Segunda Guerra Mundial. Eles também foram tratados com crueldade. Em um filme de pós-guerra, interessante mostrar como as vítimas anteriores deles também não pensaram duas vezes em “dar o troco”. Quando agimos da mesma forma, será que somos realmente melhores do que aqueles que nos fizeram mal?

Esse filme levanta diversas reflexões e mostra um lado da história pouco difundido. É corajoso ao fazer esta escolha. A lógica dos dinamarqueses é “melhor eles morrerem do que a gente”. Mas realmente aquela era a única saída para o problema? Certamente que não. Sempre há outra saída que não a de exterminar pessoas. Sejam elas consideradas “inimigas” ou não. Por tudo isso, não é por acaso que este filme está sendo apontado como um dos favoritos para o próximo Oscar.

NOTA: 9,7.

OBS DE PÉ DE PÁGINA: Achei interessante como cada personagem com relevância neste filme foi bem pensado. Do protagonista, que mostra autoridade e clareza de seus objetivos, até cada um dos prisioneiros alemães que ele tem sob a sua responsabilidade. Como eu disse antes, apenas uma pequena parte do grupo ganha uma relevância maior. Gostei, em especial, do trabalho sensível de Louis Hofmann como Sebastian Schumann. Mas também se destacam Oskar Bökelmann como Ludwig Haffke; Emil Belton e Oskar Belton como os irmãos Ernst e Werner Lessner; e Joel Basman como Helmut Morbach, prisioneiro que lutou na guerra e que, algumas vezes, parece o mais inconstante psicologicamente do grupo, com muitos altos e baixos.

Ainda que em papéis menores, outros atores merecem ser citados porque tem um trabalho interessante. A pessoa mais fácil de identificar neste sentido é Laura Bro, atriz que interpreta Karin, uma dinamarquesa que mora perto da praia e que tem como principal preocupação manter a filha Elisabeth em segurança. Os outros atores que interpretam os alemães estão bem, mas nenhum com grande destaque na interpretação.

Da parte técnica do filme, vale citar o excelente trabalho da diretora de fotografia Camilla Hjelm; a edição precisa e muito bem feita de Per Sandholt e Molly Marlene Stensgaard; a trilha sonora colocada nos momentos adequados e sem exageros de Sune Martin; o design de produção de Gitte Malling; o excelente trabalho dos 15 profissionais do departamento de som (um dos pontos fortes da produção); o trabalho preciso e convincente dos 10 profissionais envolvidos com os efeitos visuais e os quatro responsáveis pelos efeitos especiais.

Lembrei, agora, de um detalhe importante do filme. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Em certo momento da história, um dos irmãos gêmeos encontra um rato. E começa a cuidar dele. Isso me fez lembrar daquela frase: “afinal, estamos falando de homens ou de ratos?”. Pois bem, este filme trata de homens ou de ratos? Acho que esta é uma questão subliminar da história. Para mim, quando as pessoas perdem a noção de humanidade, perdem o valor do outro como ser humano, elas deixam de ser “homens” e “mulheres” e passam a ser ratos. Sem mais.

Under Sandet estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto em setembro de 2015. De lá para cá, o filme participou ainda de outros 14 festivais pelo mundo, incluindo os importantes festivais de Londres, Tóquio, Thessaloniki e Sundance (este último em janeiro deste ano). Nesta trajetória, ele recebeu nada menos que 21 prêmios e foi indicado a outros 17. Números importantes para um filme que quer aparecer na lista dos finalistas ao Oscar.

Entre os prêmios que recebeu, destaque para o de Melhor Ator para Louis Hofmann no Festival Internacional de Cinema de Beijing; o prêmio da audiência para Martin Zandvliet dado no Festival Internacional de Cinema de Gijón; o prêmio SIGNIS no Festival Internacional de Cinema de Hong Kong para Martin Zandvliet; e o de Melhor Ator para Roland Moller e Louis Hofmann no Festival Internacional de Cinema de Tóquio.

Uma lógica recorrente neste filme é utilizada hoje também nos nossos centros urbanos. (SPOILER – não leia se você não tiver assistido ao filme). A ideia de que “se eles tem idade para lutar na guerra eles tem idade também para morrer” hoje foi adaptada para “se eles tem idade para roubar, eles tem idade também para morrer”. É ou não é assim? Já ouvi muito isso. E claro que discordo. Não devemos assumir a postura de justiceiros ou de “pessoas acima de qualquer suspeita”. Não devemos julgar e sim dar oportunidades e alternativas para pessoas que talvez não tiveram isso antes. Ninguém, se tivesse sã consciência do que uma guerra representa e se tivesse outras possibilidades escolheria ir para a guerra. O mesmo vale para quem comete crimes. Vale refletir sobre isso.

Agora, algumas curiosidades sobre o filme. De acordo com as notas de produção de Under Sandet, o uso de crianças alemãs para o desarmamento de minas após o fim da Segunda Guerra Mundial foi considerado por muitos historiadores como o pior crime de guerra já praticado pelo Estado dinamarquês.

No filme um sargento dinamarquês está no comando do grupo de desarme de minas na praia. Mas na vida real estas missões eram controladas pelas forças britânicas que colocavam oficiais alemães no comando de cada equipe.

A estimativa é que pouco mais de 2 mil soldados alemães foram forçados a fazer o desarme das minas terrestres e que cerca de metade deles morreram na tarefa ou perderam braços e pernas neste intento.

A produção foi filmada em locais em que os fatos narrados na história realmente aconteceram, inclusive no campo militar de Oksbollejren e em áreas de Varde, litoral na Dinamarca.

Os usuários do site IMDb deram a nota 7,8 para a produção. Uma avaliação muito boa se levarmos em conta o padrão do site. Curioso, no entanto, que apesar de ser apontado como um dos favoritos ao Oscar, Under Sandet tenha apenas três críticas no Rotten Tomatoes – o número é tão baixo que o site ainda não dá uma média de nota ou de avaliações. Destas três críticas, duas são positivas e uma negativa. Digo que é curioso tão pouco interesse porque o filme deveria ser um pouco mais conhecido, especialmente por ter passado por tantos festivais. Para chegar a uma das vagas decisivas do Oscar, certamente, os produtores do filme vão precisar torná-lo mais conhecido nos Estados Unidos.

Este filme é uma coprodução da Dinamarca e da Alemanha. Ainda assim, vale lembrar, predominam os recursos da Dinamarca, tanto que o filme foi escolhido pelo país para representá-lo no Oscar 2017, buscando uma vaga entre os finalistas na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira.

Com uma carreira mais extensa como editor, Martin Zandvliet tem neste filme apenas o seu terceiro longa de ficção. Ele estreou como diretor em 2002 com o documentário Angels of Brooklyn e, depois, fez dois curtas (Jeg Somregel e Mon Petit-Enfant) antes de fazer o primeiro longa sem ser documentário em 2009, Applaus e, em 2011, Dirch. Mas ele parece ter engrenado. Tanto que agora está rodando The Outsider, um filme que se passa também após a Segunda Guerra Mundial, mas desta vez no Japão. No elenco, entre outros nomes, ele tem Jared Leto.

CONCLUSÃO: A premissa deste filme é um soco no estômago desde o princípio. A essência da história faz com que esperemos sempre o pior em Under Sandet. E não são poucas as vezes em que isso acontece. De forma muito sensível e ao mesmo tempo angustiante este filme nos mostra mais uma das várias faces desumanas da guerra. Quando as vidas dos inimigos, suas histórias, famílias e sonhos não tem importância alguma. Pelo olhar do protagonista, acompanhamos a lógica de limpeza das praias sendo alterada aos poucos para a compreensão de que todos somos iguais. Qualquer um poderia estar naquele lugar. Um filme tenso, cheio de mortes e de lições. Corajoso, Under Sandet consegue surpreender ao contar uma história pouco conhecida da guerra tão falada e filmada. Um dos achados da temporada pré-Oscar, sem dúvidas.

PALPITES PARA O OSCAR 2017: É verdade que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood gosta de um filme sobre o Holocausto. Mas esta produção, apesar de tratar de fatos relacionados à Segunda Guerra Mundial, passa longe do extermínio de judeus e de outros grupos perseguidos pelos nazistas. Muito pelo contrário. O filme tem a coragem de mostrar que os alemães também sofreram na pele, e não foi pouco, após perderem a guerra.

Para mim, seria uma grande injustiça Under Sandet não avançar para a lista dos finalistas na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2017. Claro, eu admito, tenho muitos filmes para ver ainda. Mas ao assistir Under Sandet eu entendi porque ele é apontado por muitas listas pré-Oscar como um forte candidato para uma das cinco vagas nesta categoria. Para mim, desde já, ele deve estar lá. Pela qualidade técnica do filme e pelo inusitado da história, não seria difícil para esta produção também levar a estatueta para casa.

Sem dúvida alguma que das produções que estão na lista dos 85 filmes habilitados que eu já assisti, até o momento, Under Sandet é a melhor delas. Mas tenho muitos filmes para assistir ainda antes de cravar um palpite. Mas algo é certo: Under Sandet merece estar entre os finalistas e pode sim ganhar o Oscar no final. O jeito agora é conferir os outros favoritos e, depois, dar o palpite final. De qualquer forma, vale assistir a este filme. Isso se você não tiver problemas com crueldade, sangue, mortes e explosões, é claro.